quinta-feira, 11 de março de 2010

O dia em que fomos Prémio Nobel

Foi ontem, na Escola da Restauração em Alcochete.
A conversa e o convívio com as professoras e os alunos foi para além do tempo que estava previsto. Não demos, eu falo por mim e pela Ana, pelo tempo, pois o prazer e a emoção tomaram absolutamente conta de nós.
A Biblioteca Escolar estava preparada para receber as autoras, ou seja, nós. Logo, à entrada, um painel lindíssimo elaborado pelos alunos.
Os meninos entraram e sentaram-se à nossa frente, no chão, num "anfiteatro" improvisado e, graças à técnica do "sentar à chinês", couberam as duas turmas. E ainda sobrou espaço.
E depois foi tudo conversa. Linda conversa, muito na base do diálogo, das perguntas e das respostas: quanto tempo a Ana tinha demorado a desenhar? Quanto tempo eu tinha demorado a escrever a história? Como é que tinha surgido a ideia do livro? Se a árvore existia mesmo? Se além de "autoras" tínhamos outra profissão....
Linda a valer foi a sessão dos autógrafos. Foi um dos momentos mais solenes, porque as crianças dão muito valor ao autógrafo: puseram-se em fila, com a postura mais cerimoniosa que a intuição lhes ditava, segurando papelinhos, alguns muito minúsculos mesmo, onde iriam guardar o nosso nome.
Esta simplicidade a transbordar de uma solenidade quase mágica era a prova (dos nove, que não falha...) que aquele momento estava a ser um momento especial, muito especial mesmo.
Foi o nosso Prémio Nobel. Mas, em grande! Obrigada Professoras, meninos e meninas.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da Mulher

Não nascemos mulheres; tornamos-nos mulheres, disse Simone de Beauvoir.
Hoje celebra-se a Mulher: a pobre e a rica; a bonita e a feia; a que vende saúde e a que sofre; a que passou por alegrias mil e a que provou o pão que o diabo amassou. Ainda há as novas e as que já não são. Diz o nosso Nobel (Gosto de o tratar assim. É o orgulho a funcionar!) sobre a sua avó Josefa: "trave da tua casa", "lume da tua lareira".
A propósito desta data, tenho-me lembrado muito da minha mãe e é a ela que quero prestar esta simples homenagem. Apesar de todas as vicissitudes das condições actuais, não perde o gosto de pôr o seu baton, o rouge, o perfume e os brincos. Acho que é coragem! E a coragem também não nasce connosco, a coragem aprende-se e, pela força do exemplo, ensina-se!

segunda-feira, 1 de março de 2010

"links" ou "nonsense"

Há coisas assim: olha-se e ouve-se; olha-se e vê-se.
Esta imagem, recolhida pela minha "cusquice" há já algum tempo, trouxe-me hoje à ideia a cantiga do Jorge Palma. Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos. Não sei se as bicicletas se namoram, se são casadas ou vivem juntas. Não sei. Mas sei que passam os dias encostados à mesma balaustrada da vida da terra, quase mesmo a mergulhar na vida do rio. Por sinal, tranquilo. Nada das ondas furiosas que tenho visto nos últimos dias. Nada de águas alterosas, como ouço na previsão do tempo.
E ali ficam, todo o dia, todos os dias. Se calha passar por ali a cantiga do Jorge Palma, são bem capazes de trocar outros entendimentos.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim
.

Não sei porquê, mas sempre que as vejo, imagino-as a namorar...
Talvez seja do lugar, que a isso convida. Perguntem à árvore que ali está e que deve saber tudo de tudo.
(Sonhei que sabia voar! É isso e duas bicicletas apaixonadas!)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cinco Anos

Obrigada por nos teres deixado os teus quadros. Podemos assim conversar com eles porque tu estás por aqui, sempre. E os Porquinhos são o teu discurso de sobrevivência, por excelência. Não foi por acaso que os pintaste na enfermaria das crianças...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Tudo tem a ver com tudo"

Há dois ou três dias, às desoras a que o sono não me chega, apanhei uma conversa na televisão que me valeu a noite em escuro. Sim, em escuro. A expressão "noite em claro" não me convence!
Era um dos programas bons que a televisão transmite: Câmara Clara. Na Dois, claro! Uma conversa com um arquitecto Alexandre Alves da Costa.
A nossa adesão a um programa destes nunca é inocente. Fiquei presa a uma vivacidade de pensamento, ainda por cima rico de conhecimento, a um falar solto e livre sobre as coisas.... Pensei logo: quem me dera!
Se puderem vejam a conversa aqui.
Se não vos der jeito, digiram este pequeno texto que apresenta o vídeo da conversa.
O Porto é uma nação. Lisboa é outra. Em Portugal há muitas "Povoas de Varzim". O que explica então que exista, indubitavelmente, uma arquitectura portuguesa? Por que é que os arquitectos de hoje devem olhar para os mestres pedreiros do século XVI como companheiros, como colegas? O arquitecto Alexandre Alves Costa, catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, jubilou-se e deu a última aula há duas semanas. Uma aula sobre o que é isto de ser português. Nesta conversa vem dizer-nos como "tudo tem a ver com tudo": peixe grelhado em Matosinhos e Luchino Visconti, Pessoa e Sophia, o Convento de Tomar e a piscina de Siza Vieira no Parque da Conceição. Uma emissão que nos traz ainda Fernando Távora, Peter Zumthor, Manuel Graça Dias, José Manuel Pureza e John Coltrane.
Este "tudo tem a ver com tudo" soa-me muito a Lisboa, mas, provavelmente, porque é o que eu conheço um pouco melhor. E, mesmo assim, sabe Deus, quanto o não-conhecimento grassa à conta de não ver mais programas assim e de ter passado praticamente um serão a "ajudar" os vizinho da quinta a "armarem" os galinheiros...
Contudo, se "tudo tem a ver com tudo", eis um tudo à mostra em Lisboa, num daqueles lugares que o turista espreita. Será que entende tudo na mesma corda: as cuecas e o colchão do cão?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dias de ...

Tenho, em relação a este dia, a mesma opinião que tenho de outros dias de: podem servir para lembrar alguma coisa a alguém. Mas se não servirem para lembrar nada, também não é necessários eliminá-los, evitá-los. Em algum calendário podem fazer sentido. É apenas a minha opinião e, como normalmente se diz, em coisas até mais sérias, vale o que vale.
Mas a tradição e o culto deste dia não têm nada a ver com a nossa cultura. Os nossos namorados são abençoados e protegidos por um outro Santo,que para além de milagres de amor provoca também o aparecimento das coisas desaparecidas e até faz acontecer o que é preciso acontecer. Mas não consta que o S. Valentim e o Santo António tenham algum problema de competitividade. São meses diferentes e maneiras de celebrar diferentes. E se é para o bem, venham os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, ou seis, se calha Fevereiro ter mais um sol e uma lua.
Não sei qual deles reclama mais a paixão, aquela que acende mesmo a fogueira que as raparigas saltam lá mais para o Verão...
O namoro é como a infância: uma promessa de futuro. Só por isso, vale a pena evocar esse estado e esse tempo e celebrá-los!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Liberdade

Não me canso de dizer e, sobretudo, de sentir a emoção de viver o mesmo tempo do homem livre que, há vinte anos, saiu de uma prisão que lhe tolheu apenas o corpo porque a alma ou o espírito, o pensamento (ou seja lá o que for que habita a nossa matéria) nem com ouro pode ser agrilhoado.
Mandela viveu toda a sua vida com os olhos postos na paz, na paz verdadeira que cada homem assina com o seu mais próximo. E só o homem absolutamente livre pode firmar essa paz.
"Ao passar finalmente aqueles portões para entrar no carro do outro lado, senti - mesmo aos setenta e um anos - que a minha vida estava a começar de novo. os meus dez mil dias de prisão tinham por fim terminado." (Autobiografia, página 617) Estátua de Mandela, em Londres, na Praça do Parlamento. Este local foi escolhido de modo a que se pudesse tornar mais significativa esta homenagem, a homenagem ao homem que moldou no seu próprio barro a liberdade um povo, o sentimento de uma nação!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Resposta à resposta

Pois é, Natália! Tens mesmo feeling para detectar mentiras... Davas uma detective de grande categoria.
Já tu, Teresa, poiiiing!, tens de pedir uma aulita extra à Natália!!!!
Eu explico. Mentira um: futebol é mesmo coisa que não gosto mesmo. (Aí tu acertaste, Teresa!) Fui, ao todo, três vezes à bola. A primeira, em Lourenço Marques, à inauguração de um estádio, o da Machava, acho eu! A segunda, à inauguração do Alvalade XXI. A terceira, quando o Jorge recebeu o emblema de cinquenta anos de sócio. Porque é verdade que eles são todos muito, muito verdes: pai e filhos. Mas a menina cá de casa, a Sofia, é do Benfica. O meu pai era do Porto. Tenho o meu coração tripartido, mesmo sem gostar de futebol.
Mentira dois: a da graxa. Não sei se cheguei a ler algum dos livros da Colecção Aventura. Eu até gosto de livros e filmes para crianças ou jovens, mas estes apanharam-me numa altura em que eu já não dava aulas de Português. Se li, não me lembro. A Alice Vieira li muito. E o Torga também. Li os diários todos e a Criação do Mundo. Li os Contos e os Novos Contos, Bichos e o Senhor Ventura. Ou seja: tenho uma carrada de Torgas e,ao contrário de muitos outros, aqueles li mesmo e bem. Pego muitas vezes nos diários e na Criação do Mundo porque me lembro de passagens que quero reler. Tenho uma "pancada" tão grande pelo Torga que tenho aqui uma "caricatura" feita por alunos do 8ºou 9º anos, em que estou a dizer "I love Torga".
Sou arrependida, sou, Teresa. Reivindico os meus erros, porque eles me pertencem de facto, mas isto é que é conversa fiada, conversa de artista/escritor, Richard Bach (Ilusões). Eu acho sempre que podia ter feito melhor, sobretudo quando alguma coisa corre mal. Tenho muito aquele discurso horrível da culpa! Mas as escolhas têm de ser feitas. Vim para Lisboa e arrependi-me, tal era a saudade. Fui para Odivelas e andei uns anos arrependida. Depois passou e adaptei-me. Vim para o Montijo e nem sabem quanto custou, em tempo e gasolina, o arrependimento. Para aliviar a culpa que sinto em alguns aspectos da educação dos meus filhos, uma amiga cita o Freud: "de qualquer maneira, está mal!". Para não cometer os erros da geração anterior, cometi outros, se calhar bem mais graves. Quanto a ser uma pessoa melhor, eu bem gostava e esforço-me.

Desafio da Teresa....

... ou a habilidade de dizer umas mentirinhas e umas verdades para "baralhar" os outros, que não se vão deitar a adivinhar, porque eu acho que é fácil...
Sou do Sporting, porque adoro futebol e cá em casa são todos muito "verdes"!
Faço jus ao epíteto que, normalmente, se junta ao meu nome: arrependida. Arrependo-me muito e muitas vezes. Até porque tenho para mim que há sempre outro caminho e a vida é feita de escolhas. (Leiam a Viagem da Sophia de Mello Breyner e vejam como as escolhas são mais do que imaginamos!)No entanto, como diz o Bach (o da Gaivota Fernão) os meus erros pertencem-me, reivindico-os por uma questão de propriedade, com prova de factura e tudo. Já li os livros todos da Ministra.(Graxaaaaaa!) Já li quase, quase toda a obra do Torga. O meu desejo actual é ser uma pessoa melhor, mas não sei se consigo.
Certo? Beijinhos, TeresaEm vez de dizermos "aqui há gato", podemos dizer "aqui há flamingo"!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Adeus, Carvalho!

Hoje perdi um amigo! Adeus, Carvalho!
Estas são as linhas que não vai ler, ao contrário de todas as outras que leu e entendeu, desde o princípio.
Nem sei escrever hoje o que sei que gostaria de ler. Dói-me muito saber que as minhas palavras aqui ficaram órfãs de uma amizade que se situou sempre no mais puro ideal, uma amizade que se alimentou de muita saudade: a sua saudade do amigo, a minha saudade do meu pai. Cerrámos fileiras, nós três, nós quatro, talvez mais alguém, e resistimos à dor como pudemos e como soubemos. Sempre com os olhos postos na dignidade da condição humana. Sempre guiados pela lealdade. Dos vários laços fizemos um forte nó que não vamos deixar que se desate porque o que foi vivido e dito se inscreveu indelével no que somos.
Adeus, Carvalho! Continuarei por aqui a lembrá-lo e, embora mais pobres com a sua partida tão sem aviso, esta será a minha homenagem ao Homem e ao Amigo! Darei sempre aqui testemunho do quanto aprendi consigo sobre a Amizade.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Momento Zero: Lisboa

Muitos atrasos! Foram bons para tomar o pulso à situação. Foram muitos anos sem andar de avião.
Tudo muito diferente em termos de procedimentos, em termos de instalações...
Na minha memória ainda não estão "destruídos" os aeroportos de Lourenço Marques, Beira, Nampula, Quelimane...
(Em Lourenço Marques, ir ao aeroporto ver os aviões era uma distracção domingueira.
Nesse tempo dizer adeus a alguém revestia-se de muita solenidade. Esperar, também. As distâncias não se transpunham à velocidade de um click! Os corações esfrangalhavam-se de saudades que não se "matavam" nunca. O factor surpresa também ajudava a criar um clima muito próprio da despedida e do reencontro. Os aviões eram transporte com muito para recear e caro.)
O que não mudou mesmo foi a sensação de perder o chão e ganhar o ar.
Lisboa ficava cá em baixo, toda enfeitada de luzes, umas fixas, outras a correrem velozmente a cidade.
A prenda já estava a ser desembrulhada...

A prenda

Acabadinha de desembrulhar, ei-la:Obrigada, filhos!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Roto mais do que desfeito

"Los abrazos rotos" é o título do novo filme de Almodovar. Mais um título que choca, por acertar em cheio, na crueldade das relações humanas que todos, na vida, um dia ou outro, experimentamos.
Há abraços que se rompem como rompe o tecido velho e gasto de ter sido muito usado ou mesmo de estar guardado. E dói ver o pano que já foi um belo cortinado, ou um vestido de festa, perder o brilho e a utilidade, em fios cansados que já não se aguentam tecidos no mesmo trapo.
O trapo ganha uma nova vida. Mesmo roto, serve para limpar as janelas embaciadas da chuva. E, quando passa macio sobre o vidro gelado, entra a claridade! Bem-vinda seja a luz!
Ainda a propósito de abraços que se desfazem, que se rompem, ontem, numa entrevista ao "Boinas" o Carlos Pinto Coelho contou que houve telefones que emudeceram quando a televisão se desligou para ele.
É estranho, mas a vida está cheia de abraços desfeitos que guardamos, primeiro numa memória recente que dói. Depois, numa prateleira no fim do mundo. Raramente os deitamos fora que é o que devíamos fazer...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A borrasca

Têm sido de borrasca os últimos dias! Mas também é preciso saber viver os dias de chuva, de vento, de raios e de trovões!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cinquenta e oito

É mesmo só para agradecer a quem passou por aqui (Ena tanta gente!) a dar os parabéns no dia 6. Foi um dia bem vivido, em termos de celebrações. Gosto que o dia dos anos calhe em dia útil porque o trabalho é uma parte importante da minha vida. Foi muito bom passar a manhã na escola. Dei e recebi beijinhos. Senti o carinho de muitos. Senti-lhes a sinceridade desse carinho. Ouvi aquelas frases que fazem bem ao ego: Não pareces nada ter cinquenta e oito! Claro que ninguém parece ter idade nenhuma. Esta contagem é um tanto burocrática, pois há momentos em que temos sete, outros em que chegamos rapidamente aos setenta e sete. São as idades do Tintin, se não estou errada!
Pois no dia seis, oscilei entre os oito e os trinta e oito. Não fui muito mais além! Obrigada a todos!

sábado, 2 de janeiro de 2010

O curto prazo

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Diz o MEC, hoje, no Público: "É um milagre. Ainda cá estou. Ainda cá estamos.É um milagre. Ainda cá estou. Ainda cá estamos. Foi bonita a primeira manhã do ano.
Já fui despedido duas vezes (do DN e do Expresso) e já enterrei dois títulos (O Independente e a K) dos quais fui parteiro. Mas nunca tinha sido prolongado. Era para escrever só durante um ano mas o PÚBLICO, depois de muitas insistências minhas, deixou-me ficar mais um ano inteirinho."
A curto prazo, apetece-me viver assim, ao ritmo do pão de cada dia, do milagre de cada dia!
Há momentos em que basta esperar pela solução dos nossos problemas. A paciência activa é uma arma poderosa. Alia-se ao tempo e traz a vitória da verdade e da razão.
"Luar de janeiro não tem parceiro.", diz o Borda D'Água.