quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

So this was Christmas!

I hope you had fun!

Outros lados do Natal!

O Natal recupera quase sempre o melhor de cada um de nós. Remete-nos para o paraíso quase/talvez perdido de uma infância que se pressente cheia de futuro e de sentido de vida.
Atrás de Natal, Natal vem. O nosso próprio Natal/Menino parece esconder-se envergonhado de ainda querer sonhar.
Depois, pela vida fora, vamos experimentando vários Natais e é preciso reconhecê-los por um sabor, por um sino, por uma estrela... Por únicos que sejam os sinais de Natal, devemos dar-lhes a atenção que merecem e a oportunidade que procuram: acordar a Fantasia adormecida!25 de Dezembro de 2009, Albufeira, Mamma Mia

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A todos, um bom Natal!

Os dias de Natal são normalmente marcados pela quietude e este não foge a essa regra. Daqui a pouco, fazemo-nos à estrada, eu e o Jorge, ela também, habitualmente, quieta e só, mas de uma solidão que só dói se uma outra dor qualquer se impõe. Só por si, esta solidão de Natal acompanha um sentimento próprio da época, seja-se ou não cristão. Eu gosto muito do significado essencial do Natal. A cena do presépio é sem dúvida uma atracção para os nossos sentimentos, para as nossas emoções. Parece que o sentido da Vida ganha força e se estabelece para lá de todo o mal que o mundo conhece.Para todos, um Bom Natal!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Inverno. Próxima Estação...

Há correspondência com a Linha da Primavera, onde poderão desaguar em ninhos de passarinhos, chilreadas de ensurdecer, cheiros de criar espirros, cores de entontecer.
Chegámos, finalmente, à estação dos dias pequenos e das noites sem fim.
O Outono foi a longa viagem. Agora já cá estamos e é só pegar em tudo o que o tempo dá de melhor e aquecer a alma. Primeiro, o Natal. O súbito desejo de acreditar que a magia funciona e que nos devolve a esperança. Depois o novo ano, este já de si tão embrulhado na ideia da renovação.
Chegámos ao Inverno. Próxima estação: Primavera! Vista da minha janela, virada para a Ponte Vasco da Gama: primeiro, a minha rua; depois os campos ajardinados e semeados de prédios, candeeiros e frágeis árvores que se esticam até ao céu mais próximo; depois, a circular; do lado de lá da circular, há espaço que seria lindo se revestido de verde... Mas não! A maioria das vezes é fumo das fábricas próximas. Ou restos delas. Finalmente a linha recta que se ajeita paralela ao horizonte e se enfeita de muitas luzes. Não por ser Natal, mas porque pertence já ao caminho que nos leva a sobrevoar o rio em alcatrão sobre a água. Depois, ainda há mais casario...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os Dias da Televisão

Cresci sem televisão e isso fez de mim uma pessoa diferente: mais "saloia", mais ingénua...A caixinha mágica maravilhou-me, emocionou-me intensamente, como maravilhou todos os que não a conheceram à saída da maternidade, como aconteceu, certamente, com a maioria dos que me estão a ler.
O primeiro aparelho de televisão que eu vi foi levado da "Metrópole" para Lourenço Marques, pela minha tia, quando regressou, depois de quatro anos de ausência em Lisboa. Não funcionava, claro! e pergunto-me a razão pela qual o terá levado. Com esperança de ainda o vir a usar? Talvez em nome da companhia das noites de Inverno? Talvez em nome de um apego qualquer que temos às coisas, quando obtê-las não está ao alcance rápido e imediato da nossa vontade?
Não sei. Levou o aparelho de televisão cujo ecrã parecia uma lente dos óculos dos muito míopes, mas em grande...
E eu, só vi televisão, pela primeira vez, em Lisboa, quando vim para a Faculdade.
Fiquei num Lar de Estudantes (freiras) no Lumiar onde já estava a minha amiga Zé, que tinha vindo para Direito. Fiquei num quarto de três e tínhamos em comum a distância e a saudade e com isso fizemos uma imensa amizade que perdura e se mantém, "para lá de" e "apesar de". Somos irmãs de coração, para o bem e para o mal.
No piso onde ficavam o nosso quarto e outro, havia a sala da televisão, onde se apinhavam normalmente as "ultramarinas", raparigas no grau zero do conhecimento e da convivência com aquele aparelho mágico.
Se havia festival da canção ou outro evento igualmente importante para a época a sala transbordava porque as "metropolitanas" também queriam ver, mesmo sem esbugalharem os olhos de deleite. Só no Verão, ou assim que o tempo começava a dar autorização aos casacos, para ficarem em casa e às botas, para dormirem nos armários, os namoricos do bairro faziam alguma concorrência à caixinha que alimentava a fantasia adolescente. Mas ela lá continuava, indiferente a estas traições, sabendo que irremediavelmente nos aproximaríamos dela, de novo. Mesmo a preto e branco, sem efeitos nenhuns, especiais ou outros, era a Rainha das nossas Vidas.
Veio tudo isto a propósito de ter lido no Leme que a taxa da televisão tinha conhecido o seu fim, a 13 de Dezembro de 1990, pela mão de Cavaco Silva, então PM.
É que não era comprar, trazer para casa e mais nada. Era preciso registar o aparelho não fosse ele transviar-se, fugir para o Estrangeiro ou coisa do género! E fazer prova de vida. Não havia televisão nenhuma abandonada em vão de escada.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Oh Christmas Tree

Os meus filhos impõem que eu continue a colocar, "na casa", os sinais do Natal.
Como disse alguém, se o Natal não estiver no nosso coração, não estará, certamente, debaixo de um ramo da árvore de Natal. Mas, enfim, não será por minha culpa que o natal vai deixar de estar assinalado simbolicamente cá em casa.
O meu critério maior é a simplicidade e, dentro da simplicidade, o meu gosto pessoal. Os enfeites que eu prefiro são as bolas de papel, com figuras antigas que nos remetem para um espírito de Natal menos corrompido pelo consumismo dos nossos dias.
Tenho um presépio de figuras muito simples, de barro (ou gesso, talvez!) que continuo a colocar ao pé da árvore. Tenho dois Meninos Jesus. Um deles partiu uma perna e eu não consegui deitá-lo fora, atacada pelo preconceito de estar a eliminar um Menino Jesus com uma deficiência. Então resolvi que ficariam os dois! Quer eu queira quer eu não queira, o Natal não se apresenta assim com um fenómeno isolado dos outros dias da vida.
Na literatura aprendemos grandes lições. Uma das mais belas lições sobre o significado do Natal, chegou-me pela escrita de Torga: O Natal do Garrinchas.
Ali está a ideia reconfortante que o Natal está no pensamento dos homens e em mais lado nenhum. Fiquei eterna admiradora do Garrinchas, pedinte que ousa fazer o papel de S. José, no presépio improvisado. num recanto de uma igreja.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Desafio de Natal

1. Eu já... escrevi a minha carta ao Pai Natal. Pedi-lhe um saco cheio de saúde para os meus...
2. Eu nunca... poderei deixar de pensar que é bem mais importante uma refeição em família do que as prendas.
3. Eu sei... que a magia do Natal existe mesmo.
4. Eu quero... o fim das guerras.
5. Eu sonho... com um mundo melhor, apesar de já ter idade para não me deixar embalar com cantigas...
(Obrigada, Isabel, por te teres lembrado de mim!)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Those were the days...

Arrumações em dia feriado. Um clássico!
Só que as arrumações não são inócuas.
(Ou "inoques" como diz o texto do Vitorino Nemésio, palavra que levou a tribunal dois homens bons, reconciliados pelo juiz que percebeu a proximidade da palavra arguida!)
As arrumações trazem-nos aos olhos e à pele um tempo que é nosso, tão nosso que só dentro de nós parece fazer sentido.
Quem é que se interessa com a nossa juventude guardada nos cabelos brancos da nossa mãe? Nos nossos próprios cabelos brancos? No olhar sedutor de um jovem pai que já partiu?
Numa gaveta encontrei a minha caderneta do liceu. Lá está o registo das minhas "glórias" e dos minhas "fraquezas". AS notas de Ciências são a nódoa maior. Há por lá um sete que por sinal até está inflaccionado, pois menos do que sete nem dava para ir a exame. É que os pombos abertos ao meio em cima de uma bancada fria não conseguiam atrair a minha atenção. E a mineralogia então era o tédio mais absoluto. Sistemas de cristalização. Fugi a sete pés de um curso de Ciências por causa destes sistemas e outras classificações horrendas. Horrendo não era para mim o Adamastor. Até simpatizei com o Mostrengo que desaba em dor, ao contar a sua história de amor! A minha glória maior era, sem dúvida, a Matemática. Era simples. Mas o meu Muito Bom vinha sempre depois do Muito Bom das meninas exemplares. Como eu hoje entendo este critério das professoras! Como foi difícil para mim, na altura, lidar com as minhas insuficiências! Faltava-me o jeito para cantar, para dançar, para fazer ginástica, para desenhar... parecia que todos os talentos me faltavam. Nunca ninguém educa ninguém para o fracasso, para o insucesso. Só mesmo a Vida!
Nestas coisas de arrumações, apetece-me deitar tudo fora, mas hesito, pois sei que agarrada vai a própria vida, embalada nas recordações mais diversas...
Lembro-me sempre da cantiga popularizada por Mary Hopkins: Those were the days, my friend... We thought they'd never end...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Uma Aventura Chamada Bali

Um "post" sobre o Bali dá direito a título ambicioso, com sugestões mais do que explícitas...
Ele próprio deve ser um cão com ambição. Pelo menos, durante as mini-férias da Restauração, mostrou bem almejar sentar-se como as pessoas, utilizar os sofás, como as pessoas, ter mais direitos do que as próprias pessoas...
Foi mesmo uma aventura. Nunca sabíamos o que é que nos esperava na hora seguinte.
Mas a aventura teve mesmo um happy end: regressou, a Campo de Ourique, recuperado de uma mazela da qual estava a convalescer, cheio de energia, mais astuto e, porventura, menos educado. Educá-lo é função dos donos. Estragá-lo tem sempre a ver com avós ou com alguém que se faça passar por...
Não sei quem é Corey Ford, mas concordo com ele: Devidamente treinado, o homem pode ser o melhor amigo do cão!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um pouco mais de mim

O desafio veio da Natália! Agradeço-lhe por se ter lembrado de mim. Ao contrário de muitos, eu gosto de correntes... Aí vai!
Eu já tive...vinte anos. Quem diria? Um dia o meu filho Rafael viu uma fotografia minha com os tais inenarráveis vinte anos e disse, com a certeza de quem descobriu algo que minava a sua compreensão: Agora é que eu percebo por que é o pai casou contigo!!!! Como vêem, as minhas outras qualidades, mais do domínio afectivo, ou mesmo outro, estavam completamente em baixa!
Eu nunca... pensei a sério na reforma. Custa-me até admitir que um dia vou ser "substituível". (Já sou, mas está bem!) Leiam a Rua Descalça do José Mauro de Vasconcelos e perceber-me-ão!
Eu sei... que os meus filhos são os mais bonitos do mundo!!!!
Eu quero... uma casa mais pequena, sem escadas, sem humidades, mais quentinha, com uma cozinha funcional... Ah! E um neto, dois netos, três netos.
Eu sonho ... o que todas nós mulheres sonhamos: a vida perfeita para os nossos filhos. Sonho também rever um dia a minha cidade (Maputo), banhar-me no Índico, apanhar ameijoas na Costa do Sol e dizer adeus aos lugares da minha infância.
Passar a dez? Apanhem o desafio! Quem quiser!

domingo, 22 de novembro de 2009

Hello, again!

Hello, Paul!
Pois... Não me conheces de lado nenhum e eu estou aqui a tratar-te por tu com uma intimidade que pode parecer escandalosa aos olhos de muitos. Mas, eu, tu e mais uns muitos milhões de sessentões sabemos que esta intimidade é muito real e muito verdadeira. Não tem nada de especial, nem nada de fingido.
É que nós vivemos um tempo muito, muito especial: o nosso!
(Já o meu pai dizia isso em relação ao Frank Sinatra e aos Eddies todos de que ele falava, como se tivesse andado com eles na escola. Se calhar até andou... Com eles, esses grandes das cantigas e das telas, não andou. Mas andou pelas mesas do café de Lourenço Marques com o poeta Reinaldo (Ferreira). E a minha mãe andou com a Milú e outras estrelas de cinema nos Pátios das Cantigas e nas Costas dos Castelos. Era a figurante mais bonita!)
E agora é assim: (diz-se muito "é assim", antes de se começar mesmo a expor uma ideia.) Soube hoje que vais gravar com o Ringo, outra vez.
Hello, Ringo!
Desculpa ter-te passado assim para "segundos", mas tu eras mesmo o mais feio, dos quatro. O Paul era o mais bonito e tu o mais feio. mas, olha, vês como a idade também ajuda a compor algumas pessoas. Engordaste um bocadinho e o nariz enorme passou a parecer absolutamente proporcionado. Estás giro! Mais giro que o Paul, deixa-me dizer-te assim ao ouvido.
E eu aqui a lembrar-me das expressões do teu rosto que acompanhavam em intensidade a energia com que descarregavas as músicas nos tambores. ( Eu nunca percebi muito bem o que era tocar bateria. Tu foste talvez o único a que eu prestei mais atenção.) Tocavas mesmo de corpo inteiro e os teus braços voavam de um tambor mais longe, para um tambor mais perto à velocidade da nota musical.
Tenho de ir andando. É domingo mas as tarefas domésticas esperam-me. Quem diria que um dia dancei o twist and shout sem pensar na comida para fazer, na roupa para passar, no chão para limpar... Pois... Eu tinha dez anos!

sábado, 21 de novembro de 2009

Ele há coisas!!!!

Eu não consigo entender o que está a acontecer: o PM é o mesmo e tudo o que anteriormente defendeu relativamente à Avaliação dos Professores parece que não existiu.
Estará alguém a jogar com a memória das coisas que se passaram ao longo de quatro anos bem sofridos? Alegadamente, pois…
Eu não me esqueci e nunca vou poder esquecer o que passei, ao longo desses longuíssimos quarenta e oito meses (mais sete de juros!), de humilhação exercida a bel-prazer daqueles a quem a honra de servir um povo devia acometer de ideias de simplicidade e boa vontade.
Ser Ministro da Educação devia, e deve, ser sentido como uma responsabilidade imensa.
Devia estar no ponto mais alto das preocupações de um Ministro da Educação estabelecer uma ordem de coisas que fizesse felizes aqueles para quem a escola é uma "casa" depois da "casa": alunos e professores. Ninguém pode alegar como desculpa um desconhecimento absoluto da escola, pois todos foram um dia alunos! E não passou nenhuma máquina pela memória de ninguém! Nenhum tractor ou niveladora podem reduzir a nada o que aconteceu num tempo em que tudo o que é semente dá fruto! E a maior semente é mesmo a do futuro e não vale a pena iludirmo-nos: ao longo destes quatro anos "choveu chuva ácida" nas nossas plantações e doeu muito vermos fustigadas as esperanças, por raivas oriundas de todos os cantos da sociedade.
Eu senti muitas vezes aquele escárnio maligno a rasgar e a desfazer em pó toda a minha vida de professora. Não sou a melhor do mundo, nem da terra, nem da região, nem tão pouco da minha família, mas as minhas intenções foram sempre tão boas como as melhores e a sinceridade dos meus conhecimentos foi sempre a minha enxada.
E agora, Senhoras e Senhores, quando a Ministra diz, ou melhor, promete devolver aos professores a essência do seu trabalho, que é ensinar? Não era isto que queríamos? Era, sim!!!!! Isto!
E eu só descansarei quando voltar a ser professora como antes, sem embustes de espécie nenhuma. Só professora!
Espero que a vida ainda me dê o tempo que eu preciso para voltar a ser professora, livre dos pesadelos burocráticos da avaliação dos colegas que sabem tanto ou mais do que eu, apenas são mais jovens. Não me vou pôr a catar erros como quem cata piolhos e lêndeas em longos cabelos belos e entrançados. Não vou desmanchar as tranças dos mais novos. A única coisa que eu quero é que me ajudem e me ensinem! Porque eu ainda sei aprender. E foi o que aconteceu, no ano passado.
(Eu sei que a Célia vai ler isto! Obrigada, Célia!)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

De onde vêm as coisas boas?

As coisas muito boas têm sempre alguma magia ligada ao seu aparecimento!
Hoje fui tocada por essa magia e, mesmo correndo o risco enorme de parecer a pessoa mais vaidosa do planeta, vou pedir-vos que espreitem o blog da Ana e que vejam os desenhos lindos que os alunos dela fizeram sobre a Tia Árvore.
Obrigada, meninos e meninas! Obrigada, Ana!
Esta historiazinha tem-me trazido tanta, tanta alegria!
(Já tentei falar à Ana Sousa, autora das ilustrações, mas não consegui falar com ela. Tenho a certeza que ela vai querer também agradecer-vos, ela própria!)
Obrigada!

domingo, 15 de novembro de 2009

É a moda!

Às quintas-feiras, o jornal portuense O Primeiro de Janeiro publicava, na secção «O que mais interessa às senhoras», artigos sobre moda. Na edição de 15 de Novembro de 1923, referenciava que as cloches e os godets dos vestidos que agora surgem como novidades, usaram-se nos fins do século XIX: «Nada na toilette feminina pode considerar-se criação moderna, pois que a moda se inspira, sempre, nas coisas do passado, modificando-as e adaptando-as à época». Sobre o uso de cabelos curtos, o articulista afirma que tal se deve ao facto de «os médicos, chamados à baila, declararem que todas as senhoras ou meninas que cortem o cabelo, o terão, dentro de breves anos, mais rijo e duro».
Fonte: O Primeiro de Janeiro n.º 268, de 15-11-1923, 55.º ano de publicação, p. 4
A fonte da fonte é esta: O Leme, um sítio que vale a pena consultar, pois estas "preciosidades" abundam.
Vejam só a desculpa que arranjaram para impor a moda do cabelo curto.
A moda tem que se lhe diga. Por um lado, é tão flexível que cada um pode ter a sua própria moda. Aquilo a que chamamos estilo.
Por outro lado, a moda impõe-se de tal modo que não usar nada, mesmo nada, do que a moda dita, pode levar a um complexo de diferença e até de inferioridade.
E a moda não é só trapos, sapatos e cabelos. A moda é tudo. Até há ideias que estão na moda e outras que estão completamente fora de moda. No entanto, à medida que o nosso tempo passa, passa também o medo de confrontar os outros com as nossas ideias, por muito antiquadas (ou avançadas) que pareçam. Isso é segurança e a segurança é moda "sénior". Acreditem!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Aniversariamente: Cecília Meireles

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecíla Meireles

O medo de acabar! Assim, tão descarado, a dizer-nos quem é. Ele que nos bate à porta todos os dias, aparece-nos, pela voz da Poesia, a dizer-nos que afinal todos os dias nos renovamos!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

No aniversário de Sophia

Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar. Sophia de Mello Breyner Andresen
“Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.” (Alice Vieira)
Quando a poesia toca um ser, todos os seus actos, escritos ou não, passam pela poesia. Todos os actos de Sophia parecem brotar da poesia.
De Sophia de Mello Breyner conhece-se o apego ao mar. O mar é como a poetisa uma força da natureza, uma força que não cede, que não se verga, que não ilude nem desilude, que dá o prazer e o pão. O mar é uma dimensão da obra de Sophia, tratado na “Saga”, de maneira ímpar. O mar que mata, que colhe vidas e transforma vidas, como a do pequeno Hans, que aos catorze anos largou a terra, longe, e se fez ao mar. O mar era para Hans uma proibição. O pai nunca lhe perdoaria a desobediência e Hans jamais poderia voltar à sua aldeia, a Vik, rever os seus, porque também ele, homem do mar, sabia que, na índole do marinheiro, o perdão é uma transigência menor.
As crianças são poesia. Por isso uma grande parte da vasta obra de Sophia tem como destinatário o público infantil. E lá está o mar! A gente do mar e a gente da terra. A Menina do Mar! Tão pequenina que cabe num baldinho da praia, daqueles que os meninos transportam do toldo para a beira-mar e da beira-mar para o toldo! Ela e um desses meninos travam conhecimento e querem trocar saberes. Ele quer levar-lhe o fogo e o perfume. Coisas de sensações! Ela quer levá-lo ao fundo do mar. Ele quer explicar-lhe o que é a saudade, que é da terra, mas que o mar ajuda a entender.
(A filha, Maria de Sousa Tavares, diz que a mãe lhes transmitiu “desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar...”)
A fé aparece na poetisa como o desenvolvimento natural de alguém tocado pela poesia. A fé também é um dom. E, mesmo em tempos conturbados, lá está Sophia, com a sua fé e a sua verdade. No entanto, a sua sensibilidade sempre atenta está pronta a desmascarar a hipocrisia. Mónica é uma personagem que denuncia o falso cristão. Mónica faz casaquinhos de lã para os meninos pobres, que já terão morrido de fome, quando os casacos de tricot estiverem prontos. “Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.”
Para os mais pequeninos há a lição do Natal, que surge na sua obra invariavelmente ligado aos valores cristãos. A Noite de Natal aproxima duas crianças que, crescendo juntas, não podem viver o mesmo Natal de fartura. Mas a pequena Joana vai ao encontro do Manuel, para que ele também tenha presentes na noite de Natal. E a magia dessa noite torna tudo possível: até a Joana ser guiada pelas estrelas, como aconteceu com os Reis Magos, há mais de dois mil anos.
Para celebrar a noite sagrada, o Cavaleiro da Dinamarca parte para Jerusalém, cumprindo assim um voto e um desejo. No regresso, é apanhado por muitos perigos mas a estrela que guia os homens bons de todos os tempos vai mostrar-lhe também o caminho, iluminando a gigantesca árvore do seu quintal.
Elaborados estudos falam da poesia de Sophia, da essência do eu poético. Muitos entrelaçam a mulher e a sua obra. Mas foi precisamente num texto em prosa que encontrei a alma feminina, a sensibilidade da mulher, a consciência plena do seu papel no trajecto- vida. Foi num dos “Contos Exemplares”, A Viagem. O homem e a mulher iniciam um caminho. Nesse ponto de partida ela é o ser mais frágil, ele é o mais forte. Ao longo da viagem, cujo destino é um lugar maravilhoso, onde nunca estiveram antes, a mulher vai-se tornando o ser mais forte, o que não a impede de expressar o medo. “Tenho medo” diz ela.
Foi este o texto que escolhi para fechar o "Banquete de Textos".
A seguir ainda escrevi: Com os seus pontos finais parágrafos, as folhas resguardam-se nas suas capas, suspirando por novos convivas.
A manhã está perto. A manhã está já ali. A manhã está sempre ali, feita de futuro, esculpida de brilho.
Até à manhã!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Selo



Mania – Que... enfim... já fui o que tinha de ser e agora já não há melhoramentos possíveis; que incomodo; que não consigo...

Pecado capital - Talvez preguiça...

Melhor Cheiro do Mundo - o cheiro a gente, a alguém, a outro...

Se o dinheiro não constituísse problema - Gastava...

História de Infância - Todas com o mesmo cenário, o mesmo espaço: a casa da minha avó Madalena...

Habilidade como dona de casa - Ir ao supermercado...

O que não gosto de fazer em casa- Vá lá que parece que há consenso...

Frase preferida - As "máximas" do meu pai. A última: Eu acredito em Deus e Deus acredita em mim.

Passeio para o corpo - Qualquer que ao corpo apeteça, debaixo de um sol que não queime, apenas aqueça...

O que me irrita - A componente não-lectiva!!!!!!!!! Obrigam-me a perder tempo, encafuada em arrecadações (se não são, parecem!) que nem as minahs vaquinhas da farmville são tão destratadas!!!

Talento oculto - Também já era...


Frases que uso recorrentemente - As perguntas de massacre de índole maternal, do género: Dormiste bem? Está tudo bem? Sente-te bem? Precisas de alguma coisa? E, para variar, há a lamúria: Já ninguém gosta de mim!


Palavrão mais usado - Poça!


Não importa que seja moda,não usaria jamais -Cabelo pintado de loiro.


Quem dera ter nascido a saber - Nunca pensei nisso!

O Selo veio da casa da Teresa, a Princesa dos Algarves e vai daqui para Bruxelas, para o Barreiro e para Lisboa e para Lisboa!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aniversariamente - Jorge de Sena

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso."
A inquietação de Jorge de Sena é a inquietação colectiva. Todos tememos pelo futuro, principalmente por aquele que vai preencher as vidas dos nossos filhos e pelo qual nos julgamos (e somos!), de algum modo responsáveis.
Eu e todos os pais do mundo queremos o melhor para eles e insistimos nesse desejo.
Isto não é só coisa de poeta. É coisa de gente comum, mas ainda bem que o poeta a eternizou.
A Mécia (mulher do poeta) muito cansada, os pequenos felizmente muito bem e adaptando-se bem demais à vida americana (que, acrescentada dos vícios do Brasil, onde os meninos esperam que lhes façam tudo, se torna um inferno doméstico). Mas vão passando nas escolas.(...)
Afinal um poeta também é pai de carne, osso, nervos, medos, desejos e ambições e pequenas desilusões como a que contou a Sophia nas suas cartas...

domingo, 1 de novembro de 2009

Diário de uma terapia

.Já fez cinco anos que o Diário de Uma Terapia foi publicado! Ali está narrado, de modo mais ou menos ficcionado- já que a mulher é uma ficção da própria autora- toda a evolução psicológia da mulher que passa pela experiência cor de rosa do cancro da mama. Acredito que o livro, entretanto já esgotado, volte às livrarias, um destes dias.
Ficha técnica- Diário de Uma Terapia, Ana de Sousa, Editora Ela Por Ela.