quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Notícias que não me passam ao lado

Pelo contrário: estilhaçam a barreira das emoções mais minhas, aquelas que nem às paredes devo confessar, para não passarem para lá dos limites de segurança.
Uma delas foi, sem dúvida, a da menina que nasceu "livre" do gene do cancro da mama. Fico feliz, pois o cancro da mama aparece em mulheres cada vez mais novas e isso dói muito na condição de mulher-mãe. A idade jovem da mulher é importante, não só pela juventude e saúde do seu corpo, mas também pela maternidade e tudo o que envolve este milagre que é dar à luz um filho. Ou dois ou três, ou seja lá quantos forem. Mesmo importado "via-coração", a mulher jovem precisa de ter o corpo livre desta ameaça, para poder sonhar o futuro dos seus filhos. Claro que eu falo dos medos que eu tinha quando era nova e os meus filhos eram pequeninos e tão meus, tão meus, que os achava absolutamente intransmissíveis. Por isso, esta notícia acertou em cheio no meu coração!
A outra notícia que me fez tremer foi a de uma jovem, ex-atleta, grávida que foi vítima de hemorragia cerebral e a quem foi possível fazer o parto mesmo depois da sua própria vida ter terminado. Como dizia Mia Couto, num dos seus belíssimos contos: naquele corpo, a vida fez horas extraordinárias. Dizem que a literatura é ficção. Ali estava pois a prova de que a literatura pode antecipar a realidade!
E finalmente a notícia que fez correr mais tinta, que gastou mais luz no mundo inteiro. A felicidade do menino Cristiano Ronaldo. Quem estava ali, perante os nossos olhos, num palco do mundo, era um menino feliz. Naquele momento não havia Ferraris nem Bugattis, nem Mourinhos, nem milhões! Havia, sim, a emoção sincera de um menino.
Sim, que uma Pessoa nem sempre é de ferro!Ao lado, passei eu deste Pessoa em bronze, no momento exacto em que uma menina brincava com o pé do poeta num alheamento poético, digno da pessoa ali esculpida, digna da poesia que a vida também tem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Davam grandes passeios aos domingos

Davam grandes passeios aos domingos... É uma obra de José Régio! E é também a realidade de muita gente. Sempre foi. Lembro-me da volta dos tristes, antes da ditadura dos Centros Comerciais.
(Eu até gosto da voltinha num Centro. É do género do carrossel: sobe e desce, sobe e desce, só que, em vez de cavalinhos de todas as cores e brilhos, sobe-se e desce-se a escada rolante...)
Hoje fui dar um desses grandes passeios domingueiros: visita ao Palácio Nacional de Sintra. Sobre o valor histórico e sobre a beleza dos espaços que são visitáveis, está tudo dito por aí. O que realmente me deslumbrou hoje foi Sintra, mesmo Sintra, a Sintra que avistei das janelas, da Sintra que nos esperava, verde, verde, verde!
Sintra é "inigualável", disse-o Hans Christian Andersen.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

É para já!

Tenho de ir pôr a minha cabeça a lavar. Ou pelo menos a limpar a seco. Está cheia de lixo! Burocrático!
Acho que estas nódoas não são facilmente elimináveis!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Regresso do MEC

O MEC é uma referência da minha geração. Digo minha, porque os respeitáveis dois ou três anos que os meus cinquenta levam de avanço em relação aos dele me dão essa autoridade de me auto-infligir a "matura idade". Até porque eu envelheci. O MEC, não!
Ele mantém a linha da irreverência que funciona, quando bem usada, como elixir da juventude. Claro que falo de uma juventude de pensamento. O MEC está gordinho, tão gordito, que já nem se notam tanto as orelhitas de abano!
Foi por causa do MEC, que eu me perdi para sempre nos caminhos da net. (Ironia!) Fui ao consultório do Doutor Pastilhas e fiquei dependente deste acesso fácil, muito imediato, ao bem-estar.(Sem ironia!)
O MEC voltou com uma publicação em memória das noites da Má-Língua. As conversas com os outros maldizentes militantes foram gravadas pela TSF, presumo que nos seus estúdios e ouvi-los, neste caso, é bem melhor do que lê-los. A versão áudio conserva os tiques, a pronúncia do norte do Manuel Serrão que se perdem na versão escrita.
Quanto às crónicas do MEC, ontem, já tropecei numa, no Público, sobre a Bimby, "autêntico antepassado da cozinha de autor"! Hoje, outra crónica com alguma verdades em que o MEC denuncia, com o estilo habitual, as personalidades inconsistentes que se escondem atrás de algumas modas sociais.
Eu continuo fã do MEC. Irremediavelmente!
Vou guardar no meu baú estas crónicas!

domingo, 4 de janeiro de 2009

A não perder

Numa Lisboa perto de si, num rio perto de si, numa margem de Lisboa...
A beleza das colunas, uma beleza simples, sem artifícios, onde até as gaivotas se sentem em casa...
A esta beleza junta-se a beleza do deslumbramento de quantos querem ver o lugar que tem a sua história guardada no limo das pedras, que as protege da erosão do esquecimento.
Amanhã, o cais das colunas será novamente vendado aos olhos dos que o procuram, por acaso ou com intenção de guardar esta memória de Lisboa.

Provérbio fotografado

Uma geração planta a árvore e outra recebe a sombra.(Provérbio chinês)
A geração que plantou a árvore está a sair de cena. Sai ainda com a dignidade do seu próprio passo. Quem nos dera a todos esta felicidade!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Provérbios aplicados


Por muito longa que seja a noite, a manhã chegará!
Este é, dizem, um provérbio africano.
Como todos os provérbios que se prezem, a verdade contida é contestável.
Mesmo assim, parece-me que a sabedoria popular prevalece sobre uma desmontagem lógica.
Pensando bem, é melhor fixar a nossa atenção nos raios de sol que rompem a escuridão das noites.
É preferível não resistir ao calor do primeiro sol que nem sequer é pernicioso!
É preferível não nos deixarmos seduzir pela magia da noite!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ainda a sair o ano

Efeito B.B.
Baptista Bastos. Não confundir com Brigitte Bardot!
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.
Pena eu já ter escrito sobre o "assunto". Subscrevo os sonhos do B.B.
O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
Se eu tivesse poder para inventar um ritual, arranjava maneira de atirar ao mar o ano velho e ir buscar ao mar as boas energias para o ano novo.
Nem sempre o corpo me pede mar, mas os olhos sim! Sempre!

Sair do ano

O calendário condiciona incontornavelmente as nossas emoções.
Não consigo abstrair-me da data carregada de simbolismo, pela possibilidade meramente teórica e virtual de uma mudança.
Para melhor, só admito!
De uma mudança para o desconhecido que vai ser suportado por um outro calendário, com os mesmos meses, com os mesmos dias, com as mesmas datas festivas. No meio de tantos "mesmos", apenas nós, cada um de nós, não seremos os mesmos.
Inventaram-se rituais, uns mais exequíveis do que outros, para recomeçar a contagem do novo ano com o tal espírito positivo a que até os homens da ciência já recorrem.
Há o pé direito e o esquerdo. Rapidamente estes dois pés começaram a ser conotados com opções ideológicas e essa sugestão foi abandonada, pois o planeta corria o risco de entrar sempre coxo num ano novo. Há sempre a hipótese dos dois pés que se consegue com um salto.
Cá por mim, não vou nisso; prefiro entrar "no" ano novo, com os dois pés no chão.
Com os dois pés sãos, sem calos, nem artroses, nem joanetes, nem apertos de sapatos de festa. Dois pés livres para percorrer a caminhada dos dias de 2009.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ai Pai Natal, Pai Natal!

Agora que descobri onde moras, tenho vontade de me meter ao caminho e ir até Korvatunturi , para que saibas que foste a causa da primeira desilusão da minha vida.
Tinha seis anos e, naquele ano, como nos outros, tinha desejado um brinquedo daqueles que dá para antecipar a vida: um boneco que era tal e qual um bebé.
Nunca tinha sequer duvidado da tua existência. Duvidava apenas da tua pontualidade e pensava que talvez fosses um ser pouco sociável. Chegavas sempre tão tarde, tão tarde que eu nunca tinha conseguido parar o sono para te encontrar e para falar contigo! Lembro-me de combater o sono nas noites de vinte e quatro, depois de ter posto o sapatinho, na cozinha, ao pé do fogão...
Naquele ano, a minha mãe, para acalmar a minha ansiedade, resolveu antecipar a tua chegada. Faltavam ainda uns dias para o Natal e a minha prima Olga tinha vindo da África do Sul, para passar aqueles dias connosco.
O meu pai estava em Lisboa e a ausência dele magoava, sobretudo naqueles dias. Marcámos uma chamada telefónica para Lisboa, mas como não tínhamos telefone, tínhamos de ir a casa dos vizinhos de cima, os senhorios, e esperar que uma operadora da Marconi estabelecesse a ligação.
À hora combinada, lá fomos e tudo aconteceu muito rápido e muito caro: três minutos, cento e vinte escudos. Não deu para nada que se parecesse com matar saudades. Foi mais um reforço de saudade do que a sua liquidação. Mas o nosso dinheiro não dava para mais!
Para além deste telefonema, o Pai Natal passou pela Rua dos Velhos Colonos, a meio da tarde, num carro pouco parecido com o seu habitual trenó puxado por renas. Disseram-me. Eu não vi, claro! A minha prima Olga é que me garantiu que ele tinha passado, cheio de pressa, num carro vermelho, sem capota, para deixar o presente. Tinha tanta pressa que nem esperou que eu saísse da garagem onde estava a brincar com as bonecas "velhas". A pressa, eu não estranhei. Na mentira, acreditei piamente.
O pior foi a reacção de uns quantos mais crescidos que troçaram descaradamente da minha ingenuidade.
Mas o que me doeu mesmo mais foi ter perdido essa ilusão!Ter perdido, talvez para sempre, a capacidade de me iludir!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Outros sentidos de Natal

À medida que a vida vai avançando, há que resgatar algum sentido das festas.
A magia pode esvair-se por entre as imensas preocupações que a vida traz, inevitavelmente, a todos. Ninguém escapa à realidade dos problemas de saúde! Ninguém escapa ao desencanto e à desilusão dos dias que vamos vivendo. Ninguém pode contornar a sensação de injustiça, que sobrevém à fome e às doenças dos mais pobres, dos mais indefesos, dos mais novos e dos mais velhos. Ninguém suporta bem o sentimento de impotência que nos tolhe a esperança da solidariedade possível. Por mais voltas que se dê à ideia do Natal todos os dias, há este vinte e cinco em que o Dia se faz sentir nas ruas vazias, no recolhimento próprio da festa e do frio...
Onde está o Natal da nossa infância? A certa altura, em que o julgávamos também perdido, reapareceu trazido pela infância dos nossos filhos, mas até esse nos abandonou. A solidão toma conta de nós nestes dias, em que a televisão e a rádio gritam belas músicas de natal, agitando a nossa consciência da realidade. Parece-nos ouvir a cada instante um pedido de socorro: Salvem o Natal!
O meu, ontem, salvou-se na tranquilidade do jantar possível num restaurante inglês, em Albufeira.
(Não há restaurantes abertos, praticamente, no dia de Natal!)

domingo, 21 de dezembro de 2008

O brinquedo...

É a brincar que a gente aprende, dizem alguns doutores das grandes coisas pequenas.
Tentemos mexer nesses mágicos objectos pequenos que não cresceram connosco porque a fantasia que lhes corre no trapo, na lata ou na madeira não se metamorfoseia, de uma vida para a outra, em coisas a sério que só fazem é parar o mundo.
Um soldadinho de chumbo nunca matará. Ele será apenas e só um fiel guardião da paz verdadeira!
Deixemo-nos tocar uma vez mais pela verdade dessa fantasia!
E que seja eterno o nosso pião!E foi assim, à espreita da magia da época, que a magia da Nini e da Graciete tocou e aqueceu os corações desprevenidos de quem visitou "os brinquedos" no Palácio da Independência, em Lisboa, neste Dezembro tão frio...
Foto-quadro da Nini

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Recado para o Rui

Pode parecer esquecimento, mas não é. E vou provar que não é esquecimento.
O programa mágico para brincares com a tua neta está aqui.
Quase no fim da página estão duas versões: uma é o programa principal e outra é "mais brincadeira".
Diverte-te com a Madalena!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um adeus ao Escritor

A consciência da complexidade de viver leva-me a pôr de parte as amarguras e as melancolias metafísicas, diz o autor de O Tecido de Outono, Alçada Baptista. Escreve o Escritor. Decide o homem que amava a vida acima de tudo e que sabia expressar, com a naturalidade de um filósofo, a sua inquietação interior. O corpo não lhe dava sossego à alma e a alma, por sua vez, não lhe dava sossego ao corpo. Por isso dizia, ou melhor, escrevia: entre a satisfação do desejo e a culpa vai um pequeno intervalo.
Ficarei sempre grata ao Escritor ter aliviado o meu próprio sentimento de culpa,mostrando o quanto ele é incontornável no homem de um certo tempo.
O romance "Tecido de Outono" tocou-me de um modo muito diferente dos outros que li, como a Tia Suzana, Meu Amor ou Catarina Ou o Sabor da Maçã. Talvez por o ter lido numa altura em que começava já a inquietar-me a proximidade desta estação da vida.
Filipe (o homem, personagem central, narrador) casa com Matilde paar alcançar a felicidade abençoada, mas persegue a não-abençoada também com Bárbara. Até porque a felicidade é volátil e invisível a distâncias pequenas, busca-se incessantemente. Não se chega. Não se tem. É como a linha do horizonte. É sempre longe, mas está sempre lá. O casamento com Matilde acaba. E a ligação a Bárbara fortalece-se inexoravelmente, pelo que é e pelo que representa: o amor com algum pecado, com alguma culpa, sem consentimento social, interminável, sem ser definitivo ou sequer duradouro. E enquanto Bárbara dá largas ao seu instinto humanitário em Moçambique, Maria, por perto, aconchega-lhe a alma e o corpo. E ainda chega a vez de Eugénia, antes do Outono que não perdoa, tempo em que não há lugar para paixões primaveris arrebatadas. É o senso comum a impor-se. E o vazio também. E Deus ali à volta. “A certa altura da vida, parece que Deus nos fica como única alternativa para enfrentarmos a nossa solidão.”
Mas Matilde ainda lá está, para partilhar o calor de Cabo Verde e o calor que o Outono guarda do Verão. Desta vez fora “das normas e das leis”. Afinal "o Tecido de Outono" é um registo de sensualidade, um apelo à vida, uma desconstrução bela mas simples da ideia do Outono sombrio e triste.
O Inverno está aí a chegar, Escritor, mas as "folhas" que nos deixou estão verdes de esperança e não há chuva nem vento que lhes tire o sabor a vida!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dantes eram as bombocas!

Afonso! Porreiro, pá!

'Tás a ver, Afonso, no que isto deu?
Nem a rebeldia de carácter inscrita na tua herança cultural lhes serve já para nada.
Falta, a estes teus súbditos, visão, coragem, ambição, desejo, sonho e ideal.
Sobra-lhes o truque, o jeito para enganar o outro. Creio que treinam, em sessões mais privadas, a melhor maneira de iludir o povo.
Um dia destes, emocionei-me ao ouvir o nosso governante máximo, (Ou será o a seguir?!), a exultar com um feito que, afinal, era apenas mais um defeito do que o feito propriamente dito. Anunciava, feliz, que o povo ia melhorar de vida porque a gasolina tinha baixado e os juros das casas também.
(Calculo que não saibas o que isso é. Eu também não! Só sei que levo imenso tempo e imenso dinheiro a pagar a casa ao Banco.)
Mas voltando à vidinha que vai melhorar: ela vai melhorar por causa da crise, vê tu?
Bem sei que eles agora querem é tempo para brincar com o Magalhães. Não, não é esse que estás a pensar! Esse ficou no Estreito. Este é uma espécie de malinha de senhora. Mas não é malinha de senhora. É um computador e tem instaladas muitas coisas para os meninos e meninas brincarem e aprenderem. O nosso PM disse, numa Cimeira, que os seus assessores usavam o Magalhães. Agora já percebemos por que é que isto anda como anda.
(Uma Cimeira é uma batalha disfarçada: juntam-se todos para lutarem uns com os outros, mas não levam espadas nem armaduras de aço como tu levavas. Levam fato e gravata e muitas palavras e o máximo que arremessam é um "chiu" em castelhano!)
Se calhar, ontem, os assessores do PM emprestaram os Magalhães aos Deputados do PSD e eles foram para casa jogar um inocente jogo para crianças, em vez de votarem com o resto da oposição e com os trânsfugas do PS a suspensão deste modelo de avaliação.
Pois é, Afonso, por aqui está tudo muito porreiro, pá!
Agora tenho de ir. Isto, no deserto, é um bocado desinteressante.
(Jameh, já ouviste falar? Foi um deserto ineventado há pouco tempo. Não não é do teu tempo, não! Nem tem mouros!)
Vou até à cidade. É só uma ponte e pronto!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Chuchar no dedo?

Nunca imaginei este título para uma crónica, muito menos de uma crónica publicada em jornal de referência como é o nosso velhinho DN, muito menos assinada por alguém cujo trabalho se reveste sempre de um brilho literário que nos pode fazer recuar até à Antiguidade Clássica.
(Talvez devêssemos imaginar Ulisses a chuchar no dedo?! Ou Penélope, nos intervalos do croché?)
Chuchar no dedo não é título de crónica assinada por Vasco Graça Moura! Não pode ser! Pensava eu, até hoje!
Mas quando o assunto é "Magalhães" entramos na regra "Vale tudo" menos tirar olhos. Até vale tirar uma fotografia com os meninos e com os Magalhães e depois tirar os Magalhães para bater em retirada para outra freguesia, para tirar outra fotografia. E assim sucessivamente, como diziam antigamente as pessoas, já que não ouço muito esta expressão hoje em dia!
Assim "Chuchar no dedo" passa a ser um não-título de uma não-crónica, para cronicar sobre uma não-realidade! Pronto. Deste modo, já começo a entender! Começamos a entrar no não-mundo dos mais desprotegidos, onde lhes resta apenas o recurso ao instintivo consolo que vem dos longínquos tempos uterinos: chuchar no dedo.
Parabéns, Vasco Graça Moura! (sem ironias, que isto agora é preciso explicar tudo muito bem explicadinho, não vá alguém pensar que Portugal é apenas um recurso estilístico!) imagem do National Geographic Magazine

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Quase literariamente falando

Professora- Sabem, a Sophia gostava tanto do mar que disse, ou melhor, escreveu assim: "Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar!"
Aluna, com ar circunspecto- Sempre é mais bonito do que "Todos os caminhos vão dar a Roma."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Os dias que passam

Quando o dia me dói, a minha memória refugia-se no quintal da minha avó, onde as Árvores de Fruto eram Rainhas. As Couves, as Alfaces, as Galinhas e os Coelhos eram súbditos de Suas Majestades que se mantinham de pé uma vida inteira, altivas e resistentes.
Uma das mais pequenas era a romãzeira. Ficava ao fundo, junto aos tanques (onde as mulheres da casa lavavam toda a roupa da casa!) e vigiava os lençóis que ficavam a corar nas imensas redes, ali postas para o efeito. Era das mais franzinas, a romãzeira. Talvez alguma maleita tivesse impedido esta mãe de uma fruta tão sugestivamente real de crescer, crescer, crescer, robustamente, rumo às alturas dos telhados dos vizinhos. Ficava-se, humildemente, pela altura dos muros.
À medida que fomos crescendo, fomos chegando com mais facilidade às romãs. Não tínhamos de esperar que caíssem. E depois, bago a bago, lá íamos saboreando o delicioso fruto, que parecia não ter fim.
Hoje, tenho também uma romãzeira nos meus caminhos. O afecto que sinto por ela vai aumentando à medida que me afasto da outra da minha infância. A vida é assim!(Já não sei se foi a romãzeira que me sussurrou esta verdade?!)Talvez a romãzeira do quintal da minha avó tenha voltado e se tenha plantado ali, quase à minha porta. Sem esta, bem mais definhada mas mesmo assim romãzeira, eu já teria esquecido a outra, penso eu, cheia de culpa. Ninguém deve ser esquecido. Nem uma árvore. Nem uma flor. Nem o doce de um bago de romã!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Senhora Ministra!

Não consigo entender aquela aparição, a meio do telejornal, para explicar que tudo está na mesma, ou quase.
Não entendo porque até há uma novidade: os professores foram convocados por email, para preencher uma "grelha" de objectivos individuais online, directamente pelos serviços do ME. Os nossos órgãos de gestão nas escolas não foram informados. Se tal tivesse acontecido, eu teria sido avisada, eu teria sabido. Por que é que não o disse na Conferência de Imprensa?
Senhora Ministra, a ninguém agrada a imagem de extremo cansaço e exaustão, a sua imagem de extremo cansaço e exaustão. Não conforta ninguém. Não repara nenhum dos danos causados aos professores, às escolas, à Educação em geral.
E pior ainda é que ninguém sabe como é que funciona a dita aplicação online. Eu não passei do primeiro quadro, porque não sei os códigos da minha escola e não sei ainda se vou ou não formular objectivos faz-de-conta.
(Nem todos estão em condições de o fazer: há famílias para alimentar, casas para pagar e não pode correr-se o risco de não ter trabalho, nem emprego, nem salário!)
Não me canso de citar Sebastião da Gama: eu prefiro que a aula aconteça. Claro que me refiro à relação humana com os alunos. O resto, Senhora Ministra, eu sei. Sei que tenho de lhes abrir a porta, que tenho de os mandar calar, que tenho de os mandar sentar ou esperar que eles se sentem à sua vontade, cujo interesse convém perceber, etc.(Difícil é sentá-los, não é Senhor Professor Marçal Grilo?)
Sei que não os posso deixar ir à casa de banho, nas aulas assistidas, para não ficar registado... (É que nas aulas de noventa minutos, quando eles estão mesmo aflitinhos, eu até deixo!)
Não posso é inventar agora sucessos que serão ou não e não posso carregar o fardo da responsabilidade e da culpa da ausência, da falta, do abandono.
O que eu não entendo mesmo é uma conferência de imprensa para dizer que não há novidades, quando até há!!!

domingo, 16 de novembro de 2008

Nobel e Outono

O nosso Nobel da Literatura faz hoje oitenta e seis anos. Parabéns, Escritor!
A primeira vez que o encontrei foi nas páginas de um manual de Português de oitavo ano, num texto dedicado à avó Josefa. "Tens noventa anos. És velha e dolorida! Dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito." É a minha memória que me dita este princípio da carta. Deito as contas à idade da avó Josefa e à do Escritor. Tão chegadas! Em contrapartida, é grande a diferença que os separa no conhecimento da vida e do mundo. E que felicidade acresce à vida esse conhecimento? Ou retira?
Cada um sabe de si, digo eu, num dia de Outono em que o amarelo das folhas e o azul do céu me entraram pelos olhos dentro e pela alma também!

sábado, 15 de novembro de 2008

Senhoras e Senhores

Longe vão os dias em que os alunos se comportavam de um modo muito diferente do de hoje. Vão muito longe mesmo.
(Nem eu me portei exemplarmente bem! Por muito que conviesse dizer agora o contrário. Acho mesmo que a minha entrada no céu pode estar barrada, por algumas coisas que fiz no Colégio. Mas como tive o castigo, levei as reguadas e fui ameaçada com o inferno, talvez me tenha sido relevada a culpa!)
Recordo-me que uma das razões para que a maioria de nós excluísse dos sonhos do futuro a profissão de professor era, exactamente, a de poder vir a sofrer os desgostos que nós mesmos infligíamos aos nossos professores.
Claro que nunca ameaçámos nenhum professor! Claro que nunca proferimos obscenidades! Claro que nunca nos atrevemos a gritar palavras de ordem da alma para fora. No entanto, cá dentro, no segredo do nosso pensamento e do nosso desejo, as coisas aconteceram com a violência que hoje a televisão escancara. Havia então ainda aquilo a que chamamos respeito que, na tenra idade, só existe mesmo condicionado pelo medo. Nem todo o medo é mau, nem todo o respeito é bom. Se depois a maturidade não se desenvolvesse de forma a prometer ao corpo e ao pensamento bons momentos de felicidade, o ser, o indivíduo podia mesmo dar para o torto.
Aquelas crianças manifestaram-se frente a uma objectiva que lhes prometeu uma fama, que eles não sabem que não é eterna e muito menos sólida. Eles recrearam-se, à sua bela vontade, como fazem no recreio da escola, longe das câmaras de televisão, com os naturais instintos de rebeldia estimulados e acrescidos. Eles deitaram cá para fora o que está lá dentro a estragar-lhes a infância... (Já o José Gomes Ferreira falava de infância estragada!)
É preciso é que os Senhores e as Senhoras acreditem que não foi preciso nenhum professor dizer-lhes para se portarem mal, para atirarem ovos aos elementos do governo. Eles fazem isso tudo na escola. Sim também atiram ovos e fazem até coisas piores. Os senhores, é que ainda não tinham dado por isso! Agora deram e dizem que fomos nós que os mandámos, que os instrumentalizámos.
Era tão bom se eles fizessem tudo o que nós dizemos para fazerem?!
“Entusiasmava-me naquele momento preciso em que devia entusiasmar-me e, depois de determinadas frases cantaroladas com determinado ardor, batia sempre palmas, num ímpeto de causar trovoada no mundo.
E todos, em redor de mim, faziam o mesmo.”
José Gomes Ferreira, O Mundo dos Outros

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

(...)

Continua a doer-me esta incompreensão. Não consigo entender que alguém, com tanta responsabilidade e tanto poder, não consiga perceber que é preciso reparar injustiças, que é preciso evitar erros maiores, que é preciso ouvir, que é preciso compreender as razões dos outros ou, pleo menos, tentar fazê-lo.
Há trinta e três anos que "piso os palcos". Quando comecei, eu era pouco menos jovem que os alunos. Ninguém me tinha ensinado a ser professora. O meu guião foi todo elaborado com base na memória ainda fresca de aluna.
A primeira vez que entrei numa sala de aula, tremi dos pés à cabeça. Os alunos olharam-me e avaliaram a minha insegurança, o meu medo, a minha inexperiência. A partir daquele momento, não havia recuo possível. Tinha de lhes mostrar que tinha também vontade, entusiasmo, esperança.
E ando há trinta e três anos nisto. O meu guião agora é ditado pela a experiência, hora a hora, aula a aula, aluno a aluno.Eu sei que a paz vem de dentro. Mas a paz de fora também ajuda!
Fotografia: inspiração daqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Para que servem?

São as tais folhas caídas, amarelas de um só outono.
Não posso falar com as folhas.
Não posso perguntar-lhes o que se sentem, ali, expostas a mais frio, mais vento, mais pés impiedosos, desatentos do chão que lhes segura o caminho.
Não posso perguntar-lhes, pois correria o risco que correu o Zé Orocó. A esse, nem o manicómio curou o prazer de falar com as árvores!
Mas apetece-me! Talvez elas me respondessem assim: xengo-delengo-tengo. O que em linguagem de árvore talvez queira dizer: obrigada, por olhares para mim e por não me pisares!
Não faz sentido?
E o que é que faz sentido?
Aceitam-se "apostas".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Diz que é uma espécie...

...de objectivos individuais.
Eu prometo
Ser forte, tão forte que ninguém consiga perturbar a minha paz de espírito.
Falar, com os outros, apenas sobre saúde, felicidade e prosperidade.
Fazer sentir a todos os meus amigos que valem a pena.
Olhar para o lado brilhante de todas as coisas e fazer do meu optimismo uma realidade.
Pensar só o melhor, trabalhar para o melhor e esperar apenas o melhor.
Sentir tanto entusiasmo com o sucesso dos outros como com o meu próprio sucesso.
Esquecer os erros do passado e agarrar o futuro.
"Usar" uma cara alegre todos os dias e sorrir a todos os seres vivos que encontrar no meu caminho.(Mesmo que seja uma árvore, digo eu!)
Investir o meu tempo inteirinho melhorando-me a mim própria, de modo a que nada reste para criticar os outros.
Erguer-me muito acima das preocupações, sentir-me nobre demais para a raiva, forte demais para o medo e demasiado feliz para permitir a presença dos problemas.
Pensar bem de mim mesma e procamá-lo ao mundo, não em voz muito alta, mas através de um comportamento elevado.
Viver na convicção de que o mundo inteiro está a meu favor, enquanto eu for verdadeira em relação ao melhor que há em mim!
Tradução mais ou menos livre de um texto de Christian D. Larson, The Optimists Creed.
O que eu quero mesmo é ser forte, como o mar, e manter-me com a dignidade das árvores, que erguem aos céus os ramos secos, sem receios inúteis, sem vergonhas desnecessárias. Em qualquer altura do caule podem renascer folhas verdíssimas de esperança.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó pra mim tão vaidosa!

A Casa dos Porquinhos foi novamente aconchegada com um mimo. Mais um da Isabel.. Como eu já expliquei à Isabel, estes prémios têm muito valor para mim, porque vêm de quem vêm. Num comentário que lá deixei, recordei um belo texto de Vitorino Nemésio em que o Escritor conta o seu exame da quarta classe e como se sentiu verdadeiramente distinto, nos olhos do amigo, mais do que na classificação da pauta. É dos que nos conhecem que esperamos o incentivo e a motivação e estes prémios são esse incentivo à continuação. Obrigada, Isabel!
Eu retribuo o prémio à Isabel, porque as suas memórias são feitas de verdade, rigor e honestidade. O blog da Isabel é límpido. Claro como a água, como se costuma dizer.
Nomeio desta vez o blog do meu filho Rafael, porque já que estou em maré de vaidades...
Nomeio também a Calamity Jane porque sabe contar coisas dos minis Calamitosos que me emocionam e comovem, a ponto de quase trazerem a doce lagriminha ao canto do olho.
Nomeio a Pitucha e a Laura porque sim! Nomeação sem elas não é nomeação! A companhia que nos fazemos nesta coisa de blogs conta e, além disso, há muita qualidade no que por ali se escreve.
Claro que a mais nova edição da Chuinga também não pode ficar esquecida. Desta vez ela até trouxe um banco para nos sentarmos em frente ao mar.
E a claque da Chuinguita entra também nesta festa de Óscares (mas em bom!) porque partindo daquela ideia de que os amigos dos meus amigos meus amigos são, comecei a lê-los e fiquei a admirá-los, de modo a já não passar sem eles nestas voltas da vida blogosférica! Zê Pê e Miguel, claro!
Bruno, há pouco estive a ler o teu poema. Como sempre, adorei. Toma o teu prémio! É muito merecido!
João... andaste um pouco afastado destas coisas de blogs. Mas voltaste. Ainda bem. Guardei também um prémio para ti.
Obrigada a todos os que escrevem coisas que nos fazem bem cá dentro!
Querido Buba, quero convidar-te para vires a esta modesta casinha receber a minha admiração. Vens de muito longe nas minhas preferências. Contigo rio, choro, aprendo! Obrigada, Buba!

Os meus objectivos individuais

Tenciono provar que o Magalhães é resistente aos líquidos, como disse o Sr. Primeiro Ministro na Cimeira Ibero-Americana!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Coisas tristes que estão a acontecer na Escola

Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc.
Excerto da crónica de santana castilho, publicada hoje no jornal Público e que pode ler-se na íntegra, aqui.

domingo, 26 de outubro de 2008

Encontros de Cardoso Pires

"Sempre que o quero ver, encontro-o, muito modesto da sua pessoa, à porta da Velha Faculdade de Medicina com as vestes de Doutor. Doutor em Ciência, não de Igreja. Como tal é que a Pátria o reconheceu e como tal está exposto em estátua, frente à escola onde foi mestre dos mestres.
Campo de Santana, é lá que o temos." Lisboa Diário de Bordo

Cardoso Pires

"Ninguém como ele contribuíra para transformar o português literário, arcaico, rural e afectado, ou populista, académico e pseudo-lírico, numa língua moderna. " Vasco Pulido Valente, no Jornal Público de ontem. Texto inteiro, homenagem viva após os dez anos de saudade de Cardoso Pires.
Lawrence Ferlinghetti, meses depois do incêndio, subindo o elevador de Santa Justa que ele julgava ter sido projectado por Eiffel... Lisboa Livro de Bordo

sábado, 25 de outubro de 2008

Cardoso Pires, mais do que aniversariamente

"E aqui tens por que é que eu, nesta vista tirada do castelo de São Jorge, me sinto assim distante, quase alheado. Talvez porque daqui não te ouço, cidade. Porque não te respiro os intentos nem te cheiro. Porque não te apanho os gestos do olhar. Numa palavra, porque me falta a cumplicidade, e sem cumplicidade com a imagem, com os saberes, os gostos e os defeitos de um mundo tão privado como o teu ninguém aprende a vivê-lo. Eu, melhor ou pior, cá vou tentando. Para chegar a esse entendimento já recapitulei infâncias de bairro, já revisitei lugares; já te disse e contradisse, Lisboa, e sempre em amor sofrido." José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo E agora, José? Como diz o poeta do outro lado do mar. Fazes-nos falta, muita falta, para pensares connosco esta Lisboa e não só. Para pensares connosco a vida!
Passaram dez anos José, mas não passaram dez anos. Só o pensamento vence a morte, derrota o esquecimento.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Schtroumpfando os cinquenta!

Na pequena comunidade, cada personagem desempenha um papel original e coerente. Assim, à volta do Grande Schtroumpf, reconhecível pelas longas barbas brancas e pelas roupas vermelhas, gravitam o Schtroumpf Guloso, o Schtroumpf Preguiçoso, o Schtroumpf Sábio, o Schtroumpf "Bricoleur", o Schtroumpf Irritado, o Schtroumpf Falador, a "Schtroumpfette" e os bebés.
São tranquilos e pacíficos e resistem às ameaças permanentes do infame Gargamel, que sonha fazer uma poção mágica perfeita, à base de "schtroumpfs".O gato Azraël é a má companhia desta péssima criatura.
Quanto aos Schtroumpfs, por muito que envelheça o corpinho azul, mantêm as suas faculdades intelectuais intactas.
E os "schtroumpfs" schtroumpfarão felizes, para sempre!
Hoje somos nós, que crescemos mais azuis e mais felizes por culpa deles, que lhes vamos estrumpfar uma celebração merecida pelo seu aniversário.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

É desta...

...que me fazem a folha! (Procurei a origem da expressão aqui.)
Ou desisto de ser eu, ou desisto de ser professora.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um dia na História

"Sabes o que é um castelo?
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes."
António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criançaEm 1147, D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da História de Portugal.
Fonte-Leme

domingo, 19 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de reportagem

Foi bonito, simples e muito feito a partir da espontaneidade de quem interveio.
Primeiro a apresentadora, que falou das duas pintoras, sobretudo do seu conhecimento das pessoas, enriquecendo com um toque de afectividade o pré-debate.
(Lá fora tinha chovido granizo. Nada melhor para esquecer a tempestade do que remeter os sentidos para a realidade que resulta da criação.)
Depois a moderadora referiu-se com a convicção da solenidade necessária ao trabalho das duas pintoras: A Ana (Nini, a minha irmã de coração!) e a Cecília.
Depois falaram elas, as pintoras. Primeiro a Cecília. Eu que até nem percebo destas artes, entendi perfeitamente o processo criativo: primeiro o traço, depois pode continuar a ser o traço e o traço, até que o traço siga o seu caminho... As paisagens que não são senão paisagens de si mesma. A cor dominante. O auto-retrato!
Depois falou a Nini, do seu percurso, dos seus mestres, do seu processo criativo, diferente do da Cecília, dos seus temas, da magia de transformar a dor em cor, digo eu, que eu sei.
(Lá fora tinha chovido granizo. O caos estava instalado na cidade. Mas, das portas da Bulhosa para dentro, a ordem estabeleceu-se, naturalmente eivada de emoções, que vêm à tona também naturalmente, porque a arte é a emoção feita qualquer coisa. Neste caso pintura!)
Pego no folheto da Bulhosa e vem-me, à flor da saudade, um nome, uma memória muito viva: Lindley Cintra. Foi o meu primeiro professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ensinou-me a Linguística, o Ideal e a Coragem. Tenho a certeza que não é por acaso que a Escola se chama Lindley Cintra. É uma inspiração e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de um compromisso com a Verdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Toca a limpar!


Há "graffitis" e "graffitis". Alguns parecem ter evidente intenção artística. Outros só existem para sujar. Arte ou Não-Arte, o "graffiti" é sempre uma irreverência e funciona, ou seja, atrai invariavelmente a atenção de quem passa.
O problema é que há paredes que não aguentam mais marcas, mais gritos. É preciso devolver a alguns muros esse espaço do grito.
Agora é no Bairro Alto, por ordem de um conjunto de entidades.
Quem for apanhado a "graffitar", tratando-se de um "crime" diferente, dificilmente catalogável, também a sanção deve ser também uma sanção diferente, no caso de o infractor ser levado a tribunal. Um serviço comunitário, é o exemplo dado na notícia.
Pode nem servir de nada, mas vale a pena tentar!
Fotografia-Elevador do Lavra,124 anos de idade, na Rua de São José, Lisboa, a Linda!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Olha o sol a trazer o dia a Lisboa!

Há dias em que até para o sol parece difícil romper o frio da manhã sobre o rio e trazer a luz do dia à cidade, que começa aqui, quando a água acaba e se encosta às rochas da margens, em amena conversa com as gaivotas, os barcos... De que falarão, gaivotas, barcos e rio, ao fim destes tantos anos?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Inauguração

O Meu Banco abriu hoje!
Não, não é a minha contribuição para a resolução da crise. Também não é um banco de jardim ou de uma praça.
(Desde que começou este falatório da crise que não penso em mais nada senão em bancos, não nos bancos do dinheiro mas naqueles em que depositamos, ao fim de um dia de trabalho, o cansaço das nossas pernas, ou, quando a vida já vai avançada, o que nos resta de ilusão, coragem, esperança... A minha atenção vê bancos em todo o lado!)
Mas o Meu Banco também não é desses!
É um repositório de imagens, daquelas em que tropeço e que me apetece guardar. Vão ficar aqui.
E por falar em outros blogs, guardei no meu baú a Entrevista do Escritor Lobo Antunes, publicada na Pública de domingo. É a humanidade do Escritor a responder às perguntas! É ele a contar e a provar como o cancro o mudou.

É o Outono a chegar a Lisboa!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Onde pára o professor?

Preparação das aulas trocada pelas avaliações
Este título diz muito sobre a aflição dos professores que vêem o seu tempo sugado pelas sucessivas reuniões, Conselhos Pedagógicos e outros, por causa da Avaliação de Desempenho, processo que os professores procuram tornar viável e justo, embatendo sempre na essência desta avaliação toda ela feita de papel, sucesso escolar fácil, burocraticamente perfeito, administrativamente inatacável, de aplicação difícil, com consequências ainda não calculadas, provavelmente desastrosas, nas práticas dos professores esgotados de tempo e de esperança.
Imagem

domingo, 5 de outubro de 2008

Bom Dia, Professor!

World Teachers’ Day reminds governments and the general public of the role of teachers and of the need to improve their status and working conditions. Above all, it is an opportunity to show appreciation for their work in preparing the next generation to function efficiently in a changing world.
Felizmente este texto tem idade suficiente (dez anos) para evitar conclusões fáceis daqueles que procuram ridicularizar e menorizar a luta dos professores por melhores condições de trabalho.
Os professores têm em mãos uma "Avaliação de Desempenho" e tentam viabilizar de forma justa o que é na sua essência injusto: avaliar os professores pelos resultados escolares, passando por cima do princípio da identidade individual do aluno e do professor, esquecendo que o verdadeiro sucesso escolar e educativo depende de muito mais do que uma simples nota atribuída no final do ano.
O sucesso é, na minha perspectiva, um resultado equilibrado e harmonioso, feito de conhecimentos adquiridos (quanto mais, melhor!) e valores, que ao longo da vida, se tornam preciosos para o sucesso pessoal. Mas, na sociedade moderna, o que manda é o número, o que nos governa é o papel, um papel desalmado, desumanizado que fornece os elementos necessários para a invenção da máquina burocrática que reduz os meninos e os professores a números e pouco mais. Deixa cá ver este se está a estragar a taxa de abandono. E vai de deitar para o papel o abandono do verdadeiro papel da escola que é, ou devia ser, integrar sem mentiras.
E "vai-se-a-ver" isto é tudo mentira!!!
Ao longo destes trinta e três anos de serviço, eu tenho a certeza que fui avaliada pelos pais dos meus alunos, e pelos alunos, pelos colegas e pela comunidade em geral, de modo informal, "despapelado", mas fui. Fomos todos. Nenhum Encarregado de educação ousava bater-nos, mesmo que os maus resultados dos filhos lhes causasse tanta dor na estima de pais que lhes apetecesse espancar o filho e tudo o que à volta contribuísse para esta dor. Havia então uma cultura de não-violência que urge trazer à escola de novo. Quem sai da escola hoje, sai minado de violência, por dentro, por fora, por palavras, gestos, comportamentos e até pensamentos.
É isso que é preciso combater.
É tão bom ser professor! Corrijo: é tão bom ter sido professora nos anos setenta e oitenta! Tenho reencontrado alunos desse tempo e, ironicamente, nos lugares onde a minha fragilidade se escancara e logo perante eles, ou melhor, no caso concreto, elas. O facto de me reconhecerem já de si é muito gratificante. Mas o melhor é o carinho que põem nos cuidados de que sou alvo por circunstâncias que não vêm ao caso.
São memórias destas que eu vou guardar no meu "portfólio" da minha carreira, onde vou destacar, como os artistas, os momentos de ouro. A partir daí, Senhores Ministros, Presidentes dos Conselhos Todos, avaliem-me como quiserem. Eu não vou mudar por dentro, mesmo que tenha de mudar por fora. A minha satisfação profissional está incrustada na minha alma e já não sai.
A todos os professores, eu desejo, um Bom Dia! A todos os que não são professores eu desejo o mesmo Bom Dia! Foto: encontro com a escritora Alice Vieira, sem papel passado de objectivos e conteúdos. Eu sou quase do tempo do Sebastião da Gama, em que a aula de Português acontecia!

sábado, 4 de outubro de 2008

Bye, Dennis!

"Antigamente, eram os barcos. Brancos, azuis e furta-cores, com lanternas penduradas nos cintos dos homens que passavam nas cobertas. E aquém dos barcos: as ondas tinham outra maneira de quebrar, o quebrar de antigamente, se é que sabe ao que me estou a referir. Depois, os homens falavam alto e as mulheres ficavam grávidas, as gaivotas rasavam o cais, alisando a pedra, subindo subitamente, enquanto o Norberto afiava os mastros, virados para o céu, com a navalha que um dia se lhe cravaria na garganta. A navalha era do Norberto, até tinha as suas inicias no cabo, mas foi atraída, por obscuros motivos hipnóticos, para a mão do Toledo das Rondas."
in Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez
E agora, Dennis, quem é que nos vai explicar esta Lisboa.
Que as ondas quebrem hoje à moda de antigamente, que até está vento e é mais fácil para elas chorarem-te às escondidas. Só as gaivotas tuas conhecidas saberão o porquê. Talvez também o saiba o "homem vestido de preto, com chapéu musical, sapatos poéticos, lama nos colarinhos, uma harpa ao ombro e um colete que seria laranja, se trouxesse colete"... Ilustração de Fátima Vaz

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Let's be champions!

Tudo isto é fado?

Aqui há......qualquer coisa que não bate certo!
O Leme, no seu espaço dedicado às efemérides, que eu consulto quase diariamente, publica hoje o seguinte excerto de um dos emblemáticos jornais de há meio século.
O Diário Popular de 2 de Outubro de 1946 anuncia que a Câmara Municipal de Lisboa foi autorizada a contratar, na Caixa Geral de Depósitos, empréstimos até ao montante de 25 mil contos, a amortizar em vinte e cinco anos e destinados à construção de casas para alojamento de famílias pobres.
O que escapa ao meu entendimento é o preço de 25 mil contos por uma casa em Lisboa, ainda por cima para famílias pobres?
Tenho por referência o valor da minha casa de Odivelas, quinhentos e cinquenta contos, em 1980 e parece-me que a distância geográfica, nem mesmo a famigerada barreira que constituía a Calçada de Carriche no acesso a Lisboa, justificariam uma diferença tão imensa, tendo ainda em conta a data de 1946.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em rosa

À semelhança do Metro, o Chora veste-se de rosa, a cor do combate ao cancro da mama, a que o mês de Outubro é dedicado.

Comparações

«Em todo o país reabriram hoje os liceus e escolas técnicas. Voltam a animar-se as salas de aula e os corredores que se quedavam desertos e tristemente silenciosos, durante os meses de férias grandes […] Hoje, porém, não haverá aulas. Espreitaram-se as salas - aqui é a minha turma - e passeou-se nos corredores. […] Em Lisboa, na maioria dos liceus, houve sessões solenes a assinalar a inauguração do ano lectivo, presididas pelos respectivos reitores. […] Quanto às escolas primárias e superiores […] os seus alunos ainda têm uns dias de liberdade. As primeiras reabrem no dia 7 e as segundas lá para meados do corrente mês.»
In Diário Popular de 01-10-1952.
Fonte- Leme
Cinquenta e seis anos depois, regressa o desânimo de haver ainda escolas sem cadeiras e sem carteiras:
Escola de Música do Conservatório Nacional está a ensinar música em regime integrado, como prevê a reforma em curso no ensino artístico, mas a falta de dinheiro faz com que estes alunos assistam às aulas sentados no chão.
"O ano lectivo está para já a decorrer sem carteiras e sem cadeiras, com os meninos sentados literalmente no chão", disse à Agência Lusa a professora Ana Mafalda, vice-presidente da Escola de Música do Conservatório de Lisboa.
Fonte- Jornal Público de 01-10-2008

(...)

E lá nasceu o mês de Outubro!
A luz ainda promete algum calor daqueles que, como qualquer bem, quando rareia sabe muito melhor, dá mais prazer. O calor de Outubro não queima. O calor de Outubro aquece. O calor de Outubro conforta e aconchega. O calor de Outubro recorda-nos um calor que já foi e um calor que há-de vir.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Banco


Parece que de repente perdi a noção de que a palavra banco tem outros significados, ou melhor, outros referentes, para além dos que fazem correr muita tinta e gastar muita luz na Comunicação Social.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Coisas das coisas


Eu só conheço uma Esperança. A Boa, precisamente! Mas para tanto sublinharem a particularidade desta ser Boa é porque há outras que não o são.
A Boa Esperança leva-nos ao mar. Nos, nós: os pescadores, os marinheiros, todos os que estão dispostos a vencer a dificuldade por monstruosa que possa parecer. A mim, os Lusíadas, eles mesmos uns versos adamastores, ensinaram-me a pensar e a duvidar das primeiras impressões. É que, à primeira vista, o guardião do Cabo, onde hei-de ir antes de morrer, de acordo com a elaboração recente da minha Bucket List, o guardião dos mares revoltos e perigosos era um mostrengo. E, "na volta" ele era um castigado, um condenado à dor da saudade e do amor por pertencer.
A Boa Esperança faz-nos falta, nos dias que correm para enfrentar as tormentas que os telejornais anunciam a toda a hora!

domingo, 28 de setembro de 2008

Someone up there likes me

"You know, I've been lucky. Somebody up there likes me." Rocky Graziano

Paul Newman morreu e tudo o que há a dizer sobre a perda para a Humanidade tem sido dito. Mas, para além da tristeza universal, há mais. Há o luto de uma geração e há a tristeza de todos os que se "embrenharam" com os olhos mais azuis do cinema, mesmo quando as fitas eram a preto e branco, como é o caso da biografia de um pugilista que ensina que uns bons socos na adversidade podem mudar o rumo de uma vida. Penso que essa geração acreditava muito mais nas capacidades humanas e pessoais de construir um futuro diferente e, por muito romântica ou ultrapassada que possa parecer esta ideia, essa atitude podia dar resultados. Esta convicção chegou até aos tempos de hoje e, embora seja transmitida modernamente de modo diferente, a base da convicção é a mesma. E foi a geração de Paul Newman que nos ensinou a dar voz e corpo e alma às causas, usando a pele de estrelas para chegar mais longe, mais fundo ao coração do mundo.
Felizmente a memória das estrelas não se apaga.
Like you Paul Rocky Newman Graziano I could also say that I'm lucky for someone up there likes me!
Imagem daqui