As minhas razões para não votar PS nestas eleições prendem-se sobretudo com a qualidade humana dos candidatos.
As pessoas não contam mesmo.
"E o povo, pá?"
"O povo quer dinheiro para comprar um carro novo!"
E parece que o mundo gira à volta do carro novo, da conta bancária, das férias de sonho... Como se para se ser feliz bastasse ganhar a montra do Preço Certo!
E a segurança, pá? E a saúde, pá? E a cabeça sossegada, pá? É tanto pá, tanto pá, que nem dá para pôr aqui tudo.
Todos os dias me lembro do célebre mandamento, emblemático da vitória do ideal de igualdade: "Todos os animais são iguais"; e da alteração sofrida ao ser convenientemente acrescentado de um outro conceito protector de uma classe dominante: "mas alguns são mais iguais do que outros."
Tal como o Burro Benjamim eu também sei ler tão bem como os mais iguais.
E, desta vez, não voto neles!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Parabéns, Jorge!
Nada podia vir mais a propósito! Um puzzle!
Vinte e quatro mil peças! Nome: Vida.
Ainda por cima chamam-lhe um desafio!
Muitas vezes tenho feito a comparação da vida, da tua, da minha, da nossa, com um puzzle. A sorte tem sido encontrar sempre a peça certa e o lugar certo no imenso puzzle que é mesmo a vida de todos nós. Acredito na sorte! Não sei se fica bem acreditar! Não é por isso que delego mais no acaso e devia fazê-lo!
Só não acredito em euromilhões e coisas assim e por isso não jogo.
Prefiro pedir à Sorte que nos traga saúde e vou andar de nariz no ar, a ver se encontro uma cegonha que nos traga um neto. Até lá, teremos o Bali, para treinar a paciência e o puzzle para nos inspirarmos. Ele há astros, animais, balões de ar, corais, peixes e um farol, um arco-íris e muito mais.
Parabéns, Jorge!
Vinte e quatro mil peças! Nome: Vida.
Ainda por cima chamam-lhe um desafio!
Muitas vezes tenho feito a comparação da vida, da tua, da minha, da nossa, com um puzzle. A sorte tem sido encontrar sempre a peça certa e o lugar certo no imenso puzzle que é mesmo a vida de todos nós. Acredito na sorte! Não sei se fica bem acreditar! Não é por isso que delego mais no acaso e devia fazê-lo!
Só não acredito em euromilhões e coisas assim e por isso não jogo.
Prefiro pedir à Sorte que nos traga saúde e vou andar de nariz no ar, a ver se encontro uma cegonha que nos traga um neto. Até lá, teremos o Bali, para treinar a paciência e o puzzle para nos inspirarmos. Ele há astros, animais, balões de ar, corais, peixes e um farol, um arco-íris e muito mais.
Parabéns, Jorge!
domingo, 20 de setembro de 2009
Que nem eu!
Hoje é que eu vou chorar que nem uma madalena. A minha priminha já está a "voar". Deve estar para os lados da França e daqui a uma hora aterra aqui, em Lisboa. Todos os lugares comuns do mundo são insuficientes para descrever o que se sente quando não se vê alguém que nos pertence há quase quarenta anos!!!!! Estou que nem posso, como diz o rapaz do Freeze! Mas o que eu preciso mesmo é de uma dúzia de lexotans porque vai ser um Tejo de lágrimas....
Veremos. Eu depois conto!
Veremos. Eu depois conto!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Parabéns, filho!
O dia dos teus anos é um dia especial! Os dias dos anos dos meus filhos são especiais. Mudaram a minha condição! Acrescentaram muita responsabilidade à minha vida.
Sei que é embaraçoso dizer ou ler coisas que só fazem sentido na roda dos amigos e da família, mas tornou-se tradição deixar aqui umas palavrinhas sobre os dias de anos. Não vou alongar-me, nem "esticar-me", como vocês dizem agora.
O que hoje sinto, e pode ser dito aqui, é que há uma enorme compensação em chegar a esta etapa da vida: a alegria de vermos os nossos filhos continuarem, com os aperfeiçoamentos possíveis, o nosso projecto de vida!
Parabéns, filho! Que tenhas muitos dias felizes!O meu coração pede que tenhas todos, mas sei que isso não é possível. Muitos, já é bom!
Foto tua publicada aqui.
Sei que é embaraçoso dizer ou ler coisas que só fazem sentido na roda dos amigos e da família, mas tornou-se tradição deixar aqui umas palavrinhas sobre os dias de anos. Não vou alongar-me, nem "esticar-me", como vocês dizem agora.
O que hoje sinto, e pode ser dito aqui, é que há uma enorme compensação em chegar a esta etapa da vida: a alegria de vermos os nossos filhos continuarem, com os aperfeiçoamentos possíveis, o nosso projecto de vida!
Parabéns, filho! Que tenhas muitos dias felizes!O meu coração pede que tenhas todos, mas sei que isso não é possível. Muitos, já é bom!

Foto tua publicada aqui.
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Leia-se o pensamento de Sena...
... que chega hoje ao país que lhe deve a guarda desse sentimento de ser português, no limite de todas as verdades, quando nada mais lhe restava senão a própria liberdade de pensar e dizer essas verdades.
Nas cartas que escreveu a Sophia podemos ler a inquietação sossegada de quem nada espera. "Soube-me sempre a destino a minha vida", diz o poeta.
Prestemos-lhe a justa homenagem, no dia em que se cumprem trinta anos da sua morte.
"Nunca imaginei que a P(IDE). se tentasse com os meus autógrafos... Resta-nos a consolação de pensarmos que ficaram sabendo o que já sabiam ou o que até bom seria se soubessem. A minha posição política continua inalterável: não tenho e não terei nunca ( a menos que me filie em mim mesmo), filiação partidária. Penso que a unidade de todos é a suma necessidade; mas reconheço que é impossível lidar com a mediocridade invejosa, que é a dos nossos políticos, desde a clandestinidade em que mesmo no exílio se comprazem os comunistas, até ao Palácio de São Bento. Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele. Mas sabe que não há maneira fácil? Eu, por exemplo, tenho feito por comportar-me como brasileiro em tudo, o que a minha vida oficial me impõe aqui: eu sou Funcionário do Estado, assessor do Ministério da Educação (constará aí que se me deve que a Literatura Portuguesa seja obrigatória em todos os cursos superiores de Letras?), figura pública de mérito reconhecido. Isto sem abdicar de ser o português, que ninguém é mais do que eu. Pois só consigo ser suspeita todo o mundo: aos olhos dos "exilados" porque me abrasileirei, quando eles se recusam a tomar conhecimento do país em que vivem e do que vivem; e aos brasileiros (não aos meus amigos, é claro), porque sou um agente temível de "portugalidade".
Nas cartas que escreveu a Sophia podemos ler a inquietação sossegada de quem nada espera. "Soube-me sempre a destino a minha vida", diz o poeta.
Prestemos-lhe a justa homenagem, no dia em que se cumprem trinta anos da sua morte.
"Nunca imaginei que a P(IDE). se tentasse com os meus autógrafos... Resta-nos a consolação de pensarmos que ficaram sabendo o que já sabiam ou o que até bom seria se soubessem. A minha posição política continua inalterável: não tenho e não terei nunca ( a menos que me filie em mim mesmo), filiação partidária. Penso que a unidade de todos é a suma necessidade; mas reconheço que é impossível lidar com a mediocridade invejosa, que é a dos nossos políticos, desde a clandestinidade em que mesmo no exílio se comprazem os comunistas, até ao Palácio de São Bento. Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele. Mas sabe que não há maneira fácil? Eu, por exemplo, tenho feito por comportar-me como brasileiro em tudo, o que a minha vida oficial me impõe aqui: eu sou Funcionário do Estado, assessor do Ministério da Educação (constará aí que se me deve que a Literatura Portuguesa seja obrigatória em todos os cursos superiores de Letras?), figura pública de mérito reconhecido. Isto sem abdicar de ser o português, que ninguém é mais do que eu. Pois só consigo ser suspeita todo o mundo: aos olhos dos "exilados" porque me abrasileirei, quando eles se recusam a tomar conhecimento do país em que vivem e do que vivem; e aos brasileiros (não aos meus amigos, é claro), porque sou um agente temível de "portugalidade".
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Corrente de olhos, ouvidos, nariz, pele... Gostar!
Um selo de apurar os sentidos...
Regras:
*Exibir o selo

*Indicar o link do blog de quem o recebi
Ela é a Graça propriamente dita!
*Indicar outros 5 blogs:
A Pitucha que dá cor ao Cinzento;A Chuinga que mastiga mas não deita cá para fora as utopias que ainda lhe/nos faltam;o Miguel, o indescritível!a Isabel, a Prof das memórias livres;o Bruno, que mergulha em talentos profundos para nosso prazer!
Para dizer a verdade, todos me apuram os sentidos.
Sobre os cinco sentidos que a Graça pede, aí vai!
*Dizer qual o sentido que melhor me descreve:
Não consigo decidir. Sinto tudo com os sentidos todos e só assim as sensações se transformam em emoções.
*Para cada Sentido responder às perguntas:
- Audição: Qual o som que mais gostas de ouvir?
Voz de criança.
-Visão: Qual a tua imagem favorita?
O mar.
-Tacto. O que mais gostas de sentir na pele?
Outra pele.
-Paladar: Qual o teu sabor favorito?
Sal
-Olfacto: Qual o cheiro que te faz bem?
o cheiro da água.
Regras:
*Exibir o selo

*Indicar o link do blog de quem o recebi
Ela é a Graça propriamente dita!
*Indicar outros 5 blogs:
A Pitucha que dá cor ao Cinzento;A Chuinga que mastiga mas não deita cá para fora as utopias que ainda lhe/nos faltam;o Miguel, o indescritível!a Isabel, a Prof das memórias livres;o Bruno, que mergulha em talentos profundos para nosso prazer!
Para dizer a verdade, todos me apuram os sentidos.
Sobre os cinco sentidos que a Graça pede, aí vai!
*Dizer qual o sentido que melhor me descreve:
Não consigo decidir. Sinto tudo com os sentidos todos e só assim as sensações se transformam em emoções.
*Para cada Sentido responder às perguntas:
- Audição: Qual o som que mais gostas de ouvir?
Voz de criança.
-Visão: Qual a tua imagem favorita?
O mar.
-Tacto. O que mais gostas de sentir na pele?
Outra pele.
-Paladar: Qual o teu sabor favorito?
Sal
-Olfacto: Qual o cheiro que te faz bem?
o cheiro da água.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Regressos
Entre abraços, beijos e outros sorrisos mais ou menos formais, mais ou menos verdadeiros, o regresso vai tomando forma, vai-se consolidando, vai-se apoderando das peles morenas que dentro de dias voltarão ao branco sujo dos dias normais.
Por fora, é assim! Por dentro, também!
Cá dentro, há emoções que nos tingem a alma de brilhos que não se dissiparão tão cedo. Cá dentro, guarda-se a saudade bem guardada, não vá ela transbordar e perder-se também no buliço do regresso... Também ela brilha! Também ela dá sentido aos dias normais!!!!
Por fora, é assim! Por dentro, também!
Cá dentro, há emoções que nos tingem a alma de brilhos que não se dissiparão tão cedo. Cá dentro, guarda-se a saudade bem guardada, não vá ela transbordar e perder-se também no buliço do regresso... Também ela brilha! Também ela dá sentido aos dias normais!!!!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Incertezas de um regresso
As férias estão a acabar e o trabalho está quase de regresso.
Noutros anos, a ideia do novo ano lectivo entusiasmava-me, criava em mim a expectativa das coisas boas e até a ideia da rotina me seduzia.
O ano passado mudou-me e agora dou por mim desalentada, a pensar que não me apetece nada passar por tudo outra vez, sobretudo pela experiência de avaliadora. As imposições de procedimentos, que não contribuem minimamente para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, deixaram-me uma nódoa negra na minha consciência profissional.
Tive de aceitar entrar na "guerra" para não "morrer". Fiz o que tinha de fazer com a má consciência de estar a trair tudo e todos, e sobretudo a mim mesma, pois se eu tivesse ainda dois dedos de ideal, “mandava tudo dar uma volta” e suportava as consequências. Mas não, já não tenho ideal que chegue para tanto. Subjuguei-me ao poder instituído. Sucumbi.
Como é que eu vou passar por tudo outra vez? Que feridas trarei eu de um ano lectivo igual ao que passou.
Sei que não tenho força física nem moral para enfrentar estes inimigos. À frente da horda surge o Papel, um dos meus principais adversários, aquele que me rouba a alma que preciso para a acção. As rugas, os cabelos brancos e o reumático surgem numa segunda linha de batalha. Também me assustam muito. As dores só tolhem os próprios, por isso é normal que ninguém perceba nada disto senão eu mesma.
Noutros anos, a ideia do novo ano lectivo entusiasmava-me, criava em mim a expectativa das coisas boas e até a ideia da rotina me seduzia.
O ano passado mudou-me e agora dou por mim desalentada, a pensar que não me apetece nada passar por tudo outra vez, sobretudo pela experiência de avaliadora. As imposições de procedimentos, que não contribuem minimamente para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, deixaram-me uma nódoa negra na minha consciência profissional.
Tive de aceitar entrar na "guerra" para não "morrer". Fiz o que tinha de fazer com a má consciência de estar a trair tudo e todos, e sobretudo a mim mesma, pois se eu tivesse ainda dois dedos de ideal, “mandava tudo dar uma volta” e suportava as consequências. Mas não, já não tenho ideal que chegue para tanto. Subjuguei-me ao poder instituído. Sucumbi.
Como é que eu vou passar por tudo outra vez? Que feridas trarei eu de um ano lectivo igual ao que passou.
Sei que não tenho força física nem moral para enfrentar estes inimigos. À frente da horda surge o Papel, um dos meus principais adversários, aquele que me rouba a alma que preciso para a acção. As rugas, os cabelos brancos e o reumático surgem numa segunda linha de batalha. Também me assustam muito. As dores só tolhem os próprios, por isso é normal que ninguém perceba nada disto senão eu mesma.
sábado, 29 de agosto de 2009
A Velha Senhora
Há estrelas que nascem e brilham, apesar das nuvens e das tempestades, mesmo nos céus de que o sol se esconde.
Na Suécia, em Estocolmo, a 29 de Agosto de 1915, nasce Ingrid Bergman.
Friedel Adler, a mãe, era alemã e conhecera Justus Samuel Bergman na Suécia, durante umas férias. O casamento foi contrariado pelos pais de Friedel, que não aceitaram a ideia de casar a filha com um artista boémio. Mas Justus queria provar-lhes que estavam errados. Trabalhava em fotografia e foi na casa que habitavam, por cima da loja de fotografia , que Ingrid nasceu, a terceira filha, a única que sobreviveria.
Mas a tragédia andava por ali e Friedel morre jovem, deixando a pequena Ingrid com três anos apenas. Justus torna-se assim o único responsável pela educação da filha. Quer que ela seja cantora lírica e proporciona-lhe lições de canto. Fotografa-a, incentivando-a à exposição dos palcos. Contudo, Justus morre no princípio da adolescência de Ingrid e a tia Ellen, que a recebe e lhe acarinha o talento, também morre, dois anos mais tarde.
Menor de idade (tinha apenas treze anos), é entregue a um outro tio. Uma nova família, desta vez numerosa. Este tio não vê com os mesmos olhos a determinação de Ingrid (que na altura já era mesmo determinação), de seguir a carreira de actriz. Frequenta o Liceu Flykor e, apesar de tudo, aos dezassete anos representa, na escola, o papel principal de uma peça que ela própria escreveu e dirigiu. É aceite numa escola de teatro, The Royal Dramatic Theatre School, em Estocolmo e ao fim de um ano aparece pela primeira vez no cinema, com uma pequena participação como criada, no filme “The Count of the Monk´s Bridge”. Nesse mesmo ano, o realizador sueco Gustaf Molander, apresentava-lhe um contrato.
Intermezzo, em 1936, desperta a atenção do público e da indústria do cinema. Ingrid é uma pianista, Anita Hoffman, que mantém, durante algum tempo, uma ligação com um violinista casado. O interlúdio para Ingrid é de sucesso e felicidade: no ano seguinte casa com Petter Lindstrom e um ano depois nasce a filha Pia. O caminho para a fama estava desbravado. Hollywood já começava a reparar no talento natural desta actriz, que falava inglês, com uma pronúncia encantadoramente estrangeirada.
O mesmo filme foi produzido por Hollywood e foi assinado um contrato de sete anos. A actriz muda-se com a família para os Estados Unidos.
Apesar da sua beleza e o seu ar algo enigmático, Ingrid não pretendia que os seus papéis na tela se consumissem na imagem da mulher idealizada. Mas os sucessos de bilheteira não foram os filmes em que interpretou uma freira, uma psiquiatra ou uma alcoólica. Uma das interpretações de sucesso de Ingrid Bergman que perpassa as gerações é a de Ilsa, a romântica mulher dividida entre o amor e o casamento, em Casablanca, com Humphrey Bogart.
Um dia, Ingrid Bergman escreve uma carta ao realizador italiano neo-realista Rossellini, uma carta de admiradora, dizendo-lhe que estava disponível para qualquer papel. Rossellini reservou-lhe uma pequena participação em Sromboli (1949). Durante as filmagens aconteceu o inevitável: a admiração transformou-se em amor. O “caso” não foi bem aceite pelo público e o escândalo feriu a imagem, até aí intocável, de Ingrid Bergman. Apesar de oficialmente separado da mulher, Rossellini estava amorosamente envolvido com Ana Magnani, outra diva da época. Muitos pensaram que para Ingrid Bergman este seria apenas mais um dos seus “casos”, sendo evidente o desmoronamento do seu casamento com Lindstrom, que não lhe queria dar o divórcio..
O escândalo ultrapassou a barreira do espectáculo, tomou dimensões inimagináveis. Ingrid Berman foi humilhada pela classe política, nomeadamente pelo Senador Edward Johnson, que propôs uma medida específica para actores estrangeiros, de modo a poder expulsá-los, por atentado à moral pública.
Contudo em 1956 o escândalo e o caso de amor chegavam ao fim. Um casamento, três filhos, um rapaz e duas gémeas, Isabella e Isotta, e fracassos profissionais. Nesse mesmo ano, Hollywood reconcilia-se com a actriz e Ingrid filma Anastasia. O seu trabalho é aplaudido e recebe o seu segundo Prémio da Academia.
Os anos setenta devolveram-lhe a glória, tanta que se “esqueceu” de tratar de si e dos seu corpo. Ignorou os primeiros avisos de cancro da mama durante dois anos, porque a carreira estava acima de tudo. Depois veio a luta contra a doença. “As vítimas de cancro que não aceitam o destino, que não aprendem a conviver com ele, acabam por destruir o tempo que lhes resta.”, dizia.
E foi assim que viveu durante oito anos. O seu último trabalho foi a interpretação de Golda Meir na televisão: Uma Mulher Chamada Golda, em 1982.
No dia do seu aniversário (tal como Shakespeare), a 29 de Agosto desse mesmo ano, depois de uma pequenina festa de aniversário com os amigos mais próximos, morria Ingrid Berman, em Chelsea, em Inglaterra, em paz com a vida, com a sua vida, que segundo confessara a um amigo, tinha valido a pena viver.
Crónica publicada em 2001, no Jornal "A Gazeta do Montijo" e, posteriormente, pela Editora Ela por Ela.
Na Suécia, em Estocolmo, a 29 de Agosto de 1915, nasce Ingrid Bergman.
Friedel Adler, a mãe, era alemã e conhecera Justus Samuel Bergman na Suécia, durante umas férias. O casamento foi contrariado pelos pais de Friedel, que não aceitaram a ideia de casar a filha com um artista boémio. Mas Justus queria provar-lhes que estavam errados. Trabalhava em fotografia e foi na casa que habitavam, por cima da loja de fotografia , que Ingrid nasceu, a terceira filha, a única que sobreviveria.
Mas a tragédia andava por ali e Friedel morre jovem, deixando a pequena Ingrid com três anos apenas. Justus torna-se assim o único responsável pela educação da filha. Quer que ela seja cantora lírica e proporciona-lhe lições de canto. Fotografa-a, incentivando-a à exposição dos palcos. Contudo, Justus morre no princípio da adolescência de Ingrid e a tia Ellen, que a recebe e lhe acarinha o talento, também morre, dois anos mais tarde.
Menor de idade (tinha apenas treze anos), é entregue a um outro tio. Uma nova família, desta vez numerosa. Este tio não vê com os mesmos olhos a determinação de Ingrid (que na altura já era mesmo determinação), de seguir a carreira de actriz. Frequenta o Liceu Flykor e, apesar de tudo, aos dezassete anos representa, na escola, o papel principal de uma peça que ela própria escreveu e dirigiu. É aceite numa escola de teatro, The Royal Dramatic Theatre School, em Estocolmo e ao fim de um ano aparece pela primeira vez no cinema, com uma pequena participação como criada, no filme “The Count of the Monk´s Bridge”. Nesse mesmo ano, o realizador sueco Gustaf Molander, apresentava-lhe um contrato.
Intermezzo, em 1936, desperta a atenção do público e da indústria do cinema. Ingrid é uma pianista, Anita Hoffman, que mantém, durante algum tempo, uma ligação com um violinista casado. O interlúdio para Ingrid é de sucesso e felicidade: no ano seguinte casa com Petter Lindstrom e um ano depois nasce a filha Pia. O caminho para a fama estava desbravado. Hollywood já começava a reparar no talento natural desta actriz, que falava inglês, com uma pronúncia encantadoramente estrangeirada.
O mesmo filme foi produzido por Hollywood e foi assinado um contrato de sete anos. A actriz muda-se com a família para os Estados Unidos.
Apesar da sua beleza e o seu ar algo enigmático, Ingrid não pretendia que os seus papéis na tela se consumissem na imagem da mulher idealizada. Mas os sucessos de bilheteira não foram os filmes em que interpretou uma freira, uma psiquiatra ou uma alcoólica. Uma das interpretações de sucesso de Ingrid Bergman que perpassa as gerações é a de Ilsa, a romântica mulher dividida entre o amor e o casamento, em Casablanca, com Humphrey Bogart.
Um dia, Ingrid Bergman escreve uma carta ao realizador italiano neo-realista Rossellini, uma carta de admiradora, dizendo-lhe que estava disponível para qualquer papel. Rossellini reservou-lhe uma pequena participação em Sromboli (1949). Durante as filmagens aconteceu o inevitável: a admiração transformou-se em amor. O “caso” não foi bem aceite pelo público e o escândalo feriu a imagem, até aí intocável, de Ingrid Bergman. Apesar de oficialmente separado da mulher, Rossellini estava amorosamente envolvido com Ana Magnani, outra diva da época. Muitos pensaram que para Ingrid Bergman este seria apenas mais um dos seus “casos”, sendo evidente o desmoronamento do seu casamento com Lindstrom, que não lhe queria dar o divórcio..
O escândalo ultrapassou a barreira do espectáculo, tomou dimensões inimagináveis. Ingrid Berman foi humilhada pela classe política, nomeadamente pelo Senador Edward Johnson, que propôs uma medida específica para actores estrangeiros, de modo a poder expulsá-los, por atentado à moral pública.
Contudo em 1956 o escândalo e o caso de amor chegavam ao fim. Um casamento, três filhos, um rapaz e duas gémeas, Isabella e Isotta, e fracassos profissionais. Nesse mesmo ano, Hollywood reconcilia-se com a actriz e Ingrid filma Anastasia. O seu trabalho é aplaudido e recebe o seu segundo Prémio da Academia.
Os anos setenta devolveram-lhe a glória, tanta que se “esqueceu” de tratar de si e dos seu corpo. Ignorou os primeiros avisos de cancro da mama durante dois anos, porque a carreira estava acima de tudo. Depois veio a luta contra a doença. “As vítimas de cancro que não aceitam o destino, que não aprendem a conviver com ele, acabam por destruir o tempo que lhes resta.”, dizia.
E foi assim que viveu durante oito anos. O seu último trabalho foi a interpretação de Golda Meir na televisão: Uma Mulher Chamada Golda, em 1982.
No dia do seu aniversário (tal como Shakespeare), a 29 de Agosto desse mesmo ano, depois de uma pequenina festa de aniversário com os amigos mais próximos, morria Ingrid Berman, em Chelsea, em Inglaterra, em paz com a vida, com a sua vida, que segundo confessara a um amigo, tinha valido a pena viver.
Crónica publicada em 2001, no Jornal "A Gazeta do Montijo" e, posteriormente, pela Editora Ela por Ela.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Assim Vai O Mundo
Quem tem mais de cinquenta anos tem não só uma esperança acrescida de alguma imunidade à gripe, como também sabe que, antigamente, as salas de cinema exibiam um documentário informativo que dava pelo nome "Assim Vai o Mundo".
Depois das salas escurecerem, no fundo do ecrã "nascia" o mundo, que crescia e rodopiava num fundo de céu estrelado (Ou talvez não fosse?!),enquanto uma voz forte dizia, com a solenidade e a gravidade que os acontecimentos dignos de nota exigiam: "Assim vai o Mundo".
(Não sei se a minha memória está a atraiçoar-me. Seria assim como eu me lembro?)
Era uma espécie de telejornal, com moderada especulação e certamente visionado previamente pela censura. Mas isso eu não sabia.
Foi certamente nesses "filmes" que eu conheci a família Kennedy, com todo o glamour que a beleza de Jackie e dos homens da família imprimiam aos acontecimentos que protagonizaram.
Um dia, de manhã, a minha mãe ouviu na rádio que o Presidente Kennedy tinha sido assassinado e percebi pela aflição que o que tinha acontecido ia bem para lá da tragédia da morte de um homem. Era um Presidente. Não era só um homem. Mas isso eu não podia perceber, no meu mundo de dez anos.
"E agora, o que é que vai acontecer?", dizia a minha mãe aflita.
E certamente que todas as imagens que guardo desses momentos foram vistos nas salas de cinema, nos tais documentários que precediam o filme da tarde.
Ontem quando ouvi anunciar a morte do último Kennedy, veio à minha memória todo o filme das vidas dos membros do Clã Kennedy, tantas vezes marcado pela tragédia.
É mais uma referência do século vinte que desaparece.
Assim vai o mundo!
Fotos da família Kennedy, na Revista Time
Depois das salas escurecerem, no fundo do ecrã "nascia" o mundo, que crescia e rodopiava num fundo de céu estrelado (Ou talvez não fosse?!),enquanto uma voz forte dizia, com a solenidade e a gravidade que os acontecimentos dignos de nota exigiam: "Assim vai o Mundo".
(Não sei se a minha memória está a atraiçoar-me. Seria assim como eu me lembro?)
Era uma espécie de telejornal, com moderada especulação e certamente visionado previamente pela censura. Mas isso eu não sabia.
Foi certamente nesses "filmes" que eu conheci a família Kennedy, com todo o glamour que a beleza de Jackie e dos homens da família imprimiam aos acontecimentos que protagonizaram.
Um dia, de manhã, a minha mãe ouviu na rádio que o Presidente Kennedy tinha sido assassinado e percebi pela aflição que o que tinha acontecido ia bem para lá da tragédia da morte de um homem. Era um Presidente. Não era só um homem. Mas isso eu não podia perceber, no meu mundo de dez anos.
"E agora, o que é que vai acontecer?", dizia a minha mãe aflita.
E certamente que todas as imagens que guardo desses momentos foram vistos nas salas de cinema, nos tais documentários que precediam o filme da tarde.
Ontem quando ouvi anunciar a morte do último Kennedy, veio à minha memória todo o filme das vidas dos membros do Clã Kennedy, tantas vezes marcado pela tragédia.
É mais uma referência do século vinte que desaparece.
Assim vai o mundo!
Fotos da família Kennedy, na Revista Time
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Coisas de memória
Em casa dos meus pais havia um giradiscos, móvel e electrodoméstico que hoje só tem lugar num museu. Julgo eu! Deve vir, no tempo e no espaço, logo a seguir à grafonola.
É bom termos memória e termos vivido um tempo que pode comparar-se ao de hoje. Na época, havia evolução e modernidade, naquilo que hoje nos parece, e é, caco e velharia. O gira-discos, ou pick-up para os mais snobs, foi na altura um grito da moda que levou às casas e às famílias da classe média muita cultura musical e literária também.
Literária, sim, pois foi no velho gira-discos, devidamente enfeitado com os melhores "bibelots", pois o móvel merecia, que eu ouvi e aprendi a Toada de Portalegre, pelo talento poderoso de João Villaret.
Ontem, desarrumei esta memória, para lhe juntar um dado novo: a própria casa de José Régio, com os bons e os maus cheiros guardados apenas nos versos; a vista da janela, que em tempos, certamente, os olhos abraçavam mais...
É bom termos memória e termos vivido um tempo que pode comparar-se ao de hoje. Na época, havia evolução e modernidade, naquilo que hoje nos parece, e é, caco e velharia. O gira-discos, ou pick-up para os mais snobs, foi na altura um grito da moda que levou às casas e às famílias da classe média muita cultura musical e literária também.
Literária, sim, pois foi no velho gira-discos, devidamente enfeitado com os melhores "bibelots", pois o móvel merecia, que eu ouvi e aprendi a Toada de Portalegre, pelo talento poderoso de João Villaret.
Ontem, desarrumei esta memória, para lhe juntar um dado novo: a própria casa de José Régio, com os bons e os maus cheiros guardados apenas nos versos; a vista da janela, que em tempos, certamente, os olhos abraçavam mais...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Proverbialmente, claro!
domingo, 23 de agosto de 2009
O seu a seu dono
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Se...
Se eu tivesse deixado de andar espantada de existir, bastar-me-ia ver o vídeo promocional da mandatária da JS, para reencontrar o espanto de existir.
A miúda atreve-se a dizer que só come fruta com caroço se a empregada descascar!?!?!?
Diz que não gosta de perder, que prefere fazer batota. Aquilo mais parece um casting dos morangos!!!
A miúda atreve-se a dizer que só come fruta com caroço se a empregada descascar!?!?!?
Diz que não gosta de perder, que prefere fazer batota. Aquilo mais parece um casting dos morangos!!!
Dia Da Ajuda Humanitária e...
Todos os dias são dias de...
Talvez faça sentido recorrer ao significado do dia, ao valor do dia, para o vivermos com mais sentido, com mais vontade.
Hoje é a primeira vez que se celebra o Dia da Ajuda Humanitária.
A Onu escolheu este dia porque marca a data em que Vieira de Mello e outras vinte e uma pessoas, que com ele viajavam, morreram, num atentado no Iraque, há seis anos. Aquele instante valeu-lhes a vida e todo o valor que a vida humana tem. É justo recordá-los! É justo recordar todos os que estendem os olhos à compreensão dos outros!
Esta é também a minha homenagem à Fotografia,que hoje também é celebrada. Esta fotografia é mais velha do que eu e não tem rugas!
Talvez faça sentido recorrer ao significado do dia, ao valor do dia, para o vivermos com mais sentido, com mais vontade.
Hoje é a primeira vez que se celebra o Dia da Ajuda Humanitária.
A Onu escolheu este dia porque marca a data em que Vieira de Mello e outras vinte e uma pessoas, que com ele viajavam, morreram, num atentado no Iraque, há seis anos. Aquele instante valeu-lhes a vida e todo o valor que a vida humana tem. É justo recordá-los! É justo recordar todos os que estendem os olhos à compreensão dos outros!
Esta é também a minha homenagem à Fotografia,que hoje também é celebrada. Esta fotografia é mais velha do que eu e não tem rugas!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Eu tenho de falar sobre isto
Sobre a última crónica de Lobo Antunes na Visão.
Não sei muito bem por onde começar, porque o que ali está se aproxima muito da maneira como o meu pai continua vivo, cá dentro, num espaço de memória onde nunca ninguém morre e, melhor do que isso, nem tão pouco envelhece ou degrada.
O meu pai acreditava em mim, por muito que lhe tenha causado uma enorme desilusão com o "chumbo" no quinto ano e depois a escolha das letras em vez da medicina, como ele ambicionava.
Eu não revisito o Hospital onde costumava encontrá-lo, onde ele vivia, onde passava os dias e muitas, muitas noites, onde tratava doentes que o estimavam pela qualidade profissional e pela qualidade humana que punha no que fazia, onde vivia também outros lados da vida: onde se apaixonava perdidamente, onde observava as outras paixões secretas, onde fazia amigos novos todos os dias, porque muitos doentes saiam de lá seus amigos, onde cultivava a amizade dos antigos com igual cuidado, também todos os dias. Ao contrário do que acontece hoje, foi a trabalhar na enfermagem que se fez enfermeiro, tendo feito os estudos necessários mais tarde, no então chamado Instituto Rockefeller, instituição reputada, onde se formavam enfermeiras. Ele era o homem entre as mulheres. (Claro que se apaixonou perdidamente, vezes sem conta! Era tentação a mais!) Não revisito o hospital, a não ser na minha memória: o velho Hospital Miguel Bombarda!
"Até me mostrava o Serviço e parecia ter orgulho em mim..." Esse orgulho, embora não se falasse destas coisas nessa altura, foi vital para que eu tomasse mais tarde determinadas decisões com confiança. Foi vital para a minha auto-estima, digo eu, hoje.
Mais tarde percebi que esse orgulho era muito verdadeiro. Uns dias (poucos) antes de morrer disse-me que de facto eu nunca lhe tinha dado sequer um problema. Claro que exagerava, porque estava frágil. Esqueceu certamente alguns problemas que lhe dei, mas eu mesma tenho a noção de que no meu tempo de jovem, não passávamos os nossos problemas aos pais. Pelo contrário! Fazíamos o possível e o impossível para que não fossem atingidos pelas nossas asneiras. Não queríamos que se sentissem culpados pelos nossos passos errados. Mas também é verdade que o meu pai me ensinou o direito de errar, de não seguir conselhos, de fazer as coisas à minha maneira. Sujeitava-me claro às consequências, que não eram só más. Com os erros também se cresce!
Se eu pudesse diria ao L.A.: "Muito obrigada, por estas crónicas, sobre o seu pai, que se parece tanto com o meu."
Fotografia - Imagem da 1ª Semana de Enfermagem no Ultramar. Organização do meu pai. Cartaz do meu pai.
Não sei muito bem por onde começar, porque o que ali está se aproxima muito da maneira como o meu pai continua vivo, cá dentro, num espaço de memória onde nunca ninguém morre e, melhor do que isso, nem tão pouco envelhece ou degrada.
O meu pai acreditava em mim, por muito que lhe tenha causado uma enorme desilusão com o "chumbo" no quinto ano e depois a escolha das letras em vez da medicina, como ele ambicionava.
Eu não revisito o Hospital onde costumava encontrá-lo, onde ele vivia, onde passava os dias e muitas, muitas noites, onde tratava doentes que o estimavam pela qualidade profissional e pela qualidade humana que punha no que fazia, onde vivia também outros lados da vida: onde se apaixonava perdidamente, onde observava as outras paixões secretas, onde fazia amigos novos todos os dias, porque muitos doentes saiam de lá seus amigos, onde cultivava a amizade dos antigos com igual cuidado, também todos os dias. Ao contrário do que acontece hoje, foi a trabalhar na enfermagem que se fez enfermeiro, tendo feito os estudos necessários mais tarde, no então chamado Instituto Rockefeller, instituição reputada, onde se formavam enfermeiras. Ele era o homem entre as mulheres. (Claro que se apaixonou perdidamente, vezes sem conta! Era tentação a mais!) Não revisito o hospital, a não ser na minha memória: o velho Hospital Miguel Bombarda!
"Até me mostrava o Serviço e parecia ter orgulho em mim..." Esse orgulho, embora não se falasse destas coisas nessa altura, foi vital para que eu tomasse mais tarde determinadas decisões com confiança. Foi vital para a minha auto-estima, digo eu, hoje.
Mais tarde percebi que esse orgulho era muito verdadeiro. Uns dias (poucos) antes de morrer disse-me que de facto eu nunca lhe tinha dado sequer um problema. Claro que exagerava, porque estava frágil. Esqueceu certamente alguns problemas que lhe dei, mas eu mesma tenho a noção de que no meu tempo de jovem, não passávamos os nossos problemas aos pais. Pelo contrário! Fazíamos o possível e o impossível para que não fossem atingidos pelas nossas asneiras. Não queríamos que se sentissem culpados pelos nossos passos errados. Mas também é verdade que o meu pai me ensinou o direito de errar, de não seguir conselhos, de fazer as coisas à minha maneira. Sujeitava-me claro às consequências, que não eram só más. Com os erros também se cresce!
Se eu pudesse diria ao L.A.: "Muito obrigada, por estas crónicas, sobre o seu pai, que se parece tanto com o meu."

Fotografia - Imagem da 1ª Semana de Enfermagem no Ultramar. Organização do meu pai. Cartaz do meu pai.
sábado, 15 de agosto de 2009
L.A.
Por contágio dos mais novos (agora a palavra contágio é contagiante!) tenho visto todos os dias, ou seja, todas as noites a RTP2, Cinco para a Meia-Noite. Pelo menos diverte e há crítica de costumes que é saudável desde o tempo do "saudoso" Gil Vicente. É evidente que o programa vale muitas vezes pelo convidado, que se deve dar ares de moderno, para não destoar do anfitrião que é sempre "assim a atirar" para a "loucura total".
Por exemplo: o Vasco Graça Moura deu um péssimo programa, pois "aquela cena" não condizia lá muito bem com o classicíssimo senhor das nossas letras. Aquele tratamento tu cá tu lá soava estranho. Ana Gomes aguentou-se e nem ficou muito "à rasca". Calão para cá, calão para lá, a mensagem eleitoral não se embaraçou, ou melhor não ficou nada à rasca. Fiquei a saber que Ana Gomes é candidata à Câmara de Sintra e que Sintra isto e que Sintra aquilo.
Para mim, Sintra é culto e o culto não se compadece com propaganda eleitoral.
Mas isto vinha a propósito de quê? Já sei! O tema da semana que acabou era coscuvilhar.
Não é coisa que me espante! Quando vou visitar a minha mãe, levo-lhe sempre uma revistinha de coscuvilhice. O que me espantou mesmo foi a coscuvilhice que explodiu nas capas dos jornais de hoje. Ou ontem? Já nem sei bem.
Lobo Antunes apaixonado por uma mulher trinta e tal anos mais nova.
Anunciar um casamento não é coscuvilhice. Entrar em pormenores que podem comprometer a verdade dos sentimentos de cada um (dela ou dele) é coscuvilhice. Atirar a diferença de idades, chamar a atenção para a diferença de idades é coscuvilhice que tenta reduzir a dimensão intelectual de um dos maiores escritores contemporâneos.
Ninguém tem nada com isso.
A minha esperança é que o escritor mantenha aos nossos olhos a aura de ser "superiormente inteligente, superiormente civilizado". Fico à espera das crónicas onde se revelará "superiormente feliz", tal como preconizava o Jacinto de Tormes.
Por exemplo: o Vasco Graça Moura deu um péssimo programa, pois "aquela cena" não condizia lá muito bem com o classicíssimo senhor das nossas letras. Aquele tratamento tu cá tu lá soava estranho. Ana Gomes aguentou-se e nem ficou muito "à rasca". Calão para cá, calão para lá, a mensagem eleitoral não se embaraçou, ou melhor não ficou nada à rasca. Fiquei a saber que Ana Gomes é candidata à Câmara de Sintra e que Sintra isto e que Sintra aquilo.
Para mim, Sintra é culto e o culto não se compadece com propaganda eleitoral.
Mas isto vinha a propósito de quê? Já sei! O tema da semana que acabou era coscuvilhar.
Não é coisa que me espante! Quando vou visitar a minha mãe, levo-lhe sempre uma revistinha de coscuvilhice. O que me espantou mesmo foi a coscuvilhice que explodiu nas capas dos jornais de hoje. Ou ontem? Já nem sei bem.
Lobo Antunes apaixonado por uma mulher trinta e tal anos mais nova.
Anunciar um casamento não é coscuvilhice. Entrar em pormenores que podem comprometer a verdade dos sentimentos de cada um (dela ou dele) é coscuvilhice. Atirar a diferença de idades, chamar a atenção para a diferença de idades é coscuvilhice que tenta reduzir a dimensão intelectual de um dos maiores escritores contemporâneos.
Ninguém tem nada com isso.
A minha esperança é que o escritor mantenha aos nossos olhos a aura de ser "superiormente inteligente, superiormente civilizado". Fico à espera das crónicas onde se revelará "superiormente feliz", tal como preconizava o Jacinto de Tormes.
A mesma Tourada
Ontem ouvi a Tourada, cantada ao vivo, pelo mesmo Tordo. Sim, pelo mesmo Tordo. É que hoje dou por mim a comparar as pessoas com elas mesmas.
Não há mal nenhum em mudar. Claro que não! Se o nosso corpo muda...
Mas a verdade é que raramente aprecio as mudanças, quando os valores se diluem na espuma dos interesses. E, por isso, gostei muito de ouvir ontem a Tourada. Na minha emoção passou a homenagem a um tempo em que o desejo de liberdade era uma constante na expressão artística, sobretudo na cantiga, no teatro e na literatura. E a cantiga chegava a quase todos e andava de boca em boca. Contagiava!
É que volta a fazer sentido desejar outra vez a liberdade. Por muito que se julguem mortos e enterrados os mecanismos de repressão, os novos espartilhos da liberdade são perigosos porque são dissimulados e estrategicamente activados em áreas de sobrevivência, como seja o emprego. As maneiras de chegar ao poder absoluto cada vez são mais parecidas com o que se pode chamar baixeza.
Gostei de ouvir o Tordo, porque pude ver com "estes olhos" que continua um homem alto, em corpo e em voz!
Não há mal nenhum em mudar. Claro que não! Se o nosso corpo muda...
Mas a verdade é que raramente aprecio as mudanças, quando os valores se diluem na espuma dos interesses. E, por isso, gostei muito de ouvir ontem a Tourada. Na minha emoção passou a homenagem a um tempo em que o desejo de liberdade era uma constante na expressão artística, sobretudo na cantiga, no teatro e na literatura. E a cantiga chegava a quase todos e andava de boca em boca. Contagiava!
É que volta a fazer sentido desejar outra vez a liberdade. Por muito que se julguem mortos e enterrados os mecanismos de repressão, os novos espartilhos da liberdade são perigosos porque são dissimulados e estrategicamente activados em áreas de sobrevivência, como seja o emprego. As maneiras de chegar ao poder absoluto cada vez são mais parecidas com o que se pode chamar baixeza.
Gostei de ouvir o Tordo, porque pude ver com "estes olhos" que continua um homem alto, em corpo e em voz!
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