Tanto que eu tinha desejado este momento. Tanto que eu tinha sonhado com o meu regresso a Moçambique, a Lourenço Marques, à casa da minha mãe, ao carinho dos meus amigos, ao convívio sempre alegre das minhas primas, ao "colo" dos meus avós, às conversas demoradas sobre a Vida, com o meu pai.
E agora que estava ali, no aeroporto, para seguir no avião da TAP, tudo o que eu queria era mesmo ficar. O namoro tinha começado há tão pouco tempo! Queria ficar e continuar a namorar.
Uns tempos antes, eu tinha preparado esta viagem com muito entusiasmo. Queria revisitar os meus lugares. Queria sentir as minhas praias, apanhar ameijoa na Costa do Sol, comer camarões na Nacional, "bater-me" com os bifes da Princesa que tanto tinham contribuído para a minha rápida convalescença da tifóide. Queria beber as coca-colas todas que não tinha bebido nos dois anos que me separavam de "mim". Queria sorvetes da Cooperativa e sentir a inspiração das noites do Zambi...
Agora, só queria ficar!
Mas não podia ficar. E lá estivemos os quatro: a Dulce, o Rui, o Jorge e eu, até ao último momento que nos deixaram ficar na zona mítica das despedidas. (Hoje fala-se em check in e check out e o romantismo da despedida e dos reencontros passou a disfarçar-se de normalidade!)
Catorze horas depois, eu e a Dulce desembarcámos em Lourenço Marques. E não havia telemóveis, não havia Skypes, não havia nada. Havia saudades que mudavam de dono…
Agosto de 1973: eu, em Nampula; o Jorge, em Veneza!











