quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

As minhas dúvidas sobre o caso...

Freeport!
Como é que se pronuncia correctamente a palavra Freeport?
Será "fripór"? Ou será "friport"?
Dúvidas não tenho eu sobre a tranquilidade que vizinha o "caso", sobre a verdade de um rio que resiste à modernice da intriga pouco palaciana dos corredores do poder e renova a sua fauna, para espanto de todos os que vaticinam a morte dos elegantes flamingos e seus pares...Um rio que se envolve com a terra das margens, salgando-as de beleza ímpar. Um pouco além, fica o Freeport e a minha grande dúvida: será que se diz assim ou assim?

sábado, 24 de janeiro de 2009

A mais bela estação

Pensei, sem pensar muito, que se tratava de uma estação do ano. À minha pobre cabecita, atolada de "objectivos", não ocorreu que podia tratar-se da lindíssima estação de comboios da minha cidade.
(Mais uma vez te traí, minha cidade! Eu devia ter pensado logo, devia ter-me lembrado logo de ti, cidade, que guardas a memória dos meus sonhos adolescentes, que guardas ainda a minha esperança de futuro.)
Mas, depressa varri da consciência estes inúteis remorsos que só crescem porque eu deixo, porque me fazem companhia. Depressa deixei que uma saudade mais benigna tomasse conta da memória dessa estação e percorri dentro de mim o cais imenso. É mesmo um cais de partir e de chegar.
Assomei à janela de um desses comboios não menos emblemáticos do tempo e acenei.
Um dia hei-de aí voltar, minha cidade!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aqui há inocência com I grande

O João estava triste. Para além dos olhos, a tristeza inundava-lhe todo o semblante e até o corpo franzino, que parecia não aguentar o seu próprio pouco peso, se encostava a uma coluna do telheiro que liga as várias salas de aula.
A professora passou por ele e, não podendo deixar de tropeçar na tristeza que estava ali, no meio do caminho, para ser "notada" por todos os que passassem, perguntou-lhe:
- O que é que tens, João?
- Foi o Pedro e o Miguel! Fizeram batota a jogar ao berlinde.
À laia de conforto, a professora convidou o João a entrar na sala e a esquecer os berlindes e a batota.
No fim da aula, o João foi ter com a professora e segredou-lhe, em jeito de lembrete, como se tivesse havido uma promessa de intervenção para repor a justiça transviada naquele jogo de berlindes:
- Não se esqueça de falar com eles, por causa do berlinde...
Imagem- Getty Image (modificada pelo Photoshop)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Notícias que não me passam ao lado

Pelo contrário: estilhaçam a barreira das emoções mais minhas, aquelas que nem às paredes devo confessar, para não passarem para lá dos limites de segurança.
Uma delas foi, sem dúvida, a da menina que nasceu "livre" do gene do cancro da mama. Fico feliz, pois o cancro da mama aparece em mulheres cada vez mais novas e isso dói muito na condição de mulher-mãe. A idade jovem da mulher é importante, não só pela juventude e saúde do seu corpo, mas também pela maternidade e tudo o que envolve este milagre que é dar à luz um filho. Ou dois ou três, ou seja lá quantos forem. Mesmo importado "via-coração", a mulher jovem precisa de ter o corpo livre desta ameaça, para poder sonhar o futuro dos seus filhos. Claro que eu falo dos medos que eu tinha quando era nova e os meus filhos eram pequeninos e tão meus, tão meus, que os achava absolutamente intransmissíveis. Por isso, esta notícia acertou em cheio no meu coração!
A outra notícia que me fez tremer foi a de uma jovem, ex-atleta, grávida que foi vítima de hemorragia cerebral e a quem foi possível fazer o parto mesmo depois da sua própria vida ter terminado. Como dizia Mia Couto, num dos seus belíssimos contos: naquele corpo, a vida fez horas extraordinárias. Dizem que a literatura é ficção. Ali estava pois a prova de que a literatura pode antecipar a realidade!
E finalmente a notícia que fez correr mais tinta, que gastou mais luz no mundo inteiro. A felicidade do menino Cristiano Ronaldo. Quem estava ali, perante os nossos olhos, num palco do mundo, era um menino feliz. Naquele momento não havia Ferraris nem Bugattis, nem Mourinhos, nem milhões! Havia, sim, a emoção sincera de um menino.
Sim, que uma Pessoa nem sempre é de ferro!Ao lado, passei eu deste Pessoa em bronze, no momento exacto em que uma menina brincava com o pé do poeta num alheamento poético, digno da pessoa ali esculpida, digna da poesia que a vida também tem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Davam grandes passeios aos domingos

Davam grandes passeios aos domingos... É uma obra de José Régio! E é também a realidade de muita gente. Sempre foi. Lembro-me da volta dos tristes, antes da ditadura dos Centros Comerciais.
(Eu até gosto da voltinha num Centro. É do género do carrossel: sobe e desce, sobe e desce, só que, em vez de cavalinhos de todas as cores e brilhos, sobe-se e desce-se a escada rolante...)
Hoje fui dar um desses grandes passeios domingueiros: visita ao Palácio Nacional de Sintra. Sobre o valor histórico e sobre a beleza dos espaços que são visitáveis, está tudo dito por aí. O que realmente me deslumbrou hoje foi Sintra, mesmo Sintra, a Sintra que avistei das janelas, da Sintra que nos esperava, verde, verde, verde!
Sintra é "inigualável", disse-o Hans Christian Andersen.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

É para já!

Tenho de ir pôr a minha cabeça a lavar. Ou pelo menos a limpar a seco. Está cheia de lixo! Burocrático!
Acho que estas nódoas não são facilmente elimináveis!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Regresso do MEC

O MEC é uma referência da minha geração. Digo minha, porque os respeitáveis dois ou três anos que os meus cinquenta levam de avanço em relação aos dele me dão essa autoridade de me auto-infligir a "matura idade". Até porque eu envelheci. O MEC, não!
Ele mantém a linha da irreverência que funciona, quando bem usada, como elixir da juventude. Claro que falo de uma juventude de pensamento. O MEC está gordinho, tão gordito, que já nem se notam tanto as orelhitas de abano!
Foi por causa do MEC, que eu me perdi para sempre nos caminhos da net. (Ironia!) Fui ao consultório do Doutor Pastilhas e fiquei dependente deste acesso fácil, muito imediato, ao bem-estar.(Sem ironia!)
O MEC voltou com uma publicação em memória das noites da Má-Língua. As conversas com os outros maldizentes militantes foram gravadas pela TSF, presumo que nos seus estúdios e ouvi-los, neste caso, é bem melhor do que lê-los. A versão áudio conserva os tiques, a pronúncia do norte do Manuel Serrão que se perdem na versão escrita.
Quanto às crónicas do MEC, ontem, já tropecei numa, no Público, sobre a Bimby, "autêntico antepassado da cozinha de autor"! Hoje, outra crónica com alguma verdades em que o MEC denuncia, com o estilo habitual, as personalidades inconsistentes que se escondem atrás de algumas modas sociais.
Eu continuo fã do MEC. Irremediavelmente!
Vou guardar no meu baú estas crónicas!

domingo, 4 de janeiro de 2009

A não perder

Numa Lisboa perto de si, num rio perto de si, numa margem de Lisboa...
A beleza das colunas, uma beleza simples, sem artifícios, onde até as gaivotas se sentem em casa...
A esta beleza junta-se a beleza do deslumbramento de quantos querem ver o lugar que tem a sua história guardada no limo das pedras, que as protege da erosão do esquecimento.
Amanhã, o cais das colunas será novamente vendado aos olhos dos que o procuram, por acaso ou com intenção de guardar esta memória de Lisboa.

Provérbio fotografado

Uma geração planta a árvore e outra recebe a sombra.(Provérbio chinês)
A geração que plantou a árvore está a sair de cena. Sai ainda com a dignidade do seu próprio passo. Quem nos dera a todos esta felicidade!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Provérbios aplicados


Por muito longa que seja a noite, a manhã chegará!
Este é, dizem, um provérbio africano.
Como todos os provérbios que se prezem, a verdade contida é contestável.
Mesmo assim, parece-me que a sabedoria popular prevalece sobre uma desmontagem lógica.
Pensando bem, é melhor fixar a nossa atenção nos raios de sol que rompem a escuridão das noites.
É preferível não resistir ao calor do primeiro sol que nem sequer é pernicioso!
É preferível não nos deixarmos seduzir pela magia da noite!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ainda a sair o ano

Efeito B.B.
Baptista Bastos. Não confundir com Brigitte Bardot!
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.
Pena eu já ter escrito sobre o "assunto". Subscrevo os sonhos do B.B.
O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
Se eu tivesse poder para inventar um ritual, arranjava maneira de atirar ao mar o ano velho e ir buscar ao mar as boas energias para o ano novo.
Nem sempre o corpo me pede mar, mas os olhos sim! Sempre!

Sair do ano

O calendário condiciona incontornavelmente as nossas emoções.
Não consigo abstrair-me da data carregada de simbolismo, pela possibilidade meramente teórica e virtual de uma mudança.
Para melhor, só admito!
De uma mudança para o desconhecido que vai ser suportado por um outro calendário, com os mesmos meses, com os mesmos dias, com as mesmas datas festivas. No meio de tantos "mesmos", apenas nós, cada um de nós, não seremos os mesmos.
Inventaram-se rituais, uns mais exequíveis do que outros, para recomeçar a contagem do novo ano com o tal espírito positivo a que até os homens da ciência já recorrem.
Há o pé direito e o esquerdo. Rapidamente estes dois pés começaram a ser conotados com opções ideológicas e essa sugestão foi abandonada, pois o planeta corria o risco de entrar sempre coxo num ano novo. Há sempre a hipótese dos dois pés que se consegue com um salto.
Cá por mim, não vou nisso; prefiro entrar "no" ano novo, com os dois pés no chão.
Com os dois pés sãos, sem calos, nem artroses, nem joanetes, nem apertos de sapatos de festa. Dois pés livres para percorrer a caminhada dos dias de 2009.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ai Pai Natal, Pai Natal!

Agora que descobri onde moras, tenho vontade de me meter ao caminho e ir até Korvatunturi , para que saibas que foste a causa da primeira desilusão da minha vida.
Tinha seis anos e, naquele ano, como nos outros, tinha desejado um brinquedo daqueles que dá para antecipar a vida: um boneco que era tal e qual um bebé.
Nunca tinha sequer duvidado da tua existência. Duvidava apenas da tua pontualidade e pensava que talvez fosses um ser pouco sociável. Chegavas sempre tão tarde, tão tarde que eu nunca tinha conseguido parar o sono para te encontrar e para falar contigo! Lembro-me de combater o sono nas noites de vinte e quatro, depois de ter posto o sapatinho, na cozinha, ao pé do fogão...
Naquele ano, a minha mãe, para acalmar a minha ansiedade, resolveu antecipar a tua chegada. Faltavam ainda uns dias para o Natal e a minha prima Olga tinha vindo da África do Sul, para passar aqueles dias connosco.
O meu pai estava em Lisboa e a ausência dele magoava, sobretudo naqueles dias. Marcámos uma chamada telefónica para Lisboa, mas como não tínhamos telefone, tínhamos de ir a casa dos vizinhos de cima, os senhorios, e esperar que uma operadora da Marconi estabelecesse a ligação.
À hora combinada, lá fomos e tudo aconteceu muito rápido e muito caro: três minutos, cento e vinte escudos. Não deu para nada que se parecesse com matar saudades. Foi mais um reforço de saudade do que a sua liquidação. Mas o nosso dinheiro não dava para mais!
Para além deste telefonema, o Pai Natal passou pela Rua dos Velhos Colonos, a meio da tarde, num carro pouco parecido com o seu habitual trenó puxado por renas. Disseram-me. Eu não vi, claro! A minha prima Olga é que me garantiu que ele tinha passado, cheio de pressa, num carro vermelho, sem capota, para deixar o presente. Tinha tanta pressa que nem esperou que eu saísse da garagem onde estava a brincar com as bonecas "velhas". A pressa, eu não estranhei. Na mentira, acreditei piamente.
O pior foi a reacção de uns quantos mais crescidos que troçaram descaradamente da minha ingenuidade.
Mas o que me doeu mesmo mais foi ter perdido essa ilusão!Ter perdido, talvez para sempre, a capacidade de me iludir!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Outros sentidos de Natal

À medida que a vida vai avançando, há que resgatar algum sentido das festas.
A magia pode esvair-se por entre as imensas preocupações que a vida traz, inevitavelmente, a todos. Ninguém escapa à realidade dos problemas de saúde! Ninguém escapa ao desencanto e à desilusão dos dias que vamos vivendo. Ninguém pode contornar a sensação de injustiça, que sobrevém à fome e às doenças dos mais pobres, dos mais indefesos, dos mais novos e dos mais velhos. Ninguém suporta bem o sentimento de impotência que nos tolhe a esperança da solidariedade possível. Por mais voltas que se dê à ideia do Natal todos os dias, há este vinte e cinco em que o Dia se faz sentir nas ruas vazias, no recolhimento próprio da festa e do frio...
Onde está o Natal da nossa infância? A certa altura, em que o julgávamos também perdido, reapareceu trazido pela infância dos nossos filhos, mas até esse nos abandonou. A solidão toma conta de nós nestes dias, em que a televisão e a rádio gritam belas músicas de natal, agitando a nossa consciência da realidade. Parece-nos ouvir a cada instante um pedido de socorro: Salvem o Natal!
O meu, ontem, salvou-se na tranquilidade do jantar possível num restaurante inglês, em Albufeira.
(Não há restaurantes abertos, praticamente, no dia de Natal!)

domingo, 21 de dezembro de 2008

O brinquedo...

É a brincar que a gente aprende, dizem alguns doutores das grandes coisas pequenas.
Tentemos mexer nesses mágicos objectos pequenos que não cresceram connosco porque a fantasia que lhes corre no trapo, na lata ou na madeira não se metamorfoseia, de uma vida para a outra, em coisas a sério que só fazem é parar o mundo.
Um soldadinho de chumbo nunca matará. Ele será apenas e só um fiel guardião da paz verdadeira!
Deixemo-nos tocar uma vez mais pela verdade dessa fantasia!
E que seja eterno o nosso pião!E foi assim, à espreita da magia da época, que a magia da Nini e da Graciete tocou e aqueceu os corações desprevenidos de quem visitou "os brinquedos" no Palácio da Independência, em Lisboa, neste Dezembro tão frio...
Foto-quadro da Nini

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Recado para o Rui

Pode parecer esquecimento, mas não é. E vou provar que não é esquecimento.
O programa mágico para brincares com a tua neta está aqui.
Quase no fim da página estão duas versões: uma é o programa principal e outra é "mais brincadeira".
Diverte-te com a Madalena!