quinta-feira, 24 de julho de 2014

No teu dia, Cidade!

À Sra Dona Lourenço Marques,
Querida Lourenço Marques, não sei onde fui buscar esta ideia de seres mulher com nome de homem…  Hoje e agora, serás.
A ideia nasceu após uma pergunta formulada à Música Amélia Muge, sobre a mudança do teu nome, se essa mudança traz alguma alteração aos laços estabelecidos contigo anteriormente. Nem ouvi mais nada. A pergunta entrou pelo meu ouvido directamente à minha memória e daí a ideia de te chamar senhora, de te considerar mulher.
És a minha mãe nova e bonita! És uma qualquer das minhas tias, todas elas mulheres com um capital de amor e de afecto sem limites nem plafonds. Crédito total. És qualquer das minhas amigas que cresceram comigo e continuam a acompanhar-me nas caminhadas ou mesmo nas corridas da vida. És a minha raiz, o meu ventre materno, a minha sensação de paraíso perdido, minha primeira infância intocável de memórias que não guardo senão em fotos e que me devolvem uma inconsciência do mal, do perigo. Espaço e tempo  plenos  de natureza luxuriante e sugestão de aventuras mil.
A minha memória primeira, catalogo-a num tamanho muito xxs, entre os dois e os três anos: uma mudança de colo, da minha mãe para a minha tia, que iria ser minha madrinha. Um carro parado, junto à Catedral.
És a minha avó Madalena, imensa como os seus olhos verdes, estes sim  verdes de esperança. Também mulher de amores incondicionais e com uma dedicação à família que a transformava na verdadeira matriarca, com poder conquistado e aumentado ao longo dos anos.
As minhas priminhas, meninas felizes que corriam pelo nosso jardim do Éden privativo, o quintal da Avó,  onde os canteiros das alfaces e dos melões, melancias, couves, batatas, árvores de todos os frutos, uns tanques imensos onde todos os dias as roupas brancas eram lavadas e estendidas em bases de ferro e arame a que chamávamos “coradoros” pelas duas mulheres da casa. Junto ao tanque…  a romãzeira dava romãs, nem sei em que altura do ano, pois o conceito de “ fruta da época”, no meu passado remoto, não existe.

Hoje é e será sempre o teu dia, Minha Cidade, a tal que eu sei que traí….
Fotografia do meu cunhado, Luís Boléo|

domingo, 20 de julho de 2014

Memórias

Tenho memórias muito vivas da minha infância e até dos desejos e sonhos de menina.
Algumas das "certezas" ainda hoje me faz em sorrir ...
Antes dos seis anos, acreditava  que quando atingisse essa idade maior, seria auto-suficiente. 
Podia até casar e começar a vida de mãe de família que era a minha ambição, tal como a Susaninha, amiga da Mafalda do Quino, que muito recentemente celebrou 82 anos. Sofri uma enorme desilusão quando, chegado o dia, não aconteceu nada. Não cresci magicamente os centímetros todos que me faltavam para ser pelo menos da altura da minha mãe.
Passados uns meses, levaram-me para uma escola  Que experiência horrível! Que rotina desgastante. E ainda por cima havia os castigos e eu, na primeira classe, apanhei muitos. A professora, uma senhora muito respeitada na cidade de Lourenço Marques era muito amiga do meu pai, mas a mim fez-me sofrer. Devo confessar que hoje lhe dou valor. Ensinou-me o valor do castigo...
Eu até achava que já sabia ler! Ela não acreditou em mim. Sofri uma humilhação tremenda.
Aprendi a apanhar os pedaços estilhaçados do sonho! Aprendi que a vida tem um curso e não há volta a dar.
 Agora queria continuar a dar a mão aos meus filhos, para os salvar de todos os perigos.
 Agora tenho netos e fico feliz por ser esta sensação tão diferente da responsabilidade dos filhos. São a doce sobremesa e prendem-me à vida pelo lado da brincadeira e do amor sem mais nada. Só amor.
 As crianças são os únicos seres que não descriminam os mais velhos. Lambuzam-nos de beijos como se a nossa pele fosse lisinha como a deles. Fazem-nos penteados como se os nossos cabelos fossem os das bonecas.
Hoje a Joana queria pôr-me a chucha no Skipe. Devia querer consolar-me já que, como ela diz : "A  Madalena ti dói-dói..."

domingo, 13 de julho de 2014

Those were the days .....

Claro que isto é saudade!
Ao longo da vida tenho balançado sempre entre este psicologicamente correcto de ter ou não ter saudade, ou melhor, dizer que se tem ou não tem saudade. Às vezes, até parece que "parece mal" falar de saudade. Porque é falar de passado que é algo que não se muda e não vale a pena "chover no molhado", para citar o nosso nobre povo.
Como em tudo, há quem ache que sim, quem ache que não e quem esteja sempre pronto a criticar a saudade alheia. Outra recolha da sabedoria popular; o velho, o rapaz e o burro.
Eu tenho saudade, sim, de tudo o que vivi. Mesmo que a minha infância não tenha sido muito  cor-de-rosa como gostava de tivesse sido, até o baloiço pendurado no quintal da minha avó me traz um tempo em que sonhava, coisa que já vai sendo difícil hoje. (Esse baloiço ainda me embala desilusões.) Tinha futuro, achava eu. E tinha mesmo! Este quintal era e será sempre o meu paradise lost porque ali vivi todos os afectos do mundo. E havia a certeza que todas as rejeições, entre os que ali moravam ou lá iam de visita, acabavam bem. Dei uma mordidela à minha prima Madalena para lhe mostrar que tinha as minhas armas, apesar de ser uma lingrinhas indefesa..... Desculpa, priminha! Levei o tau-tau da ordem e nunca mais se falou nem se mordeu o assunto.
Tenho saudades da minha adolescência, cheia de diários e segredos, bilhetinhos e namoros quase. E dos bailes dos Velhos Colonos, onde ninguém me vinha buscar para dançar e eu até agradecia porque era uma das minhas incompetências, entre outras....
Tenho saudades do tempo desta foto, da intensidade do namoro, de pensar que tinha de me conformar com a rivalidade do futebol, sobretudo no inverno,  e das voltas em bicicletas, prato forte do verão....
Apetece-me viajar no tempo e dizer à Madalena de então: Tens de ser forte!, que  é o que me dizem agora, vezes sem conta, como se houvesse alternativa, qualquer que seja o "campo" da vida a ser preenchido....

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Adeus aos tempos que já lá vão...

Eu gostava do verão, mas isso era dantes, quando o verão era todos os dias e o domingo era  inesquecível: praia de manhã, caril ao almoço e matiné à tarde, no Gil Vicente, Manuel Rodrigues ou no Scala. Tanto prazer num dia só!
A praia era o ponto de encontro: os meus tios, as minhas primas, o meu pai, às vezes, a minha mãe, quase nunca. A água era quente. O senão era mesmo o  perigo de algum tubarão passar por ali...
Chegavamos à praia e não havia dramas de estacionamentos, nem parques, nem orientadores à caça da moeda que, nos dias de hoje, vai sempre parar a algum lado.
Tudo chegava para todos: a praia, a areia, o mar.... 

Enquanto uns se desfaziam da pouca roupa que atrapalhava o sol de nos tocar na pele, o meu pai ensaiava o seu estilo do protagonista do filme "Aventura é aventura", sempre na esperança de agradar a alguma turista, de ganhar fama para lá da fronteira, de consolidar a que já tinha, ou simplesmente para não perder o jeito...
O meu tio sorria, ria.... Divertiam-se!
À hora do almoço já os ombros ardiam e a pele ganhava a cor da saúde.

Era hora de zarpar, que o resto do domingo estava ainda por viver.
O caril tinha ficado a apurar a manhã toda. Era só fazer o arroz, comer e chorar por mais.
O filme da tarde era o que fosse. Era um ritual domingueiro cumprido com o corpo a arder por uma boa causa: a beleza do tom.
Era deste verão que eu gostava...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Hoje será sempre o dia dos teus anos, papá!

"Hoje será sempre o dia dos teus anos, papá!"
Foi o que eu escrevi no Facebook, hoje, pela manhã. Não porque seja necessário fazê-lo, para me lembrar de ti, para sentir que tu continuas a andar por aqui. Continuas porque os genes assim o ditam e, contra a ciência, nada feito! Ela ganha! Esta verdade científica dá-me segurança e não tenho de me refugiar noutros “creres” para ter a certeza da tua presença.
Todos os dias o teu retrato deambula pelas minhas recordações, pela minha própria pessoa pois estou cada vez mais parecida contigo, fisicamente.
Às vezes, é na vida dos outros, é nos momentos que vamos repetindo, no tempo de hoje, que eu te "encontro". Quando vou buscar os meus netos à escolinha, por exemplo, recordo o dia em que chegaste mais tarde e a tua figura enorme nunca mais aparecia junto ao portão e eu pensei que esse era o último dia da minha vida. Pois que é que eu podia fazer sem ti ou sem a minha mãe? Quando finalmente chegaste, corri e as tuas pernas eram tão grandes que era difícil o abraço, o colo…. Era preciso trepar.
(Por isso, "aflição" foi coisa que eu quis sempre que os meus filhos não sentissem. E agora com os netos será igual.)
Tu foste sempre um homem grande e a tua altura não era apenas uma altura medida em metros. Tinhas uma visão das coisas da vida muito certa, muito antes de chegarem até nós. Juntavas a esta capacidade de prever, ver ao longe, uma filosofia de vida que se baseva, digo eu, hoje, no mais profundo senso comum. E olha que o senso comum não é qualidade que as pessoas gostem de proclamar! Todos querem ser originais. E tu tinhas umas tantas frases feitas que, sendo ou não da tua autoria, sustentavam a tua verdade sobre a vida. Por exemplo, o ditado “os cães ladram e a caravana passa” era muito inspiradora para ti porque tu sabias (eu ainda não) que devemos seguir os nossos caminhos, independentemente do que os outros acham ou não. Mais ou menos isso.
Eras pessoa de grande conversa e de grande companhia. Os teus interesses eram tão variados que ninguém ficava indiferente ao que dizias. Sabias ouvir e isso era muito importante para mim. Mesmo que não dissesses, eu percebia quando é que tu não gostavas de alguma coisa que eu tivesse dito ou escrito.
Dois ou três dias antes da tua partida (não consigo referir-me por outra palavra que não seja o eufemismo!) falámos de nós, de mim e de ti, os dois, eu e tu,  e eu fiquei muito feliz porque tu me disseste que eu nunca te tinha dado problemas ou desgostos.  Engoli em seco porque sabia que isso não era bem assim, mas também percebi que na altura era o teu sentir: não havia nada nas minhas escolhas, nos meus caminhos, que tivesse de ser severamente censurado.
Foi muito importante teres referido essa paz com que partias e teres-me deixado essa paz que me acompanha sempre.
 A gente vai falando, sim, papá? 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A minha noite de Champions!

Apesar da tão propalada noite de champions ser alvo de atenção e curiosidade nas imediações do Estádio da Luz, podem crer que aqui em casa vivemos uma noite de champions à altura das emoções maiores que envolvem estes eventos.
As duas equipas chegaram à hora prevista, preparadas e equipadas para disputar o troféu apetecido: uma taça cheia de mimo. Foram recebidas com as habituais saudações: colos, beijinhos e mais beijinhos e xi-coração. O discurso também esteve à altura destes heróis:
- “gugudádá”! , pronunciou solenemente o Duarte
- “Espectacular!” , referiu a Joana, perante o público presente.
A primeira parte foi muito emocionante. A Joana esteve muito concentrada e comeu a sopa toda. Já o Duarte não se mostrava muito agradado nem com a velocidade, nem com a quantidade das colheradas da papa. E a primeira parte terminou com a natural vitória da Joana que conseguiu concretizar a oportunidade, com toda a “tranquilidade”, como diz Mister Paulo Bento.
Na segunda parte, o Duarte conseguiu dar a volta ao resultado. Um biberão bebido sem hesitações. Quanto à Joana, não conseguiu finalizar o frango e a gelatina escorregou para o lado do prato…. Fora de jogo! Duas oportunidades perdidas!
Resultado ao fim do tempo regulamentar: Joana - Um; Duarte - Um.
Não é preciso perceber muito de futebol para entender que para estas grandes ocasiões o empate não pode ser resultado final.
Haverá prolongamento, a pedido do público!
A noite de sábado já ia longa e estrelas tão preciosas precisam de fazer ó-ó!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

No dia em que o Duarte completa quatro meses de idade....

Era uma vez uma História

-Era uma vez uma história que se chama assim mesmo: Era Uma Vez.
Era Uma Vez nasceu, numa casa grande, mesmo no centro de uma cidade muito velhinha, mas bastante apreciada pela sua beleza e História. O próprio edifício era muito antigo e ali tinham nascido já muitas histórias. Ou seja, bebés!
O pai e a mãe eram muito jovens e bonitos. E como acontece sempre, tinham muitos cuidados com o seu bebé Era Uma Vez.
Deitavam-no num bercinho e embalavam-no um bocadinho para que adormecesse, acreditando que mergulhar no sono, assim, era muito bom para ele. Às vezes, parecia as ondas do mar, as pequeninas, num balanço suave criado para inventar um sono profundo. Outras vezes, parecia uma árvore feliz escolhida pelas brisas meninas para abanar suavemente o bebé.
Era Uma Vez ia crescendo, cada vez mais redondinho e bonito. Um dia surpreendeu os jovens pais com um sorriso muito doce. Foi uma grande emoção e, a partir daquele dia, todos à sua roda buscavam um novo sorriso que aparecia sempre. Era tão rasgado que os olhos pareciam ficar mais fechados, mais pequeninos. Os grandes pediam mais sorrisos e o pequenino Era Uma Vez parecia ter nascido para espalhar pozinhos de perlimpimpim, ou seja, doses pequeninas mas valiosas de alegria, por todos os que o rodeavam.
Certa manhã, aproximou-se do bercinho uma outra criança. Talvez fosse uma Princesa daquelas que enchem as histórias….
E o bebé Era Uma Vez presenteou-a com um sorriso ainda maior.
Uma das Fadas, daquelas de verdade que andavam sempre por perto, reparou naquele instante e considerou que estava na altura de abençoar o menino Era Uma Vez. Permaneceu de pé alguns momentos, tirou a varinha mágica que andava escondida no chapéu e disse:
- Que este sorriso lindo e doce te acompanhe pela vida fora!
E foi assim, que o bebé Era Uma Vez, foi abençoado!
Os pais sentiram que alguma coisa de muito importante se estava a passar no quartinho dos bebés, mas quando lá chegaram a Fada escondeu-se dentro do baú dos brinquedos…
A Princesa tinha sido a única testemunha daquele baptismo e ainda foi a tempo de esconder a varinha de condão na gaveta das fraldas e dos cremes.
Como tudo estava bem, os papás regressaram às suas tarefas!

É que  a Joana, a tal Princesa, como adora assumir-se, gosta de contar uma história ao mano e começa assim: Era uma vez uma história....

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Shiu...

Psiu....
Hoje é Dia do Silêncio! Shiu....
Há silêncios de ouro, mas há também há outros que se erguem como muros de pedra escura,  intransponíveis.
Há silêncios bons que induzem o sono e o sonho, mas há outros que dão voz à solidão que grita, grita, grita pelo silêncio adentro.

Há silêncios necessários que guardam a noite, o sono e o sonho. 
Há silêncios inúteis porque a humanidade já ensurdeceu.
Já todos vivemos alimentados de silêncios vários porque o medo os semeia, os rega, os faz crescer e os guarda...

domingo, 20 de abril de 2014

Happy Easter

Boa páscoa!
Votos do coelhinho que não percebe de orçamentos, nem de pensões, não conhece pessoas inconseguidas... 
Mas tem reivindicações: não ir além da sua condição de brinquedo; permanecer em obras literárias de referência; continuar a ser chamado o Coelhinho da Páscoa e poder assim devorar os ovinhos de chocolate e as amêndoas.
Certo?
Assinado: o Coelhinho da Joana

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Dia Mundial da Voz

Dia mundial da voz!
Da voz da razão e da voz do coração, da voz dos que não têm voz, não porque a voz lhes doa, mas porque se perde nas fronteiras da humanidade esquecida, da dignidade ignorada.
Dia da voz fraca e da voz forte. Pelo menos, na celebração de calendário, a democracia faz-se sentir.
Da voz grave e da voz aguda! Da voz que irrita os ouvidos e da voz que irrita as consciências e os costumes. 
Da voz alta e da voz baixa. Esta é usada para fazer segredos com asas.
Da voz com que uns choram a dor e outros explodem a alegria. 
Da voz que canta e da que grita. 
Da voz que cala....
Certos de que a voz que cala nem sempre consente.
Esta voz eu ouço e ouço e ouço!
Mas tive o privilégio de a ouvir ao vivo, no Pavilhão Atlântico, em 2010.
A emoção em directo!


Dia Mundial da Voz

domingo, 6 de abril de 2014

Dia de domingo!

Dia de domingo! Muita reflexão!
Começou com o problema maior que me acode todos os dias: a ementa!
Felizmente há take away aberto ao domingo. E, com sorte, ainda encontramos uma amiga com quem trocamos um blá-blá de jeito, com direito a promessa de continuação "um dia destes", longe do cheiro dos frangos e da impaciência das senhas de atendimento. "A senhora é o 18?"
Depois do almoço, resolvi pôr em dia a televisão e ocupei rapidamente o sofá, antes que a tv começasse a dar bola e mais bola.
Escolhi então: Alta Definição, Diogo Infante.
Desculpem a presunção da recomendação: não percam.
Não percam sobretudo o que o Diogo Infante diz sobre o filho, sobre a experiência da adopção, sobre a coragem dos miúdos que vivem numa instituição e estão à espera que os venham buscar. Quem os virá buscar? Como é que eles (pai e filho/ Diogo e Filipe) resolveram a atrapalhação dos primeiros momentos do primeiro encontro. O filho disse: "Eu não gosto de polvo!" (Boa, miúdo! Soubeste dizer uma coisa porque só era preciso dizer uma coisa!)
O pai conta como é atender o telefone e dizerem-lhe que o filho está lá à sua espera. A partir daquele momento ele não espera outro, nem mais bonito, nem mais pequenino, nem mais loiro, nem mais nada. Aquele miúdo é o seu filho! Isto é um parto, sem tirar nem pôr!
A emoção feliz tinha-se instalado em mim.
Mas.... chego ao computador e vejo a notícia da morte de Manuel Forjaz!
E a emoção feliz diluiu-se completamente no choque que não devia ser choque mas foi. Caramba! O homem parecia dominar a vida, tratar o cancro por tu. O seu testemunho injectava esperança!
Apesar de ter perdido esta batalha, sem dúvida deixou ficar uma lição, um ensinamento: é preciso continuar a vida, a de todos os dias, com mais ou menos limitação, mas viver vida a sério!
Obrigada, Manuel Forjaz por este ensinamento!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Parabéns, filho!

Parabéns, filho!
Este momento e momentos iguais a este foram, sem dúvida, os melhores da minha Vida!
Lembro-me bem deste momento, deste cenário e das pessoas que éramos. Tudo o que eu queria na altura era que te sentisses bem, que não tivesses fome nem frio, nem calor nem nenhum mal-estar. Estávamos todos a ensaiar uma nova forma de vida! 
Como há 39 anos, meu filho, desejo-te tudo:  muitos sonhos e muita saúde! 
Agora tens mais "gente" à roda do bolo, gente miúda mas muito importante. 
Parabéns, titio!

domingo, 30 de março de 2014

Medos

O medo é difícil de confessar, de contar, porque ele mesmo é arrepiante. Se o deixamos sair e o pomos ao colo de alguém, ele irrita-se e esbraceja a ponto de saltar de novo para cima de nós, agarrando-se ainda mais, tomado ele mesmo, o medo que saltou e voltou, por um medo novo, extensão de si próprio.
É preciso tratar bem o medo, embalá-lo para que adormeça e permaneça adormecido durante muito, muito tempo.
Dica: o medo adormecido perde a força e quando acorda não é senão um farrapo que durante algum tempo parecia ter vida própria, pronto a dominar a existência dos escolhidos.
O medo é um parasita. Alimenta-se de esperança, da que nos corre nas veias, da que bombeia o coração e há que tratá-lo como tal! Eliminá-lo! reduzi-lo à insignificância de parasita.

O medo é o travão do progresso, um inibidor do crescimento, um cobarde traidor.
Quero-o longe de todos de quem gosto. Quero-o muito longe dos meus netos!
Leiam o Sérgio Godinho...
"Claro que a gente tem medo! (Como é que eram aqueles sinónimos? Susto, pavor pânico, cagaço...) Já imaginaram um bicho desconhecido?mNunca sabemos o que esperar dele. Morderá, não morderá? É venenoso? Feroz ou pachorrento? Traiçoeiro? E já agora, quantos são? Reproduzem-se muito? Invadem a terra? Trazem micróbios para dentro de casa? Doenças? Só atacam se são atacados? Ou atacam eles logo? Enfim, mil perguntas. Quando nãose conhece qualquer coisa a cabeça não pára de fazer perguntas. Não pára, a cabeça."
O Pequeno Livro dos Medos, Sérgio Godinho

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

É Carnaval!


O Carnaval sempre me soou a samba com hora marcada, com riso agendado, música pré-triste, antecipação de quaresma, tempo de jejum, sacrifício e dor... 
No entanto, devo reconhecer que há um lado do carnaval que é genuinamente alegre: o das crianças que se mascaram e muitas delas, sem terem sequer conhecimento perfeito das várias identidades que vamos assumindo ao longo da vida, vestem com um fato de super-homem toda a força da coragem. Uma coragem que supera os limites do fraco corpo que sustenta a nossa verdadeira identidade. Uma coragem que fica ao serviço da humanidade.
O que há mais por aí é disfarces de Super-homem, ou heróis do mesmo género, o que deve querer dizer que todos ambicionamos corrigir o que está errado no mundo, nem que para isso seja preciso fazer o planeta rodar em sentido contrário.
Gosto de ver, como há pouco, um "enxame" "de abelhas maias" de vários tamanhos! Gosto de ver pandas e palhacinhos, leões e joaninhas, morangos e princesas.
Já não entra no meu registo de brincadeira carnavalesca a clássica mudança de sexo com a exaltação do ridículo que vem agarrada!
Não sei se vem a propósito mas acode-me à memória um texto de José Gomes Ferreira a que ele mesmo chamou "infância estragada" em que chama pelas azedas, chora de saudade pelas caretas que provocavam e grita: Onde estão as azedas da minha infância? Tragam-me azedas. Quero morrer a fazer caretas!
Eu também!


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Manos!

Muito se escreve sobre o amor dos irmãos. Há teorias e teorias sobre a maneira como este amor cresce.
Agora é a "nossa" vez ( pais, tios e avós) de perceber como é que este amor engorda e cresce, como eles próprios, os irmãos.
Como muitas vezes percebi, os livros ensinam muito sobre as pessoas: sob a capa da ficção, as verdades impõem-se. Um desses livros, li-o há muitos anos. Da autora Alice Vieira, Rosa Minha Irmã Rosa. A Mariana, de dez anos, é surpreendida pela notícia da chegada de um, ou uma, irmão, ou irmã.
A partir do momento do nascimento, as novas situações e as novas sensações multiplicam-se e a Mariana tem de aprender a lidar com toda a novidade, com o que até aí era desconhecido.
 Até o espaço que a pequenina Rosa ocupa é incompreensível para a Mariana. São 50 cm de gente e tantas gavetas ocupadas!
Não é fácil dividirmos, partilharmos os nossos bens. Como é que se abdica de metade da atenção daqueles que são o nosso mundo, a nossa vida? 
Será que esta dificuldade se apresenta assim nas cabecinhas dos manos mais velhos, de modo tão "explicado"?  Provavelmente, não!
Talvez um dia possa falar sobre isto com os meus netos e recordar-lhes  estes lindos momentos da vida da família mais próxima. Que me dera que sim! Não se  lembrarão do que sentem hoje mas saberão então o verdadeiro valor de uma companhia que vai fazer parte de todos os natais, aniversários e outros momentos importantes.
Saberão então que  são a melhor e mais verdadeira companhia um do outro por tudo o que têm em comum, sobretudo o que toca aos afectos: a mesma mamã, o mesmo papá, os mesmos avós e tios. 
           

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Gerir o tempo!

A gestão do tempo é sempre tão difícil. Daí o sucesso dos horários, dos planos, dos projectos, das combinações, dos convites a longo prazo. Sabemos tantas vezes que as coisas que combinamos nunca se realizarão.
Um dia voltamos à nossa terra. Quando? Nunca! Nunca é tempo.
Sinto o tempo que corre como se fosse um longo fim-de-semana...
Os dias parecem iguais, mas não são, porque há ritmos da vida fora de casa que marcam as datas ou pelo menos os dias da semana. Os meus dias não são iguais por fora, mas são iguais por dentro. É preciso vestir os dias com roupa de semana, mais formal, menos formal, mais casual ou, se for já noite, vestir um pijama para o dia ir dormir.
Por dentro é tudo igual: monotonia!
Dantes, os fins-de-semana terminavam sempre num afã de tarefas que estavam à espera desde o primeiro momento. Perseguiam-me e inquietavam-me, mas só lhes dava ouvidos, olhos e mãos, no tempo limite, no fim do fim-de-semana, no domingo à noite. E o tempo escoava-se à velocidade da luz e, se era mesmo para acabar, acabava-se fosse a que horas fosse.
Receio que o mesmo se passe agora. Só que quando chegar o domingo à noite, o dia seguinte não será segunda-feira, nem muito menos dia de trabalho.
A gestão do tempo é sempre tão difícil....


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Chegou o Duarte!

O Duarte chegou. 
O voo atrasou mas a cegonha aterrou às 22.54, do dia 8, no sítio do costume, onde os papás estavam à espera e onde puderam deleitar-se com a emoção maior de serem pais, agora pela segunda vez, logo, com a mais valia da experiência. 
A notícia correu via todos os meios ao alcance do papá e da Vovó Pipas que estava próxima, muito próxima do "desembarque",  do coração da filha e daquela família que é uma extensão verdadeira de nós mesmos, avós!
A Joaninha já dormia porque o João Pestana não perdooa. 
Estamos todos mais ricos de vida e muito felizes com a chegada do Duarte!
Uma vida linda, querido Duarte!


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Isto é Natal!

(A ouvir a melhor canção de natal de sempre: "War is over", que começa precisamente assim: So this is Christmas and what have you done. Isto é o Natal e o que é que fizeste.)
Se, por dá cá aquela palha me vêm os netos à fala, saltando do meu coração onde estão instaladíssimos, neste tempo de natal, nota-se ainda mais.
Com a  Joaninha a dar os primeiros passos de dança e o Duarte a ensaiar o gosto pelo futebol que deve estar já a correr-lhe nas veias...

É muito bom sentir um gene, que estava esquecido lá para trás, rodopiar nas brincadeiras da Joaninha, hoje, e, amanhã, nas revelações do Duarte. Têm sido tantos e tão bons os momentos passados com ela, a Joaninha,  que não é num registo de meia dúzia de linhas que se dá conta dessas emoções. Quando vamos buscá-la à creche, a emoção fica ao rubro com a corrida de braços abertos ao longo do corredor, com o som da alegria a condizer. No carro, depois das tormentosas instalações de cintos e fivelas, partimos para os curtos trajectos em grandes cantorias.
Obrigada, Joaninha, pela alegria que nos dás!
E tu, Duarte, deixa-te estar mais uns dias no quentinho da barriga da mamã e tão juntinho ao coração dela. Antecipamos as alegrias que nos vais dar e já apetece embalar-te...
Mas tudo a seu tempo!

O Natal aqui ao pé....

O Natal aproxima-se.
Pé ante pé, sem ruídos, instala-se e traz consigo tudo o que lhe pertence, sobretudo uma inebriante dose de fantasia que nos deixa tontos de acreditar.
Acreditar que um destes dias o mundo fica todo do nosso lado e que vamos dar Vivas à Vida, só porque sim!
Acreditar que os que nos deixaram estão em sintonia connosco, ultrapassaram a barreira de todas as impossibilidades e que nos aguardam serenamente, apoiando-nos nos nossos empenhamentos.
Acreditar que as emoções emulsionadas formarão um todo gerador de um bem-estar universal!
Acreditar que o Natal vai do calendário direitinho aos corações de todos e que este pulsar colectivo será a banda sonora dos nossos dias.
Agradeço ao Espírito do Natal esta provocação de esperança!