Hello, Paul!
Pois... Não me conheces de lado nenhum e eu estou aqui a tratar-te por tu com uma intimidade que pode parecer escandalosa aos olhos de muitos. Mas, eu, tu e mais uns muitos milhões de sessentões sabemos que esta intimidade é muito real e muito verdadeira. Não tem nada de especial, nem nada de fingido.
É que nós vivemos um tempo muito, muito especial: o nosso!
(Já o meu pai dizia isso em relação ao Frank Sinatra e aos Eddies todos de que ele falava, como se tivesse andado com eles na escola. Se calhar até andou... Com eles, esses grandes das cantigas e das telas, não andou. Mas andou pelas mesas do café de Lourenço Marques com o poeta Reinaldo (Ferreira). E a minha mãe andou com a Milú e outras estrelas de cinema nos Pátios das Cantigas e nas Costas dos Castelos. Era a figurante mais bonita!)
E agora é assim: (diz-se muito "é assim", antes de se começar mesmo a expor uma ideia.) Soube hoje que vais gravar com o Ringo, outra vez.
Hello, Ringo!
Desculpa ter-te passado assim para "segundos", mas tu eras mesmo o mais feio, dos quatro. O Paul era o mais bonito e tu o mais feio. mas, olha, vês como a idade também ajuda a compor algumas pessoas. Engordaste um bocadinho e o nariz enorme passou a parecer absolutamente proporcionado. Estás giro! Mais giro que o Paul, deixa-me dizer-te assim ao ouvido.
E eu aqui a lembrar-me das expressões do teu rosto que acompanhavam em intensidade a energia com que descarregavas as músicas nos tambores. ( Eu nunca percebi muito bem o que era tocar bateria. Tu foste talvez o único a que eu prestei mais atenção.) Tocavas mesmo de corpo inteiro e os teus braços voavam de um tambor mais longe, para um tambor mais perto à velocidade da nota musical.
Tenho de ir andando. É domingo mas as tarefas domésticas esperam-me. Quem diria que um dia dancei o twist and shout sem pensar na comida para fazer, na roupa para passar, no chão para limpar... Pois... Eu tinha dez anos!
domingo, 22 de novembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
Ele há coisas!!!!
Eu não consigo entender o que está a acontecer: o PM é o mesmo e tudo o que anteriormente defendeu relativamente à Avaliação dos Professores parece que não existiu.
Estará alguém a jogar com a memória das coisas que se passaram ao longo de quatro anos bem sofridos? Alegadamente, pois…
Eu não me esqueci e nunca vou poder esquecer o que passei, ao longo desses longuíssimos quarenta e oito meses (mais sete de juros!), de humilhação exercida a bel-prazer daqueles a quem a honra de servir um povo devia acometer de ideias de simplicidade e boa vontade.
Ser Ministro da Educação devia, e deve, ser sentido como uma responsabilidade imensa.
Devia estar no ponto mais alto das preocupações de um Ministro da Educação estabelecer uma ordem de coisas que fizesse felizes aqueles para quem a escola é uma "casa" depois da "casa": alunos e professores. Ninguém pode alegar como desculpa um desconhecimento absoluto da escola, pois todos foram um dia alunos! E não passou nenhuma máquina pela memória de ninguém! Nenhum tractor ou niveladora podem reduzir a nada o que aconteceu num tempo em que tudo o que é semente dá fruto! E a maior semente é mesmo a do futuro e não vale a pena iludirmo-nos: ao longo destes quatro anos "choveu chuva ácida" nas nossas plantações e doeu muito vermos fustigadas as esperanças, por raivas oriundas de todos os cantos da sociedade.
Eu senti muitas vezes aquele escárnio maligno a rasgar e a desfazer em pó toda a minha vida de professora. Não sou a melhor do mundo, nem da terra, nem da região, nem tão pouco da minha família, mas as minhas intenções foram sempre tão boas como as melhores e a sinceridade dos meus conhecimentos foi sempre a minha enxada.
E agora, Senhoras e Senhores, quando a Ministra diz, ou melhor, promete devolver aos professores a essência do seu trabalho, que é ensinar? Não era isto que queríamos? Era, sim!!!!! Isto!
E eu só descansarei quando voltar a ser professora como antes, sem embustes de espécie nenhuma. Só professora!
Espero que a vida ainda me dê o tempo que eu preciso para voltar a ser professora, livre dos pesadelos burocráticos da avaliação dos colegas que sabem tanto ou mais do que eu, apenas são mais jovens. Não me vou pôr a catar erros como quem cata piolhos e lêndeas em longos cabelos belos e entrançados. Não vou desmanchar as tranças dos mais novos. A única coisa que eu quero é que me ajudem e me ensinem! Porque eu ainda sei aprender. E foi o que aconteceu, no ano passado.
(Eu sei que a Célia vai ler isto! Obrigada, Célia!)
Estará alguém a jogar com a memória das coisas que se passaram ao longo de quatro anos bem sofridos? Alegadamente, pois…
Eu não me esqueci e nunca vou poder esquecer o que passei, ao longo desses longuíssimos quarenta e oito meses (mais sete de juros!), de humilhação exercida a bel-prazer daqueles a quem a honra de servir um povo devia acometer de ideias de simplicidade e boa vontade.
Ser Ministro da Educação devia, e deve, ser sentido como uma responsabilidade imensa.
Devia estar no ponto mais alto das preocupações de um Ministro da Educação estabelecer uma ordem de coisas que fizesse felizes aqueles para quem a escola é uma "casa" depois da "casa": alunos e professores. Ninguém pode alegar como desculpa um desconhecimento absoluto da escola, pois todos foram um dia alunos! E não passou nenhuma máquina pela memória de ninguém! Nenhum tractor ou niveladora podem reduzir a nada o que aconteceu num tempo em que tudo o que é semente dá fruto! E a maior semente é mesmo a do futuro e não vale a pena iludirmo-nos: ao longo destes quatro anos "choveu chuva ácida" nas nossas plantações e doeu muito vermos fustigadas as esperanças, por raivas oriundas de todos os cantos da sociedade.
Eu senti muitas vezes aquele escárnio maligno a rasgar e a desfazer em pó toda a minha vida de professora. Não sou a melhor do mundo, nem da terra, nem da região, nem tão pouco da minha família, mas as minhas intenções foram sempre tão boas como as melhores e a sinceridade dos meus conhecimentos foi sempre a minha enxada.
E agora, Senhoras e Senhores, quando a Ministra diz, ou melhor, promete devolver aos professores a essência do seu trabalho, que é ensinar? Não era isto que queríamos? Era, sim!!!!! Isto!
E eu só descansarei quando voltar a ser professora como antes, sem embustes de espécie nenhuma. Só professora!
Espero que a vida ainda me dê o tempo que eu preciso para voltar a ser professora, livre dos pesadelos burocráticos da avaliação dos colegas que sabem tanto ou mais do que eu, apenas são mais jovens. Não me vou pôr a catar erros como quem cata piolhos e lêndeas em longos cabelos belos e entrançados. Não vou desmanchar as tranças dos mais novos. A única coisa que eu quero é que me ajudem e me ensinem! Porque eu ainda sei aprender. E foi o que aconteceu, no ano passado.
(Eu sei que a Célia vai ler isto! Obrigada, Célia!)
terça-feira, 17 de novembro de 2009
De onde vêm as coisas boas?
As coisas muito boas têm sempre alguma magia ligada ao seu aparecimento!
Hoje fui tocada por essa magia e, mesmo correndo o risco enorme de parecer a pessoa mais vaidosa do planeta, vou pedir-vos que espreitem o blog da Ana e que vejam os desenhos lindos que os alunos dela fizeram sobre a Tia Árvore.
Obrigada, meninos e meninas! Obrigada, Ana!
Esta historiazinha tem-me trazido tanta, tanta alegria!
(Já tentei falar à Ana Sousa, autora das ilustrações, mas não consegui falar com ela. Tenho a certeza que ela vai querer também agradecer-vos, ela própria!)
Obrigada!
Hoje fui tocada por essa magia e, mesmo correndo o risco enorme de parecer a pessoa mais vaidosa do planeta, vou pedir-vos que espreitem o blog da Ana e que vejam os desenhos lindos que os alunos dela fizeram sobre a Tia Árvore.
Obrigada, meninos e meninas! Obrigada, Ana!
Esta historiazinha tem-me trazido tanta, tanta alegria!
(Já tentei falar à Ana Sousa, autora das ilustrações, mas não consegui falar com ela. Tenho a certeza que ela vai querer também agradecer-vos, ela própria!)
Obrigada!
domingo, 15 de novembro de 2009
É a moda!
Às quintas-feiras, o jornal portuense O Primeiro de Janeiro publicava, na secção «O que mais interessa às senhoras», artigos sobre moda. Na edição de 15 de Novembro de 1923, referenciava que as cloches e os godets dos vestidos que agora surgem como novidades, usaram-se nos fins do século XIX: «Nada na toilette feminina pode considerar-se criação moderna, pois que a moda se inspira, sempre, nas coisas do passado, modificando-as e adaptando-as à época». Sobre o uso de cabelos curtos, o articulista afirma que tal se deve ao facto de «os médicos, chamados à baila, declararem que todas as senhoras ou meninas que cortem o cabelo, o terão, dentro de breves anos, mais rijo e duro».
Fonte: O Primeiro de Janeiro n.º 268, de 15-11-1923, 55.º ano de publicação, p. 4
A fonte da fonte é esta: O Leme, um sítio que vale a pena consultar, pois estas "preciosidades" abundam.
Vejam só a desculpa que arranjaram para impor a moda do cabelo curto.
A moda tem que se lhe diga. Por um lado, é tão flexível que cada um pode ter a sua própria moda. Aquilo a que chamamos estilo.
Por outro lado, a moda impõe-se de tal modo que não usar nada, mesmo nada, do que a moda dita, pode levar a um complexo de diferença e até de inferioridade.
E a moda não é só trapos, sapatos e cabelos. A moda é tudo. Até há ideias que estão na moda e outras que estão completamente fora de moda. No entanto, à medida que o nosso tempo passa, passa também o medo de confrontar os outros com as nossas ideias, por muito antiquadas (ou avançadas) que pareçam. Isso é segurança e a segurança é moda "sénior". Acreditem!
Fonte: O Primeiro de Janeiro n.º 268, de 15-11-1923, 55.º ano de publicação, p. 4
A fonte da fonte é esta: O Leme, um sítio que vale a pena consultar, pois estas "preciosidades" abundam.
Vejam só a desculpa que arranjaram para impor a moda do cabelo curto.
A moda tem que se lhe diga. Por um lado, é tão flexível que cada um pode ter a sua própria moda. Aquilo a que chamamos estilo.
Por outro lado, a moda impõe-se de tal modo que não usar nada, mesmo nada, do que a moda dita, pode levar a um complexo de diferença e até de inferioridade.
E a moda não é só trapos, sapatos e cabelos. A moda é tudo. Até há ideias que estão na moda e outras que estão completamente fora de moda. No entanto, à medida que o nosso tempo passa, passa também o medo de confrontar os outros com as nossas ideias, por muito antiquadas (ou avançadas) que pareçam. Isso é segurança e a segurança é moda "sénior". Acreditem!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Aniversariamente: Cecília Meireles
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecíla Meireles
O medo de acabar! Assim, tão descarado, a dizer-nos quem é. Ele que nos bate à porta todos os dias, aparece-nos, pela voz da Poesia, a dizer-nos que afinal todos os dias nos renovamos!
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecíla Meireles
O medo de acabar! Assim, tão descarado, a dizer-nos quem é. Ele que nos bate à porta todos os dias, aparece-nos, pela voz da Poesia, a dizer-nos que afinal todos os dias nos renovamos!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
No aniversário de Sophia
Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar. Sophia de Mello Breyner Andresen
“Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.” (Alice Vieira)
Quando a poesia toca um ser, todos os seus actos, escritos ou não, passam pela poesia. Todos os actos de Sophia parecem brotar da poesia.
De Sophia de Mello Breyner conhece-se o apego ao mar. O mar é como a poetisa uma força da natureza, uma força que não cede, que não se verga, que não ilude nem desilude, que dá o prazer e o pão. O mar é uma dimensão da obra de Sophia, tratado na “Saga”, de maneira ímpar. O mar que mata, que colhe vidas e transforma vidas, como a do pequeno Hans, que aos catorze anos largou a terra, longe, e se fez ao mar. O mar era para Hans uma proibição. O pai nunca lhe perdoaria a desobediência e Hans jamais poderia voltar à sua aldeia, a Vik, rever os seus, porque também ele, homem do mar, sabia que, na índole do marinheiro, o perdão é uma transigência menor.
As crianças são poesia. Por isso uma grande parte da vasta obra de Sophia tem como destinatário o público infantil. E lá está o mar! A gente do mar e a gente da terra. A Menina do Mar! Tão pequenina que cabe num baldinho da praia, daqueles que os meninos transportam do toldo para a beira-mar e da beira-mar para o toldo! Ela e um desses meninos travam conhecimento e querem trocar saberes. Ele quer levar-lhe o fogo e o perfume. Coisas de sensações! Ela quer levá-lo ao fundo do mar. Ele quer explicar-lhe o que é a saudade, que é da terra, mas que o mar ajuda a entender.
(A filha, Maria de Sousa Tavares, diz que a mãe lhes transmitiu “desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar...”)
A fé aparece na poetisa como o desenvolvimento natural de alguém tocado pela poesia. A fé também é um dom. E, mesmo em tempos conturbados, lá está Sophia, com a sua fé e a sua verdade. No entanto, a sua sensibilidade sempre atenta está pronta a desmascarar a hipocrisia. Mónica é uma personagem que denuncia o falso cristão. Mónica faz casaquinhos de lã para os meninos pobres, que já terão morrido de fome, quando os casacos de tricot estiverem prontos. “Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.”
Para os mais pequeninos há a lição do Natal, que surge na sua obra invariavelmente ligado aos valores cristãos. A Noite de Natal aproxima duas crianças que, crescendo juntas, não podem viver o mesmo Natal de fartura. Mas a pequena Joana vai ao encontro do Manuel, para que ele também tenha presentes na noite de Natal. E a magia dessa noite torna tudo possível: até a Joana ser guiada pelas estrelas, como aconteceu com os Reis Magos, há mais de dois mil anos.
Para celebrar a noite sagrada, o Cavaleiro da Dinamarca parte para Jerusalém, cumprindo assim um voto e um desejo. No regresso, é apanhado por muitos perigos mas a estrela que guia os homens bons de todos os tempos vai mostrar-lhe também o caminho, iluminando a gigantesca árvore do seu quintal.
Elaborados estudos falam da poesia de Sophia, da essência do eu poético. Muitos entrelaçam a mulher e a sua obra. Mas foi precisamente num texto em prosa que encontrei a alma feminina, a sensibilidade da mulher, a consciência plena do seu papel no trajecto- vida. Foi num dos “Contos Exemplares”, A Viagem. O homem e a mulher iniciam um caminho. Nesse ponto de partida ela é o ser mais frágil, ele é o mais forte. Ao longo da viagem, cujo destino é um lugar maravilhoso, onde nunca estiveram antes, a mulher vai-se tornando o ser mais forte, o que não a impede de expressar o medo. “Tenho medo” diz ela.
Foi este o texto que escolhi para fechar o "Banquete de Textos".
A seguir ainda escrevi: Com os seus pontos finais parágrafos, as folhas resguardam-se nas suas capas, suspirando por novos convivas.
A manhã está perto. A manhã está já ali. A manhã está sempre ali, feita de futuro, esculpida de brilho.
Até à manhã!
“Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.” (Alice Vieira)
Quando a poesia toca um ser, todos os seus actos, escritos ou não, passam pela poesia. Todos os actos de Sophia parecem brotar da poesia.
De Sophia de Mello Breyner conhece-se o apego ao mar. O mar é como a poetisa uma força da natureza, uma força que não cede, que não se verga, que não ilude nem desilude, que dá o prazer e o pão. O mar é uma dimensão da obra de Sophia, tratado na “Saga”, de maneira ímpar. O mar que mata, que colhe vidas e transforma vidas, como a do pequeno Hans, que aos catorze anos largou a terra, longe, e se fez ao mar. O mar era para Hans uma proibição. O pai nunca lhe perdoaria a desobediência e Hans jamais poderia voltar à sua aldeia, a Vik, rever os seus, porque também ele, homem do mar, sabia que, na índole do marinheiro, o perdão é uma transigência menor.
As crianças são poesia. Por isso uma grande parte da vasta obra de Sophia tem como destinatário o público infantil. E lá está o mar! A gente do mar e a gente da terra. A Menina do Mar! Tão pequenina que cabe num baldinho da praia, daqueles que os meninos transportam do toldo para a beira-mar e da beira-mar para o toldo! Ela e um desses meninos travam conhecimento e querem trocar saberes. Ele quer levar-lhe o fogo e o perfume. Coisas de sensações! Ela quer levá-lo ao fundo do mar. Ele quer explicar-lhe o que é a saudade, que é da terra, mas que o mar ajuda a entender.
(A filha, Maria de Sousa Tavares, diz que a mãe lhes transmitiu “desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar...”)
A fé aparece na poetisa como o desenvolvimento natural de alguém tocado pela poesia. A fé também é um dom. E, mesmo em tempos conturbados, lá está Sophia, com a sua fé e a sua verdade. No entanto, a sua sensibilidade sempre atenta está pronta a desmascarar a hipocrisia. Mónica é uma personagem que denuncia o falso cristão. Mónica faz casaquinhos de lã para os meninos pobres, que já terão morrido de fome, quando os casacos de tricot estiverem prontos. “Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.”
Para os mais pequeninos há a lição do Natal, que surge na sua obra invariavelmente ligado aos valores cristãos. A Noite de Natal aproxima duas crianças que, crescendo juntas, não podem viver o mesmo Natal de fartura. Mas a pequena Joana vai ao encontro do Manuel, para que ele também tenha presentes na noite de Natal. E a magia dessa noite torna tudo possível: até a Joana ser guiada pelas estrelas, como aconteceu com os Reis Magos, há mais de dois mil anos.
Para celebrar a noite sagrada, o Cavaleiro da Dinamarca parte para Jerusalém, cumprindo assim um voto e um desejo. No regresso, é apanhado por muitos perigos mas a estrela que guia os homens bons de todos os tempos vai mostrar-lhe também o caminho, iluminando a gigantesca árvore do seu quintal.
Elaborados estudos falam da poesia de Sophia, da essência do eu poético. Muitos entrelaçam a mulher e a sua obra. Mas foi precisamente num texto em prosa que encontrei a alma feminina, a sensibilidade da mulher, a consciência plena do seu papel no trajecto- vida. Foi num dos “Contos Exemplares”, A Viagem. O homem e a mulher iniciam um caminho. Nesse ponto de partida ela é o ser mais frágil, ele é o mais forte. Ao longo da viagem, cujo destino é um lugar maravilhoso, onde nunca estiveram antes, a mulher vai-se tornando o ser mais forte, o que não a impede de expressar o medo. “Tenho medo” diz ela.
Foi este o texto que escolhi para fechar o "Banquete de Textos".
A seguir ainda escrevi: Com os seus pontos finais parágrafos, as folhas resguardam-se nas suas capas, suspirando por novos convivas.
A manhã está perto. A manhã está já ali. A manhã está sempre ali, feita de futuro, esculpida de brilho.
Até à manhã!
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Selo

Mania – Que... enfim... já fui o que tinha de ser e agora já não há melhoramentos possíveis; que incomodo; que não consigo...
Pecado capital - Talvez preguiça...
Melhor Cheiro do Mundo - o cheiro a gente, a alguém, a outro...
Se o dinheiro não constituísse problema - Gastava...
História de Infância - Todas com o mesmo cenário, o mesmo espaço: a casa da minha avó Madalena...
Habilidade como dona de casa - Ir ao supermercado...
O que não gosto de fazer em casa- Vá lá que parece que há consenso...
Frase preferida - As "máximas" do meu pai. A última: Eu acredito em Deus e Deus acredita em mim.
Passeio para o corpo - Qualquer que ao corpo apeteça, debaixo de um sol que não queime, apenas aqueça...
O que me irrita - A componente não-lectiva!!!!!!!!! Obrigam-me a perder tempo, encafuada em arrecadações (se não são, parecem!) que nem as minahs vaquinhas da farmville são tão destratadas!!!
Talento oculto - Também já era...
Frases que uso recorrentemente - As perguntas de massacre de índole maternal, do género: Dormiste bem? Está tudo bem? Sente-te bem? Precisas de alguma coisa? E, para variar, há a lamúria: Já ninguém gosta de mim!
Palavrão mais usado - Poça!
Não importa que seja moda,não usaria jamais -Cabelo pintado de loiro.
Quem dera ter nascido a saber - Nunca pensei nisso!
O Selo veio da casa da Teresa, a Princesa dos Algarves e vai daqui para Bruxelas, para o Barreiro e para Lisboa e para Lisboa!
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Aniversariamente - Jorge de Sena
"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso."
A inquietação de Jorge de Sena é a inquietação colectiva. Todos tememos pelo futuro, principalmente por aquele que vai preencher as vidas dos nossos filhos e pelo qual nos julgamos (e somos!), de algum modo responsáveis.
Eu e todos os pais do mundo queremos o melhor para eles e insistimos nesse desejo.
Isto não é só coisa de poeta. É coisa de gente comum, mas ainda bem que o poeta a eternizou.
A Mécia (mulher do poeta) muito cansada, os pequenos felizmente muito bem e adaptando-se bem demais à vida americana (que, acrescentada dos vícios do Brasil, onde os meninos esperam que lhes façam tudo, se torna um inferno doméstico). Mas vão passando nas escolas.(...)
Afinal um poeta também é pai de carne, osso, nervos, medos, desejos e ambições e pequenas desilusões como a que contou a Sophia nas suas cartas...
A inquietação de Jorge de Sena é a inquietação colectiva. Todos tememos pelo futuro, principalmente por aquele que vai preencher as vidas dos nossos filhos e pelo qual nos julgamos (e somos!), de algum modo responsáveis.
Eu e todos os pais do mundo queremos o melhor para eles e insistimos nesse desejo.
Isto não é só coisa de poeta. É coisa de gente comum, mas ainda bem que o poeta a eternizou.
A Mécia (mulher do poeta) muito cansada, os pequenos felizmente muito bem e adaptando-se bem demais à vida americana (que, acrescentada dos vícios do Brasil, onde os meninos esperam que lhes façam tudo, se torna um inferno doméstico). Mas vão passando nas escolas.(...)
Afinal um poeta também é pai de carne, osso, nervos, medos, desejos e ambições e pequenas desilusões como a que contou a Sophia nas suas cartas...
domingo, 1 de novembro de 2009
Diário de uma terapia
.Já fez cinco anos que o Diário de Uma Terapia foi publicado! Ali está narrado, de modo mais ou menos ficcionado- já que a mulher é uma ficção da própria autora- toda a evolução psicológia da mulher que passa pela experiência cor de rosa do cancro da mama. Acredito que o livro, entretanto já esgotado, volte às livrarias, um destes dias.Ficha técnica- Diário de Uma Terapia, Ana de Sousa, Editora Ela Por Ela.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Velhos são os trapos...
Dia Mundial da Terceira Idade! É hoje, dizem. E dizem também que foi proclamado pelas Nações Unidas, para que as precárias condições de vida, desde a saúde do corpo à solidão, sejam sentidas pelos outros, os das outras idades. Talvez exclusão, em vez de solidão, seja mais verdade, apesar de mais duro de admitir.
Um dos mais famosos velhos da nossa literatura talvez seja o do Restelo que preenche, na epopeia, o lugar que os versos reservaram para a outra visão dos acontecimentos. Não foi para mudar o rumo das coisas, pois elas já tinham, como todos sabemos, acontecido!
Uma outra figura emerge também das páginas de um livro directamente para a minha esfera interior de afectos especiais: a avó Josefa, a avó do (polémico até dizer basta!) Saramago. É um texto antigo, em que o escritor celebra alguém que, distante no entendimento das coisas, lhe propõe um olhar sobre a vida, sobre o mundo, sobre as coisas que passa por uma simplicidade inebriante. "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer!", dizia a avó Josefa, sensível ao "casamento das princesas" e ao "roubo dos coelhos da vizinha", indiferente às tecnologias, orgulhosa da memória da beleza da juventude. "Dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito."
A minha avó Madalena tinha tudo isto: um "saber de experiências feito" e o seu olhar sobre a vida, à luz do verde que o dominava, entranhou-se no nosso futuro, agora presente, como um legado não só genético, mas também cultural, também eivado, como a avó Josefa, de uma simplicidade desconcertante.
À minha avó Clotilde, revejo-a sempre a descer a rua, em direcção à casa da amiga, com uma expressão sofrida e pouco penetrável. Era a ausência já a entrar com ela! Protegia-se do sol com um guarda-sol enorme, muito redondo, que produzia a sombra redonda que acompanhava os contornos que o próprio corpo desenhava no passeio. O seu andar era ritmado e certo. Tudo nela me diz que o que a derrubou foi a sua própria resistência!
Do meu avô Abraão herdei o amor à "Cidade e as Serras" e do meu avô Jorge ficou-me a certeza que a teimosia não pode tudo e que mesmo os mais duros cedem às certezas do amor.
Velho é o Pai Natal e ninguém o quer ver pelas costas!
Um dos mais famosos velhos da nossa literatura talvez seja o do Restelo que preenche, na epopeia, o lugar que os versos reservaram para a outra visão dos acontecimentos. Não foi para mudar o rumo das coisas, pois elas já tinham, como todos sabemos, acontecido!
Uma outra figura emerge também das páginas de um livro directamente para a minha esfera interior de afectos especiais: a avó Josefa, a avó do (polémico até dizer basta!) Saramago. É um texto antigo, em que o escritor celebra alguém que, distante no entendimento das coisas, lhe propõe um olhar sobre a vida, sobre o mundo, sobre as coisas que passa por uma simplicidade inebriante. "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer!", dizia a avó Josefa, sensível ao "casamento das princesas" e ao "roubo dos coelhos da vizinha", indiferente às tecnologias, orgulhosa da memória da beleza da juventude. "Dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito."
A minha avó Madalena tinha tudo isto: um "saber de experiências feito" e o seu olhar sobre a vida, à luz do verde que o dominava, entranhou-se no nosso futuro, agora presente, como um legado não só genético, mas também cultural, também eivado, como a avó Josefa, de uma simplicidade desconcertante.
À minha avó Clotilde, revejo-a sempre a descer a rua, em direcção à casa da amiga, com uma expressão sofrida e pouco penetrável. Era a ausência já a entrar com ela! Protegia-se do sol com um guarda-sol enorme, muito redondo, que produzia a sombra redonda que acompanhava os contornos que o próprio corpo desenhava no passeio. O seu andar era ritmado e certo. Tudo nela me diz que o que a derrubou foi a sua própria resistência!
Do meu avô Abraão herdei o amor à "Cidade e as Serras" e do meu avô Jorge ficou-me a certeza que a teimosia não pode tudo e que mesmo os mais duros cedem às certezas do amor.
Velho é o Pai Natal e ninguém o quer ver pelas costas!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Do dia e dos dias
O que eu menos quero é acordar com polémica, conflitos e acidentes por causa do mau tempo. Mas é o que corre nos nossos noticiários, logo pela manhã. E conseguem acordar-nos!
Como diz o MEC (Não é bem o meu guru, mas quase!), só se prevê o previsível: a chuva no Outono e o as opiniões de Saramago. Apenas os trinta e dois novos planetas são capazes de embasbacar o nosso cérebro!
(Espero que um deles seja o asteróide B612! Pelo menos aí há alguém que leva a sério as ovelhas, as rosas e o pôr-do-sol!)
A propósito de Saramago, convém lembrar que a Basílica de Mafra foi consagrada neste dia 22 de Outubro, em 1730, dia dos anos de Rei D.João V.
O Convento de Mafra confronta-me com a minha pequenez, com uma falta de sentido para a vida que não passe pela grandiosidade daquela imensidão de pedra recheada de memórias de homens mais fidalgos ou menos fidalgos que conseguiram elevar a pedra além da paisagem.
Gosto de Mafra. Gosto do Memorial do Convento de Saramago e tenho pena que os senhores que contestam as opiniões do escritor não tenham lido nas páginas do Memorial do Convento, no pensamento do Padre Bartolomeu de Gusmão à conversa com Baltazar e Blimunda, a ideia de um Deus à medida das nossas imperfeições, com a capacidade de perdoar que, a existir, só pode ser divina.
Só há um perdão possível: aquele que transcende a nossa compreensão!
Foi sobre Saramago e o Memorial que eu escrevi, há anos, uma pequena sugestão de leitura que foi publicada no Jornal cá da terra. Vou deixá-lo, tal e qual, guardado aqui.
Como diz o MEC (Não é bem o meu guru, mas quase!), só se prevê o previsível: a chuva no Outono e o as opiniões de Saramago. Apenas os trinta e dois novos planetas são capazes de embasbacar o nosso cérebro!
(Espero que um deles seja o asteróide B612! Pelo menos aí há alguém que leva a sério as ovelhas, as rosas e o pôr-do-sol!)
A propósito de Saramago, convém lembrar que a Basílica de Mafra foi consagrada neste dia 22 de Outubro, em 1730, dia dos anos de Rei D.João V.
O Convento de Mafra confronta-me com a minha pequenez, com uma falta de sentido para a vida que não passe pela grandiosidade daquela imensidão de pedra recheada de memórias de homens mais fidalgos ou menos fidalgos que conseguiram elevar a pedra além da paisagem.
Gosto de Mafra. Gosto do Memorial do Convento de Saramago e tenho pena que os senhores que contestam as opiniões do escritor não tenham lido nas páginas do Memorial do Convento, no pensamento do Padre Bartolomeu de Gusmão à conversa com Baltazar e Blimunda, a ideia de um Deus à medida das nossas imperfeições, com a capacidade de perdoar que, a existir, só pode ser divina.
Só há um perdão possível: aquele que transcende a nossa compreensão!
Foi sobre Saramago e o Memorial que eu escrevi, há anos, uma pequena sugestão de leitura que foi publicada no Jornal cá da terra. Vou deixá-lo, tal e qual, guardado aqui.
sábado, 17 de outubro de 2009
doclisboa2009
"A realizadora Diana Andringa nasceu em 1947 no Dundo, centro de uma das mais importantes companhias coloniais de Angola, a Diamang. Ali foi feliz. Ali aprendeu o racismo e o colonialismo. Agora volta, porque o Dundo é a sua única pátria, a mais antiga das suas memórias."
Fui ver e o que vi e senti ultrapassou todas as expectativas.
É um registo autobiográfico que acontece quando todo e qualquer conflito interior se resolve. Neste caso, é fácil perceber que aconteceu porque a Diana Andriga muniu as suas vivências e memórias da mais inteira honestidade. O resultado vem aos nossos olhos e ultrapassa a barreira dos nossos preconceitos: é possível sarar a ferida colonial que, eventualmente, ainda dói em muitos de nós!
(Foi um convite por "inerência": o Jorge nasceu no Dundo, em 1947. Eu sou da outra costa, como é sabido!)
imagem daqui
Fui ver e o que vi e senti ultrapassou todas as expectativas.
É um registo autobiográfico que acontece quando todo e qualquer conflito interior se resolve. Neste caso, é fácil perceber que aconteceu porque a Diana Andriga muniu as suas vivências e memórias da mais inteira honestidade. O resultado vem aos nossos olhos e ultrapassa a barreira dos nossos preconceitos: é possível sarar a ferida colonial que, eventualmente, ainda dói em muitos de nós!
(Foi um convite por "inerência": o Jorge nasceu no Dundo, em 1947. Eu sou da outra costa, como é sabido!)
imagem daqui
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
A carta
Querida Célia,
Espero que esta te vá encontrar de boa saúde, junto dos teus.
Era assim que começavam as cartas no tempo das cartas e no tempo em que eu tricotava gorros e camisolas, o que te admirou muito.
Minha querida Célia, eu até me envergonho de expor aqui, nesta missiva, os meus dotes de "modas e bordados" que, lamentavelmente, fui perdendo ao longo dos anos.
Pois eu fazia camisolas e gorros para a família toda. Chegámos a ter camisolas iguais: o Jorge, o Diogo e eu. Para o Rafael fiz um casaco muito grosso, por onde não entrava frio nenhum, com capuz e botões de madeira. Fazia cobertas para os berços e bordava "Asterixes" nos cobertores das caminhas...
Mas antes disso, frequentei (lê bem), frequentei um curso de bordados à máquina. Mas estes bordados não eram definitivamente a minha especialidade. Não cheguei a fazer nenhuma obra que se visse.
Eu sempre preferi o tricô e quando me sentava a ver um filme levava comigo o trabalho que tinha em mãos.
Uma das muitas recordações que tenho do período revolucionário está relacionada com o tricô.
Enquanto tentávamos ir de Odivelas para a Costa da Caparica, passámos por tantas "barricadas", que tricotei, pelo menos, um par de botas, por sinal as que o Diogo "vestiu" no dia em que nasceu.
Era a Vida! Era a Moda!
Obrigada pela tua amizade. Para alguém tão antigo como eu, é uma honra contar com a amizade de pessoas como tu.
Um beijinho da tua amiga que nunca te esquece
Madalena
Espero que esta te vá encontrar de boa saúde, junto dos teus.
Era assim que começavam as cartas no tempo das cartas e no tempo em que eu tricotava gorros e camisolas, o que te admirou muito.
Minha querida Célia, eu até me envergonho de expor aqui, nesta missiva, os meus dotes de "modas e bordados" que, lamentavelmente, fui perdendo ao longo dos anos.
Pois eu fazia camisolas e gorros para a família toda. Chegámos a ter camisolas iguais: o Jorge, o Diogo e eu. Para o Rafael fiz um casaco muito grosso, por onde não entrava frio nenhum, com capuz e botões de madeira. Fazia cobertas para os berços e bordava "Asterixes" nos cobertores das caminhas...
Mas antes disso, frequentei (lê bem), frequentei um curso de bordados à máquina. Mas estes bordados não eram definitivamente a minha especialidade. Não cheguei a fazer nenhuma obra que se visse.
Eu sempre preferi o tricô e quando me sentava a ver um filme levava comigo o trabalho que tinha em mãos.
Uma das muitas recordações que tenho do período revolucionário está relacionada com o tricô.
Enquanto tentávamos ir de Odivelas para a Costa da Caparica, passámos por tantas "barricadas", que tricotei, pelo menos, um par de botas, por sinal as que o Diogo "vestiu" no dia em que nasceu.
Era a Vida! Era a Moda!
Obrigada pela tua amizade. Para alguém tão antigo como eu, é uma honra contar com a amizade de pessoas como tu.
Um beijinho da tua amiga que nunca te esquece
Madalena
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
O dia em que conheci Lisboa
Foi assim que eu te conheci Lisboa!
Esse Outubro recebeu-me com muito sol e com muito calor. Eu que sonhava com Invernos que nunca tinha experimentado e trazia na bagagem camisolas de lã, um fato castanho de fazenda quente, um casaco comprido e gorros que tinha tricotado, mesmo não tendo nunca sentido frio. O frio ia fazer parte dos novos capítulos da minha vida. Quem sabe, talvez chegasse um dia a usar luvas e chapéu, como as elegantes senhoras que assim se enfeitavam quando iam à Baixa! Isto era o que a minha mãe me descrevia, enlevada e vaidosa da sua cidade-berço!
Eu sabia-te de cor, Cidade!
E, de repente, ali estavas tu, Cidade, com a tua ponte e o teu rio a entrar nas minhas emoções pela janela do avião. Como diz um fado: "bordada" pela luz da manhã.
(Outubro, 12, 1970)
Esse Outubro recebeu-me com muito sol e com muito calor. Eu que sonhava com Invernos que nunca tinha experimentado e trazia na bagagem camisolas de lã, um fato castanho de fazenda quente, um casaco comprido e gorros que tinha tricotado, mesmo não tendo nunca sentido frio. O frio ia fazer parte dos novos capítulos da minha vida. Quem sabe, talvez chegasse um dia a usar luvas e chapéu, como as elegantes senhoras que assim se enfeitavam quando iam à Baixa! Isto era o que a minha mãe me descrevia, enlevada e vaidosa da sua cidade-berço!
Eu sabia-te de cor, Cidade!
E, de repente, ali estavas tu, Cidade, com a tua ponte e o teu rio a entrar nas minhas emoções pela janela do avião. Como diz um fado: "bordada" pela luz da manhã.
(Outubro, 12, 1970)
domingo, 11 de outubro de 2009
Parabéns, Mamã!
A Minha Rua
A minha Rua estava ali toda.
Toda?
Não!
Todos os que tinham, e têm, menos quatro ou cinco anos do que eu.
Tive de lhes explicar que não podia lembrar-me deles, porque, nesse tempo donde eles estão a chegar a todo o momento, eu tinha dezoito anos, idade de grande responsabilidade e eles tinham então uns míseros treze. Alguns até menos. Eram umas crianças ao pé de mim, mulher feita, já a pensar em casar e ter muitos filhos (Eu e a Susaninha!). Podia lá lembrar-me daqueles fedelhos!
Eu não me lembrava, mas eles sim! E que bom foi perceber que cabia nas boas memórias daquelas infâncias que povoavam a minha rua, com bolas, bicicletas, carrinhos de rolamentos, patins, braços e pernas de gesso, genialmente decoradas com corações e outras insinuações!
Quero pedir desculpa aqueles miúdos por não lhes ter prestado a devida atenção lá na rua. Mal sabia eu que um dia iria lamentar não o ter feito. Que hoje me envergonharia. Eles tinham tantas memórias de mim para me oferecer. Eu não tinha nada. Só as minhas humildes desculpas!!!!
Toda?
Não!
Todos os que tinham, e têm, menos quatro ou cinco anos do que eu.
Tive de lhes explicar que não podia lembrar-me deles, porque, nesse tempo donde eles estão a chegar a todo o momento, eu tinha dezoito anos, idade de grande responsabilidade e eles tinham então uns míseros treze. Alguns até menos. Eram umas crianças ao pé de mim, mulher feita, já a pensar em casar e ter muitos filhos (Eu e a Susaninha!). Podia lá lembrar-me daqueles fedelhos!
Eu não me lembrava, mas eles sim! E que bom foi perceber que cabia nas boas memórias daquelas infâncias que povoavam a minha rua, com bolas, bicicletas, carrinhos de rolamentos, patins, braços e pernas de gesso, genialmente decoradas com corações e outras insinuações!
Quero pedir desculpa aqueles miúdos por não lhes ter prestado a devida atenção lá na rua. Mal sabia eu que um dia iria lamentar não o ter feito. Que hoje me envergonharia. Eles tinham tantas memórias de mim para me oferecer. Eu não tinha nada. Só as minhas humildes desculpas!!!!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A Paz
Obama é Nobel da Paz 2009. A sua responsabilidade no contributo para a Paz era já grande. Agora é enorme!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Dias dos Professores
Acho que é altura de reflectirmos seriamente sobre a Escola que queremos para os nossos filhos ou netos, sobre os Professores que queremos para os nossos filhos ou netos.
Eu quero, para os mais netos, uma escola que lhes ensine e os ajude a serem livres e que aprendam a fazer da Liberdade uma bandeira. Eu quero que os professores os ensinem a pensar, a pensar muito, a pensar em tudo. Quero professores emissários da Fantasia, da fantasia que alimenta a imaginação que os ajudará a construir um Mundo Melhor.
Eu quero que as coisas simples deslumbrem os meus netos! Uma maçã, um bolo, um brinquedo...
Quero que aprendam a admirar os outros, os admiráveis, tirando, do exemplo dos outros, uma lição de vida.
Que tirem da Natureza, também, a lição de Vida que ela nos ensina constantemente.
Que saibam julgar, sem condenar. Que saibam perdoar, sem humilhar.
Que saibam amar sem se subjugar!
Eu quero, para os mais netos, uma escola que lhes ensine e os ajude a serem livres e que aprendam a fazer da Liberdade uma bandeira. Eu quero que os professores os ensinem a pensar, a pensar muito, a pensar em tudo. Quero professores emissários da Fantasia, da fantasia que alimenta a imaginação que os ajudará a construir um Mundo Melhor.
Eu quero que as coisas simples deslumbrem os meus netos! Uma maçã, um bolo, um brinquedo...
Quero que aprendam a admirar os outros, os admiráveis, tirando, do exemplo dos outros, uma lição de vida.
Que tirem da Natureza, também, a lição de Vida que ela nos ensina constantemente.
Que saibam julgar, sem condenar. Que saibam perdoar, sem humilhar.
Que saibam amar sem se subjugar!
Onde pára o Outono?
Os dias estão lindos de viver, de olhar, de contemplar. Até as noites sabem a iguaria preparada por deuses que sabem quanta vida o sol nos traz à vida.
Adeus sol! Adeus mês de Agosto! Adeus mês de Setembro! Olá às coisas lá de cima, ao contrário do L.A. que cumprimenta as coisas aqui em baixo. Olá às nuvens douradas que se espreguiçam no céu, arroxeando os limites do horizonte, tingindo de negro os ramos que ousam rasgar o azul, o ouro...
Não venhas cedo!
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