sexta-feira, 23 de julho de 2010
(...)
terça-feira, 20 de julho de 2010
Bethânia canta toda a nossa vida
"Olá, como vai?"
Não sei mesmo se as relações amorosas se desenrolam como soía. O sinal fechado é a história da eternidade que já ficou para trás dos amores e desamores, dos encontros e outros...
"Eu vou indo. E você, tudo bem?"
Há um lugar no futuro. Queremos todos chegar a esse lugar. "Eu também só ando a cem".
Adeus! Adeus! O sono tranquilo não foi encontrado. O lugar no futuro continua longe. E tudo o que havia para agarrar, lá está! O tempo, esse é que se esgota à velocidade do sinal fechado.
É preciso parar o sinal, avariar o sinal, deixá-lo fechado, agarrar a lembrança que foge e dizer algo mais...
Por favor não esqueça, não esqueça!
Bethânia está em Portugal para cantar as nossas vidas, para nos acordar as emoções adormecidas, para nos arrebatar ou para restabelecer o direito ao arrebatamento.
Obrigada, Bethânia, pelas cantigas que cantavas, quando eu tinha ainda muitos sinais fechados para parar e para te ouvir, na rádio que te tocava, ou na cassete que te repetia, outra e outra vez, até à exaustão ou até ao fim da viagem. O que chegasse primeiro!
Legitimaste na minha geração um jeito estúpido de (te) amar.
Não sei mesmo se as relações amorosas se desenrolam como soía. O sinal fechado é a história da eternidade que já ficou para trás dos amores e desamores, dos encontros e outros...
"Eu vou indo. E você, tudo bem?"
Há um lugar no futuro. Queremos todos chegar a esse lugar. "Eu também só ando a cem".
Adeus! Adeus! O sono tranquilo não foi encontrado. O lugar no futuro continua longe. E tudo o que havia para agarrar, lá está! O tempo, esse é que se esgota à velocidade do sinal fechado.
É preciso parar o sinal, avariar o sinal, deixá-lo fechado, agarrar a lembrança que foge e dizer algo mais...
Por favor não esqueça, não esqueça!
Bethânia está em Portugal para cantar as nossas vidas, para nos acordar as emoções adormecidas, para nos arrebatar ou para restabelecer o direito ao arrebatamento.
Obrigada, Bethânia, pelas cantigas que cantavas, quando eu tinha ainda muitos sinais fechados para parar e para te ouvir, na rádio que te tocava, ou na cassete que te repetia, outra e outra vez, até à exaustão ou até ao fim da viagem. O que chegasse primeiro!
Legitimaste na minha geração um jeito estúpido de (te) amar.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O amor é...
sábado, 10 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
No tempo em que as bonecas falavam...
Esta, por exemplo, era a minha irmã e eu contava-lhe muitos segredos. Aqueles que ninguém podia entender. Julgava eu. Então, à noite, eu contava-lhe os meus medos. Um deles era estranho: se eu não existisse, onde é que eu estava? O nada era um mistério!
Outra inquietação que me perseguia era a saber onde é que "morava" a sorte que tinha determinado que eu tivesse tanto conforto: uma cama, um quarto, uma casa, brinquedos, livros.
Só me faltava mesmo um irmão ou uma irmã. O que eu não sabia é que haviam de aparecer sob a forma de amigos.
Eram conversas desta que eu tinha com as minhas bonecas.
Por falar em irmãs, a blogosfera ficou mais rica...
quarta-feira, 7 de julho de 2010
(...)
terça-feira, 29 de junho de 2010
E vão dezanove!!!
Escolhi o “nove” para número da sorte e só por isso já fico feliz por celebrar hoje dezanove anos de casa nova, terra nova, vida renovada, família reunida e cão velho.
Vínhamos de Odivelas. O trajecto era longo. Havia trajecto alternativo mas esse era longo também: Odivelas, Lisboa/Sacavém, Vila Franca, Porto Alto, Alcochete, Montijo.
A casa era um deslumbramento: espaço, muito espaço, muito espaço. A esperança de levar a vida com calma morava aqui. Uma família de quatro pessoas espalhava-se, até aí, diariamente, por três distritos: Setúbal, Santarém e Lisboa. Aqui, ficaríamos todos juntos: hospital, escola preparatória e escola secundária. Além disso os preços das casas eram irreais. Um terço do preço de Lisboa ou quase isso, nos arredores da margem norte. E havia ainda o ruído, o barulho, as sirenes das ambulâncias Abreu Lopes abaixo a toda a hora...
As poucas vezes que tinha vindo ao Montijo, para escolher e comprar casa, tinha achado tudo muito calmo, pacato e sossegado.
Há dezanove anos "caí" na ebulição das festas da terra, São Pedro: gente, gente, gente, carros, motas, foguetes, música, publicidade, mais gente, mais música, fogo de artifício...
E eu que vinha em busca de um modelo de vida onde o silêncio se ouvisse.
Afinal eu não era só nova... Apesar da vida já me ter dado certos ensinamentos de nível de dificuldade apreciável, não tinha aprendido ainda que a nossa inquietação interior vai connosco até ao fim do mundo. E o fim do mundo não é ali, ao virar da esquina, nem no fim da terra, como no filme "Os Deuses devem estar loucos".
Trouxe a minha inquietação de sempre, mas "trouxe" também os amigos de "sempre" e orgulho-me de não ter perdido nenhum, Tejo lá, Tejo cá. Orgulho-me ainda de ter feito mais amigos, quando eu achava que, com trinta e nove anos, já ninguém se encanta com ninguém, a ponto de deixar passar a porta do coração. Afinal deixa.
Vínhamos de Odivelas. O trajecto era longo. Havia trajecto alternativo mas esse era longo também: Odivelas, Lisboa/Sacavém, Vila Franca, Porto Alto, Alcochete, Montijo.
A casa era um deslumbramento: espaço, muito espaço, muito espaço. A esperança de levar a vida com calma morava aqui. Uma família de quatro pessoas espalhava-se, até aí, diariamente, por três distritos: Setúbal, Santarém e Lisboa. Aqui, ficaríamos todos juntos: hospital, escola preparatória e escola secundária. Além disso os preços das casas eram irreais. Um terço do preço de Lisboa ou quase isso, nos arredores da margem norte. E havia ainda o ruído, o barulho, as sirenes das ambulâncias Abreu Lopes abaixo a toda a hora...
As poucas vezes que tinha vindo ao Montijo, para escolher e comprar casa, tinha achado tudo muito calmo, pacato e sossegado.
Há dezanove anos "caí" na ebulição das festas da terra, São Pedro: gente, gente, gente, carros, motas, foguetes, música, publicidade, mais gente, mais música, fogo de artifício...
E eu que vinha em busca de um modelo de vida onde o silêncio se ouvisse.
Afinal eu não era só nova... Apesar da vida já me ter dado certos ensinamentos de nível de dificuldade apreciável, não tinha aprendido ainda que a nossa inquietação interior vai connosco até ao fim do mundo. E o fim do mundo não é ali, ao virar da esquina, nem no fim da terra, como no filme "Os Deuses devem estar loucos".
Trouxe a minha inquietação de sempre, mas "trouxe" também os amigos de "sempre" e orgulho-me de não ter perdido nenhum, Tejo lá, Tejo cá. Orgulho-me ainda de ter feito mais amigos, quando eu achava que, com trinta e nove anos, já ninguém se encanta com ninguém, a ponto de deixar passar a porta do coração. Afinal deixa.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Coisas de pôr-do-sol
O que me aconteceu este ano nunca me tinha acontecido: o fim das aulas, apesar de muito desejado pelo cansaço que transpirava de todos os poros de todos nós (alunos e professores), deixou-me uma sensação de vazio, um vazio tão intenso e tão imenso que me enche e me sufoca. É verdade que eu própria criei um ritual de despedida que é irrepetível para mim: a apresentação do livro. É verdade que eu criei uma emoção à volta da "cerimónia" que ficará para sempre gravada no meu coração como única. As pessoas que fizeram parte tornaram tudo tão especial. Foi uma celebração tão simples nos recursos e tão elevada, ao mesmo tempo, nas palavras das apresentadoras, na atenção do público. Houve uma intimidade linda que varreu a sala e a preencheu de um sentido de harmonia que emanava da própria ideia dos flamingos, do voo, da liberdade, dos afectos...
Coisas de pôr-do-sol!
domingo, 20 de junho de 2010
O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.
Estas palavras são proferidas pela avó Josefa, a avó que Saramago imortalizou num texto que conheci num manual de oitavo ano, há mais de trinta anos. Li e reli o texto. Continuo a relê-lo. Faço-o com menos frequência porque o sei quase de cor. Sei de cor a idade desta avó, "quase noventa anos", a condição, "és velha e dolorida", a memória da beleza da juventude como prova de uma existência de valer a pena, "dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito", a humanidade, mesmo para com os animais, coisas da vida dura do campo, "meteste os bácoros na tua própria cama, quando o frio ameaçava gelá-los", a verdadeira importância, "trave da tua casa, lume da tua lareira", a simplicidade absoluta, "és sensível aos casamentos das princesas e ao roubo dos coelhos das vizinhas"... Não foram os dias duros nem um mundo injusto e belicoso que a impediram de afirmar, sob os céus estrelados das noites da Azinhaga, pelos quais ela nunca viajaria: o mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.
O que faltou de zangas na vida da avó sobrou para o escritor que deu a Portugal a honra de um Prémio Nobel. Quem sou eu para pensar ou julgar seja quem for? Ele ou os outros que se envolveram nas polémicas, sabendo de antemão que nem um nem outros abdicariam de uma posição, da sua posição? Não sou nada nem ninguém, claro!
Recordo ainda uma passagem do Memorial do Convento em que pela voz de uma das personagens (talvez Bartolomeu de Gusmão) nos é transmitida a ideia de um perdão merecido quase automático por parte de um Deus que se crê infinitamente justo e infinitamente misericordioso.
Tenho para mim que o próprio escritor, apesar de achar que o mundo às vezes não é assim tão bonito como achava a avó Josefa, tinha também pena de morrer. O seu apego à vida e às coisas dos vivos era indisfarçável.
Por isso, Escritor, continuarás a fazer parte do mundo dos vivos, pelo menos enquanto viverem esses vivos que te tocaram o corpo, a alma e o pensamento
O que faltou de zangas na vida da avó sobrou para o escritor que deu a Portugal a honra de um Prémio Nobel. Quem sou eu para pensar ou julgar seja quem for? Ele ou os outros que se envolveram nas polémicas, sabendo de antemão que nem um nem outros abdicariam de uma posição, da sua posição? Não sou nada nem ninguém, claro!
Recordo ainda uma passagem do Memorial do Convento em que pela voz de uma das personagens (talvez Bartolomeu de Gusmão) nos é transmitida a ideia de um perdão merecido quase automático por parte de um Deus que se crê infinitamente justo e infinitamente misericordioso.
Tenho para mim que o próprio escritor, apesar de achar que o mundo às vezes não é assim tão bonito como achava a avó Josefa, tinha também pena de morrer. O seu apego à vida e às coisas dos vivos era indisfarçável.
Por isso, Escritor, continuarás a fazer parte do mundo dos vivos, pelo menos enquanto viverem esses vivos que te tocaram o corpo, a alma e o pensamento
sábado, 19 de junho de 2010
Mensagem de Nova Iorque
A vida às vezes tem destas coisas. Imaginem que voei de Lisboa directamente para Nova Iorque, a bordo de um enorme flamingo cinzento, mas muito veloz. A viagem demorou sete horas sobre o Atlântico, perfurando algumas nuvens fofinhas como algodão doce.
Mal pousámos fomos ver uns flamingos rosa que vivem no Central Park e já se habituaram a não sair daqui.
Como vim para melhorar a minha forma de desenhar, aproveitei logo para ir ao maior museu que fica mesmo ao lado e se chama Metropolitain.
Qual não foi o meu espanto quando descobri que havia lá alguns retratos de outros flamingos ilustres. Que tal estão a achar o Flamingo Zé?
Gostava muito que pudessem desenhar um flamingo que já tivessem visto ai perto das vossas casas.
Fico a espera dos vossos desenhos. Boas leituras, boas férias e muita pintura. Até um destes dias.
De Nova Iorque, com pena de não poder estar ai, Ana Peres de Sousa
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O que se passou, agora, foi isto...
Uma onda de emoção, na hora da despedida de alunos que vi crescer, ao longo de dois anos.
Agradeço à Vida, pois nada do que aconteceu ontem se merece ou se prepara. Acontece porque a Vida nos presenteia com essa fatia de felicidade... Ter no meu caminho as pessoas boas que me proporcionam momentos felizes é a minha Sorte Maior!
Agradeço à Vida, pois nada do que aconteceu ontem se merece ou se prepara. Acontece porque a Vida nos presenteia com essa fatia de felicidade... Ter no meu caminho as pessoas boas que me proporcionam momentos felizes é a minha Sorte Maior!
terça-feira, 8 de junho de 2010
Nini, o que se passou foi isto?
Foi só conversa.
Mentira! Foi também bolinhos caseiros comprados na pastelaria, ou melhor, na fábrica de bolos. Daquelas fábricas de bolos que existem desde sempre. Uma porta, cinco metros quadrados de chão pintalgado até ao balcão de vidro, uns cestos (forrados de pano) cheios de pão; uma outra porta vedada à curiosidade de quem entra por uma simples cortina florida; ao lado, tabuleiros de ferro carregadinhos de bolos que ainda cheiram a quente e com sabor que sobe pelas narinas até ao centro do prazer, fique lá onde ele ficar.
A Marta trouxe uns quantos e convidou-nos a “engordar”.
(A parte da pastelaria é uma invenção, claro! A parte do "engordar" é a sério!)
Até a caixinha, acabadinha de "montar", reluzia, na brancura do cartão. Depois veio o tabuleiro com o jarro da limonada e três copos. A Regina explicou que os limões tinham nascido ali, no seu jardim. A empatia e a simpatia instalavam-se com a mesma suavidade da brisa que corria e que se fazia sentir nos pés nus que eu arrisquei, apesar da previsão de chuva para todo o território continental.
Chegada estava a altura de falar do que nos juntara ali. A conversa fluiu ao som das ideias, ao ritmo dos bons sentimentos das duas "meninas" que escolhemos para me acompanharem na aventura do dia 17. O público "sub-metro-e-meio" é exigente!
Falta-me a minha parceira destas "aventuras". (Não, isto não é um plágio!) Mas de Nova Iorque ao Montijo as boas energias viajam à velocidade da luz e muito do bom ambiente que vivemos esta tarde teve a inspiração dessa amizade crescida (Quase quarentona! Vê tu, Nini, como o tempo passa!).
Estes momentos, apesar de breves, purificaram-me.
Senti-me a visitar uma página da literatura vitoriana em que o feminino se imprime numa paisagem de primavera fresca, quase fria, onde há jardins, relvas, recantos bucólicos inventados de propósito para a inspiração criativa.
O que se passou foi isto, querida Nini!
Mentira! Foi também bolinhos caseiros comprados na pastelaria, ou melhor, na fábrica de bolos. Daquelas fábricas de bolos que existem desde sempre. Uma porta, cinco metros quadrados de chão pintalgado até ao balcão de vidro, uns cestos (forrados de pano) cheios de pão; uma outra porta vedada à curiosidade de quem entra por uma simples cortina florida; ao lado, tabuleiros de ferro carregadinhos de bolos que ainda cheiram a quente e com sabor que sobe pelas narinas até ao centro do prazer, fique lá onde ele ficar.
A Marta trouxe uns quantos e convidou-nos a “engordar”.
(A parte da pastelaria é uma invenção, claro! A parte do "engordar" é a sério!)
Até a caixinha, acabadinha de "montar", reluzia, na brancura do cartão. Depois veio o tabuleiro com o jarro da limonada e três copos. A Regina explicou que os limões tinham nascido ali, no seu jardim. A empatia e a simpatia instalavam-se com a mesma suavidade da brisa que corria e que se fazia sentir nos pés nus que eu arrisquei, apesar da previsão de chuva para todo o território continental.
Chegada estava a altura de falar do que nos juntara ali. A conversa fluiu ao som das ideias, ao ritmo dos bons sentimentos das duas "meninas" que escolhemos para me acompanharem na aventura do dia 17. O público "sub-metro-e-meio" é exigente!
Falta-me a minha parceira destas "aventuras". (Não, isto não é um plágio!) Mas de Nova Iorque ao Montijo as boas energias viajam à velocidade da luz e muito do bom ambiente que vivemos esta tarde teve a inspiração dessa amizade crescida (Quase quarentona! Vê tu, Nini, como o tempo passa!).
Estes momentos, apesar de breves, purificaram-me.
Senti-me a visitar uma página da literatura vitoriana em que o feminino se imprime numa paisagem de primavera fresca, quase fria, onde há jardins, relvas, recantos bucólicos inventados de propósito para a inspiração criativa.
O que se passou foi isto, querida Nini!
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Matar a saudade?
Hoje o dia estava bom era para ler um livro! Estava? Não, não estava. Ler dá trabalho. Dá trabalho aos olhos que têm de focar as letras. Dá trabalho aos braços que têm de pegar no livro e folhear as páginas. Pobres dedos fatigados que terminam em unhas roídas!
(Por que é que eu nunca deixei de roer as unhas? Não sei! Vontade e vaidade não me faltaram. Mas nunca deixei uma única unha crescer, por muito que me pedissem e me envergonhassem. Já não vai ser nesta vida!)
Ler dá trabalho ao cérebro. Muito trabalho mesmo.
O melhor mesmo é não ler e fazer outra coisa qualquer para passar o feriado.
(Tenho testes para acabar de classificar... Tenho assuntos da escola para pensar...)
Hoje o dia estava bom era para ver um filme. Mas o filme tinha de ser muito bom. Não, não tinha de ser um filme para rir. Nem me apetece rir. Logo hoje que ouvi a notícia da morte do João Aguiar. E morre-se assim, sem mais nem menos? Alguém que faz falta ao mundo? Ao nosso mundo? Alguém que explica o nosso passado e tinha um trabalho para acabar? Chorar? Não, também não me apetece chorar. Eu sei que a vida está má, mas há pessoas para quem a vida está muito pior.
Hoje o dia era mesmo bom para ir às compras. Pois... lá está o meu lado mau a vir à tona dos meus hábitos. Comprar o quê? As lojas estão cheias de artigos que ou são caros ou eu não gosto. Vou comprar pão e já é uma sorte. Deus queira que haja pão daquele que eu gosto: escuro, com muitas sementes. Dizem que é saudável! Talvez. Pelo menos o meu gosto e o critério de saúde coincidem quando o assunto é pão.
Hoje o dia era mesmo bom para ver o mar. Mas as "bichas" não são barreira fácil para a minha tão frágil determinação.
Hoje o dia era bom para matar a saudade do meu pai que faria amanhã oitenta e quatro anos.
Matar a saudade? Não. Também não quero matar a saudade porque ele merece esta saudade, esta lembrança dorida que adormece mas não morre.
(Por que é que eu nunca deixei de roer as unhas? Não sei! Vontade e vaidade não me faltaram. Mas nunca deixei uma única unha crescer, por muito que me pedissem e me envergonhassem. Já não vai ser nesta vida!)
Ler dá trabalho ao cérebro. Muito trabalho mesmo.
O melhor mesmo é não ler e fazer outra coisa qualquer para passar o feriado.
(Tenho testes para acabar de classificar... Tenho assuntos da escola para pensar...)
Hoje o dia estava bom era para ver um filme. Mas o filme tinha de ser muito bom. Não, não tinha de ser um filme para rir. Nem me apetece rir. Logo hoje que ouvi a notícia da morte do João Aguiar. E morre-se assim, sem mais nem menos? Alguém que faz falta ao mundo? Ao nosso mundo? Alguém que explica o nosso passado e tinha um trabalho para acabar? Chorar? Não, também não me apetece chorar. Eu sei que a vida está má, mas há pessoas para quem a vida está muito pior.
Hoje o dia era mesmo bom para ir às compras. Pois... lá está o meu lado mau a vir à tona dos meus hábitos. Comprar o quê? As lojas estão cheias de artigos que ou são caros ou eu não gosto. Vou comprar pão e já é uma sorte. Deus queira que haja pão daquele que eu gosto: escuro, com muitas sementes. Dizem que é saudável! Talvez. Pelo menos o meu gosto e o critério de saúde coincidem quando o assunto é pão.
Hoje o dia era mesmo bom para ver o mar. Mas as "bichas" não são barreira fácil para a minha tão frágil determinação.
Hoje o dia era bom para matar a saudade do meu pai que faria amanhã oitenta e quatro anos.
Matar a saudade? Não. Também não quero matar a saudade porque ele merece esta saudade, esta lembrança dorida que adormece mas não morre.
sábado, 29 de maio de 2010
Um dia sim, outro dia nem por isso
Ontem o dia foi bom. Obrigada, Teresa! Eu sabia que a Tia Árvore estava lá mas não sabia que estava tão bem rodeada. Ele é Alice Vieira! (A minha preferida da literatura infanto-juvenil. Quem me dera saber pelo menos imitá-la! Eu bem me esforço! Gravei na minha cabeça os encontros de alunos com ela!) Ele é Luis Sepúlveda! Ele é Princesas e outras magias!(Crescer o dinheiro é magia, não é?)
Fiquei feliz, claro! Este livrinho tem-me rendido muitos momentos felizes.Um deles foi exactamente o "Momento Expo" de sábado passado.
Este momento TVMais também conta. Obrigada, Teresa, mais uma vez!
Fiquei feliz, claro! Este livrinho tem-me rendido muitos momentos felizes.Um deles foi exactamente o "Momento Expo" de sábado passado.
Este momento TVMais também conta. Obrigada, Teresa, mais uma vez!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
No dia em que a Expo fez anos!
Só me apraz dizer algo que já disse, portanto, repetir-me: sozinhos, a nossa fragilidade cresce. O que fizemos ontem foi comparecer à prova da força (podia ser da cerveja, sem álcool!), anulando distâncias (Ovar? Faro?), de um modo concreto e real, fintando outras distâncias (alô "Brásil"!), arriscando a verdade para lá do photoshop (lol), entre outras condições... Como se diz nos casamentos: foi de livre e espontânea vontade. Para além disso fica cientificamente provado que a alegria é contagiosa!
Dá para repetir?
domingo, 16 de maio de 2010
Azul em tons de rosa!
O rio estava azul. O céu estava azul. Ao longe, o mar deixava-se adivinhar azul.
Andei nos barcos para lá e para cá, margem esquerda, direita, esquerda, direita e esquerda outra vez. Subi à Torre Gémea, no Porto Brandão. Gémea da Torre de Belém que lhe disputa o protagonismo da entrada da cidade, da saída para a conquista, da saudade das despedidas, das vozes de um Velho. A gémea de Porto Brandão jaz agarrada à terra e à memória de si mesma, sem tectos, segurando-se às paredes que resistem à vida há mais de quinhentos anos. Vamos a contas: até ao 1755 ela resistiu!
Enquanto isso, junto à bela Torre de Belém, milhares de mulheres vestidas de cor-de-rosa, celebravam a vida para além do medo. "Além da dor", Fernando Pessoa disse. Correram contra o cancro da mama. Como dizia o motorista do táxi, que nos levou a Belém pela manhã, aquela "confusão" valia a pena. Era a dor e o medo de quem está perto a falarem por ele. A minha mulher vai ser operada, acabou por dizer.
À uma da tarde, vindos de todos os lados, misturavam-se os turistas e as mulheres da T-shirt cor-de-rosa. E reinava a alegria verdadeira de quem confia. Isto está no papo, percebia-se. O que estava no papo não era a vitória do Porto ou do Chaves. O que estava no papo, e está no papo!, é a certeza de se poder pôr o cancro de lado e seguir com a vida para a frente.
No regresso, o eléctrico vinha cheio. Cheio de cor-de-rosa. Cheio de esperança. Cheio de confiança.
Para a próxima também vou. Fica a promessa. Hoje elas correram também por mim e, por isso, eu agradeço, cá de dentro, mesmo do peito, do mesmo peito onde mora essa confiança.
(Estrelinha, esta esperança é para ti!)
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Meia dúzia de anos
O Chora fez seis anos no dia 11 de Maio. Por muito "íntima" que seja a festa, tem de haver festa e tenho de agradecer-"lhe" a companhia que me fez, entre muitas outras coisas.
Graças ao Chora descobri raízes que julgava mortas. Afinal estavam apenas adormecidas como a Bela do conto de fadas. De repente, dei por mim a reconstruir o meu próprio passado e a fazê-lo sem mágoas. Os blogs de África traziam-me de volta a terra que eu julgava esquecida de mim. Especialmente o Mashamba e a Passada. E o desejo de voltar nunca mais "me" morreu. Filtrei a saudade e livrei-me da tristeza. A saudade passou a ser um património de afectos que têm agora o seu lugar e brilham com uma luz muito intensa. É uma saudade que me aquece o presente. Já não dói. Conheci pessoas dos mesmos lugares e em vez de perder sinto que ganhei com estas incursões às recordações da minha infância, da minha adolescência, onde nem sempre fui muito feliz, mas que, sei agora, são plataformas de mim que me sustentam e alicerçam o presente.
Às vezes penso que o retrato dos meus dias não é absolutamente fiel, pois acho que as emoções não podem fugir de nós, correr à nossa frente. É preciso deixá-las crescer, amadurecer.
A todos os que têm paciência para vir até aqui conversar comigo: obrigada!
Sobre a "meia dúzia", ocorreu-me uma outra memória que eu gostava de deixar aqui: antes de fazer seis anos, pensava que essa era a idade da libertação, da indepedência. Com seis anos eu seria crescida. Talvez pudesse até casar. (Com se pode ver o meu ideal era igual ao da Susaninha: casar, ser dona de casa e ter muito filhos!)Estava redondamente enganada e tive uma grande desilusão. Afinal continuava a ser "pequena", miúda, dependente.
Na vida real seis anos é pouco tempo. Com seis anos começa-se o caminho da escola. Com seis anos um blog está, no mínimo, "entradote".
Graças ao Chora descobri raízes que julgava mortas. Afinal estavam apenas adormecidas como a Bela do conto de fadas. De repente, dei por mim a reconstruir o meu próprio passado e a fazê-lo sem mágoas. Os blogs de África traziam-me de volta a terra que eu julgava esquecida de mim. Especialmente o Mashamba e a Passada. E o desejo de voltar nunca mais "me" morreu. Filtrei a saudade e livrei-me da tristeza. A saudade passou a ser um património de afectos que têm agora o seu lugar e brilham com uma luz muito intensa. É uma saudade que me aquece o presente. Já não dói. Conheci pessoas dos mesmos lugares e em vez de perder sinto que ganhei com estas incursões às recordações da minha infância, da minha adolescência, onde nem sempre fui muito feliz, mas que, sei agora, são plataformas de mim que me sustentam e alicerçam o presente.
Às vezes penso que o retrato dos meus dias não é absolutamente fiel, pois acho que as emoções não podem fugir de nós, correr à nossa frente. É preciso deixá-las crescer, amadurecer.
A todos os que têm paciência para vir até aqui conversar comigo: obrigada!
Sobre a "meia dúzia", ocorreu-me uma outra memória que eu gostava de deixar aqui: antes de fazer seis anos, pensava que essa era a idade da libertação, da indepedência. Com seis anos eu seria crescida. Talvez pudesse até casar. (Com se pode ver o meu ideal era igual ao da Susaninha: casar, ser dona de casa e ter muito filhos!)Estava redondamente enganada e tive uma grande desilusão. Afinal continuava a ser "pequena", miúda, dependente.
Na vida real seis anos é pouco tempo. Com seis anos começa-se o caminho da escola. Com seis anos um blog está, no mínimo, "entradote".
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O Preço
Toda a gente tem um preço.(Ou será "todos os homens"? Não me lembro bem!)
Uns vendem-se por um volkswagen, outros por um andar no Areeiro. A ideia não é minha. A constatação não é minha. É de Sttau Monteiro. Li-a num dos seus livros, há muitos, muitos anos e nunca a esqueci. Fiquei alertada para os casos em que podia confirmar a verdade do sarcástico dramaturgo de boa memória.
A cena política tem-me fornecido numerosos exemplos e há apenas casos raros que constituem excepção, a tal que confirma a regra. Da história de hoje recolho um exemplo: Mandela. Nem a liberdade física foi preço para deixar rasgar o ideal. Da história mais antiga, recolho outro exemplo: Thomas More, para quem nem a vida foi o preço. "Morro fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo."
Pergunto-me qual o meu preço. Não tenho perfil nem competências de herói, mas tenho as minhas convicções e os meus ideais. Sorte a minha, que não comprometem a humanidade, que anda para a frente ou para trás, independentemente dos meus ideais que têm a minha dimensão, claro! Não sou nada nem ninguém para me questionar, mas não são só os importantes ou os ilustres que têm o direito ou dever de se questionar. O meu destino é um destino individual igual a tantos, igual a muitos. A minha participação no destino colectivo é muito valiosa para mim, mas disso não passa. Por isso, nunca me será posta, formalmente, a questão do preço.
Contudo, às vezes, penso que as minhas decisões sobre os assuntos individuais estão ligadas a um preço: a minha paz de espírito. Eu pago o preço mas, depois, nem chego a ver essa paz, quanto mais a senti-la! Ela esvai-se nos inúmeros quês que me atormentam a consciência, inevitavelmente. E como eu me engano: quando compro o céu, ou julgo que compro o céu, trago para casa o inferno.
É que o inferno somos mesmo nós.
Aproveito para informar que volkswagen já tive. Um andar no Areeiro, ainda não!
Uns vendem-se por um volkswagen, outros por um andar no Areeiro. A ideia não é minha. A constatação não é minha. É de Sttau Monteiro. Li-a num dos seus livros, há muitos, muitos anos e nunca a esqueci. Fiquei alertada para os casos em que podia confirmar a verdade do sarcástico dramaturgo de boa memória.
A cena política tem-me fornecido numerosos exemplos e há apenas casos raros que constituem excepção, a tal que confirma a regra. Da história de hoje recolho um exemplo: Mandela. Nem a liberdade física foi preço para deixar rasgar o ideal. Da história mais antiga, recolho outro exemplo: Thomas More, para quem nem a vida foi o preço. "Morro fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo."
Pergunto-me qual o meu preço. Não tenho perfil nem competências de herói, mas tenho as minhas convicções e os meus ideais. Sorte a minha, que não comprometem a humanidade, que anda para a frente ou para trás, independentemente dos meus ideais que têm a minha dimensão, claro! Não sou nada nem ninguém para me questionar, mas não são só os importantes ou os ilustres que têm o direito ou dever de se questionar. O meu destino é um destino individual igual a tantos, igual a muitos. A minha participação no destino colectivo é muito valiosa para mim, mas disso não passa. Por isso, nunca me será posta, formalmente, a questão do preço.
Contudo, às vezes, penso que as minhas decisões sobre os assuntos individuais estão ligadas a um preço: a minha paz de espírito. Eu pago o preço mas, depois, nem chego a ver essa paz, quanto mais a senti-la! Ela esvai-se nos inúmeros quês que me atormentam a consciência, inevitavelmente. E como eu me engano: quando compro o céu, ou julgo que compro o céu, trago para casa o inferno.
É que o inferno somos mesmo nós.
Aproveito para informar que volkswagen já tive. Um andar no Areeiro, ainda não!
domingo, 2 de maio de 2010
O Segundo Dia da Mãe: o meu
Como diz o Mia Couto, "Um filho afinal é quem dá à luz a mãe."
Obrigada, Filhos!
Quando soube que vinham a caminho, desejei que fossem sempre os mais belos, os mais inteligentes e os mais saudáveis. Mas, à medida que foram crescendo, que a vida foi andando, ou melhor, correndo (e eu a correr atrás dela!), fui entendendo que esse desejo se transforma num outro: no desejo de saber que são felizes.
Nada de especial, portanto. Todas as mães são assim. Todos os dias.
Obrigada, Filhos!
Quando soube que vinham a caminho, desejei que fossem sempre os mais belos, os mais inteligentes e os mais saudáveis. Mas, à medida que foram crescendo, que a vida foi andando, ou melhor, correndo (e eu a correr atrás dela!), fui entendendo que esse desejo se transforma num outro: no desejo de saber que são felizes.
Nada de especial, portanto. Todas as mães são assim. Todos os dias.
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