Aos poucos, vamos ficando com as molduras cheias de pessoas a quem não podemos escrever, telefonar, dizer o quanto gostaríamos de ter passado mais tempo com elas, o quanto apreciávamos a sua presença ou respeitávamos a sua maneira de ver o mundo e, muito menos, a falta que já nos fazem...
Aos poucos, vamos ficando mais sós.
Por muito bem vividas que tenham sido as vidas que ficaram pelo caminho, para nós, na tristeza da ausência, parece terem ficado mil outras vidas por viver e há inúmeras conversas por acabar.
E, aos poucos, vamos ficando mais tristes...
A memória serve de lastro a esta solidão que se instala e, insidiosamente, se metamorfoseia em tristeza.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
sábado, 18 de maio de 2013
Dia Internacional dos Museus, outra escolha
A Casa da Madalena, Museu Etnográfico da Alta Estremadura.
Até uma sala de aula do tempo do Estado Novo pode ser aqui visitada.
Há carteiras para os alunos, secretária para o professor, quadro negro com uma data antiga escrita com giz branco, as fotos dos governantes....
Até uma sala de aula do tempo do Estado Novo pode ser aqui visitada.
Há carteiras para os alunos, secretária para o professor, quadro negro com uma data antiga escrita com giz branco, as fotos dos governantes....
Dia Internacional dos Museus, uma escolha!
Dia Internacional dos Museus!
Um dos museus que mais gostei de visitar foi o Museu de História Natural, em Londres.
Tanto que, de regresso à cidade de Sua Majestade, cm tempo muito limitado, escolhi revisitar o Natural History Museum.
É uma imensa exposição de estudo e conhecimento, onde se aprende. Onde o passado nos toca como se estivesse ao nosso lado, de mão dada. Mais intimidade é impossível.
Os enormes "restos" dos enormes bichos que andaram por aqui há muito tempo, dando testemunho desta existência, também me deram uma lição de humildade. E de respeito, pelos homens que conseguem ultrapassar a barreira do tédio dos dias poluídos de interesses, na linha da "glória de mandar" e "vã cobiça", indo além de muitas "taprobanas" no reino da ciência e da tal história natural que dá nome ao Museu!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
São Cravos!
São Cravos, Senhores! São Cravos!
São, hoje, o pão da nossa esperança, o alimento e prato principal, em todas as nossas refeições.
São Cravos aqui nascidos e aqui criados.
São Cravos aqui nascidos e aqui criados.
São cravos aqui crescidos e libertados de medos e outras algemas.
São Cravos, Senhores, são Cravos que enchem os regaços de um povo!
Têm voz, memória e coração!
São Cravos!
São Cravos!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Inesquecível!
"Está esquito nas paiêdes...", dizia a Marta, zelosa do bem estar de todos, nem que para isso fosse preciso reclamar as inscrições que enchiam as paredes, os muros deste país recém-renascido.
Retomo a frase, repito-a.
"Está escrito nas paredes" que há pessoas inesquecíveis, porque guardaram e cuidaram das memórias que foram passando a quem queria também guardar um bocadinho do verdadeiro afeto que uniu/une mãe, avó, bisavó, afeto esse que enriqueceu as nossas vidas, e tornou forte o laço da vida , como se de sangue se tratasse. Falo por mim e sei que falo por muitos dos que tiveram a sorte de cruzar o caminhos da Vida com a Dona Antonieta!
Foram muitos os momentos menos bons que ela arranjou com a sabedoria que fazia parte do seu percurso, tornando-os dignos de uma boa alusão, como parte de algo bom na cadeia da Vida.
Ana Maria, Mónica, Marta e Rita, contem comigo para manter viva a recordação doce da vossa Mãe, Avó.
Um beijinho também aos mais pequeninos que tiveram a sorte de provar este colo e receber tanto amor. Uma palavra aos que se juntaram às "meninas" pelo amor e que souberam também chegar ao coração da nossa querida Dona Antonieta. ♥
Retomo a frase, repito-a.
"Está escrito nas paredes" que há pessoas inesquecíveis, porque guardaram e cuidaram das memórias que foram passando a quem queria também guardar um bocadinho do verdadeiro afeto que uniu/une mãe, avó, bisavó, afeto esse que enriqueceu as nossas vidas, e tornou forte o laço da vida , como se de sangue se tratasse. Falo por mim e sei que falo por muitos dos que tiveram a sorte de cruzar o caminhos da Vida com a Dona Antonieta!
Foram muitos os momentos menos bons que ela arranjou com a sabedoria que fazia parte do seu percurso, tornando-os dignos de uma boa alusão, como parte de algo bom na cadeia da Vida.
Ana Maria, Mónica, Marta e Rita, contem comigo para manter viva a recordação doce da vossa Mãe, Avó.
Um beijinho também aos mais pequeninos que tiveram a sorte de provar este colo e receber tanto amor. Uma palavra aos que se juntaram às "meninas" pelo amor e que souberam também chegar ao coração da nossa querida Dona Antonieta. ♥
domingo, 21 de abril de 2013
"Se o Partido Socialista fosse vivo...
...teria feito quarenta anos!
Este era o meu partido socialista!
Militei com a esperança de um mundo melhor, mais solidário e mais livre, para os meus filhos e para a minha própria geração.
Eu envelheci, perdi os sonhos e a ilusão. Assisti, impotente, à degradação do ideal, tal como o burro do triunfo dos porcos. Vi-o morrer às mãos da ganância, da vaidade, implacavelmente.
As flores do movimento hippy murcharam e as gaivotas da Ermelinda Duarte perderam as " asas de vento" e o "coração de mar".....
Os meus filhos cresceram e, no essencial, revelam coragem de trilhar os caminhos difíceis com a mesma vontade com que trilharam os mais fáceis, com os mesmos valores no horizonte. Sinto muito orgulho nos meus filhos. Foi tudo há tanto tempo! 40 anos....
Agora ponho toda a esperança, do que resta de verde nos meus olhos, no mais pequenino, neste caso, na mais pequenina, na Joaninha!
Este era o meu partido socialista!
Militei com a esperança de um mundo melhor, mais solidário e mais livre, para os meus filhos e para a minha própria geração.
Eu envelheci, perdi os sonhos e a ilusão. Assisti, impotente, à degradação do ideal, tal como o burro do triunfo dos porcos. Vi-o morrer às mãos da ganância, da vaidade, implacavelmente.
As flores do movimento hippy murcharam e as gaivotas da Ermelinda Duarte perderam as " asas de vento" e o "coração de mar".....
Os meus filhos cresceram e, no essencial, revelam coragem de trilhar os caminhos difíceis com a mesma vontade com que trilharam os mais fáceis, com os mesmos valores no horizonte. Sinto muito orgulho nos meus filhos. Foi tudo há tanto tempo! 40 anos....
Agora ponho toda a esperança, do que resta de verde nos meus olhos, no mais pequenino, neste caso, na mais pequenina, na Joaninha!
domingo, 17 de março de 2013
Dos dias que correm...
Ou melhor: dos dias que voam...
Ontem, vinha a ouvir rádio, como costumo fazer quando ando de carro sozinha. É uma companhia e as notícias ficam em dia. E, entre a TSF e a Star-FM, a distância parece que encurta e a viagem, por pequena que seja, dá para qualquer coisa. Se não der para nada, não é grave. Relaxa-se!
Muitas vezes serve para refletir. Foi o que aconteceu ontem, mesmo em cima da Ponte do Meu Contentamento, a que me liga a Lisboa, à outra margem, à vida que me diz respeito e que está no lado de lá, no lado direito do rio...
Uma notícia na TSF dava conta da morte de Mário Murteira, ministro dos governos de Vasco Gonçalves e de Palma Carlos, apoiante da UEDS, tendo sentido o jornalista necessidade de explicar a sigla.
E eu dei comigo a pensar: mas isto não é História antiga! Eu vivi isto "ontem"!
E como se não bastasse este presente trazer-me à tona um passado distante, que eu não supunha tão distante, o noticiário continuou com o tema que domina a comunicação social que supõe insaciável os seus destinatários. Se calhar, com razão! O Papa Francisco! E lá vem o rol dos nomes dos papas o que me remete novamente para a História cuja memória está ainda bem desenhada na minha própria memória: Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II.
Conclusão: trinta anos são trinta minutos na História da Humanidade! Na nossa são mais! Dá para perder a juventude e muita inocência!
Ontem, vinha a ouvir rádio, como costumo fazer quando ando de carro sozinha. É uma companhia e as notícias ficam em dia. E, entre a TSF e a Star-FM, a distância parece que encurta e a viagem, por pequena que seja, dá para qualquer coisa. Se não der para nada, não é grave. Relaxa-se!
Muitas vezes serve para refletir. Foi o que aconteceu ontem, mesmo em cima da Ponte do Meu Contentamento, a que me liga a Lisboa, à outra margem, à vida que me diz respeito e que está no lado de lá, no lado direito do rio... Uma notícia na TSF dava conta da morte de Mário Murteira, ministro dos governos de Vasco Gonçalves e de Palma Carlos, apoiante da UEDS, tendo sentido o jornalista necessidade de explicar a sigla.
E eu dei comigo a pensar: mas isto não é História antiga! Eu vivi isto "ontem"!
E como se não bastasse este presente trazer-me à tona um passado distante, que eu não supunha tão distante, o noticiário continuou com o tema que domina a comunicação social que supõe insaciável os seus destinatários. Se calhar, com razão! O Papa Francisco! E lá vem o rol dos nomes dos papas o que me remete novamente para a História cuja memória está ainda bem desenhada na minha própria memória: Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II.
Conclusão: trinta anos são trinta minutos na História da Humanidade! Na nossa são mais! Dá para perder a juventude e muita inocência!
segunda-feira, 4 de março de 2013
Entradas de março
Desculpa, mês de março! Custa-me escrever-te com letra minúscula mas os que mandam na língua portuguesa assim preconizaram. Muitos são os que não obedecem. Têm uma autoridade que lhes confere o estatuto de escritor ou jornalista e recusam-se a escrever-te com as regras do novo acordo ortográfico.
Entramos (antes do acordo usava-se um acento agudo... agora também foi abolido!) no novo mês, aquele que nos promete mais luz do dia e mais calor, com chuvas e dias cinzentos. E segundo dizem os senhoes do tempo, que às vezes até acertam, a chuva veio para ficar ao longo de toda esta semana.
Entretanto, as nuvens também me inspiraram para escrever uma mini-história para a Joaninha. Aí vai ela, a história.
A Nuvem Menina estava muito entretida num canto muito azul do teto do mundo…
Tão entretida que nem reparou que, a poucos metros, Dona Nuvem chorava grossos pingos de chuva. Seria do barulhento Senhor Trovão?
Resolveu continuar entretida a olhar para o recreio de uma escola. Se tivesse voz, ter-se-ia juntado à cantiga e dado as mãos na roda. Para isso, também era preciso ter mãos e braços e pernas. A Nuvem Menina sonhou que um dia poderia partcipar nestas brincadeiras. Pareciam tão felizes aqueles meninos!
Uns minutos mais tarde, as crianças deixaram a roda e dirigiram-se para debaixo de um telheiro e a Nuvem Menina deixou de os ver. Reparou então que eles estavam abrigados do choro da Dona Nuvem.
Deslizou pela parte azul até chegar à Dona Nuvem e pediu-lhe, quase a chorar também, que deixasse os meninos voltarem ao recreio.
Condoída com o desgosto da Nuvem Menina, a Grande Nuvem fez-lhe a vontade. Secou o pranto e pediu ao Senhor Trovão que parasse com a barulheira….
E o céu ficou muito azul e os meninos voltaram à roda.
Entramos (antes do acordo usava-se um acento agudo... agora também foi abolido!) no novo mês, aquele que nos promete mais luz do dia e mais calor, com chuvas e dias cinzentos. E segundo dizem os senhoes do tempo, que às vezes até acertam, a chuva veio para ficar ao longo de toda esta semana.
Entretanto, as nuvens também me inspiraram para escrever uma mini-história para a Joaninha. Aí vai ela, a história.
A Nuvem Menina estava muito entretida num canto muito azul do teto do mundo…
Tão entretida que nem reparou que, a poucos metros, Dona Nuvem chorava grossos pingos de chuva. Seria do barulhento Senhor Trovão?
Resolveu continuar entretida a olhar para o recreio de uma escola. Se tivesse voz, ter-se-ia juntado à cantiga e dado as mãos na roda. Para isso, também era preciso ter mãos e braços e pernas. A Nuvem Menina sonhou que um dia poderia partcipar nestas brincadeiras. Pareciam tão felizes aqueles meninos!
Uns minutos mais tarde, as crianças deixaram a roda e dirigiram-se para debaixo de um telheiro e a Nuvem Menina deixou de os ver. Reparou então que eles estavam abrigados do choro da Dona Nuvem.
Deslizou pela parte azul até chegar à Dona Nuvem e pediu-lhe, quase a chorar também, que deixasse os meninos voltarem ao recreio.
Condoída com o desgosto da Nuvem Menina, a Grande Nuvem fez-lhe a vontade. Secou o pranto e pediu ao Senhor Trovão que parasse com a barulheira….
E o céu ficou muito azul e os meninos voltaram à roda.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
"Living in Portugal"
Este é o título da nova medida do Álvaro (É ele que quer que o tratem por Álvaro!) que, depois de esgotados os pastéis de nata e o chouriço crioulo, gostaria muito (acho eu que sim!) de exportar o sol.
Como o sol não está à venda (inspiração de Alice Vieira: "A Lua não está à venda"), ele quer importar velhinhos reformados e abastados que estejam dispostos a pagar bem pelo sol português. Sim, o sol deve ter primos ou irmãos de várias nacionalidades. O nosso, o que brilha todos os dias (lá falha alguns, mas é perdoável), esse é português, com certeza.
Quando o Álvaro expõe uma ideia parece que está a pedir desculpa pela inocência do conteúdo. Ao contrário dos colegas ministros que só têm ideias sanguinolentas: cortar, cortar, cortar. Depois deita sangue já se sabe! Faz ferida! Demora a cicatrizar. Curar? Sabe-se lá se cura.
Força, Álvaro! Não te deixes intimidar pela crueldade dos demais colegas do governo nem pelos loucos da política oficialmente instituída.
Podemos pensar na natureza, está claro! Na nossa: o apetite pelos doces e bolos! E na outra, a propriamente dita.
Não sei se o povo todo está contigo, mas eu estou!
Por enquanto estou, não tanto por concordar pela ideia mas por gostar desse ar de menino que passa pelo teu rosto. Esse ar pressupõe falta de maldade, de malabarismo político com que os donos da "coisa pública" pretendem e conseguem enganar-nos.
A felicidade entra pela barriga e daí a tua aposta/proposta dos pastéis de nata. O sol entra pela pele e produz também uma sensação de bem-estar. E não é de bem-estar que andamos todos à procura.
Como o sol não está à venda (inspiração de Alice Vieira: "A Lua não está à venda"), ele quer importar velhinhos reformados e abastados que estejam dispostos a pagar bem pelo sol português. Sim, o sol deve ter primos ou irmãos de várias nacionalidades. O nosso, o que brilha todos os dias (lá falha alguns, mas é perdoável), esse é português, com certeza.
Quando o Álvaro expõe uma ideia parece que está a pedir desculpa pela inocência do conteúdo. Ao contrário dos colegas ministros que só têm ideias sanguinolentas: cortar, cortar, cortar. Depois deita sangue já se sabe! Faz ferida! Demora a cicatrizar. Curar? Sabe-se lá se cura.
Força, Álvaro! Não te deixes intimidar pela crueldade dos demais colegas do governo nem pelos loucos da política oficialmente instituída.
Podemos pensar na natureza, está claro! Na nossa: o apetite pelos doces e bolos! E na outra, a propriamente dita.
Não sei se o povo todo está contigo, mas eu estou!
Por enquanto estou, não tanto por concordar pela ideia mas por gostar desse ar de menino que passa pelo teu rosto. Esse ar pressupõe falta de maldade, de malabarismo político com que os donos da "coisa pública" pretendem e conseguem enganar-nos.
A felicidade entra pela barriga e daí a tua aposta/proposta dos pastéis de nata. O sol entra pela pele e produz também uma sensação de bem-estar. E não é de bem-estar que andamos todos à procura.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Ainda! Brindemos!
Brindemos!
À saúde que ainda temos!
Aos sonhos que ainda nos orientam os dias e nos embalam a esperança!
Ao carinho que ainda nos oferecem os nossos!
Ao carinho que ainda nos oferecem os que não são nossos por sangue ou outra instituição, mas com quem estabelecemos um pacto maior: o da amizade, plena de fraternidade!
Aos desejos que ainda estão prontos a estalar a um qualquer estalar de dedos da Vida!
Aos que ainda vivem na nossa memória e nos deixaram um legado de Valores que ainda tem alta cotação na Bolsa da Humanidade!
Às dificuldades que nos desafiam ainda a lutar mais, a prosseguir, a conseguir, a vencer...
À saúde que ainda temos!
Aos sonhos que ainda nos orientam os dias e nos embalam a esperança!
Ao carinho que ainda nos oferecem os nossos!
Ao carinho que ainda nos oferecem os que não são nossos por sangue ou outra instituição, mas com quem estabelecemos um pacto maior: o da amizade, plena de fraternidade!
Aos desejos que ainda estão prontos a estalar a um qualquer estalar de dedos da Vida!
Aos que ainda vivem na nossa memória e nos deixaram um legado de Valores que ainda tem alta cotação na Bolsa da Humanidade!
Às dificuldades que nos desafiam ainda a lutar mais, a prosseguir, a conseguir, a vencer...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O dia dos teus anos!
Hoje, priminha, o dia continua a ser teu!
Se "memória desta vida se consente", deves lembrar-te do nosso quintal, das correrias por cima dos canteiros de alfaces, de nabos e cenouras, das subidas e descidas das tangerineiras e do limoeiro que tinha resistido ao raio que o tinha atingido num ramo. Talvez fosse essa a razão daqueles limões serem únicos! Talvez te lembres do baloiço improvisado pelo avô e do galinheiro barulhento. Talvez te lembres das tardes em que as mulheres da casa bordavam e cosiam e nós inventávamos brincadeiras nem sempre muito bem compreendidas pelos crescidos. Lembras-te do rádio grande que transmitia o folhetim? E àquela hora a casa parava. A casa e o mundo, porque aquela casa era o nosso mundo.
Visitas o nosso pensamento todos os dias, mas hoje a visita é especial porque o dia é o teu dia de anos.
Se "memória desta vida se consente", deves lembrar-te do nosso quintal, das correrias por cima dos canteiros de alfaces, de nabos e cenouras, das subidas e descidas das tangerineiras e do limoeiro que tinha resistido ao raio que o tinha atingido num ramo. Talvez fosse essa a razão daqueles limões serem únicos! Talvez te lembres do baloiço improvisado pelo avô e do galinheiro barulhento. Talvez te lembres das tardes em que as mulheres da casa bordavam e cosiam e nós inventávamos brincadeiras nem sempre muito bem compreendidas pelos crescidos. Lembras-te do rádio grande que transmitia o folhetim? E àquela hora a casa parava. A casa e o mundo, porque aquela casa era o nosso mundo.
Visitas o nosso pensamento todos os dias, mas hoje a visita é especial porque o dia é o teu dia de anos.
O reencontro quarenta anos depois!
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Princípios e fins
Os "meios" são as nossas "praias".
A nossa consciência enquanto seres vivos pensantes está por aqui, pelo meio, entre o princípio e o fim. Aqui é que se está bem!
Há uns dias atrás, foi anunciado o fim do mundo. E nem os mais infelizes ficaram felizes com a notícia. É que, por muito infelizes que possamos estar, há sempre uma esperança que, como diz o povo, é a última a morrer.
Hoje é dia de um princípio. Nada de grande monta para quem já leva seis décadas de vida. É só mais um ano! Mas mesmo assim, há uma certa inquietação, não há certezas, ninguém é dono de futuro algum.
Ontem, por exemplo, morreu um homem bom. Um homem de Abril, um guardião do sentido de liberdade que foi conquistado com cravos em vez de armas.
E se esta liberdade chega mesmo ao fim?
Então é que é o fim do mundo!
E aqui fica um fim de dia!!! Belo, a apelar à serenidade da natureza que nos ensina a verdade universal da renovação.
A nossa consciência enquanto seres vivos pensantes está por aqui, pelo meio, entre o princípio e o fim. Aqui é que se está bem!
Há uns dias atrás, foi anunciado o fim do mundo. E nem os mais infelizes ficaram felizes com a notícia. É que, por muito infelizes que possamos estar, há sempre uma esperança que, como diz o povo, é a última a morrer.
Hoje é dia de um princípio. Nada de grande monta para quem já leva seis décadas de vida. É só mais um ano! Mas mesmo assim, há uma certa inquietação, não há certezas, ninguém é dono de futuro algum.
Ontem, por exemplo, morreu um homem bom. Um homem de Abril, um guardião do sentido de liberdade que foi conquistado com cravos em vez de armas.
E se esta liberdade chega mesmo ao fim?
Então é que é o fim do mundo!
E aqui fica um fim de dia!!! Belo, a apelar à serenidade da natureza que nos ensina a verdade universal da renovação.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Avenida da Liberdade
Gosto de Lisboa! Gosto da Avenida da Liberdade!
Gosto do nome que deram a uma avenida larga, inconfundível nos seus quarteirões mais ou menos marcados pelo tempo e pela história. Desembocam aqui outras ruas e ela própria, a avenida, desagua numa praça com nome de sabor a liberdade conquistada e merecida. Praça dos Restauradores!
É a avenida dos cinemas Tivoli e São Jorge, dos hotéis chiques, como o Tivoli ( outro Tivoli) onde a nossa Diva Saloia (não pejorativo) resolveu viver como se da sua casa se tratasse, rodeada de muito conforto e sem sombras de solidão.
Sombras também as há, ao longo dos passeios semeados de árvores. Essas não fazem sombra ao património arquitetónico nem vista do rio, ao fundo, vista generosa para quem ousa subir o parque para lá do Marquês.
Há o Edifício do Diário de Notícias, um verdadeiro guarda-joias de memórias. Há um traçado clássico que dá a esta avenida o toque chique de uma Europa de outras eras. Há as lojas caras que só servem para olhar, no meu caso e, provavelmente, no caso da maioria das pessoas.
Há faixas de trânsito.... alteradas no seu sentido. As laterais que subiam, agora descem. E as que desciam, agora sobem....
Mudem o que mudarem, a avenida mantém-se, como diz Villaret, " rasgada, comprida qual estrada florida, num hino à claridade".
Será que, passados todos estes anos, a liberdade não está mesmo a ir pelo"cano".
"E foi-se a liberdade!"
domingo, 28 de outubro de 2012
"Não é meia-noite quem quer"
"Não é é meia-noite quem quer" é o título do novo romance do Lobo Antunes.
Como em quase todos os romances, os títulos são assim: avassaladores.
Este avassala-me pelas melhores razões. Este atira-me para o cesto dos brinquedos daqueles que os miúdos têm nos quartos, cheios de bonecas sem pernas, carros sem rodas, peluches com o miolo à vista, peças, muitas peças, de Legos, Playmobile e outras impossíveis de identificar.
A meia-noite é a hora em que os encantos se quebram. É desencantamento com hora marcada, como aconteceu com a pobre da Cinderela. Mas vendo bem, o encanto não se quebrou: seguiu outro caminho, pelo passos do sapato perdido.
A fantasia deve tocar-nos, pelo menos meia dúzia de vezes na vida.
A primeira não nos lembramos, mas deve tocar-nos na mudança da barriga da mãe para as mãos do mundo. A segunda vez que nos toca não tem idade marcada. É certamente como nos filmes, mas ao contrário: menores de seis anos. A terceira vez acontece na adolescência e chega-nos, como nos Livros Sagrados, através dos sonhos. Na idade adulta, seremos ainda tocados mais umas vezes. E este título "não é meia-noite quem quer"? Há que buscar o querer, seja ele nosso ou alheio, fazendo, neste caso, jus ao nome do romance. Há que correr os dias todos atrás da meia-noite. Pode ser que ela se entranhe em nós e fiquemos impregnados de fantasia.
E poderemos dar corpo, quem sabe?, a um segundo título: "Só é meia-noite quem quer."
Como em quase todos os romances, os títulos são assim: avassaladores.
Este avassala-me pelas melhores razões. Este atira-me para o cesto dos brinquedos daqueles que os miúdos têm nos quartos, cheios de bonecas sem pernas, carros sem rodas, peluches com o miolo à vista, peças, muitas peças, de Legos, Playmobile e outras impossíveis de identificar.
A meia-noite é a hora em que os encantos se quebram. É desencantamento com hora marcada, como aconteceu com a pobre da Cinderela. Mas vendo bem, o encanto não se quebrou: seguiu outro caminho, pelo passos do sapato perdido.
A fantasia deve tocar-nos, pelo menos meia dúzia de vezes na vida.
A primeira não nos lembramos, mas deve tocar-nos na mudança da barriga da mãe para as mãos do mundo. A segunda vez que nos toca não tem idade marcada. É certamente como nos filmes, mas ao contrário: menores de seis anos. A terceira vez acontece na adolescência e chega-nos, como nos Livros Sagrados, através dos sonhos. Na idade adulta, seremos ainda tocados mais umas vezes. E este título "não é meia-noite quem quer"? Há que buscar o querer, seja ele nosso ou alheio, fazendo, neste caso, jus ao nome do romance. Há que correr os dias todos atrás da meia-noite. Pode ser que ela se entranhe em nós e fiquemos impregnados de fantasia.
E poderemos dar corpo, quem sabe?, a um segundo título: "Só é meia-noite quem quer."
sábado, 22 de setembro de 2012
E assim se fazem as coisas...
Gente nova nas nossas vidas fez a diferença neste aniversário!
Para ter uma Joaninha como a nossa vale a pena "crescer" para lá dos sessenta!
Para tomarmos o pulso aos valores que tentámos transmitir aos nossos filhos também vale bem a pena!
Pelos mais velhos!
Pelos Amigos que "crescem" connosco, ao nosso lado. Umas vezes, acertamos nós o passo pelo deles. Outras vezes, acertam eles o passo pelo nosso. A Alegria com eles faz mais sentido.
Não esquecemos nunca os que nos faltam e reservamos um agradecimento que vai até ao céu, por terem feito parte das nossas vidas.
Tchim! Tchim!
À tua saúde!
Parabéns, Jorge!
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Quando eu vim para esse mundo...
"Quando eu vim para esse mundo"...
Era com este verso que as casas mergulhavam nos pequenos ecrãs a preto e branco, há quase quarenta anos.
"Eu não atinava em nada..."
A loiça do jantar ficava por lavar, as linhas telefónicas ficavam livres e até os mais pequenos mandavam os brinquedos dormir, porque estava na hora da Gabriela.
O meu filho Diogo, então com menos de dois anos, punha os bracitos no ar, olhava atento para a televisão, escutava ainda mais atento os primeiros versos, à espera do acorde que o faria rodopiar com muita alegria, tal como a música inspirava.
"Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim"...
E as personagens criadas pelo talento do enorme Jorge Amado vinham ter connosco depois do jantar. Estava inventado o horário nobre da televisão. Julgo eu!
Era com este verso que as casas mergulhavam nos pequenos ecrãs a preto e branco, há quase quarenta anos.
"Eu não atinava em nada..."
A loiça do jantar ficava por lavar, as linhas telefónicas ficavam livres e até os mais pequenos mandavam os brinquedos dormir, porque estava na hora da Gabriela.
O meu filho Diogo, então com menos de dois anos, punha os bracitos no ar, olhava atento para a televisão, escutava ainda mais atento os primeiros versos, à espera do acorde que o faria rodopiar com muita alegria, tal como a música inspirava.
"Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim"...
E as personagens criadas pelo talento do enorme Jorge Amado vinham ter connosco depois do jantar. Estava inventado o horário nobre da televisão. Julgo eu!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Terapias de sala de espera
À medida que a vida avança, também avança a experiência das salas de espera de consultórios médicos ou hospitais, a que fui poupada durante o período de juventude saudável.
Os antigos diziam que a idade traz tudo. Tenho de admitir que esta é mais uma das verdades proverbiais incontornáveis. Mas antes assim. Que o tudo não venha antes da idade é o que eu peço .... Pedia. Acho que agora o meu poder negocial com os deuses já vai perdendo força. Já não posso exigir uma saúde perfeita. E só me apercebo que a minha saúde até é quase perfeita quando alguma coisa em mim resolve avariar, quando alguma peça deixa de funcionar.
É o caso que me tolhe: o pé, ou melhor, o tornozelo. Inchado, doloroso a impedir-me de andar ligeira e rápida, de subir e descer escadas sem ser com um pé de cada vez. E ainda há o pormenor estético que não subestimo: o pé está horrível.
A falta de explicação e de diagnóstico atirou-me para a fisioterapia em busca de alguma normalidade e algum alívio. O tratamento não tem grande história nem faz correr tinta: é o que é, com os vários momentos e as várias "máquinas".
Mas a sala de espera já tem que se lhe diga: uns coxeiam, como eu; outros trazem canadianas; outros trazem ligaduras elásticas nas mãos, nos pés. Todos, quase todos têm mazelas visíveis, como visível é o desejo de alívio.
Mas nada disto impressiona por aí além.
O que mais me impressionou foi encontrar alguém que não via há algum tempo e que conheço há mais de trinta anos. O que mais me impressionou foi constatar o estrago que o tempo fez! O que mais me impressionou foi a lúcida resignação que é uma espécie de homenagem à Essência da Vida e como irrompe de um corpo doente uma palavra amiga e bondosa...
Estivemos de mão dada durante uma hora e meia e nunca senti naquela mão, outra tensão, outra força que não a da alegria do reencontro...
Há uma amiga minha que diz que o efeito da ida ao médico começa na sala de espera. Acho que desta vez me submeti, ali mesmo, a uma terapia sem nome técnico. Deve ser o equivalente à fisioterapia dirigida diretamente à alma.
Os antigos diziam que a idade traz tudo. Tenho de admitir que esta é mais uma das verdades proverbiais incontornáveis. Mas antes assim. Que o tudo não venha antes da idade é o que eu peço .... Pedia. Acho que agora o meu poder negocial com os deuses já vai perdendo força. Já não posso exigir uma saúde perfeita. E só me apercebo que a minha saúde até é quase perfeita quando alguma coisa em mim resolve avariar, quando alguma peça deixa de funcionar.
É o caso que me tolhe: o pé, ou melhor, o tornozelo. Inchado, doloroso a impedir-me de andar ligeira e rápida, de subir e descer escadas sem ser com um pé de cada vez. E ainda há o pormenor estético que não subestimo: o pé está horrível.
A falta de explicação e de diagnóstico atirou-me para a fisioterapia em busca de alguma normalidade e algum alívio. O tratamento não tem grande história nem faz correr tinta: é o que é, com os vários momentos e as várias "máquinas".
Mas a sala de espera já tem que se lhe diga: uns coxeiam, como eu; outros trazem canadianas; outros trazem ligaduras elásticas nas mãos, nos pés. Todos, quase todos têm mazelas visíveis, como visível é o desejo de alívio.
Mas nada disto impressiona por aí além.
O que mais me impressionou foi encontrar alguém que não via há algum tempo e que conheço há mais de trinta anos. O que mais me impressionou foi constatar o estrago que o tempo fez! O que mais me impressionou foi a lúcida resignação que é uma espécie de homenagem à Essência da Vida e como irrompe de um corpo doente uma palavra amiga e bondosa...
Estivemos de mão dada durante uma hora e meia e nunca senti naquela mão, outra tensão, outra força que não a da alegria do reencontro...
Há uma amiga minha que diz que o efeito da ida ao médico começa na sala de espera. Acho que desta vez me submeti, ali mesmo, a uma terapia sem nome técnico. Deve ser o equivalente à fisioterapia dirigida diretamente à alma.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Fins de Agosto
Agosto, como a palavra parece indicar, devia ser sinónimo de prazer. Tudo "a gosto": a vida, o tempo, o do relógio e o outro, os humores, os nossos e os alheios... Enfim, tudo devia correr de modo a que nos sentíssemos verdadeiramente preparados para mais uma jornada de trabalho que vai durar os onze meses que faltam para o mês de Agosto voltar!
Mas o mês de Agosto, o "querido mês de Agosto" de que fala uma cantiga foi, ao longo dos anos, transformado em "silly season". O "nada" para os gostam de uma visibilidade e atenção permanentes.
E o mês das férias em família, da praia cheia de crianças com baldinhos e pás, à procura do lugar ideal para construir um castelo de areia, foi sujeito a uma espécie de industrialização do lazer!
Até o sol mudou o seu estatuto e é encarado como o inimigo número um da pele. Ele, o astro-rei! E nós que, nos tempos que já lá vão, tostávamos ao sol, até chegar ao castanho apetecido, ao comprovativo de uma praia à séria, sujeitamo-nos ao saudavelmente correto...
Assim não vale, meu querido mês de Agosto!
Volta ao que és na tua essência, mês de "dolce fare niente".
Tens mais um ano para pensar sobre o assunto!
Mas o mês de Agosto, o "querido mês de Agosto" de que fala uma cantiga foi, ao longo dos anos, transformado em "silly season". O "nada" para os gostam de uma visibilidade e atenção permanentes.
E o mês das férias em família, da praia cheia de crianças com baldinhos e pás, à procura do lugar ideal para construir um castelo de areia, foi sujeito a uma espécie de industrialização do lazer!
Até o sol mudou o seu estatuto e é encarado como o inimigo número um da pele. Ele, o astro-rei! E nós que, nos tempos que já lá vão, tostávamos ao sol, até chegar ao castanho apetecido, ao comprovativo de uma praia à séria, sujeitamo-nos ao saudavelmente correto...
Assim não vale, meu querido mês de Agosto!
Volta ao que és na tua essência, mês de "dolce fare niente".
Tens mais um ano para pensar sobre o assunto!
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Parabéns, Bambi!
Este é o Bambi que já fez chorar gerações!
Este é o Bambi que continua a enternecer os corações!
Este que aqui está traz-me uma ternura acrescida: foi desenhado pelo meu pai, na parede da enfermaria das crianças no Hospital de Nampula.
O Bambi faz hoje 70 anos. A vantagem de ser um desenho é que não envelhece e provoca em todos os que olham para ele, tenham sete ou setenta anos, o mesmo encantamento.
Os Porquinhos estão felizes porque hoje há festa!
Este é o Bambi que continua a enternecer os corações!
Este que aqui está traz-me uma ternura acrescida: foi desenhado pelo meu pai, na parede da enfermaria das crianças no Hospital de Nampula.
O Bambi faz hoje 70 anos. A vantagem de ser um desenho é que não envelhece e provoca em todos os que olham para ele, tenham sete ou setenta anos, o mesmo encantamento.
Os Porquinhos estão felizes porque hoje há festa!
Os Jogos Olímpicos explicados à minha neta Joana
Joana querida, nasceste num ano bissexto, logo num ano de Jogos Olímpicos.
Quando chegares à idade de ler isto, as tecnologias estarão já tão avançadas que não será a distância do "click" que nos vai separar da informação procurada, mas talvez já a distância do desejo. Não consigo imaginar mais avanços. Mesmo assim, deixo-te aqui uma espécie de história...
A Grécia é um país muito, muito antigo. Nessa Grécia Antiga nasceram deuses e homens que deram à vida um sentido de beleza muito forte que ainda hoje se faz sentir nos nossos hábitos e nas nossas tendências. A Grécia está cheia de histórias que um dia te hão-de encantar, querida Joana!
Foi neste cenário de beleza natural que tudo começou....
Uma das lendas diz que Hércules, filho de Zeus, o deus dos deuses, inventou as Olimpíadas para se desculpar, perante os homens e os outros deuses, de uma "maldade" que tinha cometido. Estava arrependido mas o mal estava feito. Não é nada bom exemplo, vindo de um deus...
Mas, o que se diz por aí, é que os Gregos inventaram os Jogos Olímpicos porque se sentiam muito orgulhosos das suas habilidades e assim, nesses jogos, procuravam a admiração dos mais importantes e dos próprios deuses que moravam no Monte Olimpo, a mais alta montanha da Grécia, com quase três mil metros de altitude.
- E depois? - deves perguntar tu, querida Joana, se algum dia chegar a contar-te esta história da História.
Depois, vieram as festas propriamente ditas. As mais importantes eram as Olímpias, que se realizavam na cidade de Olímpia, onde havia uma estátua de Zeus, esculpida em ouro e marfim, por Fídias, um nome grande da Arte da Grécia Antiga.
- A ouro e marfim?- suponho eu que te admires.
- Pois, é, Joana! Uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo - direi eu, para acalmar o teu espanto.
Isto tudo aconteceu oito séculos A.C. Há quase três mil anos!
Os trigésimos Jogos Olímpicos da Era Moderna terminaram ontem, em Londres.
Foi a terceira vez que se realizaram em Londres. A primeira foi em 1908, a segunda vez foi em 1948 e esta foi a terceira vez que a Cidade dos Reis e das Rainhas recebeu um acontecimento tão importante que reúne atletas de todo o mundo. Os jogos de 1944 também se deviam ter realizado em Londres, mas foram cancelados por causa da guerra....
Quando chegares à idade de ler isto, as tecnologias estarão já tão avançadas que não será a distância do "click" que nos vai separar da informação procurada, mas talvez já a distância do desejo. Não consigo imaginar mais avanços. Mesmo assim, deixo-te aqui uma espécie de história...
A Grécia é um país muito, muito antigo. Nessa Grécia Antiga nasceram deuses e homens que deram à vida um sentido de beleza muito forte que ainda hoje se faz sentir nos nossos hábitos e nas nossas tendências. A Grécia está cheia de histórias que um dia te hão-de encantar, querida Joana!
Foi neste cenário de beleza natural que tudo começou....
Uma das lendas diz que Hércules, filho de Zeus, o deus dos deuses, inventou as Olimpíadas para se desculpar, perante os homens e os outros deuses, de uma "maldade" que tinha cometido. Estava arrependido mas o mal estava feito. Não é nada bom exemplo, vindo de um deus...
Mas, o que se diz por aí, é que os Gregos inventaram os Jogos Olímpicos porque se sentiam muito orgulhosos das suas habilidades e assim, nesses jogos, procuravam a admiração dos mais importantes e dos próprios deuses que moravam no Monte Olimpo, a mais alta montanha da Grécia, com quase três mil metros de altitude.
- E depois? - deves perguntar tu, querida Joana, se algum dia chegar a contar-te esta história da História.
Depois, vieram as festas propriamente ditas. As mais importantes eram as Olímpias, que se realizavam na cidade de Olímpia, onde havia uma estátua de Zeus, esculpida em ouro e marfim, por Fídias, um nome grande da Arte da Grécia Antiga.
- A ouro e marfim?- suponho eu que te admires.
- Pois, é, Joana! Uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo - direi eu, para acalmar o teu espanto.
Isto tudo aconteceu oito séculos A.C. Há quase três mil anos!
Os trigésimos Jogos Olímpicos da Era Moderna terminaram ontem, em Londres.
Foi a terceira vez que se realizaram em Londres. A primeira foi em 1908, a segunda vez foi em 1948 e esta foi a terceira vez que a Cidade dos Reis e das Rainhas recebeu um acontecimento tão importante que reúne atletas de todo o mundo. Os jogos de 1944 também se deviam ter realizado em Londres, mas foram cancelados por causa da guerra....
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Férias, para que vos quero!
A partir de certa altura, por imposição natural da idade dos meus filhos, os destinos de férias passaram a ser os parques temáticos.
Eles iam em busca da adrenalina das diversões que, sendo as mesmas em quase todos, têm nomes diferentes, obedecendo ao tema que preside, alegoricamente ao espaço.
A minha alma tremia cada vez que eles entravam naquelas gerigonças complicadas, uns entrelaçados de tubos, com uma engenharia que esmagava, sobretudo a mim que não nasci para grandes coragens.
(Para montanha russa chega-me a própria vida! A referência que trago da infância era bem mais pequena e simples e nem mesmo essa eu experimentei mais do que a primeira vez. Ficou-me para sempre a desagradável sensação da queda livre. Mesmo por breves segundos, é horrível.)
O parque que eu mais gostei foi aquele que evoca o mundo de Astérix. Apesar de não ser entendida em BD, ao contrário do Jorge, aquela "família" captou a minha simpatia, tendo lido todos os "asterixes". Em Português e em Francês!
O último parque que visitámos, nestas viagens de férias a quatro, foi em Madrid. O tema é o que o nome indica: Warner. Filmes, fitas e muita fantasia. mas mesmo assim, muita montanha russa e afins com outros nomes, claro!
Assim, o meu destino era apenas passear pelas "avenidas" e "ruas"! Enquanto alguns perdiam o tempo nas intermináveis filas para as atracções radicais, eu explorava o social, entrando e saindo de todas as lojinhas que não podem também faltar, para arrecadar mais umas moedas.
Foi assim que conheci a Betty! Simpática, como se pode ver na foto!domingo, 1 de julho de 2012
Madalena Arrependida
O mundo está cheio de coisas feias. A beleza é mais rara do que parece e é por isso que nela reparamos e nela nos detemos em prolongada contemplação! A culpa é feia e o arrependimento também. (Digo eu!) Poucos arrependimentos são sinceros! A maioria das vezes que referimos o arrependimento, estamos apenas a tentar que o outro desvie a atenção do erro, do nosso erro, do tal que dá origem a. No fundo temos consciência que erramos porque não sabemos fazer de outro modo. Erramos por incompetência. Ou por intenção. O que é pior, em termos de humanidade e sociedade... Cobre-se tudo com um brilhozinho de arrependimento nos olhos e pensamos que ficamos bem perante os outros e iludimo-nos a nós mesmos, convencidos que o arrependimento nos fica bem.
"Je ne regrette rien" também não existe, pelas mesmas razões!
Temos de aprender a gerir a culpa de outra maneira!
Eu posso demorar um pouco mais, ao abrigo do adjetivo verbal que, por tradição popular e também por coisas da fé cristã, acompanha o meu nome: Madalena Arrependida!
domingo, 10 de junho de 2012
Conversas pouco prováveis
Perguntou-me o mar por que não me demorava mais, por ali...
Respondi-lhe que nós, os seres não-rios, não-mares, não-árvores, confundimos a pressa com o progresso. Sacrificamos o tempo e a natureza. Supomo-nos capazes de fazer mais e melhor! Sempre mais e melhor, sempre mais, pelo menos!
- Grande ilusão! murmurou o mar. O Tempo é uma dimensão que jamais poderás fazer variar, de acordo com os teus interesses. A Natureza é mais vulnerável. Por isso, respeitinho!!!
Pois...
domingo, 22 de abril de 2012
Avó Madalena
Nós, cá dentro, temos uma espécie de alguidar, peça de cozinha indispensável no tempo das nossas avós. Eram de barro e só de olhar faziam crescer água na boca. Ali se batiam os bolos ou outras massas. Ali se juntvam as batatas aos palitos ou às rodelas, antes de passarem à frigideira cheia de azeite a ferver... Dentro de mim, há um desses alguidares. Junto desse alguidar cheio de memórias, afectos e saudades está a minha Avó Madalena. A minha "imensa" avó! Era imensamente grande e os olhos eram imensamente verdes. O amor por nós era imenso e cada um de nós se sentia alvo de especial preferência. E nós mergulhávamos naquele imenso colo com a certeza de estarmos seguras longe de todos os males do mundo. Tudo, naquela casa, era preparado pela minha avó Madalena! À tarde, depois do almoço, sentava-se com a minha tia, num quarto pequenino, onde estava instalado tudo o que dizia respeito à costura. Cosia-se, fazia-se renda e bordava-se. Nós, os mais novos, fazíamos piruetas em cima da cama de ferro que devia estar lá mesmo para isso. Mais tarde, chegavam as minhas outras tias e a conversa seguia ao ritmo do crochet e das meias a "passajar". Riam muito, especialmente a minha avó e a minha tia "pequenina". A vida era simples. Ou talvez não fosse. Mas, pelo menos, parecia! E a minha avó Madalena estava como queria: com os seus sob controlo! A vida foi passando e o momento de eu me tornar Avó Madalena foi-se aproximando. Tal como se aproximaram as memórias e o desejo de ser mesmo uma Avó Madalena, tão avó como aquela que eu tive!
domingo, 1 de abril de 2012
Parabéns, filho!
Parabéns, filho!
Há 37 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, nasceu o Diogo!
Não me canso de citar Mia Couto: um filho é que dá à luz uma mãe!
Revejo, com muita frequência, as fotos dos meus filhos. Gosto de recordar os meninos que foram. Todas as recordações da infância dos meus filhos são boas, excepto as que têm a ver com as doenças inevitáveis das crianças, com a aflição que se apodera de nós, mães, pais, avós. A infância dos meus filhos foi a minha própria infância, sobretudo no que diz respeito à fantasia. Quando se cresce, adquire-se essa competência de usar a fantasia com equilíbrio e responsabilidade. Pelo menos eu senti que isso me estava a acontecer: sem castigos nem prémios, vivi esta segunda oportunidade de me passear pelas florestas encantadas e de encontrar sempre a coragem vestida de personagem de um qualquer conto de encantar...
Voltando ao dia de hoje!
Esta fotografia tem 36 anos, de acordo com o registo escrito que a acompanha.
A festinha do primeiro aniversário do Diogo tinha acabado e os amigos, os grandes e os pequenos, tinham já debandado.
O dia tinha sido bem vivido e isso nota-se bem! Que todos os teus dias de anos sejam sempre bem vividos, Diogo!
Há 37 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, nasceu o Diogo!
Não me canso de citar Mia Couto: um filho é que dá à luz uma mãe!
Revejo, com muita frequência, as fotos dos meus filhos. Gosto de recordar os meninos que foram. Todas as recordações da infância dos meus filhos são boas, excepto as que têm a ver com as doenças inevitáveis das crianças, com a aflição que se apodera de nós, mães, pais, avós. A infância dos meus filhos foi a minha própria infância, sobretudo no que diz respeito à fantasia. Quando se cresce, adquire-se essa competência de usar a fantasia com equilíbrio e responsabilidade. Pelo menos eu senti que isso me estava a acontecer: sem castigos nem prémios, vivi esta segunda oportunidade de me passear pelas florestas encantadas e de encontrar sempre a coragem vestida de personagem de um qualquer conto de encantar...
Voltando ao dia de hoje!
Esta fotografia tem 36 anos, de acordo com o registo escrito que a acompanha.A festinha do primeiro aniversário do Diogo tinha acabado e os amigos, os grandes e os pequenos, tinham já debandado.
O dia tinha sido bem vivido e isso nota-se bem! Que todos os teus dias de anos sejam sempre bem vividos, Diogo!
terça-feira, 27 de março de 2012
Agora, que sou avó...
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Oh My Papa!
A música do Eddie Fisher é sem dúvida a banda sonora mais acertada para a saudade que passa, em pano de fundo, nos nossos dias.
Todos os dias recordo os teus ensinamentos de vida, sobretudo naqueles dias em que essa tal vida me dói mais. Vou tentando passar aos meus filhos esse património de sabedoria que me deixaste.
Que pena eu não saber praticá-la!
Todos os dias recordo os teus ensinamentos de vida, sobretudo naqueles dias em que essa tal vida me dói mais. Vou tentando passar aos meus filhos esse património de sabedoria que me deixaste.
Que pena eu não saber praticá-la!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Dia Primeiro dos Dias da Rádio
Decretado pela Unesco, o dia 13 de fevereiro passa a ser dedicado à rádio, aquela magia que, nos tempos que já lá vão, se materializava em grandes caixas cheias de botões.
É que do lado de lá dos botões saíam vozes que explicavam os mundos lá longe. Até explicaram a lua, um dia, ou melhor, uma noite, quando foi caso disso.
Os meus dias da rádio são todos os da minha infância e adolescência. E por falar em rádio e infância, as ondas da memória trouxeram até mim a Tia Zita e os seus sobrinhos. Talvez fosse esse programa o antepassado remoto das redes sociais. Eram cartas que hoje são mensagens. Eram cantigas que hoje passam em formato mp3.
E eram programas gravados ao vivo, com muita cor e muito afecto.
À noite, quando os meus pais se deitavam eu "acendia" o enorme "pick up" da sala, sintonizava a estação B e aí ficava, embalada pelas cantigas inglesas.
Claro que "dou um gosto" à iniciativa da Unesco!
É que do lado de lá dos botões saíam vozes que explicavam os mundos lá longe. Até explicaram a lua, um dia, ou melhor, uma noite, quando foi caso disso.
Os meus dias da rádio são todos os da minha infância e adolescência. E por falar em rádio e infância, as ondas da memória trouxeram até mim a Tia Zita e os seus sobrinhos. Talvez fosse esse programa o antepassado remoto das redes sociais. Eram cartas que hoje são mensagens. Eram cantigas que hoje passam em formato mp3.
E eram programas gravados ao vivo, com muita cor e muito afecto.
À noite, quando os meus pais se deitavam eu "acendia" o enorme "pick up" da sala, sintonizava a estação B e aí ficava, embalada pelas cantigas inglesas.
Claro que "dou um gosto" à iniciativa da Unesco!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A força das palavras
Há quem lhes negue poder ou força. Há quem lhes reconheça poder ou força. Será uma questão de contexto? Será uma questão de desejo? Será uma questão de medo? Será que a força e o poder estão dentro de uma barriga que guarda a vida? E vida significa força!
Seja lá o que for, dei por mim, no primeiro dia do mês, a responder à pergunta que mais frequentemente me fazem, com um simples: "É já para o mês que vem!".
Parece que a frase dilui o tempo, dilui a ansiedade, aproxima as tão desejadas datas ainda tão futuras!
Mas ainda falta o fevereiro todo e o março quase todo também. Feitas as contas certas, faltam seis semanas. Mas é já para o mês que vem!
Seja lá o que for, dei por mim, no primeiro dia do mês, a responder à pergunta que mais frequentemente me fazem, com um simples: "É já para o mês que vem!".
Parece que a frase dilui o tempo, dilui a ansiedade, aproxima as tão desejadas datas ainda tão futuras!
Mas ainda falta o fevereiro todo e o março quase todo também. Feitas as contas certas, faltam seis semanas. Mas é já para o mês que vem!
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
TSF, hora e cinquenta e oito...
... menos uma hora nos Açores! E segue-se uma rajada de notícias. Umas boas, outras nem tanto. Outras ainda, nem notícias deviam ser. Mas a rádio da minha eleição para despertar inventa-as, porque assim tem de ser. Não se pode saltar um noticiário. Depois, entra o separador do tempo: o país inteiro, Madeira e Açores, com previsões e temperaturas "atualizadas há minutos". Tudo em menos de um minuto. Chega a hora certa e segue-se o desenvolvimento da notícia, ou não-notícia, do dia, ou melhor, da noite, que àquela hora o dia é ainda uma criança. ( Costuma dizer-se isto da noite, não é? Pois o dia não lhe pode ficar atrás.)
Hoje, a notícia forte foi o trabalho de investigação sobre postais ilustrados e a comparação com o que fazemos, agora, com a ferramenta dos blogues.
Ouvi com atenção. Gostei. Concordei.
Senti saudades dos postais que, por me afirmar colecionadora, recebia de todos os que viajavam. (Passou-me a febre da coleção mas ficaram muitos postais numa caixa que eu nem sei onde está. )
Mas tinha uns, cá fora, à mão, que já serviram para este blogue. Peguei-lhes com a intenção de fazer uma pequena homenagem aos postais ilustrados. Apenas isso. No entanto, para além dos meus lugares distantes que nao revisitarei, encontrei as "pessoas", as minhas pessoas desses tempos e desses lugares. Vieram ter comigo hoje, sabe-se lá porquê. E o carinho e a ternura que sentiam por mim está nestes postais.
Como era. (L.M. 15/3/71…) Como é.
O tempo não passou por aqui...
Montijo, 24 de janeiro de 2012. Querida Rosa, queria tanto poder responder-te agora! De qualquer maneira: obrigada pelo postal. Adoro o “pôr-do-sol”! Tu lá sabias. No próximo fim de semana, vou procurar os outros postais que me mandaste, aqueles que compraste no velhote da Massano de Amorim, ao lado da Cooperativa!
Hoje, a notícia forte foi o trabalho de investigação sobre postais ilustrados e a comparação com o que fazemos, agora, com a ferramenta dos blogues.
Ouvi com atenção. Gostei. Concordei.
Senti saudades dos postais que, por me afirmar colecionadora, recebia de todos os que viajavam. (Passou-me a febre da coleção mas ficaram muitos postais numa caixa que eu nem sei onde está. )
Mas tinha uns, cá fora, à mão, que já serviram para este blogue. Peguei-lhes com a intenção de fazer uma pequena homenagem aos postais ilustrados. Apenas isso. No entanto, para além dos meus lugares distantes que nao revisitarei, encontrei as "pessoas", as minhas pessoas desses tempos e desses lugares. Vieram ter comigo hoje, sabe-se lá porquê. E o carinho e a ternura que sentiam por mim está nestes postais.
Como era. (L.M. 15/3/71…) Como é.
O tempo não passou por aqui...
Montijo, 24 de janeiro de 2012. Querida Rosa, queria tanto poder responder-te agora! De qualquer maneira: obrigada pelo postal. Adoro o “pôr-do-sol”! Tu lá sabias. No próximo fim de semana, vou procurar os outros postais que me mandaste, aqueles que compraste no velhote da Massano de Amorim, ao lado da Cooperativa!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Pé ante pé...
Começou de um modo muito triste o ano que agora se vai embora.
A minha priminha já não corre, por entre os canteiros de couves e de alfaces que havia no quintal da minha avó, aquele que eu sempre julguei ser o Éden, com o rabo-de-cavalo a acompanhar a corrida, balançando para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo. E eu, ondulando timidamente no baloiço que o meu avô tinha conseguido construir, com uma tábua e duas cordas, sem coragem para grande balanço, contemplava e seguia encantada o caminho das correrias das mais novas...
Eram bem mais felizes do que eu as minhas priminhas! Podiam ter rabo-de-cavalo, bibes coloridos, podiam correr, sabiam correr, sabiam cantar, sabiam dançar.
Nos primeiros dias do ano, recebi a notícia: a minha priminha já não correria mais por entre as couves e as alfaces do jardim da casa dos nossos avós.
Depois os meses correram, voaram e a crise colou-se às nossas conversas, aos nossos pensamentos, de modo tal que parece tudo ter já ruído no futuro que nos espera.
Mas o dois mil e onze trouxe-me também a promessa de uma nova vida. Ninguém substitui ninguem. São paragens da linha da Vida que embarcam uns e desembarcam outros.
E há que saber viver os momentos todos, com a nossa alma vestida a rigor.
Feliz dois mil e doze!
A minha priminha já não corre, por entre os canteiros de couves e de alfaces que havia no quintal da minha avó, aquele que eu sempre julguei ser o Éden, com o rabo-de-cavalo a acompanhar a corrida, balançando para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo. E eu, ondulando timidamente no baloiço que o meu avô tinha conseguido construir, com uma tábua e duas cordas, sem coragem para grande balanço, contemplava e seguia encantada o caminho das correrias das mais novas...
Eram bem mais felizes do que eu as minhas priminhas! Podiam ter rabo-de-cavalo, bibes coloridos, podiam correr, sabiam correr, sabiam cantar, sabiam dançar.
Nos primeiros dias do ano, recebi a notícia: a minha priminha já não correria mais por entre as couves e as alfaces do jardim da casa dos nossos avós.
Depois os meses correram, voaram e a crise colou-se às nossas conversas, aos nossos pensamentos, de modo tal que parece tudo ter já ruído no futuro que nos espera.
Mas o dois mil e onze trouxe-me também a promessa de uma nova vida. Ninguém substitui ninguem. São paragens da linha da Vida que embarcam uns e desembarcam outros.
E há que saber viver os momentos todos, com a nossa alma vestida a rigor.
Feliz dois mil e doze!
sábado, 19 de novembro de 2011
Memórias dos Dias
As canções dos Beatles foram a banda sonora de uma revolução global que nós, os “sessentinhas” e os “cinquentões”, vivemos com a gulodice própria da adolescência, daquelas cheias de “borbulhas no rosto”, como diz a canção do Rui Veloso. Foi bom! De repente, o mundo parecia estar a nosso favor e não contra nós, “para nos tramar”… (Outra vez a canção do Rui Veloso!)
A primeira vez que me lembro de dançar (eu, que nem sabia dançar!) ao som daquela magia que toma conta de nós e nós não sabemos porquê, foi no aniversário da minha prima Madalena. Ela fazia os mesmos dez anos que eu tinha feito dois dias antes. Estávamos crescidas! (Achávamos nós!)
O Twist and Shout passava uma vez e outra vez no pick up que coloria de som a festa de anos.
Nós não sabíamos porque quem está por dentro das coisas não vê, mas a adolescência estava mesmo a chegar, com uma bagagem de novas sensações. Também não sabíamos e ainda não sabemos tudo acerca das sensações: só se sabe o que se experiencia na primeira pessoa.
Também não sabíamos, mas em breve viríamos a compreender que anda tudo ligado. Naquela manhã em que a minha mãe me foi acordar, com o medo na voz e nos gestos, percebi que ser adulto podia não ser assim tão fácil como imaginavam os meus dez anos, presos às pernas altas e corpo desengonçado: mataram o Kennedy! Ora o Kennedy não era só política: havia o lado cor de rosa dos Kennedy que tinha acabado de nascer com a belíssima, requintadíssima Jackie.
Bem, pelo menos ainda não tinha sido o Salazar, que esse parecia ser o medo máximo da minha mãe. Esse sim punha em causa vivermos como vivíamos, já então numa antecipação de conforto que havia de caracterizar o fim do século vinte.
Chegados à adolescência, lá estavam os Beatles. “Aqueles guedelhudos” que se calhar nem banho tomavam todos os dias! Enquanto uns se fixavam nos cabelos escandalosamente compridos, quase a tocar o colarinho da camisa, outros aproveitavam as letras para “crescer” e o mundo pulava e avançava “como bola colorida” entre as mãos de uma criança que ia ficando cada vez mais para trás. Estávamos a perder a "criança" (que dizemos que ora dentro de nós) e parecia não nos importarmos com isso…
Foi pena termos perdido essa criança!
A 19 de Novembro de 1967 os Beatles lançavam o seu álbum “Magical Mistery Tour”. Like a fool on te hill faz parte desse trabalho e não tem nada a ver com twist. Tem mais a ver com uma nova maneira de ver o mundo, lá de cima, do topo do monte…
Like a fool on the hill...
A primeira vez que me lembro de dançar (eu, que nem sabia dançar!) ao som daquela magia que toma conta de nós e nós não sabemos porquê, foi no aniversário da minha prima Madalena. Ela fazia os mesmos dez anos que eu tinha feito dois dias antes. Estávamos crescidas! (Achávamos nós!)
O Twist and Shout passava uma vez e outra vez no pick up que coloria de som a festa de anos.
Nós não sabíamos porque quem está por dentro das coisas não vê, mas a adolescência estava mesmo a chegar, com uma bagagem de novas sensações. Também não sabíamos e ainda não sabemos tudo acerca das sensações: só se sabe o que se experiencia na primeira pessoa.
Também não sabíamos, mas em breve viríamos a compreender que anda tudo ligado. Naquela manhã em que a minha mãe me foi acordar, com o medo na voz e nos gestos, percebi que ser adulto podia não ser assim tão fácil como imaginavam os meus dez anos, presos às pernas altas e corpo desengonçado: mataram o Kennedy! Ora o Kennedy não era só política: havia o lado cor de rosa dos Kennedy que tinha acabado de nascer com a belíssima, requintadíssima Jackie.
Bem, pelo menos ainda não tinha sido o Salazar, que esse parecia ser o medo máximo da minha mãe. Esse sim punha em causa vivermos como vivíamos, já então numa antecipação de conforto que havia de caracterizar o fim do século vinte.
Chegados à adolescência, lá estavam os Beatles. “Aqueles guedelhudos” que se calhar nem banho tomavam todos os dias! Enquanto uns se fixavam nos cabelos escandalosamente compridos, quase a tocar o colarinho da camisa, outros aproveitavam as letras para “crescer” e o mundo pulava e avançava “como bola colorida” entre as mãos de uma criança que ia ficando cada vez mais para trás. Estávamos a perder a "criança" (que dizemos que ora dentro de nós) e parecia não nos importarmos com isso…
Foi pena termos perdido essa criança!
A 19 de Novembro de 1967 os Beatles lançavam o seu álbum “Magical Mistery Tour”. Like a fool on te hill faz parte desse trabalho e não tem nada a ver com twist. Tem mais a ver com uma nova maneira de ver o mundo, lá de cima, do topo do monte…
Like a fool on the hill...
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Só acontece aos outros...
Maria Antónia Palla publicou, no final dos anos setenta, um conjunto de peças jornalísticas, denunciando casos de que a Humanidade certamente se envergonha: maus tratos perpetrados ou consentidos, com trágicas consequências. Às vezes, a mais trágica, a morte.
Tudo nos choca, com conta, peso e medida. Na maior parte das vezes, consciente ou inconscientemente damos a nós mesmos o mote para glosarmos a indiferença. Porque só acontece aos outros...
E os outros, por definição, nunca somos nós.
É certo que não podemos viver em permanente estado de choque que, também por definição, nos inibe de agir.
É por essa razão que a maioria de nós já desliga os aparelhos de televisão.
-É só desgraças!
E nós não estamos cá para ouvir desgraças
- Para desgraça, já chega a nossa vida! Assim vamos, dia a dia, adiando a nossa intervenção, desleixando o nosso contributo para um mundo melhor.
Há uns dias, uma pedra foi ter comigo à aula. Não houve intenção de me magoar. Eu creio. Os alunos já estavam todos fora da sala, no recreio e não eram meus alunos.
(Recreio? Qual recreio? Um espaço encharcado, enlameado onde não há baloiços nem marcas da macaca no chão? Desculpem, já estou a delirar!)
Tratava-se de uma “aula de substituição”! A ideia foi assustar-me, penso eu. E brincar. Dá jeito à gabarolice e quem viu pode sempre provar que aconteceu mesmo.
Como não há feridos, não há desgraça, mas para mim também não tem graça nenhuma. Pelo susto, primeiro. Depois pelo que significa em termos de falhas na nossa educação, no nosso sistema educativo, na nossa cultura que promove a violência.
E vamos continuar assim, porque isso “só acontece aos outros”!
Desenho oferecido por uma aluna, na aula de substituição seguinte.
Tudo nos choca, com conta, peso e medida. Na maior parte das vezes, consciente ou inconscientemente damos a nós mesmos o mote para glosarmos a indiferença. Porque só acontece aos outros...
E os outros, por definição, nunca somos nós.
É certo que não podemos viver em permanente estado de choque que, também por definição, nos inibe de agir.
É por essa razão que a maioria de nós já desliga os aparelhos de televisão.
-É só desgraças!
E nós não estamos cá para ouvir desgraças
- Para desgraça, já chega a nossa vida! Assim vamos, dia a dia, adiando a nossa intervenção, desleixando o nosso contributo para um mundo melhor.
Há uns dias, uma pedra foi ter comigo à aula. Não houve intenção de me magoar. Eu creio. Os alunos já estavam todos fora da sala, no recreio e não eram meus alunos.
(Recreio? Qual recreio? Um espaço encharcado, enlameado onde não há baloiços nem marcas da macaca no chão? Desculpem, já estou a delirar!)
Tratava-se de uma “aula de substituição”! A ideia foi assustar-me, penso eu. E brincar. Dá jeito à gabarolice e quem viu pode sempre provar que aconteceu mesmo.
Como não há feridos, não há desgraça, mas para mim também não tem graça nenhuma. Pelo susto, primeiro. Depois pelo que significa em termos de falhas na nossa educação, no nosso sistema educativo, na nossa cultura que promove a violência.
E vamos continuar assim, porque isso “só acontece aos outros”!
Desenho oferecido por uma aluna, na aula de substituição seguinte.
domingo, 16 de outubro de 2011
A Poesia do António
Andamos sempre às voltas com os tempos das nossas vidas: o presente fica literalmente esmagado por vezes entre os pretéritos todos e os futuros que a nossa condição humana nos impõe como estímulo de vida. Se deixarmos de acreditar veementemente no futuro, o que é que nos resta?
Ontem, o pretérito revelou-se mais que perfeito! Desembrulharam-se os afectos guardados e eis que, restaurados nas novas identidades que somos hoje, estavam fresquinhos que nem alfaces. Criopreservação, presumo!
A Cândida, a quem os anos não roubaram beleza nem juventude, disse os poemas que escolheu, no "segredo" do seu encontro com a poesia do António: Ser Livre e Visão.
"Sou a pessoa errada
no mundo errado."
O silêncio pesou ainda mais quando ela disse estes dois versos, linhas de força deste poema.
Pedi-lhe ainda que lesse um terceiro, um que me tinha seduzido já que vem ao encontro das minhas preferências: as árvores. Gosto de todas.
Falar com árvores
Lembro-me! Quando era jovem,
costumava brincar no jardim
e falava com as árvores e...
esperava por uma resposta;
ficava lá junto a elas até o sol se esconder,
adormecia sobre a relva
seca e macia.
Com o passar dos tempos
as árvores envelheciam comigo;
já não falava com elas, mas
ainda as admirava.
Agora! Velho e solitário,
neste canto do universo,
penso nesses tempos da minha juventude;
quando os nossos espíritos
se desdobravam em sonhos e
quando eu pensava que as
árvores falavam.
As árvores têm envelhecido comigo. Mesmo aquelas que eu não vejo com os olhos da cara, adivinho-as com os olhos suplentes da memória e acho que têm as mesmas rugas que eu.
Percorri os poemas do António com o prazer de um passeio... Senti que todos estávamos a contribuir para um momento único na vida daquele adolescente que se tinha chegado à frente naqueles versos, com beleza e pudor. As emoções cresciam na sala. Esquecemo-nos de tudo o que se passava além "cantinho" da Livraria Barata. Só estávamos nós, no mundo naquele instante. Vi lágrimas. Vi muita ternura e adivinhei emoções fortíssimas no poeta que se sentava ao meu lado. Pedi à Cândida que lesse mais um poema, um dos muitos em que está presente a sensação física.
O traço de união foi a poesia que como nós saía de um passado já distante...
Parabéns, António Runa. Deixa seguir o teu "Último Adeus" que já não te pertence. Agora é dos leitores!
Ontem, o pretérito revelou-se mais que perfeito! Desembrulharam-se os afectos guardados e eis que, restaurados nas novas identidades que somos hoje, estavam fresquinhos que nem alfaces. Criopreservação, presumo!
A Cândida, a quem os anos não roubaram beleza nem juventude, disse os poemas que escolheu, no "segredo" do seu encontro com a poesia do António: Ser Livre e Visão.
"Sou a pessoa errada
no mundo errado."
O silêncio pesou ainda mais quando ela disse estes dois versos, linhas de força deste poema.
Pedi-lhe ainda que lesse um terceiro, um que me tinha seduzido já que vem ao encontro das minhas preferências: as árvores. Gosto de todas.
Falar com árvores
Lembro-me! Quando era jovem,
costumava brincar no jardim
e falava com as árvores e...
esperava por uma resposta;
ficava lá junto a elas até o sol se esconder,
adormecia sobre a relva
seca e macia.
Com o passar dos tempos
as árvores envelheciam comigo;
já não falava com elas, mas
ainda as admirava.
Agora! Velho e solitário,
neste canto do universo,
penso nesses tempos da minha juventude;
quando os nossos espíritos
se desdobravam em sonhos e
quando eu pensava que as
árvores falavam.
As árvores têm envelhecido comigo. Mesmo aquelas que eu não vejo com os olhos da cara, adivinho-as com os olhos suplentes da memória e acho que têm as mesmas rugas que eu.
Percorri os poemas do António com o prazer de um passeio... Senti que todos estávamos a contribuir para um momento único na vida daquele adolescente que se tinha chegado à frente naqueles versos, com beleza e pudor. As emoções cresciam na sala. Esquecemo-nos de tudo o que se passava além "cantinho" da Livraria Barata. Só estávamos nós, no mundo naquele instante. Vi lágrimas. Vi muita ternura e adivinhei emoções fortíssimas no poeta que se sentava ao meu lado. Pedi à Cândida que lesse mais um poema, um dos muitos em que está presente a sensação física.
O traço de união foi a poesia que como nós saía de um passado já distante...
Parabéns, António Runa. Deixa seguir o teu "Último Adeus" que já não te pertence. Agora é dos leitores!
sábado, 1 de outubro de 2011
Ter outra vez vinte anos....
ESte é o título de uma cantiga, de um fado! Este é um anseio que preenche, por vezes, o nosso pensamento, quando o desencanto parece ter-se instalado e nos assalta a nostalgia de um tempo em que éramos absolutamente e naturalmente capazes de fruir a felicidade!
Mas o que é certo é que há momentos na vida em que andamos com o filme para trás e lá estamos nós, com vinte anos, outra vez! Com a vantagem de lhes somarmos os quarenta que já nos foram dados, para chegar até aqui!
É o que acontece sempre que nos juntamos, as meninas do terceiro andar do Lar Betânia, o lar das raparigas, na Quinta das Mouras, estrategicamente localizado em frente ao lar dos rapazes... (E à casa do Jorge!!!)
É fácil de perceber que foi um tempo de estudo intensivo... e não só! Muitos namoros, muitas transgressões, muitos sonhos, muitas emoções e muitas desilusões, também. Muitas confidências e muita intimidade.
Hoje é um dia especial para uma de nós, a Milu: o casamento da filha, a Sofia que é uma menina linda e que entende muito bem e aprecia esta nossa adolescência renascida, cada vez que estamos juntas. Queremos Milu que este dia seja perfeito! Queremos Sofia, agradecer-te que nos tenhas convidado a participar deste teu Dia Um, dos novos caminhos que te esperam ao lado do João.
Hoje vamos ter outra vez vinte anos!
Mas o que é certo é que há momentos na vida em que andamos com o filme para trás e lá estamos nós, com vinte anos, outra vez! Com a vantagem de lhes somarmos os quarenta que já nos foram dados, para chegar até aqui!
É o que acontece sempre que nos juntamos, as meninas do terceiro andar do Lar Betânia, o lar das raparigas, na Quinta das Mouras, estrategicamente localizado em frente ao lar dos rapazes... (E à casa do Jorge!!!)
É fácil de perceber que foi um tempo de estudo intensivo... e não só! Muitos namoros, muitas transgressões, muitos sonhos, muitas emoções e muitas desilusões, também. Muitas confidências e muita intimidade.
Hoje é um dia especial para uma de nós, a Milu: o casamento da filha, a Sofia que é uma menina linda e que entende muito bem e aprecia esta nossa adolescência renascida, cada vez que estamos juntas. Queremos Milu que este dia seja perfeito! Queremos Sofia, agradecer-te que nos tenhas convidado a participar deste teu Dia Um, dos novos caminhos que te esperam ao lado do João.
Hoje vamos ter outra vez vinte anos!
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
28 de Setembro de 1974 - Versão (da minha) memória
Saímos de casa muito cedo. Fim de semana, bom tempo. Nada mais apetecível do que um saltinho à Costa da Caparica.
Se houvesse "google maps" na altura, o trajecto recomendado seria: Calçada de Carriche, Avenida Padre cruz, Campo Grande, Avenida da República, Av de Berna, Praça de Espanha, acesso à Ponte, Ponte, primeira saída, via rápida, Costa da Caparica.
Mas não foi. O que aconteceu foi mesmo isto:
Calçada de Carriche: primeira barricada.
Comecei a fazer tricot!
- O melhor é irmos por Vila Franca! Dizia o Jorge.
Já não sabia onde é que ia, nem no tricot, nem no caminho, nem na barricada...
Mas nessa altura, não tinha medo de me perder. Nem tinha carta, portanto eu ia para onde o Jorge e o mini (DG-79-96) me levassem. À confiança!
Continuei a fazer tricot!
Os meus vinte e dois anos estavam cheios do sonho de um bebé que vinha a caminho.
Apesar das barricadas, era preciso tricotar...
Depois da Ponte de Vila Franca, depois de muitas barricadas, direcção Montijo, Sarilhos (Eu podia lá saber que havia uma terra chamada Sarilhos!), Moita e à noite lá chegámos à Costa da Caparica.
A viagem tinha sido proveitosa: as primeiras botinhas do Diogo!
As botinhas eram "obrigatórias" no enxoval dos bebés!
Imagem daqui.
Se houvesse "google maps" na altura, o trajecto recomendado seria: Calçada de Carriche, Avenida Padre cruz, Campo Grande, Avenida da República, Av de Berna, Praça de Espanha, acesso à Ponte, Ponte, primeira saída, via rápida, Costa da Caparica.
Mas não foi. O que aconteceu foi mesmo isto:
Calçada de Carriche: primeira barricada.
Comecei a fazer tricot!
- O melhor é irmos por Vila Franca! Dizia o Jorge.
Já não sabia onde é que ia, nem no tricot, nem no caminho, nem na barricada...
Mas nessa altura, não tinha medo de me perder. Nem tinha carta, portanto eu ia para onde o Jorge e o mini (DG-79-96) me levassem. À confiança!
Continuei a fazer tricot!
Os meus vinte e dois anos estavam cheios do sonho de um bebé que vinha a caminho.
Apesar das barricadas, era preciso tricotar...
Depois da Ponte de Vila Franca, depois de muitas barricadas, direcção Montijo, Sarilhos (Eu podia lá saber que havia uma terra chamada Sarilhos!), Moita e à noite lá chegámos à Costa da Caparica.
A viagem tinha sido proveitosa: as primeiras botinhas do Diogo!

As botinhas eram "obrigatórias" no enxoval dos bebés!
Imagem daqui.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Parabéns, Jorge!
Esta quantia de anos de idade veio mesmo a calhar para te "oferecer" um filmezinho recheado de momentos alegres da vida que já vivemos. Claro que a Vida não se faz só de alegrias. Houve outros momentos. Claro que houve! Mas é bom recuperar os outros, os bons, trazê-los à cena e agradecer-lhes terem "aparecido" tantas vezes e terem-nos ajudado a chegar até aqui.
Parabéns!
Quando eu era miúda, na estaçao B, através de umas antenas que eu nem sei como funcionavam, ouvia-se muitas vezes uma cantiga de parabéns diferente. Nunca me esqueci dos versos e lembrei-me deles hoje, a propósito do teu dia. Sabe-se lá porquê!
Não vou "cantar-te" a cantiga toda. Escolhi estes:
"The gift I have for you
is the promise to be true
to love you through the years
and never never bring you tears"
Quem me dera que fosse possível passarmos por dentro das vidas sem lágrimas. Algumas nem se vêem, mas nem por isso deixam de ser salgadas e doridas.
Já não somos adolescentes, já nem sequer somos "novos" e muitos dos nossos sonhos já são memórias. Outros são ainda sonhos e alguns ainda vão aconchegar os nossos dias.
A tal cantiga, que ouvi vezes sem conta nas noites caladas da minha casa em Moçambique, falava também de futuro. Claro que o registo é o do amor romântico até dizer chega, quase a tocar o que hoje chamam "pimba". Mas, paciência! Ser pimba ou ser ridículo vai dar ao mesmo e se Fernando Pessoa não temeu ser pimba e admitiu o ridículo, por que não eu?
Aí vai o resto:
Tomorrow starts a new year
and memory for the day
I wanna say I love you
darling happy birthday.
E, para terminar, a três minutos do dia de amanhã, agora a pergunta da cantiga dos Beatles: Will you still love me when I'm sixty four?

Parabéns!
Quando eu era miúda, na estaçao B, através de umas antenas que eu nem sei como funcionavam, ouvia-se muitas vezes uma cantiga de parabéns diferente. Nunca me esqueci dos versos e lembrei-me deles hoje, a propósito do teu dia. Sabe-se lá porquê!
Não vou "cantar-te" a cantiga toda. Escolhi estes:
"The gift I have for you
is the promise to be true
to love you through the years
and never never bring you tears"
Quem me dera que fosse possível passarmos por dentro das vidas sem lágrimas. Algumas nem se vêem, mas nem por isso deixam de ser salgadas e doridas.
Já não somos adolescentes, já nem sequer somos "novos" e muitos dos nossos sonhos já são memórias. Outros são ainda sonhos e alguns ainda vão aconchegar os nossos dias.
A tal cantiga, que ouvi vezes sem conta nas noites caladas da minha casa em Moçambique, falava também de futuro. Claro que o registo é o do amor romântico até dizer chega, quase a tocar o que hoje chamam "pimba". Mas, paciência! Ser pimba ou ser ridículo vai dar ao mesmo e se Fernando Pessoa não temeu ser pimba e admitiu o ridículo, por que não eu?
Aí vai o resto:
Tomorrow starts a new year
and memory for the day
I wanna say I love you
darling happy birthday.
E, para terminar, a três minutos do dia de amanhã, agora a pergunta da cantiga dos Beatles: Will you still love me when I'm sixty four?

sábado, 17 de setembro de 2011
Parabéns, filho!
Há trinta e três anos, a Cegonha trouxe-me este bebé rechonchudo!
Estava muito calor: 40 graus. Era uma temperatura completamente inesperada para um Setembro já perto da data oficial do Outono.
Eram cinco e vinte da tarde quando ouvi anunciar: é um menino! Ou melhor. ouvi o pai dizer: Outro rapaz! Coisas de antigamente!
Depois foi o afã do costume: as visitas e as "inspecções" ao recém-chegado, para contar os dedinhos...
O "agregado" passou de três para quatro e havia todos os receios que nascem com um novo elemento na família da casa: o medo que aquele meio metro de gente vá ocupar o espaço todo dos corações dos grandes. Assim, atentos a todas as reacções, apresentámos os manos, um ao outro. O Diogo manteve durante muito tempo um olhar desconfiado, mas a pouca idade também não ajudava a dizer o que sentia. Tínhamos uma prenda preparada para adoçar o encontro: uma garagem da Shell, em brinquedo, claro! Mas o Diogo não se mostrou convencido...
A avó Di nem queria acreditar que se tratava de outro rapaz. Ela que estava à espera de uma menina. O quinto rapaz! Não podia ser.
Mas era mesmo um menino!
Parabéns, filho!
Estava muito calor: 40 graus. Era uma temperatura completamente inesperada para um Setembro já perto da data oficial do Outono.
Eram cinco e vinte da tarde quando ouvi anunciar: é um menino! Ou melhor. ouvi o pai dizer: Outro rapaz! Coisas de antigamente!
Depois foi o afã do costume: as visitas e as "inspecções" ao recém-chegado, para contar os dedinhos...
O "agregado" passou de três para quatro e havia todos os receios que nascem com um novo elemento na família da casa: o medo que aquele meio metro de gente vá ocupar o espaço todo dos corações dos grandes. Assim, atentos a todas as reacções, apresentámos os manos, um ao outro. O Diogo manteve durante muito tempo um olhar desconfiado, mas a pouca idade também não ajudava a dizer o que sentia. Tínhamos uma prenda preparada para adoçar o encontro: uma garagem da Shell, em brinquedo, claro! Mas o Diogo não se mostrou convencido...
A avó Di nem queria acreditar que se tratava de outro rapaz. Ela que estava à espera de uma menina. O quinto rapaz! Não podia ser.
Mas era mesmo um menino!
Parabéns, filho!
domingo, 11 de setembro de 2011
As (minhas) Sete Maravilhas da (minha) Gastronomia
O júri que aclama esta escolha é constituído por uma remota, mas nem por isso menos viva, memória das iguarias que alimentaram a minha infância, que deram sabor a esses dias que nem sempre são tão cor-de-rosa, como se imaginam, nem tão dourados, como se recordam. O tempero que domina toda e qualquer preparação é, sem dúvida, a dedicação carinhosa.
Comecemos pelas batatas fritas que saíam do azeite borbulhante das frigideiras de ferro. As batatas eram descascadas e depois cortadas em palitos, nem finos nem grossos, com a “medida” que a minha avó tinha na mão e na intuição, para o sabor que pretendia. Eram servidas em travessas abundantes. Algumas não passavam da cozinha. A minha avó fingia que não via e nós convencíamo-nos que tínhamos iludido a sua atenção!
O Caldo Verde da Tia Miquelina! As couves podiam ser as mesmas dos outros “caldos verdes”, as batatas e as cebolas também. Este caldo verde sabia pela vida. A minha tia era pobre. Pobre de bens materiais, pobre de dinheiro. Mas suas mãos, o seu talento e o seu amor transformavam todos os pratos numa iguaria que os ricos nunca provaram. (Tenho tantas saudades suas, Tia!)
O arroz de grelos da minha avó! Era uma das especialidades também.
O arroz de grelos acompanhava sempre os pastéis de bacalhau igualmente divinais. A última refeição que fiz em casa dos meus avós, nas férias grandes de 72, foi esta! Apesar das limitações da doença que lhe “tolhia” as pernas e a impedia de permanecer em pé, junto ao fogão, a minha avó preparou-me este manjar…. Obrigada, Avó!
O caril de galinha, prato domingueiro que a minha tia Odete Pequenina preparava pela manhã, cedinho. Depois da praia, apurado pelo tempo, servia-se o caril acompanhado de arroz branco, muito branco, muito solto.
E o chacuti que a doente do meu pai mandava frequentemente em sinal de agradecimento e reconhecimento a propósito de tudo e de nada?! A mais inofensiva injecção dava direito a um belo chacuti. Nunca consegui distinguir muito bem os ingredientes, mas isso não era diminuía o prazer de apreciar um sabor diferente. Hoje, associado à memória do chacuti, estão os saris e as lantejoulas que adornavam a senhora, que trazia sempre, a rigor, um ar bondoso e humilde.
O Bife da Princesa era um bife. Normal? Talvez! Mas o molho tinha um segredo qualquer e tornava diferente o sabor do bife. Aos dezassete anos adoeci gravemente: febre tifóide. Depois de um período de febres e delírios chegou a hora da recuperação, da convalescença. Bife da Princesa duas vezes ao dia. O Fabião largava os afazeres domésticos e lá ia ele buscar um Bife à Pastelaria Princesa. (Onde andarás, Fabião?)
Ficam ainda classificados como delícias inesquecíveis: a língua de vaca estufada que a minha mãe preparava, com todo o rigor das receitas transmitidas de geração em geração; os “cocós” dos Velhos Colonos, pequenas sandes de carne assada, inimitáveis; os camarões da Nacional; a carne assada da Nacional e o Frango à Cafreal do Piri-píri.
Mais um registo da memória do passado em prol da memória do futuro!
Na foto, tripas à moda do Porto. O melhor não se vê: a companhia dos amigos. Vieira do Minho.
Comecemos pelas batatas fritas que saíam do azeite borbulhante das frigideiras de ferro. As batatas eram descascadas e depois cortadas em palitos, nem finos nem grossos, com a “medida” que a minha avó tinha na mão e na intuição, para o sabor que pretendia. Eram servidas em travessas abundantes. Algumas não passavam da cozinha. A minha avó fingia que não via e nós convencíamo-nos que tínhamos iludido a sua atenção!
O Caldo Verde da Tia Miquelina! As couves podiam ser as mesmas dos outros “caldos verdes”, as batatas e as cebolas também. Este caldo verde sabia pela vida. A minha tia era pobre. Pobre de bens materiais, pobre de dinheiro. Mas suas mãos, o seu talento e o seu amor transformavam todos os pratos numa iguaria que os ricos nunca provaram. (Tenho tantas saudades suas, Tia!)
O arroz de grelos da minha avó! Era uma das especialidades também.
O arroz de grelos acompanhava sempre os pastéis de bacalhau igualmente divinais. A última refeição que fiz em casa dos meus avós, nas férias grandes de 72, foi esta! Apesar das limitações da doença que lhe “tolhia” as pernas e a impedia de permanecer em pé, junto ao fogão, a minha avó preparou-me este manjar…. Obrigada, Avó!
O caril de galinha, prato domingueiro que a minha tia Odete Pequenina preparava pela manhã, cedinho. Depois da praia, apurado pelo tempo, servia-se o caril acompanhado de arroz branco, muito branco, muito solto.
E o chacuti que a doente do meu pai mandava frequentemente em sinal de agradecimento e reconhecimento a propósito de tudo e de nada?! A mais inofensiva injecção dava direito a um belo chacuti. Nunca consegui distinguir muito bem os ingredientes, mas isso não era diminuía o prazer de apreciar um sabor diferente. Hoje, associado à memória do chacuti, estão os saris e as lantejoulas que adornavam a senhora, que trazia sempre, a rigor, um ar bondoso e humilde.
O Bife da Princesa era um bife. Normal? Talvez! Mas o molho tinha um segredo qualquer e tornava diferente o sabor do bife. Aos dezassete anos adoeci gravemente: febre tifóide. Depois de um período de febres e delírios chegou a hora da recuperação, da convalescença. Bife da Princesa duas vezes ao dia. O Fabião largava os afazeres domésticos e lá ia ele buscar um Bife à Pastelaria Princesa. (Onde andarás, Fabião?)
Ficam ainda classificados como delícias inesquecíveis: a língua de vaca estufada que a minha mãe preparava, com todo o rigor das receitas transmitidas de geração em geração; os “cocós” dos Velhos Colonos, pequenas sandes de carne assada, inimitáveis; os camarões da Nacional; a carne assada da Nacional e o Frango à Cafreal do Piri-píri.
Mais um registo da memória do passado em prol da memória do futuro!
domingo, 28 de agosto de 2011
Amanhã é outro dia...
Outro lugar comum. Os dias sucedem-se indiferentes à esperança que tem de nos alimentar a vida. Essa, sim, a esperança é a última a morrer!
Como em todos os lugares comuns,há uma dose de verdade que advém da própria essência da natureza disse ditados: a sabedoria adquirida via experiência de vida de um povo ou vários.
Há que interiorizar essa parte.
domingo, 7 de agosto de 2011
tele... novelas "Será que Júlia vai casar com o irmão dela?"
“Os tempos mudaram!”, é a conclusão aparentemente ligeira de quem vive o hoje com a memória bem viva dos dias de ontem. Dos dias e das noites, dos chamados serões em que a televisão fazia as delícias de todos: maiores, mais pequenos, mais velhos e mais novos.
Aquilo que hoje sobra nos canais televisivos era único, num canal de uma única estação a RTP. 1977, se a memória não me atraiçoa, foi tempo de aprendermos a gostar de telenovelas.
"Quando eu vim para este mundo, eu não atinava em nada..."
Estes eram os sons que nos empurravam para o sofá para assistir a mais umas cenas de sedução inspiradas no talento do mestre Jorge Amado. As personagens desfilavam no meu pequeno ecrã a preto e branco. Digo a preto e branco, mas sei que as cores estavam lá...
Apesar de ter sido esta a primeira das primeiras, a que parou Portugal no último episódio, não foi a que eu mais gostei, ou melhor, viria a gostar. “Olhai os Lírios do Campo” foi sem dúvida a que telenovela que acompanhei com mais emoção.
(Já tinha lido o livro duas vezes. Tinha sido o meu primeiro livro de gente mais ou menos crescida e eu tinha só treze anos. Claro que não o entendi. Li-o outra vez, uns anos mais tarde e depois vi a telenovela. Voltei a reler o que eu entendo que é a obra essencial de Erico Veríssimo.)
Muito fiel à inspiração literária, eu vi na Nívea Maria a verdadeira Olívia, corajosa até ao limite, fiel aos seus princípios, ao amor, à verdade. Eu vi no actor que nem sei o nome, um Eugénio incapaz de integrar a pobreza da casa paterna no seu sonho ambicioso de médico de renome.
Agora, os vários canais oferecem muitas telenovelas e de vez em quando eu vejo, mas não consigo encontrar muitas parecenças com a vida real. A verosimilhança é fundamental para captar a nossa atenção de espectador e nestas, nomeadamente na que tenho seguido, Laços de Sangue, qualquer aspecto que se pareça com a verdade é pura coincidência.
A sorte é que tenho sempre este espaço comunicação que me compensa das desilusões sofridas.
Atrevo-me a dizer que neste momento a televisão se parece com a ideia que o Ministro Lino tinha da margem sul: um deserto. Valha-nos a RTP Memória!!!! Sempre podemos voltar a rir com o saudoso Solnado ou chorar com alguma tragédia, num palco cheio de gente que convém não esquecer!
Olhai os Lírios do Campo, abertura
Aquilo que hoje sobra nos canais televisivos era único, num canal de uma única estação a RTP. 1977, se a memória não me atraiçoa, foi tempo de aprendermos a gostar de telenovelas.
"Quando eu vim para este mundo, eu não atinava em nada..."
Estes eram os sons que nos empurravam para o sofá para assistir a mais umas cenas de sedução inspiradas no talento do mestre Jorge Amado. As personagens desfilavam no meu pequeno ecrã a preto e branco. Digo a preto e branco, mas sei que as cores estavam lá...
Apesar de ter sido esta a primeira das primeiras, a que parou Portugal no último episódio, não foi a que eu mais gostei, ou melhor, viria a gostar. “Olhai os Lírios do Campo” foi sem dúvida a que telenovela que acompanhei com mais emoção.
(Já tinha lido o livro duas vezes. Tinha sido o meu primeiro livro de gente mais ou menos crescida e eu tinha só treze anos. Claro que não o entendi. Li-o outra vez, uns anos mais tarde e depois vi a telenovela. Voltei a reler o que eu entendo que é a obra essencial de Erico Veríssimo.)
Muito fiel à inspiração literária, eu vi na Nívea Maria a verdadeira Olívia, corajosa até ao limite, fiel aos seus princípios, ao amor, à verdade. Eu vi no actor que nem sei o nome, um Eugénio incapaz de integrar a pobreza da casa paterna no seu sonho ambicioso de médico de renome.
Agora, os vários canais oferecem muitas telenovelas e de vez em quando eu vejo, mas não consigo encontrar muitas parecenças com a vida real. A verosimilhança é fundamental para captar a nossa atenção de espectador e nestas, nomeadamente na que tenho seguido, Laços de Sangue, qualquer aspecto que se pareça com a verdade é pura coincidência.
A sorte é que tenho sempre este espaço comunicação que me compensa das desilusões sofridas.
Atrevo-me a dizer que neste momento a televisão se parece com a ideia que o Ministro Lino tinha da margem sul: um deserto. Valha-nos a RTP Memória!!!! Sempre podemos voltar a rir com o saudoso Solnado ou chorar com alguma tragédia, num palco cheio de gente que convém não esquecer!
Olhai os Lírios do Campo, abertura
sábado, 23 de julho de 2011
É sempre a mesma "conclusão"... O tempo voa.
Já lá vão 39 anos.
Tanto que eu tinha desejado este momento. Tanto que eu tinha sonhado com o meu regresso a Moçambique, a Lourenço Marques, à casa da minha mãe, ao carinho dos meus amigos, ao convívio sempre alegre das minhas primas, ao "colo" dos meus avós, às conversas demoradas sobre a Vida, com o meu pai.
E agora que estava ali, no aeroporto, para seguir no avião da TAP, tudo o que eu queria era mesmo ficar. O namoro tinha começado há tão pouco tempo! Queria ficar e continuar a namorar.
Uns tempos antes, eu tinha preparado esta viagem com muito entusiasmo. Queria revisitar os meus lugares. Queria sentir as minhas praias, apanhar ameijoa na Costa do Sol, comer camarões na Nacional, "bater-me" com os bifes da Princesa que tanto tinham contribuído para a minha rápida convalescença da tifóide. Queria beber as coca-colas todas que não tinha bebido nos dois anos que me separavam de "mim". Queria sorvetes da Cooperativa e sentir a inspiração das noites do Zambi...
Agora, só queria ficar!
Mas não podia ficar. E lá estivemos os quatro: a Dulce, o Rui, o Jorge e eu, até ao último momento que nos deixaram ficar na zona mítica das despedidas. (Hoje fala-se em check in e check out e o romantismo da despedida e dos reencontros passou a disfarçar-se de normalidade!)
Catorze horas depois, eu e a Dulce desembarcámos em Lourenço Marques. E não havia telemóveis, não havia Skypes, não havia nada. Havia saudades que mudavam de dono…
Agosto de 1973: eu, em Nampula; o Jorge, em Veneza!
Tanto que eu tinha desejado este momento. Tanto que eu tinha sonhado com o meu regresso a Moçambique, a Lourenço Marques, à casa da minha mãe, ao carinho dos meus amigos, ao convívio sempre alegre das minhas primas, ao "colo" dos meus avós, às conversas demoradas sobre a Vida, com o meu pai.
E agora que estava ali, no aeroporto, para seguir no avião da TAP, tudo o que eu queria era mesmo ficar. O namoro tinha começado há tão pouco tempo! Queria ficar e continuar a namorar.
Uns tempos antes, eu tinha preparado esta viagem com muito entusiasmo. Queria revisitar os meus lugares. Queria sentir as minhas praias, apanhar ameijoa na Costa do Sol, comer camarões na Nacional, "bater-me" com os bifes da Princesa que tanto tinham contribuído para a minha rápida convalescença da tifóide. Queria beber as coca-colas todas que não tinha bebido nos dois anos que me separavam de "mim". Queria sorvetes da Cooperativa e sentir a inspiração das noites do Zambi...
Agora, só queria ficar!
Mas não podia ficar. E lá estivemos os quatro: a Dulce, o Rui, o Jorge e eu, até ao último momento que nos deixaram ficar na zona mítica das despedidas. (Hoje fala-se em check in e check out e o romantismo da despedida e dos reencontros passou a disfarçar-se de normalidade!)
Catorze horas depois, eu e a Dulce desembarcámos em Lourenço Marques. E não havia telemóveis, não havia Skypes, não havia nada. Havia saudades que mudavam de dono…
Agosto de 1973: eu, em Nampula; o Jorge, em Veneza!
terça-feira, 12 de julho de 2011
E se casássemos...
E se casássemos?!
Foi assim, com este romantismo todo, que o Jorge formulou aquele pedido que aconchega os nossos sonhos de menina. Nem anel, nem postura ajoelhada, nem declaração de amor reiterado... Nada! E se casássemos?! Como quem diz que em vez de andarmos por aí aos caídos, um para cada lado, mais vale andarmos aos caídos para o mesmo lado!
E não é que eu aproveitei logo a ideia e resolvi pôr em prática o mais importante? Arranjar uma casa!
Pois... é que eu queria mesmo casar ( O meu lado Susaninha porque nem todas as meninas de então se podem gabar de ter um lado Mafaldinha!) e tinha de aproveitar aquela distracção, não fosse ele arrepender-se e não tornar a dizer nada parecido.
É verdade que eu sonhava com a declaração de amor. É verdade que eu sonhava com o verdadeiro sonho. Certo é que já tinha recebido um manjerico no Santo António! Sempre é um sinal. Uma evidência, como se diz agora!
Aí fomos nós, cinco minutos depois à procura da casa. Não foi a primeira porque os dois contos e quinhentos, doze euros e meio na moeda da Troika, era demais, apurados que foram, em dez minutos, os recursos em escudos. Mas a segunda já cabia no Orçamento Geral do nosso estado de enamoramento, mais propriamente do meu enamoramento: dois contos trezentos e cinquenta.
Era doze de Julho e estava calor. Ainda bem que acertámos à segunda. Era um terceiro andar, na Rua José Malhoa em Odivelas. Três assoalhadas, porque na época ainda não havia T2.
Urgia oficializar mais o noivado, para estancar qualquer arrependimento, daqueles que se lêem nos romances. Uma carta para o meu pai. Uma carta para a minha mãe.
Querido papá... Querida mamã... vou casar. O meu namorado chama-se Jorge e é estudante de medicina. É de Angola e mais pormenores daqueles que os pais gostam de saber. Sobretudo as mães. Prometo que não vou deixar de estudar, etc, etc...
Ainda nesse dia, comunicámos aos pais do Jorge. A mesma promessa: não vamos deixar de estudar. O maior medo de um lado e do outro era o mesmo.
Na inocência dos meus vinte anos mais um, achava que alguém podia demolir o meu sonho e proibir-nos de casar. (Só hoje é que eu percebo que ninguém podia e ninguém pode levar-nos a fazer aquilo que não queremos!) Preparava-me para usar o direito da minha maioridade (vinte e um anos) para me casar sem autorização. Mas não foi preciso.
No dia seguinte, lá fomos ao Banco que tratava do aluguer. O terceiro andar já estava ocupado. Mas o segundo estava livre e até tinha umas paredes muito lindas, dizia a Dona Piedade que fazia as honras das apresentações e visitas aos andares. Ficámos com o segundo. Foi só uma questão de cobrir, com uma tinta barata mas eficaz, as flores desenhadas a rolo…
As certidões chegaram à velocidade do meu desejo e um mês e oito dias depois, lá casámos e fomos finalmente morar para as nossas três assoalhadas de "sonho".
Aí vivemos as alegrias maiores das nossas vidas. Aí começámos tudo!
Foi assim, com este romantismo todo, que o Jorge formulou aquele pedido que aconchega os nossos sonhos de menina. Nem anel, nem postura ajoelhada, nem declaração de amor reiterado... Nada! E se casássemos?! Como quem diz que em vez de andarmos por aí aos caídos, um para cada lado, mais vale andarmos aos caídos para o mesmo lado!
E não é que eu aproveitei logo a ideia e resolvi pôr em prática o mais importante? Arranjar uma casa!
Pois... é que eu queria mesmo casar ( O meu lado Susaninha porque nem todas as meninas de então se podem gabar de ter um lado Mafaldinha!) e tinha de aproveitar aquela distracção, não fosse ele arrepender-se e não tornar a dizer nada parecido.
É verdade que eu sonhava com a declaração de amor. É verdade que eu sonhava com o verdadeiro sonho. Certo é que já tinha recebido um manjerico no Santo António! Sempre é um sinal. Uma evidência, como se diz agora!
Aí fomos nós, cinco minutos depois à procura da casa. Não foi a primeira porque os dois contos e quinhentos, doze euros e meio na moeda da Troika, era demais, apurados que foram, em dez minutos, os recursos em escudos. Mas a segunda já cabia no Orçamento Geral do nosso estado de enamoramento, mais propriamente do meu enamoramento: dois contos trezentos e cinquenta.
Era doze de Julho e estava calor. Ainda bem que acertámos à segunda. Era um terceiro andar, na Rua José Malhoa em Odivelas. Três assoalhadas, porque na época ainda não havia T2.
Urgia oficializar mais o noivado, para estancar qualquer arrependimento, daqueles que se lêem nos romances. Uma carta para o meu pai. Uma carta para a minha mãe.
Querido papá... Querida mamã... vou casar. O meu namorado chama-se Jorge e é estudante de medicina. É de Angola e mais pormenores daqueles que os pais gostam de saber. Sobretudo as mães. Prometo que não vou deixar de estudar, etc, etc...
Ainda nesse dia, comunicámos aos pais do Jorge. A mesma promessa: não vamos deixar de estudar. O maior medo de um lado e do outro era o mesmo.
Na inocência dos meus vinte anos mais um, achava que alguém podia demolir o meu sonho e proibir-nos de casar. (Só hoje é que eu percebo que ninguém podia e ninguém pode levar-nos a fazer aquilo que não queremos!) Preparava-me para usar o direito da minha maioridade (vinte e um anos) para me casar sem autorização. Mas não foi preciso.
No dia seguinte, lá fomos ao Banco que tratava do aluguer. O terceiro andar já estava ocupado. Mas o segundo estava livre e até tinha umas paredes muito lindas, dizia a Dona Piedade que fazia as honras das apresentações e visitas aos andares. Ficámos com o segundo. Foi só uma questão de cobrir, com uma tinta barata mas eficaz, as flores desenhadas a rolo…
As certidões chegaram à velocidade do meu desejo e um mês e oito dias depois, lá casámos e fomos finalmente morar para as nossas três assoalhadas de "sonho".
Aí vivemos as alegrias maiores das nossas vidas. Aí começámos tudo!
sábado, 2 de julho de 2011
Adeus, Carlos!
Adeus, Carlos!
Deixa ficar connosco a memória do teu riso! Deixa ficar connosco o teu olhar espantado e podes até deixar o teu olhar zangado, esse ar que te emprestava uma certa expressão de criança, a mesma com que falavas com as tuas netas.
(O teu lugar é no meio de nós. A tua partida não faz sentido!)
No último almoço, quando todos tirámos as caixas dos comprimidos do bolso e começámos a tomar, desatámos a rir da nossa "velhice" ali escancarada no comprimido da tensão e do colesterol.
Fomos tomando consciência de que a juventude, tal como ela era quando nos conhecemos, estava a passar para os nossos filhos e isso era bom...
Fomos aceitando as mazelas e até fazíamos humor com os sinais exteriores da nossa "avançada" idade de BI. Por dentro, a nossa imensa amizade estava tudo igual. Sobretudo a irreverência que era a nossa imagem de marca. Para a história ficarão as tortas que iam ao ar sem se desmancharem, sem nunca eu ter percebido porquê. O pó da casa da Isabel, tão preocupada com a extrema limpeza. O sonho do carpélio contado pelo Jorge, revisto e aumentado com o passar dos anos e sempre gerador de gargalhada geral.
Não, Carlos, não vai ser nunca mais a mesma coisa. Mas vamos sempre sentir a tua presença, ouvir a tua gargalhada e perscrutar no teu olhar traquina, o homem bom e o bom amigo.
Um dia a gente vê-se, Carlos!!!!
Deixa ficar connosco a memória do teu riso! Deixa ficar connosco o teu olhar espantado e podes até deixar o teu olhar zangado, esse ar que te emprestava uma certa expressão de criança, a mesma com que falavas com as tuas netas.
(O teu lugar é no meio de nós. A tua partida não faz sentido!)
No último almoço, quando todos tirámos as caixas dos comprimidos do bolso e começámos a tomar, desatámos a rir da nossa "velhice" ali escancarada no comprimido da tensão e do colesterol.
Fomos tomando consciência de que a juventude, tal como ela era quando nos conhecemos, estava a passar para os nossos filhos e isso era bom...
Fomos aceitando as mazelas e até fazíamos humor com os sinais exteriores da nossa "avançada" idade de BI. Por dentro, a nossa imensa amizade estava tudo igual. Sobretudo a irreverência que era a nossa imagem de marca. Para a história ficarão as tortas que iam ao ar sem se desmancharem, sem nunca eu ter percebido porquê. O pó da casa da Isabel, tão preocupada com a extrema limpeza. O sonho do carpélio contado pelo Jorge, revisto e aumentado com o passar dos anos e sempre gerador de gargalhada geral.
Não, Carlos, não vai ser nunca mais a mesma coisa. Mas vamos sempre sentir a tua presença, ouvir a tua gargalhada e perscrutar no teu olhar traquina, o homem bom e o bom amigo.
Um dia a gente vê-se, Carlos!!!!
sábado, 25 de junho de 2011
A minha nação primeira!
A dimensão de uma nação não se mede em quilómetros quadrados. Mede-se anos de liberdade. Mede-se em toneladas de coragem para enfrentar um destino sem asas protectoras.
Moçambique é uma nação livre há 36 anos. Junte-se-lhe os anos de luta e a vontade do povo e Moçambique é maior do que o mapa à beira Índico levantado!
Para mim, esta nação mede-se também em memórias que ficaram para sempre com um rótulo que diz "Fabricado/a em Moçambique".
E estas minhas memórias banham-se nesse mar que eu via da varanda da minha casa. E passeiam-se no trajecto dos machibombos, ao longo de avenidas modernas e rasgadamente promissoras em relação ao crescimento da cidade das acácias.
As minhas memórias, embora riscadas e com outros sinais exteriores de idade, levantam-se todos os dias comigo e dormem lindos sonhos de um reabraço aos meus lugares...
Moçambique é uma nação livre há 36 anos. Junte-se-lhe os anos de luta e a vontade do povo e Moçambique é maior do que o mapa à beira Índico levantado!
Para mim, esta nação mede-se também em memórias que ficaram para sempre com um rótulo que diz "Fabricado/a em Moçambique".
E estas minhas memórias banham-se nesse mar que eu via da varanda da minha casa. E passeiam-se no trajecto dos machibombos, ao longo de avenidas modernas e rasgadamente promissoras em relação ao crescimento da cidade das acácias.
As minhas memórias, embora riscadas e com outros sinais exteriores de idade, levantam-se todos os dias comigo e dormem lindos sonhos de um reabraço aos meus lugares...
sábado, 4 de junho de 2011
Dia dos Anos
Tínhamos conversas leves sobre coisas sérias... Tínhamos conversas leves sobre coisas leves... Tínhamos conversas sérias sobre coisas sérias. E foi assim ao longo da Vida, da Vida em que coincidiram o teu tempo e o meu tempo. E a conversa foi talvez a principal ferramenta da minha educação. Cresci nessas conversas. Sentia-me muito importante para ti. Quando tu tinhas "razão" ou quando eu tinha "razão", quando eu também já esgrimia contigo os argumentos da vida vivida. Obrigada, papá, por me teres feito sentir "uma pessoa muito importante" para ti.
Pai e filha, como qualquer pai e qualquer filho! "For you will still be here tomorrow, but your dreams may not."
Também falámos sobre sonhos e projectos e também me disseste que "não deixasse para amanhã o sonho do dia de hoje".
Hoje seria o dia "mais" da conversa. Gostavas de ser o centro das atenções, sobretudo no dia dos teus anos. Sonhavas com prendas como os miúdos pequenos!Tinhas esse direito, sobretudo nesse dia especial!
Pai e filha, como qualquer pai e qualquer filho! "For you will still be here tomorrow, but your dreams may not."
Também falámos sobre sonhos e projectos e também me disseste que "não deixasse para amanhã o sonho do dia de hoje".
Hoje seria o dia "mais" da conversa. Gostavas de ser o centro das atenções, sobretudo no dia dos teus anos. Sonhavas com prendas como os miúdos pequenos!Tinhas esse direito, sobretudo nesse dia especial!
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