(Os donos não somos nós!)
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Dias dos Professores
Acho que é altura de reflectirmos seriamente sobre a Escola que queremos para os nossos filhos ou netos, sobre os Professores que queremos para os nossos filhos ou netos.
Eu quero, para os mais netos, uma escola que lhes ensine e os ajude a serem livres e que aprendam a fazer da Liberdade uma bandeira. Eu quero que os professores os ensinem a pensar, a pensar muito, a pensar em tudo. Quero professores emissários da Fantasia, da fantasia que alimenta a imaginação que os ajudará a construir um Mundo Melhor.
Eu quero que as coisas simples deslumbrem os meus netos! Uma maçã, um bolo, um brinquedo...
Quero que aprendam a admirar os outros, os admiráveis, tirando, do exemplo dos outros, uma lição de vida.
Que tirem da Natureza, também, a lição de Vida que ela nos ensina constantemente.
Que saibam julgar, sem condenar. Que saibam perdoar, sem humilhar.
Que saibam amar sem se subjugar!
Eu quero, para os mais netos, uma escola que lhes ensine e os ajude a serem livres e que aprendam a fazer da Liberdade uma bandeira. Eu quero que os professores os ensinem a pensar, a pensar muito, a pensar em tudo. Quero professores emissários da Fantasia, da fantasia que alimenta a imaginação que os ajudará a construir um Mundo Melhor.
Eu quero que as coisas simples deslumbrem os meus netos! Uma maçã, um bolo, um brinquedo...
Quero que aprendam a admirar os outros, os admiráveis, tirando, do exemplo dos outros, uma lição de vida.
Que tirem da Natureza, também, a lição de Vida que ela nos ensina constantemente.
Que saibam julgar, sem condenar. Que saibam perdoar, sem humilhar.
Que saibam amar sem se subjugar!
Onde pára o Outono?
Os dias estão lindos de viver, de olhar, de contemplar. Até as noites sabem a iguaria preparada por deuses que sabem quanta vida o sol nos traz à vida.
Adeus sol! Adeus mês de Agosto! Adeus mês de Setembro! Olá às coisas lá de cima, ao contrário do L.A. que cumprimenta as coisas aqui em baixo. Olá às nuvens douradas que se espreguiçam no céu, arroxeando os limites do horizonte, tingindo de negro os ramos que ousam rasgar o azul, o ouro...
Não venhas cedo!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O meu momento de "antena"
As minhas razões para não votar PS nestas eleições prendem-se sobretudo com a qualidade humana dos candidatos.
As pessoas não contam mesmo.
"E o povo, pá?"
"O povo quer dinheiro para comprar um carro novo!"
E parece que o mundo gira à volta do carro novo, da conta bancária, das férias de sonho... Como se para se ser feliz bastasse ganhar a montra do Preço Certo!
E a segurança, pá? E a saúde, pá? E a cabeça sossegada, pá? É tanto pá, tanto pá, que nem dá para pôr aqui tudo.
Todos os dias me lembro do célebre mandamento, emblemático da vitória do ideal de igualdade: "Todos os animais são iguais"; e da alteração sofrida ao ser convenientemente acrescentado de um outro conceito protector de uma classe dominante: "mas alguns são mais iguais do que outros."
Tal como o Burro Benjamim eu também sei ler tão bem como os mais iguais.
E, desta vez, não voto neles!
As pessoas não contam mesmo.
"E o povo, pá?"
"O povo quer dinheiro para comprar um carro novo!"
E parece que o mundo gira à volta do carro novo, da conta bancária, das férias de sonho... Como se para se ser feliz bastasse ganhar a montra do Preço Certo!
E a segurança, pá? E a saúde, pá? E a cabeça sossegada, pá? É tanto pá, tanto pá, que nem dá para pôr aqui tudo.
Todos os dias me lembro do célebre mandamento, emblemático da vitória do ideal de igualdade: "Todos os animais são iguais"; e da alteração sofrida ao ser convenientemente acrescentado de um outro conceito protector de uma classe dominante: "mas alguns são mais iguais do que outros."
Tal como o Burro Benjamim eu também sei ler tão bem como os mais iguais.
E, desta vez, não voto neles!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Parabéns, Jorge!
Nada podia vir mais a propósito! Um puzzle!
Vinte e quatro mil peças! Nome: Vida.
Ainda por cima chamam-lhe um desafio!
Muitas vezes tenho feito a comparação da vida, da tua, da minha, da nossa, com um puzzle. A sorte tem sido encontrar sempre a peça certa e o lugar certo no imenso puzzle que é mesmo a vida de todos nós. Acredito na sorte! Não sei se fica bem acreditar! Não é por isso que delego mais no acaso e devia fazê-lo!
Só não acredito em euromilhões e coisas assim e por isso não jogo.
Prefiro pedir à Sorte que nos traga saúde e vou andar de nariz no ar, a ver se encontro uma cegonha que nos traga um neto. Até lá, teremos o Bali, para treinar a paciência e o puzzle para nos inspirarmos. Ele há astros, animais, balões de ar, corais, peixes e um farol, um arco-íris e muito mais.
Parabéns, Jorge!
Vinte e quatro mil peças! Nome: Vida.
Ainda por cima chamam-lhe um desafio!
Muitas vezes tenho feito a comparação da vida, da tua, da minha, da nossa, com um puzzle. A sorte tem sido encontrar sempre a peça certa e o lugar certo no imenso puzzle que é mesmo a vida de todos nós. Acredito na sorte! Não sei se fica bem acreditar! Não é por isso que delego mais no acaso e devia fazê-lo!
Só não acredito em euromilhões e coisas assim e por isso não jogo.
Prefiro pedir à Sorte que nos traga saúde e vou andar de nariz no ar, a ver se encontro uma cegonha que nos traga um neto. Até lá, teremos o Bali, para treinar a paciência e o puzzle para nos inspirarmos. Ele há astros, animais, balões de ar, corais, peixes e um farol, um arco-íris e muito mais.
Parabéns, Jorge!
domingo, 20 de setembro de 2009
Que nem eu!
Hoje é que eu vou chorar que nem uma madalena. A minha priminha já está a "voar". Deve estar para os lados da França e daqui a uma hora aterra aqui, em Lisboa. Todos os lugares comuns do mundo são insuficientes para descrever o que se sente quando não se vê alguém que nos pertence há quase quarenta anos!!!!! Estou que nem posso, como diz o rapaz do Freeze! Mas o que eu preciso mesmo é de uma dúzia de lexotans porque vai ser um Tejo de lágrimas....
Veremos. Eu depois conto!
Veremos. Eu depois conto!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Parabéns, filho!
O dia dos teus anos é um dia especial! Os dias dos anos dos meus filhos são especiais. Mudaram a minha condição! Acrescentaram muita responsabilidade à minha vida.
Sei que é embaraçoso dizer ou ler coisas que só fazem sentido na roda dos amigos e da família, mas tornou-se tradição deixar aqui umas palavrinhas sobre os dias de anos. Não vou alongar-me, nem "esticar-me", como vocês dizem agora.
O que hoje sinto, e pode ser dito aqui, é que há uma enorme compensação em chegar a esta etapa da vida: a alegria de vermos os nossos filhos continuarem, com os aperfeiçoamentos possíveis, o nosso projecto de vida!
Parabéns, filho! Que tenhas muitos dias felizes!O meu coração pede que tenhas todos, mas sei que isso não é possível. Muitos, já é bom!
Foto tua publicada aqui.
Sei que é embaraçoso dizer ou ler coisas que só fazem sentido na roda dos amigos e da família, mas tornou-se tradição deixar aqui umas palavrinhas sobre os dias de anos. Não vou alongar-me, nem "esticar-me", como vocês dizem agora.
O que hoje sinto, e pode ser dito aqui, é que há uma enorme compensação em chegar a esta etapa da vida: a alegria de vermos os nossos filhos continuarem, com os aperfeiçoamentos possíveis, o nosso projecto de vida!
Parabéns, filho! Que tenhas muitos dias felizes!O meu coração pede que tenhas todos, mas sei que isso não é possível. Muitos, já é bom!

Foto tua publicada aqui.
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Leia-se o pensamento de Sena...
... que chega hoje ao país que lhe deve a guarda desse sentimento de ser português, no limite de todas as verdades, quando nada mais lhe restava senão a própria liberdade de pensar e dizer essas verdades.
Nas cartas que escreveu a Sophia podemos ler a inquietação sossegada de quem nada espera. "Soube-me sempre a destino a minha vida", diz o poeta.
Prestemos-lhe a justa homenagem, no dia em que se cumprem trinta anos da sua morte.
"Nunca imaginei que a P(IDE). se tentasse com os meus autógrafos... Resta-nos a consolação de pensarmos que ficaram sabendo o que já sabiam ou o que até bom seria se soubessem. A minha posição política continua inalterável: não tenho e não terei nunca ( a menos que me filie em mim mesmo), filiação partidária. Penso que a unidade de todos é a suma necessidade; mas reconheço que é impossível lidar com a mediocridade invejosa, que é a dos nossos políticos, desde a clandestinidade em que mesmo no exílio se comprazem os comunistas, até ao Palácio de São Bento. Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele. Mas sabe que não há maneira fácil? Eu, por exemplo, tenho feito por comportar-me como brasileiro em tudo, o que a minha vida oficial me impõe aqui: eu sou Funcionário do Estado, assessor do Ministério da Educação (constará aí que se me deve que a Literatura Portuguesa seja obrigatória em todos os cursos superiores de Letras?), figura pública de mérito reconhecido. Isto sem abdicar de ser o português, que ninguém é mais do que eu. Pois só consigo ser suspeita todo o mundo: aos olhos dos "exilados" porque me abrasileirei, quando eles se recusam a tomar conhecimento do país em que vivem e do que vivem; e aos brasileiros (não aos meus amigos, é claro), porque sou um agente temível de "portugalidade".
Nas cartas que escreveu a Sophia podemos ler a inquietação sossegada de quem nada espera. "Soube-me sempre a destino a minha vida", diz o poeta.
Prestemos-lhe a justa homenagem, no dia em que se cumprem trinta anos da sua morte.
"Nunca imaginei que a P(IDE). se tentasse com os meus autógrafos... Resta-nos a consolação de pensarmos que ficaram sabendo o que já sabiam ou o que até bom seria se soubessem. A minha posição política continua inalterável: não tenho e não terei nunca ( a menos que me filie em mim mesmo), filiação partidária. Penso que a unidade de todos é a suma necessidade; mas reconheço que é impossível lidar com a mediocridade invejosa, que é a dos nossos políticos, desde a clandestinidade em que mesmo no exílio se comprazem os comunistas, até ao Palácio de São Bento. Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele. Mas sabe que não há maneira fácil? Eu, por exemplo, tenho feito por comportar-me como brasileiro em tudo, o que a minha vida oficial me impõe aqui: eu sou Funcionário do Estado, assessor do Ministério da Educação (constará aí que se me deve que a Literatura Portuguesa seja obrigatória em todos os cursos superiores de Letras?), figura pública de mérito reconhecido. Isto sem abdicar de ser o português, que ninguém é mais do que eu. Pois só consigo ser suspeita todo o mundo: aos olhos dos "exilados" porque me abrasileirei, quando eles se recusam a tomar conhecimento do país em que vivem e do que vivem; e aos brasileiros (não aos meus amigos, é claro), porque sou um agente temível de "portugalidade".
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Corrente de olhos, ouvidos, nariz, pele... Gostar!
Um selo de apurar os sentidos...
Regras:
*Exibir o selo

*Indicar o link do blog de quem o recebi
Ela é a Graça propriamente dita!
*Indicar outros 5 blogs:
A Pitucha que dá cor ao Cinzento;A Chuinga que mastiga mas não deita cá para fora as utopias que ainda lhe/nos faltam;o Miguel, o indescritível!a Isabel, a Prof das memórias livres;o Bruno, que mergulha em talentos profundos para nosso prazer!
Para dizer a verdade, todos me apuram os sentidos.
Sobre os cinco sentidos que a Graça pede, aí vai!
*Dizer qual o sentido que melhor me descreve:
Não consigo decidir. Sinto tudo com os sentidos todos e só assim as sensações se transformam em emoções.
*Para cada Sentido responder às perguntas:
- Audição: Qual o som que mais gostas de ouvir?
Voz de criança.
-Visão: Qual a tua imagem favorita?
O mar.
-Tacto. O que mais gostas de sentir na pele?
Outra pele.
-Paladar: Qual o teu sabor favorito?
Sal
-Olfacto: Qual o cheiro que te faz bem?
o cheiro da água.
Regras:
*Exibir o selo

*Indicar o link do blog de quem o recebi
Ela é a Graça propriamente dita!
*Indicar outros 5 blogs:
A Pitucha que dá cor ao Cinzento;A Chuinga que mastiga mas não deita cá para fora as utopias que ainda lhe/nos faltam;o Miguel, o indescritível!a Isabel, a Prof das memórias livres;o Bruno, que mergulha em talentos profundos para nosso prazer!
Para dizer a verdade, todos me apuram os sentidos.
Sobre os cinco sentidos que a Graça pede, aí vai!
*Dizer qual o sentido que melhor me descreve:
Não consigo decidir. Sinto tudo com os sentidos todos e só assim as sensações se transformam em emoções.
*Para cada Sentido responder às perguntas:
- Audição: Qual o som que mais gostas de ouvir?
Voz de criança.
-Visão: Qual a tua imagem favorita?
O mar.
-Tacto. O que mais gostas de sentir na pele?
Outra pele.
-Paladar: Qual o teu sabor favorito?
Sal
-Olfacto: Qual o cheiro que te faz bem?
o cheiro da água.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Regressos
Entre abraços, beijos e outros sorrisos mais ou menos formais, mais ou menos verdadeiros, o regresso vai tomando forma, vai-se consolidando, vai-se apoderando das peles morenas que dentro de dias voltarão ao branco sujo dos dias normais.
Por fora, é assim! Por dentro, também!
Cá dentro, há emoções que nos tingem a alma de brilhos que não se dissiparão tão cedo. Cá dentro, guarda-se a saudade bem guardada, não vá ela transbordar e perder-se também no buliço do regresso... Também ela brilha! Também ela dá sentido aos dias normais!!!!
Por fora, é assim! Por dentro, também!
Cá dentro, há emoções que nos tingem a alma de brilhos que não se dissiparão tão cedo. Cá dentro, guarda-se a saudade bem guardada, não vá ela transbordar e perder-se também no buliço do regresso... Também ela brilha! Também ela dá sentido aos dias normais!!!!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Incertezas de um regresso
As férias estão a acabar e o trabalho está quase de regresso.
Noutros anos, a ideia do novo ano lectivo entusiasmava-me, criava em mim a expectativa das coisas boas e até a ideia da rotina me seduzia.
O ano passado mudou-me e agora dou por mim desalentada, a pensar que não me apetece nada passar por tudo outra vez, sobretudo pela experiência de avaliadora. As imposições de procedimentos, que não contribuem minimamente para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, deixaram-me uma nódoa negra na minha consciência profissional.
Tive de aceitar entrar na "guerra" para não "morrer". Fiz o que tinha de fazer com a má consciência de estar a trair tudo e todos, e sobretudo a mim mesma, pois se eu tivesse ainda dois dedos de ideal, “mandava tudo dar uma volta” e suportava as consequências. Mas não, já não tenho ideal que chegue para tanto. Subjuguei-me ao poder instituído. Sucumbi.
Como é que eu vou passar por tudo outra vez? Que feridas trarei eu de um ano lectivo igual ao que passou.
Sei que não tenho força física nem moral para enfrentar estes inimigos. À frente da horda surge o Papel, um dos meus principais adversários, aquele que me rouba a alma que preciso para a acção. As rugas, os cabelos brancos e o reumático surgem numa segunda linha de batalha. Também me assustam muito. As dores só tolhem os próprios, por isso é normal que ninguém perceba nada disto senão eu mesma.
Noutros anos, a ideia do novo ano lectivo entusiasmava-me, criava em mim a expectativa das coisas boas e até a ideia da rotina me seduzia.
O ano passado mudou-me e agora dou por mim desalentada, a pensar que não me apetece nada passar por tudo outra vez, sobretudo pela experiência de avaliadora. As imposições de procedimentos, que não contribuem minimamente para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, deixaram-me uma nódoa negra na minha consciência profissional.
Tive de aceitar entrar na "guerra" para não "morrer". Fiz o que tinha de fazer com a má consciência de estar a trair tudo e todos, e sobretudo a mim mesma, pois se eu tivesse ainda dois dedos de ideal, “mandava tudo dar uma volta” e suportava as consequências. Mas não, já não tenho ideal que chegue para tanto. Subjuguei-me ao poder instituído. Sucumbi.
Como é que eu vou passar por tudo outra vez? Que feridas trarei eu de um ano lectivo igual ao que passou.
Sei que não tenho força física nem moral para enfrentar estes inimigos. À frente da horda surge o Papel, um dos meus principais adversários, aquele que me rouba a alma que preciso para a acção. As rugas, os cabelos brancos e o reumático surgem numa segunda linha de batalha. Também me assustam muito. As dores só tolhem os próprios, por isso é normal que ninguém perceba nada disto senão eu mesma.
sábado, 29 de agosto de 2009
A Velha Senhora
Há estrelas que nascem e brilham, apesar das nuvens e das tempestades, mesmo nos céus de que o sol se esconde.
Na Suécia, em Estocolmo, a 29 de Agosto de 1915, nasce Ingrid Bergman.
Friedel Adler, a mãe, era alemã e conhecera Justus Samuel Bergman na Suécia, durante umas férias. O casamento foi contrariado pelos pais de Friedel, que não aceitaram a ideia de casar a filha com um artista boémio. Mas Justus queria provar-lhes que estavam errados. Trabalhava em fotografia e foi na casa que habitavam, por cima da loja de fotografia , que Ingrid nasceu, a terceira filha, a única que sobreviveria.
Mas a tragédia andava por ali e Friedel morre jovem, deixando a pequena Ingrid com três anos apenas. Justus torna-se assim o único responsável pela educação da filha. Quer que ela seja cantora lírica e proporciona-lhe lições de canto. Fotografa-a, incentivando-a à exposição dos palcos. Contudo, Justus morre no princípio da adolescência de Ingrid e a tia Ellen, que a recebe e lhe acarinha o talento, também morre, dois anos mais tarde.
Menor de idade (tinha apenas treze anos), é entregue a um outro tio. Uma nova família, desta vez numerosa. Este tio não vê com os mesmos olhos a determinação de Ingrid (que na altura já era mesmo determinação), de seguir a carreira de actriz. Frequenta o Liceu Flykor e, apesar de tudo, aos dezassete anos representa, na escola, o papel principal de uma peça que ela própria escreveu e dirigiu. É aceite numa escola de teatro, The Royal Dramatic Theatre School, em Estocolmo e ao fim de um ano aparece pela primeira vez no cinema, com uma pequena participação como criada, no filme “The Count of the Monk´s Bridge”. Nesse mesmo ano, o realizador sueco Gustaf Molander, apresentava-lhe um contrato.
Intermezzo, em 1936, desperta a atenção do público e da indústria do cinema. Ingrid é uma pianista, Anita Hoffman, que mantém, durante algum tempo, uma ligação com um violinista casado. O interlúdio para Ingrid é de sucesso e felicidade: no ano seguinte casa com Petter Lindstrom e um ano depois nasce a filha Pia. O caminho para a fama estava desbravado. Hollywood já começava a reparar no talento natural desta actriz, que falava inglês, com uma pronúncia encantadoramente estrangeirada.
O mesmo filme foi produzido por Hollywood e foi assinado um contrato de sete anos. A actriz muda-se com a família para os Estados Unidos.
Apesar da sua beleza e o seu ar algo enigmático, Ingrid não pretendia que os seus papéis na tela se consumissem na imagem da mulher idealizada. Mas os sucessos de bilheteira não foram os filmes em que interpretou uma freira, uma psiquiatra ou uma alcoólica. Uma das interpretações de sucesso de Ingrid Bergman que perpassa as gerações é a de Ilsa, a romântica mulher dividida entre o amor e o casamento, em Casablanca, com Humphrey Bogart.
Um dia, Ingrid Bergman escreve uma carta ao realizador italiano neo-realista Rossellini, uma carta de admiradora, dizendo-lhe que estava disponível para qualquer papel. Rossellini reservou-lhe uma pequena participação em Sromboli (1949). Durante as filmagens aconteceu o inevitável: a admiração transformou-se em amor. O “caso” não foi bem aceite pelo público e o escândalo feriu a imagem, até aí intocável, de Ingrid Bergman. Apesar de oficialmente separado da mulher, Rossellini estava amorosamente envolvido com Ana Magnani, outra diva da época. Muitos pensaram que para Ingrid Bergman este seria apenas mais um dos seus “casos”, sendo evidente o desmoronamento do seu casamento com Lindstrom, que não lhe queria dar o divórcio..
O escândalo ultrapassou a barreira do espectáculo, tomou dimensões inimagináveis. Ingrid Berman foi humilhada pela classe política, nomeadamente pelo Senador Edward Johnson, que propôs uma medida específica para actores estrangeiros, de modo a poder expulsá-los, por atentado à moral pública.
Contudo em 1956 o escândalo e o caso de amor chegavam ao fim. Um casamento, três filhos, um rapaz e duas gémeas, Isabella e Isotta, e fracassos profissionais. Nesse mesmo ano, Hollywood reconcilia-se com a actriz e Ingrid filma Anastasia. O seu trabalho é aplaudido e recebe o seu segundo Prémio da Academia.
Os anos setenta devolveram-lhe a glória, tanta que se “esqueceu” de tratar de si e dos seu corpo. Ignorou os primeiros avisos de cancro da mama durante dois anos, porque a carreira estava acima de tudo. Depois veio a luta contra a doença. “As vítimas de cancro que não aceitam o destino, que não aprendem a conviver com ele, acabam por destruir o tempo que lhes resta.”, dizia.
E foi assim que viveu durante oito anos. O seu último trabalho foi a interpretação de Golda Meir na televisão: Uma Mulher Chamada Golda, em 1982.
No dia do seu aniversário (tal como Shakespeare), a 29 de Agosto desse mesmo ano, depois de uma pequenina festa de aniversário com os amigos mais próximos, morria Ingrid Berman, em Chelsea, em Inglaterra, em paz com a vida, com a sua vida, que segundo confessara a um amigo, tinha valido a pena viver.
Crónica publicada em 2001, no Jornal "A Gazeta do Montijo" e, posteriormente, pela Editora Ela por Ela.
Na Suécia, em Estocolmo, a 29 de Agosto de 1915, nasce Ingrid Bergman.
Friedel Adler, a mãe, era alemã e conhecera Justus Samuel Bergman na Suécia, durante umas férias. O casamento foi contrariado pelos pais de Friedel, que não aceitaram a ideia de casar a filha com um artista boémio. Mas Justus queria provar-lhes que estavam errados. Trabalhava em fotografia e foi na casa que habitavam, por cima da loja de fotografia , que Ingrid nasceu, a terceira filha, a única que sobreviveria.
Mas a tragédia andava por ali e Friedel morre jovem, deixando a pequena Ingrid com três anos apenas. Justus torna-se assim o único responsável pela educação da filha. Quer que ela seja cantora lírica e proporciona-lhe lições de canto. Fotografa-a, incentivando-a à exposição dos palcos. Contudo, Justus morre no princípio da adolescência de Ingrid e a tia Ellen, que a recebe e lhe acarinha o talento, também morre, dois anos mais tarde.
Menor de idade (tinha apenas treze anos), é entregue a um outro tio. Uma nova família, desta vez numerosa. Este tio não vê com os mesmos olhos a determinação de Ingrid (que na altura já era mesmo determinação), de seguir a carreira de actriz. Frequenta o Liceu Flykor e, apesar de tudo, aos dezassete anos representa, na escola, o papel principal de uma peça que ela própria escreveu e dirigiu. É aceite numa escola de teatro, The Royal Dramatic Theatre School, em Estocolmo e ao fim de um ano aparece pela primeira vez no cinema, com uma pequena participação como criada, no filme “The Count of the Monk´s Bridge”. Nesse mesmo ano, o realizador sueco Gustaf Molander, apresentava-lhe um contrato.
Intermezzo, em 1936, desperta a atenção do público e da indústria do cinema. Ingrid é uma pianista, Anita Hoffman, que mantém, durante algum tempo, uma ligação com um violinista casado. O interlúdio para Ingrid é de sucesso e felicidade: no ano seguinte casa com Petter Lindstrom e um ano depois nasce a filha Pia. O caminho para a fama estava desbravado. Hollywood já começava a reparar no talento natural desta actriz, que falava inglês, com uma pronúncia encantadoramente estrangeirada.
O mesmo filme foi produzido por Hollywood e foi assinado um contrato de sete anos. A actriz muda-se com a família para os Estados Unidos.
Apesar da sua beleza e o seu ar algo enigmático, Ingrid não pretendia que os seus papéis na tela se consumissem na imagem da mulher idealizada. Mas os sucessos de bilheteira não foram os filmes em que interpretou uma freira, uma psiquiatra ou uma alcoólica. Uma das interpretações de sucesso de Ingrid Bergman que perpassa as gerações é a de Ilsa, a romântica mulher dividida entre o amor e o casamento, em Casablanca, com Humphrey Bogart.
Um dia, Ingrid Bergman escreve uma carta ao realizador italiano neo-realista Rossellini, uma carta de admiradora, dizendo-lhe que estava disponível para qualquer papel. Rossellini reservou-lhe uma pequena participação em Sromboli (1949). Durante as filmagens aconteceu o inevitável: a admiração transformou-se em amor. O “caso” não foi bem aceite pelo público e o escândalo feriu a imagem, até aí intocável, de Ingrid Bergman. Apesar de oficialmente separado da mulher, Rossellini estava amorosamente envolvido com Ana Magnani, outra diva da época. Muitos pensaram que para Ingrid Bergman este seria apenas mais um dos seus “casos”, sendo evidente o desmoronamento do seu casamento com Lindstrom, que não lhe queria dar o divórcio..
O escândalo ultrapassou a barreira do espectáculo, tomou dimensões inimagináveis. Ingrid Berman foi humilhada pela classe política, nomeadamente pelo Senador Edward Johnson, que propôs uma medida específica para actores estrangeiros, de modo a poder expulsá-los, por atentado à moral pública.
Contudo em 1956 o escândalo e o caso de amor chegavam ao fim. Um casamento, três filhos, um rapaz e duas gémeas, Isabella e Isotta, e fracassos profissionais. Nesse mesmo ano, Hollywood reconcilia-se com a actriz e Ingrid filma Anastasia. O seu trabalho é aplaudido e recebe o seu segundo Prémio da Academia.
Os anos setenta devolveram-lhe a glória, tanta que se “esqueceu” de tratar de si e dos seu corpo. Ignorou os primeiros avisos de cancro da mama durante dois anos, porque a carreira estava acima de tudo. Depois veio a luta contra a doença. “As vítimas de cancro que não aceitam o destino, que não aprendem a conviver com ele, acabam por destruir o tempo que lhes resta.”, dizia.
E foi assim que viveu durante oito anos. O seu último trabalho foi a interpretação de Golda Meir na televisão: Uma Mulher Chamada Golda, em 1982.
No dia do seu aniversário (tal como Shakespeare), a 29 de Agosto desse mesmo ano, depois de uma pequenina festa de aniversário com os amigos mais próximos, morria Ingrid Berman, em Chelsea, em Inglaterra, em paz com a vida, com a sua vida, que segundo confessara a um amigo, tinha valido a pena viver.
Crónica publicada em 2001, no Jornal "A Gazeta do Montijo" e, posteriormente, pela Editora Ela por Ela.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Assim Vai O Mundo
Quem tem mais de cinquenta anos tem não só uma esperança acrescida de alguma imunidade à gripe, como também sabe que, antigamente, as salas de cinema exibiam um documentário informativo que dava pelo nome "Assim Vai o Mundo".
Depois das salas escurecerem, no fundo do ecrã "nascia" o mundo, que crescia e rodopiava num fundo de céu estrelado (Ou talvez não fosse?!),enquanto uma voz forte dizia, com a solenidade e a gravidade que os acontecimentos dignos de nota exigiam: "Assim vai o Mundo".
(Não sei se a minha memória está a atraiçoar-me. Seria assim como eu me lembro?)
Era uma espécie de telejornal, com moderada especulação e certamente visionado previamente pela censura. Mas isso eu não sabia.
Foi certamente nesses "filmes" que eu conheci a família Kennedy, com todo o glamour que a beleza de Jackie e dos homens da família imprimiam aos acontecimentos que protagonizaram.
Um dia, de manhã, a minha mãe ouviu na rádio que o Presidente Kennedy tinha sido assassinado e percebi pela aflição que o que tinha acontecido ia bem para lá da tragédia da morte de um homem. Era um Presidente. Não era só um homem. Mas isso eu não podia perceber, no meu mundo de dez anos.
"E agora, o que é que vai acontecer?", dizia a minha mãe aflita.
E certamente que todas as imagens que guardo desses momentos foram vistos nas salas de cinema, nos tais documentários que precediam o filme da tarde.
Ontem quando ouvi anunciar a morte do último Kennedy, veio à minha memória todo o filme das vidas dos membros do Clã Kennedy, tantas vezes marcado pela tragédia.
É mais uma referência do século vinte que desaparece.
Assim vai o mundo!
Fotos da família Kennedy, na Revista Time
Depois das salas escurecerem, no fundo do ecrã "nascia" o mundo, que crescia e rodopiava num fundo de céu estrelado (Ou talvez não fosse?!),enquanto uma voz forte dizia, com a solenidade e a gravidade que os acontecimentos dignos de nota exigiam: "Assim vai o Mundo".
(Não sei se a minha memória está a atraiçoar-me. Seria assim como eu me lembro?)
Era uma espécie de telejornal, com moderada especulação e certamente visionado previamente pela censura. Mas isso eu não sabia.
Foi certamente nesses "filmes" que eu conheci a família Kennedy, com todo o glamour que a beleza de Jackie e dos homens da família imprimiam aos acontecimentos que protagonizaram.
Um dia, de manhã, a minha mãe ouviu na rádio que o Presidente Kennedy tinha sido assassinado e percebi pela aflição que o que tinha acontecido ia bem para lá da tragédia da morte de um homem. Era um Presidente. Não era só um homem. Mas isso eu não podia perceber, no meu mundo de dez anos.
"E agora, o que é que vai acontecer?", dizia a minha mãe aflita.
E certamente que todas as imagens que guardo desses momentos foram vistos nas salas de cinema, nos tais documentários que precediam o filme da tarde.
Ontem quando ouvi anunciar a morte do último Kennedy, veio à minha memória todo o filme das vidas dos membros do Clã Kennedy, tantas vezes marcado pela tragédia.
É mais uma referência do século vinte que desaparece.
Assim vai o mundo!
Fotos da família Kennedy, na Revista Time
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Coisas de memória
Em casa dos meus pais havia um giradiscos, móvel e electrodoméstico que hoje só tem lugar num museu. Julgo eu! Deve vir, no tempo e no espaço, logo a seguir à grafonola.
É bom termos memória e termos vivido um tempo que pode comparar-se ao de hoje. Na época, havia evolução e modernidade, naquilo que hoje nos parece, e é, caco e velharia. O gira-discos, ou pick-up para os mais snobs, foi na altura um grito da moda que levou às casas e às famílias da classe média muita cultura musical e literária também.
Literária, sim, pois foi no velho gira-discos, devidamente enfeitado com os melhores "bibelots", pois o móvel merecia, que eu ouvi e aprendi a Toada de Portalegre, pelo talento poderoso de João Villaret.
Ontem, desarrumei esta memória, para lhe juntar um dado novo: a própria casa de José Régio, com os bons e os maus cheiros guardados apenas nos versos; a vista da janela, que em tempos, certamente, os olhos abraçavam mais...
É bom termos memória e termos vivido um tempo que pode comparar-se ao de hoje. Na época, havia evolução e modernidade, naquilo que hoje nos parece, e é, caco e velharia. O gira-discos, ou pick-up para os mais snobs, foi na altura um grito da moda que levou às casas e às famílias da classe média muita cultura musical e literária também.
Literária, sim, pois foi no velho gira-discos, devidamente enfeitado com os melhores "bibelots", pois o móvel merecia, que eu ouvi e aprendi a Toada de Portalegre, pelo talento poderoso de João Villaret.
Ontem, desarrumei esta memória, para lhe juntar um dado novo: a própria casa de José Régio, com os bons e os maus cheiros guardados apenas nos versos; a vista da janela, que em tempos, certamente, os olhos abraçavam mais...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Proverbialmente, claro!
domingo, 23 de agosto de 2009
O seu a seu dono
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Se...
Se eu tivesse deixado de andar espantada de existir, bastar-me-ia ver o vídeo promocional da mandatária da JS, para reencontrar o espanto de existir.
A miúda atreve-se a dizer que só come fruta com caroço se a empregada descascar!?!?!?
Diz que não gosta de perder, que prefere fazer batota. Aquilo mais parece um casting dos morangos!!!
A miúda atreve-se a dizer que só come fruta com caroço se a empregada descascar!?!?!?
Diz que não gosta de perder, que prefere fazer batota. Aquilo mais parece um casting dos morangos!!!
Dia Da Ajuda Humanitária e...
Todos os dias são dias de...
Talvez faça sentido recorrer ao significado do dia, ao valor do dia, para o vivermos com mais sentido, com mais vontade.
Hoje é a primeira vez que se celebra o Dia da Ajuda Humanitária.
A Onu escolheu este dia porque marca a data em que Vieira de Mello e outras vinte e uma pessoas, que com ele viajavam, morreram, num atentado no Iraque, há seis anos. Aquele instante valeu-lhes a vida e todo o valor que a vida humana tem. É justo recordá-los! É justo recordar todos os que estendem os olhos à compreensão dos outros!
Esta é também a minha homenagem à Fotografia,que hoje também é celebrada. Esta fotografia é mais velha do que eu e não tem rugas!
Talvez faça sentido recorrer ao significado do dia, ao valor do dia, para o vivermos com mais sentido, com mais vontade.
Hoje é a primeira vez que se celebra o Dia da Ajuda Humanitária.
A Onu escolheu este dia porque marca a data em que Vieira de Mello e outras vinte e uma pessoas, que com ele viajavam, morreram, num atentado no Iraque, há seis anos. Aquele instante valeu-lhes a vida e todo o valor que a vida humana tem. É justo recordá-los! É justo recordar todos os que estendem os olhos à compreensão dos outros!
Esta é também a minha homenagem à Fotografia,que hoje também é celebrada. Esta fotografia é mais velha do que eu e não tem rugas!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Eu tenho de falar sobre isto
Sobre a última crónica de Lobo Antunes na Visão.
Não sei muito bem por onde começar, porque o que ali está se aproxima muito da maneira como o meu pai continua vivo, cá dentro, num espaço de memória onde nunca ninguém morre e, melhor do que isso, nem tão pouco envelhece ou degrada.
O meu pai acreditava em mim, por muito que lhe tenha causado uma enorme desilusão com o "chumbo" no quinto ano e depois a escolha das letras em vez da medicina, como ele ambicionava.
Eu não revisito o Hospital onde costumava encontrá-lo, onde ele vivia, onde passava os dias e muitas, muitas noites, onde tratava doentes que o estimavam pela qualidade profissional e pela qualidade humana que punha no que fazia, onde vivia também outros lados da vida: onde se apaixonava perdidamente, onde observava as outras paixões secretas, onde fazia amigos novos todos os dias, porque muitos doentes saiam de lá seus amigos, onde cultivava a amizade dos antigos com igual cuidado, também todos os dias. Ao contrário do que acontece hoje, foi a trabalhar na enfermagem que se fez enfermeiro, tendo feito os estudos necessários mais tarde, no então chamado Instituto Rockefeller, instituição reputada, onde se formavam enfermeiras. Ele era o homem entre as mulheres. (Claro que se apaixonou perdidamente, vezes sem conta! Era tentação a mais!) Não revisito o hospital, a não ser na minha memória: o velho Hospital Miguel Bombarda!
"Até me mostrava o Serviço e parecia ter orgulho em mim..." Esse orgulho, embora não se falasse destas coisas nessa altura, foi vital para que eu tomasse mais tarde determinadas decisões com confiança. Foi vital para a minha auto-estima, digo eu, hoje.
Mais tarde percebi que esse orgulho era muito verdadeiro. Uns dias (poucos) antes de morrer disse-me que de facto eu nunca lhe tinha dado sequer um problema. Claro que exagerava, porque estava frágil. Esqueceu certamente alguns problemas que lhe dei, mas eu mesma tenho a noção de que no meu tempo de jovem, não passávamos os nossos problemas aos pais. Pelo contrário! Fazíamos o possível e o impossível para que não fossem atingidos pelas nossas asneiras. Não queríamos que se sentissem culpados pelos nossos passos errados. Mas também é verdade que o meu pai me ensinou o direito de errar, de não seguir conselhos, de fazer as coisas à minha maneira. Sujeitava-me claro às consequências, que não eram só más. Com os erros também se cresce!
Se eu pudesse diria ao L.A.: "Muito obrigada, por estas crónicas, sobre o seu pai, que se parece tanto com o meu."
Fotografia - Imagem da 1ª Semana de Enfermagem no Ultramar. Organização do meu pai. Cartaz do meu pai.
Não sei muito bem por onde começar, porque o que ali está se aproxima muito da maneira como o meu pai continua vivo, cá dentro, num espaço de memória onde nunca ninguém morre e, melhor do que isso, nem tão pouco envelhece ou degrada.
O meu pai acreditava em mim, por muito que lhe tenha causado uma enorme desilusão com o "chumbo" no quinto ano e depois a escolha das letras em vez da medicina, como ele ambicionava.
Eu não revisito o Hospital onde costumava encontrá-lo, onde ele vivia, onde passava os dias e muitas, muitas noites, onde tratava doentes que o estimavam pela qualidade profissional e pela qualidade humana que punha no que fazia, onde vivia também outros lados da vida: onde se apaixonava perdidamente, onde observava as outras paixões secretas, onde fazia amigos novos todos os dias, porque muitos doentes saiam de lá seus amigos, onde cultivava a amizade dos antigos com igual cuidado, também todos os dias. Ao contrário do que acontece hoje, foi a trabalhar na enfermagem que se fez enfermeiro, tendo feito os estudos necessários mais tarde, no então chamado Instituto Rockefeller, instituição reputada, onde se formavam enfermeiras. Ele era o homem entre as mulheres. (Claro que se apaixonou perdidamente, vezes sem conta! Era tentação a mais!) Não revisito o hospital, a não ser na minha memória: o velho Hospital Miguel Bombarda!
"Até me mostrava o Serviço e parecia ter orgulho em mim..." Esse orgulho, embora não se falasse destas coisas nessa altura, foi vital para que eu tomasse mais tarde determinadas decisões com confiança. Foi vital para a minha auto-estima, digo eu, hoje.
Mais tarde percebi que esse orgulho era muito verdadeiro. Uns dias (poucos) antes de morrer disse-me que de facto eu nunca lhe tinha dado sequer um problema. Claro que exagerava, porque estava frágil. Esqueceu certamente alguns problemas que lhe dei, mas eu mesma tenho a noção de que no meu tempo de jovem, não passávamos os nossos problemas aos pais. Pelo contrário! Fazíamos o possível e o impossível para que não fossem atingidos pelas nossas asneiras. Não queríamos que se sentissem culpados pelos nossos passos errados. Mas também é verdade que o meu pai me ensinou o direito de errar, de não seguir conselhos, de fazer as coisas à minha maneira. Sujeitava-me claro às consequências, que não eram só más. Com os erros também se cresce!
Se eu pudesse diria ao L.A.: "Muito obrigada, por estas crónicas, sobre o seu pai, que se parece tanto com o meu."

Fotografia - Imagem da 1ª Semana de Enfermagem no Ultramar. Organização do meu pai. Cartaz do meu pai.
sábado, 15 de agosto de 2009
L.A.
Por contágio dos mais novos (agora a palavra contágio é contagiante!) tenho visto todos os dias, ou seja, todas as noites a RTP2, Cinco para a Meia-Noite. Pelo menos diverte e há crítica de costumes que é saudável desde o tempo do "saudoso" Gil Vicente. É evidente que o programa vale muitas vezes pelo convidado, que se deve dar ares de moderno, para não destoar do anfitrião que é sempre "assim a atirar" para a "loucura total".
Por exemplo: o Vasco Graça Moura deu um péssimo programa, pois "aquela cena" não condizia lá muito bem com o classicíssimo senhor das nossas letras. Aquele tratamento tu cá tu lá soava estranho. Ana Gomes aguentou-se e nem ficou muito "à rasca". Calão para cá, calão para lá, a mensagem eleitoral não se embaraçou, ou melhor não ficou nada à rasca. Fiquei a saber que Ana Gomes é candidata à Câmara de Sintra e que Sintra isto e que Sintra aquilo.
Para mim, Sintra é culto e o culto não se compadece com propaganda eleitoral.
Mas isto vinha a propósito de quê? Já sei! O tema da semana que acabou era coscuvilhar.
Não é coisa que me espante! Quando vou visitar a minha mãe, levo-lhe sempre uma revistinha de coscuvilhice. O que me espantou mesmo foi a coscuvilhice que explodiu nas capas dos jornais de hoje. Ou ontem? Já nem sei bem.
Lobo Antunes apaixonado por uma mulher trinta e tal anos mais nova.
Anunciar um casamento não é coscuvilhice. Entrar em pormenores que podem comprometer a verdade dos sentimentos de cada um (dela ou dele) é coscuvilhice. Atirar a diferença de idades, chamar a atenção para a diferença de idades é coscuvilhice que tenta reduzir a dimensão intelectual de um dos maiores escritores contemporâneos.
Ninguém tem nada com isso.
A minha esperança é que o escritor mantenha aos nossos olhos a aura de ser "superiormente inteligente, superiormente civilizado". Fico à espera das crónicas onde se revelará "superiormente feliz", tal como preconizava o Jacinto de Tormes.
Por exemplo: o Vasco Graça Moura deu um péssimo programa, pois "aquela cena" não condizia lá muito bem com o classicíssimo senhor das nossas letras. Aquele tratamento tu cá tu lá soava estranho. Ana Gomes aguentou-se e nem ficou muito "à rasca". Calão para cá, calão para lá, a mensagem eleitoral não se embaraçou, ou melhor não ficou nada à rasca. Fiquei a saber que Ana Gomes é candidata à Câmara de Sintra e que Sintra isto e que Sintra aquilo.
Para mim, Sintra é culto e o culto não se compadece com propaganda eleitoral.
Mas isto vinha a propósito de quê? Já sei! O tema da semana que acabou era coscuvilhar.
Não é coisa que me espante! Quando vou visitar a minha mãe, levo-lhe sempre uma revistinha de coscuvilhice. O que me espantou mesmo foi a coscuvilhice que explodiu nas capas dos jornais de hoje. Ou ontem? Já nem sei bem.
Lobo Antunes apaixonado por uma mulher trinta e tal anos mais nova.
Anunciar um casamento não é coscuvilhice. Entrar em pormenores que podem comprometer a verdade dos sentimentos de cada um (dela ou dele) é coscuvilhice. Atirar a diferença de idades, chamar a atenção para a diferença de idades é coscuvilhice que tenta reduzir a dimensão intelectual de um dos maiores escritores contemporâneos.
Ninguém tem nada com isso.
A minha esperança é que o escritor mantenha aos nossos olhos a aura de ser "superiormente inteligente, superiormente civilizado". Fico à espera das crónicas onde se revelará "superiormente feliz", tal como preconizava o Jacinto de Tormes.
A mesma Tourada
Ontem ouvi a Tourada, cantada ao vivo, pelo mesmo Tordo. Sim, pelo mesmo Tordo. É que hoje dou por mim a comparar as pessoas com elas mesmas.
Não há mal nenhum em mudar. Claro que não! Se o nosso corpo muda...
Mas a verdade é que raramente aprecio as mudanças, quando os valores se diluem na espuma dos interesses. E, por isso, gostei muito de ouvir ontem a Tourada. Na minha emoção passou a homenagem a um tempo em que o desejo de liberdade era uma constante na expressão artística, sobretudo na cantiga, no teatro e na literatura. E a cantiga chegava a quase todos e andava de boca em boca. Contagiava!
É que volta a fazer sentido desejar outra vez a liberdade. Por muito que se julguem mortos e enterrados os mecanismos de repressão, os novos espartilhos da liberdade são perigosos porque são dissimulados e estrategicamente activados em áreas de sobrevivência, como seja o emprego. As maneiras de chegar ao poder absoluto cada vez são mais parecidas com o que se pode chamar baixeza.
Gostei de ouvir o Tordo, porque pude ver com "estes olhos" que continua um homem alto, em corpo e em voz!
Não há mal nenhum em mudar. Claro que não! Se o nosso corpo muda...
Mas a verdade é que raramente aprecio as mudanças, quando os valores se diluem na espuma dos interesses. E, por isso, gostei muito de ouvir ontem a Tourada. Na minha emoção passou a homenagem a um tempo em que o desejo de liberdade era uma constante na expressão artística, sobretudo na cantiga, no teatro e na literatura. E a cantiga chegava a quase todos e andava de boca em boca. Contagiava!
É que volta a fazer sentido desejar outra vez a liberdade. Por muito que se julguem mortos e enterrados os mecanismos de repressão, os novos espartilhos da liberdade são perigosos porque são dissimulados e estrategicamente activados em áreas de sobrevivência, como seja o emprego. As maneiras de chegar ao poder absoluto cada vez são mais parecidas com o que se pode chamar baixeza.
Gostei de ouvir o Tordo, porque pude ver com "estes olhos" que continua um homem alto, em corpo e em voz!
sábado, 8 de agosto de 2009
Podia-ó-chamá-lo!!!!!
Só por mais um momento, para lhe agradecer os momentos em que ri, em que ri muito, com as suas histórias, com a sua maneira de transformar os lados tristes da vida, sem ofender nem desrespeitar a dignidade do ser humano. Estou a referir-me precisamente à sua ida à guerra. Sendo a guerra um flagelo da humanidade, perpetrado pela própria humanidade, o actor conseguiu "pintá-la" com tons do quotidiano, da vida doméstica, inocente, provocando assim o riso, esse também tão inocente e completo que nos conseguia fazer esquecer as nossas próprias guerras e a essência da natureza da Guerra, a verdadeira vergonha dos homens.
Cito de cor: "Cheguei à guerra, estava a guerra ainda fechada!" ou "O meu filho vai a pé, mas vai limpo!".
Obrigada, Raul Solnado! Adeus, Raul Solnado!
imagem daqui
Cito de cor: "Cheguei à guerra, estava a guerra ainda fechada!" ou "O meu filho vai a pé, mas vai limpo!".
Obrigada, Raul Solnado! Adeus, Raul Solnado!
imagem daqui
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Fernão Capelo
Parece ter sido há muito, muito tempo, mas talvez nem tenha sido há tanto tempo assim.
Como acontece sempre, uns lembrar-se-ão do fenómeno Fernão Capelo Gaivota, “como se fosse ontem”, outros, como se tudo se tivesse passado há muitos anos já. Uns recordam-no com emoção ainda intensa, outros arrancam-no com mais dificuldade das rugas da memória.
Assim que o vi,hoje, ao fim da tarde, a experimentar o seu voo mesmo em frente ao astro-rei, precisamente quando ele se despedia do dia, disse logo: aquele é o Fernão Capelo Gaivota!
A mim não me engana ele!
Como acontece sempre, uns lembrar-se-ão do fenómeno Fernão Capelo Gaivota, “como se fosse ontem”, outros, como se tudo se tivesse passado há muitos anos já. Uns recordam-no com emoção ainda intensa, outros arrancam-no com mais dificuldade das rugas da memória.
Assim que o vi,hoje, ao fim da tarde, a experimentar o seu voo mesmo em frente ao astro-rei, precisamente quando ele se despedia do dia, disse logo: aquele é o Fernão Capelo Gaivota!
A mim não me engana ele!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Tentações
É fácil ceder à tentação da lamentação gratuita e estéril!
Não fiz isto! Não fiz aquilo! Devia ter feito! Não devia ter feito!
É fácil e eu vou fazê-lo: devia ter viajado mais vezes no carrossel! Devia ter "apanhado", ou tentado apanhar, sempre o cavalo mais bonito, mais elegante, o que subisse mais alto e me permitisse dar uma "vista" do mundo mais panorâmica! Não devia ter tido tanto medo que os outros me julgassem e confundissem o meu desejo com oportunismo. Fá-lo-ão sempre que os seus interesses estejam ameaçados e não em função da sinceridade ou verdade dos simples desejos dos outros.
Como diz o poeta, Reinaldo Ferreira: "Quero um cavalo de várias cores!"
fotografia:Carrossel do Zoo de Lisboa
Não fiz isto! Não fiz aquilo! Devia ter feito! Não devia ter feito!
É fácil e eu vou fazê-lo: devia ter viajado mais vezes no carrossel! Devia ter "apanhado", ou tentado apanhar, sempre o cavalo mais bonito, mais elegante, o que subisse mais alto e me permitisse dar uma "vista" do mundo mais panorâmica! Não devia ter tido tanto medo que os outros me julgassem e confundissem o meu desejo com oportunismo. Fá-lo-ão sempre que os seus interesses estejam ameaçados e não em função da sinceridade ou verdade dos simples desejos dos outros.
Como diz o poeta, Reinaldo Ferreira: "Quero um cavalo de várias cores!"
sábado, 25 de julho de 2009
Chamem-lhe "felicidade", por exemplo!
A Estrelinha, que ensinara as primeiras letras e as contas a muitos jovens lá da aldeia, já ultrapassara os trinta há um bom par de anos, já estava casada há mais de dez e bebés, nada...
E toda a gente via e sabia como ela gostava de crianças!
Além disso a Estrelinha não escondia a pena de não ser contemplada pela Natureza.
Um dia, a Estrelinha pensou que talvez a Natureza precisasse de uma pequena ajuda. E assim foi! Ela e o marido foram aos médicos, falaram-lhes do seu desejo e a Ciência lá deu o jeito que faltava e semeou os bebés na barriga da Estrelinha.
Por isso, naquele dia uma verdadeira multidão esperava à porta do Hospital, em tempos Maternidade, a sua vez de espreitar a menina e os meninos.
Comentava quem saía que a menina era linda e rosadinha , tão rosadinha que se devia chamar Rosa. Quantos aos rapazes, diziam que berravam a bom berrar! Não havia forma mais adequada à sua condição de recém-nascidos de retribuir, para o outro lado do vidro, todos os sorrisos, acenos e alguma lágrima, que se ficava pelo “canto do olho”.
Esta hístória exemplar repete-se com tanta frequência que deixou de ser notícia.
Mas foi há trinta e um anos uma notícia feliz que fez nascer em muitas Estrelinhas a esperança de perseguir um sonho, com a ajuda da Ciência.
Há 31 anos, nascia em Londres o primeiro "bebé-proveta", designação que caiu em desuso porque contribuia, na mais perfeita inocência, para uma resistência chamada "preconceito". Passou a chamar-se "reprodução medicamente assistida".
Chamem-lhe Felicidade, por exemplo!

Imagem daqui
E toda a gente via e sabia como ela gostava de crianças!
Além disso a Estrelinha não escondia a pena de não ser contemplada pela Natureza.
Um dia, a Estrelinha pensou que talvez a Natureza precisasse de uma pequena ajuda. E assim foi! Ela e o marido foram aos médicos, falaram-lhes do seu desejo e a Ciência lá deu o jeito que faltava e semeou os bebés na barriga da Estrelinha.
Por isso, naquele dia uma verdadeira multidão esperava à porta do Hospital, em tempos Maternidade, a sua vez de espreitar a menina e os meninos.
Comentava quem saía que a menina era linda e rosadinha , tão rosadinha que se devia chamar Rosa. Quantos aos rapazes, diziam que berravam a bom berrar! Não havia forma mais adequada à sua condição de recém-nascidos de retribuir, para o outro lado do vidro, todos os sorrisos, acenos e alguma lágrima, que se ficava pelo “canto do olho”.
Esta hístória exemplar repete-se com tanta frequência que deixou de ser notícia.
Mas foi há trinta e um anos uma notícia feliz que fez nascer em muitas Estrelinhas a esperança de perseguir um sonho, com a ajuda da Ciência.
Há 31 anos, nascia em Londres o primeiro "bebé-proveta", designação que caiu em desuso porque contribuia, na mais perfeita inocência, para uma resistência chamada "preconceito". Passou a chamar-se "reprodução medicamente assistida".
Chamem-lhe Felicidade, por exemplo!

Imagem daqui
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Sensação estranha...
Hoje passa mais um dia 24 de Julho, dia da minha cidade.
Este é o Jardim Vasco da Gama, passagem obrigatória no caminho da baixa, a caminho das emoções da matiné, no Gil Vicente ou no Scala, da coca-cola, no Continental ou do "chocoleite", na Cooperativa.Logo a seguir ao Scala, há a emoção dos correios. Pode sempre haver uma carta para "deitar" ou um telegrama.
Fotografias do meu sobrinho, Gonçalo.(Abril de 2009)
Obrigada, Gonçalo, pelas fotos. O coração continua a dar horas, vazio e cheio de fome. Mesmo assim, obrigada!
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Pérola de jornalismo
«Ontem de tarde, estava na praça da Ribeira José Rodrigues e a sua cara-metade Luísa Pinto conversando, mas, por tal forma o faziam, que a moral pública era altamente ofendida. A polícia, que tem os ouvidos muito castos, aproximou-se do mal falante par e repreendeu-o, mas foi mal sucedido, porque depois do dize tu e direi eu, meia dúzia de sopapos caíram no cachaço do guarda civil, que tomou a seu cargo desafrontar a moral pública.» Entretanto, «apareceram mais guardas e o par sempre a multiplicar o par de murros.» Por fim, «o ditoso e valente par foi capturado e conduzido ao Aljube.» Fonte:1.º de Janeiro de 22-07-1869, p. 3
Observações: Se o casal, ou seja, as duas metades da cara, estavam a conversar, como é que ofendiam a moral pública? "Altamente", note-se! Seria o volume da voz? Seria o conteúdo da conversa? Ou, simplesmente, não era conversa mas sim uma valente discussão à antiga portuguesa?
Quanto aso ouvidos castos da polícia: estaria o jornalista a ser irónico? Já lá vão cento e quarenta anos, mas mesmo assim, não acredito nesta castidade.
"Dize tu direi eu" já me parece uma forma mais acalorada de conversa...
É que os bem intencionados dizem que é a conversar que a gente se entende. Ou será a falar?
"Malharam" na Guarda-Civil e forma parar ao Aljube, mas mesmo assim o bem-disposto do jornalista chama-lhes ditoso par. Ditoso não quer dizer feliz? Valente não quer dizer corajoso? Falar de coragem e valentia não pressupõe orgulho, aprovação? Então isto quer dizer que o jornalista aprova e orgulha-se do par ter batido na autoridade.
No mínimo, esta é uma peça de jornalismo um tanto estranha!

Fontes: texto do Leme, Efemérides: imagem do Getty Image.
Observações: Se o casal, ou seja, as duas metades da cara, estavam a conversar, como é que ofendiam a moral pública? "Altamente", note-se! Seria o volume da voz? Seria o conteúdo da conversa? Ou, simplesmente, não era conversa mas sim uma valente discussão à antiga portuguesa?
Quanto aso ouvidos castos da polícia: estaria o jornalista a ser irónico? Já lá vão cento e quarenta anos, mas mesmo assim, não acredito nesta castidade.
"Dize tu direi eu" já me parece uma forma mais acalorada de conversa...
É que os bem intencionados dizem que é a conversar que a gente se entende. Ou será a falar?
"Malharam" na Guarda-Civil e forma parar ao Aljube, mas mesmo assim o bem-disposto do jornalista chama-lhes ditoso par. Ditoso não quer dizer feliz? Valente não quer dizer corajoso? Falar de coragem e valentia não pressupõe orgulho, aprovação? Então isto quer dizer que o jornalista aprova e orgulha-se do par ter batido na autoridade.
No mínimo, esta é uma peça de jornalismo um tanto estranha!

Fontes: texto do Leme, Efemérides: imagem do Getty Image.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Querida Lua!
Ontem foi o teu dia, mas eu andava tão ocupada com aquelas coisas nada românticas, que não tive coragem de falar contigo e dizer-te como tu és importante na minha vida.
Costumo olhar para ti, sabes?, sobretudo nas noites em que está muito redonda, muito gorda e muito branca a tomar conta das estrelas. Gosto da maneira como namoras o mar, um caso que já vi mesmo, com estes olhos, lá para os lados do Algarve.
És mesmo namoradeira! Aqui, nas minhas bandas, também já vi que te "atiras" ao rio... Ai, ai... Vamos ficar por aqui. Deves estar muito cansada, com as honrarias de ontem.
Deixo-te um poema que foi feito por uma menina da minha escola, já há alguns anos.
Lê! É muito, muito lindo!
A Lua
A Lua sobe, sobe sem parar,
quando dou por mim,
vejo o seu brilho no mar.
O Sol já desceu,
estrelas estão a cintilar
gaivotas começam a voar.
E eu,
vou para casa...
Vou sonhar.
Ângela,5ºL (2003/2004)
Às vezes, de tão redondinha, até pareces estar a desafiar-nos, a nós, que andamos cá tão em baixo, para subirmos, até ao teu chão que, se calhar, sabe a queijo, para brincarmos contigo.
Gosto muito de ti, Lua!
Costumo olhar para ti, sabes?, sobretudo nas noites em que está muito redonda, muito gorda e muito branca a tomar conta das estrelas. Gosto da maneira como namoras o mar, um caso que já vi mesmo, com estes olhos, lá para os lados do Algarve.
És mesmo namoradeira! Aqui, nas minhas bandas, também já vi que te "atiras" ao rio... Ai, ai... Vamos ficar por aqui. Deves estar muito cansada, com as honrarias de ontem.
Deixo-te um poema que foi feito por uma menina da minha escola, já há alguns anos.
Lê! É muito, muito lindo!
A Lua
A Lua sobe, sobe sem parar,
quando dou por mim,
vejo o seu brilho no mar.
O Sol já desceu,
estrelas estão a cintilar
gaivotas começam a voar.
E eu,
vou para casa...
Vou sonhar.
Ângela,5ºL (2003/2004)
Às vezes, de tão redondinha, até pareces estar a desafiar-nos, a nós, que andamos cá tão em baixo, para subirmos, até ao teu chão que, se calhar, sabe a queijo, para brincarmos contigo.
Gosto muito de ti, Lua!
sábado, 18 de julho de 2009
Noventa e uma velas para Mandela
"Uma vez em liberdade-disse-olharei por mim mesmo."
Mandela é a liberdade. É a liberdade que não se subjuga nunca ao desejo de ser apenas livre no corpo, porque não é no corpo que a liberdade começa ou acaba.
A prova é este Homem que completa hoje noventa e um anos de idade, vinte sete dos quais passados em cativeiro do corpo. O seu espírito, o seu coração, a sua mente foram sempre absolutamente livres.
Sinto um orgulho imenso por pertencer a um tempo da História em que Nelson Mandela deu rosto à liberdade.
E o que sempre vimos foi um rosto com sorriso de menino, porque já em menino ele derrotava os seus "adversários sem os desonrar".
É mesmo uma honra partilhar o tempo e o mundo com Nelson Mandela!
imagem daqui
Mandela é a liberdade. É a liberdade que não se subjuga nunca ao desejo de ser apenas livre no corpo, porque não é no corpo que a liberdade começa ou acaba.
A prova é este Homem que completa hoje noventa e um anos de idade, vinte sete dos quais passados em cativeiro do corpo. O seu espírito, o seu coração, a sua mente foram sempre absolutamente livres.
Sinto um orgulho imenso por pertencer a um tempo da História em que Nelson Mandela deu rosto à liberdade.
E o que sempre vimos foi um rosto com sorriso de menino, porque já em menino ele derrotava os seus "adversários sem os desonrar".
É mesmo uma honra partilhar o tempo e o mundo com Nelson Mandela!
imagem daqui
domingo, 12 de julho de 2009
(...)
sábado, 11 de julho de 2009
Degustação
terça-feira, 7 de julho de 2009
Colocação?
Ainda não entendi por que é que se chama "colocação" a esta fase dos concursos dos professores! Fica na ideia de quem ouve ou lê que estavam sem trabalho, por colocar 30 mil professores, o que não é verdade. Destes trinta mil, vinte e nove mil e quinhentos já tinham o seu vínculo: eram quadros de escola de nomeação definitiva(QND) ou provisória (QZP).Que não se passe a ideia de que houve uma fartura de lugares deixados vazios pelos colegas que se reformaram (e são muitos!)a serem ocupados pelos professores contratados, esses sim sem qualquer espécie de vínculo.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Parabéns, Nelson!
People like you and I, though mortal of course like everyone else, do not grow old no matter how long we live...We never cease to stand like curious children before the great mystery into which we were born. Albert Einstein, letter to Otto JuliusburgerEsta ideia vai direitinha para o meu amigo Nelson que apagou ontem mais umas velinhas. Celebrou a vida que lhe tem dado, tanto quanto sei, "presentes" maravilhosos!
Parabéns, Nelson!
O que é isso "Férias"?
A pergunta é uma paráfrase de uma conversa que me faz saudade. Mas também tenho alguma saudade de sentir as férias. Mais do que ter férias, é importante sentir as férias. As férias tornaram-se, como quase tudo o que faz parte do nosso admirável mundo novo, um item da burocracia: um direito do trabalhador, um dever do empregador, um ordenado suplementar, uma viagem, uma casa suplementar, com todo o trabalho doméstico que implica, uma obrigação de se sair da casa-mãe rumo a trabalhos rotineiros que não reduzem os níveis de impaciência que caracterizam os dias normais.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
"A ardente perfeição da tua ausência", Sophia!
Eis que de um certo lugar se adivinha o mar, pois que se ouve, ao longe…
Sigamos, deste lugar, o rio que vai dar ao mar, a esse mar que abraça a alma de Sophia…
De hoje em diante, o Miradouro da Graça chamar-se-á Sophia, em nome da poesia, que é eterna, tão eterna que ultrapassa esta barreira a que chamamos tempo, vida ou outra qualquer designação que se espraie em azul, ou verde, a na mistura das duas tonalidades.
Desse mar de que Sophia não se saciou.
Tão eterna é a poesia que a poetisa prometeu voltar "para buscar os momentos" que não viveu "junto ao mar".
O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia
Sigamos, deste lugar, o rio que vai dar ao mar, a esse mar que abraça a alma de Sophia…
De hoje em diante, o Miradouro da Graça chamar-se-á Sophia, em nome da poesia, que é eterna, tão eterna que ultrapassa esta barreira a que chamamos tempo, vida ou outra qualquer designação que se espraie em azul, ou verde, a na mistura das duas tonalidades.
Desse mar de que Sophia não se saciou.
Tão eterna é a poesia que a poetisa prometeu voltar "para buscar os momentos" que não viveu "junto ao mar".
O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rostoTodas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O nosso tempo
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Viva o Principezinho!
Era uma vez um piloto. Chamava-se Antoine de Saint-Exupéry. O tempo era de guerra e um dia esse piloto desapareceu. Nunca mais voltou. No entanto, uma obra única na literatura universal deixava um rasto inapagável da sua existência:o Principezinho.
Esta é uma obra que celebra a infância e a amizade, provavelmente, penso eu, os pilares da humanidade. Todos somos crianças e permanecemos crianças pela vida fora. Por muito que as barbas e outros adereços de gente crescida componham a nossa figura, dentro, cá dentro, há sempre o menino, que sonha com um mundo à medida dos seus desejos de paz, de amizade, o sentimento que a par do sonho pode e deve comandar a vida. Esse menino tomou corpo no Principezinho e ficou com o seu "irmão" mais velho, o homem-feito, para sempre, num qualquer deserto, um desses que também constituem o nosso próprio caminho, o caminho cá dentro, aquele que vamos preenchendo de oásis, à medida das nossas possibilidades, isto é, das nossas limitações.
Antoine de Saint –Exupéry nasceu em Lyon, a 29 de Junho de 1900, terceiro filho de Jean de Saint-Exupéry e de Marie de Fonscolombe. Entrou para a Força Aérea em 1921, como mecânico, tendo nessa altura manifestado o “irresistível desejo” de pilotar. Tornou-se depois piloto comercial, voando para África e para a América do Sul. A sua obra literária tem sempre o voo, como pano de fundo. Mas O Principezinho é sem dúvida a sua obra mais notável e está considerada a nível mundial como a terceira mais lida, depois da Bíblia e do Corão. Voou pela última vez para o Norte de África a 31 de Julho de 1944 e, como sugerem alguns biógrafos que se deixaram “cativar”, foi ao encontro do seu Principezinho.
Esta é uma obra que celebra a infância e a amizade, provavelmente, penso eu, os pilares da humanidade. Todos somos crianças e permanecemos crianças pela vida fora. Por muito que as barbas e outros adereços de gente crescida componham a nossa figura, dentro, cá dentro, há sempre o menino, que sonha com um mundo à medida dos seus desejos de paz, de amizade, o sentimento que a par do sonho pode e deve comandar a vida. Esse menino tomou corpo no Principezinho e ficou com o seu "irmão" mais velho, o homem-feito, para sempre, num qualquer deserto, um desses que também constituem o nosso próprio caminho, o caminho cá dentro, aquele que vamos preenchendo de oásis, à medida das nossas possibilidades, isto é, das nossas limitações.
Antoine de Saint –Exupéry nasceu em Lyon, a 29 de Junho de 1900, terceiro filho de Jean de Saint-Exupéry e de Marie de Fonscolombe. Entrou para a Força Aérea em 1921, como mecânico, tendo nessa altura manifestado o “irresistível desejo” de pilotar. Tornou-se depois piloto comercial, voando para África e para a América do Sul. A sua obra literária tem sempre o voo, como pano de fundo. Mas O Principezinho é sem dúvida a sua obra mais notável e está considerada a nível mundial como a terceira mais lida, depois da Bíblia e do Corão. Voou pela última vez para o Norte de África a 31 de Julho de 1944 e, como sugerem alguns biógrafos que se deixaram “cativar”, foi ao encontro do seu Principezinho.
Há festa!
Por aqui há festa. Há farturas e churros. Há pipocas e algodão doce! Há milhares de postos de venda ambulante e milhares de artigos: desde os sapatito de verniz à chinela de meter o dedo, passando pela bela saia a condizer com a blusa de "lycra" da "melhor" qualidade, ó freguesa! Há tudo. Há muito barulho. Há muita gente. Há muitas luzes. Há muitos cheiros. Há muito de muito.
Há um feriado amanhã...
Há um feriado amanhã...
domingo, 21 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
O facto do dia
Há um ano, precisamente um ano, o Cristiano Ronaldo marcou um golo e o Tiago nasceu. Para mim e para os meus amigos foi importante o nascimento do Tiago. Para o mundo, pelo menos para o mundo que ia no barco comigo, foi mais importante o golo do CR. Foi como se uma onda gigante se tivesse apoderado daquele bocado de rio, entre Lisboa e o Montijo.
O rapazito lá se vai consagrando o melhor, o mais isto e mais aquilo. Hoje é o mais caro! O Real Madrid comprou três jogadores e o mais caro é o rapazito Ronaldo, o tal dos anúncios do colchão que não rende, da adivinhação relativa ao futuro do melhor do mundo.
Apetece-me dizer, pedir que o deixem viver a juventude que transpira por todos os poros, deixem-no ser o menino da mamã e das manas, deixem-no. Mas ninguém o vai deixar pois ninguém está interessado no menino Cristiano Ronaldo. Estão interessados nos muitos milhões que ele vai valer aos clubes por onde passa!
O rapazito lá se vai consagrando o melhor, o mais isto e mais aquilo. Hoje é o mais caro! O Real Madrid comprou três jogadores e o mais caro é o rapazito Ronaldo, o tal dos anúncios do colchão que não rende, da adivinhação relativa ao futuro do melhor do mundo.
Apetece-me dizer, pedir que o deixem viver a juventude que transpira por todos os poros, deixem-no ser o menino da mamã e das manas, deixem-no. Mas ninguém o vai deixar pois ninguém está interessado no menino Cristiano Ronaldo. Estão interessados nos muitos milhões que ele vai valer aos clubes por onde passa!
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Desabafos, nada a propósito!
Esta coisa agravada dos reumatismos, ou seja lá o que forem estas dores que já "tolhiam" a minha avó, provoca mais do que tudo uma certa melancolia. Não voltarei a ser activa e dinâmica como sonhei sempre ser até ao fim da minha vida. Nem nunca o consegui ser em pleno! E esta melancolia também dói e paralisa.
O que fica para os meus netos, quando eles chegarem, é uma avozinha, com a infância -que os avós reservam para este momento e condição - agrilhoada nas artroses dos joelhos, dos tornozelos e dos pulsos.
Resta-me uma esperança que mora no meu coração que é a memória da minha avó, muito "tolhida" das pernas, mas sempre a vencer as dores com um sorriso muito verde nos olhos.
O que fica para os meus netos, quando eles chegarem, é uma avozinha, com a infância -que os avós reservam para este momento e condição - agrilhoada nas artroses dos joelhos, dos tornozelos e dos pulsos.
Resta-me uma esperança que mora no meu coração que é a memória da minha avó, muito "tolhida" das pernas, mas sempre a vencer as dores com um sorriso muito verde nos olhos.
sábado, 6 de junho de 2009
O imenso pensamento "cem" tempo
O corpo não acompanha a idade. Pelo caminho vão-se perdendo as forças dos braços e das pernas. Os caminhos doem sempre mais e mais. Mas o pensamento, esse não! Esse tranforma essas vicissitudes, aprende-as e dá-lhes uma forma moderna e consegue imprimir-lhes uma força que projecta o Homem de um tempo para os tempos todos, sobretudo para os tempos que hão-de vir. Obrigada, Manoel de Oliveira, pela lição de quinta à noite, na Grande Entrevista.
Guardei algumas palavras...
"O tempo não tem nada que ver com o movimento….
O tempo passa… passa…
Uma coisa é o movimento. O movimento circula no tempo.
O cérebro refina.
Supomos que somos mais sábios, mas sábios verdadeiramente nunca somos.
Deixar a minha vida arrumada em boas condições
Tenho uma tendência profunda humanista, isso sim.
A mudança de um partido para o outro não adianta absolutamente nada.
Em qualquer dos partidos a natureza do homem é exactamente a mesma.
E é na natureza do homem que está o bem e o mal, está o ódio e o amor,
Está os bons sentimentos e os maus sentimentos.
E só morrendo é que se vai lá.
O tédio… uma coisa horrível nunca pensei que o tédio fosse uma coisa tão pesada.
Vamos aprendendo durante toda a vida".
Guardei algumas palavras...
"O tempo não tem nada que ver com o movimento….
O tempo passa… passa…
Uma coisa é o movimento. O movimento circula no tempo.
O cérebro refina.
Supomos que somos mais sábios, mas sábios verdadeiramente nunca somos.
Deixar a minha vida arrumada em boas condições
Tenho uma tendência profunda humanista, isso sim.
A mudança de um partido para o outro não adianta absolutamente nada.
Em qualquer dos partidos a natureza do homem é exactamente a mesma.
E é na natureza do homem que está o bem e o mal, está o ódio e o amor,
Está os bons sentimentos e os maus sentimentos.
E só morrendo é que se vai lá.
O tédio… uma coisa horrível nunca pensei que o tédio fosse uma coisa tão pesada.
Vamos aprendendo durante toda a vida".
quinta-feira, 4 de junho de 2009
4 de Junho
Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, porque é que você não fica com as que já tem? Recado de Marcelo, criança.
Este "recado", que só pode mesmo nascer no coração de um menino, bateu em cheio na meu desejo, como acerta em todos os corações que "sofrem" desta incompreensão.
À medida que o meu tempo vai passando, tenho cada vez mais a certeza de que uma vida só não chega!
Ao ver esta tua fotografia, Papá, ponho-me a pensar se não estarás já a fazer a marcha-atrás no tempo de além, para voltares outra vez e viveres mais uns sonhos, liquidares mais umas contas de vida.
E ainda vais ficar com sonhos em espera, eu sei!
Um dia destes é 4 de Junho mais uma vez e tu apareces, por aqui, com aquele teu encantamento dividido entre a beleza, essência da vida, e o avanço da ciência, essência da esperança.
Quando voltares, já sabes, quero que sejas meu pai, outra vez!
Este "recado", que só pode mesmo nascer no coração de um menino, bateu em cheio na meu desejo, como acerta em todos os corações que "sofrem" desta incompreensão.
À medida que o meu tempo vai passando, tenho cada vez mais a certeza de que uma vida só não chega!Ao ver esta tua fotografia, Papá, ponho-me a pensar se não estarás já a fazer a marcha-atrás no tempo de além, para voltares outra vez e viveres mais uns sonhos, liquidares mais umas contas de vida.
E ainda vais ficar com sonhos em espera, eu sei!
Um dia destes é 4 de Junho mais uma vez e tu apareces, por aqui, com aquele teu encantamento dividido entre a beleza, essência da vida, e o avanço da ciência, essência da esperança.
Quando voltares, já sabes, quero que sejas meu pai, outra vez!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Criança
Valeu-lhe a feliz condição de criança...
É de Torga, dos Novos Contos da Montanha, esta criança. Pelos vistos, não gasta a sua infância nos montes. Não perde, nas serranias rudes e pedregosas, nem a inocência, nem as ovelhas! Qualquer balido o traz de volta, do sonho de menino à realidade do seu rebanho, sem mágoas e sem revoltas.
Era pelo menos assim, o menino pastor, o Rodrigo, que ficou para sempre guardado naquele "Milagre" que acontece em pleno conto, em pleno talento do poeta telúrico.
Bem-hajas criança que me devolves todos os dias o futuro que eu já vivi!
Ou como diz o outro poeta, o Poeta Gedeão: eles não sabem nem sonham, que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança"
É de Torga, dos Novos Contos da Montanha, esta criança. Pelos vistos, não gasta a sua infância nos montes. Não perde, nas serranias rudes e pedregosas, nem a inocência, nem as ovelhas! Qualquer balido o traz de volta, do sonho de menino à realidade do seu rebanho, sem mágoas e sem revoltas.
Era pelo menos assim, o menino pastor, o Rodrigo, que ficou para sempre guardado naquele "Milagre" que acontece em pleno conto, em pleno talento do poeta telúrico.
Bem-hajas criança que me devolves todos os dias o futuro que eu já vivi!
Ou como diz o outro poeta, o Poeta Gedeão: eles não sabem nem sonham, que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança"
domingo, 31 de maio de 2009
Há festa em Serralves!
Serralves é Museu! Serralves é arte que brota da alma humana e não só. Serralves é uma outra arte, uma arte que brota directamente da criação. Serralves é um jardim.
Serralves é o "sim" ao conceito de harmonia entre a produção natural e a produção estética, seja sob que forma for. É a obediência quase absoluta ao espírito do Éden, que inclui o próprio sentido inevitável da tentação de ser mais e melhor, de atingir a perfeição do Criador.
É o que eu tenho a dizer sobre Serralves!
Serralves é o "sim" ao conceito de harmonia entre a produção natural e a produção estética, seja sob que forma for. É a obediência quase absoluta ao espírito do Éden, que inclui o próprio sentido inevitável da tentação de ser mais e melhor, de atingir a perfeição do Criador.
É o que eu tenho a dizer sobre Serralves!
quinta-feira, 28 de maio de 2009
No dia em que o Zoo faz anos
Ir ao Zoo é sempre uma proposta linda a fazer a uma criança.
O Zoo de Lisboa abriu este portão há cento e vinte e cinco anos.
Todos os dias, muitas crianças, nas mais variadas versões que a condição de criança tem (com e sem rugas, com e sem cabelos brancos...)passam para lá deste portão e, a fingir que é tudo a fingir, vivem com emoção o encontro com uma natureza, que se diz animal, mas que pode bem ensinar aos exemplares do lado de cá da jaula, do lado de cá deste belo portão que a vida tem regras incontornáveis e uma delas é a protecção aos mais fracos, que eles praticam, mesmo em cativeiro.
Todos os dias, muitas crianças, nas mais variadas versões que a condição de criança tem (com e sem rugas, com e sem cabelos brancos...)passam para lá deste portão e, a fingir que é tudo a fingir, vivem com emoção o encontro com uma natureza, que se diz animal, mas que pode bem ensinar aos exemplares do lado de cá da jaula, do lado de cá deste belo portão que a vida tem regras incontornáveis e uma delas é a protecção aos mais fracos, que eles praticam, mesmo em cativeiro.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Prémios à séria!
Há um texto de Vitorino Nemésio em que ele conta como só ele bem se lembra, o seu exame da quarta classe. Foi uma distinção, pois foi, mas não foi nos olhos dos professores examinadores que ele sentiu essa distinção.
(Imagino um grupo de pessoas com máscaras sinistras, mais sinistras que as que examinaram o Vasquinho da Anatomia, que afinal sabia o que é o esternocleidomastoideu!)
Foi nos olhos do seu amigo, aluno fraco mas cheio de garra nas coisas da vida, tais como traquinices e namoradas, que o grande (à data, pequeno!) se sentiu verdadeiramente distinto!
Foi também nos olhos da Margarida que eu me senti a grande vaidade da Tia Árvore! Ela tirou o livro da mochila e disse com uma inocência que só se tem aos dez anos, um gesto que galardoou verdadeiramente a minha condição de professora: Eu tenho o "seu" livro! Hesitámos, eu e ela, sem saber o que fazer com aquelas emoções à frente da turma, apesar de todos saberem da existência da Tia Árvore. Eu desfolhei o livro como se não o conhecesse e entreguei-lho. Ela começou a guardá-lo. De repente, como se alguma coragem tivesse de repente assaltado o seu gesto e a sua vontade, entregou-mo novamente, aberto nas primeiras páginas e pediu-me para escrever "ali".
Obrigada, Margarida, talvez um dia venhas a saber o verdadeiro "´prémio Nobel" que me entregaste com aquele teu gesto!
(Imagino um grupo de pessoas com máscaras sinistras, mais sinistras que as que examinaram o Vasquinho da Anatomia, que afinal sabia o que é o esternocleidomastoideu!)
Foi nos olhos do seu amigo, aluno fraco mas cheio de garra nas coisas da vida, tais como traquinices e namoradas, que o grande (à data, pequeno!) se sentiu verdadeiramente distinto!
Foi também nos olhos da Margarida que eu me senti a grande vaidade da Tia Árvore! Ela tirou o livro da mochila e disse com uma inocência que só se tem aos dez anos, um gesto que galardoou verdadeiramente a minha condição de professora: Eu tenho o "seu" livro! Hesitámos, eu e ela, sem saber o que fazer com aquelas emoções à frente da turma, apesar de todos saberem da existência da Tia Árvore. Eu desfolhei o livro como se não o conhecesse e entreguei-lho. Ela começou a guardá-lo. De repente, como se alguma coragem tivesse de repente assaltado o seu gesto e a sua vontade, entregou-mo novamente, aberto nas primeiras páginas e pediu-me para escrever "ali".
Obrigada, Margarida, talvez um dia venhas a saber o verdadeiro "´prémio Nobel" que me entregaste com aquele teu gesto!
terça-feira, 19 de maio de 2009
Sem vencedores e sem vencidos
O professor que sai vencedor de uma discussão ou de uma competição não convence os alunos. A vitória é um acontecimento exterior, não é uma coisa pessoal. Um vencedor de um lado propicia sempre um derrotado do outro. Não há nenhum motivo de orgulho, numa perda de humanidade ou de humildade. Uma sala de aula dominada pelo ambiente de "ganhar ou perder" enche-se de tensão, manipulação e astúcia.Se venceres uma batalha com os teus alunos, vais diminuir o seu orgulho de pensarem pelas suas próprias cabeças. Tenta uma maneira de todos saírem vencedores. Greta Nagel
segunda-feira, 18 de maio de 2009
The moments after
E se eu não tivesse sido promovida de aplicadora suplente a aplicadora efectiva?
Teria perdido aqueles momentos em que declamei frases que eu jamais teria sido capaz de inventar e muito menos de adaptar à situação. Por isso, agradeço do fundo do coração a quem me avisou, com elevado sentido de responsabilidade e respeito: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual."
Jamais eu ousaria interpretar frases como esta: "Agora, o que peço é que verifiquem se têm o material necessário para realizarem a prova e se este está em bom estado." Não ousaria jamais interpretar, até por falta de preparação intelectual para encontrar nesta simples frase todos os sentidos, decifrar-lhe toda a beleza, desvendar os verdadeiros referentes que podiam estar em mau estado: um lápis mal afiado, uma borracha mordida pelos nervos dos mais aflitos...
Vou confessar que olhei de soslaio para as instruções da coluna do lado que se destinava ao primeiro ciclo e não consegui entender uma diferença subtil dos dois textos, que podem, contudo, ser alvo de exigente análise, podendo eventualmente chegar-se a uma conclusão: no início da segunda parte, o aplicador pode desejar "Bom trabalho!" aos alunos do primeiro ciclo, apenas aos do primeiro ciclo! Portanto, se eu não expressei o voto de bom trabalho aos meus alunos, foi por causa do guião...
Imagem daqui
Teria perdido aqueles momentos em que declamei frases que eu jamais teria sido capaz de inventar e muito menos de adaptar à situação. Por isso, agradeço do fundo do coração a quem me avisou, com elevado sentido de responsabilidade e respeito: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual."
Jamais eu ousaria interpretar frases como esta: "Agora, o que peço é que verifiquem se têm o material necessário para realizarem a prova e se este está em bom estado." Não ousaria jamais interpretar, até por falta de preparação intelectual para encontrar nesta simples frase todos os sentidos, decifrar-lhe toda a beleza, desvendar os verdadeiros referentes que podiam estar em mau estado: um lápis mal afiado, uma borracha mordida pelos nervos dos mais aflitos...
Vou confessar que olhei de soslaio para as instruções da coluna do lado que se destinava ao primeiro ciclo e não consegui entender uma diferença subtil dos dois textos, que podem, contudo, ser alvo de exigente análise, podendo eventualmente chegar-se a uma conclusão: no início da segunda parte, o aplicador pode desejar "Bom trabalho!" aos alunos do primeiro ciclo, apenas aos do primeiro ciclo! Portanto, se eu não expressei o voto de bom trabalho aos meus alunos, foi por causa do guião...
Imagem daqui
sábado, 16 de maio de 2009
Parabéns, Chuinguita!
quinta-feira, 14 de maio de 2009
I did it my way!
Sinatra morreu há onze anos, depois de ter embalado românticamente mais do que uma geração, atravessando modas, ideias, revoluções culturais e outras, vencendo as crises e os tempos, "à sua maneira".
"I did it my way" ficou na memória de muitos, quase todos, como um hino de Sinatra, mas, na verdade, ela nasceu do lado de cá do Atlântico, no talento de Claude François, com o nome original "Comme d'habitude".
A versão inglesa/americana transformou a canção que dizia apenas respeito ao destino individual de alguém, numa canção que fala, ou melhor, canta o destino universal da humanidade. Há muitos rumores à roda dos seus passos políticos, mas disso eu não sei nada!
Só quis fazer jus à tradição deste espaço, fazendo "sair" efeméride! Quem me recordou essa "missão" foi o Nelson, num muito, muito simpático post de parabéns ao Chora Que Logo Bebes.
Ele não perde um aniversário! Era o que todos fazíamos no tempo em que éramos menos e fazíamos culto da convivência bloguística!
Todos os tempos são tempos. A blogosfera disparou para números incontroláveis e a aldeia cresceu tanto que é impossível percorrê-la a pé ou de camioneta. Só de avião! E um destes dias, só de spaceshuttle!
Voltando ao cantor das modas, eu queria mesmo era, um dia, poder dizer, como a cantiga: Regrets, I had a few...
"I did it my way" ficou na memória de muitos, quase todos, como um hino de Sinatra, mas, na verdade, ela nasceu do lado de cá do Atlântico, no talento de Claude François, com o nome original "Comme d'habitude".
A versão inglesa/americana transformou a canção que dizia apenas respeito ao destino individual de alguém, numa canção que fala, ou melhor, canta o destino universal da humanidade. Há muitos rumores à roda dos seus passos políticos, mas disso eu não sei nada!
Só quis fazer jus à tradição deste espaço, fazendo "sair" efeméride! Quem me recordou essa "missão" foi o Nelson, num muito, muito simpático post de parabéns ao Chora Que Logo Bebes.
Ele não perde um aniversário! Era o que todos fazíamos no tempo em que éramos menos e fazíamos culto da convivência bloguística!
Todos os tempos são tempos. A blogosfera disparou para números incontroláveis e a aldeia cresceu tanto que é impossível percorrê-la a pé ou de camioneta. Só de avião! E um destes dias, só de spaceshuttle!
Voltando ao cantor das modas, eu queria mesmo era, um dia, poder dizer, como a cantiga: Regrets, I had a few...
terça-feira, 12 de maio de 2009
Aniversário
5 anos! Obrigada a todos os que fazem companhia ao Chora!O lema continua a ser: saltar o muro que me separa da Floresta, onde se pode ler o tal aviso que nos desafia a arriscar! O Chora não arrisca muito, vive no Jameh, alimenta-se de papa Maizena e tem um ADN incompatível com conflitos de grande dimensão. O maior conflito que alimento é comigo, à maneira da Ivone Silva!
sábado, 9 de maio de 2009
Parabéns, Sandra!
Foram momentos de muita emoção!
Mas há sempre alguns que, por uma qualquer razão, rasgam uma fronteira qualquer, apoderam-se de um nosso território de sentidos, absolutamente resguardado, quase inviolado...
Um desses momentos foi o abraço do filho! Ainda ontem ele era menino e agora já é adolescente e vestiu a alma e o coração a rigor, para celebrar com a mãe estes instantes únicos na vida dela e na vida de toda a família. O que me liga à Sandra é precisamente este menino agora quase crescido!
A poesia purifica as almas. Esta ideia não é minha e não me recordo agora de quem é. Talvez Sebastião da Gama, também poeta e também professor. A poesia cicatriza, mas não cura. Purifica e já é pedir muito!
O livro da Sandra abre e fecha com dor e saudade: abre com um poema à mãe e fecha com um poema ao aluno, ao João Rui, que partiu um dia, em pleno recreio da escola, em plena alegria, em plena Vida! Ninguém consegue perceber porquê! Resta à nossa ignorância o refúgio da convicção expressa no poema da Sandra: "Jamais te esqueceremos".
Mas há sempre alguns que, por uma qualquer razão, rasgam uma fronteira qualquer, apoderam-se de um nosso território de sentidos, absolutamente resguardado, quase inviolado...
Um desses momentos foi o abraço do filho! Ainda ontem ele era menino e agora já é adolescente e vestiu a alma e o coração a rigor, para celebrar com a mãe estes instantes únicos na vida dela e na vida de toda a família. O que me liga à Sandra é precisamente este menino agora quase crescido!
A poesia purifica as almas. Esta ideia não é minha e não me recordo agora de quem é. Talvez Sebastião da Gama, também poeta e também professor. A poesia cicatriza, mas não cura. Purifica e já é pedir muito!
O livro da Sandra abre e fecha com dor e saudade: abre com um poema à mãe e fecha com um poema ao aluno, ao João Rui, que partiu um dia, em pleno recreio da escola, em plena alegria, em plena Vida! Ninguém consegue perceber porquê! Resta à nossa ignorância o refúgio da convicção expressa no poema da Sandra: "Jamais te esqueceremos".
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Ainda cá ando!!!
Espantada de existir, claro!
Mas há sempre um João Sem Medo escondido dentro de nós, pronto a enganar a frustração, depois de tomar consciência da sua incapacidade para combater a fatalidade.
Assim, não vos deixeis abater pelo que vedes na imagem. Podeis andar encharcados em má disposição, mas tendes quadros interactivos, em todas as salas, de todas as escolas. Pelo menos, assim presumo. Coisas de Euromilhões, a criar excêntricos em cada esquina. Ou, nem tudo é mau! Ou ainda, nem tudo é tão mau como parece!
Agora é que a Matemática e o Latim vão entrar como o sol pelas vidraças! Sol, vidraças e Matemática, já temos. O Latim é de outras eras e a comparação não é minha. É do Eça, ou melhor, do Zé Fernandes, que a ela recorre para evidenciar a inteligência do seu amiguinho Jacinto, tão inteligente quanto triste.
Terá sido efeito secundário de papa Maizena? Também é coisa de excêntricos trazer à discussão a velha papa que requer tempo, fogão, paciência e raspa de limão, para chegar à mesa!
E os flocos de aveia que a minha mãe fazia, pacientemente, sempre a mexer a papa, não fosse aquilo pegar ou não ficar toda macia, por igual! Com um bocadinho de açúcar e canela, era melhor do que arroz-doce!
Tenho de telefonar ao Senhor Ministro, para ver se ele promove, para a próxima, os flocos de aveia, ou melhor o "porridge", como dizia a minha mãe, que tinha trazido a receita da África do Sul!
Mas há sempre um João Sem Medo escondido dentro de nós, pronto a enganar a frustração, depois de tomar consciência da sua incapacidade para combater a fatalidade.
Agora é que a Matemática e o Latim vão entrar como o sol pelas vidraças! Sol, vidraças e Matemática, já temos. O Latim é de outras eras e a comparação não é minha. É do Eça, ou melhor, do Zé Fernandes, que a ela recorre para evidenciar a inteligência do seu amiguinho Jacinto, tão inteligente quanto triste.
Terá sido efeito secundário de papa Maizena? Também é coisa de excêntricos trazer à discussão a velha papa que requer tempo, fogão, paciência e raspa de limão, para chegar à mesa!
E os flocos de aveia que a minha mãe fazia, pacientemente, sempre a mexer a papa, não fosse aquilo pegar ou não ficar toda macia, por igual! Com um bocadinho de açúcar e canela, era melhor do que arroz-doce!
Tenho de telefonar ao Senhor Ministro, para ver se ele promove, para a próxima, os flocos de aveia, ou melhor o "porridge", como dizia a minha mãe, que tinha trazido a receita da África do Sul!
domingo, 3 de maio de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)




