terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um dia na História

"Sabes o que é um castelo?
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes."
António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criançaEm 1147, D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da História de Portugal.
Fonte-Leme

domingo, 19 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de reportagem

Foi bonito, simples e muito feito a partir da espontaneidade de quem interveio.
Primeiro a apresentadora, que falou das duas pintoras, sobretudo do seu conhecimento das pessoas, enriquecendo com um toque de afectividade o pré-debate.
(Lá fora tinha chovido granizo. Nada melhor para esquecer a tempestade do que remeter os sentidos para a realidade que resulta da criação.)
Depois a moderadora referiu-se com a convicção da solenidade necessária ao trabalho das duas pintoras: A Ana (Nini, a minha irmã de coração!) e a Cecília.
Depois falaram elas, as pintoras. Primeiro a Cecília. Eu que até nem percebo destas artes, entendi perfeitamente o processo criativo: primeiro o traço, depois pode continuar a ser o traço e o traço, até que o traço siga o seu caminho... As paisagens que não são senão paisagens de si mesma. A cor dominante. O auto-retrato!
Depois falou a Nini, do seu percurso, dos seus mestres, do seu processo criativo, diferente do da Cecília, dos seus temas, da magia de transformar a dor em cor, digo eu, que eu sei.
(Lá fora tinha chovido granizo. O caos estava instalado na cidade. Mas, das portas da Bulhosa para dentro, a ordem estabeleceu-se, naturalmente eivada de emoções, que vêm à tona também naturalmente, porque a arte é a emoção feita qualquer coisa. Neste caso pintura!)
Pego no folheto da Bulhosa e vem-me, à flor da saudade, um nome, uma memória muito viva: Lindley Cintra. Foi o meu primeiro professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ensinou-me a Linguística, o Ideal e a Coragem. Tenho a certeza que não é por acaso que a Escola se chama Lindley Cintra. É uma inspiração e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de um compromisso com a Verdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Toca a limpar!


Há "graffitis" e "graffitis". Alguns parecem ter evidente intenção artística. Outros só existem para sujar. Arte ou Não-Arte, o "graffiti" é sempre uma irreverência e funciona, ou seja, atrai invariavelmente a atenção de quem passa.
O problema é que há paredes que não aguentam mais marcas, mais gritos. É preciso devolver a alguns muros esse espaço do grito.
Agora é no Bairro Alto, por ordem de um conjunto de entidades.
Quem for apanhado a "graffitar", tratando-se de um "crime" diferente, dificilmente catalogável, também a sanção deve ser também uma sanção diferente, no caso de o infractor ser levado a tribunal. Um serviço comunitário, é o exemplo dado na notícia.
Pode nem servir de nada, mas vale a pena tentar!
Fotografia-Elevador do Lavra,124 anos de idade, na Rua de São José, Lisboa, a Linda!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Olha o sol a trazer o dia a Lisboa!

Há dias em que até para o sol parece difícil romper o frio da manhã sobre o rio e trazer a luz do dia à cidade, que começa aqui, quando a água acaba e se encosta às rochas da margens, em amena conversa com as gaivotas, os barcos... De que falarão, gaivotas, barcos e rio, ao fim destes tantos anos?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inauguração

O Meu Banco abriu hoje!
Não, não é a minha contribuição para a resolução da crise. Também não é um banco de jardim ou de uma praça.
(Desde que começou este falatório da crise que não penso em mais nada senão em bancos, não nos bancos do dinheiro mas naqueles em que depositamos, ao fim de um dia de trabalho, o cansaço das nossas pernas, ou, quando a vida já vai avançada, o que nos resta de ilusão, coragem, esperança... A minha atenção vê bancos em todo o lado!)
Mas o Meu Banco também não é desses!
É um repositório de imagens, daquelas em que tropeço e que me apetece guardar. Vão ficar aqui.
E por falar em outros blogs, guardei no meu baú a Entrevista do Escritor Lobo Antunes, publicada na Pública de domingo. É a humanidade do Escritor a responder às perguntas! É ele a contar e a provar como o cancro o mudou.

É o Outono a chegar a Lisboa!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Onde pára o professor?

Preparação das aulas trocada pelas avaliações
Este título diz muito sobre a aflição dos professores que vêem o seu tempo sugado pelas sucessivas reuniões, Conselhos Pedagógicos e outros, por causa da Avaliação de Desempenho, processo que os professores procuram tornar viável e justo, embatendo sempre na essência desta avaliação toda ela feita de papel, sucesso escolar fácil, burocraticamente perfeito, administrativamente inatacável, de aplicação difícil, com consequências ainda não calculadas, provavelmente desastrosas, nas práticas dos professores esgotados de tempo e de esperança.
Imagem

domingo, 5 de outubro de 2008

Bom Dia, Professor!

World Teachers’ Day reminds governments and the general public of the role of teachers and of the need to improve their status and working conditions. Above all, it is an opportunity to show appreciation for their work in preparing the next generation to function efficiently in a changing world.
Felizmente este texto tem idade suficiente (dez anos) para evitar conclusões fáceis daqueles que procuram ridicularizar e menorizar a luta dos professores por melhores condições de trabalho.
Os professores têm em mãos uma "Avaliação de Desempenho" e tentam viabilizar de forma justa o que é na sua essência injusto: avaliar os professores pelos resultados escolares, passando por cima do princípio da identidade individual do aluno e do professor, esquecendo que o verdadeiro sucesso escolar e educativo depende de muito mais do que uma simples nota atribuída no final do ano.
O sucesso é, na minha perspectiva, um resultado equilibrado e harmonioso, feito de conhecimentos adquiridos (quanto mais, melhor!) e valores, que ao longo da vida, se tornam preciosos para o sucesso pessoal. Mas, na sociedade moderna, o que manda é o número, o que nos governa é o papel, um papel desalmado, desumanizado que fornece os elementos necessários para a invenção da máquina burocrática que reduz os meninos e os professores a números e pouco mais. Deixa cá ver este se está a estragar a taxa de abandono. E vai de deitar para o papel o abandono do verdadeiro papel da escola que é, ou devia ser, integrar sem mentiras.
E "vai-se-a-ver" isto é tudo mentira!!!
Ao longo destes trinta e três anos de serviço, eu tenho a certeza que fui avaliada pelos pais dos meus alunos, e pelos alunos, pelos colegas e pela comunidade em geral, de modo informal, "despapelado", mas fui. Fomos todos. Nenhum Encarregado de educação ousava bater-nos, mesmo que os maus resultados dos filhos lhes causasse tanta dor na estima de pais que lhes apetecesse espancar o filho e tudo o que à volta contribuísse para esta dor. Havia então uma cultura de não-violência que urge trazer à escola de novo. Quem sai da escola hoje, sai minado de violência, por dentro, por fora, por palavras, gestos, comportamentos e até pensamentos.
É isso que é preciso combater.
É tão bom ser professor! Corrijo: é tão bom ter sido professora nos anos setenta e oitenta! Tenho reencontrado alunos desse tempo e, ironicamente, nos lugares onde a minha fragilidade se escancara e logo perante eles, ou melhor, no caso concreto, elas. O facto de me reconhecerem já de si é muito gratificante. Mas o melhor é o carinho que põem nos cuidados de que sou alvo por circunstâncias que não vêm ao caso.
São memórias destas que eu vou guardar no meu "portfólio" da minha carreira, onde vou destacar, como os artistas, os momentos de ouro. A partir daí, Senhores Ministros, Presidentes dos Conselhos Todos, avaliem-me como quiserem. Eu não vou mudar por dentro, mesmo que tenha de mudar por fora. A minha satisfação profissional está incrustada na minha alma e já não sai.
A todos os professores, eu desejo, um Bom Dia! A todos os que não são professores eu desejo o mesmo Bom Dia! Foto: encontro com a escritora Alice Vieira, sem papel passado de objectivos e conteúdos. Eu sou quase do tempo do Sebastião da Gama, em que a aula de Português acontecia!

sábado, 4 de outubro de 2008

Bye, Dennis!

"Antigamente, eram os barcos. Brancos, azuis e furta-cores, com lanternas penduradas nos cintos dos homens que passavam nas cobertas. E aquém dos barcos: as ondas tinham outra maneira de quebrar, o quebrar de antigamente, se é que sabe ao que me estou a referir. Depois, os homens falavam alto e as mulheres ficavam grávidas, as gaivotas rasavam o cais, alisando a pedra, subindo subitamente, enquanto o Norberto afiava os mastros, virados para o céu, com a navalha que um dia se lhe cravaria na garganta. A navalha era do Norberto, até tinha as suas inicias no cabo, mas foi atraída, por obscuros motivos hipnóticos, para a mão do Toledo das Rondas."
in Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez
E agora, Dennis, quem é que nos vai explicar esta Lisboa.
Que as ondas quebrem hoje à moda de antigamente, que até está vento e é mais fácil para elas chorarem-te às escondidas. Só as gaivotas tuas conhecidas saberão o porquê. Talvez também o saiba o "homem vestido de preto, com chapéu musical, sapatos poéticos, lama nos colarinhos, uma harpa ao ombro e um colete que seria laranja, se trouxesse colete"... Ilustração de Fátima Vaz

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Let's be champions!

Tudo isto é fado?

Aqui há......qualquer coisa que não bate certo!
O Leme, no seu espaço dedicado às efemérides, que eu consulto quase diariamente, publica hoje o seguinte excerto de um dos emblemáticos jornais de há meio século.
O Diário Popular de 2 de Outubro de 1946 anuncia que a Câmara Municipal de Lisboa foi autorizada a contratar, na Caixa Geral de Depósitos, empréstimos até ao montante de 25 mil contos, a amortizar em vinte e cinco anos e destinados à construção de casas para alojamento de famílias pobres.
O que escapa ao meu entendimento é o preço de 25 mil contos por uma casa em Lisboa, ainda por cima para famílias pobres?
Tenho por referência o valor da minha casa de Odivelas, quinhentos e cinquenta contos, em 1980 e parece-me que a distância geográfica, nem mesmo a famigerada barreira que constituía a Calçada de Carriche no acesso a Lisboa, justificariam uma diferença tão imensa, tendo ainda em conta a data de 1946.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em rosa

À semelhança do Metro, o Chora veste-se de rosa, a cor do combate ao cancro da mama, a que o mês de Outubro é dedicado.

Comparações

«Em todo o país reabriram hoje os liceus e escolas técnicas. Voltam a animar-se as salas de aula e os corredores que se quedavam desertos e tristemente silenciosos, durante os meses de férias grandes […] Hoje, porém, não haverá aulas. Espreitaram-se as salas - aqui é a minha turma - e passeou-se nos corredores. […] Em Lisboa, na maioria dos liceus, houve sessões solenes a assinalar a inauguração do ano lectivo, presididas pelos respectivos reitores. […] Quanto às escolas primárias e superiores […] os seus alunos ainda têm uns dias de liberdade. As primeiras reabrem no dia 7 e as segundas lá para meados do corrente mês.»
In Diário Popular de 01-10-1952.
Fonte- Leme
Cinquenta e seis anos depois, regressa o desânimo de haver ainda escolas sem cadeiras e sem carteiras:
Escola de Música do Conservatório Nacional está a ensinar música em regime integrado, como prevê a reforma em curso no ensino artístico, mas a falta de dinheiro faz com que estes alunos assistam às aulas sentados no chão.
"O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão", disse à Agência Lusa a professora Ana Mafalda, vice-presidente da Escola de Música do Conservatório de Lisboa.
Fonte- Jornal Público de 01-10-2008

(...)

E lá nasceu o mês de Outubro!
A luz ainda promete algum calor daqueles que, como qualquer bem, quando rareia sabe muito melhor, dá mais prazer. O calor de Outubro não queima. O calor de Outubro aquece. O calor de Outubro conforta e aconchega. O calor de Outubro recorda-nos um calor que já foi e um calor que há-de vir.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Banco


Parece que de repente perdi a noção de que a palavra banco tem outros significados, ou melhor, outros referentes, para além dos que fazem correr muita tinta e gastar muita luz na Comunicação Social.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Coisas das coisas


Eu só conheço uma Esperança. A Boa, precisamente! Mas para tanto sublinharem a particularidade desta ser Boa é porque há outras que não o são.
A Boa Esperança leva-nos ao mar. Nos, nós: os pescadores, os marinheiros, todos os que estão dispostos a vencer a dificuldade por monstruosa que possa parecer. A mim, os Lusíadas, eles mesmos uns versos adamastores, ensinaram-me a pensar e a duvidar das primeiras impressões. É que, à primeira vista, o guardião do Cabo, onde hei-de ir antes de morrer, de acordo com a elaboração recente da minha Bucket List, o guardião dos mares revoltos e perigosos era um mostrengo. E, "na volta" ele era um castigado, um condenado à dor da saudade e do amor por pertencer.
A Boa Esperança faz-nos falta, nos dias que correm para enfrentar as tormentas que os telejornais anunciam a toda a hora!

domingo, 28 de setembro de 2008

Someone up there likes me

"You know, I've been lucky. Somebody up there likes me." Rocky Graziano

Paul Newman morreu e tudo o que há a dizer sobre a perda para a Humanidade tem sido dito. Mas, para além da tristeza universal, há mais. Há o luto de uma geração e há a tristeza de todos os que se "embrenharam" com os olhos mais azuis do cinema, mesmo quando as fitas eram a preto e branco, como é o caso da biografia de um pugilista que ensina que uns bons socos na adversidade podem mudar o rumo de uma vida. Penso que essa geração acreditava muito mais nas capacidades humanas e pessoais de construir um futuro diferente e, por muito romântica ou ultrapassada que possa parecer esta ideia, essa atitude podia dar resultados. Esta convicção chegou até aos tempos de hoje e, embora seja transmitida modernamente de modo diferente, a base da convicção é a mesma. E foi a geração de Paul Newman que nos ensinou a dar voz e corpo e alma às causas, usando a pele de estrelas para chegar mais longe, mais fundo ao coração do mundo.
Felizmente a memória das estrelas não se apaga.
Like you Paul Rocky Newman Graziano I could also say that I'm lucky for someone up there likes me!
Imagem daqui

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Paga e não....

Todos os momentos, todas as horas podem ter uma magia associada, mas a meia-noite deve ser aquela que mais carrega esse simbolismo. À meia noite muda o dia, a hora, o ano. O século e o milénio... mas isso já é mais raro.
Foi à meia noite que o encanto que transformou a Gata Borralheira se quebrou. O seu vestido voltou a ser o do borralho, os seus ratos deixaram de ser cavalos e até a carruagem se retransformou na abóbora que talvez tenha acabado na sopa da avó.
Ontem e anteontem só ouvimos falar do Magalhães! Ele foi magalhães em Matosinhos e no resto do país. E à borla! O Magalhães entrou nas escolas pela porta grande e pela mão do Primeiro Ministro. O Primeiro Ministro estava generoso e pródigo naquele sorriso rasgado que tão bem lhe fica, embora não chegue para cair na tentação de votar nele outra vez.
Mas hoje, à meia-noite, o encanto vai quebrar-se como aconteceu com a desgraçada da Gata Borralheira. O Magalhães vai chegar ao mercado, a pagar. Os mercadores de sonhos podem ir gozar as suas merecidas férias para um lado qualquer. O produto pegou. Não há-de haver estudante do 1º ciclo ou do 2º que não peça um até ao Natal. É indispensável. Tem de fazer parte da mochila tecnológica de qualquer criança: calculadora, telemóvel e Magalhães. Ah, é verdade, também há a Playstation! E o MP3. Os pais pagam e não bufam.
Eu também vou a correr comprar a mãe do Magalhães: maiorzinho, com mais autonomia, mais funções e desbloqueado do controlo conjugal! Senão, um dia destes, sou a única na sala de aula sem portátil!

Imagem do Público

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Afinal eu não sou uma autoólica!

Estive a ler as condições para as pessoas que percebem destas coisas me considerarem uma autoólica, com necessidade de intervenção terapêutica.
Está aqui tudo explicadinho!
Primeiro: Não me considero uma vítima da indústria dos transportes, muito menos seduzida pela velocidade, estatuto ou sensação de poder. A minha "viatura" não tem grande cilindrada, é um vulgar Peugeot 206 com três anos e muitas marcas dos caminhos que tem de percorrer, ao serviço do coração, mais do que outro qualquer. A minha principal escravatura é a do tempo que não me permite fazer, de outro modo, metade do que faço, usando o carro.
Já estou mais descansada. Onde é que eu ia arranjar tempo para me submeter ao tratamento?

Novos problemas pessoais

Olá, o meu nome é Madalena e acabo de descobrir que sou uma "autoólica" (do inglês autoholic)!
Atento contra a saúde do planeta e ponho em causa o ar que os meus netos hão-de respirar! Sou horrível!
Mas eu prometo deixar este horrendo vício, se os senhores que mandam se preocuparem mais com mais transportes públicos. Ao sábado, o último barco de Lisboa para o Montijo é às 22.35; aos domingos e feriados, ainda mais cedo, uma hora. Viver em Lisboa torna mais fácil combater esta tendência criminosa. Morando fora de Lisboa, é muito mais difícl e, em alguns casos, impossível!
Se a opção for ir de barco para Lisboa, tenho ainda que me confrontar com o dilema: levar o carro até ao barco, ou ir num autocarro velho, desconfortável e caro que passa longe da minha casa.
Vai ser difícil curar-me!

domingo, 21 de setembro de 2008

Parabéns, Jorge, Tó Luís e Cª!

O dia 21 de Setembro é assim: Triplicam-se os parabéns! É bom. Hoje foi o dia de se juntar aos aniversários mais um registo: um baptizado. Do António e da "Malalena". Óbidos. O sol a aparecer no tempo certo. O calor a aquecer as emoções. Os amigos. Um "delete" na saudade. Os amigos dos amigos. Um "up-grade" das memórias, sobretudo da memória visual. A ginjinha na volta da igreja. A constatação da infinita paciência da Avó que desenhou e pintou, um por um, os bichos que desciam do tecto sobre as mesas. O telefone sempre a tocar... Ao fim da tarde, o regresso a casa e jantar com os miúdos!

sábado, 20 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

(...)

Dizem que um ano, na vida de um cão, vale sete. E um ano na vida de um blogue?
Deve valer ainda mais, muitos mais. E a Chuinguita deve saber que esta vida de blogue dá cabo das pernas, agrava o reumático, provoca aumento de peso e outros que também se sentem na idade real. Deve ter sido por isso que a Chuinguita equipou o novo espaço com um banco. O banco descansa as pernas. O mar descansa os olhos. A leitura descansa o pensamento. Obrigada, Chuinguita! Ainda tentei "arrancar" o banco irlandês e trazê-lo aqui para a aldeia mas não consegui. Assim, fui ao Algarve e trouxe este, com vista de mar também.
By the way...Chamei árvores a estes belos seres que se inclinam em reverente vénia na despedida do dia. Mas não são, de acordo com o parecer especialista do nosso amigo Nelson, que passo a citar:Penso ser um "espigo", basicamente uma inflorecência de uma piteira, figueira-da-Índia, ou planta do género Agave. Caracterizam-se por "afilhar" com pequenos rebentos ao longo de uma haste que se desenvolve na vertical na altura do afilhamento, que pode ser, ainda que impropriamente, chamada de uma inflorescência.Estes rebentos ("filhos") é que garantirarão a reprodução da planta. A reposição da verdade faz bem à minha saúde mental. Deixa-me, pelo menos, dormir descansada!
E é tudo, por hoje!
Não é tudo não: passem pela casa das formigas e vejam a remodelação. É um convite, claro!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Parabéns Rafael!

Mais um filho a dobrar os trinta.
Claro que tenho saudades de um tempo em que parecia ser possível a eternidade preencher-se com as tuas primeiras palavras, os teus primeiros passos, (ou ao contrário, pois primeiro andar e depois é que é falar)as tuas manifestações de vontade (vulgo, birras!), os teus caracóis que depois deixaram de ser caracóis, as tuas cantigas (Ai que "peixeras" que "peixeras" dos sovacos, as meias rotas e os sapatos descascados... Lembras-te?), o cavalo que tinha as orelhas "pompidas"...
Mas mesmo tendo saudades, prefiro esta certeza do dia de hoje: és um homem de trinta anos que nos enche de orgulho, pois reconhecemos em ti um conjunto de valores que são traços dos homens de bem.
Parabéns, filho!

domingo, 14 de setembro de 2008

Reverência

A Árvore inclina-se reverente após a cerimónia do pôr-do-sol. Toda a Natureza se veste a rigor, seguindo a orientação dos tons propostos pela sugestão de fim de dia.
(fotografia- Sagres, 13 de Setembro, pôr-do-sol)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Lisboa

Pobre Terreiro do Paço! Até quando o entulho separará o Tejo da sua cidade noiva?
Até quando terão as gaivotas de suportar o roncar das máquinas, som assassino das suas conversas?
Quando poderá o Tejo trazer os seus peixes a visitar a Cidade?
(Hoje vi um grupinho de peixes no Cais do Sodré!)
Poderá Santo António, vizinho próximo, vir até este belo lugar redizer o seu sermão? Poderão os nossos olhos contemplar o rio, a partir de Lisboa, ou Lisboa a partir do rio, sem intromissões no longe que a vista alcança?
Aceitam-se respostas. Dá-se preferência à verdade!

domingo, 7 de setembro de 2008

Desafio Rentrée

Pega num livro que andes a ler. Ou que tenhas lido. Ou que venhas a ler ainda. Qualquer um serve. O que interessa é que tenha um título sobre o qual te apeteça escrever. Não importa a forma nem o género literário. Tem é que haver uma relação lógica entre o título do livro e o que tu vais escrever. Não sei se é possível mas apeteceu-me propor este desafio a todos os que constam da lista ao lado. E para dar o exemplo, aí vai a minha contribuição para o desafio!
Identificação da obra: Os da minha rua. Autor: Ondjaki
A rua era até há pouco tempo um reduto de liberdade para mais pequenos, um espaço perfeito para conhecer outros e aprender a vida. É que com a rua, a que chamamos nossa/minha, estabelecemos uma ligação especial. A minha rua é a continuação da minha casa e é pena que os problemas de segurança tornem cada vez mais difícil esta facilidade de ensaiar a vida para lá dos nossos muros, na nossa rua. A rua mais minha que tive, foi a rua dos meus onze anos. Tão minha que a recordo como se fosse uma fotografia ou um filme.
Por exemplo, nunca me esqueci de uma senhora que lavava furiosamente as janelas todos os dias. A minha mãe dizia que ela tinha a mania das limpezas. Não sei já se cheguei realmente a saber o que é que lhe aconteceu, como é que envelheceu, como é que sobreviveu, sem forças (presumo) para continuar a lavar as janelas. Lembro-me de haver muito mistério à volta da mania das limpezas da Dona Manuela (acho que se chamava assim!) e "constava" que era infeliz. Parece-me hoje uma explicação, uma relação lógica.
Do outro lado da rua, vivia uma família composta por pai, mãe e cinco filhos rapazes. O pai andava sempre vestido de branco e passava, na rua, calado, direito, com passo certo. Os filhos eram todos altos e bonitos. Pelo menos eu via-os assim, do "alto" dos meus onze anos, acabados de fazer. A mãe tinha a mesma postura. Só os dois filhos mais novos é que falavam e brincavam na rua, deles e nossa. Um dia fui parar ao hospital, cá em Lisboa e pelo nome na bata de um dos médicos com quem me cruzei, cheguei à conclusão que se tratava de um dos filhos, apesar de já não ser nem alto nem bonito. Percebi que a vida tinha continuado ali o pai: adivinhei o mesmo silêncio tímido, não sei porquê.
Um pouco mais longe do prédio onde eu morava, havia uma casa grande e branca onde só moravam pessoas felizes. Pelo menos, davam muitas festas e, se davam muitas festas, é porque eram felizes, pensava eu das profundezas dos meus onze anos acabados de fazer. A mãe jogava ténis e quando saia para ir jogar parecia uma actriz de cinema, com a roupa branca e muito bem engomada, os sapatos de ténis brancos, as meias brancas,a "raquete"... O filho era muito parecido com a mãe. Tinha uma bicicleta o que o ajudava muitíssimo nos dotes de sedutor. No figurino de sedutor não cabe a falta de um veículo e, para a idade, para além do triciclo, só podia ter uma bicicleta.
Depois, mudei de casa, mudei de rua, mudei de vida. Nunca mais tive onze anos, mas voltei a ter rua! E um dia até encontrei uma rua com o meu nome!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Feliz!

Obrigada, Isabel! Fico feliz por ter vindo de ti! Um beijinho para ti.
Sinto-me a viver um desses momentos que vemos no pequeno e no grande ecrã. A emoção deve ser a mesma, certamente! E também me apetece agradecer a todos os que vêm e lêem o que aqui vou deixando. Uns são "bloguistas militantes". Outros, não! Uns deixam comentários. Outros não. Mas são todos responsáveis pela "vida" deste espaço que tem servido de palco aos momentos mais alegres e a alguns dos tristes também. Uma coisa é certa: aqui, a alegria não se esgota. Se chego feliz, continuo feliz.
E aí vão os meus nomeados, que poderão passar por aqui e receber este prémio, à hora que quiserem, quando quiserem. Serão sempre bem-vindos!
Isabel, desculpa, mas, inevitavelmente, fazes parte da lista!
E aí vão os sete magníficos!
Ao Buba entrego este prémio com uma enorme vénia. É um prazer imenso poder dizer-te o quanto te admiro! Sempre!
À Pitucha, porque descinzenta Bruxelas, só com palavras, palavras, palavras. Para medir a beleza das palavras da Pitucha, tive de arranjar um lindómetro.
Para a Laura, na Senda de todas as Beiras, um espaço que prima pela tranquilidade, pelo bom gosto, onde nos apetece ficar a ouvir as suas Histórias Inventadas!
Para o Espumante, pelo enciclopédico saber, a prova provada que o saber ocupa lugar. E porque a amizade também ocupa lugar!
Claro que o moçambicanismo é um laço forte, mas a querida Chuinguita fechou o tasco e não há maneira de abrir outro. Ela prometeu para Setembro, lá para meio. Já estou sentada à espera, Chuinguita!
Espero, Chuinguita! Este tinha de ter uma referência especial, mas como se apagou não conta.
E ainda no âmbito do moçambicanismo, entrego este prémio ao Zê Pê. A Laterna Acesa ilumina qualquer tipo de assunto, qualquer afecto, qualquer passado, qualquer presente. Até ilumina o futuro, eu creio.
Ser professor é mais do que uma profissão. É uma condição. Por isso, a Memória de Prof faz parte da minha escolha. Reconheço na Isabel uma honestidade intelectual, um rigor, uma exigência, que me dá orgulho pela escolha ter também recaído em mim.
E ainda falando em Profs, a Hindy leva também o prémio, pela perfeição com que concretiza a sua inspiração. O Hindy e a Hindy são uma unidade de pensamento e matéria em perfeita sintonia.
Tenho ainda mais casos especiais, que não posso deixar de referir. O All Together é nosso, dos professores de Inglês da nossa escola. É uma experiência linda que confirma que se pode partir para esta aventura com outros. Especialmente para a Célia, a minha alegria e a minha gratidão. Caso especial é também o Blogueio da Luh. É que a Luh voa e chega muito rapidinho aos corações. Obrigada Luh, pelas tuas visitas especiais e pelos recados que me vens dando!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

(...)

"A great secret of success is to go through life as a man who never gets used up."
Albert Schweitzer, Nobel Peace Prize, 1952

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Quando é que acaba o efeito?

Eu gostava de saber quanto tempo demora a passar o efeito da silly season!
Assinada pela directora do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, evidenciando que a gravidade do assunto chegou ao “staff” do próprio primeiro - ministro, fica determinado que as placas devem ser presas às paredes “através de parafusos de aço inox em cada canto, com oito milímetros de diâmetro e 90 mm de comprimento” e não, como anteriormente determinava a ignóbil portaria de Junho, num erro lapso inconsciente que punha em causa talvez não a segurança de pessoas e bens, mas certamente a segurança das placas, com parafusos de apenas 60 mm de comprimento.
Se aconteceu, não veio nos jornais. Será que caiu algum parafuso no “staff”
da Presidência do Conselho de Ministros?
José Júdice, em coluna do jornal "O Metro" de 3 de Setembro.
Vale a pena ler todo o texto. É um momento de lucidez, a que se seguirá, inevitavelmente, a continuação do estado (não sei adjectivar o dito estado! Talvez delirante?!) em que andamos todos, directa ou indirectamente influenciados por quem, directa ou indirectamente, "sofreu" a silly season até ao âmago do limite do parafuso que sustenta as placas nas paredes.
Não há certamente assunto mais importante do que os 30 mmm de parafuso que separam as duas portarias!
Como dizia o Parafuso, o Verdadeiro: Cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente!E enquanto as cabeças pensantes decidem os milímetros do parafuso, assim que se chega a Lisboa, de barco, à Estação do Cais do Sodré, percebe-se logo a imensa importância que o assunto em questão tem. O que é que interessa termos que atravessar o caos que separa a estação da cidade? São só uns metros! Pois... Nos milímetros é que está a grande diferença das coisas...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Regresso à escola

A teoria sempre é um começo. Pelo menos serve para dar forma a uma determinada organização de ideias que, postas em prática, poderão dar bons resultados.
Fui à procura e encontrei aqui um conjunto de "dicas" para iniciar bem um ano lectivo.
Fala da importância do primeiro dia de aulas. A minha experiência de professora, mãe e até aluna leva-me a concordar. No entanto, não devemos ceder a mais uma ditadura de pensamento. Se o primeiro dia não correr tão bem como seria desejável, há que tentar o segundo e os que vêm a seguir. Não podemos ficar reféns de um momento! As empatias gerem-se,e geram-se!; mas não de modo instantâneo e rápido. E mais vale demorar um pouco mais do que compromoter o sucesso num contra-relógio.
No meu entender, a "dica" mais importante é a que se refere à Regras da Sala de Aula. Há situações que devem ser explicitadas logo no primeiro momento, nomeadamente as que se prendem com atitudes que vão sempre ter ao respeito pelo "outro". É uma questão de cidadania e um dos deveres da Escola é, sem dúvida, formar em cada aluno a consciência de Cidadão!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Primeiro de Setembro

O Primeiro de Setembro nasceu às sete e sete. Estava tudo ainda assim, nesta lânguida e deslumbrante preguiça doirada, dez minutos depois. Percebe-se! Mesmo que se dê à luz todos os dias, como é o caso deste céu e desta água, cada filho-dia é uma emoção única. Daí tanto ouro derramado sobre a mãe água. Ela é que acolhe, neste colo de rio, os primeiros brilhos da manhã, infância do dia menino, neste caso, acabado de nascer. Quando a noite se afasta para outras lonjuras, irmã primeira do dia, esta mãe água tenta consolar-se com o afã que traz sempre um filho novo!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tarde

O que eu queria dizer-te nesta tarde
Nada tem de comum com as gaivotas.

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A vacina que sabia a rebuçado

Hoje são muitos os avanços da Ciência, nomeadamente da Ciência Médica e é graças a esse avanço que nós vivemos cada vez tempo.
(A par dos avanços há os retrocessos dos comportamentos, o que devia afligir muito a humanidade, mas pelos vistos não aflige assim tanto, pois já teria havido alguma mudança! A própria humanidade regride, enquanto sentimento que significa o reconhecimento do valor da vida, o solidário reconhecimento das necessidades vitais e consequente empenhamento na viabilidade da sua satisfação, seja dos que nos são chegados e próximos, seja dos que desconhecemos mas são de carne, osso, nervos e sangue, como nós.)
Quando eu nasci havia na panóplia das doenças da infância a chamada paralisia infantil, ou poliomielite, como diziam os entendidos. A doença era provocada por um vírus. Não sei exactamente se todos teriam os mesmo tipo de sequelas, mas dois amigos meus ficaram com uma perna mais atrofiada e usavam um aparelho com ferros que devia magoar muito a alma e o coração das mães. Digo isto porque me lembro bem da tristeza do olhar dessas mães. Mais do que das próprias crianças que activavam as defesas e se desenvolviam com a naturalidade das outras meninas e meninos. Era uma doença terrível e muito temida: matava ou deixava sequelas graves.
Em 1954, dizem uns, um pouco mais tarde, dizem outros, apareceu uma vacina! Ainda hoje guardo a sensação de magia que me provocaram as gotinhas doces! Nem sequer era preciso levar uma pica. Não fazia sofrer e sabia a rebuçado.
O "Mágico" que inventou estas gotinhas chamava-se Albert Bruce Sabin e nasceu a 26 de Agosto de 1906.
Obrigada, Senhor Sabin!
Não é preciso pensar muito para se perceber a importância da vacinação na Saúde Pública, especialmente na infância, especialmente nas crianças para quem já chega a certeza, ou qause certeza, da fome. Foto do início dos anos cinquenta, Alto Molocué, Moçambique

Balanço

A minha mãe dizia que o diabo andava à solta no dia 24 de Agosto. Com o passar do tempo do dia deve ter-se mudado para 26!
Sobre esta data e esta "convicção", escreveu Benard da Costa, há três semanas, no Público
Mas o balanço deste dia 26 de Agosto faz lembrar essa lendária ideia de soltarem o diabo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O ouro de cada dia

O ouro não cai do ar.
O ouro, quando nasce, é para quem o agarrar.
Um dó li tá
Só-quem-quer-po-de es-tar-lá!
E depois há o hino
que ecoa como um sino
em dia de casamento.
Pode ser também baptizado
tem é que tocar à festa.
E a festa é esta:
ter chegado, em primeiro lugar;
ter saltado como quem sabe voar;
trocar as voltas ao fado,
dar ao coração a permissão da emoção maior
e receber o ouro como quem recebe o pão
que ambos são força,vontade e suor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O ouro é dele! "O sonho continua"

Nelson Évora nasceu a 20 de Abril de 1984 na Costa do Marfim. Filho de pai cabo-verdiano e mãe costa-marfinense, Nelson acabou por ficar com nacionalidade cabo-verdiana. Como o pai, Paulo, começou a trabalhar muito cedo como contra-mestre de navios, pôde reformar-se cedo e, querendo dar uma boa educação aos filhos, trouxe-os para Portugal. Na altura, Nelson tinha 5 anos.
Por ironia do destino, a família Évora fixou-se em Odivelas, no andar de cima de João Ganço, antigo recordista nacional de salto em altura e primeiro português a passar 2m, que tinha três filhos igualmente pequenos. David, por ser apenas um ano mais velho que Nelson, tornou-se no seu melhor amigo. Certo dia, João Ganço vendo-os a brincar à porta do prédio sugere a Nelson que começasse a praticar atletismo como o David, e assim, se inicia a carreira desportiva de Nelson.
Nelson, treinando nas instalações da Escola da Ramada, começou a participar nas provas de estrada do Torneio de Loures e, em conjunto com o David, dominavam o seu escalão.
Aos 10 anos, ingressa no Odivelas Futebol Clube, e como benjamim salta 1,64m no salto em altura... quando ele próprio media pouco mais de 1,40m. Nesse escalão havia o Troféu Nuno Nogueira e o Nelson, mesmo passando as provas de marcha a contar anedotas no grupo dos últimos, ganhava esse troféu.
Como o Nelson e o David davam nas vistas, o Benfica convidou-os a ingressarem no clube e, graças às melhorias das condições de treino, Nelson começou a revelar o seu talento e as suas aptidões físicas na disciplina de saltos. Em infantil, melhora o seu record pessoal no salto em altura para 1,75m e no salto em comprimento, faz 5,50m o que significava que já não tinha adversários ao seu nível, nem mesmo nas provas combinadas.
Como iniciado, atinge uma espectacular marca no salto em altura: 1,98m, no salto em comprimento faz 6,46m e, numa primeira abordagem ao triplo salto, salta 14,35m.
Aos 15 anos, uma grave lesão num joelho fez-lhe ter medo do salto em altura, mudando-se para os saltos horizontais. É assim que se explica que em juvenil de 1º ano não tenha melhorado no salto em altura. Contudo, no salto em comprimento aproxima-se dos 7m e no triplo dos 15m. Na segunda época de juvenil, Nelson salta 7,55m no comprimento e 16,15m no triplo salto. Representa pela primeira vez Portugal no Festival Olímpico da Juventude Europeia, trazendo logo uma medalha de ouro na prova de salto em comprimento.
Completando os 18 anos em 2002, Nelson opta por se naturalizar português esclarecendo que é em Portugal que está a sua vida, e que se sente mais português que cabo-verdiano ou marfinense. E, só como júnior começa a inscrever o seu nome nos records nacionais portugueses. É também como júnior que Nelson Évora passa pelo F.C. Porto e se mostra um atleta de futuro a nível mundial. Em 2002 participa no Campeonato Mundial de Juniores em Kingston (Jamaica), quedando-se pelo sexto lugar no triplo salto mas àquem do seu record pessoal, fazendo 15,87m. E em 2003, é duplo campeão europeu de juniores em Tampere (Finlândia): no salto em comprimento e no triplo salto com 7,83m e 16,43m, respectivamente.
Começaram a chover propostas de universidades americanas, mas Nelson, um jovem muito caseiro e muito ligado aos amigos e ao seu treinador, não se deixou convencer. Sem a família por perto, Nelson não é feliz e, se fosse para os Estados Unidos, a família estaria muito longe de Nelson, e isso seria doloroso para quem “ter amor por perto é o mais importante...”
Em 2004, voltou para o seu clube de coração, o Sport Lisboa e Benfica, mas foi um ano marcado por uma lesão que quase impedia a sua presença nos prestigiantes Jogos Olímpicos que se desenrolaram em Atenas. No entanto, fez uma recuperação fantástica a tempo de participar, só não conseguindo chegar à marca de acesso à final. Mas mesmo assim, esta presença foi proveitosa para Nelson ganhar experiência e sobretudo para sentir de perto as grandes emoções que se vivem numa competição deste nível.
Em 2005, conquistou a medalha de bronze no triplo-salto com 16,89 metros, no Campeonato da Europa Sub-23 em Erfurt (Alemanha) e participou no Campeonato do Mundo em Helsínquia, falhando a qualificação para a final por poucos centímetros ao ser 14.º nas eliminatórias. Durante esta época, Nelson volta a dar um “saltinho” ao salto em altura, para ajudar colectivamente o Benfica no campeonato de sub-23, e consegue passar 2,07m sem qualquer treino específico...
No ano seguinte, Nelson dá definitivamente o pulo para o grande circuito mundial quando em Fevereiro num dos primeiros meetings internacionais de pista coberta, ganha em Moscovo (num dia em que até estava bastante indisposto), batendo o record nacional pertencente a Carlos Calado e ficando, durante algumas semanas como líder mundial com a marca de 17,19m. Em Moscovo, Nelson participaria ainda no Campeonato do Mundo em Pista Coberta, no qual alcançou o sexto lugar. Também em 2006, esteve no Campeonato Europeu em Gotemburgo acabando em quarto lugar no triplo-salto com a marca de 17,07 metros (na eliminatória tinha feito 17,23- novo record nacional). Ficou ainda em sexto no salto em comprimento com a marca de 7,91 metros.
No ano de 2007, Nelson participou no Campeonato Europeu em Pista Coberta em Birmingham no triplo salto, no qual obteve o 5.º lugar. Nessa competição, Nelson lesionou-se logo ao primeiro ensaio, tendo ficado impossibilitado de lutar pelo pódio, algo que já seria expectável. Torna-se pela primeira vez, presença regular nos maiores meetings do circuito europeu e, em Madrid, fixa novo record mundial em 17,51m. E em Agosto, nos Mundiais de Osaka, Nelson Évora entra para a história, sagrando-se campeão do Mundo de triplo salto com a espectacular marca de 17,74m (segunda melhor marca mundial do ano) e também recorde nacional.
2007 foi o ano da grande confirmação em sénior de quem já tinha sido dos melhores juvenis e juniores mundiais mas desengane-se quem pensa que Nelson Évora vai ficar por aqui porque “o sonho continua...”.
Texto de Rafael Lopes
Hoje o coração puxa-me para a minha costela saloia e fico ainda mais emocionada pela referência a lugares que também são meus pela legitimidade dos vinte anos que vivi em Odivelas.imagem do Jornal de Notícias
Obrigada, Nelson Évora!

Mal nos conhecemos inaugurámos a palavra Amigo

O'Neill, o poeta que não parece poeta. Se passar por um Pessoa e me disserem: ali vai um poeta, eu acredito. O mesmo não diria ao passar por um O'Neill. Ali vai um homem. Normal? Talvez! Zangado? Não sei porquê, mas todos os retratos de O'Neill me dão a ideia de um homem zangado. Claro que para um poeta o mundo não é senão um espaço hostil, uma espécie de cenário de guerra onde ele sozinho combate toda a espécie de inimigos. Então não sei por que é que Pessoa me parece poeta e O'Neill me parece mais um homem igual aos outros que não são poetas. Nem vencidos da vida, nem convencidos da vida, como o próprio O'Neill chamou a alguns que "querem vencer, querem, convencidos, convencer"; a alguns que "estão convencidos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras".
O'Neill morreu há vinte e dois anos. Ou ele antecipou uma visão de sociedade, ou ela já existia assim e continua assim: cheia de falsidades, de cinismos, povoada dos tais convencidos da vida.
De qualquer modo, O'Neill, o homem zangado, conhecia bem o que quer dizer a palavra Amigo!

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo»
é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo»
(recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não
o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo»
é a solidão derrotada!
«Amigo»
é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Conta-me como foi

Foi há trinta e cinco anos!
Éramos novos e magros. Eu tinha os cabelos completamente pretos e o Jorge tinha cabelos. Poucos, mas tinha. Para compensar tinha barbas e bigodes. Os óculos também eram "à época". Eu usava mini-saias e calças à boca de sino. Pintava os olhos à Mary Quant. O Jorge usava jeans, hoje um vestuário clássico. Em dias mais "hippies" usava uma túnica que tinha comprado em Londres, numas férias em que arranjou trabalho num restaurante, o que deu para prolongar as férias e ainda fazer compras.
Além de novos e magros éramos priviligiados, já que os pais de ambos os lados consentiram que casássemos e continuássemos a estudar, o que implicou a ajuda deles, claro! Tínhamos uma casa pequenina, alugada, dois mil e trezentos escudos ao mês, e um mini vermelho, com a matrícula DG-79-96. Dividíamos o tempo, que era muito e chegava para muito, entre as faculdades, os amigos e a família, especialmente os meus sogros, que nos davam muitas vezes de almoçar e de jantar. Dividíamos o dinheiro, que não era muito mas chegava para a renda da casa, para os livros e sebentas, para as comidas que eu ia aprendendo a fazer e para a gasolina. Cem escudos enchiam o depósito. (Hoje o mesmo dinheiro não dá para um café!) Já havia Sporting, claro e muito futuro. Desse futuro já gastámos "algum", bem gasto, em filhos, amigos, trabalho e "outros assuntos" da vida que, sendo contratempos, não deixam de ser parte importante dessa mesma vida. Estamos a armazenar futuro e energias para as coisa boas que ainda estão para chegar! Para podermos continuar a contar como foi!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ainda a fotografia

Fotografia de Tiago Cunha Ferreira
"Um olhar sobre estas imagens pode ser a oportunidade de enriquecer a nossa percepção do desenvolvimento humano. Na intemporalidade destes momentos retidos em papel, encontramos uma história de que todos fazemos parte. Encontramos os valores de que cada laço é feito,experimentamos a evidência e os efeitos da sua presença permanente. Ser humano é ser próximo." Maria Nolasco

Fotografia

Hoje é Dia Mundial Da Fotografia.
Não vale a pena dizer que eu ainda sou do tempo em que tirar uma fotografia era muito mais do que pegar na máquina e fazer clique. Ainda sou do tempo em que ter nas mãos uma fotografia implicava ter tirado o rolo da máquina, ter levado o rolo para revelar, ter ido, um, dois, ou mesmo três dias depois, com um talãozinho, buscar o rolo e as fotografias. E depois guardavam-se as películas, os negativos, para tornar a ir ao fotógrafo, pedir para reproduzir as melhores, "para mais tarde recordar", como dizia o slogan.
Hoje, nem vale a pena dizer a trabalheira que é fazer clique e ver no visor da própria máquina se ficou bem ou não.
Eu gosto de fotografia. E o meu filho Rafael também. Até tem um blogue só de fotografia. Bora lá espreitar!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Como foste nessa?


Hoje o que toda a gente sabe é que esta Vanessa fez brilhar em tons de prata o orgulho perdido. A Vanessa da cantiga do Variações era moreninha e cheiinha. Esta é de prata! Todinha de prata!
No entanto há ralhetes e a Menina de Prata junta-se aos ralhetes e dá razão ao Senhor que manda nos portugueses olímpicos.
Nós, por cá, todos bem e resta-nos dizer-te: Obrigada, Vanessa!
Tal como Maria Albertina, o nome Vanessa agora "é cá da terra e tem muito encanto"!

domingo, 17 de agosto de 2008

Viva o Senhor Francis Obikwelu

O meu filho Diogo sugeriu-me uma homenagem ao Senhor Francis Obikwelu.
Mas quem sou eu para prestar uma homenagem ao Obikwelu, pensei! Não sou nada, ao pé de um homem que sabe o que quer e onde quer chegar, mesmo que para isso tenha de passar pela dureza de um trabalho, aquele que ninguém deseja. Trabalho esse que, para além da força física, requer uma força moral imensa. O trabalho dito das obras, bem ou mal pago, é normalmente conotado com aptidões menores. E nem vale a pena tentar nenhum exercício de cinismo, pois ninguém tem como sonho trabalhar nas obras ou ter um filho a trabalhar nas obras.
Mas, com o adiantado da história de Francis Obikwelu, todos percebemos que o sonho passa às vezes por fases de verdadeiro pesadelo. Francis tinha tudo para vencer e venceu. Encheu de orgulho uma nação que se rende pelo coração a estas histórias de sobrevivência corajosa, que se rende pela emoção que a meta representa, que se rende à honra de um pódio olímpico, por mais que queiramos que o nosso orgulho de cantinho de mar salgado seja sóbrio e discreto.
E de repente o nosso herói torna-se ainda mais digno da nossa admiração, porque, ao contrário do que fomos habituados, este homem não se insurgiu contra a má sorte, não se vitimizou para ficar bem no retrato: assumiu a sua condição humana e pediu para ir embora, pois o Homem Obikwelu tem em mãos uma tarefa muito importante. Ele é o verdadeiro Homem das Obras, das Grandes Obras, para as quais é preciso ser um Grande Homem.
“Quero ajudar as crianças. Quando era miúdo, disse à minha mãe que queria ser famoso e ter dinheiro para ajudar as crianças.”
Viva o Senhor Francis Obikwelu!

Pode ler-se aqui uma homenagem de verdade!
Imagem do Jornal Público

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

With a little help from my friends

Oh I get by with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
Oh I get high with a little help from my friends
Yes I get by with a little help from my friends
With a little help from my friends

O Festival de Woodstock abriu a 15 de Agosto de 1969. Foi um evento musical que pôs em marcha a luta da juventude de então (os velhadas de hoje, como eu!)contra a corrente do pensamento dominante.
A liberdade estava na linha do horizonte. Era preciso chegar lá. Era preciso viver diferente, em todos os campos da vida.
Porquê lutar contra os inimigos escolhidos pelos governos?
Os porquês do amor vieram à baila e os tabus foram despidos e vencidos no próprio campo do festival. Nus e felizes os manifestantes de Woodstock pensavam ter chegado lá, ao cume do ideal...
Alguns corpos não aguentaram tanta ilusão e essas foram as grandes baixas destes campos de batalha.
A cantiga dos Beatles "With a little help of my friends" subiu ao palco no primeiro dia do Festival, no próprio dia 15 de Agosto, pela voz de Richie Havens .
E este é um refrão que diz muito sobre um legado do valor de amizade que nos tem acompanhado ao longo de uma vida dita adulta. Envelheceu connosco!
Yes, I get high with a little help from my friends!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Torga

Hoje é dia de recordar Torga.
Aniversariamente, como diz outro poema de outro poeta.
Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907. Escreveu como ninguém sobre as sombras que nos habitam. Fê-lo na primeira pessoa, não se excluindo nunca, por ser quem era, poeta, escritor, médico, homem culto e instruído, dessa espécie de avesso cheio de costuras que somos por dentro. Muitos não terão gostado, por se verem expostos nessas radiografias de alma tão precisas e certas, o que levou alguns críticos a condená-lo pela amargura.
No entanto, o ser taciturno também contou histórias que ilustram a presença do bem na vida de muitos, de muitos que aparentemente terão nascido já fadados para a condição do homem castigado pelo pecado original.
A natureza é assim a grande redenção original. Que o diga o Rodrigo, o pastor que mandou abrir o Monte da Forca à procura de um tesouro igual ao do Ali Babá. Salvou-o da desilusão profunda o balido de uma das suas ovelhas que oferecia ao mundo mais umas crias. Que o digam os contrabandistas e os guardas da fronteira, que se unem pela vida e pelo chamamento do amor nos corpos despidos de fardas e outros preconceitos! Que o diga o Garrinchas, versão literária de um sem-abrigo de outros tempos e de outras terras distantes das grandes. Ele conseguiu chegar à fala com as figuras do presépio e fazer ele mesmo parte desse presépio que tantos de nós tentamos em vão imitar!
Na homenagem dos seus oitenta anos, Torga disse aos que com ele celebravam a data:
"Se gostei muito de ser lido, gostei sempre mais de ser amado. E fui-o felizmente. Apesar das arestas que herdei das fragas nativas, e de ferozmente rebelde a todas as transigências e conivências que são o quotidiano social, tive quase sempre ao lado um Cireneu para me aligeirar o peso da cruz. Ora é precisamente o que está a acontecer agora. (...) E não podem calcular o que vai cá dentro em termos de comoção e gratidão."
Este pedaço de discurso revela bem o lado do poeta que muitos teimaram em não conhecer. E que paz ele traz à nossa consciência de seres simples. Simples como o granito do seu berço, como as mimosas do recreio da sua escola...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pasmo

Não mudes nos meus olhos, Alentejo!
Continua despido e abrasado,
Castamente lavrado
Por altivos poetas confiados,
Que te refrescam de suor
E amor,
A sonhar à rabiça dos arados.

Miguel Torga,
Diário, 11 de Agosto de 1987

As tardes dos dias esquecidos

Depois do almoço, ficavam as mulheres.
Também era o que havia: mulheres. A minha avó, com uma presença imensa. As minhas três tias, todas maravilhosas, cada uma na sua especialidade: gostar, tratar feridas, não só do corpo, mas também as outras, brincar, ensinar. As quatro mulheres conversavam e bordavam. Conversavam e faziam crochet. Conversavam e faziam tricot, conversavam e cosiam. Alinhavavam, cosiam, provavam, descosiam, tornavam a coser. Sempre a mesma alegria de viver. Sempre a mesma capacidade de gostar. Sempre a mesma coisa. Todas as tardes.
Era uma divisão da casa que era de todos e não era de ninguém. Era o quarto das tardes. Elas eram as verdadeiras donas desse quarto.
Quando algum de nós estava adoentado, ia para lá, deitava-se na cama alta, de ferro e colchão de palha. Duas, três tardes e a doença passava.
Se as paredes do quarto das tardes falassem (se o quarto das tardes e a casa ainda existissem...) tinham muito que contar. Por ali passaram as grandes desavenças familiares, as traições, os adultérios, as zangas de noras e sogras...
(Espero que esta parte da sogras e das noras não se repita.)

sábado, 9 de agosto de 2008

Momentos de Ouro

Carlos Lopes

Mais do que ser primeiro
Herói é quem
Sabe dar-se inteiro
E dentro de si mesmo, ir mais além.

Manuel Alegre


Ao Carlos Lopes eu agradeço a emoção, o orgulho. Se há embaixadores de um sentimento misturado a que chamamos nacionalidade, Carlos Lopes é um deles. A sua bravura está na consciência que manifesta da sua humanidade, revelando-se tão humilde quanto os grandes em todos os pequenos gestos. É "dentro de si mesmo", como diz o poeta, que ele vai "mais além!!
Clique na imagem, para saber mais!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Knock, knock!


Deixo-te as rosas, a minha amizade, a minha admiração e os votos de um dia feliz!
Amanhã, desejo-te outro dia feliz. Depois de amanhã, desejo-te outro dia feliz! E por aí fora. Que todos os teus dias sejam dias muito felizes!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

No dia 6 de Agosto...

A humanidade dobrou o jornal aliviada. Torga escrevia assim no seu Diário. A ironia do escritor dói-nos e transmite-nos a dor sentida para quem viveu o dia mais triste da humanidade.
Hoje, como todos os anos, na Hiroshima reconstruída, as novas gerações reconstroem também a esperança na humanidade.
Numa Declaração de Paz das Crianças, recordam-se as vítimas e agradece-se aos sobreviventes: "...our generation lives because these people survived. We live because of the peaceful city they built us. Now, we want to say "thank you" to these survivors, from the bottom of our hearts."
Que este dia não volte mais. Recordemo-lo, por isso mesmo!

O efeito de Sophia

"A nossa vida é como um vestido que não cresceu connosco."
Este é o último verso do poema "No Quarto" da (nossa) Sophia, publicado pela Caminho, no Livro "Geografia".
Pus-me a pensar: na vida; nos vestidos; e em crescer.
Para além da dimensão "tempo", que se mede objectivamente em anos, meses, minutos, a Vida é mesmo um mistério para mim. Em termos da dimensão "espaço", a Vida situa-se normalmente no Planeta Terra, apesar de alguns já terem tido experiências fora da bolinha azul. Tomamos o tempo e o espaço e tentamos algo que valha a pena. Só respirar, não chega! Só comer, também não! Só dormir... ainda menos. Então o que é Viver?
Quanto ao vestido: recordo que eu ainda sou do tempo APV (Antes do Pronto a Vestir).
Os meus vestidos eram rigorosamente planeados em função da necessidade de andar bem vestidinha para não deixar envergonhada a minha família. Procurava-se o tecido, o modelo, comprava-se tudo a metro no John Orr ou na Casa Coimbra, mais os aviamentos, tirava-se as medidas. Depois vinham as provas e finalmente o vestido chegava a casa, saído das mãos de uma talentosa costureira, com requintes de obra de arte. E era!
Só que esses vestidos não cresceram comigo e na Era PV já nem me lembro bem deles, a não ser dos cuidados mil que me inspiravam, porque um rasgão era um acidente grave para um vestido de modista!
(Deve ser por isso que eu hoje só me visto em Zaras e outras que tais, onde há mil vestidos iguais. Vestido único? Não obrigada!)
Mas a minha vida tinha então o tamanho desses vestidos. E o valor também. Só que eu não sabia.
Quanto ao crescer? Será isso viver?Depois tinha de ir ao fotógrafo, para hoje recordar!

Recado à aluna!


Querida Aluna!
Obrigada por me teres trocado pela Farmacologia. Vou tentar merecer a tua escolha!!
Falas em conhecer-me melhor e eu quero dizer-te que me conhecias bem, no contexto escola/ professor/ aluno. As relações devem ser sempre verdadeiras e só não são iguais porque os contextos em que as estabelecemos são diferentes. O que aqui lês também é parte de mim, isto é, uma parte de mim, verdadeira. Mas há também uma parte de mim que não está aqui, porque este meio tem os seus quês. Há medos que não contornamos na totalidade e, por isso, não podemos expor-nos como eu gosto de me expor ao sol, no Verão!!!! Mas este meio tem também a grande vantagem de só revelar de nós aquela parte mais importante: o miolo de nós, sem medidas, sem rugas, sem vaidades físicas. E assim torna-se possível uma comunicação ao nível do pensamento quase puro. Digo quase porque há sempre a possibilidade de nos (re)conhecermos pessoalmente! Além disso na escola tenho uma responsabilidade funcional, que eu esqueço com frequência, felizmente. Os anos deram-me essa capacidade!
A vida que vais ter vai dar-te inúmeras alegrias, inúmeras compensações. Vais ver!
Vais perder a conta aos "seres" que te vão abraçar com a força do reconhecimento e da gratidão!
Tenho também os meus erros de relação numa caixa tipo cofre. Só eu sei o código. E acredita que gostava de poder pedir perdão aos alunos em quem infligi algum desgosto, sem querer.
Um dia, levianamente, quando faltava muito para o ano dois mil, combinei com os alunos: quem estivesse vivo devia comparecer, num determinado local, no primeiro dia desse ano. Quando o dia chegou, lembrei-me, mas desencorajei o meu desejo de passar pelo sítio combinado com aquela desculpa tola: quem é que se vai lembrar da velha professora?
Mas houve um aluno que se lembrou e esteve lá. Chorou a desilusão e foi-se embora magoado e sozinho. Uns anos mais tarde, cinco, para ser mais precisa, encontrou-me e mostrou-me a mágoa. Aquela mágoa valeu-me uma condenação não redimível em penitências.
Outras mágoas terei provocado e por elas eu gostava de pedir desculpa.
Como vês, provocas muito mais reacções do que podias prever.
(Se me vires por aqui, o que é fácil, diz-me: olá eu sou a ic! Combinado?)