Eu gostava do verão, mas isso era dantes, quando o verão era todos os dias e o domingo era inesquecível: praia de manhã, caril ao almoço e matiné à tarde, no Gil Vicente, Manuel Rodrigues ou no Scala. Tanto prazer num dia só!
A praia era o ponto de encontro: os meus tios, as minhas primas, o meu pai, às vezes, a minha mãe, quase nunca. A água era quente. O senão era mesmo o perigo de algum tubarão passar por ali...
Chegavamos à praia e não havia dramas de estacionamentos, nem parques, nem orientadores à caça da moeda que, nos dias de hoje, vai sempre parar a algum lado.
Tudo chegava para todos: a praia, a areia, o mar....
Enquanto uns se desfaziam da pouca roupa que atrapalhava o sol de nos tocar na pele, o meu pai ensaiava o seu estilo do protagonista do filme "Aventura é aventura", sempre na esperança de agradar a alguma turista, de ganhar fama para lá da fronteira, de consolidar a que já tinha, ou simplesmente para não perder o jeito...
O meu tio sorria, ria.... Divertiam-se!
À hora do almoço já os ombros ardiam e a pele ganhava a cor da saúde.
Era hora de zarpar, que o resto do domingo estava ainda por viver.
O caril tinha ficado a apurar a manhã toda. Era só fazer o arroz, comer e chorar por mais.
O filme da tarde era o que fosse. Era um ritual domingueiro cumprido com o corpo a arder por uma boa causa: a beleza do tom.
Era deste verão que eu gostava...
sexta-feira, 20 de junho de 2014
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Hoje será sempre o dia dos teus anos, papá!
"Hoje será sempre o dia dos teus
anos, papá!"
Foi o que eu escrevi no Facebook, hoje,
pela manhã. Não porque seja necessário fazê-lo, para me lembrar de ti, para
sentir que tu continuas a andar por aqui. Continuas porque os genes assim o ditam e,
contra a ciência, nada feito! Ela ganha! Esta verdade científica dá-me
segurança e não tenho de me refugiar noutros “creres” para ter a certeza da tua
presença.
Todos os dias o teu retrato deambula
pelas minhas recordações, pela minha própria pessoa pois estou cada vez mais
parecida contigo, fisicamente.
Às vezes, é na vida dos
outros, é nos momentos que vamos repetindo, no tempo de hoje, que eu
te "encontro". Quando vou buscar os meus netos à escolinha, por exemplo, recordo o dia em que
chegaste mais tarde e a tua figura enorme nunca mais aparecia junto ao portão e
eu pensei que esse era o último dia da minha vida. Pois que é que eu podia fazer
sem ti ou sem a minha mãe? Quando finalmente chegaste, corri e as tuas pernas
eram tão grandes que era difícil o abraço, o colo…. Era preciso trepar.
(Por isso, "aflição" foi coisa que eu quis sempre que os meus filhos não sentissem. E agora com os netos será igual.)
(Por isso, "aflição" foi coisa que eu quis sempre que os meus filhos não sentissem. E agora com os netos será igual.)
Tu foste sempre um homem
grande e a tua altura não era apenas uma altura medida em metros. Tinhas uma
visão das coisas da vida muito certa, muito antes de chegarem até nós.
Juntavas a esta capacidade de prever, ver ao longe, uma filosofia de vida que
se baseva, digo eu, hoje, no mais profundo senso comum. E olha que o senso
comum não é qualidade que as pessoas gostem de proclamar! Todos querem ser originais. E
tu tinhas umas tantas frases feitas que, sendo ou não da tua autoria, sustentavam
a tua verdade sobre a vida. Por exemplo, o ditado “os cães ladram e a caravana
passa” era muito inspiradora para ti porque tu sabias (eu ainda não) que
devemos seguir os nossos caminhos, independentemente do que os outros acham ou
não. Mais ou menos isso.
Eras pessoa de grande
conversa e de grande companhia. Os teus interesses eram tão variados que
ninguém ficava indiferente ao que dizias. Sabias ouvir e isso era muito
importante para mim. Mesmo que não dissesses, eu percebia quando é que tu não
gostavas de alguma coisa que eu tivesse dito ou escrito.
Dois ou três dias antes da
tua partida (não consigo referir-me por outra palavra que não seja o
eufemismo!) falámos de nós, de mim e de ti, os dois, eu e tu, e eu fiquei muito feliz porque tu me disseste
que eu nunca te tinha dado problemas ou desgostos. Engoli em seco porque sabia que isso não era
bem assim, mas também percebi que na altura era o teu sentir: não havia nada
nas minhas escolhas, nos meus caminhos, que tivesse de ser severamente censurado.
segunda-feira, 26 de maio de 2014
A minha noite de Champions!
Apesar da tão propalada noite de champions ser alvo de atenção e curiosidade nas imediações do Estádio da Luz, podem crer que aqui em casa vivemos uma noite de champions à altura das emoções maiores que envolvem estes eventos.
As duas equipas chegaram à hora prevista, preparadas e equipadas para disputar o troféu apetecido: uma taça cheia de mimo. Foram recebidas com as habituais saudações: colos, beijinhos e mais beijinhos e xi-coração. O discurso também esteve à altura destes heróis:
- “gugudádá”! , pronunciou solenemente o Duarte
- “Espectacular!” , referiu a Joana, perante o público presente.
A primeira parte foi muito emocionante. A Joana esteve muito concentrada e comeu a sopa toda. Já o Duarte não se mostrava muito agradado nem com a velocidade, nem com a quantidade das colheradas da papa. E a primeira parte terminou com a natural vitória da Joana que conseguiu concretizar a oportunidade, com toda a “tranquilidade”, como diz Mister Paulo Bento.
Na segunda parte, o Duarte conseguiu dar a volta ao resultado. Um biberão bebido sem hesitações. Quanto à Joana, não conseguiu finalizar o frango e a gelatina escorregou para o lado do prato…. Fora de jogo! Duas oportunidades perdidas!
Resultado ao fim do tempo regulamentar: Joana - Um; Duarte - Um.
Não é preciso perceber muito de futebol para entender que para estas grandes ocasiões o empate não pode ser resultado final.
Haverá prolongamento, a pedido do público!
A noite de sábado já ia longa e estrelas tão preciosas precisam de fazer ó-ó!
As duas equipas chegaram à hora prevista, preparadas e equipadas para disputar o troféu apetecido: uma taça cheia de mimo. Foram recebidas com as habituais saudações: colos, beijinhos e mais beijinhos e xi-coração. O discurso também esteve à altura destes heróis:
- “gugudádá”! , pronunciou solenemente o Duarte
- “Espectacular!” , referiu a Joana, perante o público presente.
A primeira parte foi muito emocionante. A Joana esteve muito concentrada e comeu a sopa toda. Já o Duarte não se mostrava muito agradado nem com a velocidade, nem com a quantidade das colheradas da papa. E a primeira parte terminou com a natural vitória da Joana que conseguiu concretizar a oportunidade, com toda a “tranquilidade”, como diz Mister Paulo Bento.
Na segunda parte, o Duarte conseguiu dar a volta ao resultado. Um biberão bebido sem hesitações. Quanto à Joana, não conseguiu finalizar o frango e a gelatina escorregou para o lado do prato…. Fora de jogo! Duas oportunidades perdidas!
Resultado ao fim do tempo regulamentar: Joana - Um; Duarte - Um.
Não é preciso perceber muito de futebol para entender que para estas grandes ocasiões o empate não pode ser resultado final.
Haverá prolongamento, a pedido do público!
A noite de sábado já ia longa e estrelas tão preciosas precisam de fazer ó-ó!
quinta-feira, 8 de maio de 2014
No dia em que o Duarte completa quatro meses de idade....
Era uma vez uma História
-Era uma vez uma história que se chama assim mesmo: Era Uma Vez.
Era Uma Vez nasceu, numa casa grande, mesmo no centro de uma cidade muito velhinha, mas bastante apreciada pela sua beleza e História. O próprio edifício era muito antigo e ali tinham nascido já muitas histórias. Ou seja, bebés!
O pai e a mãe eram muito jovens e bonitos. E como acontece sempre, tinham muitos cuidados com o seu bebé Era Uma Vez.
Deitavam-no num bercinho e embalavam-no um bocadinho para que adormecesse, acreditando que mergulhar no sono, assim, era muito bom para ele. Às vezes, parecia as ondas do mar, as pequeninas, num balanço suave criado para inventar um sono profundo. Outras vezes, parecia uma árvore feliz escolhida pelas brisas meninas para abanar suavemente o bebé.
Era Uma Vez ia crescendo, cada vez mais redondinho e bonito. Um dia surpreendeu os jovens pais com um sorriso muito doce. Foi uma grande emoção e, a partir daquele dia, todos à sua roda buscavam um novo sorriso que aparecia sempre. Era tão rasgado que os olhos pareciam ficar mais fechados, mais pequeninos. Os grandes pediam mais sorrisos e o pequenino Era Uma Vez parecia ter nascido para espalhar pozinhos de perlimpimpim, ou seja, doses pequeninas mas valiosas de alegria, por todos os que o rodeavam.
Certa manhã, aproximou-se do bercinho uma outra criança. Talvez fosse uma Princesa daquelas que enchem as histórias….
E o bebé Era Uma Vez presenteou-a com um sorriso ainda maior.
Uma das Fadas, daquelas de verdade que andavam sempre por perto, reparou naquele instante e considerou que estava na altura de abençoar o menino Era Uma Vez. Permaneceu de pé alguns momentos, tirou a varinha mágica que andava escondida no chapéu e disse:
- Que este sorriso lindo e doce te acompanhe pela vida fora!
E foi assim, que o bebé Era Uma Vez, foi abençoado!
Os pais sentiram que alguma coisa de muito importante se estava a passar no quartinho dos bebés, mas quando lá chegaram a Fada escondeu-se dentro do baú dos brinquedos…
A Princesa tinha sido a única testemunha daquele baptismo e ainda foi a tempo de esconder a varinha de condão na gaveta das fraldas e dos cremes.
Como tudo estava bem, os papás regressaram às suas tarefas!
Era Uma Vez nasceu, numa casa grande, mesmo no centro de uma cidade muito velhinha, mas bastante apreciada pela sua beleza e História. O próprio edifício era muito antigo e ali tinham nascido já muitas histórias. Ou seja, bebés!
O pai e a mãe eram muito jovens e bonitos. E como acontece sempre, tinham muitos cuidados com o seu bebé Era Uma Vez.
Deitavam-no num bercinho e embalavam-no um bocadinho para que adormecesse, acreditando que mergulhar no sono, assim, era muito bom para ele. Às vezes, parecia as ondas do mar, as pequeninas, num balanço suave criado para inventar um sono profundo. Outras vezes, parecia uma árvore feliz escolhida pelas brisas meninas para abanar suavemente o bebé.
Era Uma Vez ia crescendo, cada vez mais redondinho e bonito. Um dia surpreendeu os jovens pais com um sorriso muito doce. Foi uma grande emoção e, a partir daquele dia, todos à sua roda buscavam um novo sorriso que aparecia sempre. Era tão rasgado que os olhos pareciam ficar mais fechados, mais pequeninos. Os grandes pediam mais sorrisos e o pequenino Era Uma Vez parecia ter nascido para espalhar pozinhos de perlimpimpim, ou seja, doses pequeninas mas valiosas de alegria, por todos os que o rodeavam.
Certa manhã, aproximou-se do bercinho uma outra criança. Talvez fosse uma Princesa daquelas que enchem as histórias….
E o bebé Era Uma Vez presenteou-a com um sorriso ainda maior.
Uma das Fadas, daquelas de verdade que andavam sempre por perto, reparou naquele instante e considerou que estava na altura de abençoar o menino Era Uma Vez. Permaneceu de pé alguns momentos, tirou a varinha mágica que andava escondida no chapéu e disse:
- Que este sorriso lindo e doce te acompanhe pela vida fora!
E foi assim, que o bebé Era Uma Vez, foi abençoado!
Os pais sentiram que alguma coisa de muito importante se estava a passar no quartinho dos bebés, mas quando lá chegaram a Fada escondeu-se dentro do baú dos brinquedos…
A Princesa tinha sido a única testemunha daquele baptismo e ainda foi a tempo de esconder a varinha de condão na gaveta das fraldas e dos cremes.
Como tudo estava bem, os papás regressaram às suas tarefas!
É que a Joana, a tal Princesa, como adora assumir-se, gosta de contar uma história ao mano e começa assim: Era uma vez uma história....

quarta-feira, 7 de maio de 2014
Shiu...
Psiu....
Hoje é Dia do Silêncio! Shiu....
Há silêncios de ouro, mas há também há outros que se erguem como muros de pedra escura, intransponíveis.
Há silêncios bons que induzem o sono e o sonho, mas há outros que dão voz à solidão que grita, grita, grita pelo silêncio adentro.
Há silêncios necessários que guardam a noite, o sono e o sonho.
Há silêncios inúteis porque a humanidade já ensurdeceu.
Já todos vivemos alimentados de silêncios vários porque o medo os semeia, os rega, os faz crescer e os guarda...
Hoje é Dia do Silêncio! Shiu....
Há silêncios de ouro, mas há também há outros que se erguem como muros de pedra escura, intransponíveis.
Há silêncios bons que induzem o sono e o sonho, mas há outros que dão voz à solidão que grita, grita, grita pelo silêncio adentro.
Há silêncios necessários que guardam a noite, o sono e o sonho.
Há silêncios inúteis porque a humanidade já ensurdeceu.
Já todos vivemos alimentados de silêncios vários porque o medo os semeia, os rega, os faz crescer e os guarda...
domingo, 20 de abril de 2014
Happy Easter
Boa páscoa!
Votos do coelhinho que não percebe de orçamentos, nem de pensões, não conhece pessoas inconseguidas...
Mas tem reivindicações: não ir além da sua condição de brinquedo; permanecer em obras literárias de referência; continuar a ser chamado o Coelhinho da Páscoa e poder assim devorar os ovinhos de chocolate e as amêndoas.
Certo?
Assinado: o Coelhinho da Joana
Votos do coelhinho que não percebe de orçamentos, nem de pensões, não conhece pessoas inconseguidas...
Mas tem reivindicações: não ir além da sua condição de brinquedo; permanecer em obras literárias de referência; continuar a ser chamado o Coelhinho da Páscoa e poder assim devorar os ovinhos de chocolate e as amêndoas.
Certo?
Assinado: o Coelhinho da Joana
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Dia Mundial da Voz
Dia mundial da voz!
Da voz da razão e da voz do coração, da voz dos que não têm voz, não porque a voz lhes doa, mas porque se perde nas fronteiras da humanidade esquecida, da dignidade ignorada.
Dia da voz fraca e da voz forte. Pelo menos, na celebração de calendário, a democracia faz-se sentir.
Da voz grave e da voz aguda! Da voz que irrita os ouvidos e da voz que irrita as consciências e os costumes.
Da voz alta e da voz baixa. Esta é usada para fazer segredos com asas.
Da voz com que uns choram a dor e outros explodem a alegria.
Da voz que canta e da que grita.
Da voz que cala....
Certos de que a voz que cala nem sempre consente.
Da voz da razão e da voz do coração, da voz dos que não têm voz, não porque a voz lhes doa, mas porque se perde nas fronteiras da humanidade esquecida, da dignidade ignorada.
Dia da voz fraca e da voz forte. Pelo menos, na celebração de calendário, a democracia faz-se sentir.
Da voz grave e da voz aguda! Da voz que irrita os ouvidos e da voz que irrita as consciências e os costumes.
Da voz alta e da voz baixa. Esta é usada para fazer segredos com asas.
Da voz com que uns choram a dor e outros explodem a alegria.
Da voz que canta e da que grita.
Da voz que cala....
Certos de que a voz que cala nem sempre consente.
Esta voz eu ouço e ouço e ouço!
Mas tive o privilégio de a ouvir ao vivo, no Pavilhão Atlântico, em 2010.
A emoção em directo!
domingo, 6 de abril de 2014
Dia de domingo!
Dia de domingo! Muita reflexão!
Começou com o problema maior que me acode todos os dias: a ementa!
Felizmente há take away aberto ao domingo. E, com sorte, ainda encontramos uma amiga com quem trocamos um blá-blá de jeito, com direito a promessa de continuação "um dia destes", longe do cheiro dos frangos e da impaciência das senhas de atendimento. "A senhora é o 18?"
Depois do almoço, resolvi pôr em dia a televisão e ocupei rapidamente o sofá, antes que a tv começasse a dar bola e mais bola.
Escolhi então: Alta Definição, Diogo Infante.
Desculpem a presunção da recomendação: não percam.
Não percam sobretudo o que o Diogo Infante diz sobre o filho, sobre a experiência da adopção, sobre a coragem dos miúdos que vivem numa instituição e estão à espera que os venham buscar. Quem os virá buscar? Como é que eles (pai e filho/ Diogo e Filipe) resolveram a atrapalhação dos primeiros momentos do primeiro encontro. O filho disse: "Eu não gosto de polvo!" (Boa, miúdo! Soubeste dizer uma coisa porque só era preciso dizer uma coisa!)
O pai conta como é atender o telefone e dizerem-lhe que o filho está lá à sua espera. A partir daquele momento ele não espera outro, nem mais bonito, nem mais pequenino, nem mais loiro, nem mais nada. Aquele miúdo é o seu filho! Isto é um parto, sem tirar nem pôr!
A emoção feliz tinha-se instalado em mim.
Mas.... chego ao computador e vejo a notícia da morte de Manuel Forjaz!
E a emoção feliz diluiu-se completamente no choque que não devia ser choque mas foi. Caramba! O homem parecia dominar a vida, tratar o cancro por tu. O seu testemunho injectava esperança!
Apesar de ter perdido esta batalha, sem dúvida deixou ficar uma lição, um ensinamento: é preciso continuar a vida, a de todos os dias, com mais ou menos limitação, mas viver vida a sério!
Obrigada, Manuel Forjaz por este ensinamento!
Começou com o problema maior que me acode todos os dias: a ementa!
Felizmente há take away aberto ao domingo. E, com sorte, ainda encontramos uma amiga com quem trocamos um blá-blá de jeito, com direito a promessa de continuação "um dia destes", longe do cheiro dos frangos e da impaciência das senhas de atendimento. "A senhora é o 18?"
Depois do almoço, resolvi pôr em dia a televisão e ocupei rapidamente o sofá, antes que a tv começasse a dar bola e mais bola.
Escolhi então: Alta Definição, Diogo Infante.
Desculpem a presunção da recomendação: não percam.
Não percam sobretudo o que o Diogo Infante diz sobre o filho, sobre a experiência da adopção, sobre a coragem dos miúdos que vivem numa instituição e estão à espera que os venham buscar. Quem os virá buscar? Como é que eles (pai e filho/ Diogo e Filipe) resolveram a atrapalhação dos primeiros momentos do primeiro encontro. O filho disse: "Eu não gosto de polvo!" (Boa, miúdo! Soubeste dizer uma coisa porque só era preciso dizer uma coisa!)
O pai conta como é atender o telefone e dizerem-lhe que o filho está lá à sua espera. A partir daquele momento ele não espera outro, nem mais bonito, nem mais pequenino, nem mais loiro, nem mais nada. Aquele miúdo é o seu filho! Isto é um parto, sem tirar nem pôr!
A emoção feliz tinha-se instalado em mim.
Mas.... chego ao computador e vejo a notícia da morte de Manuel Forjaz!
E a emoção feliz diluiu-se completamente no choque que não devia ser choque mas foi. Caramba! O homem parecia dominar a vida, tratar o cancro por tu. O seu testemunho injectava esperança!
Apesar de ter perdido esta batalha, sem dúvida deixou ficar uma lição, um ensinamento: é preciso continuar a vida, a de todos os dias, com mais ou menos limitação, mas viver vida a sério!
Obrigada, Manuel Forjaz por este ensinamento!
terça-feira, 1 de abril de 2014
Parabéns, filho!
Parabéns, filho!
Este momento e momentos iguais a este foram, sem dúvida, os melhores da minha Vida!
Lembro-me bem deste momento, deste cenário e das pessoas que éramos. Tudo o que eu queria na altura era que te sentisses bem, que não tivesses fome nem frio, nem calor nem nenhum mal-estar. Estávamos todos a ensaiar uma nova forma de vida!
Como há 39 anos, meu filho, desejo-te tudo: muitos sonhos e muita saúde!
Agora tens mais "gente" à roda do bolo, gente miúda mas muito importante.
Parabéns, titio!
domingo, 30 de março de 2014
Medos
O medo é difícil de confessar, de contar, porque ele mesmo é arrepiante. Se o deixamos sair e o pomos ao colo de alguém, ele irrita-se e esbraceja a ponto de saltar de novo para cima de nós, agarrando-se ainda mais, tomado ele mesmo, o medo que saltou e voltou, por um medo novo, extensão de si próprio.
É preciso tratar bem o medo, embalá-lo para que adormeça e permaneça adormecido durante muito, muito tempo.
Dica: o medo adormecido perde a força e quando acorda não é senão um farrapo que durante algum tempo parecia ter vida própria, pronto a dominar a existência dos escolhidos.
O medo é um parasita. Alimenta-se de esperança, da que nos corre nas veias, da que bombeia o coração e há que tratá-lo como tal! Eliminá-lo! reduzi-lo à insignificância de parasita.
O medo é o travão do progresso, um inibidor do crescimento, um cobarde traidor.
Quero-o longe de todos de quem gosto. Quero-o muito longe dos meus netos!
Leiam o Sérgio Godinho...
"Claro que a gente tem medo! (Como é que eram aqueles sinónimos? Susto, pavor pânico, cagaço...) Já imaginaram um bicho desconhecido?mNunca sabemos o que esperar dele. Morderá, não morderá? É venenoso? Feroz ou pachorrento? Traiçoeiro? E já agora, quantos são? Reproduzem-se muito? Invadem a terra? Trazem micróbios para dentro de casa? Doenças? Só atacam se são atacados? Ou atacam eles logo? Enfim, mil perguntas. Quando nãose conhece qualquer coisa a cabeça não pára de fazer perguntas. Não pára, a cabeça."
O Pequeno Livro dos Medos, Sérgio Godinho
É preciso tratar bem o medo, embalá-lo para que adormeça e permaneça adormecido durante muito, muito tempo.
Dica: o medo adormecido perde a força e quando acorda não é senão um farrapo que durante algum tempo parecia ter vida própria, pronto a dominar a existência dos escolhidos.
O medo é um parasita. Alimenta-se de esperança, da que nos corre nas veias, da que bombeia o coração e há que tratá-lo como tal! Eliminá-lo! reduzi-lo à insignificância de parasita.
O medo é o travão do progresso, um inibidor do crescimento, um cobarde traidor.
Quero-o longe de todos de quem gosto. Quero-o muito longe dos meus netos!
Leiam o Sérgio Godinho...
"Claro que a gente tem medo! (Como é que eram aqueles sinónimos? Susto, pavor pânico, cagaço...) Já imaginaram um bicho desconhecido?mNunca sabemos o que esperar dele. Morderá, não morderá? É venenoso? Feroz ou pachorrento? Traiçoeiro? E já agora, quantos são? Reproduzem-se muito? Invadem a terra? Trazem micróbios para dentro de casa? Doenças? Só atacam se são atacados? Ou atacam eles logo? Enfim, mil perguntas. Quando nãose conhece qualquer coisa a cabeça não pára de fazer perguntas. Não pára, a cabeça."
O Pequeno Livro dos Medos, Sérgio Godinho
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
É Carnaval!
O Carnaval sempre me soou a samba com hora marcada, com riso agendado, música pré-triste, antecipação de quaresma, tempo de jejum, sacrifício e dor...
No entanto, devo reconhecer que há um lado do carnaval que é genuinamente alegre: o das crianças que se mascaram e muitas delas, sem terem sequer conhecimento perfeito das várias identidades que vamos assumindo ao longo da vida, vestem com um fato de super-homem toda a força da coragem. Uma coragem que supera os limites do fraco corpo que sustenta a nossa verdadeira identidade. Uma coragem que fica ao serviço da humanidade.
O que há mais por aí é disfarces de Super-homem, ou heróis do mesmo género, o que deve querer dizer que todos ambicionamos corrigir o que está errado no mundo, nem que para isso seja preciso fazer o planeta rodar em sentido contrário.
Gosto de ver, como há pouco, um "enxame" "de abelhas maias" de vários tamanhos! Gosto de ver pandas e palhacinhos, leões e joaninhas, morangos e princesas.
Já não entra no meu registo de brincadeira carnavalesca a clássica mudança de sexo com a exaltação do ridículo que vem agarrada!
Não sei se vem a propósito mas acode-me à memória um texto de José Gomes Ferreira a que ele mesmo chamou "infância estragada" em que chama pelas azedas, chora de saudade pelas caretas que provocavam e grita: Onde estão as azedas da minha infância? Tragam-me azedas. Quero morrer a fazer caretas!
Eu também!
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Manos!
Muito se escreve sobre o amor dos irmãos. Há teorias e teorias sobre a maneira como este amor cresce.
Agora é a "nossa" vez ( pais, tios e avós) de perceber como é que este amor engorda e cresce, como eles próprios, os irmãos.
Como muitas vezes percebi, os livros ensinam muito sobre as pessoas: sob a capa da ficção, as verdades impõem-se. Um desses livros, li-o há muitos anos. Da autora Alice Vieira, Rosa Minha Irmã Rosa. A Mariana, de dez anos, é surpreendida pela notícia da chegada de um, ou uma, irmão, ou irmã.
A partir do momento do nascimento, as novas situações e as novas sensações multiplicam-se e a Mariana tem de aprender a lidar com toda a novidade, com o que até aí era desconhecido.
Até o espaço que a pequenina Rosa ocupa é incompreensível para a Mariana. São 50 cm de gente e tantas gavetas ocupadas!
Não é fácil dividirmos, partilharmos os nossos bens. Como é que se abdica de metade da atenção daqueles que são o nosso mundo, a nossa vida?
Será que esta dificuldade se apresenta assim nas cabecinhas dos manos mais velhos, de modo tão "explicado"? Provavelmente, não!
Talvez um dia possa falar sobre isto com os meus netos e recordar-lhes estes lindos momentos da vida da família mais próxima. Que me dera que sim! Não se lembrarão do que sentem hoje mas saberão então o verdadeiro valor de uma companhia que vai fazer parte de todos os natais, aniversários e outros momentos importantes.
Saberão então que são a melhor e mais verdadeira companhia um do outro por tudo o que têm em comum, sobretudo o que toca aos afectos: a mesma mamã, o mesmo papá, os mesmos avós e tios.
Agora é a "nossa" vez ( pais, tios e avós) de perceber como é que este amor engorda e cresce, como eles próprios, os irmãos.
Como muitas vezes percebi, os livros ensinam muito sobre as pessoas: sob a capa da ficção, as verdades impõem-se. Um desses livros, li-o há muitos anos. Da autora Alice Vieira, Rosa Minha Irmã Rosa. A Mariana, de dez anos, é surpreendida pela notícia da chegada de um, ou uma, irmão, ou irmã.
A partir do momento do nascimento, as novas situações e as novas sensações multiplicam-se e a Mariana tem de aprender a lidar com toda a novidade, com o que até aí era desconhecido.
Até o espaço que a pequenina Rosa ocupa é incompreensível para a Mariana. São 50 cm de gente e tantas gavetas ocupadas!
Não é fácil dividirmos, partilharmos os nossos bens. Como é que se abdica de metade da atenção daqueles que são o nosso mundo, a nossa vida?
Será que esta dificuldade se apresenta assim nas cabecinhas dos manos mais velhos, de modo tão "explicado"? Provavelmente, não!
Talvez um dia possa falar sobre isto com os meus netos e recordar-lhes estes lindos momentos da vida da família mais próxima. Que me dera que sim! Não se lembrarão do que sentem hoje mas saberão então o verdadeiro valor de uma companhia que vai fazer parte de todos os natais, aniversários e outros momentos importantes.
Saberão então que são a melhor e mais verdadeira companhia um do outro por tudo o que têm em comum, sobretudo o que toca aos afectos: a mesma mamã, o mesmo papá, os mesmos avós e tios.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Gerir o tempo!
A gestão do tempo é sempre tão difícil. Daí o sucesso dos horários, dos planos, dos projectos, das combinações, dos convites a longo prazo. Sabemos tantas vezes que as coisas que combinamos nunca se realizarão.
Um dia voltamos à nossa terra. Quando? Nunca! Nunca é tempo.
Sinto o tempo que corre como se fosse um longo fim-de-semana...
Os dias parecem iguais, mas não são, porque há ritmos da vida fora de casa que marcam as datas ou pelo menos os dias da semana. Os meus dias não são iguais por fora, mas são iguais por dentro. É preciso vestir os dias com roupa de semana, mais formal, menos formal, mais casual ou, se for já noite, vestir um pijama para o dia ir dormir.
Por dentro é tudo igual: monotonia!
Dantes, os fins-de-semana terminavam sempre num afã de tarefas que estavam à espera desde o primeiro momento. Perseguiam-me e inquietavam-me, mas só lhes dava ouvidos, olhos e mãos, no tempo limite, no fim do fim-de-semana, no domingo à noite. E o tempo escoava-se à velocidade da luz e, se era mesmo para acabar, acabava-se fosse a que horas fosse.
Receio que o mesmo se passe agora. Só que quando chegar o domingo à noite, o dia seguinte não será segunda-feira, nem muito menos dia de trabalho.
A gestão do tempo é sempre tão difícil....
Um dia voltamos à nossa terra. Quando? Nunca! Nunca é tempo.
Sinto o tempo que corre como se fosse um longo fim-de-semana...
Os dias parecem iguais, mas não são, porque há ritmos da vida fora de casa que marcam as datas ou pelo menos os dias da semana. Os meus dias não são iguais por fora, mas são iguais por dentro. É preciso vestir os dias com roupa de semana, mais formal, menos formal, mais casual ou, se for já noite, vestir um pijama para o dia ir dormir.
Por dentro é tudo igual: monotonia!
Dantes, os fins-de-semana terminavam sempre num afã de tarefas que estavam à espera desde o primeiro momento. Perseguiam-me e inquietavam-me, mas só lhes dava ouvidos, olhos e mãos, no tempo limite, no fim do fim-de-semana, no domingo à noite. E o tempo escoava-se à velocidade da luz e, se era mesmo para acabar, acabava-se fosse a que horas fosse.
Receio que o mesmo se passe agora. Só que quando chegar o domingo à noite, o dia seguinte não será segunda-feira, nem muito menos dia de trabalho.
A gestão do tempo é sempre tão difícil....
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Chegou o Duarte!
O Duarte chegou.
O voo atrasou mas a cegonha aterrou às 22.54, do dia 8, no sítio do costume, onde os papás estavam à espera e onde puderam deleitar-se com a emoção maior de serem pais, agora pela segunda vez, logo, com a mais valia da experiência.
A notícia correu via todos os meios ao alcance do papá e da Vovó Pipas que estava próxima, muito próxima do "desembarque", do coração da filha e daquela família que é uma extensão verdadeira de nós mesmos, avós!
A Joaninha já dormia porque o João Pestana não perdooa.
Estamos todos mais ricos de vida e muito felizes com a chegada do Duarte!
Uma vida linda, querido Duarte!
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Isto é Natal!
(A ouvir a melhor canção de natal de sempre: "War is over", que começa precisamente assim: So this is Christmas and what have you done. Isto é o Natal e o que é que fizeste.)
Se, por dá cá aquela palha me vêm os netos à fala, saltando do meu coração onde estão instaladíssimos, neste tempo de natal, nota-se ainda mais.
Com a Joaninha a dar os primeiros passos de dança e o Duarte a ensaiar o gosto pelo futebol que deve estar já a correr-lhe nas veias...
É muito bom sentir um gene, que estava esquecido lá para trás, rodopiar nas brincadeiras da Joaninha, hoje, e, amanhã, nas revelações do Duarte. Têm sido tantos e tão bons os momentos passados com ela, a Joaninha, que não é num registo de meia dúzia de linhas que se dá conta dessas emoções. Quando vamos buscá-la à creche, a emoção fica ao rubro com a corrida de braços abertos ao longo do corredor, com o som da alegria a condizer. No carro, depois das tormentosas instalações de cintos e fivelas, partimos para os curtos trajectos em grandes cantorias.
Obrigada, Joaninha, pela alegria que nos dás!
E tu, Duarte, deixa-te estar mais uns dias no quentinho da barriga da mamã e tão juntinho ao coração dela. Antecipamos as alegrias que nos vais dar e já apetece embalar-te...
Mas tudo a seu tempo!
Se, por dá cá aquela palha me vêm os netos à fala, saltando do meu coração onde estão instaladíssimos, neste tempo de natal, nota-se ainda mais.
Com a Joaninha a dar os primeiros passos de dança e o Duarte a ensaiar o gosto pelo futebol que deve estar já a correr-lhe nas veias...
É muito bom sentir um gene, que estava esquecido lá para trás, rodopiar nas brincadeiras da Joaninha, hoje, e, amanhã, nas revelações do Duarte. Têm sido tantos e tão bons os momentos passados com ela, a Joaninha, que não é num registo de meia dúzia de linhas que se dá conta dessas emoções. Quando vamos buscá-la à creche, a emoção fica ao rubro com a corrida de braços abertos ao longo do corredor, com o som da alegria a condizer. No carro, depois das tormentosas instalações de cintos e fivelas, partimos para os curtos trajectos em grandes cantorias.
Obrigada, Joaninha, pela alegria que nos dás!
E tu, Duarte, deixa-te estar mais uns dias no quentinho da barriga da mamã e tão juntinho ao coração dela. Antecipamos as alegrias que nos vais dar e já apetece embalar-te...
Mas tudo a seu tempo!
O Natal aqui ao pé....
O Natal aproxima-se.
Pé ante pé, sem ruídos, instala-se e traz consigo tudo o que lhe pertence, sobretudo uma inebriante dose de fantasia que nos deixa tontos de acreditar.
Acreditar que um destes dias o mundo fica todo do nosso lado e que vamos dar Vivas à Vida, só porque sim!
Acreditar que os que nos deixaram estão em sintonia connosco, ultrapassaram a barreira de todas as impossibilidades e que nos aguardam serenamente, apoiando-nos nos nossos empenhamentos.
Acreditar que as emoções emulsionadas formarão um todo gerador de um bem-estar universal!
Acreditar que o Natal vai do calendário direitinho aos corações de todos e que este pulsar colectivo será a banda sonora dos nossos dias.
Agradeço ao Espírito do Natal esta provocação de esperança!
Pé ante pé, sem ruídos, instala-se e traz consigo tudo o que lhe pertence, sobretudo uma inebriante dose de fantasia que nos deixa tontos de acreditar.
Acreditar que um destes dias o mundo fica todo do nosso lado e que vamos dar Vivas à Vida, só porque sim!
Acreditar que os que nos deixaram estão em sintonia connosco, ultrapassaram a barreira de todas as impossibilidades e que nos aguardam serenamente, apoiando-nos nos nossos empenhamentos.
Acreditar que as emoções emulsionadas formarão um todo gerador de um bem-estar universal!
Acreditar que o Natal vai do calendário direitinho aos corações de todos e que este pulsar colectivo será a banda sonora dos nossos dias.
Agradeço ao Espírito do Natal esta provocação de esperança!
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
A magia ajuda a crescer.
Há cento e doze anos nascia, na mítica terra dos sonhos, (que se tornam muitas vezes não tão bons como a palavra sugere), um bebé que viria a crescer alimentado por fantasia e magia: Walt Disney!Uma infância difícil marcada pelo carácter austero do pai viria a definir a fuga à realidade dura: aos dezasseis anos, embarcou para França onde passou um ano a conduzir ambulâncias da Cruz Vermelha!(Quem pode estar preparado, com tão tenra idade, para uma experiência em que a morte e a vida se confrontam a todo o instante com os seus limites!)A sua plataforma de lançamento no mundo do desenho foi o emprego numa agência de publicidade.As várias personagens que animaram a infância da minha geração foram "ter com ele" porque sabiam que daquele lápis saía a imortalidade do sonho, de um mundo faz-de-conta onde prevalece o bem a todo o custo.(Devia ser mesmo assim e às vezes até acredito que é!)Com as histórias infantis eu aprendi tudo, até a amar os defeitos dos meus filhos.Com o Dumbo. Só a mãe o achava bonito, lindo! E esse "achar" fê-lo avançar para o sucesso!É uma lição entre muitas!Eu cresci com os bonecos de Walt Disney, com as lições das histórias que nos faziam rir e chorar ao mesmo tempo.Tal como a Vida, a verdadeira, a real.
“Cegonha – Aqui está um bebé de olhos azuis, directamente do céu, para ti.”Um dia, a Mamã Jumbo recebeu, directamente da cegonha, o seu bebé elefante. Era lindo, sentia ela. Os outros animais do Circo, onde a Dona Jumbo vivia e trabalhava, porém, não achavam que a cria fosse particularmente bonita. Pelo contrário, troçavam por causa das suas grandes orelhas e começaram a chamar-lhe Dumbo….(Traduzido e adaptado do filme de Walt Disney)
Esta é a minha homenagem a Walt Disney, o responsável máximo pela instalação da fantasia e da magia no mundo moderno, nos mais variados suportes, desde o papel à alta tecnologia, passando pelo género maior, digo eu, o cinema de animação.
Esta é também uma homenagem ao meu pai que "traduzia" esta fantasia, pintando-a em quadros, na parede da enfermaria de pediatria.
E para completar esta série, eis que chegam os três porquinhos que guardam o espírito da fantasia há quase dez anos, neste espaço...
domingo, 10 de novembro de 2013
Dez anos!
Agradeço aos meus livrinhos (Divas, Banquete, Tia Árvore, Flamingo e Felismina) os bons momentos que têm trazido à minha/ nossa vida, ao longo destes dez anos, desde 8 de Novembro de 2003, para ser bem precisa!
Desde as ideias que me distraem de pensamentos sérios e pesados, que me trazem coragem para enfrentar os dias menos bons; passando por todo o processo de escrita e de partilha com o meu implacável crítico número um, o Jorge, imprescindível para a continuação das brincadeiras da escrita; passando pelas minhas amigas que não são implacáveis mas são sinceras e me corrigem o que há a corrigir, especialmente a Nini (Ana), a Marta e a Cristina; passando ainda por aquelas, muitas!, que gostam tanto de mim que dão tanto carinho às minhas palermices que uma vida inteira não chega para lhes agradecer. A amizade é uma inspiração superior, tal como todos os afectos. Claro que tenho de destacar as bênçãos da Vida, filhos (incluo a Sofia, com autorização da mãe que também alinha nestas coisas) e netos, contando já com o que a Cegonha traz no bico e está quase a chegar.
Agradeço aos meus livrinhos "os momentos de amizade inesquecíveis" (classificação da Teresa) que vivo nas apresentações/ lançamentos, rodeada de todos os que acorrem ao chamamento quase litúrgico de celebrar a Vida e essa mesma Amizade que nos une. Vêm dos quatro cantos dessa Vida: das minhas Áfricas distantes e inevitavelmente douradas de saudade boa, da minha pátria saloia que também criou raízes no meu coração e onde dei os mais importantes frutos, os meus filhos, até ao Presente rodeado de Tejo e que me obriga a agarrar a ponte todos os dias, ou quase. Às vezes mais do que uma vez por dia!!
Há ainda um cantinho dos meus afectos muito bem preenchido pelos alunos que ao longo de trinta e sete anos e meio me forneceram regularmente inspiração que transborda das primeiras idades.
Obrigada, livrinhos!
E porque os meus livrinhos não são só meus, mas resultam de uma parceria: obrigada, Nini, pela arte que enriquece as nossas brochuras e, sobretudo, a nossa ligação de adolescentes!
Desde as ideias que me distraem de pensamentos sérios e pesados, que me trazem coragem para enfrentar os dias menos bons; passando por todo o processo de escrita e de partilha com o meu implacável crítico número um, o Jorge, imprescindível para a continuação das brincadeiras da escrita; passando pelas minhas amigas que não são implacáveis mas são sinceras e me corrigem o que há a corrigir, especialmente a Nini (Ana), a Marta e a Cristina; passando ainda por aquelas, muitas!, que gostam tanto de mim que dão tanto carinho às minhas palermices que uma vida inteira não chega para lhes agradecer. A amizade é uma inspiração superior, tal como todos os afectos. Claro que tenho de destacar as bênçãos da Vida, filhos (incluo a Sofia, com autorização da mãe que também alinha nestas coisas) e netos, contando já com o que a Cegonha traz no bico e está quase a chegar.
Agradeço aos meus livrinhos "os momentos de amizade inesquecíveis" (classificação da Teresa) que vivo nas apresentações/ lançamentos, rodeada de todos os que acorrem ao chamamento quase litúrgico de celebrar a Vida e essa mesma Amizade que nos une. Vêm dos quatro cantos dessa Vida: das minhas Áfricas distantes e inevitavelmente douradas de saudade boa, da minha pátria saloia que também criou raízes no meu coração e onde dei os mais importantes frutos, os meus filhos, até ao Presente rodeado de Tejo e que me obriga a agarrar a ponte todos os dias, ou quase. Às vezes mais do que uma vez por dia!!
Há ainda um cantinho dos meus afectos muito bem preenchido pelos alunos que ao longo de trinta e sete anos e meio me forneceram regularmente inspiração que transborda das primeiras idades.
Obrigada, livrinhos!
E porque os meus livrinhos não são só meus, mas resultam de uma parceria: obrigada, Nini, pela arte que enriquece as nossas brochuras e, sobretudo, a nossa ligação de adolescentes!
sábado, 19 de outubro de 2013
Também dói!
Vale a pena ouvir Os Sinais, de Fernando Alves, sobre a proposta de rescisão por mútuo acordo, para os professores!
A juntar à ditadura da papelada inútil que, desculpem a redundância, em nada acrescenta o valor do processo de ensinar e aprender, vem agora a pressão para o professor sair por vontade falsamente própria.
De pouco me vale o contentamento de ter já saído, com alguns ferimentos, mas livre dos maiores desabamentos, escapando aos escombros por uma unha negra!
De pouco me vale, já que trinta e sete anos de vida não se desincrustam facilmente da vontade, nem da memória. Dói com dor de carne viva e não há anestesia que valha!
A juntar à ditadura da papelada inútil que, desculpem a redundância, em nada acrescenta o valor do processo de ensinar e aprender, vem agora a pressão para o professor sair por vontade falsamente própria.
De pouco me vale o contentamento de ter já saído, com alguns ferimentos, mas livre dos maiores desabamentos, escapando aos escombros por uma unha negra!
De pouco me vale, já que trinta e sete anos de vida não se desincrustam facilmente da vontade, nem da memória. Dói com dor de carne viva e não há anestesia que valha!
O tempo das janelas viradas para as rosas já passou!
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