domingo, 12 de julho de 2009

(...)

A imensidão é sempre imensidão. Ponto final. Seja ela terra! Seja ela mar! Seja ela ar! Seja ela pedra, como parece ser este Castelo dos Mouros de onde se avista a imensidão da imensidão. A vista apouca-nos. Mas nem precisamos da vista para nos sentirmos "pouco". As pedras do passado esmagam a nossa noção de presente e dissolvemos as nossas presunções nas pedras que, uma a uma, chegam a uma altura vertiginosa, passam para lá das nuvens e para cá do tempo!

sábado, 11 de julho de 2009

Degustação

Esta zona ribeirinha dá os mais belos pores-de-sol que eu já provei. Como é que o rio engole a bola vermelha, assim, como se nada fosse, criando-se, como que por magia, um ambiente de saudade ou outra qualquer ausência, ou outra qualquer falta?!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Colocação?

Ainda não entendi por que é que se chama "colocação" a esta fase dos concursos dos professores! Fica na ideia de quem ouve ou lê que estavam sem trabalho, por colocar 30 mil professores, o que não é verdade. Destes trinta mil, vinte e nove mil e quinhentos já tinham o seu vínculo: eram quadros de escola de nomeação definitiva(QND) ou provisória (QZP).Que não se passe a ideia de que houve uma fartura de lugares deixados vazios pelos colegas que se reformaram (e são muitos!)a serem ocupados pelos professores contratados, esses sim sem qualquer espécie de vínculo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Parabéns, Nelson!

People like you and I, though mortal of course like everyone else, do not grow old no matter how long we live...We never cease to stand like curious children before the great mystery into which we were born. Albert Einstein, letter to Otto Juliusburger
Esta ideia vai direitinha para o meu amigo Nelson que apagou ontem mais umas velinhas. Celebrou a vida que lhe tem dado, tanto quanto sei, "presentes" maravilhosos!
Parabéns, Nelson!

O que é isso "Férias"?

A pergunta é uma paráfrase de uma conversa que me faz saudade.
Mas também tenho alguma saudade de sentir as férias. Mais do que ter férias, é importante sentir as férias. As férias tornaram-se, como quase tudo o que faz parte do nosso admirável mundo novo, um item da burocracia: um direito do trabalhador, um dever do empregador, um ordenado suplementar, uma viagem, uma casa suplementar, com todo o trabalho doméstico que implica, uma obrigação de se sair da casa-mãe rumo a trabalhos rotineiros que não reduzem os níveis de impaciência que caracterizam os dias normais.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"A ardente perfeição da tua ausência", Sophia!

Eis que de um certo lugar se adivinha o mar, pois que se ouve, ao longe…
Sigamos, deste lugar, o rio que vai dar ao mar, a esse mar que abraça a alma de Sophia…
De hoje em diante, o Miradouro da Graça chamar-se-á Sophia, em nome da poesia, que é eterna, tão eterna que ultrapassa esta barreira a que chamamos tempo, vida ou outra qualquer designação que se espraie em azul, ou verde, a na mistura das duas tonalidades.
Desse mar de que Sophia não se saciou.
Tão eterna é a poesia que a poetisa prometeu voltar "para buscar os momentos" que não viveu "junto ao mar".O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O nosso tempo

À medida que vão morrendo as pessoas do nosso tempo, o nosso tempo vai morrendo com elas. Ficamos sós, com a memória e o futuro. Difícil gestão, quando as forças falham e elas falham mesmo!
Só as árvores morrem de pé!
Algumas até continuam de pé!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Viva o Principezinho!

Era uma vez um piloto. Chamava-se Antoine de Saint-Exupéry. O tempo era de guerra e um dia esse piloto desapareceu. Nunca mais voltou. No entanto, uma obra única na literatura universal deixava um rasto inapagável da sua existência:o Principezinho.
Esta é uma obra que celebra a infância e a amizade, provavelmente, penso eu, os pilares da humanidade. Todos somos crianças e permanecemos crianças pela vida fora. Por muito que as barbas e outros adereços de gente crescida componham a nossa figura, dentro, cá dentro, há sempre o menino, que sonha com um mundo à medida dos seus desejos de paz, de amizade, o sentimento que a par do sonho pode e deve comandar a vida. Esse menino tomou corpo no Principezinho e ficou com o seu "irmão" mais velho, o homem-feito, para sempre, num qualquer deserto, um desses que também constituem o nosso próprio caminho, o caminho cá dentro, aquele que vamos preenchendo de oásis, à medida das nossas possibilidades, isto é, das nossas limitações.

Antoine de Saint –Exupéry nasceu em Lyon, a 29 de Junho de 1900, terceiro filho de Jean de Saint-Exupéry e de Marie de Fonscolombe. Entrou para a Força Aérea em 1921, como mecânico, tendo nessa altura manifestado o “irresistível desejo” de pilotar. Tornou-se depois piloto comercial, voando para África e para a América do Sul. A sua obra literária tem sempre o voo, como pano de fundo. Mas O Principezinho é sem dúvida a sua obra mais notável e está considerada a nível mundial como a terceira mais lida, depois da Bíblia e do Corão. Voou pela última vez para o Norte de África a 31 de Julho de 1944 e, como sugerem alguns biógrafos que se deixaram “cativar”, foi ao encontro do seu Principezinho.

Há festa!

Por aqui há festa. Há farturas e churros. Há pipocas e algodão doce! Há milhares de postos de venda ambulante e milhares de artigos: desde os sapatito de verniz à chinela de meter o dedo, passando pela bela saia a condizer com a blusa de "lycra" da "melhor" qualidade, ó freguesa! Há tudo. Há muito barulho. Há muita gente. Há muitas luzes. Há muitos cheiros. Há muito de muito.
Há um feriado amanhã...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O facto do dia

Há um ano, precisamente um ano, o Cristiano Ronaldo marcou um golo e o Tiago nasceu. Para mim e para os meus amigos foi importante o nascimento do Tiago. Para o mundo, pelo menos para o mundo que ia no barco comigo, foi mais importante o golo do CR. Foi como se uma onda gigante se tivesse apoderado daquele bocado de rio, entre Lisboa e o Montijo.
O rapazito lá se vai consagrando o melhor, o mais isto e mais aquilo. Hoje é o mais caro! O Real Madrid comprou três jogadores e o mais caro é o rapazito Ronaldo, o tal dos anúncios do colchão que não rende, da adivinhação relativa ao futuro do melhor do mundo.
Apetece-me dizer, pedir que o deixem viver a juventude que transpira por todos os poros, deixem-no ser o menino da mamã e das manas, deixem-no. Mas ninguém o vai deixar pois ninguém está interessado no menino Cristiano Ronaldo. Estão interessados nos muitos milhões que ele vai valer aos clubes por onde passa!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Desabafos, nada a propósito!

Esta coisa agravada dos reumatismos, ou seja lá o que forem estas dores que já "tolhiam" a minha avó, provoca mais do que tudo uma certa melancolia. Não voltarei a ser activa e dinâmica como sonhei sempre ser até ao fim da minha vida. Nem nunca o consegui ser em pleno! E esta melancolia também dói e paralisa.
O que fica para os meus netos, quando eles chegarem, é uma avozinha, com a infância -que os avós reservam para este momento e condição - agrilhoada nas artroses dos joelhos, dos tornozelos e dos pulsos.
Resta-me uma esperança que mora no meu coração que é a memória da minha avó, muito "tolhida" das pernas, mas sempre a vencer as dores com um sorriso muito verde nos olhos.

sábado, 6 de junho de 2009

O imenso pensamento "cem" tempo

O corpo não acompanha a idade. Pelo caminho vão-se perdendo as forças dos braços e das pernas. Os caminhos doem sempre mais e mais. Mas o pensamento, esse não! Esse tranforma essas vicissitudes, aprende-as e dá-lhes uma forma moderna e consegue imprimir-lhes uma força que projecta o Homem de um tempo para os tempos todos, sobretudo para os tempos que hão-de vir. Obrigada, Manoel de Oliveira, pela lição de quinta à noite, na Grande Entrevista.
Guardei algumas palavras...
"O tempo não tem nada que ver com o movimento….
O tempo passa… passa…
Uma coisa é o movimento. O movimento circula no tempo.
O cérebro refina.
Supomos que somos mais sábios, mas sábios verdadeiramente nunca somos.
Deixar a minha vida arrumada em boas condições
Tenho uma tendência profunda humanista, isso sim.
A mudança de um partido para o outro não adianta absolutamente nada.
Em qualquer dos partidos a natureza do homem é exactamente a mesma.
E é na natureza do homem que está o bem e o mal, está o ódio e o amor,
Está os bons sentimentos e os maus sentimentos.
E só morrendo é que se vai lá.
O tédio… uma coisa horrível nunca pensei que o tédio fosse uma coisa tão pesada.
Vamos aprendendo durante toda a vida".

quinta-feira, 4 de junho de 2009

4 de Junho

Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, porque é que você não fica com as que já tem? Recado de Marcelo, criança.
Este "recado", que só pode mesmo nascer no coração de um menino, bateu em cheio na meu desejo, como acerta em todos os corações que "sofrem" desta incompreensão.À medida que o meu tempo vai passando, tenho cada vez mais a certeza de que uma vida só não chega!
Ao ver esta tua fotografia, Papá, ponho-me a pensar se não estarás já a fazer a marcha-atrás no tempo de além, para voltares outra vez e viveres mais uns sonhos, liquidares mais umas contas de vida.
E ainda vais ficar com sonhos em espera, eu sei!
Um dia destes é 4 de Junho mais uma vez e tu apareces, por aqui, com aquele teu encantamento dividido entre a beleza, essência da vida, e o avanço da ciência, essência da esperança.
Quando voltares, já sabes, quero que sejas meu pai, outra vez!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Criança

Valeu-lhe a feliz condição de criança...
É de Torga, dos Novos Contos da Montanha, esta criança. Pelos vistos, não gasta a sua infância nos montes. Não perde, nas serranias rudes e pedregosas, nem a inocência, nem as ovelhas! Qualquer balido o traz de volta, do sonho de menino à realidade do seu rebanho, sem mágoas e sem revoltas.
Era pelo menos assim, o menino pastor, o Rodrigo, que ficou para sempre guardado naquele "Milagre" que acontece em pleno conto, em pleno talento do poeta telúrico.
Bem-hajas criança que me devolves todos os dias o futuro que eu já vivi! Ou como diz o outro poeta, o Poeta Gedeão: eles não sabem nem sonham, que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança"

domingo, 31 de maio de 2009

Há festa em Serralves!

Serralves é Museu! Serralves é arte que brota da alma humana e não só. Serralves é uma outra arte, uma arte que brota directamente da criação. Serralves é um jardim.
Serralves é o "sim" ao conceito de harmonia entre a produção natural e a produção estética, seja sob que forma for. É a obediência quase absoluta ao espírito do Éden, que inclui o próprio sentido inevitável da tentação de ser mais e melhor, de atingir a perfeição do Criador.
É o que eu tenho a dizer sobre Serralves!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

No dia em que o Zoo faz anos

Ir ao Zoo é sempre uma proposta linda a fazer a uma criança.
O Zoo de Lisboa abriu este portão há cento e vinte e cinco anos.
Todos os dias, muitas crianças, nas mais variadas versões que a condição de criança tem (com e sem rugas, com e sem cabelos brancos...)passam para lá deste portão e, a fingir que é tudo a fingir, vivem com emoção o encontro com uma natureza, que se diz animal, mas que pode bem ensinar aos exemplares do lado de cá da jaula, do lado de cá deste belo portão que a vida tem regras incontornáveis e uma delas é a protecção aos mais fracos, que eles praticam, mesmo em cativeiro.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Prémios à séria!

Há um texto de Vitorino Nemésio em que ele conta como só ele bem se lembra, o seu exame da quarta classe. Foi uma distinção, pois foi, mas não foi nos olhos dos professores examinadores que ele sentiu essa distinção.
(Imagino um grupo de pessoas com máscaras sinistras, mais sinistras que as que examinaram o Vasquinho da Anatomia, que afinal sabia o que é o esternocleidomastoideu!)
Foi nos olhos do seu amigo, aluno fraco mas cheio de garra nas coisas da vida, tais como traquinices e namoradas, que o grande (à data, pequeno!) se sentiu verdadeiramente distinto!
Foi também nos olhos da Margarida que eu me senti a grande vaidade da Tia Árvore! Ela tirou o livro da mochila e disse com uma inocência que só se tem aos dez anos, um gesto que galardoou verdadeiramente a minha condição de professora: Eu tenho o "seu" livro! Hesitámos, eu e ela, sem saber o que fazer com aquelas emoções à frente da turma, apesar de todos saberem da existência da Tia Árvore. Eu desfolhei o livro como se não o conhecesse e entreguei-lho. Ela começou a guardá-lo. De repente, como se alguma coragem tivesse de repente assaltado o seu gesto e a sua vontade, entregou-mo novamente, aberto nas primeiras páginas e pediu-me para escrever "ali".
Obrigada, Margarida, talvez um dia venhas a saber o verdadeiro "´prémio Nobel" que me entregaste com aquele teu gesto!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sem vencedores e sem vencidos

O professor que sai vencedor de uma discussão ou de uma competição não convence os alunos. A vitória é um acontecimento exterior, não é uma coisa pessoal. Um vencedor de um lado propicia sempre um derrotado do outro. Não há nenhum motivo de orgulho, numa perda de humanidade ou de humildade. Uma sala de aula dominada pelo ambiente de "ganhar ou perder" enche-se de tensão, manipulação e astúcia.Se venceres uma batalha com os teus alunos, vais diminuir o seu orgulho de pensarem pelas suas próprias cabeças. Tenta uma maneira de todos saírem vencedores. Greta Nagel

segunda-feira, 18 de maio de 2009

The moments after

E se eu não tivesse sido promovida de aplicadora suplente a aplicadora efectiva?
Teria perdido aqueles momentos em que declamei frases que eu jamais teria sido capaz de inventar e muito menos de adaptar à situação. Por isso, agradeço do fundo do coração a quem me avisou, com elevado sentido de responsabilidade e respeito: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual."
Jamais eu ousaria interpretar frases como esta: "Agora, o que peço é que verifiquem se têm o material necessário para realizarem a prova e se este está em bom estado." Não ousaria jamais interpretar, até por falta de preparação intelectual para encontrar nesta simples frase todos os sentidos, decifrar-lhe toda a beleza, desvendar os verdadeiros referentes que podiam estar em mau estado: um lápis mal afiado, uma borracha mordida pelos nervos dos mais aflitos...
Vou confessar que olhei de soslaio para as instruções da coluna do lado que se destinava ao primeiro ciclo e não consegui entender uma diferença subtil dos dois textos, que podem, contudo, ser alvo de exigente análise, podendo eventualmente chegar-se a uma conclusão: no início da segunda parte, o aplicador pode desejar "Bom trabalho!" aos alunos do primeiro ciclo, apenas aos do primeiro ciclo! Portanto, se eu não expressei o voto de bom trabalho aos meus alunos, foi por causa do guião... Imagem daqui

sábado, 16 de maio de 2009

Estou à tua espera, ó mar!

Parabéns, Chuinguita!

Desculpa interromper o teu jogo mas só quero festejar o teu aniversário com mais um dia de idade!!! Beijinhos e muitas muitas felicidades.(Em basquetelês, como é que se diz GOOOOOOOOLO?) É isso que eu quero dizer!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

I did it my way!

Sinatra morreu há onze anos, depois de ter embalado românticamente mais do que uma geração, atravessando modas, ideias, revoluções culturais e outras, vencendo as crises e os tempos, "à sua maneira".
"I did it my way" ficou na memória de muitos, quase todos, como um hino de Sinatra, mas, na verdade, ela nasceu do lado de cá do Atlântico, no talento de Claude François, com o nome original "Comme d'habitude".
A versão inglesa/americana transformou a canção que dizia apenas respeito ao destino individual de alguém, numa canção que fala, ou melhor, canta o destino universal da humanidade. Há muitos rumores à roda dos seus passos políticos, mas disso eu não sei nada!
Só quis fazer jus à tradição deste espaço, fazendo "sair" efeméride! Quem me recordou essa "missão" foi o Nelson, num muito, muito simpático post de parabéns ao Chora Que Logo Bebes.
Ele não perde um aniversário! Era o que todos fazíamos no tempo em que éramos menos e fazíamos culto da convivência bloguística!
Todos os tempos são tempos. A blogosfera disparou para números incontroláveis e a aldeia cresceu tanto que é impossível percorrê-la a pé ou de camioneta. Só de avião! E um destes dias, só de spaceshuttle!
Voltando ao cantor das modas, eu queria mesmo era, um dia, poder dizer, como a cantiga: Regrets, I had a few...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Aniversário

5 anos! Obrigada a todos os que fazem companhia ao Chora!
O lema continua a ser: saltar o muro que me separa da Floresta, onde se pode ler o tal aviso que nos desafia a arriscar! O Chora não arrisca muito, vive no Jameh, alimenta-se de papa Maizena e tem um ADN incompatível com conflitos de grande dimensão. O maior conflito que alimento é comigo, à maneira da Ivone Silva!

sábado, 9 de maio de 2009

Parabéns, Sandra!

Foram momentos de muita emoção!
Mas há sempre alguns que, por uma qualquer razão, rasgam uma fronteira qualquer, apoderam-se de um nosso território de sentidos, absolutamente resguardado, quase inviolado...
Um desses momentos foi o abraço do filho! Ainda ontem ele era menino e agora já é adolescente e vestiu a alma e o coração a rigor, para celebrar com a mãe estes instantes únicos na vida dela e na vida de toda a família. O que me liga à Sandra é precisamente este menino agora quase crescido!
A poesia purifica as almas. Esta ideia não é minha e não me recordo agora de quem é. Talvez Sebastião da Gama, também poeta e também professor. A poesia cicatriza, mas não cura. Purifica e já é pedir muito!
O livro da Sandra abre e fecha com dor e saudade: abre com um poema à mãe e fecha com um poema ao aluno, ao João Rui, que partiu um dia, em pleno recreio da escola, em plena alegria, em plena Vida! Ninguém consegue perceber porquê! Resta à nossa ignorância o refúgio da convicção expressa no poema da Sandra: "Jamais te esqueceremos".

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ainda cá ando!!!

Espantada de existir, claro!
Mas há sempre um João Sem Medo escondido dentro de nós, pronto a enganar a frustração, depois de tomar consciência da sua incapacidade para combater a fatalidade.Assim, não vos deixeis abater pelo que vedes na imagem. Podeis andar encharcados em má disposição, mas tendes quadros interactivos, em todas as salas, de todas as escolas. Pelo menos, assim presumo. Coisas de Euromilhões, a criar excêntricos em cada esquina. Ou, nem tudo é mau! Ou ainda, nem tudo é tão mau como parece!
Agora é que a Matemática e o Latim vão entrar como o sol pelas vidraças! Sol, vidraças e Matemática, já temos. O Latim é de outras eras e a comparação não é minha. É do Eça, ou melhor, do Zé Fernandes, que a ela recorre para evidenciar a inteligência do seu amiguinho Jacinto, tão inteligente quanto triste.
Terá sido efeito secundário de papa Maizena? Também é coisa de excêntricos trazer à discussão a velha papa que requer tempo, fogão, paciência e raspa de limão, para chegar à mesa!
E os flocos de aveia que a minha mãe fazia, pacientemente, sempre a mexer a papa, não fosse aquilo pegar ou não ficar toda macia, por igual! Com um bocadinho de açúcar e canela, era melhor do que arroz-doce!
Tenho de telefonar ao Senhor Ministro, para ver se ele promove, para a próxima, os flocos de aveia, ou melhor o "porridge", como dizia a minha mãe, que tinha trazido a receita da África do Sul!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

As outras razões de Abril!

"É sempre bom recebermos um novo membro na família, ficamos com o “património” mais rico, mas ao mesmo tempo continuamos com as nossas responsabilidades de mãe…"
As palavras são da Teresa! Obrigada, Teresa!
Obrigada a todos os que de todas as maneiras contribuiram para que o dia 25 de Abril de 2009 fosse inesquecível!

sábado, 25 de abril de 2009

Vinte e Cinco de Abril

Enquanto viver, ecoará em mim o anúncio da liberdade e ligarei para sempre este dia a momentos muito importantes da minha vida, daquela que eu respiro nos meus pulmões, daquela que bate no meu coração!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia do Livro

Num desses programas da manhã, radiofónicos, claro! uma das perguntas a que os participantes deviam responder era (mais ou menos) esta: Qual foi o livro que mais o marcou? Eu sempre achei que a uma pergunta destas a resposta era mesmo múltipla, sem escolha, mas a verdade é que hoje fui confrontada com a minha resposta (eu pergunto, eu respondo, eu falo sozinha, de mim para mim, ninguém dá por nada!: Olhai os Lírios do Campo. Se foi este o livro que me assaltou a resposta é porque é esse o livro que mais me marcou.
Tudo tem uma explicação, ou pelo menos eu gosto de pensar que tem. Este foi o primeiro livro de gente grande que eu li, antes de entrar propriamente na idade grande. Marcou-me porque não o percebi, mas percebi que não o tinha percebido. E voltei a lê-lo já com os meus centímetros todos de altura. E voltei a lê-lo quando a chamada experiência da vida me segredou que o lesse...
Não fiquei com a Olívia agarrada à minha pele. Fiquei com o Eugénio, com as suas hesitações, indefinições, ambiguidades, ambições, vaidades e secretas humilhações.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aniversário

Hoje a Primavera faz um mês e a minha Tia Odete faz muitas primaveras!
Falei com ela há pouco.
Com a Tia Odete, claro! A Primavera, essa, anda fugida!)
Que bom poder falar-lhe e dizer-lhe o quanto gosto dela! Que bom ter podido dizer-lhe que ela me salvou a infância, em momentos em que a infância correu o risco de perder brilho, fantasia, poesia e todas essas boas coisas que dela fazem parte! Que bom ter arranjado maneira de dar forma a esta minha gratidão eterna! Que bom a Tia Odete ter-se reconhecido na Tia Árvore e ter-me dito, com aquele seu jeito sempre muito carinhoso, que se acha muito parecida com a Tia Árvore.
Eu fiz muitas vezes a triste figura do "versinho". Choraminguei, pensando que ninguém gostava de mim. Mas ela mostrou-me sempre que não era assim!
Obrigada, Tia Odete!

domingo, 19 de abril de 2009

Parabéns, Susan!

There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting
There was a time!

Para Susan Boyle as portas do sonho estão abertas. Perseguiu-o e apanhou-o, apesar dos risos cínicos dos que não avaliaram bem a força daquele sonho. Daqueles que nem sequer o vislumbraram numa simplicidade que os palcos da fama não conhecem (e agora sim, o sonho é outro!) nem sonham que pode existir.
Foi uma questão de segundos. Não foi preciso mais tempo para a voz da Susan rasgar todos os preconceitos!
Parabéns, Susan!A Luh bem avisou!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ainda a propósito

Ainda a propósito do Oleiro, dou comigo a pensar como a vida é fingida. Foge dos que a respiram e deixa-se eternizar na matéria.
O Oleiro era um verdadeiro professor quando os meninos das escolas o visitavam e o seu sonho era construir uma escola, dizem por , os jornais de hoje ou de ontem, já não sei bem!
Mas eu acho que sei que o cimento que ele importava de todos os que o iam visitar era o amor à arte, ao trabalho, ao valor do trabalho, o amor à aldeia e à sua vida simples.
Haja quem agora erga esse sonho!

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Homem, o Barro e as Mãos

"Será Mafra ainda o destino saloio dos Lisboetas, ao domingo à tarde?
Até lá chegarmos, há moinhos na paisagem e as trouxas na Malveira. Bem perto, a Olaria do Zé Franco! E o velho oleiro ali está, moldando as suas figuras. Oferece um copo de vinho e pergunta, com simpatia, se gostamos daquele lugar."
Estas linhas têm já a idade da razão. Mas a razão de me lembrar hoje do velho oleiro é triste. Aliás, eu não me lembrei dele hoje. Lembraram-me da sua existência e revi imagens das mãos a moldar o barro com aquela intimidade de quem trata por tu a arte e o próprio barro. Dessa intimidade nasceram figuras parecidas com o próprio mestre: grandes na sua simplicidade.imagem daqui

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A kiss is still a kiss!

Pois é! Hoje é o Dia do Beijo. Nada de confusões: hoje é o dia do beijo. Hoje não é o dia do beijinho.
O beijinho é uma manifestação de carinho e ternura, amizade e ponto final.
O beijo é muito mais. O beijo é o princípio de tudo.
(Acho que estou a escrever à MEC, sem o aconchego da sabedoria, em termos de sociologia e sem a mestria da escrita do meu ídolo dos idos gloriosos oitentas! É, de certeza, por o ler quase todos os dias no Público.)
O beijo remete-me para o Cinema Paraíso, para a colecção de beijos "à cinéfilo" que foram criteriosamente cortados, "a bem" dos "bons" costumes da época, e cuidadosamente guardados em nome de uma cumplicidade que pode e deve atravessar gerações. A Alfredo cabia a feliz tarefa de visionar filmes e o pequeno Salvatore assistia e sonhava com um amor como o dos filmes.
Lindo! Lindíssimo!
Nem que seja pela emoção feliz que me provoca a recordação deste filme, que vi e revi vezes sem conta, vale a pena celebrar o dia!
A sigh is just a sigh!...e trazer à tona o mais clássico dos pares românticos, imortalizado na tela, a preto e branco...
imagem daqui.

sábado, 11 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lugar Comum

Era uma vez... um grupinho de meninos que gostava de tocar guitarra e cantar, e, sem saberem muito bem como nem porquê, foram catapultados para um mundo de sucesso que lhes trouxe amarguras e sobretudo o fim das amizades verdadeiras, aquelas que aprendemos enquanto estamos a crescer, por fora e por dentro.
Claro que os sábios e os cultos não reconhecem nesta sinopse a história do grupo que fez a banda sonora das nossas vidas quando adolescentemente dávamos os primeiros passos de dança na vida do amor.
Mas é isto que eu sinto quando as memórias minhas se misturam com os filmes a preto e branco dos miúdos de Liverpool. Nenhum fenómeno de popularidade actual se pode comparar à dos Beatles. Foi a música, foram os sapatos-meia-bota, com elástico de lado, os fatos lisos do princípio da fama que saltaram rapidamente para os baús, as gravatas dos primeiros concertos e aparições públicas, as camisolas de gola alta, os cabelos... Os rapazes tiveram de rever critérios ou alinhavar meia dúzia de argumentos não fosse alguém chamar-lhes mariquinhas. A base de toda esta mudança não é de facto material, mas sim uma necessidade global de se vestirem novas ideias e uma nova maneira de estar na vida e no mundo.
Será que estes miúdos (chamo-lhes eu hoje assim, do alto da minha quase sexagenária idade!) estavam preparados para tanto êxito? Nem eles, nem nós, nem nunca ninguém pode estar. Há um ditado que diz que o caminho se faz, caminhando; também a mudança se faz, mudando.
O grupo acabou na Primavera de 1970. A data de hoje é indicada como data oficial.
A mudança, contudo, continuou a contar com estes cabeludos irreverentes que ficarão para sempre gravados na História da Ideias e não só.
Let it be foi o nome do albúm gravado no auge do "fim".
Para mim a letra sabe-me a tema e a lema:
When I find myself in trouble, let it be!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

(...)

Já lá vai o tempo em que Samouco e "fim do mundo" queriam dizer a mesma coisa.
Quando vim morar para o Montijo, tive de deixar de usar a figura de estilo, pois apercebi-me que o fim do mundo estava demasiado perto dos meus novos lugares. A seguir à Escola, fica o Modelo, logo a seguir a prisão e, mais um bocadinho, estamos no Samouco.
Acho que, hoje, dezoito anos depois, no meu subconsciente, a associação do Samouco ao "fim-do-mundo" permanece, como o bosquímano do filme "Os Deuses devem estar loucos", que supôs ter chegado ao fim do mundo, quando chegou a um lugar onde a terra acabava e começava o mar...
No Samouco, há um pedaço de fim de terra e de começo de água, como no filme. A diferença é que se consegue vislumbrar o que há para lá do fim do mundo...
Todas as zonas de beira-rio são especialmente bonitas e hoje apeteceu-me ir apanhar sol (um bocadinho, só!) à "praia" do Samouco.
Levava na ideia o desejo de ver flamingos, mas não estava lá nenhum.
A maré estava vazia e havia muitos "apanhadores" de ameijoas a regressar e o comércio do delicioso petisco estava já em andamento. Os baldes cheios de ameijoas fizeram-me lembrar outros lodos bem distantes, onde passei muitas manhãs de domingo a apanhar a "bela" ameijoa!
Saudades? Sim! Mas doces. Nada de amarguras.A paisagem do rio naquele fim de mundo é muito bela e enche os sentidos de boas emoções. Até as saudades ficam tocadas pela beleza do lugar.
Posso garantir que este "fim-do-mundo" vale uma visita!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Inadvertidamente

Apaguei um post sobre a esperança e o medo... Em quase cinco anos, foi a primeira vez que isto me aconteceu.
Há sempre uma primeira vez. Vou tentar, pelo menos, recuperar os comentários que guardo na caixa do correio.
Consigo recuperar também a frase que me tinha "chamado" à reflexão:"He who despairs of the human condition is a coward, but he who has hope for it is a fool", de Albert Camus.
E a reflexão andava à roda desta ideia de estarmos emparedados entre o medo e a esperança...
Recupero também a fotografia.É o mais simples!Os comentários estão aqui:
O da Isabel:De facto, somos loucos em teimar na esperança. Mas que alternativa nos resta a sermos assim loucos? Acho que o que ainda nos resta é sermos loucos.
Beijinhos, Madalena.
O da IO:Grande Mad'! beijo,uma que gosta de se pensar mais louca que cobarde...
o da Lina: A Esperança sempre!!!! Beijinhos!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Parabéns, Diogo!

Andei por aqui à procura de um presente para ti e escolhi este poema de António Gedeão, teu "colega" de profissão!
Escolhi-o porque nos coloca perante os valores que nos orgulhamos de termos sido portadores, não tanto por tentarmos ser os pais perfeitos, que não somos, mas por termos tido a sorte de viver um tempo ímpar de culto desses valores, como a liberdade, ou melhor, as liberdades: a de escrever, a de falar e a essencial que serve de esteio a todas as outras.
Se misturares a liberdade com o sonho, obténs, certamente, momentos muito perfeitos.
E esses momentos serão para viver em cheio, Diogo!
Aos teus sonhos! Aos teus desejos!Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

sábado, 28 de março de 2009

Proverbial!

Palavras, leva-as o vento!
E como hoje o vento está forte, zangado, é melhor não deixar por aqui palavras nenhumas.Deixo apenas a quietude do caminho. Não a que eu tenho, mas a que eu desejo! O sossego que permite às árvores desenharem no céu as suas copas e no chão as suas sombras, quietas, como se estivessem a dormir o sono encantado do qual apenas acordarão com o beijo do príncipe.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é o dia...

em que as árvores se encontram com a poesia, mesmo que, para isso, os versos de Camões tenham de sair do Poema Maior, às escondidas. Nisto de poesia, não há que esperar regras rígidas, nem impor normas e leis para sempre. Um "poeta é um fingidor", como diz "um" Pessoa nosso conhecido e um fingidor pode fingir tudo, até "a dor que deveras sente".Hoje é também o Dia da Trissomia 21. A todos os que foram tocados por esta condição ou qualquer outra que obrigue a ir à luta com todas as forças do coração, um abraço grande, grande!
Imagem:da Ana Sousa,do livro "A Tia Árvore".(Uma pequena montagem que será desculpada pela artista!)

terça-feira, 17 de março de 2009

Carta

Queridos José, António, Ana, Joana, Patrícia, Sofia e tantos outros, que ficaria aqui a eternidade que me resta, a escrever os vossos nomes.
Se vos perguntarem, na rua, na escola, em casa, na pizzaria, se conhecem o Magalhães, dirão logo que sim, que é pequenino e engraçadinho. Que é muito giro, em suma!
Não sei se sabem quem vos está a escrever esta carta?
É o próprio Magalhães, de quem tão pouco sabem, pois a toda a hora se fala do Magalhães, o computador e nunca se ouve falar deste outro Magalhães, o navegador.
Enfim, é só mais um dissabor a juntar ao maior que tive na vida, quando D. Manuel reprovou o projecto maior dos meus sonhos de mar: navegar, navegar, navegar, até cumprir uma volta inteirinha à terra.
Diziam que não era possível, mas eu acreditava que sim, que havia de haver passagem, por estreita que fosse. E havia mesmo! Essa passagem ficou com o nome do vosso computador. Desculpem, também já estou quase a deixar-me embalar pela máquina da propaganda! Essa passagem ficou com o meu nome: Estreito de Magalhães.
Um dos historiadores do vosso tempo afirma, com muita certeza, que o que eu queria mesmo era descobrir um caminho para as Ilhas Molucas, por mar. Andaram a coscuvilhar umas cartas que troquei com um amigo que foi para as Índias.
Fui então apresentar a minha proposta ao jovem governante do reino vizinho, futuro Imperador Carlos V, e tive mais sorte. Os meus pais eram espanhóis e o meu sonho era universal, pois isto de ser marinheiro não se explica à luz das fronteiras e dos governos. No mar falam-se as línguas todas e não se fala nenhuma. Ali, o que fala mais alto é o valor da fome, da sede, da vida. Sobreviver é preciso e a vida é um dom mais precioso do que as riquezas de mil orientes.
E sabem o que é que os reinos de Portugal e Espanha queriam destas paragens distantes? Cravo. Uma especiaria que as vossas mães e avós usam na cozinha e que os médicos e farmacêuticos também usam muito. Havia também outras especiarias, mas esta devia ser a mais preciosa, já que um dos que regressou dessa viagem em que perdi a vida, carregou o navio inteirinho com cravo.
Já ouviram falar do Oceano Pacífico? Sabem quem lhe deu o nome? Eu! Para além de ter baptizado o mar, dei também o meu nome a umas nuvens que dali se avistam que afinal são galáxias, isto é, nuvens carregadinhas de estrelas e outros astros.
Pouco tempo depois, envolvi-me numa violenta luta, nas Filipinas e não voltei mais.
Dos duzentos e cinquenta que partimos, só dezoito regressaram. É muita vida perdida.
Mas o que eu não quero mesmo, meninas e meninas das escolas portuguesas, é que percam a memória daqueles que prepararam o mundo para ti, Joana, para ti, Tiago…
Regresso agora à minha condição de personagem da História, feliz por ter contribuído para enriquecerem o vosso conhecimento.
Até sempre!
Fernão de MagalhãesCarta baseada na ideia de José Jorge Letria, que deu forma ao seu último livro, O Que Darwin Escreveu a Deus

sexta-feira, 13 de março de 2009

Caminhos da água

Vou inventar um provérbio: marido aposentado, património visitado. Qualquer "ado" rima com aposentado, mas não é fácil arranjar um que refira exactamente o que eu quero.
Desta vez, a visita foi ao Aqueduto das Águas livres de Lisboa, monumento a que os meus olhos se habituaram, no final do eixo Norte-Sul, nos acessos à Ponte 25 de Abril. A minha condição saloia vem sempre à tona do meu entendimento e embasbaco-me perante monumentos que as mãos dos nossos antepassados fizeram, pedra a pedra, muro a muro, até quase roçar o céu. Os homens mesmo,os que vieram depois de Darwin!
Já lá diz o poeta: Com mãos tudo se faz e se desfaz!
Se calha ser um fim de tarde daqueles que se têm feito sentir nos últimos dias, eu desisto mesmo de entender. Eu simplesmente aceito e deixo que a beleza das pedras recortadas no pôr-do-sol me maravilhe até à mais ínfima parcela da minha emoção.
Só que esta visita foi ainda mais estranha: andámos lá dentro, onde corria a água e outras histórias menos cristalinas que compõem o imaginário além-história!
E aqui está um desses corredores intermináveis por onde corria a água que abastecia Lisboa! Uma claustrofobia vaga impediu-me de acelerar os sentidos e deixar-me embalar pela imaginação da água a correr. Mas, mesmo assim, valeu a pena. Até porque já passou.
De pedra em pedra, de monumento em monumento, lá vou melhorando o meu próprio património de conhecimento!

quinta-feira, 12 de março de 2009

(...)

São estranhos os tempos. Estes tempos.
O Verão anuncia-se, nos fins de tarde transbordantes de uma luz aquecida pelo desejo de largar agasalhos, botas e outros acessórios, que tresandam a inverno e a dias tristes e cinzentos.
Contudo, nestes maravilhosos dias de "verão", chegam até nós as notícias mais tristes. Todas podem ser mais ou menos tristes, mas o massacre numa escola paralisa-nos.
E ainda por cima, já não é a primeira vez que esta notícia sangra aos nossos olhos!Imagem:Museu Etnográfico da Alta Estremadura,quadro de sala de aula.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O fim do princípio

É normal ouvir-se a expressão:isto é o princípio do fim. Já a expressão do avesso, digamos assim, não é tão habitual. É pois um daqueles casos em que o avesso é para ficar sempre escondido, no avesso, ponto final.
Não é certamente este o caso de Sagres, que este ano, fiquei a conhecer um pouco melhor, na sua beleza intensa, na sua natureza agreste, no seu contraste, na sua resistência a um certo tipo de turismo confortável até mais não, no seu permanente pré-aviso de guerra entre as duas forças omnipresentes: a terra, dura, escarpada, imensa, castanho-cinza, esculpida pelo vento; e o mar, intenso e azul, sempre a rugir, violento, contra as escarpas, sem nunca se cansar, sem nunca parar.
Em Sagres está o verdadeiro limite: acaba a terra, começa o mar.
Foi neste lugar dominado pelo limite e o contrário que o Infante se fixou, para ligar, para sempre o povo ao mar...O Infante D. Henrique nasceu a 4 de Março,de 1394

segunda-feira, 2 de março de 2009

domingo, 1 de março de 2009

And the winner is...

Não sei porquê, mas o Congresso do PS fez-me lembrar uma cerimónia de Óscares de Hollywood. Não, não é ironia. Claro que não estavam lá estrelas a sério! Claro que não havia glamour! Claro que não houve limusinas, nem passadeiras vermelhas! (Pelo menos não vi.) Mas havia a intenção de criar um grande espectáculo à volta do "nada", como disse o Luís Pedro Nunes, no Eixo do Mal. Para disfarçar o nada? Não sei.
O problema é que o nada não é só o grande inimigo dos nossos políticos. O nada é o maior inimigo de todos nós.
Na História Interminável, ao Nada é dada a importância que ele tem: é uma força destruidora, altamente destruidora e de efeitos devastadores quando atinge Fantasia. Ou melhor, se atingir Fantasia. O importante é salvar Fantasia do Nada!
O importante é salvarmo-nos, pormo-nos a salvo do Nada.
O que eu hoje vi na televisão foi obra do Nada: a deprimência de um espectáculo que não chega a ninguém, não satisfaz ninguém, nem os próprios protagonistas.
O momento em que Vital Moreira subiu ao palco para receber o prémio fez-me lembrar vagamente aqueles momentos em que os nomeados vêem confirmada a sua expectativa. VM quis fazê-lo, falando em surpresa, na sua realização nas várias dimensões da vida. Surpresa? Eu não acredito! Há muito que se percebe que há "namoro". Não é em vão que se apoia um PM, o que aconteceu de modo muito explícito no caso dos professores e da (nossa) luta contra esta avaliação de desempenho, que é, em si mesma, um instrumento do Nada.
E como dirá a imprensa cor-de-rosa, o primeiro ministro estava lindo, elegante e Vital Moreira, apesar de lhe levar mais de uma década de vantagem, (ou des/vantagem? Não sei bem!) não lhe ficou atrás, bem chique nas riscas pretas e brancas da camisa, sem gravata, que acentua um certo negligé q.b.
Continuo a dizer que não percebo nada de política... Nem de Óscares, pelos vistos!