segunda-feira, 18 de maio de 2009

The moments after

E se eu não tivesse sido promovida de aplicadora suplente a aplicadora efectiva?
Teria perdido aqueles momentos em que declamei frases que eu jamais teria sido capaz de inventar e muito menos de adaptar à situação. Por isso, agradeço do fundo do coração a quem me avisou, com elevado sentido de responsabilidade e respeito: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual."
Jamais eu ousaria interpretar frases como esta: "Agora, o que peço é que verifiquem se têm o material necessário para realizarem a prova e se este está em bom estado." Não ousaria jamais interpretar, até por falta de preparação intelectual para encontrar nesta simples frase todos os sentidos, decifrar-lhe toda a beleza, desvendar os verdadeiros referentes que podiam estar em mau estado: um lápis mal afiado, uma borracha mordida pelos nervos dos mais aflitos...
Vou confessar que olhei de soslaio para as instruções da coluna do lado que se destinava ao primeiro ciclo e não consegui entender uma diferença subtil dos dois textos, que podem, contudo, ser alvo de exigente análise, podendo eventualmente chegar-se a uma conclusão: no início da segunda parte, o aplicador pode desejar "Bom trabalho!" aos alunos do primeiro ciclo, apenas aos do primeiro ciclo! Portanto, se eu não expressei o voto de bom trabalho aos meus alunos, foi por causa do guião... Imagem daqui

sábado, 16 de maio de 2009

Estou à tua espera, ó mar!

Parabéns, Chuinguita!

Desculpa interromper o teu jogo mas só quero festejar o teu aniversário com mais um dia de idade!!! Beijinhos e muitas muitas felicidades.(Em basquetelês, como é que se diz GOOOOOOOOLO?) É isso que eu quero dizer!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

I did it my way!

Sinatra morreu há onze anos, depois de ter embalado românticamente mais do que uma geração, atravessando modas, ideias, revoluções culturais e outras, vencendo as crises e os tempos, "à sua maneira".
"I did it my way" ficou na memória de muitos, quase todos, como um hino de Sinatra, mas, na verdade, ela nasceu do lado de cá do Atlântico, no talento de Claude François, com o nome original "Comme d'habitude".
A versão inglesa/americana transformou a canção que dizia apenas respeito ao destino individual de alguém, numa canção que fala, ou melhor, canta o destino universal da humanidade. Há muitos rumores à roda dos seus passos políticos, mas disso eu não sei nada!
Só quis fazer jus à tradição deste espaço, fazendo "sair" efeméride! Quem me recordou essa "missão" foi o Nelson, num muito, muito simpático post de parabéns ao Chora Que Logo Bebes.
Ele não perde um aniversário! Era o que todos fazíamos no tempo em que éramos menos e fazíamos culto da convivência bloguística!
Todos os tempos são tempos. A blogosfera disparou para números incontroláveis e a aldeia cresceu tanto que é impossível percorrê-la a pé ou de camioneta. Só de avião! E um destes dias, só de spaceshuttle!
Voltando ao cantor das modas, eu queria mesmo era, um dia, poder dizer, como a cantiga: Regrets, I had a few...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Aniversário

5 anos! Obrigada a todos os que fazem companhia ao Chora!
O lema continua a ser: saltar o muro que me separa da Floresta, onde se pode ler o tal aviso que nos desafia a arriscar! O Chora não arrisca muito, vive no Jameh, alimenta-se de papa Maizena e tem um ADN incompatível com conflitos de grande dimensão. O maior conflito que alimento é comigo, à maneira da Ivone Silva!

sábado, 9 de maio de 2009

Parabéns, Sandra!

Foram momentos de muita emoção!
Mas há sempre alguns que, por uma qualquer razão, rasgam uma fronteira qualquer, apoderam-se de um nosso território de sentidos, absolutamente resguardado, quase inviolado...
Um desses momentos foi o abraço do filho! Ainda ontem ele era menino e agora já é adolescente e vestiu a alma e o coração a rigor, para celebrar com a mãe estes instantes únicos na vida dela e na vida de toda a família. O que me liga à Sandra é precisamente este menino agora quase crescido!
A poesia purifica as almas. Esta ideia não é minha e não me recordo agora de quem é. Talvez Sebastião da Gama, também poeta e também professor. A poesia cicatriza, mas não cura. Purifica e já é pedir muito!
O livro da Sandra abre e fecha com dor e saudade: abre com um poema à mãe e fecha com um poema ao aluno, ao João Rui, que partiu um dia, em pleno recreio da escola, em plena alegria, em plena Vida! Ninguém consegue perceber porquê! Resta à nossa ignorância o refúgio da convicção expressa no poema da Sandra: "Jamais te esqueceremos".

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ainda cá ando!!!

Espantada de existir, claro!
Mas há sempre um João Sem Medo escondido dentro de nós, pronto a enganar a frustração, depois de tomar consciência da sua incapacidade para combater a fatalidade.Assim, não vos deixeis abater pelo que vedes na imagem. Podeis andar encharcados em má disposição, mas tendes quadros interactivos, em todas as salas, de todas as escolas. Pelo menos, assim presumo. Coisas de Euromilhões, a criar excêntricos em cada esquina. Ou, nem tudo é mau! Ou ainda, nem tudo é tão mau como parece!
Agora é que a Matemática e o Latim vão entrar como o sol pelas vidraças! Sol, vidraças e Matemática, já temos. O Latim é de outras eras e a comparação não é minha. É do Eça, ou melhor, do Zé Fernandes, que a ela recorre para evidenciar a inteligência do seu amiguinho Jacinto, tão inteligente quanto triste.
Terá sido efeito secundário de papa Maizena? Também é coisa de excêntricos trazer à discussão a velha papa que requer tempo, fogão, paciência e raspa de limão, para chegar à mesa!
E os flocos de aveia que a minha mãe fazia, pacientemente, sempre a mexer a papa, não fosse aquilo pegar ou não ficar toda macia, por igual! Com um bocadinho de açúcar e canela, era melhor do que arroz-doce!
Tenho de telefonar ao Senhor Ministro, para ver se ele promove, para a próxima, os flocos de aveia, ou melhor o "porridge", como dizia a minha mãe, que tinha trazido a receita da África do Sul!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

As outras razões de Abril!

"É sempre bom recebermos um novo membro na família, ficamos com o “património” mais rico, mas ao mesmo tempo continuamos com as nossas responsabilidades de mãe…"
As palavras são da Teresa! Obrigada, Teresa!
Obrigada a todos os que de todas as maneiras contribuiram para que o dia 25 de Abril de 2009 fosse inesquecível!

sábado, 25 de abril de 2009

Vinte e Cinco de Abril

Enquanto viver, ecoará em mim o anúncio da liberdade e ligarei para sempre este dia a momentos muito importantes da minha vida, daquela que eu respiro nos meus pulmões, daquela que bate no meu coração!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia do Livro

Num desses programas da manhã, radiofónicos, claro! uma das perguntas a que os participantes deviam responder era (mais ou menos) esta: Qual foi o livro que mais o marcou? Eu sempre achei que a uma pergunta destas a resposta era mesmo múltipla, sem escolha, mas a verdade é que hoje fui confrontada com a minha resposta (eu pergunto, eu respondo, eu falo sozinha, de mim para mim, ninguém dá por nada!: Olhai os Lírios do Campo. Se foi este o livro que me assaltou a resposta é porque é esse o livro que mais me marcou.
Tudo tem uma explicação, ou pelo menos eu gosto de pensar que tem. Este foi o primeiro livro de gente grande que eu li, antes de entrar propriamente na idade grande. Marcou-me porque não o percebi, mas percebi que não o tinha percebido. E voltei a lê-lo já com os meus centímetros todos de altura. E voltei a lê-lo quando a chamada experiência da vida me segredou que o lesse...
Não fiquei com a Olívia agarrada à minha pele. Fiquei com o Eugénio, com as suas hesitações, indefinições, ambiguidades, ambições, vaidades e secretas humilhações.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aniversário

Hoje a Primavera faz um mês e a minha Tia Odete faz muitas primaveras!
Falei com ela há pouco.
Com a Tia Odete, claro! A Primavera, essa, anda fugida!)
Que bom poder falar-lhe e dizer-lhe o quanto gosto dela! Que bom ter podido dizer-lhe que ela me salvou a infância, em momentos em que a infância correu o risco de perder brilho, fantasia, poesia e todas essas boas coisas que dela fazem parte! Que bom ter arranjado maneira de dar forma a esta minha gratidão eterna! Que bom a Tia Odete ter-se reconhecido na Tia Árvore e ter-me dito, com aquele seu jeito sempre muito carinhoso, que se acha muito parecida com a Tia Árvore.
Eu fiz muitas vezes a triste figura do "versinho". Choraminguei, pensando que ninguém gostava de mim. Mas ela mostrou-me sempre que não era assim!
Obrigada, Tia Odete!

domingo, 19 de abril de 2009

Parabéns, Susan!

There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting
There was a time!

Para Susan Boyle as portas do sonho estão abertas. Perseguiu-o e apanhou-o, apesar dos risos cínicos dos que não avaliaram bem a força daquele sonho. Daqueles que nem sequer o vislumbraram numa simplicidade que os palcos da fama não conhecem (e agora sim, o sonho é outro!) nem sonham que pode existir.
Foi uma questão de segundos. Não foi preciso mais tempo para a voz da Susan rasgar todos os preconceitos!
Parabéns, Susan!A Luh bem avisou!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ainda a propósito

Ainda a propósito do Oleiro, dou comigo a pensar como a vida é fingida. Foge dos que a respiram e deixa-se eternizar na matéria.
O Oleiro era um verdadeiro professor quando os meninos das escolas o visitavam e o seu sonho era construir uma escola, dizem por , os jornais de hoje ou de ontem, já não sei bem!
Mas eu acho que sei que o cimento que ele importava de todos os que o iam visitar era o amor à arte, ao trabalho, ao valor do trabalho, o amor à aldeia e à sua vida simples.
Haja quem agora erga esse sonho!

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Homem, o Barro e as Mãos

"Será Mafra ainda o destino saloio dos Lisboetas, ao domingo à tarde?
Até lá chegarmos, há moinhos na paisagem e as trouxas na Malveira. Bem perto, a Olaria do Zé Franco! E o velho oleiro ali está, moldando as suas figuras. Oferece um copo de vinho e pergunta, com simpatia, se gostamos daquele lugar."
Estas linhas têm já a idade da razão. Mas a razão de me lembrar hoje do velho oleiro é triste. Aliás, eu não me lembrei dele hoje. Lembraram-me da sua existência e revi imagens das mãos a moldar o barro com aquela intimidade de quem trata por tu a arte e o próprio barro. Dessa intimidade nasceram figuras parecidas com o próprio mestre: grandes na sua simplicidade.imagem daqui

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A kiss is still a kiss!

Pois é! Hoje é o Dia do Beijo. Nada de confusões: hoje é o dia do beijo. Hoje não é o dia do beijinho.
O beijinho é uma manifestação de carinho e ternura, amizade e ponto final.
O beijo é muito mais. O beijo é o princípio de tudo.
(Acho que estou a escrever à MEC, sem o aconchego da sabedoria, em termos de sociologia e sem a mestria da escrita do meu ídolo dos idos gloriosos oitentas! É, de certeza, por o ler quase todos os dias no Público.)
O beijo remete-me para o Cinema Paraíso, para a colecção de beijos "à cinéfilo" que foram criteriosamente cortados, "a bem" dos "bons" costumes da época, e cuidadosamente guardados em nome de uma cumplicidade que pode e deve atravessar gerações. A Alfredo cabia a feliz tarefa de visionar filmes e o pequeno Salvatore assistia e sonhava com um amor como o dos filmes.
Lindo! Lindíssimo!
Nem que seja pela emoção feliz que me provoca a recordação deste filme, que vi e revi vezes sem conta, vale a pena celebrar o dia!
A sigh is just a sigh!...e trazer à tona o mais clássico dos pares românticos, imortalizado na tela, a preto e branco...
imagem daqui.

sábado, 11 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lugar Comum

Era uma vez... um grupinho de meninos que gostava de tocar guitarra e cantar, e, sem saberem muito bem como nem porquê, foram catapultados para um mundo de sucesso que lhes trouxe amarguras e sobretudo o fim das amizades verdadeiras, aquelas que aprendemos enquanto estamos a crescer, por fora e por dentro.
Claro que os sábios e os cultos não reconhecem nesta sinopse a história do grupo que fez a banda sonora das nossas vidas quando adolescentemente dávamos os primeiros passos de dança na vida do amor.
Mas é isto que eu sinto quando as memórias minhas se misturam com os filmes a preto e branco dos miúdos de Liverpool. Nenhum fenómeno de popularidade actual se pode comparar à dos Beatles. Foi a música, foram os sapatos-meia-bota, com elástico de lado, os fatos lisos do princípio da fama que saltaram rapidamente para os baús, as gravatas dos primeiros concertos e aparições públicas, as camisolas de gola alta, os cabelos... Os rapazes tiveram de rever critérios ou alinhavar meia dúzia de argumentos não fosse alguém chamar-lhes mariquinhas. A base de toda esta mudança não é de facto material, mas sim uma necessidade global de se vestirem novas ideias e uma nova maneira de estar na vida e no mundo.
Será que estes miúdos (chamo-lhes eu hoje assim, do alto da minha quase sexagenária idade!) estavam preparados para tanto êxito? Nem eles, nem nós, nem nunca ninguém pode estar. Há um ditado que diz que o caminho se faz, caminhando; também a mudança se faz, mudando.
O grupo acabou na Primavera de 1970. A data de hoje é indicada como data oficial.
A mudança, contudo, continuou a contar com estes cabeludos irreverentes que ficarão para sempre gravados na História da Ideias e não só.
Let it be foi o nome do albúm gravado no auge do "fim".
Para mim a letra sabe-me a tema e a lema:
When I find myself in trouble, let it be!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

(...)

Já lá vai o tempo em que Samouco e "fim do mundo" queriam dizer a mesma coisa.
Quando vim morar para o Montijo, tive de deixar de usar a figura de estilo, pois apercebi-me que o fim do mundo estava demasiado perto dos meus novos lugares. A seguir à Escola, fica o Modelo, logo a seguir a prisão e, mais um bocadinho, estamos no Samouco.
Acho que, hoje, dezoito anos depois, no meu subconsciente, a associação do Samouco ao "fim-do-mundo" permanece, como o bosquímano do filme "Os Deuses devem estar loucos", que supôs ter chegado ao fim do mundo, quando chegou a um lugar onde a terra acabava e começava o mar...
No Samouco, há um pedaço de fim de terra e de começo de água, como no filme. A diferença é que se consegue vislumbrar o que há para lá do fim do mundo...
Todas as zonas de beira-rio são especialmente bonitas e hoje apeteceu-me ir apanhar sol (um bocadinho, só!) à "praia" do Samouco.
Levava na ideia o desejo de ver flamingos, mas não estava lá nenhum.
A maré estava vazia e havia muitos "apanhadores" de ameijoas a regressar e o comércio do delicioso petisco estava já em andamento. Os baldes cheios de ameijoas fizeram-me lembrar outros lodos bem distantes, onde passei muitas manhãs de domingo a apanhar a "bela" ameijoa!
Saudades? Sim! Mas doces. Nada de amarguras.A paisagem do rio naquele fim de mundo é muito bela e enche os sentidos de boas emoções. Até as saudades ficam tocadas pela beleza do lugar.
Posso garantir que este "fim-do-mundo" vale uma visita!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Inadvertidamente

Apaguei um post sobre a esperança e o medo... Em quase cinco anos, foi a primeira vez que isto me aconteceu.
Há sempre uma primeira vez. Vou tentar, pelo menos, recuperar os comentários que guardo na caixa do correio.
Consigo recuperar também a frase que me tinha "chamado" à reflexão:"He who despairs of the human condition is a coward, but he who has hope for it is a fool", de Albert Camus.
E a reflexão andava à roda desta ideia de estarmos emparedados entre o medo e a esperança...
Recupero também a fotografia.É o mais simples!Os comentários estão aqui:
O da Isabel:De facto, somos loucos em teimar na esperança. Mas que alternativa nos resta a sermos assim loucos? Acho que o que ainda nos resta é sermos loucos.
Beijinhos, Madalena.
O da IO:Grande Mad'! beijo,uma que gosta de se pensar mais louca que cobarde...
o da Lina: A Esperança sempre!!!! Beijinhos!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Parabéns, Diogo!

Andei por aqui à procura de um presente para ti e escolhi este poema de António Gedeão, teu "colega" de profissão!
Escolhi-o porque nos coloca perante os valores que nos orgulhamos de termos sido portadores, não tanto por tentarmos ser os pais perfeitos, que não somos, mas por termos tido a sorte de viver um tempo ímpar de culto desses valores, como a liberdade, ou melhor, as liberdades: a de escrever, a de falar e a essencial que serve de esteio a todas as outras.
Se misturares a liberdade com o sonho, obténs, certamente, momentos muito perfeitos.
E esses momentos serão para viver em cheio, Diogo!
Aos teus sonhos! Aos teus desejos!Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

sábado, 28 de março de 2009

Proverbial!

Palavras, leva-as o vento!
E como hoje o vento está forte, zangado, é melhor não deixar por aqui palavras nenhumas.Deixo apenas a quietude do caminho. Não a que eu tenho, mas a que eu desejo! O sossego que permite às árvores desenharem no céu as suas copas e no chão as suas sombras, quietas, como se estivessem a dormir o sono encantado do qual apenas acordarão com o beijo do príncipe.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é o dia...

em que as árvores se encontram com a poesia, mesmo que, para isso, os versos de Camões tenham de sair do Poema Maior, às escondidas. Nisto de poesia, não há que esperar regras rígidas, nem impor normas e leis para sempre. Um "poeta é um fingidor", como diz "um" Pessoa nosso conhecido e um fingidor pode fingir tudo, até "a dor que deveras sente".Hoje é também o Dia da Trissomia 21. A todos os que foram tocados por esta condição ou qualquer outra que obrigue a ir à luta com todas as forças do coração, um abraço grande, grande!
Imagem:da Ana Sousa,do livro "A Tia Árvore".(Uma pequena montagem que será desculpada pela artista!)

terça-feira, 17 de março de 2009

Carta

Queridos José, António, Ana, Joana, Patrícia, Sofia e tantos outros, que ficaria aqui a eternidade que me resta, a escrever os vossos nomes.
Se vos perguntarem, na rua, na escola, em casa, na pizzaria, se conhecem o Magalhães, dirão logo que sim, que é pequenino e engraçadinho. Que é muito giro, em suma!
Não sei se sabem quem vos está a escrever esta carta?
É o próprio Magalhães, de quem tão pouco sabem, pois a toda a hora se fala do Magalhães, o computador e nunca se ouve falar deste outro Magalhães, o navegador.
Enfim, é só mais um dissabor a juntar ao maior que tive na vida, quando D. Manuel reprovou o projecto maior dos meus sonhos de mar: navegar, navegar, navegar, até cumprir uma volta inteirinha à terra.
Diziam que não era possível, mas eu acreditava que sim, que havia de haver passagem, por estreita que fosse. E havia mesmo! Essa passagem ficou com o nome do vosso computador. Desculpem, também já estou quase a deixar-me embalar pela máquina da propaganda! Essa passagem ficou com o meu nome: Estreito de Magalhães.
Um dos historiadores do vosso tempo afirma, com muita certeza, que o que eu queria mesmo era descobrir um caminho para as Ilhas Molucas, por mar. Andaram a coscuvilhar umas cartas que troquei com um amigo que foi para as Índias.
Fui então apresentar a minha proposta ao jovem governante do reino vizinho, futuro Imperador Carlos V, e tive mais sorte. Os meus pais eram espanhóis e o meu sonho era universal, pois isto de ser marinheiro não se explica à luz das fronteiras e dos governos. No mar falam-se as línguas todas e não se fala nenhuma. Ali, o que fala mais alto é o valor da fome, da sede, da vida. Sobreviver é preciso e a vida é um dom mais precioso do que as riquezas de mil orientes.
E sabem o que é que os reinos de Portugal e Espanha queriam destas paragens distantes? Cravo. Uma especiaria que as vossas mães e avós usam na cozinha e que os médicos e farmacêuticos também usam muito. Havia também outras especiarias, mas esta devia ser a mais preciosa, já que um dos que regressou dessa viagem em que perdi a vida, carregou o navio inteirinho com cravo.
Já ouviram falar do Oceano Pacífico? Sabem quem lhe deu o nome? Eu! Para além de ter baptizado o mar, dei também o meu nome a umas nuvens que dali se avistam que afinal são galáxias, isto é, nuvens carregadinhas de estrelas e outros astros.
Pouco tempo depois, envolvi-me numa violenta luta, nas Filipinas e não voltei mais.
Dos duzentos e cinquenta que partimos, só dezoito regressaram. É muita vida perdida.
Mas o que eu não quero mesmo, meninas e meninas das escolas portuguesas, é que percam a memória daqueles que prepararam o mundo para ti, Joana, para ti, Tiago…
Regresso agora à minha condição de personagem da História, feliz por ter contribuído para enriquecerem o vosso conhecimento.
Até sempre!
Fernão de MagalhãesCarta baseada na ideia de José Jorge Letria, que deu forma ao seu último livro, O Que Darwin Escreveu a Deus

sexta-feira, 13 de março de 2009

Caminhos da água

Vou inventar um provérbio: marido aposentado, património visitado. Qualquer "ado" rima com aposentado, mas não é fácil arranjar um que refira exactamente o que eu quero.
Desta vez, a visita foi ao Aqueduto das Águas livres de Lisboa, monumento a que os meus olhos se habituaram, no final do eixo Norte-Sul, nos acessos à Ponte 25 de Abril. A minha condição saloia vem sempre à tona do meu entendimento e embasbaco-me perante monumentos que as mãos dos nossos antepassados fizeram, pedra a pedra, muro a muro, até quase roçar o céu. Os homens mesmo,os que vieram depois de Darwin!
Já lá diz o poeta: Com mãos tudo se faz e se desfaz!
Se calha ser um fim de tarde daqueles que se têm feito sentir nos últimos dias, eu desisto mesmo de entender. Eu simplesmente aceito e deixo que a beleza das pedras recortadas no pôr-do-sol me maravilhe até à mais ínfima parcela da minha emoção.
Só que esta visita foi ainda mais estranha: andámos lá dentro, onde corria a água e outras histórias menos cristalinas que compõem o imaginário além-história!
E aqui está um desses corredores intermináveis por onde corria a água que abastecia Lisboa! Uma claustrofobia vaga impediu-me de acelerar os sentidos e deixar-me embalar pela imaginação da água a correr. Mas, mesmo assim, valeu a pena. Até porque já passou.
De pedra em pedra, de monumento em monumento, lá vou melhorando o meu próprio património de conhecimento!

quinta-feira, 12 de março de 2009

(...)

São estranhos os tempos. Estes tempos.
O Verão anuncia-se, nos fins de tarde transbordantes de uma luz aquecida pelo desejo de largar agasalhos, botas e outros acessórios, que tresandam a inverno e a dias tristes e cinzentos.
Contudo, nestes maravilhosos dias de "verão", chegam até nós as notícias mais tristes. Todas podem ser mais ou menos tristes, mas o massacre numa escola paralisa-nos.
E ainda por cima, já não é a primeira vez que esta notícia sangra aos nossos olhos!Imagem:Museu Etnográfico da Alta Estremadura,quadro de sala de aula.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O fim do princípio

É normal ouvir-se a expressão:isto é o princípio do fim. Já a expressão do avesso, digamos assim, não é tão habitual. É pois um daqueles casos em que o avesso é para ficar sempre escondido, no avesso, ponto final.
Não é certamente este o caso de Sagres, que este ano, fiquei a conhecer um pouco melhor, na sua beleza intensa, na sua natureza agreste, no seu contraste, na sua resistência a um certo tipo de turismo confortável até mais não, no seu permanente pré-aviso de guerra entre as duas forças omnipresentes: a terra, dura, escarpada, imensa, castanho-cinza, esculpida pelo vento; e o mar, intenso e azul, sempre a rugir, violento, contra as escarpas, sem nunca se cansar, sem nunca parar.
Em Sagres está o verdadeiro limite: acaba a terra, começa o mar.
Foi neste lugar dominado pelo limite e o contrário que o Infante se fixou, para ligar, para sempre o povo ao mar...O Infante D. Henrique nasceu a 4 de Março,de 1394

segunda-feira, 2 de março de 2009

domingo, 1 de março de 2009

And the winner is...

Não sei porquê, mas o Congresso do PS fez-me lembrar uma cerimónia de Óscares de Hollywood. Não, não é ironia. Claro que não estavam lá estrelas a sério! Claro que não havia glamour! Claro que não houve limusinas, nem passadeiras vermelhas! (Pelo menos não vi.) Mas havia a intenção de criar um grande espectáculo à volta do "nada", como disse o Luís Pedro Nunes, no Eixo do Mal. Para disfarçar o nada? Não sei.
O problema é que o nada não é só o grande inimigo dos nossos políticos. O nada é o maior inimigo de todos nós.
Na História Interminável, ao Nada é dada a importância que ele tem: é uma força destruidora, altamente destruidora e de efeitos devastadores quando atinge Fantasia. Ou melhor, se atingir Fantasia. O importante é salvar Fantasia do Nada!
O importante é salvarmo-nos, pormo-nos a salvo do Nada.
O que eu hoje vi na televisão foi obra do Nada: a deprimência de um espectáculo que não chega a ninguém, não satisfaz ninguém, nem os próprios protagonistas.
O momento em que Vital Moreira subiu ao palco para receber o prémio fez-me lembrar vagamente aqueles momentos em que os nomeados vêem confirmada a sua expectativa. VM quis fazê-lo, falando em surpresa, na sua realização nas várias dimensões da vida. Surpresa? Eu não acredito! Há muito que se percebe que há "namoro". Não é em vão que se apoia um PM, o que aconteceu de modo muito explícito no caso dos professores e da (nossa) luta contra esta avaliação de desempenho, que é, em si mesma, um instrumento do Nada.
E como dirá a imprensa cor-de-rosa, o primeiro ministro estava lindo, elegante e Vital Moreira, apesar de lhe levar mais de uma década de vantagem, (ou des/vantagem? Não sei bem!) não lhe ficou atrás, bem chique nas riscas pretas e brancas da camisa, sem gravata, que acentua um certo negligé q.b.
Continuo a dizer que não percebo nada de política... Nem de Óscares, pelos vistos!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O importante é...

a grelha, claro!
A avaliação dos médicos terá por base uma grelha com determinados parâmetros fundamentais.À semelhança do que acontece com os docentes, o Executivo pretende que a avaliação dos médicos passe pelo cumprimento de objectivos específicos, tal como é definido na lei que rege a avaliação da Administração Pública (66-B/2007 de 28 de Dezembro), propondo uma «confrontação entre objectivos fixados e resultados obtidos».
Ler mais aqui.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Recado ao Zeca

Pois é, Zeca. Não sei se morreste há vinte anos, há vinte dias, há mais ou menos tempo.
Sabes?, as tuas canções atravessadas de pensamento único, feito de um sentido de liberdade universal, dissolvem o tempo. Não sentimos o tempo, que ele está cheio, continua cheio, das tuas canções, da tua voz, da tua presença mais ou menos jovem, daquele teu ar inocente, indeciso entre a alegria de cantar e a responsabilidade de cantar.
Vejo hoje, nos registos dos dias, que partiste há vinte e dois anos.
Acho que não Zeca!
Acho que continuas por aqui, a ensinar, a dar-nos as verdadeiras lições da tua geografia da condição humana: nasce-se menino, com um certo destino, como o menino de Xepangara.
Essa foi a geografia que tu aprendeste na vida.
Os teus olhos olharam sempre de frente os meninos nascidos aquém dos direitos. Não só os meninos negros da África que também foi tua, pelo direito próprio de quem ama a liberdade, para além da morte, para além da vida.
"Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida"
Presença das formigas
Os teus meninos de oiro estão todos contigo a celebrar esse hino à liberdade!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Saudade

"Gone are the days when he could take me on his knee
And with a smile he'd change my tears to laughter."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Coisas

Eu sou a perfeita expressão da liberdade, aqui e agora. Fernão Capelo Gaivota-Não temes o lodo nem as pedras?
-Não. Não têm asas e eu tenho. As pedras crescem no chão. Eu estou preso ao céu e só tropeço em nuvens de algodão!
(Conversa possível com uma gaivota prima do Fernão.)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Feridas

São feridas assim que doem de verdade!
Não há nada mais injusto do que esta acusação. Eu, pelo menos, sinto-a assim e não falo só por mim. Se resistimos à guerra com o ME é por causa dos alunos.
Assim não vale!
Já agora visitem o blog da nossa Biblioteca e leiam um trabalho que vale a pena ler de uma aluna do quinto ano, sobre o Carnaval. Foi feito numa aula de Estudo Acompanhado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Proposta adiada, uma vez mais

Vamos de rio até Lisboa?
As obras do Terreiro do Paço roubam-nos a vista de Lisboa para o rio e do rio para Lisboa.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Hoje

Já levei a minha dose de pôr-do-sol!

Homenagem dupla: Galileu e Gedeão

Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce

sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.

(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.

Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.



Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…

Eu sei… eu sei…

As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!



Olha. Sabes? Lá em Florença

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está!

As voltas que o mundo dá!

Se calhar até há gente que pensa

que entraste no calendário.



Eu queria agradecer-te, Galileo,

a inteligência das coisas que me deste.

Eu,

e quantos milhões de homens como eu

a quem tu esclareceste,

ia jurar- que disparate, Galileo!

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça

sem a menor hesitação-

que os corpos caem tanto mais depressa

quanto mais pesados são.



Pois não é evidente, Galileo?

Quem acredita que um penedo caia

com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.



Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se tivesse tornado num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.



Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,

desceram lá das suas alturas

e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,

nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e descrevias

para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.



Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.

Galileu nasceu em Pisa a 15 de Fevereiro de 1564.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Coisas do Dia

A idade não te protege do amor, mas o amor, até certo ponto, protege-te da idade.
Jeanne Moreau
(Espero bem que a actriz de 81 anos tenha razão! Sempre é uma esperança!)

Encontrei a saída!

Eles não encontram a saída, porque não querem ler os letreiros.
A saída é exactamente no sentido oposto à Praça das Estrelas e à Avenida dos Oásis.
É preciso lembrar que o "problema" se situa no deserto, por isso não convém seguir palmeiras...

Uma promessa!

A Primavera já chegou à janela da minha cozinha! Abri-lhe a janela, mas ela não entrou. Um raio de sol ainda vá, mas calor, calor, isso é que nem pensar! Ela está a chegar, mas por enquanto fica à janela...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Many thanks!

Obrigada, Bruno! Para além do que já disse aí, em tua casa, vou acrescentar que ainda me sinto mais feliz por constatar que as palavras também se transformam em pontes, fazendo o que fazem as pontes: ligações! Ligam, neste caso, gerações!
Estava na sala muita gente nova como tu! Foi uma tarde para não esquecer! Obrigada pela tua contribuição: esta e a outra, a do sábado! Talvez ainda consiga convertê-las noutras palavras e se siga adiante como preconiza o "assim sucessivamente".
(eu agarrei uma de cada),dizes tu!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Começou assim...

Com a convicção da afectividade”“Sentimento e emoção"
Provavelmente não foi por acaso que os pais da Madalena tiveram tão bom gosto em escolher-lhe o nome.
Habituada que estou a pensar nela como santa, só com o título deste livro dei por mim a pensar nela como Madeleine. Sim, o bolo que Proust eternizou. Pequena vingança da autora esta agora de nos abrir o apetite com livros, como quem diz: ah, sim Mr. Marcel, agora chegou a vez da minha personificação literária, feita cozinheira de letras, autora de cardápios que não vão ficar por aqui...
É assim que, não inocentemente, nos convida a este Banquete de texto - título algo equívoco – e aqui, creio que andou a mão da Helena – pois, embora a autora avise que é de textos que se vai compor a refeição, logo o pecado da gula espreita entre os mais lambisqueiros da verdadeira comidinha aquela que as papilas gustativas fazem salivar. Mas, já dizia o velho Savarin “Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és” e assim a Madeleine/Madalena escolhe as letras de imprensa em vez daquelas deliciosas de massa a boiar na sopa... porém, nem um asceta resistiria ao que ela convida “a festa dos sentidos! Será como um casamento de sentidos, sem sentidos obrigatórios e muito menos proibidos”...
Este casamento entre literatura e comida vem de longe. O prazer de ler cruza-se com o prazer de comer no nosso imaginário, nas nossas memórias e no nosso paladar.
De Àgaton anfitrião de Platão e seus amigos a filosofar à volta de uma mesa :“ o homem deve sim consentir o prazer, mas não deixar-se corromper por este”..., a Esopo que dizia: ”um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade”, talvez gulososo porque tão moralista, De Leonardo a preparar acepipes ao Duque Milão, a Rabelais que coloca no seu gigante Gargantua quem sabe, a sua avidez, de Guerra Junqueiro que pede uma cozinheira que saiba preparar bifes cordon bleu, às ameijoas de Bulhão Pato. da magnífica canja de Eça: “cheirava que rescendia, tinha fígado e tinha moela”...ao peru recheado, os peixes temperados, as filhoses, os pudins do velho abade que aldraba três missas em La Messe de Minuit de Daudet... à Festa de Babette de Kareen Blixen, às mais recentes Afrodite de Isabel Allende ou Como Água para Chocolate de Laura Esquível que tão bem conhecem o velho ditado “Para chegar ao coração de um homem, o melhor caminho é o estômago”...tb. podemos dizer que de uma mulher, para não sermos consideradas machistas... O facto é que, como diz Annalice del Vechio, escritora brasileira quase de certeza de ascendência italiana e criada a risottos e pollentas fabulosas, “Por si só, a culinária pode ser uma experiência transcendente, mas, associada à Literatura, produziu obras-primas”.
Voltando ao Banquete da Madalena: 27 autores, 29 títulos, podemos considerá-lo mais do que um feliz guião para curiosos. Quando o livro me foi entregue, tive a intenção de o ler do princípio ao fim, porém, mal relanceando o Convite, depressa me pus a folheá-lo, atraída pelos títulos que me traziam boas memórias, avançando e recuando, perguntando por que razão teria ela feito esta sequência e não outra. Teria ela lido os livros por esta ordem?
Que importância teria isso se eu podia lembrar-me, não do ano, mas dos momentos saborosos, adjectivo que muito irá encontrar o leitor, e mesmo das conversas que ao longo de dezenas de anos, alguns destes livros nos deram a ambas.
Parece-me que dos que falámos primeiro, há quase 40 anos, foi o do Principezinho, e A Cidade e as Serras. Já na faculdade, faziam as nossas delícias as redacções da Guidinha. O Diário de Sebastião da Gama de que Lindley Cintra sempre falava aos seus alunos. Os Contos Exemplares de Sophia, Os Esteiros, os poemas e os diários de Torga. Os poemas, O Mundo dos Outros, as Aventuras de João Sem Medo, a nossa grande paixão comum e toda a obra do extaordinário escritor José Gomes Ferrreira que ainda dá nome ao nosso blogue.
Como qualquer aspirante a professor esforçámo-nos por despertar nos nossos alunos o prazer de ler... Entraram nas nossas aulas os textos de Monteiro Lobato, de que ela não fala ainda, e nos foi apresentado pela mão da Ana Maymone. O Meu Pé de Laranja Lima e Rosinha Minha Canoa do José Mauro de Vasconcelos, a Rosa Minha Irmã Madalena da Alice Vieira e os Poemas do Mário Castrim ...” Tenho uma janela virada para o mar, barcos a sair, barcos a entrar”...”Era uma vez uma menina muito meninha, três palmos dos meus, davam para medir a Joaquina de baixo acima... a Joaquina levava o almoço ao Pai” ... e por aí fora. Porém os nossos guias dos anos setenta foram os livros de Richard Bach e em Pereginação Interior Alçada Batista
Procurávamos nas revoluções jovens das nossas vidas, âncoras de sonho que nos dessem força para podermos ser boas mães, mulheres felizes, sem destinos tristes, sem deuses castigadores ...
E, não é que foram boas todas essas Ilusões? E proveitosas, pois agora estamos a navegar pela nossa própria escrita, com ramos de flores nas mãos, muitos chocolates mesmo de verdade para aquém dos livros, comunicando com Júbilo e usando a net como o telegrafista de Laura esquível...
Vá-se lá saber porquê, só nos anos 90 me lembro de ela me ter confessado quem era o seu poeta preferido: Reinaldo Ferreira E, diante da minha ignorância, ofereceu-me o livro que recebi, comovida por pertencer, realmente a um rei, tão cedo, morto.
Outros autores surgiram, outros descobrireis, e espero que outro Banquete surja também, em breve.
A Madalena insiste na arte de ensinar na sala de aulas, quanto a mim, onde ela deveria insistir era na escrita.
Transmitir as ideias que foi colhendo da vida, gozar mais esse prazer que não perdeu de ler, ler, ler, ler, e transmitir-nos esse encantamento com o dom que tem da visão, do conhecimento da alma humana e da sua interpretação, sobre ela e os livros.
Mais um repto à autora: atreve-te no Romance que os contos também andam por aí à espera que os dês para publicação.

Dos prazeres no céu

Dos prazeres no céu
Que Mahomet promete,
Não trocava sete
Só por este meu.

Ver, enquanto ceio,
Teu olhar, Suzette,
Como se reflecte
No meu copo cheio.

Assim, com certeza,
Por mais que a desdenhe,
Na vida há beleza
Enquanto há champagne.

Reinaldo Ferreira

Ana Sousa

Rescaldos

Ainda no rescaldo das emoções, dos reencontros com todos aqueles que fazem a história da nossa vida...
Como é possível que estes reencontros dissolvam nomes, apelidos, títulos, funções, profissões, responsabilidades e até maleitas?
No sábado eu "fui", outra vez, novinha em folha e sã que nem um pêro. Não houve reumático que me atacasse, nem tendinite, nem joanetes, nem varizes... Nada! Acho que até o cabelo se pintou de preto e a pele esticou.
A nossa juventude fica, de facto, inscrita num chip qualquer que o Criador instala nas barrigas das mães, de modo a ficar disponível para o nascituro, na fase certa e sempre que as condições assim o exigirem, mesmo nos últimos quarenta anos de vida.
E calha não calha, fica activo, como dizem os meninos e as meninas dos Call Centers!
E até os primeiros encontros da vida dita real activam esse chip. Encontros esses que acabam por ser reencontros de tempos também já distantes (3 anos é muito!).
Juro que estou lúcida e não bebi nada, a não ser Coca-Cola!
E para que se fique com uma ideia da abertura das festas e, a pedido de várias famílias, aqui fica o texto na íntegra da fantástica, genial, sensacional, super oradora, também escritora, também pintora, Ana Sousa, a quem, pela "convicção da afectividade" chamamos Nini!
(Para facilitar a leitura e os comentários que lhe quiserem dirigir, vou colocar o texto no "post" que se segue.)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

(...)

A Tia Árvore começou aqui, isto é, nasceu aqui.Em jeito de homenagem, de boas-vindas à Vida, dediquei-o à Stela, que ontem esteve presente a dar, por sua vez, as boas-vindas à Tia Árvore. Pressurosa, vaidosa e pestanuda, estendeu os ramos para a abraçar, pela primeira vez, mas nada de colos que isto de colo da mãe não se troca por nenhum ramo de árvore! Foi uma emoção muito linda!
Espero que o avô me faça chegar o registo fotográfico do momento!!!! Obrigada Stela, por te ter roubado um bocadinho ao teu ó-ó! Muito obrigada Marta, pelo teu carinho de sobrinha. Obrigada, Nelson, por teres estado lá e teres levado as meninas. Espero que tenham gostado e que a Tia Árvore vos faça boa companhia!À hora do "banquete", claro!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Que honra!


Nenhum outro nome podia ser dado a um prémio que comprometesse mais quem o recebe do que este. Senti-me honrada, mas, ao mesmo tempo, temi não estar à altura de tão grande distinção: Pedagogia do Afecto.
(Pedagogia do Afecto é um termo criado pelo autor Carlos França, o qual designa as relações interpessoais de afectividade em sala de aula. Resumidamente é a introdução no processo educativo, de teorias e técnicas que façam prevalecer a amizade, a ternura, o toque afectivo, o respeito mútuo, etc. A importância da educação emocional é fundamental, para que não se criem no futuro indivíduos altamente intelectualizados (cognitivos) e com baixo equilíbrio psicológico.)aqui
Lembrei-me então do que disse um dia um professor, um colega, um amigo, a escassos dias de atingir o limite de idade para dar aulas: Não precisamos de boas cabeças. Já temos muitas. Precisamos de bons corações.
Obrigada, Isabel, pela consideração que revelas ter por mim! Se calhar eu ainda não mereço. Vou tentar merecê-lo!

SMS

I have gone to bed mad... I have gone to bed glad...I have sometimes even gone to bed sad... but I can never go to bed without wishing u good night!!!
Banco de SMS:aqui

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Lisboa também é uma lição!

É a conclusão a que eu já tinha chegado, mas não da maneira como a entendi hoje, ouvindo o "Arqueólogo de Serviço"da Associação dos Amigos dos Castelos, durante mais de duas horas, ao mesmo tempo que percorríamos os lugares de que falava com a tal "paixão" dos "cacos fantásticos" que lhe ensinaram o que é que esteve ali, mesmo por baixo dos nossos pés. Essa paixão fez parar a chuva permitindo que a Lição acontecesse, sem uma pinga sequer. Mas antes, minutos antes,choveu a cântaros, tantos que o Rossio estava triste, mesmo sabendo que, logo ali em baixo, houve há muitos tempos, tantos que eu nem sei contar, um Circo Romano.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Adeus, Mês de Janeiro!

O Mês de Janeiro despede-se do calendário com céus cinzentos, com ventos antipáticos e chuva,com muita chuva.
Mas a sábia Natureza começa já a dar sinais de querer trazer de volta o verde das árvores. Pelo menos, é o que acontece com os galhos secos das árvores da minha rua que ameaçam, com os seus quase imperceptíveis botões verdes, matar a tristeza destes dias de Inverno.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

As minhas dúvidas sobre o caso...

Freeport!
Como é que se pronuncia correctamente a palavra Freeport?
Será "fripór"? Ou será "friport"?
Dúvidas não tenho eu sobre a tranquilidade que vizinha o "caso", sobre a verdade de um rio que resiste à modernice da intriga pouco palaciana dos corredores do poder e renova a sua fauna, para espanto de todos os que vaticinam a morte dos elegantes flamingos e seus pares...Um rio que se envolve com a terra das margens, salgando-as de beleza ímpar. Um pouco além, fica o Freeport e a minha grande dúvida: será que se diz assim ou assim?