quarta-feira, 1 de abril de 2009

Parabéns, Diogo!

Andei por aqui à procura de um presente para ti e escolhi este poema de António Gedeão, teu "colega" de profissão!
Escolhi-o porque nos coloca perante os valores que nos orgulhamos de termos sido portadores, não tanto por tentarmos ser os pais perfeitos, que não somos, mas por termos tido a sorte de viver um tempo ímpar de culto desses valores, como a liberdade, ou melhor, as liberdades: a de escrever, a de falar e a essencial que serve de esteio a todas as outras.
Se misturares a liberdade com o sonho, obténs, certamente, momentos muito perfeitos.
E esses momentos serão para viver em cheio, Diogo!
Aos teus sonhos! Aos teus desejos!Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

sábado, 28 de março de 2009

Proverbial!

Palavras, leva-as o vento!
E como hoje o vento está forte, zangado, é melhor não deixar por aqui palavras nenhumas.Deixo apenas a quietude do caminho. Não a que eu tenho, mas a que eu desejo! O sossego que permite às árvores desenharem no céu as suas copas e no chão as suas sombras, quietas, como se estivessem a dormir o sono encantado do qual apenas acordarão com o beijo do príncipe.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é o dia...

em que as árvores se encontram com a poesia, mesmo que, para isso, os versos de Camões tenham de sair do Poema Maior, às escondidas. Nisto de poesia, não há que esperar regras rígidas, nem impor normas e leis para sempre. Um "poeta é um fingidor", como diz "um" Pessoa nosso conhecido e um fingidor pode fingir tudo, até "a dor que deveras sente".Hoje é também o Dia da Trissomia 21. A todos os que foram tocados por esta condição ou qualquer outra que obrigue a ir à luta com todas as forças do coração, um abraço grande, grande!
Imagem:da Ana Sousa,do livro "A Tia Árvore".(Uma pequena montagem que será desculpada pela artista!)

terça-feira, 17 de março de 2009

Carta

Queridos José, António, Ana, Joana, Patrícia, Sofia e tantos outros, que ficaria aqui a eternidade que me resta, a escrever os vossos nomes.
Se vos perguntarem, na rua, na escola, em casa, na pizzaria, se conhecem o Magalhães, dirão logo que sim, que é pequenino e engraçadinho. Que é muito giro, em suma!
Não sei se sabem quem vos está a escrever esta carta?
É o próprio Magalhães, de quem tão pouco sabem, pois a toda a hora se fala do Magalhães, o computador e nunca se ouve falar deste outro Magalhães, o navegador.
Enfim, é só mais um dissabor a juntar ao maior que tive na vida, quando D. Manuel reprovou o projecto maior dos meus sonhos de mar: navegar, navegar, navegar, até cumprir uma volta inteirinha à terra.
Diziam que não era possível, mas eu acreditava que sim, que havia de haver passagem, por estreita que fosse. E havia mesmo! Essa passagem ficou com o nome do vosso computador. Desculpem, também já estou quase a deixar-me embalar pela máquina da propaganda! Essa passagem ficou com o meu nome: Estreito de Magalhães.
Um dos historiadores do vosso tempo afirma, com muita certeza, que o que eu queria mesmo era descobrir um caminho para as Ilhas Molucas, por mar. Andaram a coscuvilhar umas cartas que troquei com um amigo que foi para as Índias.
Fui então apresentar a minha proposta ao jovem governante do reino vizinho, futuro Imperador Carlos V, e tive mais sorte. Os meus pais eram espanhóis e o meu sonho era universal, pois isto de ser marinheiro não se explica à luz das fronteiras e dos governos. No mar falam-se as línguas todas e não se fala nenhuma. Ali, o que fala mais alto é o valor da fome, da sede, da vida. Sobreviver é preciso e a vida é um dom mais precioso do que as riquezas de mil orientes.
E sabem o que é que os reinos de Portugal e Espanha queriam destas paragens distantes? Cravo. Uma especiaria que as vossas mães e avós usam na cozinha e que os médicos e farmacêuticos também usam muito. Havia também outras especiarias, mas esta devia ser a mais preciosa, já que um dos que regressou dessa viagem em que perdi a vida, carregou o navio inteirinho com cravo.
Já ouviram falar do Oceano Pacífico? Sabem quem lhe deu o nome? Eu! Para além de ter baptizado o mar, dei também o meu nome a umas nuvens que dali se avistam que afinal são galáxias, isto é, nuvens carregadinhas de estrelas e outros astros.
Pouco tempo depois, envolvi-me numa violenta luta, nas Filipinas e não voltei mais.
Dos duzentos e cinquenta que partimos, só dezoito regressaram. É muita vida perdida.
Mas o que eu não quero mesmo, meninas e meninas das escolas portuguesas, é que percam a memória daqueles que prepararam o mundo para ti, Joana, para ti, Tiago…
Regresso agora à minha condição de personagem da História, feliz por ter contribuído para enriquecerem o vosso conhecimento.
Até sempre!
Fernão de MagalhãesCarta baseada na ideia de José Jorge Letria, que deu forma ao seu último livro, O Que Darwin Escreveu a Deus

sexta-feira, 13 de março de 2009

Caminhos da água

Vou inventar um provérbio: marido aposentado, património visitado. Qualquer "ado" rima com aposentado, mas não é fácil arranjar um que refira exactamente o que eu quero.
Desta vez, a visita foi ao Aqueduto das Águas livres de Lisboa, monumento a que os meus olhos se habituaram, no final do eixo Norte-Sul, nos acessos à Ponte 25 de Abril. A minha condição saloia vem sempre à tona do meu entendimento e embasbaco-me perante monumentos que as mãos dos nossos antepassados fizeram, pedra a pedra, muro a muro, até quase roçar o céu. Os homens mesmo,os que vieram depois de Darwin!
Já lá diz o poeta: Com mãos tudo se faz e se desfaz!
Se calha ser um fim de tarde daqueles que se têm feito sentir nos últimos dias, eu desisto mesmo de entender. Eu simplesmente aceito e deixo que a beleza das pedras recortadas no pôr-do-sol me maravilhe até à mais ínfima parcela da minha emoção.
Só que esta visita foi ainda mais estranha: andámos lá dentro, onde corria a água e outras histórias menos cristalinas que compõem o imaginário além-história!
E aqui está um desses corredores intermináveis por onde corria a água que abastecia Lisboa! Uma claustrofobia vaga impediu-me de acelerar os sentidos e deixar-me embalar pela imaginação da água a correr. Mas, mesmo assim, valeu a pena. Até porque já passou.
De pedra em pedra, de monumento em monumento, lá vou melhorando o meu próprio património de conhecimento!

quinta-feira, 12 de março de 2009

(...)

São estranhos os tempos. Estes tempos.
O Verão anuncia-se, nos fins de tarde transbordantes de uma luz aquecida pelo desejo de largar agasalhos, botas e outros acessórios, que tresandam a inverno e a dias tristes e cinzentos.
Contudo, nestes maravilhosos dias de "verão", chegam até nós as notícias mais tristes. Todas podem ser mais ou menos tristes, mas o massacre numa escola paralisa-nos.
E ainda por cima, já não é a primeira vez que esta notícia sangra aos nossos olhos!Imagem:Museu Etnográfico da Alta Estremadura,quadro de sala de aula.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O fim do princípio

É normal ouvir-se a expressão:isto é o princípio do fim. Já a expressão do avesso, digamos assim, não é tão habitual. É pois um daqueles casos em que o avesso é para ficar sempre escondido, no avesso, ponto final.
Não é certamente este o caso de Sagres, que este ano, fiquei a conhecer um pouco melhor, na sua beleza intensa, na sua natureza agreste, no seu contraste, na sua resistência a um certo tipo de turismo confortável até mais não, no seu permanente pré-aviso de guerra entre as duas forças omnipresentes: a terra, dura, escarpada, imensa, castanho-cinza, esculpida pelo vento; e o mar, intenso e azul, sempre a rugir, violento, contra as escarpas, sem nunca se cansar, sem nunca parar.
Em Sagres está o verdadeiro limite: acaba a terra, começa o mar.
Foi neste lugar dominado pelo limite e o contrário que o Infante se fixou, para ligar, para sempre o povo ao mar...O Infante D. Henrique nasceu a 4 de Março,de 1394

segunda-feira, 2 de março de 2009

domingo, 1 de março de 2009

And the winner is...

Não sei porquê, mas o Congresso do PS fez-me lembrar uma cerimónia de Óscares de Hollywood. Não, não é ironia. Claro que não estavam lá estrelas a sério! Claro que não havia glamour! Claro que não houve limusinas, nem passadeiras vermelhas! (Pelo menos não vi.) Mas havia a intenção de criar um grande espectáculo à volta do "nada", como disse o Luís Pedro Nunes, no Eixo do Mal. Para disfarçar o nada? Não sei.
O problema é que o nada não é só o grande inimigo dos nossos políticos. O nada é o maior inimigo de todos nós.
Na História Interminável, ao Nada é dada a importância que ele tem: é uma força destruidora, altamente destruidora e de efeitos devastadores quando atinge Fantasia. Ou melhor, se atingir Fantasia. O importante é salvar Fantasia do Nada!
O importante é salvarmo-nos, pormo-nos a salvo do Nada.
O que eu hoje vi na televisão foi obra do Nada: a deprimência de um espectáculo que não chega a ninguém, não satisfaz ninguém, nem os próprios protagonistas.
O momento em que Vital Moreira subiu ao palco para receber o prémio fez-me lembrar vagamente aqueles momentos em que os nomeados vêem confirmada a sua expectativa. VM quis fazê-lo, falando em surpresa, na sua realização nas várias dimensões da vida. Surpresa? Eu não acredito! Há muito que se percebe que há "namoro". Não é em vão que se apoia um PM, o que aconteceu de modo muito explícito no caso dos professores e da (nossa) luta contra esta avaliação de desempenho, que é, em si mesma, um instrumento do Nada.
E como dirá a imprensa cor-de-rosa, o primeiro ministro estava lindo, elegante e Vital Moreira, apesar de lhe levar mais de uma década de vantagem, (ou des/vantagem? Não sei bem!) não lhe ficou atrás, bem chique nas riscas pretas e brancas da camisa, sem gravata, que acentua um certo negligé q.b.
Continuo a dizer que não percebo nada de política... Nem de Óscares, pelos vistos!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O importante é...

a grelha, claro!
A avaliação dos médicos terá por base uma grelha com determinados parâmetros fundamentais.À semelhança do que acontece com os docentes, o Executivo pretende que a avaliação dos médicos passe pelo cumprimento de objectivos específicos, tal como é definido na lei que rege a avaliação da Administração Pública (66-B/2007 de 28 de Dezembro), propondo uma «confrontação entre objectivos fixados e resultados obtidos».
Ler mais aqui.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Recado ao Zeca

Pois é, Zeca. Não sei se morreste há vinte anos, há vinte dias, há mais ou menos tempo.
Sabes?, as tuas canções atravessadas de pensamento único, feito de um sentido de liberdade universal, dissolvem o tempo. Não sentimos o tempo, que ele está cheio, continua cheio, das tuas canções, da tua voz, da tua presença mais ou menos jovem, daquele teu ar inocente, indeciso entre a alegria de cantar e a responsabilidade de cantar.
Vejo hoje, nos registos dos dias, que partiste há vinte e dois anos.
Acho que não Zeca!
Acho que continuas por aqui, a ensinar, a dar-nos as verdadeiras lições da tua geografia da condição humana: nasce-se menino, com um certo destino, como o menino de Xepangara.
Essa foi a geografia que tu aprendeste na vida.
Os teus olhos olharam sempre de frente os meninos nascidos aquém dos direitos. Não só os meninos negros da África que também foi tua, pelo direito próprio de quem ama a liberdade, para além da morte, para além da vida.
"Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida"
Presença das formigas
Os teus meninos de oiro estão todos contigo a celebrar esse hino à liberdade!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Saudade

"Gone are the days when he could take me on his knee
And with a smile he'd change my tears to laughter."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Coisas

Eu sou a perfeita expressão da liberdade, aqui e agora. Fernão Capelo Gaivota-Não temes o lodo nem as pedras?
-Não. Não têm asas e eu tenho. As pedras crescem no chão. Eu estou preso ao céu e só tropeço em nuvens de algodão!
(Conversa possível com uma gaivota prima do Fernão.)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Feridas

São feridas assim que doem de verdade!
Não há nada mais injusto do que esta acusação. Eu, pelo menos, sinto-a assim e não falo só por mim. Se resistimos à guerra com o ME é por causa dos alunos.
Assim não vale!
Já agora visitem o blog da nossa Biblioteca e leiam um trabalho que vale a pena ler de uma aluna do quinto ano, sobre o Carnaval. Foi feito numa aula de Estudo Acompanhado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Proposta adiada, uma vez mais

Vamos de rio até Lisboa?
As obras do Terreiro do Paço roubam-nos a vista de Lisboa para o rio e do rio para Lisboa.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Hoje

Já levei a minha dose de pôr-do-sol!

Homenagem dupla: Galileu e Gedeão

Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce

sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.

(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.

Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.



Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…

Eu sei… eu sei…

As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!



Olha. Sabes? Lá em Florença

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está!

As voltas que o mundo dá!

Se calhar até há gente que pensa

que entraste no calendário.



Eu queria agradecer-te, Galileo,

a inteligência das coisas que me deste.

Eu,

e quantos milhões de homens como eu

a quem tu esclareceste,

ia jurar- que disparate, Galileo!

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça

sem a menor hesitação-

que os corpos caem tanto mais depressa

quanto mais pesados são.



Pois não é evidente, Galileo?

Quem acredita que um penedo caia

com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.



Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se tivesse tornado num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.



Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,

desceram lá das suas alturas

e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,

nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e descrevias

para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.



Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.

Galileu nasceu em Pisa a 15 de Fevereiro de 1564.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Coisas do Dia

A idade não te protege do amor, mas o amor, até certo ponto, protege-te da idade.
Jeanne Moreau
(Espero bem que a actriz de 81 anos tenha razão! Sempre é uma esperança!)

Encontrei a saída!

Eles não encontram a saída, porque não querem ler os letreiros.
A saída é exactamente no sentido oposto à Praça das Estrelas e à Avenida dos Oásis.
É preciso lembrar que o "problema" se situa no deserto, por isso não convém seguir palmeiras...

Uma promessa!

A Primavera já chegou à janela da minha cozinha! Abri-lhe a janela, mas ela não entrou. Um raio de sol ainda vá, mas calor, calor, isso é que nem pensar! Ela está a chegar, mas por enquanto fica à janela...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Many thanks!

Obrigada, Bruno! Para além do que já disse aí, em tua casa, vou acrescentar que ainda me sinto mais feliz por constatar que as palavras também se transformam em pontes, fazendo o que fazem as pontes: ligações! Ligam, neste caso, gerações!
Estava na sala muita gente nova como tu! Foi uma tarde para não esquecer! Obrigada pela tua contribuição: esta e a outra, a do sábado! Talvez ainda consiga convertê-las noutras palavras e se siga adiante como preconiza o "assim sucessivamente".
(eu agarrei uma de cada),dizes tu!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Começou assim...

Com a convicção da afectividade”“Sentimento e emoção"
Provavelmente não foi por acaso que os pais da Madalena tiveram tão bom gosto em escolher-lhe o nome.
Habituada que estou a pensar nela como santa, só com o título deste livro dei por mim a pensar nela como Madeleine. Sim, o bolo que Proust eternizou. Pequena vingança da autora esta agora de nos abrir o apetite com livros, como quem diz: ah, sim Mr. Marcel, agora chegou a vez da minha personificação literária, feita cozinheira de letras, autora de cardápios que não vão ficar por aqui...
É assim que, não inocentemente, nos convida a este Banquete de texto - título algo equívoco – e aqui, creio que andou a mão da Helena – pois, embora a autora avise que é de textos que se vai compor a refeição, logo o pecado da gula espreita entre os mais lambisqueiros da verdadeira comidinha aquela que as papilas gustativas fazem salivar. Mas, já dizia o velho Savarin “Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és” e assim a Madeleine/Madalena escolhe as letras de imprensa em vez daquelas deliciosas de massa a boiar na sopa... porém, nem um asceta resistiria ao que ela convida “a festa dos sentidos! Será como um casamento de sentidos, sem sentidos obrigatórios e muito menos proibidos”...
Este casamento entre literatura e comida vem de longe. O prazer de ler cruza-se com o prazer de comer no nosso imaginário, nas nossas memórias e no nosso paladar.
De Àgaton anfitrião de Platão e seus amigos a filosofar à volta de uma mesa :“ o homem deve sim consentir o prazer, mas não deixar-se corromper por este”..., a Esopo que dizia: ”um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade”, talvez gulososo porque tão moralista, De Leonardo a preparar acepipes ao Duque Milão, a Rabelais que coloca no seu gigante Gargantua quem sabe, a sua avidez, de Guerra Junqueiro que pede uma cozinheira que saiba preparar bifes cordon bleu, às ameijoas de Bulhão Pato. da magnífica canja de Eça: “cheirava que rescendia, tinha fígado e tinha moela”...ao peru recheado, os peixes temperados, as filhoses, os pudins do velho abade que aldraba três missas em La Messe de Minuit de Daudet... à Festa de Babette de Kareen Blixen, às mais recentes Afrodite de Isabel Allende ou Como Água para Chocolate de Laura Esquível que tão bem conhecem o velho ditado “Para chegar ao coração de um homem, o melhor caminho é o estômago”...tb. podemos dizer que de uma mulher, para não sermos consideradas machistas... O facto é que, como diz Annalice del Vechio, escritora brasileira quase de certeza de ascendência italiana e criada a risottos e pollentas fabulosas, “Por si só, a culinária pode ser uma experiência transcendente, mas, associada à Literatura, produziu obras-primas”.
Voltando ao Banquete da Madalena: 27 autores, 29 títulos, podemos considerá-lo mais do que um feliz guião para curiosos. Quando o livro me foi entregue, tive a intenção de o ler do princípio ao fim, porém, mal relanceando o Convite, depressa me pus a folheá-lo, atraída pelos títulos que me traziam boas memórias, avançando e recuando, perguntando por que razão teria ela feito esta sequência e não outra. Teria ela lido os livros por esta ordem?
Que importância teria isso se eu podia lembrar-me, não do ano, mas dos momentos saborosos, adjectivo que muito irá encontrar o leitor, e mesmo das conversas que ao longo de dezenas de anos, alguns destes livros nos deram a ambas.
Parece-me que dos que falámos primeiro, há quase 40 anos, foi o do Principezinho, e A Cidade e as Serras. Já na faculdade, faziam as nossas delícias as redacções da Guidinha. O Diário de Sebastião da Gama de que Lindley Cintra sempre falava aos seus alunos. Os Contos Exemplares de Sophia, Os Esteiros, os poemas e os diários de Torga. Os poemas, O Mundo dos Outros, as Aventuras de João Sem Medo, a nossa grande paixão comum e toda a obra do extaordinário escritor José Gomes Ferrreira que ainda dá nome ao nosso blogue.
Como qualquer aspirante a professor esforçámo-nos por despertar nos nossos alunos o prazer de ler... Entraram nas nossas aulas os textos de Monteiro Lobato, de que ela não fala ainda, e nos foi apresentado pela mão da Ana Maymone. O Meu Pé de Laranja Lima e Rosinha Minha Canoa do José Mauro de Vasconcelos, a Rosa Minha Irmã Madalena da Alice Vieira e os Poemas do Mário Castrim ...” Tenho uma janela virada para o mar, barcos a sair, barcos a entrar”...”Era uma vez uma menina muito meninha, três palmos dos meus, davam para medir a Joaquina de baixo acima... a Joaquina levava o almoço ao Pai” ... e por aí fora. Porém os nossos guias dos anos setenta foram os livros de Richard Bach e em Pereginação Interior Alçada Batista
Procurávamos nas revoluções jovens das nossas vidas, âncoras de sonho que nos dessem força para podermos ser boas mães, mulheres felizes, sem destinos tristes, sem deuses castigadores ...
E, não é que foram boas todas essas Ilusões? E proveitosas, pois agora estamos a navegar pela nossa própria escrita, com ramos de flores nas mãos, muitos chocolates mesmo de verdade para aquém dos livros, comunicando com Júbilo e usando a net como o telegrafista de Laura esquível...
Vá-se lá saber porquê, só nos anos 90 me lembro de ela me ter confessado quem era o seu poeta preferido: Reinaldo Ferreira E, diante da minha ignorância, ofereceu-me o livro que recebi, comovida por pertencer, realmente a um rei, tão cedo, morto.
Outros autores surgiram, outros descobrireis, e espero que outro Banquete surja também, em breve.
A Madalena insiste na arte de ensinar na sala de aulas, quanto a mim, onde ela deveria insistir era na escrita.
Transmitir as ideias que foi colhendo da vida, gozar mais esse prazer que não perdeu de ler, ler, ler, ler, e transmitir-nos esse encantamento com o dom que tem da visão, do conhecimento da alma humana e da sua interpretação, sobre ela e os livros.
Mais um repto à autora: atreve-te no Romance que os contos também andam por aí à espera que os dês para publicação.

Dos prazeres no céu

Dos prazeres no céu
Que Mahomet promete,
Não trocava sete
Só por este meu.

Ver, enquanto ceio,
Teu olhar, Suzette,
Como se reflecte
No meu copo cheio.

Assim, com certeza,
Por mais que a desdenhe,
Na vida há beleza
Enquanto há champagne.

Reinaldo Ferreira

Ana Sousa

Rescaldos

Ainda no rescaldo das emoções, dos reencontros com todos aqueles que fazem a história da nossa vida...
Como é possível que estes reencontros dissolvam nomes, apelidos, títulos, funções, profissões, responsabilidades e até maleitas?
No sábado eu "fui", outra vez, novinha em folha e sã que nem um pêro. Não houve reumático que me atacasse, nem tendinite, nem joanetes, nem varizes... Nada! Acho que até o cabelo se pintou de preto e a pele esticou.
A nossa juventude fica, de facto, inscrita num chip qualquer que o Criador instala nas barrigas das mães, de modo a ficar disponível para o nascituro, na fase certa e sempre que as condições assim o exigirem, mesmo nos últimos quarenta anos de vida.
E calha não calha, fica activo, como dizem os meninos e as meninas dos Call Centers!
E até os primeiros encontros da vida dita real activam esse chip. Encontros esses que acabam por ser reencontros de tempos também já distantes (3 anos é muito!).
Juro que estou lúcida e não bebi nada, a não ser Coca-Cola!
E para que se fique com uma ideia da abertura das festas e, a pedido de várias famílias, aqui fica o texto na íntegra da fantástica, genial, sensacional, super oradora, também escritora, também pintora, Ana Sousa, a quem, pela "convicção da afectividade" chamamos Nini!
(Para facilitar a leitura e os comentários que lhe quiserem dirigir, vou colocar o texto no "post" que se segue.)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

(...)

A Tia Árvore começou aqui, isto é, nasceu aqui.Em jeito de homenagem, de boas-vindas à Vida, dediquei-o à Stela, que ontem esteve presente a dar, por sua vez, as boas-vindas à Tia Árvore. Pressurosa, vaidosa e pestanuda, estendeu os ramos para a abraçar, pela primeira vez, mas nada de colos que isto de colo da mãe não se troca por nenhum ramo de árvore! Foi uma emoção muito linda!
Espero que o avô me faça chegar o registo fotográfico do momento!!!! Obrigada Stela, por te ter roubado um bocadinho ao teu ó-ó! Muito obrigada Marta, pelo teu carinho de sobrinha. Obrigada, Nelson, por teres estado lá e teres levado as meninas. Espero que tenham gostado e que a Tia Árvore vos faça boa companhia!À hora do "banquete", claro!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Que honra!


Nenhum outro nome podia ser dado a um prémio que comprometesse mais quem o recebe do que este. Senti-me honrada, mas, ao mesmo tempo, temi não estar à altura de tão grande distinção: Pedagogia do Afecto.
(Pedagogia do Afecto é um termo criado pelo autor Carlos França, o qual designa as relações interpessoais de afectividade em sala de aula. Resumidamente é a introdução no processo educativo, de teorias e técnicas que façam prevalecer a amizade, a ternura, o toque afectivo, o respeito mútuo, etc. A importância da educação emocional é fundamental, para que não se criem no futuro indivíduos altamente intelectualizados (cognitivos) e com baixo equilíbrio psicológico.)aqui
Lembrei-me então do que disse um dia um professor, um colega, um amigo, a escassos dias de atingir o limite de idade para dar aulas: Não precisamos de boas cabeças. Já temos muitas. Precisamos de bons corações.
Obrigada, Isabel, pela consideração que revelas ter por mim! Se calhar eu ainda não mereço. Vou tentar merecê-lo!

SMS

I have gone to bed mad... I have gone to bed glad...I have sometimes even gone to bed sad... but I can never go to bed without wishing u good night!!!
Banco de SMS:aqui

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Lisboa também é uma lição!

É a conclusão a que eu já tinha chegado, mas não da maneira como a entendi hoje, ouvindo o "Arqueólogo de Serviço"da Associação dos Amigos dos Castelos, durante mais de duas horas, ao mesmo tempo que percorríamos os lugares de que falava com a tal "paixão" dos "cacos fantásticos" que lhe ensinaram o que é que esteve ali, mesmo por baixo dos nossos pés. Essa paixão fez parar a chuva permitindo que a Lição acontecesse, sem uma pinga sequer. Mas antes, minutos antes,choveu a cântaros, tantos que o Rossio estava triste, mesmo sabendo que, logo ali em baixo, houve há muitos tempos, tantos que eu nem sei contar, um Circo Romano.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Adeus, Mês de Janeiro!

O Mês de Janeiro despede-se do calendário com céus cinzentos, com ventos antipáticos e chuva,com muita chuva.
Mas a sábia Natureza começa já a dar sinais de querer trazer de volta o verde das árvores. Pelo menos, é o que acontece com os galhos secos das árvores da minha rua que ameaçam, com os seus quase imperceptíveis botões verdes, matar a tristeza destes dias de Inverno.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

As minhas dúvidas sobre o caso...

Freeport!
Como é que se pronuncia correctamente a palavra Freeport?
Será "fripór"? Ou será "friport"?
Dúvidas não tenho eu sobre a tranquilidade que vizinha o "caso", sobre a verdade de um rio que resiste à modernice da intriga pouco palaciana dos corredores do poder e renova a sua fauna, para espanto de todos os que vaticinam a morte dos elegantes flamingos e seus pares...Um rio que se envolve com a terra das margens, salgando-as de beleza ímpar. Um pouco além, fica o Freeport e a minha grande dúvida: será que se diz assim ou assim?

sábado, 24 de janeiro de 2009

A mais bela estação

Pensei, sem pensar muito, que se tratava de uma estação do ano. À minha pobre cabecita, atolada de "objectivos", não ocorreu que podia tratar-se da lindíssima estação de comboios da minha cidade.
(Mais uma vez te traí, minha cidade! Eu devia ter pensado logo, devia ter-me lembrado logo de ti, cidade, que guardas a memória dos meus sonhos adolescentes, que guardas ainda a minha esperança de futuro.)
Mas, depressa varri da consciência estes inúteis remorsos que só crescem porque eu deixo, porque me fazem companhia. Depressa deixei que uma saudade mais benigna tomasse conta da memória dessa estação e percorri dentro de mim o cais imenso. É mesmo um cais de partir e de chegar.
Assomei à janela de um desses comboios não menos emblemáticos do tempo e acenei.
Um dia hei-de aí voltar, minha cidade!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aqui há inocência com I grande

O João estava triste. Para além dos olhos, a tristeza inundava-lhe todo o semblante e até o corpo franzino, que parecia não aguentar o seu próprio pouco peso, se encostava a uma coluna do telheiro que liga as várias salas de aula.
A professora passou por ele e, não podendo deixar de tropeçar na tristeza que estava ali, no meio do caminho, para ser "notada" por todos os que passassem, perguntou-lhe:
- O que é que tens, João?
- Foi o Pedro e o Miguel! Fizeram batota a jogar ao berlinde.
À laia de conforto, a professora convidou o João a entrar na sala e a esquecer os berlindes e a batota.
No fim da aula, o João foi ter com a professora e segredou-lhe, em jeito de lembrete, como se tivesse havido uma promessa de intervenção para repor a justiça transviada naquele jogo de berlindes:
- Não se esqueça de falar com eles, por causa do berlinde...
Imagem- Getty Image (modificada pelo Photoshop)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Notícias que não me passam ao lado

Pelo contrário: estilhaçam a barreira das emoções mais minhas, aquelas que nem às paredes devo confessar, para não passarem para lá dos limites de segurança.
Uma delas foi, sem dúvida, a da menina que nasceu "livre" do gene do cancro da mama. Fico feliz, pois o cancro da mama aparece em mulheres cada vez mais novas e isso dói muito na condição de mulher-mãe. A idade jovem da mulher é importante, não só pela juventude e saúde do seu corpo, mas também pela maternidade e tudo o que envolve este milagre que é dar à luz um filho. Ou dois ou três, ou seja lá quantos forem. Mesmo importado "via-coração", a mulher jovem precisa de ter o corpo livre desta ameaça, para poder sonhar o futuro dos seus filhos. Claro que eu falo dos medos que eu tinha quando era nova e os meus filhos eram pequeninos e tão meus, tão meus, que os achava absolutamente intransmissíveis. Por isso, esta notícia acertou em cheio no meu coração!
A outra notícia que me fez tremer foi a de uma jovem, ex-atleta, grávida que foi vítima de hemorragia cerebral e a quem foi possível fazer o parto mesmo depois da sua própria vida ter terminado. Como dizia Mia Couto, num dos seus belíssimos contos: naquele corpo, a vida fez horas extraordinárias. Dizem que a literatura é ficção. Ali estava pois a prova de que a literatura pode antecipar a realidade!
E finalmente a notícia que fez correr mais tinta, que gastou mais luz no mundo inteiro. A felicidade do menino Cristiano Ronaldo. Quem estava ali, perante os nossos olhos, num palco do mundo, era um menino feliz. Naquele momento não havia Ferraris nem Bugattis, nem Mourinhos, nem milhões! Havia, sim, a emoção sincera de um menino.
Sim, que uma Pessoa nem sempre é de ferro!Ao lado, passei eu deste Pessoa em bronze, no momento exacto em que uma menina brincava com o pé do poeta num alheamento poético, digno da pessoa ali esculpida, digna da poesia que a vida também tem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Davam grandes passeios aos domingos

Davam grandes passeios aos domingos... É uma obra de José Régio! E é também a realidade de muita gente. Sempre foi. Lembro-me da volta dos tristes, antes da ditadura dos Centros Comerciais.
(Eu até gosto da voltinha num Centro. É do género do carrossel: sobe e desce, sobe e desce, só que, em vez de cavalinhos de todas as cores e brilhos, sobe-se e desce-se a escada rolante...)
Hoje fui dar um desses grandes passeios domingueiros: visita ao Palácio Nacional de Sintra. Sobre o valor histórico e sobre a beleza dos espaços que são visitáveis, está tudo dito por aí. O que realmente me deslumbrou hoje foi Sintra, mesmo Sintra, a Sintra que avistei das janelas, da Sintra que nos esperava, verde, verde, verde!
Sintra é "inigualável", disse-o Hans Christian Andersen.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

É para já!

Tenho de ir pôr a minha cabeça a lavar. Ou pelo menos a limpar a seco. Está cheia de lixo! Burocrático!
Acho que estas nódoas não são facilmente elimináveis!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Regresso do MEC

O MEC é uma referência da minha geração. Digo minha, porque os respeitáveis dois ou três anos que os meus cinquenta levam de avanço em relação aos dele me dão essa autoridade de me auto-infligir a "matura idade". Até porque eu envelheci. O MEC, não!
Ele mantém a linha da irreverência que funciona, quando bem usada, como elixir da juventude. Claro que falo de uma juventude de pensamento. O MEC está gordinho, tão gordito, que já nem se notam tanto as orelhitas de abano!
Foi por causa do MEC, que eu me perdi para sempre nos caminhos da net. (Ironia!) Fui ao consultório do Doutor Pastilhas e fiquei dependente deste acesso fácil, muito imediato, ao bem-estar.(Sem ironia!)
O MEC voltou com uma publicação em memória das noites da Má-Língua. As conversas com os outros maldizentes militantes foram gravadas pela TSF, presumo que nos seus estúdios e ouvi-los, neste caso, é bem melhor do que lê-los. A versão áudio conserva os tiques, a pronúncia do norte do Manuel Serrão que se perdem na versão escrita.
Quanto às crónicas do MEC, ontem, já tropecei numa, no Público, sobre a Bimby, "autêntico antepassado da cozinha de autor"! Hoje, outra crónica com alguma verdades em que o MEC denuncia, com o estilo habitual, as personalidades inconsistentes que se escondem atrás de algumas modas sociais.
Eu continuo fã do MEC. Irremediavelmente!
Vou guardar no meu baú estas crónicas!

domingo, 4 de janeiro de 2009

A não perder

Numa Lisboa perto de si, num rio perto de si, numa margem de Lisboa...
A beleza das colunas, uma beleza simples, sem artifícios, onde até as gaivotas se sentem em casa...
A esta beleza junta-se a beleza do deslumbramento de quantos querem ver o lugar que tem a sua história guardada no limo das pedras, que as protege da erosão do esquecimento.
Amanhã, o cais das colunas será novamente vendado aos olhos dos que o procuram, por acaso ou com intenção de guardar esta memória de Lisboa.

Provérbio fotografado

Uma geração planta a árvore e outra recebe a sombra.(Provérbio chinês)
A geração que plantou a árvore está a sair de cena. Sai ainda com a dignidade do seu próprio passo. Quem nos dera a todos esta felicidade!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Provérbios aplicados


Por muito longa que seja a noite, a manhã chegará!
Este é, dizem, um provérbio africano.
Como todos os provérbios que se prezem, a verdade contida é contestável.
Mesmo assim, parece-me que a sabedoria popular prevalece sobre uma desmontagem lógica.
Pensando bem, é melhor fixar a nossa atenção nos raios de sol que rompem a escuridão das noites.
É preferível não resistir ao calor do primeiro sol que nem sequer é pernicioso!
É preferível não nos deixarmos seduzir pela magia da noite!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ainda a sair o ano

Efeito B.B.
Baptista Bastos. Não confundir com Brigitte Bardot!
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.
Pena eu já ter escrito sobre o "assunto". Subscrevo os sonhos do B.B.
O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
Se eu tivesse poder para inventar um ritual, arranjava maneira de atirar ao mar o ano velho e ir buscar ao mar as boas energias para o ano novo.
Nem sempre o corpo me pede mar, mas os olhos sim! Sempre!

Sair do ano

O calendário condiciona incontornavelmente as nossas emoções.
Não consigo abstrair-me da data carregada de simbolismo, pela possibilidade meramente teórica e virtual de uma mudança.
Para melhor, só admito!
De uma mudança para o desconhecido que vai ser suportado por um outro calendário, com os mesmos meses, com os mesmos dias, com as mesmas datas festivas. No meio de tantos "mesmos", apenas nós, cada um de nós, não seremos os mesmos.
Inventaram-se rituais, uns mais exequíveis do que outros, para recomeçar a contagem do novo ano com o tal espírito positivo a que até os homens da ciência já recorrem.
Há o pé direito e o esquerdo. Rapidamente estes dois pés começaram a ser conotados com opções ideológicas e essa sugestão foi abandonada, pois o planeta corria o risco de entrar sempre coxo num ano novo. Há sempre a hipótese dos dois pés que se consegue com um salto.
Cá por mim, não vou nisso; prefiro entrar "no" ano novo, com os dois pés no chão.
Com os dois pés sãos, sem calos, nem artroses, nem joanetes, nem apertos de sapatos de festa. Dois pés livres para percorrer a caminhada dos dias de 2009.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ai Pai Natal, Pai Natal!

Agora que descobri onde moras, tenho vontade de me meter ao caminho e ir até Korvatunturi , para que saibas que foste a causa da primeira desilusão da minha vida.
Tinha seis anos e, naquele ano, como nos outros, tinha desejado um brinquedo daqueles que dá para antecipar a vida: um boneco que era tal e qual um bebé.
Nunca tinha sequer duvidado da tua existência. Duvidava apenas da tua pontualidade e pensava que talvez fosses um ser pouco sociável. Chegavas sempre tão tarde, tão tarde que eu nunca tinha conseguido parar o sono para te encontrar e para falar contigo! Lembro-me de combater o sono nas noites de vinte e quatro, depois de ter posto o sapatinho, na cozinha, ao pé do fogão...
Naquele ano, a minha mãe, para acalmar a minha ansiedade, resolveu antecipar a tua chegada. Faltavam ainda uns dias para o Natal e a minha prima Olga tinha vindo da África do Sul, para passar aqueles dias connosco.
O meu pai estava em Lisboa e a ausência dele magoava, sobretudo naqueles dias. Marcámos uma chamada telefónica para Lisboa, mas como não tínhamos telefone, tínhamos de ir a casa dos vizinhos de cima, os senhorios, e esperar que uma operadora da Marconi estabelecesse a ligação.
À hora combinada, lá fomos e tudo aconteceu muito rápido e muito caro: três minutos, cento e vinte escudos. Não deu para nada que se parecesse com matar saudades. Foi mais um reforço de saudade do que a sua liquidação. Mas o nosso dinheiro não dava para mais!
Para além deste telefonema, o Pai Natal passou pela Rua dos Velhos Colonos, a meio da tarde, num carro pouco parecido com o seu habitual trenó puxado por renas. Disseram-me. Eu não vi, claro! A minha prima Olga é que me garantiu que ele tinha passado, cheio de pressa, num carro vermelho, sem capota, para deixar o presente. Tinha tanta pressa que nem esperou que eu saísse da garagem onde estava a brincar com as bonecas "velhas". A pressa, eu não estranhei. Na mentira, acreditei piamente.
O pior foi a reacção de uns quantos mais crescidos que troçaram descaradamente da minha ingenuidade.
Mas o que me doeu mesmo mais foi ter perdido essa ilusão!Ter perdido, talvez para sempre, a capacidade de me iludir!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Outros sentidos de Natal

À medida que a vida vai avançando, há que resgatar algum sentido das festas.
A magia pode esvair-se por entre as imensas preocupações que a vida traz, inevitavelmente, a todos. Ninguém escapa à realidade dos problemas de saúde! Ninguém escapa ao desencanto e à desilusão dos dias que vamos vivendo. Ninguém pode contornar a sensação de injustiça, que sobrevém à fome e às doenças dos mais pobres, dos mais indefesos, dos mais novos e dos mais velhos. Ninguém suporta bem o sentimento de impotência que nos tolhe a esperança da solidariedade possível. Por mais voltas que se dê à ideia do Natal todos os dias, há este vinte e cinco em que o Dia se faz sentir nas ruas vazias, no recolhimento próprio da festa e do frio...
Onde está o Natal da nossa infância? A certa altura, em que o julgávamos também perdido, reapareceu trazido pela infância dos nossos filhos, mas até esse nos abandonou. A solidão toma conta de nós nestes dias, em que a televisão e a rádio gritam belas músicas de natal, agitando a nossa consciência da realidade. Parece-nos ouvir a cada instante um pedido de socorro: Salvem o Natal!
O meu, ontem, salvou-se na tranquilidade do jantar possível num restaurante inglês, em Albufeira.
(Não há restaurantes abertos, praticamente, no dia de Natal!)

domingo, 21 de dezembro de 2008

O brinquedo...

É a brincar que a gente aprende, dizem alguns doutores das grandes coisas pequenas.
Tentemos mexer nesses mágicos objectos pequenos que não cresceram connosco porque a fantasia que lhes corre no trapo, na lata ou na madeira não se metamorfoseia, de uma vida para a outra, em coisas a sério que só fazem é parar o mundo.
Um soldadinho de chumbo nunca matará. Ele será apenas e só um fiel guardião da paz verdadeira!
Deixemo-nos tocar uma vez mais pela verdade dessa fantasia!
E que seja eterno o nosso pião!E foi assim, à espreita da magia da época, que a magia da Nini e da Graciete tocou e aqueceu os corações desprevenidos de quem visitou "os brinquedos" no Palácio da Independência, em Lisboa, neste Dezembro tão frio...
Foto-quadro da Nini

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Recado para o Rui

Pode parecer esquecimento, mas não é. E vou provar que não é esquecimento.
O programa mágico para brincares com a tua neta está aqui.
Quase no fim da página estão duas versões: uma é o programa principal e outra é "mais brincadeira".
Diverte-te com a Madalena!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um adeus ao Escritor

A consciência da complexidade de viver leva-me a pôr de parte as amarguras e as melancolias metafísicas, diz o autor de O Tecido de Outono, Alçada Baptista. Escreve o Escritor. Decide o homem que amava a vida acima de tudo e que sabia expressar, com a naturalidade de um filósofo, a sua inquietação interior. O corpo não lhe dava sossego à alma e a alma, por sua vez, não lhe dava sossego ao corpo. Por isso dizia, ou melhor, escrevia: entre a satisfação do desejo e a culpa vai um pequeno intervalo.
Ficarei sempre grata ao Escritor ter aliviado o meu próprio sentimento de culpa,mostrando o quanto ele é incontornável no homem de um certo tempo.
O romance "Tecido de Outono" tocou-me de um modo muito diferente dos outros que li, como a Tia Suzana, Meu Amor ou Catarina Ou o Sabor da Maçã. Talvez por o ter lido numa altura em que começava já a inquietar-me a proximidade desta estação da vida.
Filipe (o homem, personagem central, narrador) casa com Matilde paar alcançar a felicidade abençoada, mas persegue a não-abençoada também com Bárbara. Até porque a felicidade é volátil e invisível a distâncias pequenas, busca-se incessantemente. Não se chega. Não se tem. É como a linha do horizonte. É sempre longe, mas está sempre lá. O casamento com Matilde acaba. E a ligação a Bárbara fortalece-se inexoravelmente, pelo que é e pelo que representa: o amor com algum pecado, com alguma culpa, sem consentimento social, interminável, sem ser definitivo ou sequer duradouro. E enquanto Bárbara dá largas ao seu instinto humanitário em Moçambique, Maria, por perto, aconchega-lhe a alma e o corpo. E ainda chega a vez de Eugénia, antes do Outono que não perdoa, tempo em que não há lugar para paixões primaveris arrebatadas. É o senso comum a impor-se. E o vazio também. E Deus ali à volta. “A certa altura da vida, parece que Deus nos fica como única alternativa para enfrentarmos a nossa solidão.”
Mas Matilde ainda lá está, para partilhar o calor de Cabo Verde e o calor que o Outono guarda do Verão. Desta vez fora “das normas e das leis”. Afinal "o Tecido de Outono" é um registo de sensualidade, um apelo à vida, uma desconstrução bela mas simples da ideia do Outono sombrio e triste.
O Inverno está aí a chegar, Escritor, mas as "folhas" que nos deixou estão verdes de esperança e não há chuva nem vento que lhes tire o sabor a vida!