terça-feira, 25 de novembro de 2008

Quase literariamente falando

Professora- Sabem, a Sophia gostava tanto do mar que disse, ou melhor, escreveu assim: "Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar!"
Aluna, com ar circunspecto- Sempre é mais bonito do que "Todos os caminhos vão dar a Roma."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Os dias que passam

Quando o dia me dói, a minha memória refugia-se no quintal da minha avó, onde as Árvores de Fruto eram Rainhas. As Couves, as Alfaces, as Galinhas e os Coelhos eram súbditos de Suas Majestades que se mantinham de pé uma vida inteira, altivas e resistentes.
Uma das mais pequenas era a romãzeira. Ficava ao fundo, junto aos tanques (onde as mulheres da casa lavavam toda a roupa da casa!) e vigiava os lençóis que ficavam a corar nas imensas redes, ali postas para o efeito. Era das mais franzinas, a romãzeira. Talvez alguma maleita tivesse impedido esta mãe de uma fruta tão sugestivamente real de crescer, crescer, crescer, robustamente, rumo às alturas dos telhados dos vizinhos. Ficava-se, humildemente, pela altura dos muros.
À medida que fomos crescendo, fomos chegando com mais facilidade às romãs. Não tínhamos de esperar que caíssem. E depois, bago a bago, lá íamos saboreando o delicioso fruto, que parecia não ter fim.
Hoje, tenho também uma romãzeira nos meus caminhos. O afecto que sinto por ela vai aumentando à medida que me afasto da outra da minha infância. A vida é assim!(Já não sei se foi a romãzeira que me sussurrou esta verdade?!)Talvez a romãzeira do quintal da minha avó tenha voltado e se tenha plantado ali, quase à minha porta. Sem esta, bem mais definhada mas mesmo assim romãzeira, eu já teria esquecido a outra, penso eu, cheia de culpa. Ninguém deve ser esquecido. Nem uma árvore. Nem uma flor. Nem o doce de um bago de romã!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Senhora Ministra!

Não consigo entender aquela aparição, a meio do telejornal, para explicar que tudo está na mesma, ou quase.
Não entendo porque até há uma novidade: os professores foram convocados por email, para preencher uma "grelha" de objectivos individuais online, directamente pelos serviços do ME. Os nossos órgãos de gestão nas escolas não foram informados. Se tal tivesse acontecido, eu teria sido avisada, eu teria sabido. Por que é que não o disse na Conferência de Imprensa?
Senhora Ministra, a ninguém agrada a imagem de extremo cansaço e exaustão, a sua imagem de extremo cansaço e exaustão. Não conforta ninguém. Não repara nenhum dos danos causados aos professores, às escolas, à Educação em geral.
E pior ainda é que ninguém sabe como é que funciona a dita aplicação online. Eu não passei do primeiro quadro, porque não sei os códigos da minha escola e não sei ainda se vou ou não formular objectivos faz-de-conta.
(Nem todos estão em condições de o fazer: há famílias para alimentar, casas para pagar e não pode correr-se o risco de não ter trabalho, nem emprego, nem salário!)
Não me canso de citar Sebastião da Gama: eu prefiro que a aula aconteça. Claro que me refiro à relação humana com os alunos. O resto, Senhora Ministra, eu sei. Sei que tenho de lhes abrir a porta, que tenho de os mandar calar, que tenho de os mandar sentar ou esperar que eles se sentem à sua vontade, cujo interesse convém perceber, etc.(Difícil é sentá-los, não é Senhor Professor Marçal Grilo?)
Sei que não os posso deixar ir à casa de banho, nas aulas assistidas, para não ficar registado... (É que nas aulas de noventa minutos, quando eles estão mesmo aflitinhos, eu até deixo!)
Não posso é inventar agora sucessos que serão ou não e não posso carregar o fardo da responsabilidade e da culpa da ausência, da falta, do abandono.
O que eu não entendo mesmo é uma conferência de imprensa para dizer que não há novidades, quando até há!!!

domingo, 16 de novembro de 2008

Nobel e Outono

O nosso Nobel da Literatura faz hoje oitenta e seis anos. Parabéns, Escritor!
A primeira vez que o encontrei foi nas páginas de um manual de Português de oitavo ano, num texto dedicado à avó Josefa. "Tens noventa anos. És velha e dolorida! Dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito." É a minha memória que me dita este princípio da carta. Deito as contas à idade da avó Josefa e à do Escritor. Tão chegadas! Em contrapartida, é grande a diferença que os separa no conhecimento da vida e do mundo. E que felicidade acresce à vida esse conhecimento? Ou retira?
Cada um sabe de si, digo eu, num dia de Outono em que o amarelo das folhas e o azul do céu me entraram pelos olhos dentro e pela alma também!

sábado, 15 de novembro de 2008

Senhoras e Senhores

Longe vão os dias em que os alunos se comportavam de um modo muito diferente do de hoje. Vão muito longe mesmo.
(Nem eu me portei exemplarmente bem! Por muito que conviesse dizer agora o contrário. Acho mesmo que a minha entrada no céu pode estar barrada, por algumas coisas que fiz no Colégio. Mas como tive o castigo, levei as reguadas e fui ameaçada com o inferno, talvez me tenha sido relevada a culpa!)
Recordo-me que uma das razões para que a maioria de nós excluísse dos sonhos do futuro a profissão de professor era, exactamente, a de poder vir a sofrer os desgostos que nós mesmos infligíamos aos nossos professores.
Claro que nunca ameaçámos nenhum professor! Claro que nunca proferimos obscenidades! Claro que nunca nos atrevemos a gritar palavras de ordem da alma para fora. No entanto, cá dentro, no segredo do nosso pensamento e do nosso desejo, as coisas aconteceram com a violência que hoje a televisão escancara. Havia então ainda aquilo a que chamamos respeito que, na tenra idade, só existe mesmo condicionado pelo medo. Nem todo o medo é mau, nem todo o respeito é bom. Se depois a maturidade não se desenvolvesse de forma a prometer ao corpo e ao pensamento bons momentos de felicidade, o ser, o indivíduo podia mesmo dar para o torto.
Aquelas crianças manifestaram-se frente a uma objectiva que lhes prometeu uma fama, que eles não sabem que não é eterna e muito menos sólida. Eles recrearam-se, à sua bela vontade, como fazem no recreio da escola, longe das câmaras de televisão, com os naturais instintos de rebeldia estimulados e acrescidos. Eles deitaram cá para fora o que está lá dentro a estragar-lhes a infância... (Já o José Gomes Ferreira falava de infância estragada!)
É preciso é que os Senhores e as Senhoras acreditem que não foi preciso nenhum professor dizer-lhes para se portarem mal, para atirarem ovos aos elementos do governo. Eles fazem isso tudo na escola. Sim também atiram ovos e fazem até coisas piores. Os senhores, é que ainda não tinham dado por isso! Agora deram e dizem que fomos nós que os mandámos, que os instrumentalizámos.
Era tão bom se eles fizessem tudo o que nós dizemos para fazerem?!
“Entusiasmava-me naquele momento preciso em que devia entusiasmar-me e, depois de determinadas frases cantaroladas com determinado ardor, batia sempre palmas, num ímpeto de causar trovoada no mundo.
E todos, em redor de mim, faziam o mesmo.”
José Gomes Ferreira, O Mundo dos Outros

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

(...)

Continua a doer-me esta incompreensão. Não consigo entender que alguém, com tanta responsabilidade e tanto poder, não consiga perceber que é preciso reparar injustiças, que é preciso evitar erros maiores, que é preciso ouvir, que é preciso compreender as razões dos outros ou, pleo menos, tentar fazê-lo.
Há trinta e três anos que "piso os palcos". Quando comecei, eu era pouco menos jovem que os alunos. Ninguém me tinha ensinado a ser professora. O meu guião foi todo elaborado com base na memória ainda fresca de aluna.
A primeira vez que entrei numa sala de aula, tremi dos pés à cabeça. Os alunos olharam-me e avaliaram a minha insegurança, o meu medo, a minha inexperiência. A partir daquele momento, não havia recuo possível. Tinha de lhes mostrar que tinha também vontade, entusiasmo, esperança.
E ando há trinta e três anos nisto. O meu guião agora é ditado pela a experiência, hora a hora, aula a aula, aluno a aluno.Eu sei que a paz vem de dentro. Mas a paz de fora também ajuda!
Fotografia: inspiração daqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Para que servem?

São as tais folhas caídas, amarelas de um só outono.
Não posso falar com as folhas.
Não posso perguntar-lhes o que se sentem, ali, expostas a mais frio, mais vento, mais pés impiedosos, desatentos do chão que lhes segura o caminho.
Não posso perguntar-lhes, pois correria o risco que correu o Zé Orocó. A esse, nem o manicómio curou o prazer de falar com as árvores!
Mas apetece-me! Talvez elas me respondessem assim: xengo-delengo-tengo. O que em linguagem de árvore talvez queira dizer: obrigada, por olhares para mim e por não me pisares!
Não faz sentido?
E o que é que faz sentido?
Aceitam-se "apostas".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Diz que é uma espécie...

...de objectivos individuais.
Eu prometo
Ser forte, tão forte que ninguém consiga perturbar a minha paz de espírito.
Falar, com os outros, apenas sobre saúde, felicidade e prosperidade.
Fazer sentir a todos os meus amigos que valem a pena.
Olhar para o lado brilhante de todas as coisas e fazer do meu optimismo uma realidade.
Pensar só o melhor, trabalhar para o melhor e esperar apenas o melhor.
Sentir tanto entusiasmo com o sucesso dos outros como com o meu próprio sucesso.
Esquecer os erros do passado e agarrar o futuro.
"Usar" uma cara alegre todos os dias e sorrir a todos os seres vivos que encontrar no meu caminho.(Mesmo que seja uma árvore, digo eu!)
Investir o meu tempo inteirinho melhorando-me a mim própria, de modo a que nada reste para criticar os outros.
Erguer-me muito acima das preocupações, sentir-me nobre demais para a raiva, forte demais para o medo e demasiado feliz para permitir a presença dos problemas.
Pensar bem de mim mesma e procamá-lo ao mundo, não em voz muito alta, mas através de um comportamento elevado.
Viver na convicção de que o mundo inteiro está a meu favor, enquanto eu for verdadeira em relação ao melhor que há em mim!
Tradução mais ou menos livre de um texto de Christian D. Larson, The Optimists Creed.
O que eu quero mesmo é ser forte, como o mar, e manter-me com a dignidade das árvores, que erguem aos céus os ramos secos, sem receios inúteis, sem vergonhas desnecessárias. Em qualquer altura do caule podem renascer folhas verdíssimas de esperança.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó pra mim tão vaidosa!

A Casa dos Porquinhos foi novamente aconchegada com um mimo. Mais um da Isabel.. Como eu já expliquei à Isabel, estes prémios têm muito valor para mim, porque vêm de quem vêm. Num comentário que lá deixei, recordei um belo texto de Vitorino Nemésio em que o Escritor conta o seu exame da quarta classe e como se sentiu verdadeiramente distinto, nos olhos do amigo, mais do que na classificação da pauta. É dos que nos conhecem que esperamos o incentivo e a motivação e estes prémios são esse incentivo à continuação. Obrigada, Isabel!
Eu retribuo o prémio à Isabel, porque as suas memórias são feitas de verdade, rigor e honestidade. O blog da Isabel é límpido. Claro como a água, como se costuma dizer.
Nomeio desta vez o blog do meu filho Rafael, porque já que estou em maré de vaidades...
Nomeio também a Calamity Jane porque sabe contar coisas dos minis Calamitosos que me emocionam e comovem, a ponto de quase trazerem a doce lagriminha ao canto do olho.
Nomeio a Pitucha e a Laura porque sim! Nomeação sem elas não é nomeação! A companhia que nos fazemos nesta coisa de blogs conta e, além disso, há muita qualidade no que por ali se escreve.
Claro que a mais nova edição da Chuinga também não pode ficar esquecida. Desta vez ela até trouxe um banco para nos sentarmos em frente ao mar.
E a claque da Chuinguita entra também nesta festa de Óscares (mas em bom!) porque partindo daquela ideia de que os amigos dos meus amigos meus amigos são, comecei a lê-los e fiquei a admirá-los, de modo a já não passar sem eles nestas voltas da vida blogosférica! Zê Pê e Miguel, claro!
Bruno, há pouco estive a ler o teu poema. Como sempre, adorei. Toma o teu prémio! É muito merecido!
João... andaste um pouco afastado destas coisas de blogs. Mas voltaste. Ainda bem. Guardei também um prémio para ti.
Obrigada a todos os que escrevem coisas que nos fazem bem cá dentro!
Querido Buba, quero convidar-te para vires a esta modesta casinha receber a minha admiração. Vens de muito longe nas minhas preferências. Contigo rio, choro, aprendo! Obrigada, Buba!

Os meus objectivos individuais

Tenciono provar que o Magalhães é resistente aos líquidos, como disse o Sr. Primeiro Ministro na Cimeira Ibero-Americana!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Coisas tristes que estão a acontecer na Escola

Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc.
Excerto da crónica de santana castilho, publicada hoje no jornal Público e que pode ler-se na íntegra, aqui.

domingo, 26 de outubro de 2008

Encontros de Cardoso Pires

"Sempre que o quero ver, encontro-o, muito modesto da sua pessoa, à porta da Velha Faculdade de Medicina com as vestes de Doutor. Doutor em Ciência, não de Igreja. Como tal é que a Pátria o reconheceu e como tal está exposto em estátua, frente à escola onde foi mestre dos mestres.
Campo de Santana, é lá que o temos." Lisboa Diário de Bordo

Cardoso Pires

"Ninguém como ele contribuíra para transformar o português literário, arcaico, rural e afectado, ou populista, académico e pseudo-lírico, numa língua moderna. " Vasco Pulido Valente, no Jornal Público de ontem. Texto inteiro, homenagem viva após os dez anos de saudade de Cardoso Pires.
Lawrence Ferlinghetti, meses depois do incêndio, subindo o elevador de Santa Justa que ele julgava ter sido projectado por Eiffel... Lisboa Livro de Bordo

sábado, 25 de outubro de 2008

Cardoso Pires, mais do que aniversariamente

"E aqui tens por que é que eu, nesta vista tirada do castelo de São Jorge, me sinto assim distante, quase alheado. Talvez porque daqui não te ouço, cidade. Porque não te respiro os intentos nem te cheiro. Porque não te apanho os gestos do olhar. Numa palavra, porque me falta a cumplicidade, e sem cumplicidade com a imagem, com os saberes, os gostos e os defeitos de um mundo tão privado como o teu ninguém aprende a vivê-lo. Eu, melhor ou pior, cá vou tentando. Para chegar a esse entendimento já recapitulei infâncias de bairro, já revisitei lugares; já te disse e contradisse, Lisboa, e sempre em amor sofrido." José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo E agora, José? Como diz o poeta do outro lado do mar. Fazes-nos falta, muita falta, para pensares connosco esta Lisboa e não só. Para pensares connosco a vida!
Passaram dez anos José, mas não passaram dez anos. Só o pensamento vence a morte, derrota o esquecimento.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Schtroumpfando os cinquenta!

Na pequena comunidade, cada personagem desempenha um papel original e coerente. Assim, à volta do Grande Schtroumpf, reconhecível pelas longas barbas brancas e pelas roupas vermelhas, gravitam o Schtroumpf Guloso, o Schtroumpf Preguiçoso, o Schtroumpf Sábio, o Schtroumpf "Bricoleur", o Schtroumpf Irritado, o Schtroumpf Falador, a "Schtroumpfette" e os bebés.
São tranquilos e pacíficos e resistem às ameaças permanentes do infame Gargamel, que sonha fazer uma poção mágica perfeita, à base de "schtroumpfs".O gato Azraël é a má companhia desta péssima criatura.
Quanto aos Schtroumpfs, por muito que envelheça o corpinho azul, mantêm as suas faculdades intelectuais intactas.
E os "schtroumpfs" schtroumpfarão felizes, para sempre!
Hoje somos nós, que crescemos mais azuis e mais felizes por culpa deles, que lhes vamos estrumpfar uma celebração merecida pelo seu aniversário.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

É desta...

...que me fazem a folha! (Procurei a origem da expressão aqui.)
Ou desisto de ser eu, ou desisto de ser professora.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um dia na História

"Sabes o que é um castelo?
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes."
António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criançaEm 1147, D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da História de Portugal.
Fonte-Leme

domingo, 19 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de reportagem

Foi bonito, simples e muito feito a partir da espontaneidade de quem interveio.
Primeiro a apresentadora, que falou das duas pintoras, sobretudo do seu conhecimento das pessoas, enriquecendo com um toque de afectividade o pré-debate.
(Lá fora tinha chovido granizo. Nada melhor para esquecer a tempestade do que remeter os sentidos para a realidade que resulta da criação.)
Depois a moderadora referiu-se com a convicção da solenidade necessária ao trabalho das duas pintoras: A Ana (Nini, a minha irmã de coração!) e a Cecília.
Depois falaram elas, as pintoras. Primeiro a Cecília. Eu que até nem percebo destas artes, entendi perfeitamente o processo criativo: primeiro o traço, depois pode continuar a ser o traço e o traço, até que o traço siga o seu caminho... As paisagens que não são senão paisagens de si mesma. A cor dominante. O auto-retrato!
Depois falou a Nini, do seu percurso, dos seus mestres, do seu processo criativo, diferente do da Cecília, dos seus temas, da magia de transformar a dor em cor, digo eu, que eu sei.
(Lá fora tinha chovido granizo. O caos estava instalado na cidade. Mas, das portas da Bulhosa para dentro, a ordem estabeleceu-se, naturalmente eivada de emoções, que vêm à tona também naturalmente, porque a arte é a emoção feita qualquer coisa. Neste caso pintura!)
Pego no folheto da Bulhosa e vem-me, à flor da saudade, um nome, uma memória muito viva: Lindley Cintra. Foi o meu primeiro professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ensinou-me a Linguística, o Ideal e a Coragem. Tenho a certeza que não é por acaso que a Escola se chama Lindley Cintra. É uma inspiração e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de um compromisso com a Verdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Toca a limpar!


Há "graffitis" e "graffitis". Alguns parecem ter evidente intenção artística. Outros só existem para sujar. Arte ou Não-Arte, o "graffiti" é sempre uma irreverência e funciona, ou seja, atrai invariavelmente a atenção de quem passa.
O problema é que há paredes que não aguentam mais marcas, mais gritos. É preciso devolver a alguns muros esse espaço do grito.
Agora é no Bairro Alto, por ordem de um conjunto de entidades.
Quem for apanhado a "graffitar", tratando-se de um "crime" diferente, dificilmente catalogável, também a sanção deve ser também uma sanção diferente, no caso de o infractor ser levado a tribunal. Um serviço comunitário, é o exemplo dado na notícia.
Pode nem servir de nada, mas vale a pena tentar!
Fotografia-Elevador do Lavra,124 anos de idade, na Rua de São José, Lisboa, a Linda!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Olha o sol a trazer o dia a Lisboa!

Há dias em que até para o sol parece difícil romper o frio da manhã sobre o rio e trazer a luz do dia à cidade, que começa aqui, quando a água acaba e se encosta às rochas da margens, em amena conversa com as gaivotas, os barcos... De que falarão, gaivotas, barcos e rio, ao fim destes tantos anos?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inauguração

O Meu Banco abriu hoje!
Não, não é a minha contribuição para a resolução da crise. Também não é um banco de jardim ou de uma praça.
(Desde que começou este falatório da crise que não penso em mais nada senão em bancos, não nos bancos do dinheiro mas naqueles em que depositamos, ao fim de um dia de trabalho, o cansaço das nossas pernas, ou, quando a vida já vai avançada, o que nos resta de ilusão, coragem, esperança... A minha atenção vê bancos em todo o lado!)
Mas o Meu Banco também não é desses!
É um repositório de imagens, daquelas em que tropeço e que me apetece guardar. Vão ficar aqui.
E por falar em outros blogs, guardei no meu baú a Entrevista do Escritor Lobo Antunes, publicada na Pública de domingo. É a humanidade do Escritor a responder às perguntas! É ele a contar e a provar como o cancro o mudou.

É o Outono a chegar a Lisboa!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Onde pára o professor?

Preparação das aulas trocada pelas avaliações
Este título diz muito sobre a aflição dos professores que vêem o seu tempo sugado pelas sucessivas reuniões, Conselhos Pedagógicos e outros, por causa da Avaliação de Desempenho, processo que os professores procuram tornar viável e justo, embatendo sempre na essência desta avaliação toda ela feita de papel, sucesso escolar fácil, burocraticamente perfeito, administrativamente inatacável, de aplicação difícil, com consequências ainda não calculadas, provavelmente desastrosas, nas práticas dos professores esgotados de tempo e de esperança.
Imagem

domingo, 5 de outubro de 2008

Bom Dia, Professor!

World Teachers’ Day reminds governments and the general public of the role of teachers and of the need to improve their status and working conditions. Above all, it is an opportunity to show appreciation for their work in preparing the next generation to function efficiently in a changing world.
Felizmente este texto tem idade suficiente (dez anos) para evitar conclusões fáceis daqueles que procuram ridicularizar e menorizar a luta dos professores por melhores condições de trabalho.
Os professores têm em mãos uma "Avaliação de Desempenho" e tentam viabilizar de forma justa o que é na sua essência injusto: avaliar os professores pelos resultados escolares, passando por cima do princípio da identidade individual do aluno e do professor, esquecendo que o verdadeiro sucesso escolar e educativo depende de muito mais do que uma simples nota atribuída no final do ano.
O sucesso é, na minha perspectiva, um resultado equilibrado e harmonioso, feito de conhecimentos adquiridos (quanto mais, melhor!) e valores, que ao longo da vida, se tornam preciosos para o sucesso pessoal. Mas, na sociedade moderna, o que manda é o número, o que nos governa é o papel, um papel desalmado, desumanizado que fornece os elementos necessários para a invenção da máquina burocrática que reduz os meninos e os professores a números e pouco mais. Deixa cá ver este se está a estragar a taxa de abandono. E vai de deitar para o papel o abandono do verdadeiro papel da escola que é, ou devia ser, integrar sem mentiras.
E "vai-se-a-ver" isto é tudo mentira!!!
Ao longo destes trinta e três anos de serviço, eu tenho a certeza que fui avaliada pelos pais dos meus alunos, e pelos alunos, pelos colegas e pela comunidade em geral, de modo informal, "despapelado", mas fui. Fomos todos. Nenhum Encarregado de educação ousava bater-nos, mesmo que os maus resultados dos filhos lhes causasse tanta dor na estima de pais que lhes apetecesse espancar o filho e tudo o que à volta contribuísse para esta dor. Havia então uma cultura de não-violência que urge trazer à escola de novo. Quem sai da escola hoje, sai minado de violência, por dentro, por fora, por palavras, gestos, comportamentos e até pensamentos.
É isso que é preciso combater.
É tão bom ser professor! Corrijo: é tão bom ter sido professora nos anos setenta e oitenta! Tenho reencontrado alunos desse tempo e, ironicamente, nos lugares onde a minha fragilidade se escancara e logo perante eles, ou melhor, no caso concreto, elas. O facto de me reconhecerem já de si é muito gratificante. Mas o melhor é o carinho que põem nos cuidados de que sou alvo por circunstâncias que não vêm ao caso.
São memórias destas que eu vou guardar no meu "portfólio" da minha carreira, onde vou destacar, como os artistas, os momentos de ouro. A partir daí, Senhores Ministros, Presidentes dos Conselhos Todos, avaliem-me como quiserem. Eu não vou mudar por dentro, mesmo que tenha de mudar por fora. A minha satisfação profissional está incrustada na minha alma e já não sai.
A todos os professores, eu desejo, um Bom Dia! A todos os que não são professores eu desejo o mesmo Bom Dia! Foto: encontro com a escritora Alice Vieira, sem papel passado de objectivos e conteúdos. Eu sou quase do tempo do Sebastião da Gama, em que a aula de Português acontecia!

sábado, 4 de outubro de 2008

Bye, Dennis!

"Antigamente, eram os barcos. Brancos, azuis e furta-cores, com lanternas penduradas nos cintos dos homens que passavam nas cobertas. E aquém dos barcos: as ondas tinham outra maneira de quebrar, o quebrar de antigamente, se é que sabe ao que me estou a referir. Depois, os homens falavam alto e as mulheres ficavam grávidas, as gaivotas rasavam o cais, alisando a pedra, subindo subitamente, enquanto o Norberto afiava os mastros, virados para o céu, com a navalha que um dia se lhe cravaria na garganta. A navalha era do Norberto, até tinha as suas inicias no cabo, mas foi atraída, por obscuros motivos hipnóticos, para a mão do Toledo das Rondas."
in Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez
E agora, Dennis, quem é que nos vai explicar esta Lisboa.
Que as ondas quebrem hoje à moda de antigamente, que até está vento e é mais fácil para elas chorarem-te às escondidas. Só as gaivotas tuas conhecidas saberão o porquê. Talvez também o saiba o "homem vestido de preto, com chapéu musical, sapatos poéticos, lama nos colarinhos, uma harpa ao ombro e um colete que seria laranja, se trouxesse colete"... Ilustração de Fátima Vaz

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Let's be champions!

Tudo isto é fado?

Aqui há......qualquer coisa que não bate certo!
O Leme, no seu espaço dedicado às efemérides, que eu consulto quase diariamente, publica hoje o seguinte excerto de um dos emblemáticos jornais de há meio século.
O Diário Popular de 2 de Outubro de 1946 anuncia que a Câmara Municipal de Lisboa foi autorizada a contratar, na Caixa Geral de Depósitos, empréstimos até ao montante de 25 mil contos, a amortizar em vinte e cinco anos e destinados à construção de casas para alojamento de famílias pobres.
O que escapa ao meu entendimento é o preço de 25 mil contos por uma casa em Lisboa, ainda por cima para famílias pobres?
Tenho por referência o valor da minha casa de Odivelas, quinhentos e cinquenta contos, em 1980 e parece-me que a distância geográfica, nem mesmo a famigerada barreira que constituía a Calçada de Carriche no acesso a Lisboa, justificariam uma diferença tão imensa, tendo ainda em conta a data de 1946.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em rosa

À semelhança do Metro, o Chora veste-se de rosa, a cor do combate ao cancro da mama, a que o mês de Outubro é dedicado.

Comparações

«Em todo o país reabriram hoje os liceus e escolas técnicas. Voltam a animar-se as salas de aula e os corredores que se quedavam desertos e tristemente silenciosos, durante os meses de férias grandes […] Hoje, porém, não haverá aulas. Espreitaram-se as salas - aqui é a minha turma - e passeou-se nos corredores. […] Em Lisboa, na maioria dos liceus, houve sessões solenes a assinalar a inauguração do ano lectivo, presididas pelos respectivos reitores. […] Quanto às escolas primárias e superiores […] os seus alunos ainda têm uns dias de liberdade. As primeiras reabrem no dia 7 e as segundas lá para meados do corrente mês.»
In Diário Popular de 01-10-1952.
Fonte- Leme
Cinquenta e seis anos depois, regressa o desânimo de haver ainda escolas sem cadeiras e sem carteiras:
Escola de Música do Conservatório Nacional está a ensinar música em regime integrado, como prevê a reforma em curso no ensino artístico, mas a falta de dinheiro faz com que estes alunos assistam às aulas sentados no chão.
"O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão", disse à Agência Lusa a professora Ana Mafalda, vice-presidente da Escola de Música do Conservatório de Lisboa.
Fonte- Jornal Público de 01-10-2008

(...)

E lá nasceu o mês de Outubro!
A luz ainda promete algum calor daqueles que, como qualquer bem, quando rareia sabe muito melhor, dá mais prazer. O calor de Outubro não queima. O calor de Outubro aquece. O calor de Outubro conforta e aconchega. O calor de Outubro recorda-nos um calor que já foi e um calor que há-de vir.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Banco


Parece que de repente perdi a noção de que a palavra banco tem outros significados, ou melhor, outros referentes, para além dos que fazem correr muita tinta e gastar muita luz na Comunicação Social.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Coisas das coisas


Eu só conheço uma Esperança. A Boa, precisamente! Mas para tanto sublinharem a particularidade desta ser Boa é porque há outras que não o são.
A Boa Esperança leva-nos ao mar. Nos, nós: os pescadores, os marinheiros, todos os que estão dispostos a vencer a dificuldade por monstruosa que possa parecer. A mim, os Lusíadas, eles mesmos uns versos adamastores, ensinaram-me a pensar e a duvidar das primeiras impressões. É que, à primeira vista, o guardião do Cabo, onde hei-de ir antes de morrer, de acordo com a elaboração recente da minha Bucket List, o guardião dos mares revoltos e perigosos era um mostrengo. E, "na volta" ele era um castigado, um condenado à dor da saudade e do amor por pertencer.
A Boa Esperança faz-nos falta, nos dias que correm para enfrentar as tormentas que os telejornais anunciam a toda a hora!

domingo, 28 de setembro de 2008

Someone up there likes me

"You know, I've been lucky. Somebody up there likes me." Rocky Graziano

Paul Newman morreu e tudo o que há a dizer sobre a perda para a Humanidade tem sido dito. Mas, para além da tristeza universal, há mais. Há o luto de uma geração e há a tristeza de todos os que se "embrenharam" com os olhos mais azuis do cinema, mesmo quando as fitas eram a preto e branco, como é o caso da biografia de um pugilista que ensina que uns bons socos na adversidade podem mudar o rumo de uma vida. Penso que essa geração acreditava muito mais nas capacidades humanas e pessoais de construir um futuro diferente e, por muito romântica ou ultrapassada que possa parecer esta ideia, essa atitude podia dar resultados. Esta convicção chegou até aos tempos de hoje e, embora seja transmitida modernamente de modo diferente, a base da convicção é a mesma. E foi a geração de Paul Newman que nos ensinou a dar voz e corpo e alma às causas, usando a pele de estrelas para chegar mais longe, mais fundo ao coração do mundo.
Felizmente a memória das estrelas não se apaga.
Like you Paul Rocky Newman Graziano I could also say that I'm lucky for someone up there likes me!
Imagem daqui

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Paga e não....

Todos os momentos, todas as horas podem ter uma magia associada, mas a meia-noite deve ser aquela que mais carrega esse simbolismo. À meia noite muda o dia, a hora, o ano. O século e o milénio... mas isso já é mais raro.
Foi à meia noite que o encanto que transformou a Gata Borralheira se quebrou. O seu vestido voltou a ser o do borralho, os seus ratos deixaram de ser cavalos e até a carruagem se retransformou na abóbora que talvez tenha acabado na sopa da avó.
Ontem e anteontem só ouvimos falar do Magalhães! Ele foi magalhães em Matosinhos e no resto do país. E à borla! O Magalhães entrou nas escolas pela porta grande e pela mão do Primeiro Ministro. O Primeiro Ministro estava generoso e pródigo naquele sorriso rasgado que tão bem lhe fica, embora não chegue para cair na tentação de votar nele outra vez.
Mas hoje, à meia-noite, o encanto vai quebrar-se como aconteceu com a desgraçada da Gata Borralheira. O Magalhães vai chegar ao mercado, a pagar. Os mercadores de sonhos podem ir gozar as suas merecidas férias para um lado qualquer. O produto pegou. Não há-de haver estudante do 1º ciclo ou do 2º que não peça um até ao Natal. É indispensável. Tem de fazer parte da mochila tecnológica de qualquer criança: calculadora, telemóvel e Magalhães. Ah, é verdade, também há a Playstation! E o MP3. Os pais pagam e não bufam.
Eu também vou a correr comprar a mãe do Magalhães: maiorzinho, com mais autonomia, mais funções e desbloqueado do controlo conjugal! Senão, um dia destes, sou a única na sala de aula sem portátil!

Imagem do Público

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Afinal eu não sou uma autoólica!

Estive a ler as condições para as pessoas que percebem destas coisas me considerarem uma autoólica, com necessidade de intervenção terapêutica.
Está aqui tudo explicadinho!
Primeiro: Não me considero uma vítima da indústria dos transportes, muito menos seduzida pela velocidade, estatuto ou sensação de poder. A minha "viatura" não tem grande cilindrada, é um vulgar Peugeot 206 com três anos e muitas marcas dos caminhos que tem de percorrer, ao serviço do coração, mais do que outro qualquer. A minha principal escravatura é a do tempo que não me permite fazer, de outro modo, metade do que faço, usando o carro.
Já estou mais descansada. Onde é que eu ia arranjar tempo para me submeter ao tratamento?

Novos problemas pessoais

Olá, o meu nome é Madalena e acabo de descobrir que sou uma "autoólica" (do inglês autoholic)!
Atento contra a saúde do planeta e ponho em causa o ar que os meus netos hão-de respirar! Sou horrível!
Mas eu prometo deixar este horrendo vício, se os senhores que mandam se preocuparem mais com mais transportes públicos. Ao sábado, o último barco de Lisboa para o Montijo é às 22.35; aos domingos e feriados, ainda mais cedo, uma hora. Viver em Lisboa torna mais fácil combater esta tendência criminosa. Morando fora de Lisboa, é muito mais difícl e, em alguns casos, impossível!
Se a opção for ir de barco para Lisboa, tenho ainda que me confrontar com o dilema: levar o carro até ao barco, ou ir num autocarro velho, desconfortável e caro que passa longe da minha casa.
Vai ser difícil curar-me!

domingo, 21 de setembro de 2008

Parabéns, Jorge, Tó Luís e Cª!

O dia 21 de Setembro é assim: Triplicam-se os parabéns! É bom. Hoje foi o dia de se juntar aos aniversários mais um registo: um baptizado. Do António e da "Malalena". Óbidos. O sol a aparecer no tempo certo. O calor a aquecer as emoções. Os amigos. Um "delete" na saudade. Os amigos dos amigos. Um "up-grade" das memórias, sobretudo da memória visual. A ginjinha na volta da igreja. A constatação da infinita paciência da Avó que desenhou e pintou, um por um, os bichos que desciam do tecto sobre as mesas. O telefone sempre a tocar... Ao fim da tarde, o regresso a casa e jantar com os miúdos!

sábado, 20 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

(...)

Dizem que um ano, na vida de um cão, vale sete. E um ano na vida de um blogue?
Deve valer ainda mais, muitos mais. E a Chuinguita deve saber que esta vida de blogue dá cabo das pernas, agrava o reumático, provoca aumento de peso e outros que também se sentem na idade real. Deve ter sido por isso que a Chuinguita equipou o novo espaço com um banco. O banco descansa as pernas. O mar descansa os olhos. A leitura descansa o pensamento. Obrigada, Chuinguita! Ainda tentei "arrancar" o banco irlandês e trazê-lo aqui para a aldeia mas não consegui. Assim, fui ao Algarve e trouxe este, com vista de mar também.
By the way...Chamei árvores a estes belos seres que se inclinam em reverente vénia na despedida do dia. Mas não são, de acordo com o parecer especialista do nosso amigo Nelson, que passo a citar:Penso ser um "espigo", basicamente uma inflorecência de uma piteira, figueira-da-Índia, ou planta do género Agave. Caracterizam-se por "afilhar" com pequenos rebentos ao longo de uma haste que se desenvolve na vertical na altura do afilhamento, que pode ser, ainda que impropriamente, chamada de uma inflorescência.Estes rebentos ("filhos") é que garantirarão a reprodução da planta. A reposição da verdade faz bem à minha saúde mental. Deixa-me, pelo menos, dormir descansada!
E é tudo, por hoje!
Não é tudo não: passem pela casa das formigas e vejam a remodelação. É um convite, claro!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Parabéns Rafael!

Mais um filho a dobrar os trinta.
Claro que tenho saudades de um tempo em que parecia ser possível a eternidade preencher-se com as tuas primeiras palavras, os teus primeiros passos, (ou ao contrário, pois primeiro andar e depois é que é falar)as tuas manifestações de vontade (vulgo, birras!), os teus caracóis que depois deixaram de ser caracóis, as tuas cantigas (Ai que "peixeras" que "peixeras" dos sovacos, as meias rotas e os sapatos descascados... Lembras-te?), o cavalo que tinha as orelhas "pompidas"...
Mas mesmo tendo saudades, prefiro esta certeza do dia de hoje: és um homem de trinta anos que nos enche de orgulho, pois reconhecemos em ti um conjunto de valores que são traços dos homens de bem.
Parabéns, filho!

domingo, 14 de setembro de 2008

Reverência

A Árvore inclina-se reverente após a cerimónia do pôr-do-sol. Toda a Natureza se veste a rigor, seguindo a orientação dos tons propostos pela sugestão de fim de dia.
(fotografia- Sagres, 13 de Setembro, pôr-do-sol)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Lisboa

Pobre Terreiro do Paço! Até quando o entulho separará o Tejo da sua cidade noiva?
Até quando terão as gaivotas de suportar o roncar das máquinas, som assassino das suas conversas?
Quando poderá o Tejo trazer os seus peixes a visitar a Cidade?
(Hoje vi um grupinho de peixes no Cais do Sodré!)
Poderá Santo António, vizinho próximo, vir até este belo lugar redizer o seu sermão? Poderão os nossos olhos contemplar o rio, a partir de Lisboa, ou Lisboa a partir do rio, sem intromissões no longe que a vista alcança?
Aceitam-se respostas. Dá-se preferência à verdade!

domingo, 7 de setembro de 2008

Desafio Rentrée

Pega num livro que andes a ler. Ou que tenhas lido. Ou que venhas a ler ainda. Qualquer um serve. O que interessa é que tenha um título sobre o qual te apeteça escrever. Não importa a forma nem o género literário. Tem é que haver uma relação lógica entre o título do livro e o que tu vais escrever. Não sei se é possível mas apeteceu-me propor este desafio a todos os que constam da lista ao lado. E para dar o exemplo, aí vai a minha contribuição para o desafio!
Identificação da obra: Os da minha rua. Autor: Ondjaki
A rua era até há pouco tempo um reduto de liberdade para mais pequenos, um espaço perfeito para conhecer outros e aprender a vida. É que com a rua, a que chamamos nossa/minha, estabelecemos uma ligação especial. A minha rua é a continuação da minha casa e é pena que os problemas de segurança tornem cada vez mais difícil esta facilidade de ensaiar a vida para lá dos nossos muros, na nossa rua. A rua mais minha que tive, foi a rua dos meus onze anos. Tão minha que a recordo como se fosse uma fotografia ou um filme.
Por exemplo, nunca me esqueci de uma senhora que lavava furiosamente as janelas todos os dias. A minha mãe dizia que ela tinha a mania das limpezas. Não sei já se cheguei realmente a saber o que é que lhe aconteceu, como é que envelheceu, como é que sobreviveu, sem forças (presumo) para continuar a lavar as janelas. Lembro-me de haver muito mistério à volta da mania das limpezas da Dona Manuela (acho que se chamava assim!) e "constava" que era infeliz. Parece-me hoje uma explicação, uma relação lógica.
Do outro lado da rua, vivia uma família composta por pai, mãe e cinco filhos rapazes. O pai andava sempre vestido de branco e passava, na rua, calado, direito, com passo certo. Os filhos eram todos altos e bonitos. Pelo menos eu via-os assim, do "alto" dos meus onze anos, acabados de fazer. A mãe tinha a mesma postura. Só os dois filhos mais novos é que falavam e brincavam na rua, deles e nossa. Um dia fui parar ao hospital, cá em Lisboa e pelo nome na bata de um dos médicos com quem me cruzei, cheguei à conclusão que se tratava de um dos filhos, apesar de já não ser nem alto nem bonito. Percebi que a vida tinha continuado ali o pai: adivinhei o mesmo silêncio tímido, não sei porquê.
Um pouco mais longe do prédio onde eu morava, havia uma casa grande e branca onde só moravam pessoas felizes. Pelo menos, davam muitas festas e, se davam muitas festas, é porque eram felizes, pensava eu das profundezas dos meus onze anos acabados de fazer. A mãe jogava ténis e quando saia para ir jogar parecia uma actriz de cinema, com a roupa branca e muito bem engomada, os sapatos de ténis brancos, as meias brancas,a "raquete"... O filho era muito parecido com a mãe. Tinha uma bicicleta o que o ajudava muitíssimo nos dotes de sedutor. No figurino de sedutor não cabe a falta de um veículo e, para a idade, para além do triciclo, só podia ter uma bicicleta.
Depois, mudei de casa, mudei de rua, mudei de vida. Nunca mais tive onze anos, mas voltei a ter rua! E um dia até encontrei uma rua com o meu nome!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Feliz!

Obrigada, Isabel! Fico feliz por ter vindo de ti! Um beijinho para ti.
Sinto-me a viver um desses momentos que vemos no pequeno e no grande ecrã. A emoção deve ser a mesma, certamente! E também me apetece agradecer a todos os que vêm e lêem o que aqui vou deixando. Uns são "bloguistas militantes". Outros, não! Uns deixam comentários. Outros não. Mas são todos responsáveis pela "vida" deste espaço que tem servido de palco aos momentos mais alegres e a alguns dos tristes também. Uma coisa é certa: aqui, a alegria não se esgota. Se chego feliz, continuo feliz.
E aí vão os meus nomeados, que poderão passar por aqui e receber este prémio, à hora que quiserem, quando quiserem. Serão sempre bem-vindos!
Isabel, desculpa, mas, inevitavelmente, fazes parte da lista!
E aí vão os sete magníficos!
Ao Buba entrego este prémio com uma enorme vénia. É um prazer imenso poder dizer-te o quanto te admiro! Sempre!
À Pitucha, porque descinzenta Bruxelas, só com palavras, palavras, palavras. Para medir a beleza das palavras da Pitucha, tive de arranjar um lindómetro.
Para a Laura, na Senda de todas as Beiras, um espaço que prima pela tranquilidade, pelo bom gosto, onde nos apetece ficar a ouvir as suas Histórias Inventadas!
Para o Espumante, pelo enciclopédico saber, a prova provada que o saber ocupa lugar. E porque a amizade também ocupa lugar!
Claro que o moçambicanismo é um laço forte, mas a querida Chuinguita fechou o tasco e não há maneira de abrir outro. Ela prometeu para Setembro, lá para meio. Já estou sentada à espera, Chuinguita!
Espero, Chuinguita! Este tinha de ter uma referência especial, mas como se apagou não conta.
E ainda no âmbito do moçambicanismo, entrego este prémio ao Zê Pê. A Laterna Acesa ilumina qualquer tipo de assunto, qualquer afecto, qualquer passado, qualquer presente. Até ilumina o futuro, eu creio.
Ser professor é mais do que uma profissão. É uma condição. Por isso, a Memória de Prof faz parte da minha escolha. Reconheço na Isabel uma honestidade intelectual, um rigor, uma exigência, que me dá orgulho pela escolha ter também recaído em mim.
E ainda falando em Profs, a Hindy leva também o prémio, pela perfeição com que concretiza a sua inspiração. O Hindy e a Hindy são uma unidade de pensamento e matéria em perfeita sintonia.
Tenho ainda mais casos especiais, que não posso deixar de referir. O All Together é nosso, dos professores de Inglês da nossa escola. É uma experiência linda que confirma que se pode partir para esta aventura com outros. Especialmente para a Célia, a minha alegria e a minha gratidão. Caso especial é também o Blogueio da Luh. É que a Luh voa e chega muito rapidinho aos corações. Obrigada Luh, pelas tuas visitas especiais e pelos recados que me vens dando!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

(...)

"A great secret of success is to go through life as a man who never gets used up."
Albert Schweitzer, Nobel Peace Prize, 1952

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Quando é que acaba o efeito?

Eu gostava de saber quanto tempo demora a passar o efeito da silly season!
Assinada pela directora do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, evidenciando que a gravidade do assunto chegou ao “staff” do próprio primeiro - ministro, fica determinado que as placas devem ser presas às paredes “através de parafusos de aço inox em cada canto, com oito milímetros de diâmetro e 90 mm de comprimento” e não, como anteriormente determinava a ignóbil portaria de Junho, num erro lapso inconsciente que punha em causa talvez não a segurança de pessoas e bens, mas certamente a segurança das placas, com parafusos de apenas 60 mm de comprimento.
Se aconteceu, não veio nos jornais. Será que caiu algum parafuso no “staff”
da Presidência do Conselho de Ministros?
José Júdice, em coluna do jornal "O Metro" de 3 de Setembro.
Vale a pena ler todo o texto. É um momento de lucidez, a que se seguirá, inevitavelmente, a continuação do estado (não sei adjectivar o dito estado! Talvez delirante?!) em que andamos todos, directa ou indirectamente influenciados por quem, directa ou indirectamente, "sofreu" a silly season até ao âmago do limite do parafuso que sustenta as placas nas paredes.
Não há certamente assunto mais importante do que os 30 mmm de parafuso que separam as duas portarias!
Como dizia o Parafuso, o Verdadeiro: Cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente!E enquanto as cabeças pensantes decidem os milímetros do parafuso, assim que se chega a Lisboa, de barco, à Estação do Cais do Sodré, percebe-se logo a imensa importância que o assunto em questão tem. O que é que interessa termos que atravessar o caos que separa a estação da cidade? São só uns metros! Pois... Nos milímetros é que está a grande diferença das coisas...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Regresso à escola

A teoria sempre é um começo. Pelo menos serve para dar forma a uma determinada organização de ideias que, postas em prática, poderão dar bons resultados.
Fui à procura e encontrei aqui um conjunto de "dicas" para iniciar bem um ano lectivo.
Fala da importância do primeiro dia de aulas. A minha experiência de professora, mãe e até aluna leva-me a concordar. No entanto, não devemos ceder a mais uma ditadura de pensamento. Se o primeiro dia não correr tão bem como seria desejável, há que tentar o segundo e os que vêm a seguir. Não podemos ficar reféns de um momento! As empatias gerem-se,e geram-se!; mas não de modo instantâneo e rápido. E mais vale demorar um pouco mais do que compromoter o sucesso num contra-relógio.
No meu entender, a "dica" mais importante é a que se refere à Regras da Sala de Aula. Há situações que devem ser explicitadas logo no primeiro momento, nomeadamente as que se prendem com atitudes que vão sempre ter ao respeito pelo "outro". É uma questão de cidadania e um dos deveres da Escola é, sem dúvida, formar em cada aluno a consciência de Cidadão!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Primeiro de Setembro

O Primeiro de Setembro nasceu às sete e sete. Estava tudo ainda assim, nesta lânguida e deslumbrante preguiça doirada, dez minutos depois. Percebe-se! Mesmo que se dê à luz todos os dias, como é o caso deste céu e desta água, cada filho-dia é uma emoção única. Daí tanto ouro derramado sobre a mãe água. Ela é que acolhe, neste colo de rio, os primeiros brilhos da manhã, infância do dia menino, neste caso, acabado de nascer. Quando a noite se afasta para outras lonjuras, irmã primeira do dia, esta mãe água tenta consolar-se com o afã que traz sempre um filho novo!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tarde

O que eu queria dizer-te nesta tarde
Nada tem de comum com as gaivotas.

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A vacina que sabia a rebuçado

Hoje são muitos os avanços da Ciência, nomeadamente da Ciência Médica e é graças a esse avanço que nós vivemos cada vez tempo.
(A par dos avanços há os retrocessos dos comportamentos, o que devia afligir muito a humanidade, mas pelos vistos não aflige assim tanto, pois já teria havido alguma mudança! A própria humanidade regride, enquanto sentimento que significa o reconhecimento do valor da vida, o solidário reconhecimento das necessidades vitais e consequente empenhamento na viabilidade da sua satisfação, seja dos que nos são chegados e próximos, seja dos que desconhecemos mas são de carne, osso, nervos e sangue, como nós.)
Quando eu nasci havia na panóplia das doenças da infância a chamada paralisia infantil, ou poliomielite, como diziam os entendidos. A doença era provocada por um vírus. Não sei exactamente se todos teriam os mesmo tipo de sequelas, mas dois amigos meus ficaram com uma perna mais atrofiada e usavam um aparelho com ferros que devia magoar muito a alma e o coração das mães. Digo isto porque me lembro bem da tristeza do olhar dessas mães. Mais do que das próprias crianças que activavam as defesas e se desenvolviam com a naturalidade das outras meninas e meninos. Era uma doença terrível e muito temida: matava ou deixava sequelas graves.
Em 1954, dizem uns, um pouco mais tarde, dizem outros, apareceu uma vacina! Ainda hoje guardo a sensação de magia que me provocaram as gotinhas doces! Nem sequer era preciso levar uma pica. Não fazia sofrer e sabia a rebuçado.
O "Mágico" que inventou estas gotinhas chamava-se Albert Bruce Sabin e nasceu a 26 de Agosto de 1906.
Obrigada, Senhor Sabin!
Não é preciso pensar muito para se perceber a importância da vacinação na Saúde Pública, especialmente na infância, especialmente nas crianças para quem já chega a certeza, ou qause certeza, da fome. Foto do início dos anos cinquenta, Alto Molocué, Moçambique