sábado, 19 de junho de 2010

Mensagem de Nova Iorque

Nice kids,
A vida às vezes tem destas coisas. Imaginem que voei de Lisboa directamente para Nova Iorque, a bordo de um enorme flamingo cinzento, mas muito veloz. A viagem demorou sete horas sobre o Atlântico, perfurando algumas nuvens fofinhas como algodão doce.
Mal pousámos fomos ver uns flamingos rosa que vivem no Central Park e já se habituaram a não sair daqui.
Como vim para melhorar a minha forma de desenhar, aproveitei logo para ir ao maior museu que fica mesmo ao lado e se chama Metropolitain.
Qual não foi o meu espanto quando descobri que havia lá alguns retratos de outros flamingos ilustres. Que tal estão a achar o Flamingo Zé?
Gostava muito que pudessem desenhar um flamingo que já tivessem visto ai perto das vossas casas.
Fico a espera dos vossos desenhos. Boas leituras, boas férias e muita pintura. Até um destes dias.
De Nova Iorque, com pena de não poder estar ai, Ana Peres de Sousa

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que se passou, agora, foi isto...

Uma onda de emoção, na hora da despedida de alunos que vi crescer, ao longo de dois anos.
Agradeço à Vida, pois nada do que aconteceu ontem se merece ou se prepara. Acontece porque a Vida nos presenteia com essa fatia de felicidade... Ter no meu caminho as pessoas boas que me proporcionam momentos felizes é a minha Sorte Maior!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Nini, o que se passou foi isto?

Foi só conversa.
Mentira! Foi também bolinhos caseiros comprados na pastelaria, ou melhor, na fábrica de bolos. Daquelas fábricas de bolos que existem desde sempre. Uma porta, cinco metros quadrados de chão pintalgado até ao balcão de vidro, uns cestos (forrados de pano) cheios de pão; uma outra porta vedada à curiosidade de quem entra por uma simples cortina florida; ao lado, tabuleiros de ferro carregadinhos de bolos que ainda cheiram a quente e com sabor que sobe pelas narinas até ao centro do prazer, fique lá onde ele ficar.
A Marta trouxe uns quantos e convidou-nos a “engordar”.
(A parte da pastelaria é uma invenção, claro! A parte do "engordar" é a sério!)
Até a caixinha, acabadinha de "montar", reluzia, na brancura do cartão. Depois veio o tabuleiro com o jarro da limonada e três copos. A Regina explicou que os limões tinham nascido ali, no seu jardim. A empatia e a simpatia instalavam-se com a mesma suavidade da brisa que corria e que se fazia sentir nos pés nus que eu arrisquei, apesar da previsão de chuva para todo o território continental.
Chegada estava a altura de falar do que nos juntara ali. A conversa fluiu ao som das ideias, ao ritmo dos bons sentimentos das duas "meninas" que escolhemos para me acompanharem na aventura do dia 17. O público "sub-metro-e-meio" é exigente!
Falta-me a minha parceira destas "aventuras". (Não, isto não é um plágio!) Mas de Nova Iorque ao Montijo as boas energias viajam à velocidade da luz e muito do bom ambiente que vivemos esta tarde teve a inspiração dessa amizade crescida (Quase quarentona! Vê tu, Nini, como o tempo passa!).
Estes momentos, apesar de breves, purificaram-me.
Senti-me a visitar uma página da literatura vitoriana em que o feminino se imprime numa paisagem de primavera fresca, quase fria, onde há jardins, relvas, recantos bucólicos inventados de propósito para a inspiração criativa.
O que se passou foi isto, querida Nini!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Matar a saudade?

Hoje o dia estava bom era para ler um livro! Estava? Não, não estava. Ler dá trabalho. Dá trabalho aos olhos que têm de focar as letras. Dá trabalho aos braços que têm de pegar no livro e folhear as páginas. Pobres dedos fatigados que terminam em unhas roídas!
(Por que é que eu nunca deixei de roer as unhas? Não sei! Vontade e vaidade não me faltaram. Mas nunca deixei uma única unha crescer, por muito que me pedissem e me envergonhassem. Já não vai ser nesta vida!)
Ler dá trabalho ao cérebro. Muito trabalho mesmo.
O melhor mesmo é não ler e fazer outra coisa qualquer para passar o feriado.
(Tenho testes para acabar de classificar... Tenho assuntos da escola para pensar...)
Hoje o dia estava bom era para ver um filme. Mas o filme tinha de ser muito bom. Não, não tinha de ser um filme para rir. Nem me apetece rir. Logo hoje que ouvi a notícia da morte do João Aguiar. E morre-se assim, sem mais nem menos? Alguém que faz falta ao mundo? Ao nosso mundo? Alguém que explica o nosso passado e tinha um trabalho para acabar? Chorar? Não, também não me apetece chorar. Eu sei que a vida está má, mas há pessoas para quem a vida está muito pior.
Hoje o dia era mesmo bom para ir às compras. Pois... lá está o meu lado mau a vir à tona dos meus hábitos. Comprar o quê? As lojas estão cheias de artigos que ou são caros ou eu não gosto. Vou comprar pão e já é uma sorte. Deus queira que haja pão daquele que eu gosto: escuro, com muitas sementes. Dizem que é saudável! Talvez. Pelo menos o meu gosto e o critério de saúde coincidem quando o assunto é pão.
Hoje o dia era mesmo bom para ver o mar. Mas as "bichas" não são barreira fácil para a minha tão frágil determinação.
Hoje o dia era bom para matar a saudade do meu pai que faria amanhã oitenta e quatro anos.
Matar a saudade? Não. Também não quero matar a saudade porque ele merece esta saudade, esta lembrança dorida que adormece mas não morre.

sábado, 29 de maio de 2010

Um dia sim, outro dia nem por isso

Ontem o dia foi bom. Obrigada, Teresa! Eu sabia que a Tia Árvore estava lá mas não sabia que estava tão bem rodeada. Ele é Alice Vieira! (A minha preferida da literatura infanto-juvenil. Quem me dera saber pelo menos imitá-la! Eu bem me esforço! Gravei na minha cabeça os encontros de alunos com ela!) Ele é Luis Sepúlveda! Ele é Princesas e outras magias!(Crescer o dinheiro é magia, não é?)
Fiquei feliz, claro! Este livrinho tem-me rendido muitos momentos felizes.Um deles foi exactamente o "Momento Expo" de sábado passado.Este momento TVMais também conta. Obrigada, Teresa, mais uma vez!

domingo, 23 de maio de 2010

No dia em que a Expo fez anos!

Só me apraz dizer algo que já disse, portanto, repetir-me: sozinhos, a nossa fragilidade cresce. O que fizemos ontem foi comparecer à prova da força (podia ser da cerveja, sem álcool!), anulando distâncias (Ovar? Faro?), de um modo concreto e real, fintando outras distâncias (alô "Brásil"!), arriscando a verdade para lá do photoshop (lol), entre outras condições... Como se diz nos casamentos: foi de livre e espontânea vontade.
Para além disso fica cientificamente provado que a alegria é contagiosa!
Dá para repetir?

domingo, 16 de maio de 2010

Azul em tons de rosa!

Hoje foi um daqueles dias de "bebedeira de azul" de que fala Gedeão!
O rio estava azul. O céu estava azul. Ao longe, o mar deixava-se adivinhar azul.
Andei nos barcos para lá e para cá, margem esquerda, direita, esquerda, direita e esquerda outra vez. Subi à Torre Gémea, no Porto Brandão. Gémea da Torre de Belém que lhe disputa o protagonismo da entrada da cidade, da saída para a conquista, da saudade das despedidas, das vozes de um Velho. A gémea de Porto Brandão jaz agarrada à terra e à memória de si mesma, sem tectos, segurando-se às paredes que resistem à vida há mais de quinhentos anos. Vamos a contas: até ao 1755 ela resistiu!
Enquanto isso, junto à bela Torre de Belém, milhares de mulheres vestidas de cor-de-rosa, celebravam a vida para além do medo. "Além da dor", Fernando Pessoa disse. Correram contra o cancro da mama. Como dizia o motorista do táxi, que nos levou a Belém pela manhã, aquela "confusão" valia a pena. Era a dor e o medo de quem está perto a falarem por ele. A minha mulher vai ser operada, acabou por dizer.
À uma da tarde, vindos de todos os lados, misturavam-se os turistas e as mulheres da T-shirt cor-de-rosa. E reinava a alegria verdadeira de quem confia. Isto está no papo, percebia-se. O que estava no papo não era a vitória do Porto ou do Chaves. O que estava no papo, e está no papo!, é a certeza de se poder pôr o cancro de lado e seguir com a vida para a frente.
No regresso, o eléctrico vinha cheio. Cheio de cor-de-rosa. Cheio de esperança. Cheio de confiança.
Para a próxima também vou. Fica a promessa. Hoje elas correram também por mim e, por isso, eu agradeço, cá de dentro, mesmo do peito, do mesmo peito onde mora essa confiança.
(Estrelinha, esta esperança é para ti!)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Meia dúzia de anos

O Chora fez seis anos no dia 11 de Maio. Por muito "íntima" que seja a festa, tem de haver festa e tenho de agradecer-"lhe" a companhia que me fez, entre muitas outras coisas.
Graças ao Chora descobri raízes que julgava mortas. Afinal estavam apenas adormecidas como a Bela do conto de fadas. De repente, dei por mim a reconstruir o meu próprio passado e a fazê-lo sem mágoas. Os blogs de África traziam-me de volta a terra que eu julgava esquecida de mim. Especialmente o Mashamba e a Passada. E o desejo de voltar nunca mais "me" morreu. Filtrei a saudade e livrei-me da tristeza. A saudade passou a ser um património de afectos que têm agora o seu lugar e brilham com uma luz muito intensa. É uma saudade que me aquece o presente. Já não dói. Conheci pessoas dos mesmos lugares e em vez de perder sinto que ganhei com estas incursões às recordações da minha infância, da minha adolescência, onde nem sempre fui muito feliz, mas que, sei agora, são plataformas de mim que me sustentam e alicerçam o presente.
Às vezes penso que o retrato dos meus dias não é absolutamente fiel, pois acho que as emoções não podem fugir de nós, correr à nossa frente. É preciso deixá-las crescer, amadurecer.
A todos os que têm paciência para vir até aqui conversar comigo: obrigada!
Sobre a "meia dúzia", ocorreu-me uma outra memória que eu gostava de deixar aqui: antes de fazer seis anos, pensava que essa era a idade da libertação, da indepedência. Com seis anos eu seria crescida. Talvez pudesse até casar. (Com se pode ver o meu ideal era igual ao da Susaninha: casar, ser dona de casa e ter muito filhos!)Estava redondamente enganada e tive uma grande desilusão. Afinal continuava a ser "pequena", miúda, dependente.
Na vida real seis anos é pouco tempo. Com seis anos começa-se o caminho da escola. Com seis anos um blog está, no mínimo, "entradote".

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Preço

Toda a gente tem um preço.(Ou será "todos os homens"? Não me lembro bem!)
Uns vendem-se por um volkswagen, outros por um andar no Areeiro. A ideia não é minha. A constatação não é minha. É de Sttau Monteiro. Li-a num dos seus livros, há muitos, muitos anos e nunca a esqueci. Fiquei alertada para os casos em que podia confirmar a verdade do sarcástico dramaturgo de boa memória.
A cena política tem-me fornecido numerosos exemplos e há apenas casos raros que constituem excepção, a tal que confirma a regra. Da história de hoje recolho um exemplo: Mandela. Nem a liberdade física foi preço para deixar rasgar o ideal. Da história mais antiga, recolho outro exemplo: Thomas More, para quem nem a vida foi o preço. "Morro fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo."
Pergunto-me qual o meu preço. Não tenho perfil nem competências de herói, mas tenho as minhas convicções e os meus ideais. Sorte a minha, que não comprometem a humanidade, que anda para a frente ou para trás, independentemente dos meus ideais que têm a minha dimensão, claro! Não sou nada nem ninguém para me questionar, mas não são só os importantes ou os ilustres que têm o direito ou dever de se questionar. O meu destino é um destino individual igual a tantos, igual a muitos. A minha participação no destino colectivo é muito valiosa para mim, mas disso não passa. Por isso, nunca me será posta, formalmente, a questão do preço.
Contudo, às vezes, penso que as minhas decisões sobre os assuntos individuais estão ligadas a um preço: a minha paz de espírito. Eu pago o preço mas, depois, nem chego a ver essa paz, quanto mais a senti-la! Ela esvai-se nos inúmeros quês que me atormentam a consciência, inevitavelmente. E como eu me engano: quando compro o céu, ou julgo que compro o céu, trago para casa o inferno.
É que o inferno somos mesmo nós. Aproveito para informar que volkswagen já tive. Um andar no Areeiro, ainda não!

domingo, 2 de maio de 2010

O Segundo Dia da Mãe: o meu

Como diz o Mia Couto, "Um filho afinal é quem dá à luz a mãe."
Obrigada, Filhos!
Quando soube que vinham a caminho, desejei que fossem sempre os mais belos, os mais inteligentes e os mais saudáveis. Mas, à medida que foram crescendo, que a vida foi andando, ou melhor, correndo (e eu a correr atrás dela!), fui entendendo que esse desejo se transforma num outro: no desejo de saber que são felizes.
Nada de especial, portanto. Todas as mães são assim. Todos os dias.

O Dia da Minha Mãe

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domingo, 25 de abril de 2010

Um dia feliz!

Estes são os outros bons momentos que marcam, dentro de mim, a data de hoje, vinte e cinco de Abril!
Há um ano, o Rafael e a Sofia casaram, no Cabo Espichel, com o mar por perto e com uma importante embaixada de amigos, para além da família, que levaram muita alegria e os presentearam com a sua presença feliz, divertida!
Houve sol, houve vento, houve chuva, houve dança e houve sobretudo essa felicidade estampada na cara dos noivos que "cem anos que eu viva não posso esquecer", como diz a cantiga!

sábado, 24 de abril de 2010

O que é doce...

Doce, era o sabor das tangerinas que nasciam ali à frente dos nossos olhos, no quintal da minha avó, desafiando-nos o desejo, mesmo quando a altura da árvore parecia impor muito respeito.
Doce, era o som das conversas, quando à tarde as mulheres da casa se juntavam no quarto da costura. Dali saíram os mais belos bordados, muitas rendas e muitos vestidos e bibes que enfeitaram a nossa infância.
Doce, era aquele o momento em que a minha tia esperava pelo meu tio, ao portão, para lhe dar o beijo da chegada. Só ele e só ela. Como viviam todos juntos,tios e avós, a intimidade que conseguiam ter neste breve instante era um luxo. Um dia, fui ter com a minha tia e ela disse-me: Sabes, o casamento é muito bonito! Doce, foi este testemunho!
Doce era o respeito pelas tradições da casa: as refeições, o lugar à mesa e a hora do folhetim.
O que é doce... diz o povo...nunca amargou.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

(...)

Vamos lá estender a Primavera à janela, para ver se ela seca. É que não se vê jeito!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Às portas da vida

Parecia um quadro. Um daqueles quadros que resulta do olhar que busca a diferença e a exalta, mesmo quando essa diferença toca o improvável, o impossível ou o absurdo. Tudo se torna possível para o artista…
Sentada à mesa, quieta, a figura mínima nem chegava com os pés ao chão. As pernas caíam-lhe do corpo com a mesma naturalidade dos cabelos. Estes estavam separados, cuidadosamente, matematicamente divididos em dois tufos que desciam até aos ombros, apanhados por dois laços de cor forte. Seriam vermelhos? A cor da fita era viva, mas talvez não chegasse ao vermelho. Talvez ocre. O cabelo era cinzento, tal era a mistura perfeita dos brancos e dos pretos.
Sentada à mesa, quieta, era uma menina que tomava a refeição. Para não sujar a roupa, domingueira, certamente, a julgar pelo cuidado posto no penteado, um enorme guardanapo branco caía também, com a mesma inacção dos cabelos e das pernas. Seria inacção ou o respeito absoluto pela lei da gravidade? Até os cantos dos olhos caíam em perfeita sintonia com os “totós”. Em sintonia. Sem harmonia. A harmonia pressuporia sinais de vida, de prazer, que há muito se deviam ter alheado deste rosto e deste olhar. E deste corpo que se deixava cair ao som dos talheres que lhe chegavam às mãos, que mecanicamente conduziam o alimento à boca. Apesar de parecer um movimento autónomo, o simples gesto era acompanhado por um olhar atento, por um gesto que ajudava a mostrar ao mundo que aquela boneca não estava sozinha no mundo, nem no restaurante. Tinha dono. Ou melhor, tinha dona: uma mulher mais nova, ostentando a plena posse das faculdades mentais que dirigia aquela sinfonia para os habituais clientes do restaurante e para os outros, que talvez estivessem ali pela primeira vez. ( Esta malvada sofreguidão da dor alheia, de que fala José Gomes Ferreira...)
Terminada a refeição, a mulher, em plena posse das suas faculdades mentais, limpou a boca da boneca velha, ajudou o corpo quase inerte a poisar no chão e a manter a postura vertical. Pegou num casaco que estava pendurado nos bengaleiros, daqueles que ainda há nos restaurantes com mais de trinta anos, ajeitou-o, alisou-o, tirou-lhe o pó que não havia e encaminhou os braços caídos da sua boneca para dentro das mangas. Sem resistência alguma, os braços seguiram o seu caminho e as mãos mostraram-se, olhando os dedos para o chão, talvez em sinal de vergonha.
Depois das parcas saudações, saíram, porta fora, em direcção a outros "palcos"…

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia Das Verdades

Hoje é dia das Verdades: Parabéns Diogo! Ora aí vai toda a verdade. A esta hora já tinhas berrado a plenos pulmões, já estavas vestido de verde, camisola e botas, o teu pai já tinha desabelhado para me comprar um ramo de rosas (que eu tinha exigido), os telegramas já voavam para Moçambique, os telefones já tinham trrintintado em todas as casas...
O bebé nasceu. É um rapaz. Pesa 3.550. Chama-se Diogo.
Umas horas mais tarde, o Diogo já era sócio do Sporting, porque o caminho mais curto entre a Lisnave e a Cruz Vermelha passava pelo Estádio de Alvalade. Justificação do Avô!(Saudade!)
Parabéns, Diogo!

quarta-feira, 31 de março de 2010

De todos os Marços....

De todos os Marços da vida, aquele que me deixou um sabor mais doce na memória foi, sem dúvida, o de 1975.
Sim, era a revolução. Era também a minha revolução!
Tomei conta da vida. Peguei nela e levei-a para diante. Senti o lado doce de um certo poder, um poder que nasce cá muito dentro e vem carregadinho de cravos e de esperança, alimentada que estava eu de cravos vermelhos e altos, tão altos que quase roçavam nas nuvens e lhes cortavam o caminho.
Um dia, sonhei (mentira? porque não? amanhã é dia delas!) que uma nuvem se rompeu em prantos perante a impossibilidade de vencer o cravo que a impedia de se tornar pesada e grossa, de desabar sobre os felizes que por aqui andavam.
E o cravo crescia cada vez mais, qual feijoeiro da história das fadas e bebia directamente da nuvem alta, que se atrofiava de tempestades e se dissipava noutras direcções...
Antes desse Março, chegar ao fim, poucos minutos antes, entrei, triunfante e feliz na Maternidade, para acolher Abril, senhora de uma nova condição!

domingo, 21 de março de 2010

E a Poesia?

Imagem, de Miguel Torga

Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,
quem quiser vê-lo,
venha olhá-lo daqui a tarde inteira.

Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.

São dois barços abertos de brancura;
mas em redor
não há coisa mais pura,
nem promessa maior.

Vila Nova, 4 de Abril de 1936São Martinho de Anta, Março 2006
Para a TP, porque também é "Torguiana" e para todos e todas que gostam de poesia e da Primavera

Chegou!

A Primavera, cá em casa, fez-se anunciar. Foi esta elegante flor que me segredou aos sentidos que a Primavera vinha mesmo. Deixei transparecer alguma dúvida, mas ela, com a convicção de uma flor sábia, reafirmou a certeza de já estar próxima a sua chegada.
Fui ter com ela, à janela da cozinha, aos primeiros minutos do dia previsto que consta nos Livros do Tempo. Confesso que temi que se tivesse perdido por outros hemisférios!
Mas, à meia noite em ponto, ou dois minutos depois, para ser mais precisa, a minha flor mexeu, com um vagar voluptuoso, as suas pétalas e eu percebi o sinal.
Abri a janela, para deixar a Primavera mais à vontade. Disse-lhe que se instalasse, que tinha a casa toda para si. Pediu-me um lugarzito nos nossos corações e eu fui a correr limpar o meu de algumas angústias que o têm deixado numa autêntica lixeira.
Estamos todos prontos para receber a Primavera!