domingo, 31 de maio de 2009

Há festa em Serralves!

Serralves é Museu! Serralves é arte que brota da alma humana e não só. Serralves é uma outra arte, uma arte que brota directamente da criação. Serralves é um jardim.
Serralves é o "sim" ao conceito de harmonia entre a produção natural e a produção estética, seja sob que forma for. É a obediência quase absoluta ao espírito do Éden, que inclui o próprio sentido inevitável da tentação de ser mais e melhor, de atingir a perfeição do Criador.
É o que eu tenho a dizer sobre Serralves!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

No dia em que o Zoo faz anos

Ir ao Zoo é sempre uma proposta linda a fazer a uma criança.
O Zoo de Lisboa abriu este portão há cento e vinte e cinco anos.
Todos os dias, muitas crianças, nas mais variadas versões que a condição de criança tem (com e sem rugas, com e sem cabelos brancos...)passam para lá deste portão e, a fingir que é tudo a fingir, vivem com emoção o encontro com uma natureza, que se diz animal, mas que pode bem ensinar aos exemplares do lado de cá da jaula, do lado de cá deste belo portão que a vida tem regras incontornáveis e uma delas é a protecção aos mais fracos, que eles praticam, mesmo em cativeiro.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Prémios à séria!

Há um texto de Vitorino Nemésio em que ele conta como só ele bem se lembra, o seu exame da quarta classe. Foi uma distinção, pois foi, mas não foi nos olhos dos professores examinadores que ele sentiu essa distinção.
(Imagino um grupo de pessoas com máscaras sinistras, mais sinistras que as que examinaram o Vasquinho da Anatomia, que afinal sabia o que é o esternocleidomastoideu!)
Foi nos olhos do seu amigo, aluno fraco mas cheio de garra nas coisas da vida, tais como traquinices e namoradas, que o grande (à data, pequeno!) se sentiu verdadeiramente distinto!
Foi também nos olhos da Margarida que eu me senti a grande vaidade da Tia Árvore! Ela tirou o livro da mochila e disse com uma inocência que só se tem aos dez anos, um gesto que galardoou verdadeiramente a minha condição de professora: Eu tenho o "seu" livro! Hesitámos, eu e ela, sem saber o que fazer com aquelas emoções à frente da turma, apesar de todos saberem da existência da Tia Árvore. Eu desfolhei o livro como se não o conhecesse e entreguei-lho. Ela começou a guardá-lo. De repente, como se alguma coragem tivesse de repente assaltado o seu gesto e a sua vontade, entregou-mo novamente, aberto nas primeiras páginas e pediu-me para escrever "ali".
Obrigada, Margarida, talvez um dia venhas a saber o verdadeiro "´prémio Nobel" que me entregaste com aquele teu gesto!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sem vencedores e sem vencidos

O professor que sai vencedor de uma discussão ou de uma competição não convence os alunos. A vitória é um acontecimento exterior, não é uma coisa pessoal. Um vencedor de um lado propicia sempre um derrotado do outro. Não há nenhum motivo de orgulho, numa perda de humanidade ou de humildade. Uma sala de aula dominada pelo ambiente de "ganhar ou perder" enche-se de tensão, manipulação e astúcia.Se venceres uma batalha com os teus alunos, vais diminuir o seu orgulho de pensarem pelas suas próprias cabeças. Tenta uma maneira de todos saírem vencedores. Greta Nagel

segunda-feira, 18 de maio de 2009

The moments after

E se eu não tivesse sido promovida de aplicadora suplente a aplicadora efectiva?
Teria perdido aqueles momentos em que declamei frases que eu jamais teria sido capaz de inventar e muito menos de adaptar à situação. Por isso, agradeço do fundo do coração a quem me avisou, com elevado sentido de responsabilidade e respeito: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual."
Jamais eu ousaria interpretar frases como esta: "Agora, o que peço é que verifiquem se têm o material necessário para realizarem a prova e se este está em bom estado." Não ousaria jamais interpretar, até por falta de preparação intelectual para encontrar nesta simples frase todos os sentidos, decifrar-lhe toda a beleza, desvendar os verdadeiros referentes que podiam estar em mau estado: um lápis mal afiado, uma borracha mordida pelos nervos dos mais aflitos...
Vou confessar que olhei de soslaio para as instruções da coluna do lado que se destinava ao primeiro ciclo e não consegui entender uma diferença subtil dos dois textos, que podem, contudo, ser alvo de exigente análise, podendo eventualmente chegar-se a uma conclusão: no início da segunda parte, o aplicador pode desejar "Bom trabalho!" aos alunos do primeiro ciclo, apenas aos do primeiro ciclo! Portanto, se eu não expressei o voto de bom trabalho aos meus alunos, foi por causa do guião... Imagem daqui

sábado, 16 de maio de 2009

Estou à tua espera, ó mar!

Parabéns, Chuinguita!

Desculpa interromper o teu jogo mas só quero festejar o teu aniversário com mais um dia de idade!!! Beijinhos e muitas muitas felicidades.(Em basquetelês, como é que se diz GOOOOOOOOLO?) É isso que eu quero dizer!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

I did it my way!

Sinatra morreu há onze anos, depois de ter embalado românticamente mais do que uma geração, atravessando modas, ideias, revoluções culturais e outras, vencendo as crises e os tempos, "à sua maneira".
"I did it my way" ficou na memória de muitos, quase todos, como um hino de Sinatra, mas, na verdade, ela nasceu do lado de cá do Atlântico, no talento de Claude François, com o nome original "Comme d'habitude".
A versão inglesa/americana transformou a canção que dizia apenas respeito ao destino individual de alguém, numa canção que fala, ou melhor, canta o destino universal da humanidade. Há muitos rumores à roda dos seus passos políticos, mas disso eu não sei nada!
Só quis fazer jus à tradição deste espaço, fazendo "sair" efeméride! Quem me recordou essa "missão" foi o Nelson, num muito, muito simpático post de parabéns ao Chora Que Logo Bebes.
Ele não perde um aniversário! Era o que todos fazíamos no tempo em que éramos menos e fazíamos culto da convivência bloguística!
Todos os tempos são tempos. A blogosfera disparou para números incontroláveis e a aldeia cresceu tanto que é impossível percorrê-la a pé ou de camioneta. Só de avião! E um destes dias, só de spaceshuttle!
Voltando ao cantor das modas, eu queria mesmo era, um dia, poder dizer, como a cantiga: Regrets, I had a few...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Aniversário

5 anos! Obrigada a todos os que fazem companhia ao Chora!
O lema continua a ser: saltar o muro que me separa da Floresta, onde se pode ler o tal aviso que nos desafia a arriscar! O Chora não arrisca muito, vive no Jameh, alimenta-se de papa Maizena e tem um ADN incompatível com conflitos de grande dimensão. O maior conflito que alimento é comigo, à maneira da Ivone Silva!

sábado, 9 de maio de 2009

Parabéns, Sandra!

Foram momentos de muita emoção!
Mas há sempre alguns que, por uma qualquer razão, rasgam uma fronteira qualquer, apoderam-se de um nosso território de sentidos, absolutamente resguardado, quase inviolado...
Um desses momentos foi o abraço do filho! Ainda ontem ele era menino e agora já é adolescente e vestiu a alma e o coração a rigor, para celebrar com a mãe estes instantes únicos na vida dela e na vida de toda a família. O que me liga à Sandra é precisamente este menino agora quase crescido!
A poesia purifica as almas. Esta ideia não é minha e não me recordo agora de quem é. Talvez Sebastião da Gama, também poeta e também professor. A poesia cicatriza, mas não cura. Purifica e já é pedir muito!
O livro da Sandra abre e fecha com dor e saudade: abre com um poema à mãe e fecha com um poema ao aluno, ao João Rui, que partiu um dia, em pleno recreio da escola, em plena alegria, em plena Vida! Ninguém consegue perceber porquê! Resta à nossa ignorância o refúgio da convicção expressa no poema da Sandra: "Jamais te esqueceremos".

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ainda cá ando!!!

Espantada de existir, claro!
Mas há sempre um João Sem Medo escondido dentro de nós, pronto a enganar a frustração, depois de tomar consciência da sua incapacidade para combater a fatalidade.Assim, não vos deixeis abater pelo que vedes na imagem. Podeis andar encharcados em má disposição, mas tendes quadros interactivos, em todas as salas, de todas as escolas. Pelo menos, assim presumo. Coisas de Euromilhões, a criar excêntricos em cada esquina. Ou, nem tudo é mau! Ou ainda, nem tudo é tão mau como parece!
Agora é que a Matemática e o Latim vão entrar como o sol pelas vidraças! Sol, vidraças e Matemática, já temos. O Latim é de outras eras e a comparação não é minha. É do Eça, ou melhor, do Zé Fernandes, que a ela recorre para evidenciar a inteligência do seu amiguinho Jacinto, tão inteligente quanto triste.
Terá sido efeito secundário de papa Maizena? Também é coisa de excêntricos trazer à discussão a velha papa que requer tempo, fogão, paciência e raspa de limão, para chegar à mesa!
E os flocos de aveia que a minha mãe fazia, pacientemente, sempre a mexer a papa, não fosse aquilo pegar ou não ficar toda macia, por igual! Com um bocadinho de açúcar e canela, era melhor do que arroz-doce!
Tenho de telefonar ao Senhor Ministro, para ver se ele promove, para a próxima, os flocos de aveia, ou melhor o "porridge", como dizia a minha mãe, que tinha trazido a receita da África do Sul!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

As outras razões de Abril!

"É sempre bom recebermos um novo membro na família, ficamos com o “património” mais rico, mas ao mesmo tempo continuamos com as nossas responsabilidades de mãe…"
As palavras são da Teresa! Obrigada, Teresa!
Obrigada a todos os que de todas as maneiras contribuiram para que o dia 25 de Abril de 2009 fosse inesquecível!

sábado, 25 de abril de 2009

Vinte e Cinco de Abril

Enquanto viver, ecoará em mim o anúncio da liberdade e ligarei para sempre este dia a momentos muito importantes da minha vida, daquela que eu respiro nos meus pulmões, daquela que bate no meu coração!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia do Livro

Num desses programas da manhã, radiofónicos, claro! uma das perguntas a que os participantes deviam responder era (mais ou menos) esta: Qual foi o livro que mais o marcou? Eu sempre achei que a uma pergunta destas a resposta era mesmo múltipla, sem escolha, mas a verdade é que hoje fui confrontada com a minha resposta (eu pergunto, eu respondo, eu falo sozinha, de mim para mim, ninguém dá por nada!: Olhai os Lírios do Campo. Se foi este o livro que me assaltou a resposta é porque é esse o livro que mais me marcou.
Tudo tem uma explicação, ou pelo menos eu gosto de pensar que tem. Este foi o primeiro livro de gente grande que eu li, antes de entrar propriamente na idade grande. Marcou-me porque não o percebi, mas percebi que não o tinha percebido. E voltei a lê-lo já com os meus centímetros todos de altura. E voltei a lê-lo quando a chamada experiência da vida me segredou que o lesse...
Não fiquei com a Olívia agarrada à minha pele. Fiquei com o Eugénio, com as suas hesitações, indefinições, ambiguidades, ambições, vaidades e secretas humilhações.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aniversário

Hoje a Primavera faz um mês e a minha Tia Odete faz muitas primaveras!
Falei com ela há pouco.
Com a Tia Odete, claro! A Primavera, essa, anda fugida!)
Que bom poder falar-lhe e dizer-lhe o quanto gosto dela! Que bom ter podido dizer-lhe que ela me salvou a infância, em momentos em que a infância correu o risco de perder brilho, fantasia, poesia e todas essas boas coisas que dela fazem parte! Que bom ter arranjado maneira de dar forma a esta minha gratidão eterna! Que bom a Tia Odete ter-se reconhecido na Tia Árvore e ter-me dito, com aquele seu jeito sempre muito carinhoso, que se acha muito parecida com a Tia Árvore.
Eu fiz muitas vezes a triste figura do "versinho". Choraminguei, pensando que ninguém gostava de mim. Mas ela mostrou-me sempre que não era assim!
Obrigada, Tia Odete!

domingo, 19 de abril de 2009

Parabéns, Susan!

There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting
There was a time!

Para Susan Boyle as portas do sonho estão abertas. Perseguiu-o e apanhou-o, apesar dos risos cínicos dos que não avaliaram bem a força daquele sonho. Daqueles que nem sequer o vislumbraram numa simplicidade que os palcos da fama não conhecem (e agora sim, o sonho é outro!) nem sonham que pode existir.
Foi uma questão de segundos. Não foi preciso mais tempo para a voz da Susan rasgar todos os preconceitos!
Parabéns, Susan!A Luh bem avisou!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ainda a propósito

Ainda a propósito do Oleiro, dou comigo a pensar como a vida é fingida. Foge dos que a respiram e deixa-se eternizar na matéria.
O Oleiro era um verdadeiro professor quando os meninos das escolas o visitavam e o seu sonho era construir uma escola, dizem por , os jornais de hoje ou de ontem, já não sei bem!
Mas eu acho que sei que o cimento que ele importava de todos os que o iam visitar era o amor à arte, ao trabalho, ao valor do trabalho, o amor à aldeia e à sua vida simples.
Haja quem agora erga esse sonho!

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Homem, o Barro e as Mãos

"Será Mafra ainda o destino saloio dos Lisboetas, ao domingo à tarde?
Até lá chegarmos, há moinhos na paisagem e as trouxas na Malveira. Bem perto, a Olaria do Zé Franco! E o velho oleiro ali está, moldando as suas figuras. Oferece um copo de vinho e pergunta, com simpatia, se gostamos daquele lugar."
Estas linhas têm já a idade da razão. Mas a razão de me lembrar hoje do velho oleiro é triste. Aliás, eu não me lembrei dele hoje. Lembraram-me da sua existência e revi imagens das mãos a moldar o barro com aquela intimidade de quem trata por tu a arte e o próprio barro. Dessa intimidade nasceram figuras parecidas com o próprio mestre: grandes na sua simplicidade.imagem daqui