quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Adeus, Carvalho!

Hoje perdi um amigo! Adeus, Carvalho!
Estas são as linhas que não vai ler, ao contrário de todas as outras que leu e entendeu, desde o princípio.
Nem sei escrever hoje o que sei que gostaria de ler. Dói-me muito saber que as minhas palavras aqui ficaram órfãs de uma amizade que se situou sempre no mais puro ideal, uma amizade que se alimentou de muita saudade: a sua saudade do amigo, a minha saudade do meu pai. Cerrámos fileiras, nós três, nós quatro, talvez mais alguém, e resistimos à dor como pudemos e como soubemos. Sempre com os olhos postos na dignidade da condição humana. Sempre guiados pela lealdade. Dos vários laços fizemos um forte nó que não vamos deixar que se desate porque o que foi vivido e dito se inscreveu indelével no que somos.
Adeus, Carvalho! Continuarei por aqui a lembrá-lo e, embora mais pobres com a sua partida tão sem aviso, esta será a minha homenagem ao Homem e ao Amigo! Darei sempre aqui testemunho do quanto aprendi consigo sobre a Amizade.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Momento Zero: Lisboa

Muitos atrasos! Foram bons para tomar o pulso à situação. Foram muitos anos sem andar de avião.
Tudo muito diferente em termos de procedimentos, em termos de instalações...
Na minha memória ainda não estão "destruídos" os aeroportos de Lourenço Marques, Beira, Nampula, Quelimane...
(Em Lourenço Marques, ir ao aeroporto ver os aviões era uma distracção domingueira.
Nesse tempo dizer adeus a alguém revestia-se de muita solenidade. Esperar, também. As distâncias não se transpunham à velocidade de um click! Os corações esfrangalhavam-se de saudades que não se "matavam" nunca. O factor surpresa também ajudava a criar um clima muito próprio da despedida e do reencontro. Os aviões eram transporte com muito para recear e caro.)
O que não mudou mesmo foi a sensação de perder o chão e ganhar o ar.
Lisboa ficava cá em baixo, toda enfeitada de luzes, umas fixas, outras a correrem velozmente a cidade.
A prenda já estava a ser desembrulhada...

A prenda

Acabadinha de desembrulhar, ei-la:Obrigada, filhos!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Roto mais do que desfeito

"Los abrazos rotos" é o título do novo filme de Almodovar. Mais um título que choca, por acertar em cheio, na crueldade das relações humanas que todos, na vida, um dia ou outro, experimentamos.
Há abraços que se rompem como rompe o tecido velho e gasto de ter sido muito usado ou mesmo de estar guardado. E dói ver o pano que já foi um belo cortinado, ou um vestido de festa, perder o brilho e a utilidade, em fios cansados que já não se aguentam tecidos no mesmo trapo.
O trapo ganha uma nova vida. Mesmo roto, serve para limpar as janelas embaciadas da chuva. E, quando passa macio sobre o vidro gelado, entra a claridade! Bem-vinda seja a luz!
Ainda a propósito de abraços que se desfazem, que se rompem, ontem, numa entrevista ao "Boinas" o Carlos Pinto Coelho contou que houve telefones que emudeceram quando a televisão se desligou para ele.
É estranho, mas a vida está cheia de abraços desfeitos que guardamos, primeiro numa memória recente que dói. Depois, numa prateleira no fim do mundo. Raramente os deitamos fora que é o que devíamos fazer...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A borrasca

Têm sido de borrasca os últimos dias! Mas também é preciso saber viver os dias de chuva, de vento, de raios e de trovões!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cinquenta e oito

É mesmo só para agradecer a quem passou por aqui (Ena tanta gente!) a dar os parabéns no dia 6. Foi um dia bem vivido, em termos de celebrações. Gosto que o dia dos anos calhe em dia útil porque o trabalho é uma parte importante da minha vida. Foi muito bom passar a manhã na escola. Dei e recebi beijinhos. Senti o carinho de muitos. Senti-lhes a sinceridade desse carinho. Ouvi aquelas frases que fazem bem ao ego: Não pareces nada ter cinquenta e oito! Claro que ninguém parece ter idade nenhuma. Esta contagem é um tanto burocrática, pois há momentos em que temos sete, outros em que chegamos rapidamente aos setenta e sete. São as idades do Tintin, se não estou errada!
Pois no dia seis, oscilei entre os oito e os trinta e oito. Não fui muito mais além! Obrigada a todos!

sábado, 2 de janeiro de 2010

O curto prazo

Click to play this Smilebox calendar: Janeiro
Create your own calendar - Powered by Smilebox
Make a Smilebox calendar

Diz o MEC, hoje, no Público: "É um milagre. Ainda cá estou. Ainda cá estamos.É um milagre. Ainda cá estou. Ainda cá estamos. Foi bonita a primeira manhã do ano.
Já fui despedido duas vezes (do DN e do Expresso) e já enterrei dois títulos (O Independente e a K) dos quais fui parteiro. Mas nunca tinha sido prolongado. Era para escrever só durante um ano mas o PÚBLICO, depois de muitas insistências minhas, deixou-me ficar mais um ano inteirinho."
A curto prazo, apetece-me viver assim, ao ritmo do pão de cada dia, do milagre de cada dia!
Há momentos em que basta esperar pela solução dos nossos problemas. A paciência activa é uma arma poderosa. Alia-se ao tempo e traz a vitória da verdade e da razão.
"Luar de janeiro não tem parceiro.", diz o Borda D'Água.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

So this was Christmas!

I hope you had fun!

Outros lados do Natal!

O Natal recupera quase sempre o melhor de cada um de nós. Remete-nos para o paraíso quase/talvez perdido de uma infância que se pressente cheia de futuro e de sentido de vida.
Atrás de Natal, Natal vem. O nosso próprio Natal/Menino parece esconder-se envergonhado de ainda querer sonhar.
Depois, pela vida fora, vamos experimentando vários Natais e é preciso reconhecê-los por um sabor, por um sino, por uma estrela... Por únicos que sejam os sinais de Natal, devemos dar-lhes a atenção que merecem e a oportunidade que procuram: acordar a Fantasia adormecida!25 de Dezembro de 2009, Albufeira, Mamma Mia

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A todos, um bom Natal!

Os dias de Natal são normalmente marcados pela quietude e este não foge a essa regra. Daqui a pouco, fazemo-nos à estrada, eu e o Jorge, ela também, habitualmente, quieta e só, mas de uma solidão que só dói se uma outra dor qualquer se impõe. Só por si, esta solidão de Natal acompanha um sentimento próprio da época, seja-se ou não cristão. Eu gosto muito do significado essencial do Natal. A cena do presépio é sem dúvida uma atracção para os nossos sentimentos, para as nossas emoções. Parece que o sentido da Vida ganha força e se estabelece para lá de todo o mal que o mundo conhece.Para todos, um Bom Natal!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Inverno. Próxima Estação...

Há correspondência com a Linha da Primavera, onde poderão desaguar em ninhos de passarinhos, chilreadas de ensurdecer, cheiros de criar espirros, cores de entontecer.
Chegámos, finalmente, à estação dos dias pequenos e das noites sem fim.
O Outono foi a longa viagem. Agora já cá estamos e é só pegar em tudo o que o tempo dá de melhor e aquecer a alma. Primeiro, o Natal. O súbito desejo de acreditar que a magia funciona e que nos devolve a esperança. Depois o novo ano, este já de si tão embrulhado na ideia da renovação.
Chegámos ao Inverno. Próxima estação: Primavera! Vista da minha janela, virada para a Ponte Vasco da Gama: primeiro, a minha rua; depois os campos ajardinados e semeados de prédios, candeeiros e frágeis árvores que se esticam até ao céu mais próximo; depois, a circular; do lado de lá da circular, há espaço que seria lindo se revestido de verde... Mas não! A maioria das vezes é fumo das fábricas próximas. Ou restos delas. Finalmente a linha recta que se ajeita paralela ao horizonte e se enfeita de muitas luzes. Não por ser Natal, mas porque pertence já ao caminho que nos leva a sobrevoar o rio em alcatrão sobre a água. Depois, ainda há mais casario...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os Dias da Televisão

Cresci sem televisão e isso fez de mim uma pessoa diferente: mais "saloia", mais ingénua...A caixinha mágica maravilhou-me, emocionou-me intensamente, como maravilhou todos os que não a conheceram à saída da maternidade, como aconteceu, certamente, com a maioria dos que me estão a ler.
O primeiro aparelho de televisão que eu vi foi levado da "Metrópole" para Lourenço Marques, pela minha tia, quando regressou, depois de quatro anos de ausência em Lisboa. Não funcionava, claro! e pergunto-me a razão pela qual o terá levado. Com esperança de ainda o vir a usar? Talvez em nome da companhia das noites de Inverno? Talvez em nome de um apego qualquer que temos às coisas, quando obtê-las não está ao alcance rápido e imediato da nossa vontade?
Não sei. Levou o aparelho de televisão cujo ecrã parecia uma lente dos óculos dos muito míopes, mas em grande...
E eu, só vi televisão, pela primeira vez, em Lisboa, quando vim para a Faculdade.
Fiquei num Lar de Estudantes (freiras) no Lumiar onde já estava a minha amiga Zé, que tinha vindo para Direito. Fiquei num quarto de três e tínhamos em comum a distância e a saudade e com isso fizemos uma imensa amizade que perdura e se mantém, "para lá de" e "apesar de". Somos irmãs de coração, para o bem e para o mal.
No piso onde ficavam o nosso quarto e outro, havia a sala da televisão, onde se apinhavam normalmente as "ultramarinas", raparigas no grau zero do conhecimento e da convivência com aquele aparelho mágico.
Se havia festival da canção ou outro evento igualmente importante para a época a sala transbordava porque as "metropolitanas" também queriam ver, mesmo sem esbugalharem os olhos de deleite. Só no Verão, ou assim que o tempo começava a dar autorização aos casacos, para ficarem em casa e às botas, para dormirem nos armários, os namoricos do bairro faziam alguma concorrência à caixinha que alimentava a fantasia adolescente. Mas ela lá continuava, indiferente a estas traições, sabendo que irremediavelmente nos aproximaríamos dela, de novo. Mesmo a preto e branco, sem efeitos nenhuns, especiais ou outros, era a Rainha das nossas Vidas.
Veio tudo isto a propósito de ter lido no Leme que a taxa da televisão tinha conhecido o seu fim, a 13 de Dezembro de 1990, pela mão de Cavaco Silva, então PM.
É que não era comprar, trazer para casa e mais nada. Era preciso registar o aparelho não fosse ele transviar-se, fugir para o Estrangeiro ou coisa do género! E fazer prova de vida. Não havia televisão nenhuma abandonada em vão de escada.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Oh Christmas Tree

Os meus filhos impõem que eu continue a colocar, "na casa", os sinais do Natal.
Como disse alguém, se o Natal não estiver no nosso coração, não estará, certamente, debaixo de um ramo da árvore de Natal. Mas, enfim, não será por minha culpa que o natal vai deixar de estar assinalado simbolicamente cá em casa.
O meu critério maior é a simplicidade e, dentro da simplicidade, o meu gosto pessoal. Os enfeites que eu prefiro são as bolas de papel, com figuras antigas que nos remetem para um espírito de Natal menos corrompido pelo consumismo dos nossos dias.
Tenho um presépio de figuras muito simples, de barro (ou gesso, talvez!) que continuo a colocar ao pé da árvore. Tenho dois Meninos Jesus. Um deles partiu uma perna e eu não consegui deitá-lo fora, atacada pelo preconceito de estar a eliminar um Menino Jesus com uma deficiência. Então resolvi que ficariam os dois! Quer eu queira quer eu não queira, o Natal não se apresenta assim com um fenómeno isolado dos outros dias da vida.
Na literatura aprendemos grandes lições. Uma das mais belas lições sobre o significado do Natal, chegou-me pela escrita de Torga: O Natal do Garrinchas.
Ali está a ideia reconfortante que o Natal está no pensamento dos homens e em mais lado nenhum. Fiquei eterna admiradora do Garrinchas, pedinte que ousa fazer o papel de S. José, no presépio improvisado. num recanto de uma igreja.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Desafio de Natal

1. Eu já... escrevi a minha carta ao Pai Natal. Pedi-lhe um saco cheio de saúde para os meus...
2. Eu nunca... poderei deixar de pensar que é bem mais importante uma refeição em família do que as prendas.
3. Eu sei... que a magia do Natal existe mesmo.
4. Eu quero... o fim das guerras.
5. Eu sonho... com um mundo melhor, apesar de já ter idade para não me deixar embalar com cantigas...
(Obrigada, Isabel, por te teres lembrado de mim!)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Those were the days...

Arrumações em dia feriado. Um clássico!
Só que as arrumações não são inócuas.
(Ou "inoques" como diz o texto do Vitorino Nemésio, palavra que levou a tribunal dois homens bons, reconciliados pelo juiz que percebeu a proximidade da palavra arguida!)
As arrumações trazem-nos aos olhos e à pele um tempo que é nosso, tão nosso que só dentro de nós parece fazer sentido.
Quem é que se interessa com a nossa juventude guardada nos cabelos brancos da nossa mãe? Nos nossos próprios cabelos brancos? No olhar sedutor de um jovem pai que já partiu?
Numa gaveta encontrei a minha caderneta do liceu. Lá está o registo das minhas "glórias" e dos minhas "fraquezas". AS notas de Ciências são a nódoa maior. Há por lá um sete que por sinal até está inflaccionado, pois menos do que sete nem dava para ir a exame. É que os pombos abertos ao meio em cima de uma bancada fria não conseguiam atrair a minha atenção. E a mineralogia então era o tédio mais absoluto. Sistemas de cristalização. Fugi a sete pés de um curso de Ciências por causa destes sistemas e outras classificações horrendas. Horrendo não era para mim o Adamastor. Até simpatizei com o Mostrengo que desaba em dor, ao contar a sua história de amor! A minha glória maior era, sem dúvida, a Matemática. Era simples. Mas o meu Muito Bom vinha sempre depois do Muito Bom das meninas exemplares. Como eu hoje entendo este critério das professoras! Como foi difícil para mim, na altura, lidar com as minhas insuficiências! Faltava-me o jeito para cantar, para dançar, para fazer ginástica, para desenhar... parecia que todos os talentos me faltavam. Nunca ninguém educa ninguém para o fracasso, para o insucesso. Só mesmo a Vida!
Nestas coisas de arrumações, apetece-me deitar tudo fora, mas hesito, pois sei que agarrada vai a própria vida, embalada nas recordações mais diversas...
Lembro-me sempre da cantiga popularizada por Mary Hopkins: Those were the days, my friend... We thought they'd never end...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Uma Aventura Chamada Bali

Um "post" sobre o Bali dá direito a título ambicioso, com sugestões mais do que explícitas...
Ele próprio deve ser um cão com ambição. Pelo menos, durante as mini-férias da Restauração, mostrou bem almejar sentar-se como as pessoas, utilizar os sofás, como as pessoas, ter mais direitos do que as próprias pessoas...
Foi mesmo uma aventura. Nunca sabíamos o que é que nos esperava na hora seguinte.
Mas a aventura teve mesmo um happy end: regressou, a Campo de Ourique, recuperado de uma mazela da qual estava a convalescer, cheio de energia, mais astuto e, porventura, menos educado. Educá-lo é função dos donos. Estragá-lo tem sempre a ver com avós ou com alguém que se faça passar por...
Não sei quem é Corey Ford, mas concordo com ele: Devidamente treinado, o homem pode ser o melhor amigo do cão!