Qualquer lugar é bom lugar para a Boa Esperança. Esta mesma boa esperança que já nos anima desde os tempos dos descobrimentos.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
(...)
Qualquer lugar é bom lugar para a Boa Esperança. Esta mesma boa esperança que já nos anima desde os tempos dos descobrimentos.
terça-feira, 29 de junho de 2010
E vão dezanove!!!
Escolhi o “nove” para número da sorte e só por isso já fico feliz por celebrar hoje dezanove anos de casa nova, terra nova, vida renovada, família reunida e cão velho.
Vínhamos de Odivelas. O trajecto era longo. Havia trajecto alternativo mas esse era longo também: Odivelas, Lisboa/Sacavém, Vila Franca, Porto Alto, Alcochete, Montijo.
A casa era um deslumbramento: espaço, muito espaço, muito espaço. A esperança de levar a vida com calma morava aqui. Uma família de quatro pessoas espalhava-se, até aí, diariamente, por três distritos: Setúbal, Santarém e Lisboa. Aqui, ficaríamos todos juntos: hospital, escola preparatória e escola secundária. Além disso os preços das casas eram irreais. Um terço do preço de Lisboa ou quase isso, nos arredores da margem norte. E havia ainda o ruído, o barulho, as sirenes das ambulâncias Abreu Lopes abaixo a toda a hora...
As poucas vezes que tinha vindo ao Montijo, para escolher e comprar casa, tinha achado tudo muito calmo, pacato e sossegado.
Há dezanove anos "caí" na ebulição das festas da terra, São Pedro: gente, gente, gente, carros, motas, foguetes, música, publicidade, mais gente, mais música, fogo de artifício...
E eu que vinha em busca de um modelo de vida onde o silêncio se ouvisse.
Afinal eu não era só nova... Apesar da vida já me ter dado certos ensinamentos de nível de dificuldade apreciável, não tinha aprendido ainda que a nossa inquietação interior vai connosco até ao fim do mundo. E o fim do mundo não é ali, ao virar da esquina, nem no fim da terra, como no filme "Os Deuses devem estar loucos".
Trouxe a minha inquietação de sempre, mas "trouxe" também os amigos de "sempre" e orgulho-me de não ter perdido nenhum, Tejo lá, Tejo cá. Orgulho-me ainda de ter feito mais amigos, quando eu achava que, com trinta e nove anos, já ninguém se encanta com ninguém, a ponto de deixar passar a porta do coração. Afinal deixa.
Vínhamos de Odivelas. O trajecto era longo. Havia trajecto alternativo mas esse era longo também: Odivelas, Lisboa/Sacavém, Vila Franca, Porto Alto, Alcochete, Montijo.
A casa era um deslumbramento: espaço, muito espaço, muito espaço. A esperança de levar a vida com calma morava aqui. Uma família de quatro pessoas espalhava-se, até aí, diariamente, por três distritos: Setúbal, Santarém e Lisboa. Aqui, ficaríamos todos juntos: hospital, escola preparatória e escola secundária. Além disso os preços das casas eram irreais. Um terço do preço de Lisboa ou quase isso, nos arredores da margem norte. E havia ainda o ruído, o barulho, as sirenes das ambulâncias Abreu Lopes abaixo a toda a hora...
As poucas vezes que tinha vindo ao Montijo, para escolher e comprar casa, tinha achado tudo muito calmo, pacato e sossegado.
Há dezanove anos "caí" na ebulição das festas da terra, São Pedro: gente, gente, gente, carros, motas, foguetes, música, publicidade, mais gente, mais música, fogo de artifício...
E eu que vinha em busca de um modelo de vida onde o silêncio se ouvisse.
Afinal eu não era só nova... Apesar da vida já me ter dado certos ensinamentos de nível de dificuldade apreciável, não tinha aprendido ainda que a nossa inquietação interior vai connosco até ao fim do mundo. E o fim do mundo não é ali, ao virar da esquina, nem no fim da terra, como no filme "Os Deuses devem estar loucos".
Trouxe a minha inquietação de sempre, mas "trouxe" também os amigos de "sempre" e orgulho-me de não ter perdido nenhum, Tejo lá, Tejo cá. Orgulho-me ainda de ter feito mais amigos, quando eu achava que, com trinta e nove anos, já ninguém se encanta com ninguém, a ponto de deixar passar a porta do coração. Afinal deixa.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Coisas de pôr-do-sol
O que me aconteceu este ano nunca me tinha acontecido: o fim das aulas, apesar de muito desejado pelo cansaço que transpirava de todos os poros de todos nós (alunos e professores), deixou-me uma sensação de vazio, um vazio tão intenso e tão imenso que me enche e me sufoca. É verdade que eu própria criei um ritual de despedida que é irrepetível para mim: a apresentação do livro. É verdade que eu criei uma emoção à volta da "cerimónia" que ficará para sempre gravada no meu coração como única. As pessoas que fizeram parte tornaram tudo tão especial. Foi uma celebração tão simples nos recursos e tão elevada, ao mesmo tempo, nas palavras das apresentadoras, na atenção do público. Houve uma intimidade linda que varreu a sala e a preencheu de um sentido de harmonia que emanava da própria ideia dos flamingos, do voo, da liberdade, dos afectos...
Coisas de pôr-do-sol!
domingo, 20 de junho de 2010
O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.
Estas palavras são proferidas pela avó Josefa, a avó que Saramago imortalizou num texto que conheci num manual de oitavo ano, há mais de trinta anos. Li e reli o texto. Continuo a relê-lo. Faço-o com menos frequência porque o sei quase de cor. Sei de cor a idade desta avó, "quase noventa anos", a condição, "és velha e dolorida", a memória da beleza da juventude como prova de uma existência de valer a pena, "dizes que foste a mais bela rapariga do teu tempo e eu acredito", a humanidade, mesmo para com os animais, coisas da vida dura do campo, "meteste os bácoros na tua própria cama, quando o frio ameaçava gelá-los", a verdadeira importância, "trave da tua casa, lume da tua lareira", a simplicidade absoluta, "és sensível aos casamentos das princesas e ao roubo dos coelhos das vizinhas"... Não foram os dias duros nem um mundo injusto e belicoso que a impediram de afirmar, sob os céus estrelados das noites da Azinhaga, pelos quais ela nunca viajaria: o mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.
O que faltou de zangas na vida da avó sobrou para o escritor que deu a Portugal a honra de um Prémio Nobel. Quem sou eu para pensar ou julgar seja quem for? Ele ou os outros que se envolveram nas polémicas, sabendo de antemão que nem um nem outros abdicariam de uma posição, da sua posição? Não sou nada nem ninguém, claro!
Recordo ainda uma passagem do Memorial do Convento em que pela voz de uma das personagens (talvez Bartolomeu de Gusmão) nos é transmitida a ideia de um perdão merecido quase automático por parte de um Deus que se crê infinitamente justo e infinitamente misericordioso.
Tenho para mim que o próprio escritor, apesar de achar que o mundo às vezes não é assim tão bonito como achava a avó Josefa, tinha também pena de morrer. O seu apego à vida e às coisas dos vivos era indisfarçável.
Por isso, Escritor, continuarás a fazer parte do mundo dos vivos, pelo menos enquanto viverem esses vivos que te tocaram o corpo, a alma e o pensamento
O que faltou de zangas na vida da avó sobrou para o escritor que deu a Portugal a honra de um Prémio Nobel. Quem sou eu para pensar ou julgar seja quem for? Ele ou os outros que se envolveram nas polémicas, sabendo de antemão que nem um nem outros abdicariam de uma posição, da sua posição? Não sou nada nem ninguém, claro!
Recordo ainda uma passagem do Memorial do Convento em que pela voz de uma das personagens (talvez Bartolomeu de Gusmão) nos é transmitida a ideia de um perdão merecido quase automático por parte de um Deus que se crê infinitamente justo e infinitamente misericordioso.
Tenho para mim que o próprio escritor, apesar de achar que o mundo às vezes não é assim tão bonito como achava a avó Josefa, tinha também pena de morrer. O seu apego à vida e às coisas dos vivos era indisfarçável.
Por isso, Escritor, continuarás a fazer parte do mundo dos vivos, pelo menos enquanto viverem esses vivos que te tocaram o corpo, a alma e o pensamento
sábado, 19 de junho de 2010
Mensagem de Nova Iorque
A vida às vezes tem destas coisas. Imaginem que voei de Lisboa directamente para Nova Iorque, a bordo de um enorme flamingo cinzento, mas muito veloz. A viagem demorou sete horas sobre o Atlântico, perfurando algumas nuvens fofinhas como algodão doce.
Mal pousámos fomos ver uns flamingos rosa que vivem no Central Park e já se habituaram a não sair daqui.
Como vim para melhorar a minha forma de desenhar, aproveitei logo para ir ao maior museu que fica mesmo ao lado e se chama Metropolitain.
Qual não foi o meu espanto quando descobri que havia lá alguns retratos de outros flamingos ilustres. Que tal estão a achar o Flamingo Zé?
Gostava muito que pudessem desenhar um flamingo que já tivessem visto ai perto das vossas casas.
Fico a espera dos vossos desenhos. Boas leituras, boas férias e muita pintura. Até um destes dias.
De Nova Iorque, com pena de não poder estar ai, Ana Peres de Sousa
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O que se passou, agora, foi isto...
Uma onda de emoção, na hora da despedida de alunos que vi crescer, ao longo de dois anos.
Agradeço à Vida, pois nada do que aconteceu ontem se merece ou se prepara. Acontece porque a Vida nos presenteia com essa fatia de felicidade... Ter no meu caminho as pessoas boas que me proporcionam momentos felizes é a minha Sorte Maior!
Agradeço à Vida, pois nada do que aconteceu ontem se merece ou se prepara. Acontece porque a Vida nos presenteia com essa fatia de felicidade... Ter no meu caminho as pessoas boas que me proporcionam momentos felizes é a minha Sorte Maior!
terça-feira, 8 de junho de 2010
Nini, o que se passou foi isto?
Foi só conversa.
Mentira! Foi também bolinhos caseiros comprados na pastelaria, ou melhor, na fábrica de bolos. Daquelas fábricas de bolos que existem desde sempre. Uma porta, cinco metros quadrados de chão pintalgado até ao balcão de vidro, uns cestos (forrados de pano) cheios de pão; uma outra porta vedada à curiosidade de quem entra por uma simples cortina florida; ao lado, tabuleiros de ferro carregadinhos de bolos que ainda cheiram a quente e com sabor que sobe pelas narinas até ao centro do prazer, fique lá onde ele ficar.
A Marta trouxe uns quantos e convidou-nos a “engordar”.
(A parte da pastelaria é uma invenção, claro! A parte do "engordar" é a sério!)
Até a caixinha, acabadinha de "montar", reluzia, na brancura do cartão. Depois veio o tabuleiro com o jarro da limonada e três copos. A Regina explicou que os limões tinham nascido ali, no seu jardim. A empatia e a simpatia instalavam-se com a mesma suavidade da brisa que corria e que se fazia sentir nos pés nus que eu arrisquei, apesar da previsão de chuva para todo o território continental.
Chegada estava a altura de falar do que nos juntara ali. A conversa fluiu ao som das ideias, ao ritmo dos bons sentimentos das duas "meninas" que escolhemos para me acompanharem na aventura do dia 17. O público "sub-metro-e-meio" é exigente!
Falta-me a minha parceira destas "aventuras". (Não, isto não é um plágio!) Mas de Nova Iorque ao Montijo as boas energias viajam à velocidade da luz e muito do bom ambiente que vivemos esta tarde teve a inspiração dessa amizade crescida (Quase quarentona! Vê tu, Nini, como o tempo passa!).
Estes momentos, apesar de breves, purificaram-me.
Senti-me a visitar uma página da literatura vitoriana em que o feminino se imprime numa paisagem de primavera fresca, quase fria, onde há jardins, relvas, recantos bucólicos inventados de propósito para a inspiração criativa.
O que se passou foi isto, querida Nini!
Mentira! Foi também bolinhos caseiros comprados na pastelaria, ou melhor, na fábrica de bolos. Daquelas fábricas de bolos que existem desde sempre. Uma porta, cinco metros quadrados de chão pintalgado até ao balcão de vidro, uns cestos (forrados de pano) cheios de pão; uma outra porta vedada à curiosidade de quem entra por uma simples cortina florida; ao lado, tabuleiros de ferro carregadinhos de bolos que ainda cheiram a quente e com sabor que sobe pelas narinas até ao centro do prazer, fique lá onde ele ficar.
A Marta trouxe uns quantos e convidou-nos a “engordar”.
(A parte da pastelaria é uma invenção, claro! A parte do "engordar" é a sério!)
Até a caixinha, acabadinha de "montar", reluzia, na brancura do cartão. Depois veio o tabuleiro com o jarro da limonada e três copos. A Regina explicou que os limões tinham nascido ali, no seu jardim. A empatia e a simpatia instalavam-se com a mesma suavidade da brisa que corria e que se fazia sentir nos pés nus que eu arrisquei, apesar da previsão de chuva para todo o território continental.
Chegada estava a altura de falar do que nos juntara ali. A conversa fluiu ao som das ideias, ao ritmo dos bons sentimentos das duas "meninas" que escolhemos para me acompanharem na aventura do dia 17. O público "sub-metro-e-meio" é exigente!
Falta-me a minha parceira destas "aventuras". (Não, isto não é um plágio!) Mas de Nova Iorque ao Montijo as boas energias viajam à velocidade da luz e muito do bom ambiente que vivemos esta tarde teve a inspiração dessa amizade crescida (Quase quarentona! Vê tu, Nini, como o tempo passa!).
Estes momentos, apesar de breves, purificaram-me.
Senti-me a visitar uma página da literatura vitoriana em que o feminino se imprime numa paisagem de primavera fresca, quase fria, onde há jardins, relvas, recantos bucólicos inventados de propósito para a inspiração criativa.
O que se passou foi isto, querida Nini!
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Matar a saudade?
Hoje o dia estava bom era para ler um livro! Estava? Não, não estava. Ler dá trabalho. Dá trabalho aos olhos que têm de focar as letras. Dá trabalho aos braços que têm de pegar no livro e folhear as páginas. Pobres dedos fatigados que terminam em unhas roídas!
(Por que é que eu nunca deixei de roer as unhas? Não sei! Vontade e vaidade não me faltaram. Mas nunca deixei uma única unha crescer, por muito que me pedissem e me envergonhassem. Já não vai ser nesta vida!)
Ler dá trabalho ao cérebro. Muito trabalho mesmo.
O melhor mesmo é não ler e fazer outra coisa qualquer para passar o feriado.
(Tenho testes para acabar de classificar... Tenho assuntos da escola para pensar...)
Hoje o dia estava bom era para ver um filme. Mas o filme tinha de ser muito bom. Não, não tinha de ser um filme para rir. Nem me apetece rir. Logo hoje que ouvi a notícia da morte do João Aguiar. E morre-se assim, sem mais nem menos? Alguém que faz falta ao mundo? Ao nosso mundo? Alguém que explica o nosso passado e tinha um trabalho para acabar? Chorar? Não, também não me apetece chorar. Eu sei que a vida está má, mas há pessoas para quem a vida está muito pior.
Hoje o dia era mesmo bom para ir às compras. Pois... lá está o meu lado mau a vir à tona dos meus hábitos. Comprar o quê? As lojas estão cheias de artigos que ou são caros ou eu não gosto. Vou comprar pão e já é uma sorte. Deus queira que haja pão daquele que eu gosto: escuro, com muitas sementes. Dizem que é saudável! Talvez. Pelo menos o meu gosto e o critério de saúde coincidem quando o assunto é pão.
Hoje o dia era mesmo bom para ver o mar. Mas as "bichas" não são barreira fácil para a minha tão frágil determinação.
Hoje o dia era bom para matar a saudade do meu pai que faria amanhã oitenta e quatro anos.
Matar a saudade? Não. Também não quero matar a saudade porque ele merece esta saudade, esta lembrança dorida que adormece mas não morre.
(Por que é que eu nunca deixei de roer as unhas? Não sei! Vontade e vaidade não me faltaram. Mas nunca deixei uma única unha crescer, por muito que me pedissem e me envergonhassem. Já não vai ser nesta vida!)
Ler dá trabalho ao cérebro. Muito trabalho mesmo.
O melhor mesmo é não ler e fazer outra coisa qualquer para passar o feriado.
(Tenho testes para acabar de classificar... Tenho assuntos da escola para pensar...)
Hoje o dia estava bom era para ver um filme. Mas o filme tinha de ser muito bom. Não, não tinha de ser um filme para rir. Nem me apetece rir. Logo hoje que ouvi a notícia da morte do João Aguiar. E morre-se assim, sem mais nem menos? Alguém que faz falta ao mundo? Ao nosso mundo? Alguém que explica o nosso passado e tinha um trabalho para acabar? Chorar? Não, também não me apetece chorar. Eu sei que a vida está má, mas há pessoas para quem a vida está muito pior.
Hoje o dia era mesmo bom para ir às compras. Pois... lá está o meu lado mau a vir à tona dos meus hábitos. Comprar o quê? As lojas estão cheias de artigos que ou são caros ou eu não gosto. Vou comprar pão e já é uma sorte. Deus queira que haja pão daquele que eu gosto: escuro, com muitas sementes. Dizem que é saudável! Talvez. Pelo menos o meu gosto e o critério de saúde coincidem quando o assunto é pão.
Hoje o dia era mesmo bom para ver o mar. Mas as "bichas" não são barreira fácil para a minha tão frágil determinação.
Hoje o dia era bom para matar a saudade do meu pai que faria amanhã oitenta e quatro anos.
Matar a saudade? Não. Também não quero matar a saudade porque ele merece esta saudade, esta lembrança dorida que adormece mas não morre.
sábado, 29 de maio de 2010
Um dia sim, outro dia nem por isso
Ontem o dia foi bom. Obrigada, Teresa! Eu sabia que a Tia Árvore estava lá mas não sabia que estava tão bem rodeada. Ele é Alice Vieira! (A minha preferida da literatura infanto-juvenil. Quem me dera saber pelo menos imitá-la! Eu bem me esforço! Gravei na minha cabeça os encontros de alunos com ela!) Ele é Luis Sepúlveda! Ele é Princesas e outras magias!(Crescer o dinheiro é magia, não é?)
Fiquei feliz, claro! Este livrinho tem-me rendido muitos momentos felizes.Um deles foi exactamente o "Momento Expo" de sábado passado.
Este momento TVMais também conta. Obrigada, Teresa, mais uma vez!
Fiquei feliz, claro! Este livrinho tem-me rendido muitos momentos felizes.Um deles foi exactamente o "Momento Expo" de sábado passado.
Este momento TVMais também conta. Obrigada, Teresa, mais uma vez!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
No dia em que a Expo fez anos!
Só me apraz dizer algo que já disse, portanto, repetir-me: sozinhos, a nossa fragilidade cresce. O que fizemos ontem foi comparecer à prova da força (podia ser da cerveja, sem álcool!), anulando distâncias (Ovar? Faro?), de um modo concreto e real, fintando outras distâncias (alô "Brásil"!), arriscando a verdade para lá do photoshop (lol), entre outras condições... Como se diz nos casamentos: foi de livre e espontânea vontade. Para além disso fica cientificamente provado que a alegria é contagiosa!
Dá para repetir?
domingo, 16 de maio de 2010
Azul em tons de rosa!
O rio estava azul. O céu estava azul. Ao longe, o mar deixava-se adivinhar azul.
Andei nos barcos para lá e para cá, margem esquerda, direita, esquerda, direita e esquerda outra vez. Subi à Torre Gémea, no Porto Brandão. Gémea da Torre de Belém que lhe disputa o protagonismo da entrada da cidade, da saída para a conquista, da saudade das despedidas, das vozes de um Velho. A gémea de Porto Brandão jaz agarrada à terra e à memória de si mesma, sem tectos, segurando-se às paredes que resistem à vida há mais de quinhentos anos. Vamos a contas: até ao 1755 ela resistiu!
Enquanto isso, junto à bela Torre de Belém, milhares de mulheres vestidas de cor-de-rosa, celebravam a vida para além do medo. "Além da dor", Fernando Pessoa disse. Correram contra o cancro da mama. Como dizia o motorista do táxi, que nos levou a Belém pela manhã, aquela "confusão" valia a pena. Era a dor e o medo de quem está perto a falarem por ele. A minha mulher vai ser operada, acabou por dizer.
À uma da tarde, vindos de todos os lados, misturavam-se os turistas e as mulheres da T-shirt cor-de-rosa. E reinava a alegria verdadeira de quem confia. Isto está no papo, percebia-se. O que estava no papo não era a vitória do Porto ou do Chaves. O que estava no papo, e está no papo!, é a certeza de se poder pôr o cancro de lado e seguir com a vida para a frente.
No regresso, o eléctrico vinha cheio. Cheio de cor-de-rosa. Cheio de esperança. Cheio de confiança.
Para a próxima também vou. Fica a promessa. Hoje elas correram também por mim e, por isso, eu agradeço, cá de dentro, mesmo do peito, do mesmo peito onde mora essa confiança.
(Estrelinha, esta esperança é para ti!)
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Meia dúzia de anos
O Chora fez seis anos no dia 11 de Maio. Por muito "íntima" que seja a festa, tem de haver festa e tenho de agradecer-"lhe" a companhia que me fez, entre muitas outras coisas.
Graças ao Chora descobri raízes que julgava mortas. Afinal estavam apenas adormecidas como a Bela do conto de fadas. De repente, dei por mim a reconstruir o meu próprio passado e a fazê-lo sem mágoas. Os blogs de África traziam-me de volta a terra que eu julgava esquecida de mim. Especialmente o Mashamba e a Passada. E o desejo de voltar nunca mais "me" morreu. Filtrei a saudade e livrei-me da tristeza. A saudade passou a ser um património de afectos que têm agora o seu lugar e brilham com uma luz muito intensa. É uma saudade que me aquece o presente. Já não dói. Conheci pessoas dos mesmos lugares e em vez de perder sinto que ganhei com estas incursões às recordações da minha infância, da minha adolescência, onde nem sempre fui muito feliz, mas que, sei agora, são plataformas de mim que me sustentam e alicerçam o presente.
Às vezes penso que o retrato dos meus dias não é absolutamente fiel, pois acho que as emoções não podem fugir de nós, correr à nossa frente. É preciso deixá-las crescer, amadurecer.
A todos os que têm paciência para vir até aqui conversar comigo: obrigada!
Sobre a "meia dúzia", ocorreu-me uma outra memória que eu gostava de deixar aqui: antes de fazer seis anos, pensava que essa era a idade da libertação, da indepedência. Com seis anos eu seria crescida. Talvez pudesse até casar. (Com se pode ver o meu ideal era igual ao da Susaninha: casar, ser dona de casa e ter muito filhos!)Estava redondamente enganada e tive uma grande desilusão. Afinal continuava a ser "pequena", miúda, dependente.
Na vida real seis anos é pouco tempo. Com seis anos começa-se o caminho da escola. Com seis anos um blog está, no mínimo, "entradote".
Graças ao Chora descobri raízes que julgava mortas. Afinal estavam apenas adormecidas como a Bela do conto de fadas. De repente, dei por mim a reconstruir o meu próprio passado e a fazê-lo sem mágoas. Os blogs de África traziam-me de volta a terra que eu julgava esquecida de mim. Especialmente o Mashamba e a Passada. E o desejo de voltar nunca mais "me" morreu. Filtrei a saudade e livrei-me da tristeza. A saudade passou a ser um património de afectos que têm agora o seu lugar e brilham com uma luz muito intensa. É uma saudade que me aquece o presente. Já não dói. Conheci pessoas dos mesmos lugares e em vez de perder sinto que ganhei com estas incursões às recordações da minha infância, da minha adolescência, onde nem sempre fui muito feliz, mas que, sei agora, são plataformas de mim que me sustentam e alicerçam o presente.
Às vezes penso que o retrato dos meus dias não é absolutamente fiel, pois acho que as emoções não podem fugir de nós, correr à nossa frente. É preciso deixá-las crescer, amadurecer.
A todos os que têm paciência para vir até aqui conversar comigo: obrigada!
Sobre a "meia dúzia", ocorreu-me uma outra memória que eu gostava de deixar aqui: antes de fazer seis anos, pensava que essa era a idade da libertação, da indepedência. Com seis anos eu seria crescida. Talvez pudesse até casar. (Com se pode ver o meu ideal era igual ao da Susaninha: casar, ser dona de casa e ter muito filhos!)Estava redondamente enganada e tive uma grande desilusão. Afinal continuava a ser "pequena", miúda, dependente.
Na vida real seis anos é pouco tempo. Com seis anos começa-se o caminho da escola. Com seis anos um blog está, no mínimo, "entradote".
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O Preço
Toda a gente tem um preço.(Ou será "todos os homens"? Não me lembro bem!)
Uns vendem-se por um volkswagen, outros por um andar no Areeiro. A ideia não é minha. A constatação não é minha. É de Sttau Monteiro. Li-a num dos seus livros, há muitos, muitos anos e nunca a esqueci. Fiquei alertada para os casos em que podia confirmar a verdade do sarcástico dramaturgo de boa memória.
A cena política tem-me fornecido numerosos exemplos e há apenas casos raros que constituem excepção, a tal que confirma a regra. Da história de hoje recolho um exemplo: Mandela. Nem a liberdade física foi preço para deixar rasgar o ideal. Da história mais antiga, recolho outro exemplo: Thomas More, para quem nem a vida foi o preço. "Morro fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo."
Pergunto-me qual o meu preço. Não tenho perfil nem competências de herói, mas tenho as minhas convicções e os meus ideais. Sorte a minha, que não comprometem a humanidade, que anda para a frente ou para trás, independentemente dos meus ideais que têm a minha dimensão, claro! Não sou nada nem ninguém para me questionar, mas não são só os importantes ou os ilustres que têm o direito ou dever de se questionar. O meu destino é um destino individual igual a tantos, igual a muitos. A minha participação no destino colectivo é muito valiosa para mim, mas disso não passa. Por isso, nunca me será posta, formalmente, a questão do preço.
Contudo, às vezes, penso que as minhas decisões sobre os assuntos individuais estão ligadas a um preço: a minha paz de espírito. Eu pago o preço mas, depois, nem chego a ver essa paz, quanto mais a senti-la! Ela esvai-se nos inúmeros quês que me atormentam a consciência, inevitavelmente. E como eu me engano: quando compro o céu, ou julgo que compro o céu, trago para casa o inferno.
É que o inferno somos mesmo nós.
Aproveito para informar que volkswagen já tive. Um andar no Areeiro, ainda não!
Uns vendem-se por um volkswagen, outros por um andar no Areeiro. A ideia não é minha. A constatação não é minha. É de Sttau Monteiro. Li-a num dos seus livros, há muitos, muitos anos e nunca a esqueci. Fiquei alertada para os casos em que podia confirmar a verdade do sarcástico dramaturgo de boa memória.
A cena política tem-me fornecido numerosos exemplos e há apenas casos raros que constituem excepção, a tal que confirma a regra. Da história de hoje recolho um exemplo: Mandela. Nem a liberdade física foi preço para deixar rasgar o ideal. Da história mais antiga, recolho outro exemplo: Thomas More, para quem nem a vida foi o preço. "Morro fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo."
Pergunto-me qual o meu preço. Não tenho perfil nem competências de herói, mas tenho as minhas convicções e os meus ideais. Sorte a minha, que não comprometem a humanidade, que anda para a frente ou para trás, independentemente dos meus ideais que têm a minha dimensão, claro! Não sou nada nem ninguém para me questionar, mas não são só os importantes ou os ilustres que têm o direito ou dever de se questionar. O meu destino é um destino individual igual a tantos, igual a muitos. A minha participação no destino colectivo é muito valiosa para mim, mas disso não passa. Por isso, nunca me será posta, formalmente, a questão do preço.
Contudo, às vezes, penso que as minhas decisões sobre os assuntos individuais estão ligadas a um preço: a minha paz de espírito. Eu pago o preço mas, depois, nem chego a ver essa paz, quanto mais a senti-la! Ela esvai-se nos inúmeros quês que me atormentam a consciência, inevitavelmente. E como eu me engano: quando compro o céu, ou julgo que compro o céu, trago para casa o inferno.
É que o inferno somos mesmo nós.
Aproveito para informar que volkswagen já tive. Um andar no Areeiro, ainda não!
domingo, 2 de maio de 2010
O Segundo Dia da Mãe: o meu
Como diz o Mia Couto, "Um filho afinal é quem dá à luz a mãe."
Obrigada, Filhos!
Quando soube que vinham a caminho, desejei que fossem sempre os mais belos, os mais inteligentes e os mais saudáveis. Mas, à medida que foram crescendo, que a vida foi andando, ou melhor, correndo (e eu a correr atrás dela!), fui entendendo que esse desejo se transforma num outro: no desejo de saber que são felizes.
Nada de especial, portanto. Todas as mães são assim. Todos os dias.
Obrigada, Filhos!
Quando soube que vinham a caminho, desejei que fossem sempre os mais belos, os mais inteligentes e os mais saudáveis. Mas, à medida que foram crescendo, que a vida foi andando, ou melhor, correndo (e eu a correr atrás dela!), fui entendendo que esse desejo se transforma num outro: no desejo de saber que são felizes.
Nada de especial, portanto. Todas as mães são assim. Todos os dias.
domingo, 25 de abril de 2010
Um dia feliz!
Estes são os outros bons momentos que marcam, dentro de mim, a data de hoje, vinte e cinco de Abril! Há um ano, o Rafael e a Sofia casaram, no Cabo Espichel, com o mar por perto e com uma importante embaixada de amigos, para além da família, que levaram muita alegria e os presentearam com a sua presença feliz, divertida!
Houve sol, houve vento, houve chuva, houve dança e houve sobretudo essa felicidade estampada na cara dos noivos que "cem anos que eu viva não posso esquecer", como diz a cantiga!
sábado, 24 de abril de 2010
O que é doce...
Doce, era o sabor das tangerinas que nasciam ali à frente dos nossos olhos, no quintal da minha avó, desafiando-nos o desejo, mesmo quando a altura da árvore parecia impor muito respeito.
Doce, era o som das conversas, quando à tarde as mulheres da casa se juntavam no quarto da costura. Dali saíram os mais belos bordados, muitas rendas e muitos vestidos e bibes que enfeitaram a nossa infância.
Doce, era aquele o momento em que a minha tia esperava pelo meu tio, ao portão, para lhe dar o beijo da chegada. Só ele e só ela. Como viviam todos juntos,tios e avós, a intimidade que conseguiam ter neste breve instante era um luxo. Um dia, fui ter com a minha tia e ela disse-me: Sabes, o casamento é muito bonito! Doce, foi este testemunho!
Doce era o respeito pelas tradições da casa: as refeições, o lugar à mesa e a hora do folhetim.
O que é doce... diz o povo...nunca amargou.
Doce, era o som das conversas, quando à tarde as mulheres da casa se juntavam no quarto da costura. Dali saíram os mais belos bordados, muitas rendas e muitos vestidos e bibes que enfeitaram a nossa infância.
Doce, era aquele o momento em que a minha tia esperava pelo meu tio, ao portão, para lhe dar o beijo da chegada. Só ele e só ela. Como viviam todos juntos,tios e avós, a intimidade que conseguiam ter neste breve instante era um luxo. Um dia, fui ter com a minha tia e ela disse-me: Sabes, o casamento é muito bonito! Doce, foi este testemunho!
Doce era o respeito pelas tradições da casa: as refeições, o lugar à mesa e a hora do folhetim.
O que é doce... diz o povo...nunca amargou.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Às portas da vida
Parecia um quadro. Um daqueles quadros que resulta do olhar que busca a diferença e a exalta, mesmo quando essa diferença toca o improvável, o impossível ou o absurdo. Tudo se torna possível para o artista…
Sentada à mesa, quieta, a figura mínima nem chegava com os pés ao chão. As pernas caíam-lhe do corpo com a mesma naturalidade dos cabelos. Estes estavam separados, cuidadosamente, matematicamente divididos em dois tufos que desciam até aos ombros, apanhados por dois laços de cor forte. Seriam vermelhos? A cor da fita era viva, mas talvez não chegasse ao vermelho. Talvez ocre. O cabelo era cinzento, tal era a mistura perfeita dos brancos e dos pretos.
Sentada à mesa, quieta, era uma menina que tomava a refeição. Para não sujar a roupa, domingueira, certamente, a julgar pelo cuidado posto no penteado, um enorme guardanapo branco caía também, com a mesma inacção dos cabelos e das pernas. Seria inacção ou o respeito absoluto pela lei da gravidade? Até os cantos dos olhos caíam em perfeita sintonia com os “totós”. Em sintonia. Sem harmonia. A harmonia pressuporia sinais de vida, de prazer, que há muito se deviam ter alheado deste rosto e deste olhar. E deste corpo que se deixava cair ao som dos talheres que lhe chegavam às mãos, que mecanicamente conduziam o alimento à boca. Apesar de parecer um movimento autónomo, o simples gesto era acompanhado por um olhar atento, por um gesto que ajudava a mostrar ao mundo que aquela boneca não estava sozinha no mundo, nem no restaurante. Tinha dono. Ou melhor, tinha dona: uma mulher mais nova, ostentando a plena posse das faculdades mentais que dirigia aquela sinfonia para os habituais clientes do restaurante e para os outros, que talvez estivessem ali pela primeira vez. ( Esta malvada sofreguidão da dor alheia, de que fala José Gomes Ferreira...)
Terminada a refeição, a mulher, em plena posse das suas faculdades mentais, limpou a boca da boneca velha, ajudou o corpo quase inerte a poisar no chão e a manter a postura vertical. Pegou num casaco que estava pendurado nos bengaleiros, daqueles que ainda há nos restaurantes com mais de trinta anos, ajeitou-o, alisou-o, tirou-lhe o pó que não havia e encaminhou os braços caídos da sua boneca para dentro das mangas. Sem resistência alguma, os braços seguiram o seu caminho e as mãos mostraram-se, olhando os dedos para o chão, talvez em sinal de vergonha.
Depois das parcas saudações, saíram, porta fora, em direcção a outros "palcos"…
Sentada à mesa, quieta, a figura mínima nem chegava com os pés ao chão. As pernas caíam-lhe do corpo com a mesma naturalidade dos cabelos. Estes estavam separados, cuidadosamente, matematicamente divididos em dois tufos que desciam até aos ombros, apanhados por dois laços de cor forte. Seriam vermelhos? A cor da fita era viva, mas talvez não chegasse ao vermelho. Talvez ocre. O cabelo era cinzento, tal era a mistura perfeita dos brancos e dos pretos.
Sentada à mesa, quieta, era uma menina que tomava a refeição. Para não sujar a roupa, domingueira, certamente, a julgar pelo cuidado posto no penteado, um enorme guardanapo branco caía também, com a mesma inacção dos cabelos e das pernas. Seria inacção ou o respeito absoluto pela lei da gravidade? Até os cantos dos olhos caíam em perfeita sintonia com os “totós”. Em sintonia. Sem harmonia. A harmonia pressuporia sinais de vida, de prazer, que há muito se deviam ter alheado deste rosto e deste olhar. E deste corpo que se deixava cair ao som dos talheres que lhe chegavam às mãos, que mecanicamente conduziam o alimento à boca. Apesar de parecer um movimento autónomo, o simples gesto era acompanhado por um olhar atento, por um gesto que ajudava a mostrar ao mundo que aquela boneca não estava sozinha no mundo, nem no restaurante. Tinha dono. Ou melhor, tinha dona: uma mulher mais nova, ostentando a plena posse das faculdades mentais que dirigia aquela sinfonia para os habituais clientes do restaurante e para os outros, que talvez estivessem ali pela primeira vez. ( Esta malvada sofreguidão da dor alheia, de que fala José Gomes Ferreira...)
Terminada a refeição, a mulher, em plena posse das suas faculdades mentais, limpou a boca da boneca velha, ajudou o corpo quase inerte a poisar no chão e a manter a postura vertical. Pegou num casaco que estava pendurado nos bengaleiros, daqueles que ainda há nos restaurantes com mais de trinta anos, ajeitou-o, alisou-o, tirou-lhe o pó que não havia e encaminhou os braços caídos da sua boneca para dentro das mangas. Sem resistência alguma, os braços seguiram o seu caminho e as mãos mostraram-se, olhando os dedos para o chão, talvez em sinal de vergonha.
Depois das parcas saudações, saíram, porta fora, em direcção a outros "palcos"…
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Dia Das Verdades
Hoje é dia das Verdades: Parabéns Diogo! Ora aí vai toda a verdade. A esta hora já tinhas berrado a plenos pulmões, já estavas vestido de verde, camisola e botas, o teu pai já tinha desabelhado para me comprar um ramo de rosas (que eu tinha exigido), os telegramas já voavam para Moçambique, os telefones já tinham trrintintado em todas as casas... O bebé nasceu. É um rapaz. Pesa 3.550. Chama-se Diogo.
Umas horas mais tarde, o Diogo já era sócio do Sporting, porque o caminho mais curto entre a Lisnave e a Cruz Vermelha passava pelo Estádio de Alvalade. Justificação do Avô!(Saudade!)
Parabéns, Diogo!
quarta-feira, 31 de março de 2010
De todos os Marços....
De todos os Marços da vida, aquele que me deixou um sabor mais doce na memória foi, sem dúvida, o de 1975.
Sim, era a revolução. Era também a minha revolução!
Tomei conta da vida. Peguei nela e levei-a para diante. Senti o lado doce de um certo poder, um poder que nasce cá muito dentro e vem carregadinho de cravos e de esperança, alimentada que estava eu de cravos vermelhos e altos, tão altos que quase roçavam nas nuvens e lhes cortavam o caminho.
Um dia, sonhei (mentira? porque não? amanhã é dia delas!) que uma nuvem se rompeu em prantos perante a impossibilidade de vencer o cravo que a impedia de se tornar pesada e grossa, de desabar sobre os felizes que por aqui andavam.
E o cravo crescia cada vez mais, qual feijoeiro da história das fadas e bebia directamente da nuvem alta, que se atrofiava de tempestades e se dissipava noutras direcções...
Antes desse Março, chegar ao fim, poucos minutos antes, entrei, triunfante e feliz na Maternidade, para acolher Abril, senhora de uma nova condição!
Sim, era a revolução. Era também a minha revolução!
Tomei conta da vida. Peguei nela e levei-a para diante. Senti o lado doce de um certo poder, um poder que nasce cá muito dentro e vem carregadinho de cravos e de esperança, alimentada que estava eu de cravos vermelhos e altos, tão altos que quase roçavam nas nuvens e lhes cortavam o caminho.
Um dia, sonhei (mentira? porque não? amanhã é dia delas!) que uma nuvem se rompeu em prantos perante a impossibilidade de vencer o cravo que a impedia de se tornar pesada e grossa, de desabar sobre os felizes que por aqui andavam.
E o cravo crescia cada vez mais, qual feijoeiro da história das fadas e bebia directamente da nuvem alta, que se atrofiava de tempestades e se dissipava noutras direcções...
Antes desse Março, chegar ao fim, poucos minutos antes, entrei, triunfante e feliz na Maternidade, para acolher Abril, senhora de uma nova condição!
domingo, 21 de março de 2010
E a Poesia?
Imagem, de Miguel Torga
Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,
quem quiser vê-lo,
venha olhá-lo daqui a tarde inteira.
Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.
São dois barços abertos de brancura;
mas em redor
não há coisa mais pura,
nem promessa maior.
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
São Martinho de Anta, Março 2006
Para a TP, porque também é "Torguiana" e para todos e todas que gostam de poesia e da Primavera
Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,
quem quiser vê-lo,
venha olhá-lo daqui a tarde inteira.
Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.
São dois barços abertos de brancura;
mas em redor
não há coisa mais pura,
nem promessa maior.
Vila Nova, 4 de Abril de 1936
Para a TP, porque também é "Torguiana" e para todos e todas que gostam de poesia e da Primavera
Chegou!
A Primavera, cá em casa, fez-se anunciar. Foi esta elegante flor que me segredou aos sentidos que a Primavera vinha mesmo. Deixei transparecer alguma dúvida, mas ela, com a convicção de uma flor sábia, reafirmou a certeza de já estar próxima a sua chegada.
Fui ter com ela, à janela da cozinha, aos primeiros minutos do dia previsto que consta nos Livros do Tempo. Confesso que temi que se tivesse perdido por outros hemisférios!
Mas, à meia noite em ponto, ou dois minutos depois, para ser mais precisa, a minha flor mexeu, com um vagar voluptuoso, as suas pétalas e eu percebi o sinal.
Abri a janela, para deixar a Primavera mais à vontade. Disse-lhe que se instalasse, que tinha a casa toda para si. Pediu-me um lugarzito nos nossos corações e eu fui a correr limpar o meu de algumas angústias que o têm deixado numa autêntica lixeira.
Estamos todos prontos para receber a Primavera!
Fui ter com ela, à janela da cozinha, aos primeiros minutos do dia previsto que consta nos Livros do Tempo. Confesso que temi que se tivesse perdido por outros hemisférios!
Mas, à meia noite em ponto, ou dois minutos depois, para ser mais precisa, a minha flor mexeu, com um vagar voluptuoso, as suas pétalas e eu percebi o sinal.
Abri a janela, para deixar a Primavera mais à vontade. Disse-lhe que se instalasse, que tinha a casa toda para si. Pediu-me um lugarzito nos nossos corações e eu fui a correr limpar o meu de algumas angústias que o têm deixado numa autêntica lixeira.
Estamos todos prontos para receber a Primavera!
sábado, 20 de março de 2010
O Dia dos Pais
À medida que a vida avança, evolui o significado dos vários elementos que constituem essa mesma vida. As rotinas tornam-se imprescindíveis bengalas de segurança. Os sentimentos ganham matizes dourados de Outono. O bom torna-se muito bom. O mau, por vezes, afunda-se e desaparece nas profundezas da nossa indiferença. O belo, cada vez mais belo. E todos os dias fazem sentido!
segunda-feira, 15 de março de 2010
São os Putos deste povo....
Tenho para mim que as respostas às grandes perguntas estão dentro de nós. São respostas pequeninas, tão pequeninas que as escondemos bem, para não nos sentirmos envergonhados perante a imensa Humanidade.
Tenho ainda para mim, que as respostas, apesar de pequeninas, são de tal modo universais, tanto quanto os porquês, que vêm nos livros.
São os Mundos dos Outros que nos revelam os nossos próprios mundos. É lá que nos grita a Boca Enorme e o Graxa, o tal miúdo de olhos de "cinza", filho das "manhãs duras de trabalho".
(É pena que eles nos perturbem os belos dias de sol,como o de hoje, por exemplo!)
A ironia do poeta acorda a mais sonolenta e preguiçosa resposta dentro de nós.
E até vêm miúdos de outras estantes, de outros volumes, putos, do Altino do Tojal.
São meninos como esses, adormecidos para nosso descanso, nas páginas dos livros, que um dia desatam a vingar-se do Mundo Deles, apanhando o mais frágil ser que vier à rede e o que vem à rede é peixe.
A vingança não conhece idades e não vale a pena andarmos com mais lirismos! Como diz o poeta, ou seja lá quem for: a culpa é nossa. Há uma culpa colectiva que não se dilui em rios de tinta (ou de "toner") e que teremos de assumir um destes dias, para erradicarmos de vez a violência das nossas escolas.
Para a Teresa M que me "provocou" esta reflexão!
Tenho ainda para mim, que as respostas, apesar de pequeninas, são de tal modo universais, tanto quanto os porquês, que vêm nos livros.
São os Mundos dos Outros que nos revelam os nossos próprios mundos. É lá que nos grita a Boca Enorme e o Graxa, o tal miúdo de olhos de "cinza", filho das "manhãs duras de trabalho".
(É pena que eles nos perturbem os belos dias de sol,como o de hoje, por exemplo!)
A ironia do poeta acorda a mais sonolenta e preguiçosa resposta dentro de nós.
E até vêm miúdos de outras estantes, de outros volumes, putos, do Altino do Tojal.
São meninos como esses, adormecidos para nosso descanso, nas páginas dos livros, que um dia desatam a vingar-se do Mundo Deles, apanhando o mais frágil ser que vier à rede e o que vem à rede é peixe.
A vingança não conhece idades e não vale a pena andarmos com mais lirismos! Como diz o poeta, ou seja lá quem for: a culpa é nossa. Há uma culpa colectiva que não se dilui em rios de tinta (ou de "toner") e que teremos de assumir um destes dias, para erradicarmos de vez a violência das nossas escolas.
Para a Teresa M que me "provocou" esta reflexão!
quinta-feira, 11 de março de 2010
O dia em que fomos Prémio Nobel
Foi ontem, na Escola da Restauração em Alcochete.
A conversa e o convívio com as professoras e os alunos foi para além do tempo que estava previsto. Não demos, eu falo por mim e pela Ana, pelo tempo, pois o prazer e a emoção tomaram absolutamente conta de nós.
A Biblioteca Escolar estava preparada para receber as autoras, ou seja, nós. Logo, à entrada, um painel lindíssimo elaborado pelos alunos.
Os meninos entraram e sentaram-se à nossa frente, no chão, num "anfiteatro" improvisado e, graças à técnica do "sentar à chinês", couberam as duas turmas. E ainda sobrou espaço.
E depois foi tudo conversa. Linda conversa, muito na base do diálogo, das perguntas e das respostas: quanto tempo a Ana tinha demorado a desenhar? Quanto tempo eu tinha demorado a escrever a história? Como é que tinha surgido a ideia do livro? Se a árvore existia mesmo? Se além de "autoras" tínhamos outra profissão....
Linda a valer foi a sessão dos autógrafos. Foi um dos momentos mais solenes, porque as crianças dão muito valor ao autógrafo: puseram-se em fila, com a postura mais cerimoniosa que a intuição lhes ditava, segurando papelinhos, alguns muito minúsculos mesmo, onde iriam guardar o nosso nome.
Esta simplicidade a transbordar de uma solenidade quase mágica era a prova (dos nove, que não falha...) que aquele momento estava a ser um momento especial, muito especial mesmo.
Foi o nosso Prémio Nobel. Mas, em grande! Obrigada Professoras, meninos e meninas.
A conversa e o convívio com as professoras e os alunos foi para além do tempo que estava previsto. Não demos, eu falo por mim e pela Ana, pelo tempo, pois o prazer e a emoção tomaram absolutamente conta de nós.
A Biblioteca Escolar estava preparada para receber as autoras, ou seja, nós. Logo, à entrada, um painel lindíssimo elaborado pelos alunos.
Os meninos entraram e sentaram-se à nossa frente, no chão, num "anfiteatro" improvisado e, graças à técnica do "sentar à chinês", couberam as duas turmas. E ainda sobrou espaço.
E depois foi tudo conversa. Linda conversa, muito na base do diálogo, das perguntas e das respostas: quanto tempo a Ana tinha demorado a desenhar? Quanto tempo eu tinha demorado a escrever a história? Como é que tinha surgido a ideia do livro? Se a árvore existia mesmo? Se além de "autoras" tínhamos outra profissão....
Linda a valer foi a sessão dos autógrafos. Foi um dos momentos mais solenes, porque as crianças dão muito valor ao autógrafo: puseram-se em fila, com a postura mais cerimoniosa que a intuição lhes ditava, segurando papelinhos, alguns muito minúsculos mesmo, onde iriam guardar o nosso nome.
Esta simplicidade a transbordar de uma solenidade quase mágica era a prova (dos nove, que não falha...) que aquele momento estava a ser um momento especial, muito especial mesmo.
Foi o nosso Prémio Nobel. Mas, em grande! Obrigada Professoras, meninos e meninas.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia da Mulher
Não nascemos mulheres; tornamos-nos mulheres, disse Simone de Beauvoir.
Hoje celebra-se a Mulher: a pobre e a rica; a bonita e a feia; a que vende saúde e a que sofre; a que passou por alegrias mil e a que provou o pão que o diabo amassou. Ainda há as novas e as que já não são. Diz o nosso Nobel (Gosto de o tratar assim. É o orgulho a funcionar!) sobre a sua avó Josefa: "trave da tua casa", "lume da tua lareira".
A propósito desta data, tenho-me lembrado muito da minha mãe e é a ela que quero prestar esta simples homenagem. Apesar de todas as vicissitudes das condições actuais, não perde o gosto de pôr o seu baton, o rouge, o perfume e os brincos. Acho que é coragem! E a coragem também não nasce connosco, a coragem aprende-se e, pela força do exemplo, ensina-se!
Hoje celebra-se a Mulher: a pobre e a rica; a bonita e a feia; a que vende saúde e a que sofre; a que passou por alegrias mil e a que provou o pão que o diabo amassou. Ainda há as novas e as que já não são. Diz o nosso Nobel (Gosto de o tratar assim. É o orgulho a funcionar!) sobre a sua avó Josefa: "trave da tua casa", "lume da tua lareira".
A propósito desta data, tenho-me lembrado muito da minha mãe e é a ela que quero prestar esta simples homenagem. Apesar de todas as vicissitudes das condições actuais, não perde o gosto de pôr o seu baton, o rouge, o perfume e os brincos. Acho que é coragem! E a coragem também não nasce connosco, a coragem aprende-se e, pela força do exemplo, ensina-se!
domingo, 7 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
"links" ou "nonsense"
Há coisas assim: olha-se e ouve-se; olha-se e vê-se.Esta imagem, recolhida pela minha "cusquice" há já algum tempo, trouxe-me hoje à ideia a cantiga do Jorge Palma. Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos. Não sei se as bicicletas se namoram, se são casadas ou vivem juntas. Não sei. Mas sei que passam os dias encostados à mesma balaustrada da vida da terra, quase mesmo a mergulhar na vida do rio. Por sinal, tranquilo. Nada das ondas furiosas que tenho visto nos últimos dias. Nada de águas alterosas, como ouço na previsão do tempo.
E ali ficam, todo o dia, todos os dias. Se calha passar por ali a cantiga do Jorge Palma, são bem capazes de trocar outros entendimentos.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Não sei porquê, mas sempre que as vejo, imagino-as a namorar...
Talvez seja do lugar, que a isso convida. Perguntem à árvore que ali está e que deve saber tudo de tudo.
(Sonhei que sabia voar! É isso e duas bicicletas apaixonadas!)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Cinco Anos
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
"Tudo tem a ver com tudo"
Há dois ou três dias, às desoras a que o sono não me chega, apanhei uma conversa na televisão que me valeu a noite em escuro. Sim, em escuro. A expressão "noite em claro" não me convence!
Era um dos programas bons que a televisão transmite: Câmara Clara. Na Dois, claro! Uma conversa com um arquitecto Alexandre Alves da Costa.
A nossa adesão a um programa destes nunca é inocente. Fiquei presa a uma vivacidade de pensamento, ainda por cima rico de conhecimento, a um falar solto e livre sobre as coisas.... Pensei logo: quem me dera!
Se puderem vejam a conversa aqui.
Se não vos der jeito, digiram este pequeno texto que apresenta o vídeo da conversa.
O Porto é uma nação. Lisboa é outra. Em Portugal há muitas "Povoas de Varzim". O que explica então que exista, indubitavelmente, uma arquitectura portuguesa? Por que é que os arquitectos de hoje devem olhar para os mestres pedreiros do século XVI como companheiros, como colegas? O arquitecto Alexandre Alves Costa, catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, jubilou-se e deu a última aula há duas semanas. Uma aula sobre o que é isto de ser português. Nesta conversa vem dizer-nos como "tudo tem a ver com tudo": peixe grelhado em Matosinhos e Luchino Visconti, Pessoa e Sophia, o Convento de Tomar e a piscina de Siza Vieira no Parque da Conceição. Uma emissão que nos traz ainda Fernando Távora, Peter Zumthor, Manuel Graça Dias, José Manuel Pureza e John Coltrane.
Este "tudo tem a ver com tudo" soa-me muito a Lisboa, mas, provavelmente, porque é o que eu conheço um pouco melhor. E, mesmo assim, sabe Deus, quanto o não-conhecimento grassa à conta de não ver mais programas assim e de ter passado praticamente um serão a "ajudar" os vizinho da quinta a "armarem" os galinheiros...
Contudo, se "tudo tem a ver com tudo", eis um tudo à mostra em Lisboa, num daqueles lugares que o turista espreita. Será que entende tudo na mesma corda: as cuecas e o colchão do cão?
Era um dos programas bons que a televisão transmite: Câmara Clara. Na Dois, claro! Uma conversa com um arquitecto Alexandre Alves da Costa.
A nossa adesão a um programa destes nunca é inocente. Fiquei presa a uma vivacidade de pensamento, ainda por cima rico de conhecimento, a um falar solto e livre sobre as coisas.... Pensei logo: quem me dera!
Se puderem vejam a conversa aqui.
Se não vos der jeito, digiram este pequeno texto que apresenta o vídeo da conversa.
O Porto é uma nação. Lisboa é outra. Em Portugal há muitas "Povoas de Varzim". O que explica então que exista, indubitavelmente, uma arquitectura portuguesa? Por que é que os arquitectos de hoje devem olhar para os mestres pedreiros do século XVI como companheiros, como colegas? O arquitecto Alexandre Alves Costa, catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, jubilou-se e deu a última aula há duas semanas. Uma aula sobre o que é isto de ser português. Nesta conversa vem dizer-nos como "tudo tem a ver com tudo": peixe grelhado em Matosinhos e Luchino Visconti, Pessoa e Sophia, o Convento de Tomar e a piscina de Siza Vieira no Parque da Conceição. Uma emissão que nos traz ainda Fernando Távora, Peter Zumthor, Manuel Graça Dias, José Manuel Pureza e John Coltrane.
Este "tudo tem a ver com tudo" soa-me muito a Lisboa, mas, provavelmente, porque é o que eu conheço um pouco melhor. E, mesmo assim, sabe Deus, quanto o não-conhecimento grassa à conta de não ver mais programas assim e de ter passado praticamente um serão a "ajudar" os vizinho da quinta a "armarem" os galinheiros...
Contudo, se "tudo tem a ver com tudo", eis um tudo à mostra em Lisboa, num daqueles lugares que o turista espreita. Será que entende tudo na mesma corda: as cuecas e o colchão do cão?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Dias de ...
Tenho, em relação a este dia, a mesma opinião que tenho de outros dias de: podem servir para lembrar alguma coisa a alguém. Mas se não servirem para lembrar nada, também não é necessários eliminá-los, evitá-los. Em algum calendário podem fazer sentido. É apenas a minha opinião e, como normalmente se diz, em coisas até mais sérias, vale o que vale.
Mas a tradição e o culto deste dia não têm nada a ver com a nossa cultura. Os nossos namorados são abençoados e protegidos por um outro Santo,que para além de milagres de amor provoca também o aparecimento das coisas desaparecidas e até faz acontecer o que é preciso acontecer. Mas não consta que o S. Valentim e o Santo António tenham algum problema de competitividade. São meses diferentes e maneiras de celebrar diferentes. E se é para o bem, venham os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, ou seis, se calha Fevereiro ter mais um sol e uma lua.
Não sei qual deles reclama mais a paixão, aquela que acende mesmo a fogueira que as raparigas saltam lá mais para o Verão...
O namoro é como a infância: uma promessa de futuro. Só por isso, vale a pena evocar esse estado e esse tempo e celebrá-los!
Mas a tradição e o culto deste dia não têm nada a ver com a nossa cultura. Os nossos namorados são abençoados e protegidos por um outro Santo,que para além de milagres de amor provoca também o aparecimento das coisas desaparecidas e até faz acontecer o que é preciso acontecer. Mas não consta que o S. Valentim e o Santo António tenham algum problema de competitividade. São meses diferentes e maneiras de celebrar diferentes. E se é para o bem, venham os trezentos e sessenta e cinco dias do ano, ou seis, se calha Fevereiro ter mais um sol e uma lua.
Não sei qual deles reclama mais a paixão, aquela que acende mesmo a fogueira que as raparigas saltam lá mais para o Verão...
O namoro é como a infância: uma promessa de futuro. Só por isso, vale a pena evocar esse estado e esse tempo e celebrá-los!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Liberdade
Não me canso de dizer e, sobretudo, de sentir a emoção de viver o mesmo tempo do homem livre que, há vinte anos, saiu de uma prisão que lhe tolheu apenas o corpo porque a alma ou o espírito, o pensamento (ou seja lá o que for que habita a nossa matéria) nem com ouro pode ser agrilhoado.
Mandela viveu toda a sua vida com os olhos postos na paz, na paz verdadeira que cada homem assina com o seu mais próximo. E só o homem absolutamente livre pode firmar essa paz.
"Ao passar finalmente aqueles portões para entrar no carro do outro lado, senti - mesmo aos setenta e um anos - que a minha vida estava a começar de novo. os meus dez mil dias de prisão tinham por fim terminado." (Autobiografia, página 617)
Estátua de Mandela, em Londres, na Praça do Parlamento. Este local foi escolhido de modo a que se pudesse tornar mais significativa esta homenagem, a homenagem ao homem que moldou no seu próprio barro a liberdade um povo, o sentimento de uma nação!
Mandela viveu toda a sua vida com os olhos postos na paz, na paz verdadeira que cada homem assina com o seu mais próximo. E só o homem absolutamente livre pode firmar essa paz.
"Ao passar finalmente aqueles portões para entrar no carro do outro lado, senti - mesmo aos setenta e um anos - que a minha vida estava a começar de novo. os meus dez mil dias de prisão tinham por fim terminado." (Autobiografia, página 617)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Resposta à resposta
Pois é, Natália! Tens mesmo feeling para detectar mentiras... Davas uma detective de grande categoria.
Já tu, Teresa, poiiiing!, tens de pedir uma aulita extra à Natália!!!!
Eu explico. Mentira um: futebol é mesmo coisa que não gosto mesmo. (Aí tu acertaste, Teresa!) Fui, ao todo, três vezes à bola. A primeira, em Lourenço Marques, à inauguração de um estádio, o da Machava, acho eu! A segunda, à inauguração do Alvalade XXI. A terceira, quando o Jorge recebeu o emblema de cinquenta anos de sócio. Porque é verdade que eles são todos muito, muito verdes: pai e filhos. Mas a menina cá de casa, a Sofia, é do Benfica. O meu pai era do Porto. Tenho o meu coração tripartido, mesmo sem gostar de futebol.
Mentira dois: a da graxa. Não sei se cheguei a ler algum dos livros da Colecção Aventura. Eu até gosto de livros e filmes para crianças ou jovens, mas estes apanharam-me numa altura em que eu já não dava aulas de Português. Se li, não me lembro. A Alice Vieira li muito. E o Torga também. Li os diários todos e a Criação do Mundo. Li os Contos e os Novos Contos, Bichos e o Senhor Ventura. Ou seja: tenho uma carrada de Torgas e,ao contrário de muitos outros, aqueles li mesmo e bem. Pego muitas vezes nos diários e na Criação do Mundo porque me lembro de passagens que quero reler. Tenho uma "pancada" tão grande pelo Torga que tenho aqui uma "caricatura" feita por alunos do 8ºou 9º anos, em que estou a dizer "I love Torga".
Sou arrependida, sou, Teresa. Reivindico os meus erros, porque eles me pertencem de facto, mas isto é que é conversa fiada, conversa de artista/escritor, Richard Bach (Ilusões). Eu acho sempre que podia ter feito melhor, sobretudo quando alguma coisa corre mal. Tenho muito aquele discurso horrível da culpa! Mas as escolhas têm de ser feitas. Vim para Lisboa e arrependi-me, tal era a saudade. Fui para Odivelas e andei uns anos arrependida. Depois passou e adaptei-me. Vim para o Montijo e nem sabem quanto custou, em tempo e gasolina, o arrependimento. Para aliviar a culpa que sinto em alguns aspectos da educação dos meus filhos, uma amiga cita o Freud: "de qualquer maneira, está mal!". Para não cometer os erros da geração anterior, cometi outros, se calhar bem mais graves.
Quanto a ser uma pessoa melhor, eu bem gostava e esforço-me.
Já tu, Teresa, poiiiing!, tens de pedir uma aulita extra à Natália!!!!
Eu explico. Mentira um: futebol é mesmo coisa que não gosto mesmo. (Aí tu acertaste, Teresa!) Fui, ao todo, três vezes à bola. A primeira, em Lourenço Marques, à inauguração de um estádio, o da Machava, acho eu! A segunda, à inauguração do Alvalade XXI. A terceira, quando o Jorge recebeu o emblema de cinquenta anos de sócio. Porque é verdade que eles são todos muito, muito verdes: pai e filhos. Mas a menina cá de casa, a Sofia, é do Benfica. O meu pai era do Porto. Tenho o meu coração tripartido, mesmo sem gostar de futebol.
Mentira dois: a da graxa. Não sei se cheguei a ler algum dos livros da Colecção Aventura. Eu até gosto de livros e filmes para crianças ou jovens, mas estes apanharam-me numa altura em que eu já não dava aulas de Português. Se li, não me lembro. A Alice Vieira li muito. E o Torga também. Li os diários todos e a Criação do Mundo. Li os Contos e os Novos Contos, Bichos e o Senhor Ventura. Ou seja: tenho uma carrada de Torgas e,ao contrário de muitos outros, aqueles li mesmo e bem. Pego muitas vezes nos diários e na Criação do Mundo porque me lembro de passagens que quero reler. Tenho uma "pancada" tão grande pelo Torga que tenho aqui uma "caricatura" feita por alunos do 8ºou 9º anos, em que estou a dizer "I love Torga".
Sou arrependida, sou, Teresa. Reivindico os meus erros, porque eles me pertencem de facto, mas isto é que é conversa fiada, conversa de artista/escritor, Richard Bach (Ilusões). Eu acho sempre que podia ter feito melhor, sobretudo quando alguma coisa corre mal. Tenho muito aquele discurso horrível da culpa! Mas as escolhas têm de ser feitas. Vim para Lisboa e arrependi-me, tal era a saudade. Fui para Odivelas e andei uns anos arrependida. Depois passou e adaptei-me. Vim para o Montijo e nem sabem quanto custou, em tempo e gasolina, o arrependimento. Para aliviar a culpa que sinto em alguns aspectos da educação dos meus filhos, uma amiga cita o Freud: "de qualquer maneira, está mal!". Para não cometer os erros da geração anterior, cometi outros, se calhar bem mais graves.
Quanto a ser uma pessoa melhor, eu bem gostava e esforço-me.
Desafio da Teresa....
... ou a habilidade de dizer umas mentirinhas e umas verdades para "baralhar" os outros, que não se vão deitar a adivinhar, porque eu acho que é fácil...
Sou do Sporting, porque adoro futebol e cá em casa são todos muito "verdes"!
Faço jus ao epíteto que, normalmente, se junta ao meu nome: arrependida. Arrependo-me muito e muitas vezes. Até porque tenho para mim que há sempre outro caminho e a vida é feita de escolhas. (Leiam a Viagem da Sophia de Mello Breyner e vejam como as escolhas são mais do que imaginamos!)No entanto, como diz o Bach (o da Gaivota Fernão) os meus erros pertencem-me, reivindico-os por uma questão de propriedade, com prova de factura e tudo. Já li os livros todos da Ministra.(Graxaaaaaa!) Já li quase, quase toda a obra do Torga. O meu desejo actual é ser uma pessoa melhor, mas não sei se consigo.
Certo? Beijinhos, Teresa
Em vez de dizermos "aqui há gato", podemos dizer "aqui há flamingo"!
Sou do Sporting, porque adoro futebol e cá em casa são todos muito "verdes"!
Faço jus ao epíteto que, normalmente, se junta ao meu nome: arrependida. Arrependo-me muito e muitas vezes. Até porque tenho para mim que há sempre outro caminho e a vida é feita de escolhas. (Leiam a Viagem da Sophia de Mello Breyner e vejam como as escolhas são mais do que imaginamos!)No entanto, como diz o Bach (o da Gaivota Fernão) os meus erros pertencem-me, reivindico-os por uma questão de propriedade, com prova de factura e tudo. Já li os livros todos da Ministra.(Graxaaaaaa!) Já li quase, quase toda a obra do Torga. O meu desejo actual é ser uma pessoa melhor, mas não sei se consigo.
Certo? Beijinhos, Teresa
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Adeus, Carvalho!
Hoje perdi um amigo! Adeus, Carvalho!
Estas são as linhas que não vai ler, ao contrário de todas as outras que leu e entendeu, desde o princípio.
Nem sei escrever hoje o que sei que gostaria de ler. Dói-me muito saber que as minhas palavras aqui ficaram órfãs de uma amizade que se situou sempre no mais puro ideal, uma amizade que se alimentou de muita saudade: a sua saudade do amigo, a minha saudade do meu pai. Cerrámos fileiras, nós três, nós quatro, talvez mais alguém, e resistimos à dor como pudemos e como soubemos. Sempre com os olhos postos na dignidade da condição humana. Sempre guiados pela lealdade. Dos vários laços fizemos um forte nó que não vamos deixar que se desate porque o que foi vivido e dito se inscreveu indelével no que somos.
Adeus, Carvalho! Continuarei por aqui a lembrá-lo e, embora mais pobres com a sua partida tão sem aviso, esta será a minha homenagem ao Homem e ao Amigo! Darei sempre aqui testemunho do quanto aprendi consigo sobre a Amizade.
Estas são as linhas que não vai ler, ao contrário de todas as outras que leu e entendeu, desde o princípio.
Nem sei escrever hoje o que sei que gostaria de ler. Dói-me muito saber que as minhas palavras aqui ficaram órfãs de uma amizade que se situou sempre no mais puro ideal, uma amizade que se alimentou de muita saudade: a sua saudade do amigo, a minha saudade do meu pai. Cerrámos fileiras, nós três, nós quatro, talvez mais alguém, e resistimos à dor como pudemos e como soubemos. Sempre com os olhos postos na dignidade da condição humana. Sempre guiados pela lealdade. Dos vários laços fizemos um forte nó que não vamos deixar que se desate porque o que foi vivido e dito se inscreveu indelével no que somos.
Adeus, Carvalho! Continuarei por aqui a lembrá-lo e, embora mais pobres com a sua partida tão sem aviso, esta será a minha homenagem ao Homem e ao Amigo! Darei sempre aqui testemunho do quanto aprendi consigo sobre a Amizade.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Momento Zero: Lisboa
Muitos atrasos! Foram bons para tomar o pulso à situação. Foram muitos anos sem andar de avião.
Tudo muito diferente em termos de procedimentos, em termos de instalações...
Na minha memória ainda não estão "destruídos" os aeroportos de Lourenço Marques, Beira, Nampula, Quelimane...
(Em Lourenço Marques, ir ao aeroporto ver os aviões era uma distracção domingueira.
Nesse tempo dizer adeus a alguém revestia-se de muita solenidade. Esperar, também. As distâncias não se transpunham à velocidade de um click! Os corações esfrangalhavam-se de saudades que não se "matavam" nunca. O factor surpresa também ajudava a criar um clima muito próprio da despedida e do reencontro. Os aviões eram transporte com muito para recear e caro.)
O que não mudou mesmo foi a sensação de perder o chão e ganhar o ar.
Lisboa ficava cá em baixo, toda enfeitada de luzes, umas fixas, outras a correrem velozmente a cidade.
A prenda já estava a ser desembrulhada...
Tudo muito diferente em termos de procedimentos, em termos de instalações...
Na minha memória ainda não estão "destruídos" os aeroportos de Lourenço Marques, Beira, Nampula, Quelimane...
(Em Lourenço Marques, ir ao aeroporto ver os aviões era uma distracção domingueira.
Nesse tempo dizer adeus a alguém revestia-se de muita solenidade. Esperar, também. As distâncias não se transpunham à velocidade de um click! Os corações esfrangalhavam-se de saudades que não se "matavam" nunca. O factor surpresa também ajudava a criar um clima muito próprio da despedida e do reencontro. Os aviões eram transporte com muito para recear e caro.)
O que não mudou mesmo foi a sensação de perder o chão e ganhar o ar.
Lisboa ficava cá em baixo, toda enfeitada de luzes, umas fixas, outras a correrem velozmente a cidade.
A prenda já estava a ser desembrulhada...
sábado, 16 de janeiro de 2010
Roto mais do que desfeito
"Los abrazos rotos" é o título do novo filme de Almodovar. Mais um título que choca, por acertar em cheio, na crueldade das relações humanas que todos, na vida, um dia ou outro, experimentamos.
Há abraços que se rompem como rompe o tecido velho e gasto de ter sido muito usado ou mesmo de estar guardado. E dói ver o pano que já foi um belo cortinado, ou um vestido de festa, perder o brilho e a utilidade, em fios cansados que já não se aguentam tecidos no mesmo trapo.
O trapo ganha uma nova vida. Mesmo roto, serve para limpar as janelas embaciadas da chuva. E, quando passa macio sobre o vidro gelado, entra a claridade! Bem-vinda seja a luz!
Ainda a propósito de abraços que se desfazem, que se rompem, ontem, numa entrevista ao "Boinas" o Carlos Pinto Coelho contou que houve telefones que emudeceram quando a televisão se desligou para ele.
É estranho, mas a vida está cheia de abraços desfeitos que guardamos, primeiro numa memória recente que dói. Depois, numa prateleira no fim do mundo. Raramente os deitamos fora que é o que devíamos fazer...
Há abraços que se rompem como rompe o tecido velho e gasto de ter sido muito usado ou mesmo de estar guardado. E dói ver o pano que já foi um belo cortinado, ou um vestido de festa, perder o brilho e a utilidade, em fios cansados que já não se aguentam tecidos no mesmo trapo.
O trapo ganha uma nova vida. Mesmo roto, serve para limpar as janelas embaciadas da chuva. E, quando passa macio sobre o vidro gelado, entra a claridade! Bem-vinda seja a luz!
Ainda a propósito de abraços que se desfazem, que se rompem, ontem, numa entrevista ao "Boinas" o Carlos Pinto Coelho contou que houve telefones que emudeceram quando a televisão se desligou para ele.
É estranho, mas a vida está cheia de abraços desfeitos que guardamos, primeiro numa memória recente que dói. Depois, numa prateleira no fim do mundo. Raramente os deitamos fora que é o que devíamos fazer...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
A borrasca
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Cinquenta e oito
Pois no dia seis, oscilei entre os oito e os trinta e oito. Não fui muito mais além! Obrigada a todos!
sábado, 2 de janeiro de 2010
O curto prazo
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Diz o MEC, hoje, no Público: "É um milagre. Ainda cá estou. Ainda cá estamos.É um milagre. Ainda cá estou. Ainda cá estamos. Foi bonita a primeira manhã do ano.
Já fui despedido duas vezes (do DN e do Expresso) e já enterrei dois títulos (O Independente e a K) dos quais fui parteiro. Mas nunca tinha sido prolongado. Era para escrever só durante um ano mas o PÚBLICO, depois de muitas insistências minhas, deixou-me ficar mais um ano inteirinho."A curto prazo, apetece-me viver assim, ao ritmo do pão de cada dia, do milagre de cada dia!
Há momentos em que basta esperar pela solução dos nossos problemas. A paciência activa é uma arma poderosa. Alia-se ao tempo e traz a vitória da verdade e da razão.
"Luar de janeiro não tem parceiro.", diz o Borda D'Água.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
Outros lados do Natal!
O Natal recupera quase sempre o melhor de cada um de nós. Remete-nos para o paraíso quase/talvez perdido de uma infância que se pressente cheia de futuro e de sentido de vida.
Atrás de Natal, Natal vem. O nosso próprio Natal/Menino parece esconder-se envergonhado de ainda querer sonhar.
Depois, pela vida fora, vamos experimentando vários Natais e é preciso reconhecê-los por um sabor, por um sino, por uma estrela... Por únicos que sejam os sinais de Natal, devemos dar-lhes a atenção que merecem e a oportunidade que procuram: acordar a Fantasia adormecida!
25 de Dezembro de 2009, Albufeira, Mamma Mia
Atrás de Natal, Natal vem. O nosso próprio Natal/Menino parece esconder-se envergonhado de ainda querer sonhar.
Depois, pela vida fora, vamos experimentando vários Natais e é preciso reconhecê-los por um sabor, por um sino, por uma estrela... Por únicos que sejam os sinais de Natal, devemos dar-lhes a atenção que merecem e a oportunidade que procuram: acordar a Fantasia adormecida!
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A todos, um bom Natal!
Os dias de Natal são normalmente marcados pela quietude e este não foge a essa regra. Daqui a pouco, fazemo-nos à estrada, eu e o Jorge, ela também, habitualmente, quieta e só, mas de uma solidão que só dói se uma outra dor qualquer se impõe. Só por si, esta solidão de Natal acompanha um sentimento próprio da época, seja-se ou não cristão. Eu gosto muito do significado essencial do Natal. A cena do presépio é sem dúvida uma atracção para os nossos sentimentos, para as nossas emoções. Parece que o sentido da Vida ganha força e se estabelece para lá de todo o mal que o mundo conhece.
Para todos, um Bom Natal!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Inverno. Próxima Estação...
Há correspondência com a Linha da Primavera, onde poderão desaguar em ninhos de passarinhos, chilreadas de ensurdecer, cheiros de criar espirros, cores de entontecer.
Chegámos, finalmente, à estação dos dias pequenos e das noites sem fim.
O Outono foi a longa viagem. Agora já cá estamos e é só pegar em tudo o que o tempo dá de melhor e aquecer a alma. Primeiro, o Natal. O súbito desejo de acreditar que a magia funciona e que nos devolve a esperança. Depois o novo ano, este já de si tão embrulhado na ideia da renovação.
Chegámos ao Inverno. Próxima estação: Primavera!
Vista da minha janela, virada para a Ponte Vasco da Gama: primeiro, a minha rua; depois os campos ajardinados e semeados de prédios, candeeiros e frágeis árvores que se esticam até ao céu mais próximo; depois, a circular; do lado de lá da circular, há espaço que seria lindo se revestido de verde... Mas não! A maioria das vezes é fumo das fábricas próximas. Ou restos delas. Finalmente a linha recta que se ajeita paralela ao horizonte e se enfeita de muitas luzes. Não por ser Natal, mas porque pertence já ao caminho que nos leva a sobrevoar o rio em alcatrão sobre a água. Depois, ainda há mais casario...
Chegámos, finalmente, à estação dos dias pequenos e das noites sem fim.
O Outono foi a longa viagem. Agora já cá estamos e é só pegar em tudo o que o tempo dá de melhor e aquecer a alma. Primeiro, o Natal. O súbito desejo de acreditar que a magia funciona e que nos devolve a esperança. Depois o novo ano, este já de si tão embrulhado na ideia da renovação.
Chegámos ao Inverno. Próxima estação: Primavera!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Os Dias da Televisão
Cresci sem televisão e isso fez de mim uma pessoa diferente: mais "saloia", mais ingénua...A caixinha mágica maravilhou-me, emocionou-me intensamente, como maravilhou todos os que não a conheceram à saída da maternidade, como aconteceu, certamente, com a maioria dos que me estão a ler.
O primeiro aparelho de televisão que eu vi foi levado da "Metrópole" para Lourenço Marques, pela minha tia, quando regressou, depois de quatro anos de ausência em Lisboa. Não funcionava, claro! e pergunto-me a razão pela qual o terá levado. Com esperança de ainda o vir a usar? Talvez em nome da companhia das noites de Inverno? Talvez em nome de um apego qualquer que temos às coisas, quando obtê-las não está ao alcance rápido e imediato da nossa vontade?
Não sei. Levou o aparelho de televisão cujo ecrã parecia uma lente dos óculos dos muito míopes, mas em grande...
E eu, só vi televisão, pela primeira vez, em Lisboa, quando vim para a Faculdade.
Fiquei num Lar de Estudantes (freiras) no Lumiar onde já estava a minha amiga Zé, que tinha vindo para Direito. Fiquei num quarto de três e tínhamos em comum a distância e a saudade e com isso fizemos uma imensa amizade que perdura e se mantém, "para lá de" e "apesar de". Somos irmãs de coração, para o bem e para o mal.
No piso onde ficavam o nosso quarto e outro, havia a sala da televisão, onde se apinhavam normalmente as "ultramarinas", raparigas no grau zero do conhecimento e da convivência com aquele aparelho mágico.
Se havia festival da canção ou outro evento igualmente importante para a época a sala transbordava porque as "metropolitanas" também queriam ver, mesmo sem esbugalharem os olhos de deleite. Só no Verão, ou assim que o tempo começava a dar autorização aos casacos, para ficarem em casa e às botas, para dormirem nos armários, os namoricos do bairro faziam alguma concorrência à caixinha que alimentava a fantasia adolescente. Mas ela lá continuava, indiferente a estas traições, sabendo que irremediavelmente nos aproximaríamos dela, de novo. Mesmo a preto e branco, sem efeitos nenhuns, especiais ou outros, era a Rainha das nossas Vidas.
Veio tudo isto a propósito de ter lido no Leme que a taxa da televisão tinha conhecido o seu fim, a 13 de Dezembro de 1990, pela mão de Cavaco Silva, então PM.
É que não era comprar, trazer para casa e mais nada. Era preciso registar o aparelho não fosse ele transviar-se, fugir para o Estrangeiro ou coisa do género! E fazer prova de vida. Não havia televisão nenhuma abandonada em vão de escada.
O primeiro aparelho de televisão que eu vi foi levado da "Metrópole" para Lourenço Marques, pela minha tia, quando regressou, depois de quatro anos de ausência em Lisboa. Não funcionava, claro! e pergunto-me a razão pela qual o terá levado. Com esperança de ainda o vir a usar? Talvez em nome da companhia das noites de Inverno? Talvez em nome de um apego qualquer que temos às coisas, quando obtê-las não está ao alcance rápido e imediato da nossa vontade?
Não sei. Levou o aparelho de televisão cujo ecrã parecia uma lente dos óculos dos muito míopes, mas em grande...
E eu, só vi televisão, pela primeira vez, em Lisboa, quando vim para a Faculdade.
Fiquei num Lar de Estudantes (freiras) no Lumiar onde já estava a minha amiga Zé, que tinha vindo para Direito. Fiquei num quarto de três e tínhamos em comum a distância e a saudade e com isso fizemos uma imensa amizade que perdura e se mantém, "para lá de" e "apesar de". Somos irmãs de coração, para o bem e para o mal.
No piso onde ficavam o nosso quarto e outro, havia a sala da televisão, onde se apinhavam normalmente as "ultramarinas", raparigas no grau zero do conhecimento e da convivência com aquele aparelho mágico.
Se havia festival da canção ou outro evento igualmente importante para a época a sala transbordava porque as "metropolitanas" também queriam ver, mesmo sem esbugalharem os olhos de deleite. Só no Verão, ou assim que o tempo começava a dar autorização aos casacos, para ficarem em casa e às botas, para dormirem nos armários, os namoricos do bairro faziam alguma concorrência à caixinha que alimentava a fantasia adolescente. Mas ela lá continuava, indiferente a estas traições, sabendo que irremediavelmente nos aproximaríamos dela, de novo. Mesmo a preto e branco, sem efeitos nenhuns, especiais ou outros, era a Rainha das nossas Vidas.
Veio tudo isto a propósito de ter lido no Leme que a taxa da televisão tinha conhecido o seu fim, a 13 de Dezembro de 1990, pela mão de Cavaco Silva, então PM.
É que não era comprar, trazer para casa e mais nada. Era preciso registar o aparelho não fosse ele transviar-se, fugir para o Estrangeiro ou coisa do género! E fazer prova de vida. Não havia televisão nenhuma abandonada em vão de escada.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Oh Christmas Tree
Como disse alguém, se o Natal não estiver no nosso coração, não estará, certamente, debaixo de um ramo da árvore de Natal. Mas, enfim, não será por minha culpa que o natal vai deixar de estar assinalado simbolicamente cá em casa.
O meu critério maior é a simplicidade e, dentro da simplicidade, o meu gosto pessoal. Os enfeites que eu prefiro são as bolas de papel, com figuras antigas que nos remetem para um espírito de Natal menos corrompido pelo consumismo dos nossos dias.
Tenho um presépio de figuras muito simples, de barro (ou gesso, talvez!) que continuo a colocar ao pé da árvore. Tenho dois Meninos Jesus. Um deles partiu uma perna e eu não consegui deitá-lo fora, atacada pelo preconceito de estar a eliminar um Menino Jesus com uma deficiência. Então resolvi que ficariam os dois! Quer eu queira quer eu não queira, o Natal não se apresenta assim com um fenómeno isolado dos outros dias da vida.
Na literatura aprendemos grandes lições. Uma das mais belas lições sobre o significado do Natal, chegou-me pela escrita de Torga: O Natal do Garrinchas.
Ali está a ideia reconfortante que o Natal está no pensamento dos homens e em mais lado nenhum. Fiquei eterna admiradora do Garrinchas, pedinte que ousa fazer o papel de S. José, no presépio improvisado. num recanto de uma igreja.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Desafio de Natal
1. Eu já... escrevi a minha carta ao Pai Natal. Pedi-lhe um saco cheio de saúde para os meus...
2. Eu nunca... poderei deixar de pensar que é bem mais importante uma refeição em família do que as prendas.
3. Eu sei... que a magia do Natal existe mesmo.
4. Eu quero... o fim das guerras.
5. Eu sonho... com um mundo melhor, apesar de já ter idade para não me deixar embalar com cantigas...
(Obrigada, Isabel, por te teres lembrado de mim!)
2. Eu nunca... poderei deixar de pensar que é bem mais importante uma refeição em família do que as prendas.
3. Eu sei... que a magia do Natal existe mesmo.
4. Eu quero... o fim das guerras.
5. Eu sonho... com um mundo melhor, apesar de já ter idade para não me deixar embalar com cantigas...
(Obrigada, Isabel, por te teres lembrado de mim!)
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Those were the days...
Arrumações em dia feriado. Um clássico!
Só que as arrumações não são inócuas.
(Ou "inoques" como diz o texto do Vitorino Nemésio, palavra que levou a tribunal dois homens bons, reconciliados pelo juiz que percebeu a proximidade da palavra arguida!)
As arrumações trazem-nos aos olhos e à pele um tempo que é nosso, tão nosso que só dentro de nós parece fazer sentido.
Quem é que se interessa com a nossa juventude guardada nos cabelos brancos da nossa mãe? Nos nossos próprios cabelos brancos? No olhar sedutor de um jovem pai que já partiu?
Numa gaveta encontrei a minha caderneta do liceu. Lá está o registo das minhas "glórias" e dos minhas "fraquezas". AS notas de Ciências são a nódoa maior. Há por lá um sete que por sinal até está inflaccionado, pois menos do que sete nem dava para ir a exame. É que os pombos abertos ao meio em cima de uma bancada fria não conseguiam atrair a minha atenção. E a mineralogia então era o tédio mais absoluto. Sistemas de cristalização. Fugi a sete pés de um curso de Ciências por causa destes sistemas e outras classificações horrendas. Horrendo não era para mim o Adamastor. Até simpatizei com o Mostrengo que desaba em dor, ao contar a sua história de amor! A minha glória maior era, sem dúvida, a Matemática. Era simples. Mas o meu Muito Bom vinha sempre depois do Muito Bom das meninas exemplares. Como eu hoje entendo este critério das professoras! Como foi difícil para mim, na altura, lidar com as minhas insuficiências! Faltava-me o jeito para cantar, para dançar, para fazer ginástica, para desenhar... parecia que todos os talentos me faltavam. Nunca ninguém educa ninguém para o fracasso, para o insucesso. Só mesmo a Vida!
Nestas coisas de arrumações, apetece-me deitar tudo fora, mas hesito, pois sei que agarrada vai a própria vida, embalada nas recordações mais diversas...
Lembro-me sempre da cantiga popularizada por Mary Hopkins: Those were the days, my friend... We thought they'd never end...
Só que as arrumações não são inócuas.
(Ou "inoques" como diz o texto do Vitorino Nemésio, palavra que levou a tribunal dois homens bons, reconciliados pelo juiz que percebeu a proximidade da palavra arguida!)
As arrumações trazem-nos aos olhos e à pele um tempo que é nosso, tão nosso que só dentro de nós parece fazer sentido.
Quem é que se interessa com a nossa juventude guardada nos cabelos brancos da nossa mãe? Nos nossos próprios cabelos brancos? No olhar sedutor de um jovem pai que já partiu?
Numa gaveta encontrei a minha caderneta do liceu. Lá está o registo das minhas "glórias" e dos minhas "fraquezas". AS notas de Ciências são a nódoa maior. Há por lá um sete que por sinal até está inflaccionado, pois menos do que sete nem dava para ir a exame. É que os pombos abertos ao meio em cima de uma bancada fria não conseguiam atrair a minha atenção. E a mineralogia então era o tédio mais absoluto. Sistemas de cristalização. Fugi a sete pés de um curso de Ciências por causa destes sistemas e outras classificações horrendas. Horrendo não era para mim o Adamastor. Até simpatizei com o Mostrengo que desaba em dor, ao contar a sua história de amor! A minha glória maior era, sem dúvida, a Matemática. Era simples. Mas o meu Muito Bom vinha sempre depois do Muito Bom das meninas exemplares. Como eu hoje entendo este critério das professoras! Como foi difícil para mim, na altura, lidar com as minhas insuficiências! Faltava-me o jeito para cantar, para dançar, para fazer ginástica, para desenhar... parecia que todos os talentos me faltavam. Nunca ninguém educa ninguém para o fracasso, para o insucesso. Só mesmo a Vida!
Nestas coisas de arrumações, apetece-me deitar tudo fora, mas hesito, pois sei que agarrada vai a própria vida, embalada nas recordações mais diversas...
Lembro-me sempre da cantiga popularizada por Mary Hopkins: Those were the days, my friend... We thought they'd never end...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Uma Aventura Chamada Bali
Ele próprio deve ser um cão com ambição. Pelo menos, durante as mini-férias da Restauração, mostrou bem almejar sentar-se como as pessoas, utilizar os sofás, como as pessoas, ter mais direitos do que as próprias pessoas...
Foi mesmo uma aventura. Nunca sabíamos o que é que nos esperava na hora seguinte.
Mas a aventura teve mesmo um happy end: regressou, a Campo de Ourique, recuperado de uma mazela da qual estava a convalescer, cheio de energia, mais astuto e, porventura, menos educado. Educá-lo é função dos donos. Estragá-lo tem sempre a ver com avós ou com alguém que se faça passar por...
Não sei quem é Corey Ford, mas concordo com ele: Devidamente treinado, o homem pode ser o melhor amigo do cão!
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