domingo, 5 de setembro de 2010

Crise de idade

A ideia dos recomeços sempre me atraíram Atrai toda a gente, penso eu. Sempre senti uma alegria imensa em começar o ano lectivo. No ano em que estive de baixa, assim que acabei a radioterapia, liguei a pedir junta, para voltar o mais cedo possível, antes que o ano lectivo avançasse e eu perdesse aquelas primeiras emoções. É como amanhecer: quando o nosso estado geral é dominado pelo bem-estar, pela saúde, pela harmonia. Quando alguma coisa corre mal, o amanhecer é uma angústia: o que é que o dia me reserva?
Eu estou por aí, pelo meio... Nem feliz, nem infeliz! Instável! E tudo porque entrei numa crise de idade, numa plena consciência que a juventude só permanece no plano de uma memória de coisas muito boas e pelas quais devo erguer as mãos ao céu. Mas não! Enrolo-me, numa tristeza vaga mas dolorosa e penso em mil maneiras de contrariar este sentido único da vida, “incontrariável”.
Hoje, tenho estado a ler um livro muito interessante e muito filosófico, muito "chinês", muito longe da agressividade que caracteriza a nossa maneira de viver, logo nos primeiros anos de escola.
Fez-me bem. Fui tirando uns apontamentos para o Facebook. Nada de muito relevante. Simples.
Depois encontrei imagens de um lugar que "visitei" há um mês... Talvez levada pela leitura, encontrei nas imagens uma ideia de tranquilidade, que me faz muita, muita falta.
Da Natureza aprendo e colho a tranquilidade, directamente do "produtor", como deixei no Facebook.
Continuo a olhar e pergunto, à paisagem, que idade tem. Parece-me ouvir "eternidade".
Afinal, nem tudo o que tem idade, ou mesmo eternidade, assusta ou desmerece um olhar mais prolongado…

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Um regresso para dizer adeus

Hoje regressámos à escola. Todos os professores, no dia um de Setembro invadem as escolas. Uns estão mesmo a chegar de férias. Outros já lá estão a trabalhar, nas preparações do arranque do ano lectivo. Mas no dia um é o grande regresso e uns juntam-se aos outros.
Este ano, infleizmente, muitos já se tinham encontrado por tristes razões. O reencontro foi marcado pela tristeza, pela falta e pelo adeus a um grupo de professores que vai para a nova escola. Fizeram uma escolha e foi uma boa escolha. Uma escola nova, a estrear é apetecível para todos. Mas não podiam ir todos e não quiseram ir todos. Hoje foi o último dia no mesmo espaço!
Vou sentir-lhes a falta! Vai doer essa falta em muitos de nós!
Boa sorte, Patrícia! Boa sorte, Regina! Boa sorte, Luís! Boa sorte, Sandra! Boa sorte para todos. Boa sorte Virgínia! Boa sorte, Elisabete! Boa sorte, Adelaide!
Para os que vão e para os que ficam!

Madalena 3G

Cena Um
Casa da Avó Nel, sala de estar contígua à cozinha
Avó, Avô, Mãe, Irmão, Jorge, Madalena (eu) e Madalena(ela)
Madalena, eu - Gosto tanto da tua mãe!
Madalena, ela- Mas tu foste mãe dela?
Acredito que as crianças 3G confirmem a sabedoria milenar: mãe é mãe e não há amor que se lhe compare...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As estaladas que nunca darei...

O quintal da minha avó era o cenário de todos os "filmes" das nossas infâncias. Nossas: minhas e dos meus primos!
Era aí que ensaiávamos a vida de crescidos. Debaixo de uma abacateira, protegida pela sombra e pelos sons da folhagem que mexia com os ventos, fiz muitas refeições para as minhas bonecas. Depois sentava-me à mesa com elas, eu, uma espécie de Gulliver, conversava e contava-lhes as minhas histórias, os meus problemas, as minhas dificuldades em fazer amigos ou em conseguir que as pessoas gostassem de mim.
(De dentro da casa, pela janela da cozinha, chegavam os sons da vida, o barulho dos tachos de alumínio, o barulho do azeite a fritar as batatas, a "martelada" para amaciar os bifes... A minha avó e a minha tia faziam todas as lidas da casa. A minha tia cantarolava. Era muito bem disposta a minha tia! Se a olhássemos fixamente nos olhos, dava uma gargalhada e dizia uma piada.)
Miúda mal disposta e parva era eu! Batiam-me e eu nada! O medo tolhia-me a iniciativa de bater e até o direito de bater também. Um dia atrevi-me a dar uma dentada à minha prima Madalena. O que eu fui fazer!!!! A minha tia ficou zangada e fez-me sentir verdadeiramente mal: daquela dentada podia resultar uma doença grave! E ali fiquei eu, encolhida e cheia de culpas.
Cresci, nem sei bem como!, e nunca andei à pancada! Levei algumas tareias dos meus pais. As célebres tareias de chinelos que raspam e não magoam. Encenação eficaz. Mesmo não doendo, ficávamos sempre a pensar que um dia podia doer. Essa preocupação já era suficiente para moderar o impulso para o disparate. Levei reguadas injustas. Essas magoavam a inocência! Foi no Colégio. Essas ainda me doem!
Não gosto de cenas de reguadas nem de pancadaria, daquelas em que os intervenientes ripostam um a seguir ao outro, sem fôlego...
O que eu gosto mesmo é daquelas cenas de "estalada". Aquela estalada bem dada e bem merecida! Daquelas que enchem os ecrãs e a sala, nos filmes!
Dessas nunca levei.
Dessas nunca dei.
(Nunca dei, mas tenho pena! Há quem as mereça!)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O absurdo segue dentro de alguns dias...

-Sabes muito bem o que é o talento: antigamente, chamava-se-lhe inteligência, mas se disseres assim, chamam-te fascista; digamos a capacidade de ensinar, mas a capacidade natural, não a que te ensinam nos cursos de formação.
Paola Mastrocola, Eu até sei Voar

Estamos mesmo a falar de escola, de professores e de alunos, que pelos vistos são iguais em todas as sociedades civilizadas, entre aspas, claro, e de sistemas educativos, que, nessas mesmas civilizações, também são iguais. Tudo isto a propósito de um livro que li há alguns anos.
Não consigo fazer uma síntese organizada do que li, por isso atrevo-me a recomendar-vos este livro. A dizer-vos que é obrigatório para professores, alunos, pais e encarregados de educação (Quase todos se incluem numa destas categorias, eu penso!), motivando ou provocando quem ler estas linhas, com pedaços de texto. Mas a experiência segreda-me: o status quo é verdadeiramente omnipotente e as coisas ficam sempre como estão!
Canaria é um professor “apanhado” pelo crescente insucesso do sistema. Como a Carla, a professora, ou como nós o entendemos! A angústia cresceu tanto dentro do pensamento, que tomou conta do entendimento e dos comportamentos. Parece um doido varrido a deitar contas ao sistema de ensino.
“- Não há nada a explicar. ( diz o Canaria, que dá Ciências, à Carla, que dá Italiano) Querem uma escola mais activa? Com mais horas, mais aulas, mais turmas, mais alunos, mais disciplinas, mais anos, mais tudo? Muito bem, então há que aumentar o número de professores, claro.( ...) Mas o que é que acontece? É simples: como a excelência, em todos os domínios, só pode ser atingida por uma minoria exígua da população, se aumentas o número, dás por ti a pescar na maioria e a apanhar peixes cada vez menos excelentes, mais médios, mais medíocres. E assim baixas o nível médio da classe docente.”
Tão simples, não é verdade? Tão incontestável! Mas atenção, este professor é incómodo, diz verdades e, pior que tudo, pensa-as. A maior parte de nós já perdeu o treino de pensar e o tempo para o fazer também. O sentido do dever impõe-se e, quando damos conta, passaram anos e o nosso nível de exigência já está pela metade e os conteúdos leccionados pela terça parte. Quem perde? Todos! Especialmente as nossas crianças que nunca conhecerão uma escola “a sério”. Conhecem aquela escola simpática, pouco exigente, que os vai conduzir a um mero diploma do Ensino Básico. Ou talvez o ponha à porta da Faculdade, quem sabe? Mas não lhe venha pedir contas, se não conseguir sair de lá a tempo e horas de começar carreira profissional, antes dos cabelos brancos.
E há ainda a doença mais grave deste sistema: a burocracia. Burocratizou-se o talento, o desejo, a intuição, a vontade... É preciso é haver muitos papéis, muitas circulares, com muitas folhas. Na escola de Carla “o Plano Anual de Escola tem trinta e duas páginas”.
“Pergunto a mim mesma como se diferenciarão as outras escolas, se a nossa ensina a falar, ler, escrever e estudar. Que pena eu tenho das outras escolas! O que é que inventarão para nos superar, para vencer a nossa terrível concorrência?” Desabafa a professora. E ainda há os chavões que metralham a torto e a direito, magoando, matando qualquer boa intenção.
E esta professora ganha realidade com uma família, marido e dois filhos, que vivem os seus problemas, que se angustiam com os dramas dos alunos da mãe, da mulher. Carla também se preocupa com Mário, o marido. Preocupa-se com a tristeza dele. Também a ele, homem de computadores, lhe roubaram criatividade. Já vem tudo feito no Windows. É tudo uma questão de janelas e menus. Na vida também. É preciso clicar na janela certa, ou encontrar o nosso caso no menu. Coitado do Mário! “Coitados dos jovens. Não podem pre-ver, pro-gramar, pro-jectar.”
E há também as galinhas. O galinheiro é quase um laboratório sagrado, onde livremente Carla pode ensaiar o seu talento: ensinar! Nem que seja uma galinha a voar! Inscreve-se num concurso e ganha um prémio: a galinha voa. Mas, “Eu não crio galinhas: eu sou professora.” diz ela.
O absurdo segue dentro de alguns dias...
(Parte de uma sugestão de leitura publicada na Nova Gazeta, "aventura" que me deixou saudades, sobretudo pela amizade que nos unia (Obrigada, Luizi, por me teres convidado! E pelo tempo que nos era "deixado" para "criarmos" as nossas galinhas sem falsos complexos de culpa!)imagem daqui

sábado, 21 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Fotografia. Bem-haja, Vasco (Focarte)!

Neste dia, dedicado à arte que permite reviver em qualquer momento o instante que passou, gostaria de homenagear especialmente o primeiro fotógrafo que conheci e que guardou para sempre a beleza da minha mãe, adornada de muita tristeza, mas, mesmo assim, beleza; a não menos bela figura do meu pai, adornada de ares de sedução que praticou a vida toda e até a amizade que nos uniu, a mim e à filha Teresinha, minha companheira real de vidas faz-de-conta, em que adormecíamos as bonecas como se fossem os nossos filhos, à sombra do caramanchão que emprestava ao cenário a luz suficiente, para que o irreal parecesse real.
Bem-haja, Vasco!

domingo, 15 de agosto de 2010

(...)

Adeus, Guilhermina!
Estamos profundamente tristes e é muito difícil entender a tua partida.
"Se memória desta vida se consente"... É esta a eterna esperança.
Que a tua família e os teus amigos encontrem algum conforto que os ajude a continuar a vida como tu gostavas que fosse vivida.

Balanço algarvio

A vida é feita de nadas, diz o poema de Torga e a cantiga do Sérgio Godinho. A cantiga diz "pequenos nadas".
E, até hoje, eu dava razão aos poetas. Foram uns nadas muito breves que me animaram esta espécie de férias no Algarve. Foi a coincidência das minhas amigas de adolescência estarem cá e perto que deu um sabor diferente aos dias, à praia, aos jantares, aos preparativos da praia e dos jantares. Estando juntos voltámos a ter dezoito anos e a conversa mais séria do mundo desaguou sempre em sonoras gargalhadas. (Os nossos filhos olham-nos com aquele ar de pais desiludidos e não dizem mas pensam: não há nada a fazer!) Resolvidos que estávamos a esquecer as mazelas do presente, os momentos que vivemos juntos contribuíram para uma reorganização de valores que, podendo não estar completamente certa, proporciona muito mais bem-estar e tranquilidade.
Concretizámos um programa agendado há algum tempo: visitámos a minha mãe que quis saber tudo sobre cada uma das “meninas”. Ela própria recordou, com ternura e alguma alegria, o casamento que lhe queríamos fazer com o pai da Lalá. Desfiou outras recordações. Escrevemos um postal à laia de registo para memória futura e lá a deixámos com um bocadinho mais de alegria que talvez lhe dê força para algum tempo, tempo dela que é, inevitavelmente, marcado pela resignação e por alguma tristeza.
E aqui é que a cantiga e o poema deixam de ter razão. A tristeza não é um nada. A tristeza enche que nem um grande tudo. Demole os nadas que nos animam os dias e, provavelmente revela-nos a verdadeira importância da vida e nos leva a uma conclusão: esta é uma passagem curta. Uma colega minha faleceu. Era mais nova do que eu e depois desta notícia como é que vou viver com alegria sabendo que a falta dói na casa de alguém que me é próximo, alguém que dividiu comigo os dias de trabalho, alguém que me apoiou nas causas muitas vezes perdidas quase à partida?!
Descansa em paz, Guilhermina!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

(...)

Tem dias em que a Vida nos oferece um pôr-do-sol mágico. E ainda, um baloiço, para que, descansadamente e baloiçadamente, possamos participar nesse deslumbramento da natureza.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A memória do salto alto

Eram "Channel" diz a Zé, muito entendida em moda, desde sempre!
Não sei se ela tem razão ou não. Sei só que esses sapatos nos deram a sensação de termos "subido" na vida. Era o consentimento por parte dos nossos pais de que já não éramos crianças. E era isso que queríamos: que deixassem de nos considerar crianças. Estávamos crescidas, sim! E os nossos pais sabiam e, por isso, tinham acedido ao salto alto para o casamento da Mena. O sonho não era o casamento. O sonho era mesmo a nova condição que inauguraríamos no dia do casamento: Menina Maria José Sá e Menina Madalena Gouveia. E os sapatos eram lindíssimos, achávamos nós, na altura! Rendados, sem calcanhar, um salto pequeno que nos alteava a figura e nos fazia entrar no mundo dos mais crescidos. Não iríamos mais dar a mão ao nosso pai ou à nossa mãe. A partir daquele momento a nossa mão estava reservada para um belo príncipe que nos levaria, pela mão, ele, sim, para um sítio qualquer que nós já tínhamos imaginado mil vezes. E aí o casamento da Mena voltava a ser sonho e a activar um sonho igual.
Mas para usar salto alto, era preciso saber poisar o pé no chão e levantar depois do "tic", a que se seguiria outro "tic"...
Tic tic tic
Foi ao som da memória do salto alto que embalámos as rugas ao longo destes três dias.
Embalámos e demos banho, porque queremos rugas a brilhar de limpeza!

domingo, 25 de julho de 2010

Do Barroso ao Facebook

A emoção de ontem ainda fervilha e é muito difícil arrumar as ideias e escrever sobre o dia, a tarde, o fim de tarde...
Por mais voltas que dê, vou sempre ter ao maravilhoso grupo de pessoas que acudiu (nas várias acepções de acudir) ao Flamingo Zé, à Nini e a mim. E isso é que é um verdadeiro sucesso. Nada mais conta.
Só mesmo a amizade. Conta tanto que até constrange. Falo por mim, claro! Mas eu não mereço tanto, penso eu. Não sei se mereço ou não. Mais uma vez, não estou a pôr em questão o valor da escrita, mas o meu próprio valor enquanto ser humano. Uma amiga da Nini disse-me ao ouvido que eu sou boa pessoa. Fiquei derretida, pois é tão raro dizerem-me isso.
Merecendo mais ou menos, a demonstração da amizade é a maior das honrarias e hoje sinto que valeu a pena chamar os amigos. Foi bem vê-los chegar com a alegria dos reencontros estampada na cara. E o reencontro não era só comigo ou com a Nini. Era um reencontro dentro dos próprios grupos. Vi que a Ruchinha gostou de rever a Cristina e a Inês. Meu Deus, há cinquenta anos vestíamos o bibe do vivo azul, levávamos reguadas da Irmã Saint Yves e repreensões da Irmã Maria Luísa. Na memória, já não doem e até fazem sorrir.
Em representação de um tempo único e inesquecível dos arrebatamentos amorosos e outras experiências aparentemente radicais, a minha irmã de coração, a Milú e a própria Nini. Há fraternidades que certamente são fruto de uma conjugação celestial ou outra mais inexplicável. Mas que existem, existem!
Mary Bi, ficas aqui encaixadinha, agarradinha às minhas memórias douradas e tão doces como a marmelada de Odivelas.
As minhas amigas avós (são tantas!!!!) levaram os rebentos netos, aos pares quando tem de ser, ou, se tal não foi possível, vinha a foto comprovativa. (A Margarida é igualzinha à Matilde. Pode ser que também goste do meu colo. Tenho de experimentar!)
Nós que vivemos o PREC, com bebés ao colo!! E são esses bebés de colo que agora chegam aqui e dão lições de Biologia, como se fosse fácil falar de flamingos...sob o olhar "abensonhado" da avó, a nossa querida Dona Antonieta.
E essa geração inteira que vem depois de nós não disse que não e foi, ou veio,"dar um beijinho" e mostrar que afinal valeu a pena termos partilhado alcofas, biberons e até vestidos de grávida, porque sempre se poupava para uma saída extra.
(Será que estou a ficar nova? É que vieram outros representantes desta geração aflita, tão aflita como o Flamingo Zé, que eu já conheci com diploma ou quase... Obigada, Sofia, Joana, Francisco, Bruno e Rui!)
"Cresci" muitos anos e mesmo quando eu pensava que já não ia arranjar novos amigos, a vida provou-me que estava redondamente enganada. Madalena e Fernando, São Tavares, Ilda e a "minha escola", onde, apesar das inúmeras dificuldades conhecidas, se cultivam relações, floresce o afecto e se faz prevalecer o verdadeiro sentido da existência: ser amigo vale a pena. Alguns são repetentes do Flamingo Zé.
E, outra vez a frase:"quando eu pensava que já não ia arranjar novos amigos, a vida provou-me que estava redondamente enganada". Eis que parto na internet à procura de quem me possa fazer companhia numa nova condição. Eis que encontro, dia após dia, à velocidade da luz, pessoas que se despem de todos os preconceitos, de todas as capas e se revelam com uma sinceridade, honestidade e transparência que o mundo material não aceita. Tornamo-nos amigas do “peito”, por verdadeiras razões de peito e a amizade progride, acelera, de peito feito (ou refeito, nalguns casos) na segunda etapa do conhecimento materializado por encontros vários. Que assim continue, eu desejo muito.
Eu tenho uma África e o Jorge tem outra. Da África do Jorge vieram também amigos conhecer o Flamingo Zé. Levaram-no no coração e isso é bom.
Podia ter acontecido emoção sem o Jorge, os meus filhos e a Sofia? Claro que não. Estão agarrados à minha pele. Faço finalmente jus ao epíteto. Sou uma “chata”. A Filipa não se importa de ficar aqui connosco, nesta categoria “famílias”? É que agora somos mesmo família e isso é bom.
Sei dos verdadeiros impedimentos inultrapassáveis dos que não puderam estar e também contam.
Obrigada a todos. Foi mesmo inesquecível!
Para os amigos da Nini, para a Carmo e Jorge Nuno, para o André, Ana e pais, uma abraço cor-de-flamingo!!! foto da Mélita

Direito a prémio!


Olá! Recebi esse selinho da minha amiga Estrelinha do blog Estrelinha Só
"O Premio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.
Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web." Todos os blogs que eu visito têm qualidade. Por isso, sirvam-se do prémio que hoje é assim..
Obrigada, Estrelinha!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

(...)

Se queres a flor, sonha a árvore. Se queres a onda, desenha o mar. Se queres uma estrela, inventa o firmamento.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Bethânia canta toda a nossa vida

"Olá, como vai?"
Não sei mesmo se as relações amorosas se desenrolam como soía. O sinal fechado é a história da eternidade que já ficou para trás dos amores e desamores, dos encontros e outros...
"Eu vou indo. E você, tudo bem?"
Há um lugar no futuro. Queremos todos chegar a esse lugar. "Eu também só ando a cem".
Adeus! Adeus! O sono tranquilo não foi encontrado. O lugar no futuro continua longe. E tudo o que havia para agarrar, lá está! O tempo, esse é que se esgota à velocidade do sinal fechado.
É preciso parar o sinal, avariar o sinal, deixá-lo fechado, agarrar a lembrança que foge e dizer algo mais...
Por favor não esqueça, não esqueça!
Bethânia está em Portugal para cantar as nossas vidas, para nos acordar as emoções adormecidas, para nos arrebatar ou para restabelecer o direito ao arrebatamento.
Obrigada, Bethânia, pelas cantigas que cantavas, quando eu tinha ainda muitos sinais fechados para parar e para te ouvir, na rádio que te tocava, ou na cassete que te repetia, outra e outra vez, até à exaustão ou até ao fim da viagem. O que chegasse primeiro!
Legitimaste na minha geração um jeito estúpido de (te) amar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O amor é...

Voltar à Torre de Belém...... trinta e oito anos depois e não sentir qualquer nostalgia. Sentir apenas que os espaços guardam, com requintes de tesouro, as nossas memórias.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

No tempo em que as bonecas falavam...

Esta é uma homenagem ao tempo, ao tal da infância, em que as bonecas falavam. As minhas falavam.
Esta, por exemplo, era a minha irmã e eu contava-lhe muitos segredos. Aqueles que ninguém podia entender. Julgava eu. Então, à noite, eu contava-lhe os meus medos. Um deles era estranho: se eu não existisse, onde é que eu estava? O nada era um mistério!
Outra inquietação que me perseguia era a saber onde é que "morava" a sorte que tinha determinado que eu tivesse tanto conforto: uma cama, um quarto, uma casa, brinquedos, livros.
Só me faltava mesmo um irmão ou uma irmã. O que eu não sabia é que haviam de aparecer sob a forma de amigos.
Eram conversas desta que eu tinha com as minhas bonecas.
Por falar em irmãs, a blogosfera ficou mais rica...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

(...)


Qualquer lugar é bom lugar para a Boa Esperança. Esta mesma boa esperança que já nos anima desde os tempos dos descobrimentos.