sábado, 14 de fevereiro de 2009
Uma promessa!
A Primavera já chegou à janela da minha cozinha! Abri-lhe a janela, mas ela não entrou. Um raio de sol ainda vá, mas calor, calor, isso é que nem pensar! Ela está a chegar, mas por enquanto fica à janela...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Many thanks!
Obrigada, Bruno! Para além do que já disse aí, em tua casa, vou acrescentar que ainda me sinto mais feliz por constatar que as palavras também se transformam em pontes, fazendo o que fazem as pontes: ligações! Ligam, neste caso, gerações!
Estava na sala muita gente nova como tu! Foi uma tarde para não esquecer! Obrigada pela tua contribuição: esta e a outra, a do sábado! Talvez ainda consiga convertê-las noutras palavras e se siga adiante como preconiza o "assim sucessivamente".
(eu agarrei uma de cada),dizes tu!
Estava na sala muita gente nova como tu! Foi uma tarde para não esquecer! Obrigada pela tua contribuição: esta e a outra, a do sábado! Talvez ainda consiga convertê-las noutras palavras e se siga adiante como preconiza o "assim sucessivamente".
(eu agarrei uma de cada),dizes tu!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Começou assim...
Provavelmente não foi por acaso que os pais da Madalena tiveram tão bom gosto em escolher-lhe o nome.
Habituada que estou a pensar nela como santa, só com o título deste livro dei por mim a pensar nela como Madeleine. Sim, o bolo que Proust eternizou. Pequena vingança da autora esta agora de nos abrir o apetite com livros, como quem diz: ah, sim Mr. Marcel, agora chegou a vez da minha personificação literária, feita cozinheira de letras, autora de cardápios que não vão ficar por aqui...
É assim que, não inocentemente, nos convida a este Banquete de texto - título algo equívoco – e aqui, creio que andou a mão da Helena – pois, embora a autora avise que é de textos que se vai compor a refeição, logo o pecado da gula espreita entre os mais lambisqueiros da verdadeira comidinha aquela que as papilas gustativas fazem salivar. Mas, já dizia o velho Savarin “Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és” e assim a Madeleine/Madalena escolhe as letras de imprensa em vez daquelas deliciosas de massa a boiar na sopa... porém, nem um asceta resistiria ao que ela convida “a festa dos sentidos! Será como um casamento de sentidos, sem sentidos obrigatórios e muito menos proibidos”...
Este casamento entre literatura e comida vem de longe. O prazer de ler cruza-se com o prazer de comer no nosso imaginário, nas nossas memórias e no nosso paladar.
De Àgaton anfitrião de Platão e seus amigos a filosofar à volta de uma mesa :“ o homem deve sim consentir o prazer, mas não deixar-se corromper por este”..., a Esopo que dizia: ”um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade”, talvez gulososo porque tão moralista, De Leonardo a preparar acepipes ao Duque Milão, a Rabelais que coloca no seu gigante Gargantua quem sabe, a sua avidez, de Guerra Junqueiro que pede uma cozinheira que saiba preparar bifes cordon bleu, às ameijoas de Bulhão Pato. da magnífica canja de Eça: “cheirava que rescendia, tinha fígado e tinha moela”...ao peru recheado, os peixes temperados, as filhoses, os pudins do velho abade que aldraba três missas em La Messe de Minuit de Daudet... à Festa de Babette de Kareen Blixen, às mais recentes Afrodite de Isabel Allende ou Como Água para Chocolate de Laura Esquível que tão bem conhecem o velho ditado “Para chegar ao coração de um homem, o melhor caminho é o estômago”...tb. podemos dizer que de uma mulher, para não sermos consideradas machistas... O facto é que, como diz Annalice del Vechio, escritora brasileira quase de certeza de ascendência italiana e criada a risottos e pollentas fabulosas, “Por si só, a culinária pode ser uma experiência transcendente, mas, associada à Literatura, produziu obras-primas”.
Voltando ao Banquete da Madalena: 27 autores, 29 títulos, podemos considerá-lo mais do que um feliz guião para curiosos. Quando o livro me foi entregue, tive a intenção de o ler do princípio ao fim, porém, mal relanceando o Convite, depressa me pus a folheá-lo, atraída pelos títulos que me traziam boas memórias, avançando e recuando, perguntando por que razão teria ela feito esta sequência e não outra. Teria ela lido os livros por esta ordem?
Que importância teria isso se eu podia lembrar-me, não do ano, mas dos momentos saborosos, adjectivo que muito irá encontrar o leitor, e mesmo das conversas que ao longo de dezenas de anos, alguns destes livros nos deram a ambas.
Parece-me que dos que falámos primeiro, há quase 40 anos, foi o do Principezinho, e A Cidade e as Serras. Já na faculdade, faziam as nossas delícias as redacções da Guidinha. O Diário de Sebastião da Gama de que Lindley Cintra sempre falava aos seus alunos. Os Contos Exemplares de Sophia, Os Esteiros, os poemas e os diários de Torga. Os poemas, O Mundo dos Outros, as Aventuras de João Sem Medo, a nossa grande paixão comum e toda a obra do extaordinário escritor José Gomes Ferrreira que ainda dá nome ao nosso blogue.
Como qualquer aspirante a professor esforçámo-nos por despertar nos nossos alunos o prazer de ler... Entraram nas nossas aulas os textos de Monteiro Lobato, de que ela não fala ainda, e nos foi apresentado pela mão da Ana Maymone. O Meu Pé de Laranja Lima e Rosinha Minha Canoa do José Mauro de Vasconcelos, a Rosa Minha Irmã Madalena da Alice Vieira e os Poemas do Mário Castrim ...” Tenho uma janela virada para o mar, barcos a sair, barcos a entrar”...”Era uma vez uma menina muito meninha, três palmos dos meus, davam para medir a Joaquina de baixo acima... a Joaquina levava o almoço ao Pai” ... e por aí fora. Porém os nossos guias dos anos setenta foram os livros de Richard Bach e em Pereginação Interior Alçada Batista
Procurávamos nas revoluções jovens das nossas vidas, âncoras de sonho que nos dessem força para podermos ser boas mães, mulheres felizes, sem destinos tristes, sem deuses castigadores ...
E, não é que foram boas todas essas Ilusões? E proveitosas, pois agora estamos a navegar pela nossa própria escrita, com ramos de flores nas mãos, muitos chocolates mesmo de verdade para aquém dos livros, comunicando com Júbilo e usando a net como o telegrafista de Laura esquível...
Vá-se lá saber porquê, só nos anos 90 me lembro de ela me ter confessado quem era o seu poeta preferido: Reinaldo Ferreira E, diante da minha ignorância, ofereceu-me o livro que recebi, comovida por pertencer, realmente a um rei, tão cedo, morto.
Outros autores surgiram, outros descobrireis, e espero que outro Banquete surja também, em breve.
A Madalena insiste na arte de ensinar na sala de aulas, quanto a mim, onde ela deveria insistir era na escrita.
Transmitir as ideias que foi colhendo da vida, gozar mais esse prazer que não perdeu de ler, ler, ler, ler, e transmitir-nos esse encantamento com o dom que tem da visão, do conhecimento da alma humana e da sua interpretação, sobre ela e os livros.
Mais um repto à autora: atreve-te no Romance que os contos também andam por aí à espera que os dês para publicação.
Dos prazeres no céu
Dos prazeres no céu
Que Mahomet promete,
Não trocava sete
Só por este meu.
Ver, enquanto ceio,
Teu olhar, Suzette,
Como se reflecte
No meu copo cheio.
Assim, com certeza,
Por mais que a desdenhe,
Na vida há beleza
Enquanto há champagne.
Reinaldo Ferreira
Ana Sousa
Rescaldos
Ainda no rescaldo das emoções, dos reencontros com todos aqueles que fazem a história da nossa vida...
Como é possível que estes reencontros dissolvam nomes, apelidos, títulos, funções, profissões, responsabilidades e até maleitas?
No sábado eu "fui", outra vez, novinha em folha e sã que nem um pêro. Não houve reumático que me atacasse, nem tendinite, nem joanetes, nem varizes... Nada! Acho que até o cabelo se pintou de preto e a pele esticou.
A nossa juventude fica, de facto, inscrita num chip qualquer que o Criador instala nas barrigas das mães, de modo a ficar disponível para o nascituro, na fase certa e sempre que as condições assim o exigirem, mesmo nos últimos quarenta anos de vida.
E calha não calha, fica activo, como dizem os meninos e as meninas dos Call Centers!
E até os primeiros encontros da vida dita real activam esse chip. Encontros esses que acabam por ser reencontros de tempos também já distantes (3 anos é muito!).
Juro que estou lúcida e não bebi nada, a não ser Coca-Cola!
E para que se fique com uma ideia da abertura das festas e, a pedido de várias famílias, aqui fica o texto na íntegra da fantástica, genial, sensacional, super oradora, também escritora, também pintora, Ana Sousa, a quem, pela "convicção da afectividade" chamamos Nini!
(Para facilitar a leitura e os comentários que lhe quiserem dirigir, vou colocar o texto no "post" que se segue.)
Como é possível que estes reencontros dissolvam nomes, apelidos, títulos, funções, profissões, responsabilidades e até maleitas?
No sábado eu "fui", outra vez, novinha em folha e sã que nem um pêro. Não houve reumático que me atacasse, nem tendinite, nem joanetes, nem varizes... Nada! Acho que até o cabelo se pintou de preto e a pele esticou.
A nossa juventude fica, de facto, inscrita num chip qualquer que o Criador instala nas barrigas das mães, de modo a ficar disponível para o nascituro, na fase certa e sempre que as condições assim o exigirem, mesmo nos últimos quarenta anos de vida.
E calha não calha, fica activo, como dizem os meninos e as meninas dos Call Centers!
E até os primeiros encontros da vida dita real activam esse chip. Encontros esses que acabam por ser reencontros de tempos também já distantes (3 anos é muito!).
Juro que estou lúcida e não bebi nada, a não ser Coca-Cola!
E para que se fique com uma ideia da abertura das festas e, a pedido de várias famílias, aqui fica o texto na íntegra da fantástica, genial, sensacional, super oradora, também escritora, também pintora, Ana Sousa, a quem, pela "convicção da afectividade" chamamos Nini!
(Para facilitar a leitura e os comentários que lhe quiserem dirigir, vou colocar o texto no "post" que se segue.)
domingo, 8 de fevereiro de 2009
(...)
A Tia Árvore começou aqui, isto é, nasceu aqui.Em jeito de homenagem, de boas-vindas à Vida, dediquei-o à Stela, que ontem esteve presente a dar, por sua vez, as boas-vindas à Tia Árvore. Pressurosa, vaidosa e pestanuda, estendeu os ramos para a abraçar, pela primeira vez, mas nada de colos que isto de colo da mãe não se troca por nenhum ramo de árvore! Foi uma emoção muito linda!Espero que o avô me faça chegar o registo fotográfico do momento!!!! Obrigada Stela, por te ter roubado um bocadinho ao teu ó-ó! Muito obrigada Marta, pelo teu carinho de sobrinha. Obrigada, Nelson, por teres estado lá e teres levado as meninas. Espero que tenham gostado e que a Tia Árvore vos faça boa companhia!À hora do "banquete", claro!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Que honra!

Nenhum outro nome podia ser dado a um prémio que comprometesse mais quem o recebe do que este. Senti-me honrada, mas, ao mesmo tempo, temi não estar à altura de tão grande distinção: Pedagogia do Afecto.
(Pedagogia do Afecto é um termo criado pelo autor Carlos França, o qual designa as relações interpessoais de afectividade em sala de aula. Resumidamente é a introdução no processo educativo, de teorias e técnicas que façam prevalecer a amizade, a ternura, o toque afectivo, o respeito mútuo, etc. A importância da educação emocional é fundamental, para que não se criem no futuro indivíduos altamente intelectualizados (cognitivos) e com baixo equilíbrio psicológico.)aqui
Lembrei-me então do que disse um dia um professor, um colega, um amigo, a escassos dias de atingir o limite de idade para dar aulas: Não precisamos de boas cabeças. Já temos muitas. Precisamos de bons corações.
Obrigada, Isabel, pela consideração que revelas ter por mim! Se calhar eu ainda não mereço. Vou tentar merecê-lo!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Lisboa também é uma lição!
É a conclusão a que eu já tinha chegado, mas não da maneira como a entendi hoje, ouvindo o "Arqueólogo de Serviço"da Associação dos Amigos dos Castelos, durante mais de duas horas, ao mesmo tempo que percorríamos os lugares de que falava com a tal "paixão" dos "cacos fantásticos" que lhe ensinaram o que é que esteve ali, mesmo por baixo dos nossos pés. Essa paixão fez parar a chuva permitindo que a Lição acontecesse, sem uma pinga sequer. Mas antes, minutos antes,choveu a cântaros, tantos que o Rossio estava triste, mesmo sabendo que, logo ali em baixo, houve há muitos tempos, tantos que eu nem sei contar, um Circo Romano.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Adeus, Mês de Janeiro!
O Mês de Janeiro despede-se do calendário com céus cinzentos, com ventos antipáticos e chuva,com muita chuva.
Mas a sábia Natureza começa já a dar sinais de querer trazer de volta o verde das árvores. Pelo menos, é o que acontece com os galhos secos das árvores da minha rua que ameaçam, com os seus quase imperceptíveis botões verdes, matar a tristeza destes dias de Inverno.
Mas a sábia Natureza começa já a dar sinais de querer trazer de volta o verde das árvores. Pelo menos, é o que acontece com os galhos secos das árvores da minha rua que ameaçam, com os seus quase imperceptíveis botões verdes, matar a tristeza destes dias de Inverno.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
As minhas dúvidas sobre o caso...
Freeport!
Como é que se pronuncia correctamente a palavra Freeport?
Será "fripór"? Ou será "friport"?
Dúvidas não tenho eu sobre a tranquilidade que vizinha o "caso", sobre a verdade de um rio que resiste à modernice da intriga pouco palaciana dos corredores do poder e renova a sua fauna, para espanto de todos os que vaticinam a morte dos elegantes flamingos e seus pares...Um rio que se envolve com a terra das margens, salgando-as de beleza ímpar. Um pouco além, fica o Freeport e a minha grande dúvida: será que se diz assim ou assim?
Como é que se pronuncia correctamente a palavra Freeport?
Será "fripór"? Ou será "friport"?
Dúvidas não tenho eu sobre a tranquilidade que vizinha o "caso", sobre a verdade de um rio que resiste à modernice da intriga pouco palaciana dos corredores do poder e renova a sua fauna, para espanto de todos os que vaticinam a morte dos elegantes flamingos e seus pares...Um rio que se envolve com a terra das margens, salgando-as de beleza ímpar. Um pouco além, fica o Freeport e a minha grande dúvida: será que se diz assim ou assim?
sábado, 24 de janeiro de 2009
A mais bela estação
Pensei, sem pensar muito, que se tratava de uma estação do ano. À minha pobre cabecita, atolada de "objectivos", não ocorreu que podia tratar-se da lindíssima estação de comboios da minha cidade.
(Mais uma vez te traí, minha cidade! Eu devia ter pensado logo, devia ter-me lembrado logo de ti, cidade, que guardas a memória dos meus sonhos adolescentes, que guardas ainda a minha esperança de futuro.)
Mas, depressa varri da consciência estes inúteis remorsos que só crescem porque eu deixo, porque me fazem companhia. Depressa deixei que uma saudade mais benigna tomasse conta da memória dessa estação e percorri dentro de mim o cais imenso. É mesmo um cais de partir e de chegar.
Assomei à janela de um desses comboios não menos emblemáticos do tempo e acenei.
Um dia hei-de aí voltar, minha cidade!
(Mais uma vez te traí, minha cidade! Eu devia ter pensado logo, devia ter-me lembrado logo de ti, cidade, que guardas a memória dos meus sonhos adolescentes, que guardas ainda a minha esperança de futuro.)
Mas, depressa varri da consciência estes inúteis remorsos que só crescem porque eu deixo, porque me fazem companhia. Depressa deixei que uma saudade mais benigna tomasse conta da memória dessa estação e percorri dentro de mim o cais imenso. É mesmo um cais de partir e de chegar.
Assomei à janela de um desses comboios não menos emblemáticos do tempo e acenei.
Um dia hei-de aí voltar, minha cidade!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Aqui há inocência com I grande
O João estava triste. Para além dos olhos, a tristeza inundava-lhe todo o semblante e até o corpo franzino, que parecia não aguentar o seu próprio pouco peso, se encostava a uma coluna do telheiro que liga as várias salas de aula.
A professora passou por ele e, não podendo deixar de tropeçar na tristeza que estava ali, no meio do caminho, para ser "notada" por todos os que passassem, perguntou-lhe:
- O que é que tens, João?
- Foi o Pedro e o Miguel! Fizeram batota a jogar ao berlinde.
À laia de conforto, a professora convidou o João a entrar na sala e a esquecer os berlindes e a batota.
No fim da aula, o João foi ter com a professora e segredou-lhe, em jeito de lembrete, como se tivesse havido uma promessa de intervenção para repor a justiça transviada naquele jogo de berlindes:
- Não se esqueça de falar com eles, por causa do berlinde...
Imagem- Getty Image (modificada pelo Photoshop)
A professora passou por ele e, não podendo deixar de tropeçar na tristeza que estava ali, no meio do caminho, para ser "notada" por todos os que passassem, perguntou-lhe:
- O que é que tens, João?
- Foi o Pedro e o Miguel! Fizeram batota a jogar ao berlinde.
À laia de conforto, a professora convidou o João a entrar na sala e a esquecer os berlindes e a batota.
No fim da aula, o João foi ter com a professora e segredou-lhe, em jeito de lembrete, como se tivesse havido uma promessa de intervenção para repor a justiça transviada naquele jogo de berlindes:
- Não se esqueça de falar com eles, por causa do berlinde...

Imagem- Getty Image (modificada pelo Photoshop)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Notícias que não me passam ao lado
Pelo contrário: estilhaçam a barreira das emoções mais minhas, aquelas que nem às paredes devo confessar, para não passarem para lá dos limites de segurança.
Uma delas foi, sem dúvida, a da menina que nasceu "livre" do gene do cancro da mama. Fico feliz, pois o cancro da mama aparece em mulheres cada vez mais novas e isso dói muito na condição de mulher-mãe. A idade jovem da mulher é importante, não só pela juventude e saúde do seu corpo, mas também pela maternidade e tudo o que envolve este milagre que é dar à luz um filho. Ou dois ou três, ou seja lá quantos forem. Mesmo importado "via-coração", a mulher jovem precisa de ter o corpo livre desta ameaça, para poder sonhar o futuro dos seus filhos. Claro que eu falo dos medos que eu tinha quando era nova e os meus filhos eram pequeninos e tão meus, tão meus, que os achava absolutamente intransmissíveis. Por isso, esta notícia acertou em cheio no meu coração!
A outra notícia que me fez tremer foi a de uma jovem, ex-atleta, grávida que foi vítima de hemorragia cerebral e a quem foi possível fazer o parto mesmo depois da sua própria vida ter terminado. Como dizia Mia Couto, num dos seus belíssimos contos: naquele corpo, a vida fez horas extraordinárias. Dizem que a literatura é ficção. Ali estava pois a prova de que a literatura pode antecipar a realidade!
E finalmente a notícia que fez correr mais tinta, que gastou mais luz no mundo inteiro. A felicidade do menino Cristiano Ronaldo. Quem estava ali, perante os nossos olhos, num palco do mundo, era um menino feliz. Naquele momento não havia Ferraris nem Bugattis, nem Mourinhos, nem milhões! Havia, sim, a emoção sincera de um menino.
Sim, que uma Pessoa nem sempre é de ferro!
Ao lado, passei eu deste Pessoa em bronze, no momento exacto em que uma menina brincava com o pé do poeta num alheamento poético, digno da pessoa ali esculpida, digna da poesia que a vida também tem.
Uma delas foi, sem dúvida, a da menina que nasceu "livre" do gene do cancro da mama. Fico feliz, pois o cancro da mama aparece em mulheres cada vez mais novas e isso dói muito na condição de mulher-mãe. A idade jovem da mulher é importante, não só pela juventude e saúde do seu corpo, mas também pela maternidade e tudo o que envolve este milagre que é dar à luz um filho. Ou dois ou três, ou seja lá quantos forem. Mesmo importado "via-coração", a mulher jovem precisa de ter o corpo livre desta ameaça, para poder sonhar o futuro dos seus filhos. Claro que eu falo dos medos que eu tinha quando era nova e os meus filhos eram pequeninos e tão meus, tão meus, que os achava absolutamente intransmissíveis. Por isso, esta notícia acertou em cheio no meu coração!
A outra notícia que me fez tremer foi a de uma jovem, ex-atleta, grávida que foi vítima de hemorragia cerebral e a quem foi possível fazer o parto mesmo depois da sua própria vida ter terminado. Como dizia Mia Couto, num dos seus belíssimos contos: naquele corpo, a vida fez horas extraordinárias. Dizem que a literatura é ficção. Ali estava pois a prova de que a literatura pode antecipar a realidade!
E finalmente a notícia que fez correr mais tinta, que gastou mais luz no mundo inteiro. A felicidade do menino Cristiano Ronaldo. Quem estava ali, perante os nossos olhos, num palco do mundo, era um menino feliz. Naquele momento não havia Ferraris nem Bugattis, nem Mourinhos, nem milhões! Havia, sim, a emoção sincera de um menino.
Sim, que uma Pessoa nem sempre é de ferro!
Ao lado, passei eu deste Pessoa em bronze, no momento exacto em que uma menina brincava com o pé do poeta num alheamento poético, digno da pessoa ali esculpida, digna da poesia que a vida também tem.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Davam grandes passeios aos domingos
Davam grandes passeios aos domingos... É uma obra de José Régio! E é também a realidade de muita gente. Sempre foi. Lembro-me da volta dos tristes, antes da ditadura dos Centros Comerciais.
(Eu até gosto da voltinha num Centro. É do género do carrossel: sobe e desce, sobe e desce, só que, em vez de cavalinhos de todas as cores e brilhos, sobe-se e desce-se a escada rolante...)
Hoje fui dar um desses grandes passeios domingueiros: visita ao Palácio Nacional de Sintra. Sobre o valor histórico e sobre a beleza dos espaços que são visitáveis, está tudo dito por aí. O que realmente me deslumbrou hoje foi Sintra, mesmo Sintra, a Sintra que avistei das janelas, da Sintra que nos esperava, verde, verde, verde!
Sintra é "inigualável", disse-o Hans Christian Andersen.
(Eu até gosto da voltinha num Centro. É do género do carrossel: sobe e desce, sobe e desce, só que, em vez de cavalinhos de todas as cores e brilhos, sobe-se e desce-se a escada rolante...)
Hoje fui dar um desses grandes passeios domingueiros: visita ao Palácio Nacional de Sintra. Sobre o valor histórico e sobre a beleza dos espaços que são visitáveis, está tudo dito por aí. O que realmente me deslumbrou hoje foi Sintra, mesmo Sintra, a Sintra que avistei das janelas, da Sintra que nos esperava, verde, verde, verde!
Sintra é "inigualável", disse-o Hans Christian Andersen.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
É para já!
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O Regresso do MEC
O MEC é uma referência da minha geração. Digo minha, porque os respeitáveis dois ou três anos que os meus cinquenta levam de avanço em relação aos dele me dão essa autoridade de me auto-infligir a "matura idade". Até porque eu envelheci. O MEC, não!
Ele mantém a linha da irreverência que funciona, quando bem usada, como elixir da juventude. Claro que falo de uma juventude de pensamento. O MEC está gordinho, tão gordito, que já nem se notam tanto as orelhitas de abano!
Foi por causa do MEC, que eu me perdi para sempre nos caminhos da net. (Ironia!) Fui ao consultório do Doutor Pastilhas e fiquei dependente deste acesso fácil, muito imediato, ao bem-estar.(Sem ironia!)
O MEC voltou com uma publicação em memória das noites da Má-Língua. As conversas com os outros maldizentes militantes foram gravadas pela TSF, presumo que nos seus estúdios e ouvi-los, neste caso, é bem melhor do que lê-los. A versão áudio conserva os tiques, a pronúncia do norte do Manuel Serrão que se perdem na versão escrita.
Quanto às crónicas do MEC, ontem, já tropecei numa, no Público, sobre a Bimby, "autêntico antepassado da cozinha de autor"! Hoje, outra crónica com alguma verdades em que o MEC denuncia, com o estilo habitual, as personalidades inconsistentes que se escondem atrás de algumas modas sociais.
Eu continuo fã do MEC. Irremediavelmente!
Vou guardar no meu baú estas crónicas!
Ele mantém a linha da irreverência que funciona, quando bem usada, como elixir da juventude. Claro que falo de uma juventude de pensamento. O MEC está gordinho, tão gordito, que já nem se notam tanto as orelhitas de abano!
Foi por causa do MEC, que eu me perdi para sempre nos caminhos da net. (Ironia!) Fui ao consultório do Doutor Pastilhas e fiquei dependente deste acesso fácil, muito imediato, ao bem-estar.(Sem ironia!)
O MEC voltou com uma publicação em memória das noites da Má-Língua. As conversas com os outros maldizentes militantes foram gravadas pela TSF, presumo que nos seus estúdios e ouvi-los, neste caso, é bem melhor do que lê-los. A versão áudio conserva os tiques, a pronúncia do norte do Manuel Serrão que se perdem na versão escrita.
Quanto às crónicas do MEC, ontem, já tropecei numa, no Público, sobre a Bimby, "autêntico antepassado da cozinha de autor"! Hoje, outra crónica com alguma verdades em que o MEC denuncia, com o estilo habitual, as personalidades inconsistentes que se escondem atrás de algumas modas sociais.
Eu continuo fã do MEC. Irremediavelmente!
Vou guardar no meu baú estas crónicas!
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
A não perder
Numa Lisboa perto de si, num rio perto de si, numa margem de Lisboa...
A beleza das colunas, uma beleza simples, sem artifícios, onde até as gaivotas se sentem em casa...
A esta beleza junta-se a beleza do deslumbramento de quantos querem ver o lugar que tem a sua história guardada no limo das pedras, que as protege da erosão do esquecimento.
Amanhã, o cais das colunas será novamente vendado aos olhos dos que o procuram, por acaso ou com intenção de guardar esta memória de Lisboa.
A beleza das colunas, uma beleza simples, sem artifícios, onde até as gaivotas se sentem em casa...
A esta beleza junta-se a beleza do deslumbramento de quantos querem ver o lugar que tem a sua história guardada no limo das pedras, que as protege da erosão do esquecimento.
Amanhã, o cais das colunas será novamente vendado aos olhos dos que o procuram, por acaso ou com intenção de guardar esta memória de Lisboa.
Provérbio fotografado
sábado, 3 de janeiro de 2009
Provérbios aplicados

Por muito longa que seja a noite, a manhã chegará!
Este é, dizem, um provérbio africano.
Como todos os provérbios que se prezem, a verdade contida é contestável.
Mesmo assim, parece-me que a sabedoria popular prevalece sobre uma desmontagem lógica.
Pensando bem, é melhor fixar a nossa atenção nos raios de sol que rompem a escuridão das noites.
É preferível não resistir ao calor do primeiro sol que nem sequer é pernicioso!
É preferível não nos deixarmos seduzir pela magia da noite!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Ainda a sair o ano
Efeito B.B.
Baptista Bastos. Não confundir com Brigitte Bardot!
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.
Pena eu já ter escrito sobre o "assunto". Subscrevo os sonhos do B.B.
O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
Se eu tivesse poder para inventar um ritual, arranjava maneira de atirar ao mar o ano velho e ir buscar ao mar as boas energias para o ano novo.
Nem sempre o corpo me pede mar, mas os olhos sim! Sempre!
Baptista Bastos. Não confundir com Brigitte Bardot!
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.
Pena eu já ter escrito sobre o "assunto". Subscrevo os sonhos do B.B.
O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
Se eu tivesse poder para inventar um ritual, arranjava maneira de atirar ao mar o ano velho e ir buscar ao mar as boas energias para o ano novo.
Nem sempre o corpo me pede mar, mas os olhos sim! Sempre!
Sair do ano
O calendário condiciona incontornavelmente as nossas emoções.
Não consigo abstrair-me da data carregada de simbolismo, pela possibilidade meramente teórica e virtual de uma mudança.
Para melhor, só admito!
De uma mudança para o desconhecido que vai ser suportado por um outro calendário, com os mesmos meses, com os mesmos dias, com as mesmas datas festivas. No meio de tantos "mesmos", apenas nós, cada um de nós, não seremos os mesmos.
Inventaram-se rituais, uns mais exequíveis do que outros, para recomeçar a contagem do novo ano com o tal espírito positivo a que até os homens da ciência já recorrem.
Há o pé direito e o esquerdo. Rapidamente estes dois pés começaram a ser conotados com opções ideológicas e essa sugestão foi abandonada, pois o planeta corria o risco de entrar sempre coxo num ano novo. Há sempre a hipótese dos dois pés que se consegue com um salto.
Cá por mim, não vou nisso; prefiro entrar "no" ano novo, com os dois pés no chão.
Com os dois pés sãos, sem calos, nem artroses, nem joanetes, nem apertos de sapatos de festa. Dois pés livres para percorrer a caminhada dos dias de 2009.
Não consigo abstrair-me da data carregada de simbolismo, pela possibilidade meramente teórica e virtual de uma mudança.
Para melhor, só admito!
De uma mudança para o desconhecido que vai ser suportado por um outro calendário, com os mesmos meses, com os mesmos dias, com as mesmas datas festivas. No meio de tantos "mesmos", apenas nós, cada um de nós, não seremos os mesmos.
Inventaram-se rituais, uns mais exequíveis do que outros, para recomeçar a contagem do novo ano com o tal espírito positivo a que até os homens da ciência já recorrem.
Há o pé direito e o esquerdo. Rapidamente estes dois pés começaram a ser conotados com opções ideológicas e essa sugestão foi abandonada, pois o planeta corria o risco de entrar sempre coxo num ano novo. Há sempre a hipótese dos dois pés que se consegue com um salto.
Cá por mim, não vou nisso; prefiro entrar "no" ano novo, com os dois pés no chão.
Com os dois pés sãos, sem calos, nem artroses, nem joanetes, nem apertos de sapatos de festa. Dois pés livres para percorrer a caminhada dos dias de 2009.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Ai Pai Natal, Pai Natal!
Agora que descobri onde moras, tenho vontade de me meter ao caminho e ir até Korvatunturi , para que saibas que foste a causa da primeira desilusão da minha vida.
Tinha seis anos e, naquele ano, como nos outros, tinha desejado um brinquedo daqueles que dá para antecipar a vida: um boneco que era tal e qual um bebé.
Nunca tinha sequer duvidado da tua existência. Duvidava apenas da tua pontualidade e pensava que talvez fosses um ser pouco sociável. Chegavas sempre tão tarde, tão tarde que eu nunca tinha conseguido parar o sono para te encontrar e para falar contigo! Lembro-me de combater o sono nas noites de vinte e quatro, depois de ter posto o sapatinho, na cozinha, ao pé do fogão...
Naquele ano, a minha mãe, para acalmar a minha ansiedade, resolveu antecipar a tua chegada. Faltavam ainda uns dias para o Natal e a minha prima Olga tinha vindo da África do Sul, para passar aqueles dias connosco.
O meu pai estava em Lisboa e a ausência dele magoava, sobretudo naqueles dias. Marcámos uma chamada telefónica para Lisboa, mas como não tínhamos telefone, tínhamos de ir a casa dos vizinhos de cima, os senhorios, e esperar que uma operadora da Marconi estabelecesse a ligação.
À hora combinada, lá fomos e tudo aconteceu muito rápido e muito caro: três minutos, cento e vinte escudos. Não deu para nada que se parecesse com matar saudades. Foi mais um reforço de saudade do que a sua liquidação. Mas o nosso dinheiro não dava para mais!
Para além deste telefonema, o Pai Natal passou pela Rua dos Velhos Colonos, a meio da tarde, num carro pouco parecido com o seu habitual trenó puxado por renas. Disseram-me. Eu não vi, claro! A minha prima Olga é que me garantiu que ele tinha passado, cheio de pressa, num carro vermelho, sem capota, para deixar o presente. Tinha tanta pressa que nem esperou que eu saísse da garagem onde estava a brincar com as bonecas "velhas". A pressa, eu não estranhei. Na mentira, acreditei piamente.
O pior foi a reacção de uns quantos mais crescidos que troçaram descaradamente da minha ingenuidade.
Mas o que me doeu mesmo mais foi ter perdido essa ilusão!Ter perdido, talvez para sempre, a capacidade de me iludir!
Tinha seis anos e, naquele ano, como nos outros, tinha desejado um brinquedo daqueles que dá para antecipar a vida: um boneco que era tal e qual um bebé.
Nunca tinha sequer duvidado da tua existência. Duvidava apenas da tua pontualidade e pensava que talvez fosses um ser pouco sociável. Chegavas sempre tão tarde, tão tarde que eu nunca tinha conseguido parar o sono para te encontrar e para falar contigo! Lembro-me de combater o sono nas noites de vinte e quatro, depois de ter posto o sapatinho, na cozinha, ao pé do fogão...
Naquele ano, a minha mãe, para acalmar a minha ansiedade, resolveu antecipar a tua chegada. Faltavam ainda uns dias para o Natal e a minha prima Olga tinha vindo da África do Sul, para passar aqueles dias connosco.
O meu pai estava em Lisboa e a ausência dele magoava, sobretudo naqueles dias. Marcámos uma chamada telefónica para Lisboa, mas como não tínhamos telefone, tínhamos de ir a casa dos vizinhos de cima, os senhorios, e esperar que uma operadora da Marconi estabelecesse a ligação.
À hora combinada, lá fomos e tudo aconteceu muito rápido e muito caro: três minutos, cento e vinte escudos. Não deu para nada que se parecesse com matar saudades. Foi mais um reforço de saudade do que a sua liquidação. Mas o nosso dinheiro não dava para mais!
Para além deste telefonema, o Pai Natal passou pela Rua dos Velhos Colonos, a meio da tarde, num carro pouco parecido com o seu habitual trenó puxado por renas. Disseram-me. Eu não vi, claro! A minha prima Olga é que me garantiu que ele tinha passado, cheio de pressa, num carro vermelho, sem capota, para deixar o presente. Tinha tanta pressa que nem esperou que eu saísse da garagem onde estava a brincar com as bonecas "velhas". A pressa, eu não estranhei. Na mentira, acreditei piamente.
O pior foi a reacção de uns quantos mais crescidos que troçaram descaradamente da minha ingenuidade.
Mas o que me doeu mesmo mais foi ter perdido essa ilusão!Ter perdido, talvez para sempre, a capacidade de me iludir!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Outros sentidos de Natal
À medida que a vida vai avançando, há que resgatar algum sentido das festas.
A magia pode esvair-se por entre as imensas preocupações que a vida traz, inevitavelmente, a todos. Ninguém escapa à realidade dos problemas de saúde! Ninguém escapa ao desencanto e à desilusão dos dias que vamos vivendo. Ninguém pode contornar a sensação de injustiça, que sobrevém à fome e às doenças dos mais pobres, dos mais indefesos, dos mais novos e dos mais velhos. Ninguém suporta bem o sentimento de impotência que nos tolhe a esperança da solidariedade possível. Por mais voltas que se dê à ideia do Natal todos os dias, há este vinte e cinco em que o Dia se faz sentir nas ruas vazias, no recolhimento próprio da festa e do frio...
Onde está o Natal da nossa infância? A certa altura, em que o julgávamos também perdido, reapareceu trazido pela infância dos nossos filhos, mas até esse nos abandonou. A solidão toma conta de nós nestes dias, em que a televisão e a rádio gritam belas músicas de natal, agitando a nossa consciência da realidade. Parece-nos ouvir a cada instante um pedido de socorro: Salvem o Natal!
O meu, ontem, salvou-se na tranquilidade do jantar possível num restaurante inglês, em Albufeira.
(Não há restaurantes abertos, praticamente, no dia de Natal!)
A magia pode esvair-se por entre as imensas preocupações que a vida traz, inevitavelmente, a todos. Ninguém escapa à realidade dos problemas de saúde! Ninguém escapa ao desencanto e à desilusão dos dias que vamos vivendo. Ninguém pode contornar a sensação de injustiça, que sobrevém à fome e às doenças dos mais pobres, dos mais indefesos, dos mais novos e dos mais velhos. Ninguém suporta bem o sentimento de impotência que nos tolhe a esperança da solidariedade possível. Por mais voltas que se dê à ideia do Natal todos os dias, há este vinte e cinco em que o Dia se faz sentir nas ruas vazias, no recolhimento próprio da festa e do frio...
Onde está o Natal da nossa infância? A certa altura, em que o julgávamos também perdido, reapareceu trazido pela infância dos nossos filhos, mas até esse nos abandonou. A solidão toma conta de nós nestes dias, em que a televisão e a rádio gritam belas músicas de natal, agitando a nossa consciência da realidade. Parece-nos ouvir a cada instante um pedido de socorro: Salvem o Natal!

O meu, ontem, salvou-se na tranquilidade do jantar possível num restaurante inglês, em Albufeira.
(Não há restaurantes abertos, praticamente, no dia de Natal!)
domingo, 21 de dezembro de 2008
O brinquedo...
É a brincar que a gente aprende, dizem alguns doutores das grandes coisas pequenas.
Tentemos mexer nesses mágicos objectos pequenos que não cresceram connosco porque a fantasia que lhes corre no trapo, na lata ou na madeira não se metamorfoseia, de uma vida para a outra, em coisas a sério que só fazem é parar o mundo.
Um soldadinho de chumbo nunca matará. Ele será apenas e só um fiel guardião da paz verdadeira!
Deixemo-nos tocar uma vez mais pela verdade dessa fantasia!
E que seja eterno o nosso pião!
E foi assim, à espreita da magia da época, que a magia da Nini e da Graciete tocou e aqueceu os corações desprevenidos de quem visitou "os brinquedos" no Palácio da Independência, em Lisboa, neste Dezembro tão frio...
Foto-quadro da Nini
Tentemos mexer nesses mágicos objectos pequenos que não cresceram connosco porque a fantasia que lhes corre no trapo, na lata ou na madeira não se metamorfoseia, de uma vida para a outra, em coisas a sério que só fazem é parar o mundo.
Um soldadinho de chumbo nunca matará. Ele será apenas e só um fiel guardião da paz verdadeira!
Deixemo-nos tocar uma vez mais pela verdade dessa fantasia!
E que seja eterno o nosso pião!
Foto-quadro da Nini
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Recado para o Rui
Pode parecer esquecimento, mas não é. E vou provar que não é esquecimento.
O programa mágico para brincares com a tua neta está aqui.
Quase no fim da página estão duas versões: uma é o programa principal e outra é "mais brincadeira".
Diverte-te com a Madalena!
O programa mágico para brincares com a tua neta está aqui.
Quase no fim da página estão duas versões: uma é o programa principal e outra é "mais brincadeira".
Diverte-te com a Madalena!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Um adeus ao Escritor
A consciência da complexidade de viver leva-me a pôr de parte as amarguras e as melancolias metafísicas, diz o autor de O Tecido de Outono, Alçada Baptista. Escreve o Escritor. Decide o homem que amava a vida acima de tudo e que sabia expressar, com a naturalidade de um filósofo, a sua inquietação interior. O corpo não lhe dava sossego à alma e a alma, por sua vez, não lhe dava sossego ao corpo. Por isso dizia, ou melhor, escrevia: entre a satisfação do desejo e a culpa vai um pequeno intervalo.
Ficarei sempre grata ao Escritor ter aliviado o meu próprio sentimento de culpa,mostrando o quanto ele é incontornável no homem de um certo tempo.
O romance "Tecido de Outono" tocou-me de um modo muito diferente dos outros que li, como a Tia Suzana, Meu Amor ou Catarina Ou o Sabor da Maçã. Talvez por o ter lido numa altura em que começava já a inquietar-me a proximidade desta estação da vida.
Filipe (o homem, personagem central, narrador) casa com Matilde paar alcançar a felicidade abençoada, mas persegue a não-abençoada também com Bárbara. Até porque a felicidade é volátil e invisível a distâncias pequenas, busca-se incessantemente. Não se chega. Não se tem. É como a linha do horizonte. É sempre longe, mas está sempre lá. O casamento com Matilde acaba. E a ligação a Bárbara fortalece-se inexoravelmente, pelo que é e pelo que representa: o amor com algum pecado, com alguma culpa, sem consentimento social, interminável, sem ser definitivo ou sequer duradouro. E enquanto Bárbara dá largas ao seu instinto humanitário em Moçambique, Maria, por perto, aconchega-lhe a alma e o corpo. E ainda chega a vez de Eugénia, antes do Outono que não perdoa, tempo em que não há lugar para paixões primaveris arrebatadas. É o senso comum a impor-se. E o vazio também. E Deus ali à volta. “A certa altura da vida, parece que Deus nos fica como única alternativa para enfrentarmos a nossa solidão.”
Mas Matilde ainda lá está, para partilhar o calor de Cabo Verde e o calor que o Outono guarda do Verão. Desta vez fora “das normas e das leis”. Afinal "o Tecido de Outono" é um registo de sensualidade, um apelo à vida, uma desconstrução bela mas simples da ideia do Outono sombrio e triste.
O Inverno está aí a chegar, Escritor, mas as "folhas" que nos deixou estão verdes de esperança e não há chuva nem vento que lhes tire o sabor a vida!
Ficarei sempre grata ao Escritor ter aliviado o meu próprio sentimento de culpa,mostrando o quanto ele é incontornável no homem de um certo tempo.
O romance "Tecido de Outono" tocou-me de um modo muito diferente dos outros que li, como a Tia Suzana, Meu Amor ou Catarina Ou o Sabor da Maçã. Talvez por o ter lido numa altura em que começava já a inquietar-me a proximidade desta estação da vida.
Filipe (o homem, personagem central, narrador) casa com Matilde paar alcançar a felicidade abençoada, mas persegue a não-abençoada também com Bárbara. Até porque a felicidade é volátil e invisível a distâncias pequenas, busca-se incessantemente. Não se chega. Não se tem. É como a linha do horizonte. É sempre longe, mas está sempre lá. O casamento com Matilde acaba. E a ligação a Bárbara fortalece-se inexoravelmente, pelo que é e pelo que representa: o amor com algum pecado, com alguma culpa, sem consentimento social, interminável, sem ser definitivo ou sequer duradouro. E enquanto Bárbara dá largas ao seu instinto humanitário em Moçambique, Maria, por perto, aconchega-lhe a alma e o corpo. E ainda chega a vez de Eugénia, antes do Outono que não perdoa, tempo em que não há lugar para paixões primaveris arrebatadas. É o senso comum a impor-se. E o vazio também. E Deus ali à volta. “A certa altura da vida, parece que Deus nos fica como única alternativa para enfrentarmos a nossa solidão.”
Mas Matilde ainda lá está, para partilhar o calor de Cabo Verde e o calor que o Outono guarda do Verão. Desta vez fora “das normas e das leis”. Afinal "o Tecido de Outono" é um registo de sensualidade, um apelo à vida, uma desconstrução bela mas simples da ideia do Outono sombrio e triste.
O Inverno está aí a chegar, Escritor, mas as "folhas" que nos deixou estão verdes de esperança e não há chuva nem vento que lhes tire o sabor a vida!
sábado, 6 de dezembro de 2008
Afonso! Porreiro, pá!
'Tás a ver, Afonso, no que isto deu?
Nem a rebeldia de carácter inscrita na tua herança cultural lhes serve já para nada.
Falta, a estes teus súbditos, visão, coragem, ambição, desejo, sonho e ideal.
Sobra-lhes o truque, o jeito para enganar o outro. Creio que treinam, em sessões mais privadas, a melhor maneira de iludir o povo.
Um dia destes, emocionei-me ao ouvir o nosso governante máximo, (Ou será o a seguir?!), a exultar com um feito que, afinal, era apenas mais um defeito do que o feito propriamente dito. Anunciava, feliz, que o povo ia melhorar de vida porque a gasolina tinha baixado e os juros das casas também.
(Calculo que não saibas o que isso é. Eu também não! Só sei que levo imenso tempo e imenso dinheiro a pagar a casa ao Banco.)
Mas voltando à vidinha que vai melhorar: ela vai melhorar por causa da crise, vê tu?
Bem sei que eles agora querem é tempo para brincar com o Magalhães. Não, não é esse que estás a pensar! Esse ficou no Estreito. Este é uma espécie de malinha de senhora. Mas não é malinha de senhora. É um computador e tem instaladas muitas coisas para os meninos e meninas brincarem e aprenderem. O nosso PM disse, numa Cimeira, que os seus assessores usavam o Magalhães. Agora já percebemos por que é que isto anda como anda.
(Uma Cimeira é uma batalha disfarçada: juntam-se todos para lutarem uns com os outros, mas não levam espadas nem armaduras de aço como tu levavas. Levam fato e gravata e muitas palavras e o máximo que arremessam é um "chiu" em castelhano!)
Se calhar, ontem, os assessores do PM emprestaram os Magalhães aos Deputados do PSD e eles foram para casa jogar um inocente jogo para crianças, em vez de votarem com o resto da oposição e com os trânsfugas do PS a suspensão deste modelo de avaliação.
Pois é, Afonso, por aqui está tudo muito porreiro, pá!
Agora tenho de ir. Isto, no deserto, é um bocado desinteressante.
(Jameh, já ouviste falar? Foi um deserto ineventado há pouco tempo. Não não é do teu tempo, não! Nem tem mouros!)
Vou até à cidade. É só uma ponte e pronto!
Nem a rebeldia de carácter inscrita na tua herança cultural lhes serve já para nada.
Falta, a estes teus súbditos, visão, coragem, ambição, desejo, sonho e ideal.
Sobra-lhes o truque, o jeito para enganar o outro. Creio que treinam, em sessões mais privadas, a melhor maneira de iludir o povo.
Um dia destes, emocionei-me ao ouvir o nosso governante máximo, (Ou será o a seguir?!), a exultar com um feito que, afinal, era apenas mais um defeito do que o feito propriamente dito. Anunciava, feliz, que o povo ia melhorar de vida porque a gasolina tinha baixado e os juros das casas também.
(Calculo que não saibas o que isso é. Eu também não! Só sei que levo imenso tempo e imenso dinheiro a pagar a casa ao Banco.)
Mas voltando à vidinha que vai melhorar: ela vai melhorar por causa da crise, vê tu?
Bem sei que eles agora querem é tempo para brincar com o Magalhães. Não, não é esse que estás a pensar! Esse ficou no Estreito. Este é uma espécie de malinha de senhora. Mas não é malinha de senhora. É um computador e tem instaladas muitas coisas para os meninos e meninas brincarem e aprenderem. O nosso PM disse, numa Cimeira, que os seus assessores usavam o Magalhães. Agora já percebemos por que é que isto anda como anda.
(Uma Cimeira é uma batalha disfarçada: juntam-se todos para lutarem uns com os outros, mas não levam espadas nem armaduras de aço como tu levavas. Levam fato e gravata e muitas palavras e o máximo que arremessam é um "chiu" em castelhano!)
Se calhar, ontem, os assessores do PM emprestaram os Magalhães aos Deputados do PSD e eles foram para casa jogar um inocente jogo para crianças, em vez de votarem com o resto da oposição e com os trânsfugas do PS a suspensão deste modelo de avaliação.
Pois é, Afonso, por aqui está tudo muito porreiro, pá!
Agora tenho de ir. Isto, no deserto, é um bocado desinteressante.
(Jameh, já ouviste falar? Foi um deserto ineventado há pouco tempo. Não não é do teu tempo, não! Nem tem mouros!)
Vou até à cidade. É só uma ponte e pronto!
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Chuchar no dedo?
Nunca imaginei este título para uma crónica, muito menos de uma crónica publicada em jornal de referência como é o nosso velhinho DN, muito menos assinada por alguém cujo trabalho se reveste sempre de um brilho literário que nos pode fazer recuar até à Antiguidade Clássica.
(Talvez devêssemos imaginar Ulisses a chuchar no dedo?! Ou Penélope, nos intervalos do croché?)
Chuchar no dedo não é título de crónica assinada por Vasco Graça Moura! Não pode ser! Pensava eu, até hoje!
Mas quando o assunto é "Magalhães" entramos na regra "Vale tudo" menos tirar olhos. Até vale tirar uma fotografia com os meninos e com os Magalhães e depois tirar os Magalhães para bater em retirada para outra freguesia, para tirar outra fotografia. E assim sucessivamente, como diziam antigamente as pessoas, já que não ouço muito esta expressão hoje em dia!
Assim "Chuchar no dedo" passa a ser um não-título de uma não-crónica, para cronicar sobre uma não-realidade! Pronto. Deste modo, já começo a entender! Começamos a entrar no não-mundo dos mais desprotegidos, onde lhes resta apenas o recurso ao instintivo consolo que vem dos longínquos tempos uterinos: chuchar no dedo.
Parabéns, Vasco Graça Moura! (sem ironias, que isto agora é preciso explicar tudo muito bem explicadinho, não vá alguém pensar que Portugal é apenas um recurso estilístico!)
imagem do National Geographic Magazine
(Talvez devêssemos imaginar Ulisses a chuchar no dedo?! Ou Penélope, nos intervalos do croché?)
Chuchar no dedo não é título de crónica assinada por Vasco Graça Moura! Não pode ser! Pensava eu, até hoje!
Mas quando o assunto é "Magalhães" entramos na regra "Vale tudo" menos tirar olhos. Até vale tirar uma fotografia com os meninos e com os Magalhães e depois tirar os Magalhães para bater em retirada para outra freguesia, para tirar outra fotografia. E assim sucessivamente, como diziam antigamente as pessoas, já que não ouço muito esta expressão hoje em dia!
Assim "Chuchar no dedo" passa a ser um não-título de uma não-crónica, para cronicar sobre uma não-realidade! Pronto. Deste modo, já começo a entender! Começamos a entrar no não-mundo dos mais desprotegidos, onde lhes resta apenas o recurso ao instintivo consolo que vem dos longínquos tempos uterinos: chuchar no dedo.
Parabéns, Vasco Graça Moura! (sem ironias, que isto agora é preciso explicar tudo muito bem explicadinho, não vá alguém pensar que Portugal é apenas um recurso estilístico!)
imagem do National Geographic Magazine
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Quase literariamente falando
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Os dias que passam
Quando o dia me dói, a minha memória refugia-se no quintal da minha avó, onde as Árvores de Fruto eram Rainhas. As Couves, as Alfaces, as Galinhas e os Coelhos eram súbditos de Suas Majestades que se mantinham de pé uma vida inteira, altivas e resistentes.
Uma das mais pequenas era a romãzeira. Ficava ao fundo, junto aos tanques (onde as mulheres da casa lavavam toda a roupa da casa!) e vigiava os lençóis que ficavam a corar nas imensas redes, ali postas para o efeito. Era das mais franzinas, a romãzeira. Talvez alguma maleita tivesse impedido esta mãe de uma fruta tão sugestivamente real de crescer, crescer, crescer, robustamente, rumo às alturas dos telhados dos vizinhos. Ficava-se, humildemente, pela altura dos muros.
À medida que fomos crescendo, fomos chegando com mais facilidade às romãs. Não tínhamos de esperar que caíssem. E depois, bago a bago, lá íamos saboreando o delicioso fruto, que parecia não ter fim.
Hoje, tenho também uma romãzeira nos meus caminhos. O afecto que sinto por ela vai aumentando à medida que me afasto da outra da minha infância. A vida é assim!(Já não sei se foi a romãzeira que me sussurrou esta verdade?!)Talvez a romãzeira do quintal da minha avó tenha voltado e se tenha plantado ali, quase à minha porta. Sem esta, bem mais definhada mas mesmo assim romãzeira, eu já teria esquecido a outra, penso eu, cheia de culpa. Ninguém deve ser esquecido. Nem uma árvore. Nem uma flor. Nem o doce de um bago de romã!
Uma das mais pequenas era a romãzeira. Ficava ao fundo, junto aos tanques (onde as mulheres da casa lavavam toda a roupa da casa!) e vigiava os lençóis que ficavam a corar nas imensas redes, ali postas para o efeito. Era das mais franzinas, a romãzeira. Talvez alguma maleita tivesse impedido esta mãe de uma fruta tão sugestivamente real de crescer, crescer, crescer, robustamente, rumo às alturas dos telhados dos vizinhos. Ficava-se, humildemente, pela altura dos muros.
À medida que fomos crescendo, fomos chegando com mais facilidade às romãs. Não tínhamos de esperar que caíssem. E depois, bago a bago, lá íamos saboreando o delicioso fruto, que parecia não ter fim.
Hoje, tenho também uma romãzeira nos meus caminhos. O afecto que sinto por ela vai aumentando à medida que me afasto da outra da minha infância. A vida é assim!(Já não sei se foi a romãzeira que me sussurrou esta verdade?!)Talvez a romãzeira do quintal da minha avó tenha voltado e se tenha plantado ali, quase à minha porta. Sem esta, bem mais definhada mas mesmo assim romãzeira, eu já teria esquecido a outra, penso eu, cheia de culpa. Ninguém deve ser esquecido. Nem uma árvore. Nem uma flor. Nem o doce de um bago de romã!
domingo, 23 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Senhora Ministra!
Não consigo entender aquela aparição, a meio do telejornal, para explicar que tudo está na mesma, ou quase.
Não entendo porque até há uma novidade: os professores foram convocados por email, para preencher uma "grelha" de objectivos individuais online, directamente pelos serviços do ME. Os nossos órgãos de gestão nas escolas não foram informados. Se tal tivesse acontecido, eu teria sido avisada, eu teria sabido. Por que é que não o disse na Conferência de Imprensa?
Senhora Ministra, a ninguém agrada a imagem de extremo cansaço e exaustão, a sua imagem de extremo cansaço e exaustão. Não conforta ninguém. Não repara nenhum dos danos causados aos professores, às escolas, à Educação em geral.
E pior ainda é que ninguém sabe como é que funciona a dita aplicação online. Eu não passei do primeiro quadro, porque não sei os códigos da minha escola e não sei ainda se vou ou não formular objectivos faz-de-conta.
(Nem todos estão em condições de o fazer: há famílias para alimentar, casas para pagar e não pode correr-se o risco de não ter trabalho, nem emprego, nem salário!)
Não me canso de citar Sebastião da Gama: eu prefiro que a aula aconteça. Claro que me refiro à relação humana com os alunos. O resto, Senhora Ministra, eu sei. Sei que tenho de lhes abrir a porta, que tenho de os mandar calar, que tenho de os mandar sentar ou esperar que eles se sentem à sua vontade, cujo interesse convém perceber, etc.(Difícil é sentá-los, não é Senhor Professor Marçal Grilo?)
Sei que não os posso deixar ir à casa de banho, nas aulas assistidas, para não ficar registado... (É que nas aulas de noventa minutos, quando eles estão mesmo aflitinhos, eu até deixo!)
Não posso é inventar agora sucessos que serão ou não e não posso carregar o fardo da responsabilidade e da culpa da ausência, da falta, do abandono.
O que eu não entendo mesmo é uma conferência de imprensa para dizer que não há novidades, quando até há!!!
Não entendo porque até há uma novidade: os professores foram convocados por email, para preencher uma "grelha" de objectivos individuais online, directamente pelos serviços do ME. Os nossos órgãos de gestão nas escolas não foram informados. Se tal tivesse acontecido, eu teria sido avisada, eu teria sabido. Por que é que não o disse na Conferência de Imprensa?
Senhora Ministra, a ninguém agrada a imagem de extremo cansaço e exaustão, a sua imagem de extremo cansaço e exaustão. Não conforta ninguém. Não repara nenhum dos danos causados aos professores, às escolas, à Educação em geral.
E pior ainda é que ninguém sabe como é que funciona a dita aplicação online. Eu não passei do primeiro quadro, porque não sei os códigos da minha escola e não sei ainda se vou ou não formular objectivos faz-de-conta.
(Nem todos estão em condições de o fazer: há famílias para alimentar, casas para pagar e não pode correr-se o risco de não ter trabalho, nem emprego, nem salário!)
Não me canso de citar Sebastião da Gama: eu prefiro que a aula aconteça. Claro que me refiro à relação humana com os alunos. O resto, Senhora Ministra, eu sei. Sei que tenho de lhes abrir a porta, que tenho de os mandar calar, que tenho de os mandar sentar ou esperar que eles se sentem à sua vontade, cujo interesse convém perceber, etc.(Difícil é sentá-los, não é Senhor Professor Marçal Grilo?)
Sei que não os posso deixar ir à casa de banho, nas aulas assistidas, para não ficar registado... (É que nas aulas de noventa minutos, quando eles estão mesmo aflitinhos, eu até deixo!)
Não posso é inventar agora sucessos que serão ou não e não posso carregar o fardo da responsabilidade e da culpa da ausência, da falta, do abandono.
O que eu não entendo mesmo é uma conferência de imprensa para dizer que não há novidades, quando até há!!!
domingo, 16 de novembro de 2008
Nobel e Outono
O nosso Nobel da Literatura faz hoje oitenta e seis anos. Parabéns, Escritor!
A primeira vez que o encontrei foi nas páginas de um manual de Português de oitavo ano, num texto dedicado à avó Josefa. "Tens noventa anos. És velha e dolorida! Dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito." É a minha memória que me dita este princípio da carta. Deito as contas à idade da avó Josefa e à do Escritor. Tão chegadas! Em contrapartida, é grande a diferença que os separa no conhecimento da vida e do mundo. E que felicidade acresce à vida esse conhecimento? Ou retira?
Cada um sabe de si, digo eu, num dia de Outono em que o amarelo das folhas e o azul do céu me entraram pelos olhos dentro e pela alma também!
A primeira vez que o encontrei foi nas páginas de um manual de Português de oitavo ano, num texto dedicado à avó Josefa. "Tens noventa anos. És velha e dolorida! Dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito." É a minha memória que me dita este princípio da carta. Deito as contas à idade da avó Josefa e à do Escritor. Tão chegadas! Em contrapartida, é grande a diferença que os separa no conhecimento da vida e do mundo. E que felicidade acresce à vida esse conhecimento? Ou retira?
Cada um sabe de si, digo eu, num dia de Outono em que o amarelo das folhas e o azul do céu me entraram pelos olhos dentro e pela alma também!
sábado, 15 de novembro de 2008
Senhoras e Senhores
Longe vão os dias em que os alunos se comportavam de um modo muito diferente do de hoje. Vão muito longe mesmo.
(Nem eu me portei exemplarmente bem! Por muito que conviesse dizer agora o contrário. Acho mesmo que a minha entrada no céu pode estar barrada, por algumas coisas que fiz no Colégio. Mas como tive o castigo, levei as reguadas e fui ameaçada com o inferno, talvez me tenha sido relevada a culpa!)
Recordo-me que uma das razões para que a maioria de nós excluísse dos sonhos do futuro a profissão de professor era, exactamente, a de poder vir a sofrer os desgostos que nós mesmos infligíamos aos nossos professores.
Claro que nunca ameaçámos nenhum professor! Claro que nunca proferimos obscenidades! Claro que nunca nos atrevemos a gritar palavras de ordem da alma para fora. No entanto, cá dentro, no segredo do nosso pensamento e do nosso desejo, as coisas aconteceram com a violência que hoje a televisão escancara. Havia então ainda aquilo a que chamamos respeito que, na tenra idade, só existe mesmo condicionado pelo medo. Nem todo o medo é mau, nem todo o respeito é bom. Se depois a maturidade não se desenvolvesse de forma a prometer ao corpo e ao pensamento bons momentos de felicidade, o ser, o indivíduo podia mesmo dar para o torto.
Aquelas crianças manifestaram-se frente a uma objectiva que lhes prometeu uma fama, que eles não sabem que não é eterna e muito menos sólida. Eles recrearam-se, à sua bela vontade, como fazem no recreio da escola, longe das câmaras de televisão, com os naturais instintos de rebeldia estimulados e acrescidos. Eles deitaram cá para fora o que está lá dentro a estragar-lhes a infância... (Já o José Gomes Ferreira falava de infância estragada!)
É preciso é que os Senhores e as Senhoras acreditem que não foi preciso nenhum professor dizer-lhes para se portarem mal, para atirarem ovos aos elementos do governo. Eles fazem isso tudo na escola. Sim também atiram ovos e fazem até coisas piores. Os senhores, é que ainda não tinham dado por isso! Agora deram e dizem que fomos nós que os mandámos, que os instrumentalizámos.
Era tão bom se eles fizessem tudo o que nós dizemos para fazerem?!
“Entusiasmava-me naquele momento preciso em que devia entusiasmar-me e, depois de determinadas frases cantaroladas com determinado ardor, batia sempre palmas, num ímpeto de causar trovoada no mundo.
E todos, em redor de mim, faziam o mesmo.” José Gomes Ferreira, O Mundo dos Outros
(Nem eu me portei exemplarmente bem! Por muito que conviesse dizer agora o contrário. Acho mesmo que a minha entrada no céu pode estar barrada, por algumas coisas que fiz no Colégio. Mas como tive o castigo, levei as reguadas e fui ameaçada com o inferno, talvez me tenha sido relevada a culpa!)
Recordo-me que uma das razões para que a maioria de nós excluísse dos sonhos do futuro a profissão de professor era, exactamente, a de poder vir a sofrer os desgostos que nós mesmos infligíamos aos nossos professores.
Claro que nunca ameaçámos nenhum professor! Claro que nunca proferimos obscenidades! Claro que nunca nos atrevemos a gritar palavras de ordem da alma para fora. No entanto, cá dentro, no segredo do nosso pensamento e do nosso desejo, as coisas aconteceram com a violência que hoje a televisão escancara. Havia então ainda aquilo a que chamamos respeito que, na tenra idade, só existe mesmo condicionado pelo medo. Nem todo o medo é mau, nem todo o respeito é bom. Se depois a maturidade não se desenvolvesse de forma a prometer ao corpo e ao pensamento bons momentos de felicidade, o ser, o indivíduo podia mesmo dar para o torto.
Aquelas crianças manifestaram-se frente a uma objectiva que lhes prometeu uma fama, que eles não sabem que não é eterna e muito menos sólida. Eles recrearam-se, à sua bela vontade, como fazem no recreio da escola, longe das câmaras de televisão, com os naturais instintos de rebeldia estimulados e acrescidos. Eles deitaram cá para fora o que está lá dentro a estragar-lhes a infância... (Já o José Gomes Ferreira falava de infância estragada!)
É preciso é que os Senhores e as Senhoras acreditem que não foi preciso nenhum professor dizer-lhes para se portarem mal, para atirarem ovos aos elementos do governo. Eles fazem isso tudo na escola. Sim também atiram ovos e fazem até coisas piores. Os senhores, é que ainda não tinham dado por isso! Agora deram e dizem que fomos nós que os mandámos, que os instrumentalizámos.
Era tão bom se eles fizessem tudo o que nós dizemos para fazerem?!
“Entusiasmava-me naquele momento preciso em que devia entusiasmar-me e, depois de determinadas frases cantaroladas com determinado ardor, batia sempre palmas, num ímpeto de causar trovoada no mundo.
E todos, em redor de mim, faziam o mesmo.” José Gomes Ferreira, O Mundo dos Outros
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
(...)
Continua a doer-me esta incompreensão. Não consigo entender que alguém, com tanta responsabilidade e tanto poder, não consiga perceber que é preciso reparar injustiças, que é preciso evitar erros maiores, que é preciso ouvir, que é preciso compreender as razões dos outros ou, pleo menos, tentar fazê-lo.
Há trinta e três anos que "piso os palcos". Quando comecei, eu era pouco menos jovem que os alunos. Ninguém me tinha ensinado a ser professora. O meu guião foi todo elaborado com base na memória ainda fresca de aluna.
A primeira vez que entrei numa sala de aula, tremi dos pés à cabeça. Os alunos olharam-me e avaliaram a minha insegurança, o meu medo, a minha inexperiência. A partir daquele momento, não havia recuo possível. Tinha de lhes mostrar que tinha também vontade, entusiasmo, esperança.
E ando há trinta e três anos nisto. O meu guião agora é ditado pela a experiência, hora a hora, aula a aula, aluno a aluno.
Eu sei que a paz vem de dentro. Mas a paz de fora também ajuda!
Fotografia: inspiração daqui
Há trinta e três anos que "piso os palcos". Quando comecei, eu era pouco menos jovem que os alunos. Ninguém me tinha ensinado a ser professora. O meu guião foi todo elaborado com base na memória ainda fresca de aluna.
A primeira vez que entrei numa sala de aula, tremi dos pés à cabeça. Os alunos olharam-me e avaliaram a minha insegurança, o meu medo, a minha inexperiência. A partir daquele momento, não havia recuo possível. Tinha de lhes mostrar que tinha também vontade, entusiasmo, esperança.
E ando há trinta e três anos nisto. O meu guião agora é ditado pela a experiência, hora a hora, aula a aula, aluno a aluno.
Eu sei que a paz vem de dentro. Mas a paz de fora também ajuda! Fotografia: inspiração daqui
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Para que servem?
São as tais folhas caídas, amarelas de um só outono.Não posso falar com as folhas.
Não posso perguntar-lhes o que se sentem, ali, expostas a mais frio, mais vento, mais pés impiedosos, desatentos do chão que lhes segura o caminho.
Não posso perguntar-lhes, pois correria o risco que correu o Zé Orocó. A esse, nem o manicómio curou o prazer de falar com as árvores!
Mas apetece-me! Talvez elas me respondessem assim: xengo-delengo-tengo. O que em linguagem de árvore talvez queira dizer: obrigada, por olhares para mim e por não me pisares!
Não faz sentido?
E o que é que faz sentido?
Aceitam-se "apostas".
domingo, 9 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Diz que é uma espécie...
...de objectivos individuais.
Eu prometo
Ser forte, tão forte que ninguém consiga perturbar a minha paz de espírito.
Falar, com os outros, apenas sobre saúde, felicidade e prosperidade.
Fazer sentir a todos os meus amigos que valem a pena.
Olhar para o lado brilhante de todas as coisas e fazer do meu optimismo uma realidade.
Pensar só o melhor, trabalhar para o melhor e esperar apenas o melhor.
Sentir tanto entusiasmo com o sucesso dos outros como com o meu próprio sucesso.
Esquecer os erros do passado e agarrar o futuro.
"Usar" uma cara alegre todos os dias e sorrir a todos os seres vivos que encontrar no meu caminho.(Mesmo que seja uma árvore, digo eu!)
Investir o meu tempo inteirinho melhorando-me a mim própria, de modo a que nada reste para criticar os outros.
Erguer-me muito acima das preocupações, sentir-me nobre demais para a raiva, forte demais para o medo e demasiado feliz para permitir a presença dos problemas.
Pensar bem de mim mesma e procamá-lo ao mundo, não em voz muito alta, mas através de um comportamento elevado.
Viver na convicção de que o mundo inteiro está a meu favor, enquanto eu for verdadeira em relação ao melhor que há em mim!
Tradução mais ou menos livre de um texto de Christian D. Larson, The Optimists Creed.
O que eu quero mesmo é ser forte, como o mar, e manter-me com a dignidade das árvores, que erguem aos céus os ramos secos, sem receios inúteis, sem vergonhas desnecessárias. Em qualquer altura do caule podem renascer folhas verdíssimas de esperança.
Eu prometo
Ser forte, tão forte que ninguém consiga perturbar a minha paz de espírito.
Falar, com os outros, apenas sobre saúde, felicidade e prosperidade.
Fazer sentir a todos os meus amigos que valem a pena.
Olhar para o lado brilhante de todas as coisas e fazer do meu optimismo uma realidade.
Pensar só o melhor, trabalhar para o melhor e esperar apenas o melhor.
Sentir tanto entusiasmo com o sucesso dos outros como com o meu próprio sucesso.
Esquecer os erros do passado e agarrar o futuro.
"Usar" uma cara alegre todos os dias e sorrir a todos os seres vivos que encontrar no meu caminho.(Mesmo que seja uma árvore, digo eu!)
Investir o meu tempo inteirinho melhorando-me a mim própria, de modo a que nada reste para criticar os outros.
Erguer-me muito acima das preocupações, sentir-me nobre demais para a raiva, forte demais para o medo e demasiado feliz para permitir a presença dos problemas.
Pensar bem de mim mesma e procamá-lo ao mundo, não em voz muito alta, mas através de um comportamento elevado.
Viver na convicção de que o mundo inteiro está a meu favor, enquanto eu for verdadeira em relação ao melhor que há em mim!
Tradução mais ou menos livre de um texto de Christian D. Larson, The Optimists Creed.
O que eu quero mesmo é ser forte, como o mar, e manter-me com a dignidade das árvores, que erguem aos céus os ramos secos, sem receios inúteis, sem vergonhas desnecessárias. Em qualquer altura do caule podem renascer folhas verdíssimas de esperança.
sábado, 1 de novembro de 2008
Ó pra mim tão vaidosa!
A Casa dos Porquinhos foi novamente aconchegada com um mimo. Mais um da Isabel.. Como eu já expliquei à Isabel, estes prémios têm muito valor para mim, porque vêm de quem vêm. Num comentário que lá deixei, recordei um belo texto de Vitorino Nemésio em que o Escritor conta o seu exame da quarta classe e como se sentiu verdadeiramente distinto, nos olhos do amigo, mais do que na classificação da pauta. É dos que nos conhecem que esperamos o incentivo e a motivação e estes prémios são esse incentivo à continuação. Obrigada, Isabel!
Eu retribuo o prémio à Isabel, porque as suas memórias são feitas de verdade, rigor e honestidade. O blog da Isabel é límpido. Claro como a água, como se costuma dizer.
Nomeio desta vez o blog do meu filho Rafael, porque já que estou em maré de vaidades...
Nomeio também a Calamity Jane porque sabe contar coisas dos minis Calamitosos que me emocionam e comovem, a ponto de quase trazerem a doce lagriminha ao canto do olho.
Nomeio a Pitucha e a Laura porque sim! Nomeação sem elas não é nomeação! A companhia que nos fazemos nesta coisa de blogs conta e, além disso, há muita qualidade no que por ali se escreve.
Claro que a mais nova edição da Chuinga também não pode ficar esquecida. Desta vez ela até trouxe um banco para nos sentarmos em frente ao mar.
E a claque da Chuinguita entra também nesta festa de Óscares (mas em bom!) porque partindo daquela ideia de que os amigos dos meus amigos meus amigos são, comecei a lê-los e fiquei a admirá-los, de modo a já não passar sem eles nestas voltas da vida blogosférica! Zê Pê e Miguel, claro!
Bruno, há pouco estive a ler o teu poema. Como sempre, adorei. Toma o teu prémio! É muito merecido!
João... andaste um pouco afastado destas coisas de blogs. Mas voltaste. Ainda bem. Guardei também um prémio para ti.
Obrigada a todos os que escrevem coisas que nos fazem bem cá dentro!
Querido Buba, quero convidar-te para vires a esta modesta casinha receber a minha admiração. Vens de muito longe nas minhas preferências. Contigo rio, choro, aprendo! Obrigada, Buba!
Eu retribuo o prémio à Isabel, porque as suas memórias são feitas de verdade, rigor e honestidade. O blog da Isabel é límpido. Claro como a água, como se costuma dizer.
Nomeio desta vez o blog do meu filho Rafael, porque já que estou em maré de vaidades...
Nomeio também a Calamity Jane porque sabe contar coisas dos minis Calamitosos que me emocionam e comovem, a ponto de quase trazerem a doce lagriminha ao canto do olho.
Nomeio a Pitucha e a Laura porque sim! Nomeação sem elas não é nomeação! A companhia que nos fazemos nesta coisa de blogs conta e, além disso, há muita qualidade no que por ali se escreve.
Claro que a mais nova edição da Chuinga também não pode ficar esquecida. Desta vez ela até trouxe um banco para nos sentarmos em frente ao mar.
E a claque da Chuinguita entra também nesta festa de Óscares (mas em bom!) porque partindo daquela ideia de que os amigos dos meus amigos meus amigos são, comecei a lê-los e fiquei a admirá-los, de modo a já não passar sem eles nestas voltas da vida blogosférica! Zê Pê e Miguel, claro!
Bruno, há pouco estive a ler o teu poema. Como sempre, adorei. Toma o teu prémio! É muito merecido!
João... andaste um pouco afastado destas coisas de blogs. Mas voltaste. Ainda bem. Guardei também um prémio para ti.
Obrigada a todos os que escrevem coisas que nos fazem bem cá dentro!
Querido Buba, quero convidar-te para vires a esta modesta casinha receber a minha admiração. Vens de muito longe nas minhas preferências. Contigo rio, choro, aprendo! Obrigada, Buba!
Os meus objectivos individuais
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Coisas tristes que estão a acontecer na Escola
Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc.
Excerto da crónica de santana castilho, publicada hoje no jornal Público e que pode ler-se na íntegra, aqui.
Excerto da crónica de santana castilho, publicada hoje no jornal Público e que pode ler-se na íntegra, aqui.
domingo, 26 de outubro de 2008
Encontros de Cardoso Pires
"Sempre que o quero ver, encontro-o, muito modesto da sua pessoa, à porta da Velha Faculdade de Medicina com as vestes de Doutor. Doutor em Ciência, não de Igreja. Como tal é que a Pátria o reconheceu e como tal está exposto em estátua, frente à escola onde foi mestre dos mestres.
Campo de Santana, é lá que o temos." Lisboa Diário de Bordo
Campo de Santana, é lá que o temos." Lisboa Diário de Bordo
Cardoso Pires
"Ninguém como ele contribuíra para transformar o português literário, arcaico, rural e afectado, ou populista, académico e pseudo-lírico, numa língua moderna. " Vasco Pulido Valente, no Jornal Público de ontem. Texto inteiro, homenagem viva após os dez anos de saudade de Cardoso Pires.
Lawrence Ferlinghetti, meses depois do incêndio, subindo o elevador de Santa Justa que ele julgava ter sido projectado por Eiffel... Lisboa Livro de Bordo

Lawrence Ferlinghetti, meses depois do incêndio, subindo o elevador de Santa Justa que ele julgava ter sido projectado por Eiffel... Lisboa Livro de Bordo
sábado, 25 de outubro de 2008
Cardoso Pires, mais do que aniversariamente
"E aqui tens por que é que eu, nesta vista tirada do castelo de São Jorge, me sinto assim distante, quase alheado. Talvez porque daqui não te ouço, cidade. Porque não te respiro os intentos nem te cheiro. Porque não te apanho os gestos do olhar. Numa palavra, porque me falta a cumplicidade, e sem cumplicidade com a imagem, com os saberes, os gostos e os defeitos de um mundo tão privado como o teu ninguém aprende a vivê-lo. Eu, melhor ou pior, cá vou tentando. Para chegar a esse entendimento já recapitulei infâncias de bairro, já revisitei lugares; já te disse e contradisse, Lisboa, e sempre em amor sofrido." José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo
E agora, José? Como diz o poeta do outro lado do mar. Fazes-nos falta, muita falta, para pensares connosco esta Lisboa e não só. Para pensares connosco a vida!
Passaram dez anos José, mas não passaram dez anos. Só o pensamento vence a morte, derrota o esquecimento.
E agora, José? Como diz o poeta do outro lado do mar. Fazes-nos falta, muita falta, para pensares connosco esta Lisboa e não só. Para pensares connosco a vida!Passaram dez anos José, mas não passaram dez anos. Só o pensamento vence a morte, derrota o esquecimento.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Schtroumpfando os cinquenta!
São tranquilos e pacíficos e resistem às ameaças permanentes do infame Gargamel, que sonha fazer uma poção mágica perfeita, à base de "schtroumpfs".O gato Azraël é a má companhia desta péssima criatura.
Quanto aos Schtroumpfs, por muito que envelheça o corpinho azul, mantêm as suas faculdades intelectuais intactas.
E os "schtroumpfs" schtroumpfarão felizes, para sempre!
Hoje somos nós, que crescemos mais azuis e mais felizes por culpa deles, que lhes vamos estrumpfar uma celebração merecida pelo seu aniversário.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
É desta...
...que me fazem a folha!
(Procurei a origem da expressão aqui.)
Ou desisto de ser eu, ou desisto de ser professora.
(Procurei a origem da expressão aqui.) Ou desisto de ser eu, ou desisto de ser professora.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Um dia na História
"Sabes o que é um castelo?
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes." António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criança
Em 1147, D. Afonso Henriques, ajudado por cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, enceta um cerco ao Castelo de Lisboa, com o intuito de conquistar esta fortificação aos mouros. Durante uma das investidas, concretizada a 21 de Outubro de 1147, teria existido um tal Martim Moniz que se deixou entalar numa das portas do castelo para permitir a entrada dos sitiantes. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência. Citam-na, no entanto, como figura lendária da História de Portugal.
Fonte-Leme
Um castelo é uma construção muito forte, feita com pedras muito grossas, com muros e com tôrres, que serviam para os homens daquele tempo defenderem as terras que ficavam em redór e que tambem serviam de habitação às pessoas mais importantes." António Gedeão, As Origens de Portugal, História contada a uma criança
Fonte-Leme
domingo, 19 de outubro de 2008
Diz que é uma espécie de reportagem
Primeiro a apresentadora, que falou das duas pintoras, sobretudo do seu conhecimento das pessoas, enriquecendo com um toque de afectividade o pré-debate.
(Lá fora tinha chovido granizo. Nada melhor para esquecer a tempestade do que remeter os sentidos para a realidade que resulta da criação.)
Depois a moderadora referiu-se com a convicção da solenidade necessária ao trabalho das duas pintoras: A Ana (Nini, a minha irmã de coração!) e a Cecília.
Depois falaram elas, as pintoras. Primeiro a Cecília. Eu que até nem percebo destas artes, entendi perfeitamente o processo criativo: primeiro o traço, depois pode continuar a ser o traço e o traço, até que o traço siga o seu caminho... As paisagens que não são senão paisagens de si mesma. A cor dominante. O auto-retrato!
Depois falou a Nini, do seu percurso, dos seus mestres, do seu processo criativo, diferente do da Cecília, dos seus temas, da magia de transformar a dor em cor, digo eu, que eu sei.
(Lá fora tinha chovido granizo. O caos estava instalado na cidade. Mas, das portas da Bulhosa para dentro, a ordem estabeleceu-se, naturalmente eivada de emoções, que vêm à tona também naturalmente, porque a arte é a emoção feita qualquer coisa. Neste caso pintura!)
Pego no folheto da Bulhosa e vem-me, à flor da saudade, um nome, uma memória muito viva: Lindley Cintra. Foi o meu primeiro professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Ensinou-me a Linguística, o Ideal e a Coragem. Tenho a certeza que não é por acaso que a Escola se chama Lindley Cintra. É uma inspiração e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de um compromisso com a Verdade.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Toca a limpar!
Há "graffitis" e "graffitis". Alguns parecem ter evidente intenção artística. Outros só existem para sujar. Arte ou Não-Arte, o "graffiti" é sempre uma irreverência e funciona, ou seja, atrai invariavelmente a atenção de quem passa.
O problema é que há paredes que não aguentam mais marcas, mais gritos. É preciso devolver a alguns muros esse espaço do grito.
Agora é no Bairro Alto, por ordem de um conjunto de entidades.
Quem for apanhado a "graffitar", tratando-se de um "crime" diferente, dificilmente catalogável, também a sanção deve ser também uma sanção diferente, no caso de o infractor ser levado a tribunal. Um serviço comunitário, é o exemplo dado na notícia.
Pode nem servir de nada, mas vale a pena tentar!
Fotografia-Elevador do Lavra,124 anos de idade, na Rua de São José, Lisboa, a Linda!
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