terça-feira, 1 de abril de 2014

Parabéns, filho!

Parabéns, filho!
Este momento e momentos iguais a este foram, sem dúvida, os melhores da minha Vida!
Lembro-me bem deste momento, deste cenário e das pessoas que éramos. Tudo o que eu queria na altura era que te sentisses bem, que não tivesses fome nem frio, nem calor nem nenhum mal-estar. Estávamos todos a ensaiar uma nova forma de vida! 
Como há 39 anos, meu filho, desejo-te tudo:  muitos sonhos e muita saúde! 
Agora tens mais "gente" à roda do bolo, gente miúda mas muito importante. 
Parabéns, titio!

domingo, 30 de março de 2014

Medos

O medo é difícil de confessar, de contar, porque ele mesmo é arrepiante. Se o deixamos sair e o pomos ao colo de alguém, ele irrita-se e esbraceja a ponto de saltar de novo para cima de nós, agarrando-se ainda mais, tomado ele mesmo, o medo que saltou e voltou, por um medo novo, extensão de si próprio.
É preciso tratar bem o medo, embalá-lo para que adormeça e permaneça adormecido durante muito, muito tempo.
Dica: o medo adormecido perde a força e quando acorda não é senão um farrapo que durante algum tempo parecia ter vida própria, pronto a dominar a existência dos escolhidos.
O medo é um parasita. Alimenta-se de esperança, da que nos corre nas veias, da que bombeia o coração e há que tratá-lo como tal! Eliminá-lo! reduzi-lo à insignificância de parasita.

O medo é o travão do progresso, um inibidor do crescimento, um cobarde traidor.
Quero-o longe de todos de quem gosto. Quero-o muito longe dos meus netos!
Leiam o Sérgio Godinho...
"Claro que a gente tem medo! (Como é que eram aqueles sinónimos? Susto, pavor pânico, cagaço...) Já imaginaram um bicho desconhecido?mNunca sabemos o que esperar dele. Morderá, não morderá? É venenoso? Feroz ou pachorrento? Traiçoeiro? E já agora, quantos são? Reproduzem-se muito? Invadem a terra? Trazem micróbios para dentro de casa? Doenças? Só atacam se são atacados? Ou atacam eles logo? Enfim, mil perguntas. Quando nãose conhece qualquer coisa a cabeça não pára de fazer perguntas. Não pára, a cabeça."
O Pequeno Livro dos Medos, Sérgio Godinho

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

É Carnaval!


O Carnaval sempre me soou a samba com hora marcada, com riso agendado, música pré-triste, antecipação de quaresma, tempo de jejum, sacrifício e dor... 
No entanto, devo reconhecer que há um lado do carnaval que é genuinamente alegre: o das crianças que se mascaram e muitas delas, sem terem sequer conhecimento perfeito das várias identidades que vamos assumindo ao longo da vida, vestem com um fato de super-homem toda a força da coragem. Uma coragem que supera os limites do fraco corpo que sustenta a nossa verdadeira identidade. Uma coragem que fica ao serviço da humanidade.
O que há mais por aí é disfarces de Super-homem, ou heróis do mesmo género, o que deve querer dizer que todos ambicionamos corrigir o que está errado no mundo, nem que para isso seja preciso fazer o planeta rodar em sentido contrário.
Gosto de ver, como há pouco, um "enxame" "de abelhas maias" de vários tamanhos! Gosto de ver pandas e palhacinhos, leões e joaninhas, morangos e princesas.
Já não entra no meu registo de brincadeira carnavalesca a clássica mudança de sexo com a exaltação do ridículo que vem agarrada!
Não sei se vem a propósito mas acode-me à memória um texto de José Gomes Ferreira a que ele mesmo chamou "infância estragada" em que chama pelas azedas, chora de saudade pelas caretas que provocavam e grita: Onde estão as azedas da minha infância? Tragam-me azedas. Quero morrer a fazer caretas!
Eu também!


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Manos!

Muito se escreve sobre o amor dos irmãos. Há teorias e teorias sobre a maneira como este amor cresce.
Agora é a "nossa" vez ( pais, tios e avós) de perceber como é que este amor engorda e cresce, como eles próprios, os irmãos.
Como muitas vezes percebi, os livros ensinam muito sobre as pessoas: sob a capa da ficção, as verdades impõem-se. Um desses livros, li-o há muitos anos. Da autora Alice Vieira, Rosa Minha Irmã Rosa. A Mariana, de dez anos, é surpreendida pela notícia da chegada de um, ou uma, irmão, ou irmã.
A partir do momento do nascimento, as novas situações e as novas sensações multiplicam-se e a Mariana tem de aprender a lidar com toda a novidade, com o que até aí era desconhecido.
 Até o espaço que a pequenina Rosa ocupa é incompreensível para a Mariana. São 50 cm de gente e tantas gavetas ocupadas!
Não é fácil dividirmos, partilharmos os nossos bens. Como é que se abdica de metade da atenção daqueles que são o nosso mundo, a nossa vida? 
Será que esta dificuldade se apresenta assim nas cabecinhas dos manos mais velhos, de modo tão "explicado"?  Provavelmente, não!
Talvez um dia possa falar sobre isto com os meus netos e recordar-lhes  estes lindos momentos da vida da família mais próxima. Que me dera que sim! Não se  lembrarão do que sentem hoje mas saberão então o verdadeiro valor de uma companhia que vai fazer parte de todos os natais, aniversários e outros momentos importantes.
Saberão então que  são a melhor e mais verdadeira companhia um do outro por tudo o que têm em comum, sobretudo o que toca aos afectos: a mesma mamã, o mesmo papá, os mesmos avós e tios. 
           

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Gerir o tempo!

A gestão do tempo é sempre tão difícil. Daí o sucesso dos horários, dos planos, dos projectos, das combinações, dos convites a longo prazo. Sabemos tantas vezes que as coisas que combinamos nunca se realizarão.
Um dia voltamos à nossa terra. Quando? Nunca! Nunca é tempo.
Sinto o tempo que corre como se fosse um longo fim-de-semana...
Os dias parecem iguais, mas não são, porque há ritmos da vida fora de casa que marcam as datas ou pelo menos os dias da semana. Os meus dias não são iguais por fora, mas são iguais por dentro. É preciso vestir os dias com roupa de semana, mais formal, menos formal, mais casual ou, se for já noite, vestir um pijama para o dia ir dormir.
Por dentro é tudo igual: monotonia!
Dantes, os fins-de-semana terminavam sempre num afã de tarefas que estavam à espera desde o primeiro momento. Perseguiam-me e inquietavam-me, mas só lhes dava ouvidos, olhos e mãos, no tempo limite, no fim do fim-de-semana, no domingo à noite. E o tempo escoava-se à velocidade da luz e, se era mesmo para acabar, acabava-se fosse a que horas fosse.
Receio que o mesmo se passe agora. Só que quando chegar o domingo à noite, o dia seguinte não será segunda-feira, nem muito menos dia de trabalho.
A gestão do tempo é sempre tão difícil....


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Chegou o Duarte!

O Duarte chegou. 
O voo atrasou mas a cegonha aterrou às 22.54, do dia 8, no sítio do costume, onde os papás estavam à espera e onde puderam deleitar-se com a emoção maior de serem pais, agora pela segunda vez, logo, com a mais valia da experiência. 
A notícia correu via todos os meios ao alcance do papá e da Vovó Pipas que estava próxima, muito próxima do "desembarque",  do coração da filha e daquela família que é uma extensão verdadeira de nós mesmos, avós!
A Joaninha já dormia porque o João Pestana não perdooa. 
Estamos todos mais ricos de vida e muito felizes com a chegada do Duarte!
Uma vida linda, querido Duarte!


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Isto é Natal!

(A ouvir a melhor canção de natal de sempre: "War is over", que começa precisamente assim: So this is Christmas and what have you done. Isto é o Natal e o que é que fizeste.)
Se, por dá cá aquela palha me vêm os netos à fala, saltando do meu coração onde estão instaladíssimos, neste tempo de natal, nota-se ainda mais.
Com a  Joaninha a dar os primeiros passos de dança e o Duarte a ensaiar o gosto pelo futebol que deve estar já a correr-lhe nas veias...

É muito bom sentir um gene, que estava esquecido lá para trás, rodopiar nas brincadeiras da Joaninha, hoje, e, amanhã, nas revelações do Duarte. Têm sido tantos e tão bons os momentos passados com ela, a Joaninha,  que não é num registo de meia dúzia de linhas que se dá conta dessas emoções. Quando vamos buscá-la à creche, a emoção fica ao rubro com a corrida de braços abertos ao longo do corredor, com o som da alegria a condizer. No carro, depois das tormentosas instalações de cintos e fivelas, partimos para os curtos trajectos em grandes cantorias.
Obrigada, Joaninha, pela alegria que nos dás!
E tu, Duarte, deixa-te estar mais uns dias no quentinho da barriga da mamã e tão juntinho ao coração dela. Antecipamos as alegrias que nos vais dar e já apetece embalar-te...
Mas tudo a seu tempo!

O Natal aqui ao pé....

O Natal aproxima-se.
Pé ante pé, sem ruídos, instala-se e traz consigo tudo o que lhe pertence, sobretudo uma inebriante dose de fantasia que nos deixa tontos de acreditar.
Acreditar que um destes dias o mundo fica todo do nosso lado e que vamos dar Vivas à Vida, só porque sim!
Acreditar que os que nos deixaram estão em sintonia connosco, ultrapassaram a barreira de todas as impossibilidades e que nos aguardam serenamente, apoiando-nos nos nossos empenhamentos.
Acreditar que as emoções emulsionadas formarão um todo gerador de um bem-estar universal!
Acreditar que o Natal vai do calendário direitinho aos corações de todos e que este pulsar colectivo será a banda sonora dos nossos dias.
Agradeço ao Espírito do Natal esta provocação de esperança!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A magia ajuda a crescer.

Há cento e doze anos nascia, na mítica terra dos sonhos, (que se tornam muitas vezes não tão bons como a palavra sugere), um bebé que viria a crescer alimentado por fantasia e magia: Walt Disney!Uma infância difícil marcada pelo carácter austero do pai viria a definir a fuga à realidade dura: aos dezasseis anos, embarcou para França onde passou um ano a conduzir ambulâncias da Cruz Vermelha!(Quem pode estar preparado, com tão tenra idade, para uma experiência em que a morte e a vida se confrontam a todo o instante com os seus limites!)A sua plataforma de lançamento no mundo do desenho foi o emprego numa agência de publicidade.As várias personagens que animaram a infância da minha geração foram "ter com ele" porque sabiam que daquele lápis saía a imortalidade do sonho, de um mundo faz-de-conta onde prevalece o bem a todo o custo.(Devia ser mesmo assim e às vezes até acredito que é!)Com as histórias infantis eu aprendi tudo, até a amar os defeitos dos meus filhos.Com o Dumbo. Só a mãe o achava bonito, lindo! E esse "achar" fê-lo avançar para o sucesso!É uma lição entre muitas!Eu cresci com os bonecos de Walt Disney, com as lições das histórias que nos faziam rir e chorar ao mesmo tempo.Tal como a Vida, a verdadeira, a real. 
“Cegonha – Aqui está um bebé de olhos azuis, directamente do céu, para ti.”Um dia, a Mamã Jumbo recebeu, directamente da cegonha, o seu bebé elefante. Era lindo, sentia ela. Os outros animais do Circo, onde a Dona Jumbo vivia e trabalhava, porém, não achavam que a cria fosse particularmente bonita. Pelo contrário, troçavam por causa das suas grandes orelhas e começaram a chamar-lhe Dumbo….(Traduzido e adaptado do filme de Walt Disney)

Esta é a minha homenagem a Walt Disney, o responsável máximo pela instalação da fantasia e da magia no mundo moderno, nos mais variados suportes, desde o papel à alta tecnologia, passando pelo género maior, digo eu, o cinema de animação. 
Esta é também uma homenagem ao meu pai que "traduzia" esta fantasia, pintando-a em quadros, na parede da enfermaria de pediatria. 
E para completar esta série, eis que chegam os três porquinhos que guardam o espírito da fantasia há quase dez anos, neste espaço...

domingo, 10 de novembro de 2013

Dez anos!

Agradeço aos meus livrinhos (Divas, Banquete, Tia Árvore, Flamingo e Felismina) os bons momentos que têm trazido à minha/ nossa vida, ao longo destes dez anos, desde 8 de Novembro de 2003, para ser bem precisa!
Desde as ideias que me distraem de pensamentos sérios e pesados, que me trazem coragem para enfrentar os dias menos bons; passando por todo o processo de escrita e de partilha com o meu implacável crítico número um, o Jorge, imprescindível para a continuação das brincadeiras da escrita; passando pelas minhas amigas que não são implacáveis mas são sinceras e me corrigem o que há a corrigir, especialmente a Nini (Ana), a Marta e a Cristina; passando ainda por aquelas, muitas!, que gostam tanto de mim que dão tanto carinho às minhas palermices que uma vida inteira não chega para lhes agradecer. A amizade é uma inspiração superior, tal como todos os afectos. Claro que tenho de destacar as bênçãos da Vida, filhos (incluo a Sofia, com autorização da mãe que também alinha nestas coisas) e netos, contando já com o que a Cegonha traz no bico e está quase a chegar.
Agradeço aos meus livrinhos "os momentos de amizade inesquecíveis" (classificação da Teresa) que vivo nas apresentações/ lançamentos, rodeada de todos os que acorrem ao chamamento quase litúrgico de celebrar a Vida e essa mesma Amizade que nos une. Vêm dos quatro cantos dessa Vida: das minhas Áfricas distantes e inevitavelmente douradas de saudade boa, da minha pátria saloia que também criou raízes no meu coração e onde dei os mais importantes frutos, os meus filhos, até ao Presente rodeado de Tejo e que me obriga a agarrar a ponte todos os dias, ou quase. Às vezes mais do que uma vez por dia!!
Há ainda um cantinho dos meus afectos muito bem preenchido pelos alunos que ao longo de trinta e sete anos e meio me forneceram regularmente inspiração que transborda das primeiras idades.
Obrigada, livrinhos!
E porque os meus livrinhos não são só meus, mas resultam de uma parceria: obrigada, Nini, pela arte que enriquece as nossas brochuras e, sobretudo, a nossa ligação de adolescentes!
 

sábado, 19 de outubro de 2013

Também dói!

Vale a pena ouvir Os Sinais, de Fernando Alves, sobre a proposta de rescisão por mútuo acordo, para os professores! 
A juntar à ditadura da papelada inútil que, desculpem a redundância, em nada acrescenta o valor do processo de ensinar e aprender, vem agora a pressão para o professor sair por vontade falsamente própria. 
De pouco me vale o contentamento de ter já saído, com alguns ferimentos, mas livre dos maiores desabamentos, escapando aos escombros  por uma unha negra!
De pouco me vale, já que trinta e sete anos de vida não se desincrustam facilmente da vontade, nem da memória. Dói com dor de carne viva e não há anestesia que valha!

O tempo das janelas viradas para as rosas já passou!

Dói!

"Dentro do que somos passa a existir um espaço feito de boas memórias e estilhaços, lágrimas e sorrisos tornam-se irmãos perfeitos. Fora de nós não é mais fácil – muitos lugares continuam habitados por quem perdemos, a cidade é um campo minado. Sítios onde fomos felizes com os que amámos, onde caminhámos com os nossos pais, avós, amigos. Uma cidade de fantasmas. Trágica e bela." Luís Osório
Vale a pena ler tudo o que Luís Osório diz, ou melhor, escreve, sobre esta inevitabilidade de continuar a viver para lá dos que nos deixam. 
Dói, mas é tão verdade! 
É difícil reflectir sobre estes estados de alma. É necessário que o façamos, para nos entendermos a nós mesmos, quando nos sentimos obrigados a coexistir com a tristeza e com a alegria, tratar as duas com a dignidade que merecem. Porque dão razão aos nossos dias ..... 

Para além de agradecermos o futuro que tantos nos oferecem com generosidade, há também passados que nos são devolvidos, reocupando os espaços dentro de nós que estavam vagos, vazios, e lhes pertenciam. E há um presente que urge Viver, milímetro a milímetro.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Efeitos de outono

Percebo que o nosso conhecimento, aquele que nos enfeitou, muitas vezes e muito bem, ao longo da vida, pode cair como as folhas caem das árvores, no outono. As folhas douradas emprestam ao chão que pisamos uma tonalidade única e bela e, também durante algum tempo, parece que há um sentido para esta ordem de coisas.
Mas vem o tempo das chuvas e o chão é lavado, quer queira quer não, afogando as belas folhas secas, atirando-as para uma sarjeta.
Chegou a hora das folhas belas e secas se transformarem em nada!

domingo, 29 de setembro de 2013

Manhã

Nada a dizer.
Apenas o dia a nascer.
A noite empurrada pelo dia
e o movimento que se instala, 
a escuridão que se cala,
em plena sintonia
com a recém-criada claridade,
obrigando a pulsar
o coração da cidade;
Vencendo todo o torpor,
seja ele qual for:
o do sono e do sonho;
o do segredo,
o do medo,
o teu
e o meu.
Nada a dizer. 

O dia nasceu…

sábado, 21 de setembro de 2013

"titidades"

E é assim, embevecido até mais não, que vais vivendo a condição de avô!
Este ano, a novidade foi a banda sonora ser interpretada pela própria Joaninha, entoando com muita correcção, para nosso espanto e dizendo as palavras à maneira dela.
Parabéns, Jorge! Muitas "tititidades" e muitos anos de Vida! ehhhhhhhh

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Parabéns, filho!

Parabéns, filho!
Há trinta e cinco anos, por esta hora, não sabíamos se eras "menino" ou "menina". 
(Gostava muito de fazer uma transcrição fonética destas palavras ditas pela tua filha, mas não consigo!)
Só ficamos a saber quando a Cegonha (mãe ou avó da Felismina) nos entregou o embrulhinho.
- É um menino!- ouvi o teu pai e o médico dizerem, quase ao mesmo tempo.
Logo a seguir ouvi-te chorar. É o que todas as mães querem ouvir.  É o que todos fazemos quando chegamos ao mundo. É sinal de vida. É o primeiro grande sinal de vida.
De seguida, levaram-te para te vestirem as roupas leves que te tinha preparado, pois o dia estava muito quente, anormalmente quente para setembro já depois de meio. Não foi pois tarefa difícil. A enfermeira era anafada como são as enfermeiras dos filmes, sobretudo dos cómicos, e segura em tudo o que fazia.
Depois ficaste no berçário, num sítio onde era possível receberes as primeiras visitas: o Diogo, a Di e o Vitó.

Todos falavam das tuas perninhas gordas.
Quando todos se foram embora e eu fiquei sozinha contigo, fiquei a contar-te os dedos, a inspeccionar bem, a confirmar a tua perfeição ... 

Coisas de mães!

domingo, 8 de setembro de 2013

Fascínios com explicações freudianas.

Não sei de onde me vem este fascínio por estações de comboios. Parece que no mais dentro de mim acredito que a vida balança entre partidas e chegadas, entre saudades de ir, de ficar, de chegar...
A primeira "estação" da minha vida marcou-me porque os momentos eram sempre muito intensos de comoção. De tal modo que não me sinto ainda preparada para os recordar.
Para mim o comboio nunca foi um transporte urbano. Viagenzitas de trazer por casa! Para mim, o comboio é o meio de transporte das grandes viagens. O avião pode levar-nos a lugares mais distantes mas da janela só se vêem as nuvens e o céu. E, ás vezes, uma escuridão que amedronta!
O comboio rompe espaços cá mais em baixo, mais perto da realidade a que pertencemos. Não somos pássaros. Somos da terra, do chão...

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Pensionista!

Nunca pensei muito na reforma. Estava sempre para lá da minha linha do horizonte. Era assunto, situação, condição, sei lá!, que pertencia à categoria dos "improváveis".
No entanto, percebi, não sei se a pouco e pouco, se de modo brusco e repentino, como aquelas travagens que deixam fumo e barulho, mas percebi, dizia eu, que estava a chegar ao fim de um caminho. Estava na altura de entrar nos dias da idade que ficou no nosso imaginário como os dias do banco do jardim,os dias da deambulação e da procura da realidade perdida...
Primeiro foi a decisão, depois foi a burocracia, depois foi a notícia, na carta seca da Caixa Geral de Aposentações, sem beijinhos nem corações de despedida. Mais dois meses e veio a confirmação, em letra de lei. Finalmente, hoje, o Cartão de Pensionista! Nem cumprimentos os senhores da CGA me mandam!
Mas....
Guardarei para sempre a memória dos quadros e do giz! 
Guardarei para sempre a recordação de dias assim, como o que a fotografia documenta, dias em que os corações parecem fugir do peito para brincar à apanhada, ou outra brincadeira qualquer, à revelia dos regulamentos cheios de vazio no que toca a afectos e sentimentos. 
Sorte a minha que trago comigo os registos dessa memória que não quero perder. Se  isso acontecer, encontrem-na e tragam-ma!
É o meu pulmão. Sem ela, não respirarei jamais.
(Aqui ao lado, tenho a tal carta. O cartão, em duplicado, está lá dentro.Temos tempo!)




quinta-feira, 20 de junho de 2013

Opinionismo!

Alberto Gonçalves, "opinionista" do Diário de Notícias, escreveu há dias, a propósito da greve dos professores, um artigo com o título "Ninguém ensina os professores?". Não é pelo título que me sinto ofendida. É pelo conteúdo que considero ofensivo, cheio de insinuações que constituem um grave insulto a quem fez desta profissão uma vida como muitos dos que vão ler o artigo de opinião. 
E tudo isto por causa dos públicos testemunhos de alguns notáveis da nossa sociedade dita civil, não-professores e sem qualquer ligação directa à profissão, vilipendiando os  cidadãos livres  que exercem, com a mesma liberdade do jornalista, o seu direito de dizer, escrever, falar sobre a causa dos professores. 
( O meu agradecimento a estes!) 
Tenta rebaixá-los, tratando-os por "filhotes de....", e, pior ainda, apelidando este apoio de "sabujismo".
(Repugnante!)
Este senhor ultrapassa o sentido da dignidade humana e da dignidade profissional dos professores. Diz que levou reguadas, por causa das contas, e que quem o ensinou a ler e a escrever foram os pais e os avós. 
Isto só prova que a condição de professor é transversal à relação entre quem ensina e quem aprende e que isso dignifica quem põe o gosto e o saber, dia após dia, ano após ano, ao serviço de um outro, o aluno? 
Pena que ninguém o tenha ensinado a "ser". É algo que a que os professores também dão muita atenção porque não queremos alunos que se possam confundir com sacos de conhecimentos. Queremos pessoas inteiras que trabalham, elas mesmo, à luz da sua individualidade, os conhecimentos que adquirem.
Mas a maior revolta que eu senti foi ao ler o que diz sobre a tarefa de vigiar exames que poderia ficar a cargo de uma máquina ou de um qualquer funcionário da escola, remunerado com salário mínimo. Que desrespeito! Que insensibilidade!
É este pensamento que domina os poderosos! 
Se fosse um filho meu ou um dos meus alunos a escrever este artigo eu estaria muito mais infeliz. 
Felizmente, não é! 
Podem lê-lo aqui





terça-feira, 4 de junho de 2013

Memória do Dia dos Anos do Meu Pai

Quadro do meu pai, datado de 1988.
Este é o único quadro com uma figura humana. O meu pai gostava da paisagem, da natureza. Punha a arte e o talento ao serviço da figura humana, especialmente os amigos, na caricatura, com o toque do sentido de humor sempre bem aplicado.
Era um artista! Mas era sobretudo uma pessoa que cultivava os prazeres da vida, pondo em prática uma filosofia cujas fontes eram isso mesmo: as coisas boas da vida!
Gostava de cantar, de dançar, de pintar, de escrever, de conversar, de namorar... Para seduzir, recorria brilhantemente aos modelos da época: Rudolfo Valentino, Gary Cooper, Humphrey Bogart....
Punha muita convicção em tudo o que dizia e em certas alturas.
A relação com Deus era de confiança recíproca. Já bastante doente, afirmou com as certezas todas do mundo: "Eu acredito em Deus e Deus acredita em mim."
Obrigada, Papá, por tudo o que me ensinaste!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

In memoriam

Aos poucos, vamos ficando com as molduras cheias de pessoas a quem não podemos escrever, telefonar, dizer o quanto gostaríamos de ter passado mais tempo com elas, o quanto apreciávamos a sua presença ou respeitávamos a sua maneira de ver o mundo e, muito menos, a falta que já nos fazem...
Aos poucos, vamos ficando mais sós. 
Por muito bem vividas que tenham sido as vidas que ficaram pelo caminho, para nós, na tristeza da ausência, parece terem ficado mil outras vidas por viver e há inúmeras conversas por acabar. 
E, aos poucos, vamos ficando mais tristes...
A memória serve de lastro a esta solidão que se instala e, insidiosamente, se metamorfoseia em tristeza. 

sábado, 18 de maio de 2013

Dia Internacional dos Museus, outra escolha

A Casa da Madalena, Museu Etnográfico da Alta Estremadura. 
Até uma sala de aula do tempo do Estado Novo pode ser aqui visitada. 
Há carteiras para os alunos, secretária para o professor, quadro negro com uma data antiga escrita com giz branco, as fotos dos governantes....

Dia Internacional dos Museus, uma escolha!


Dia Internacional dos Museus!
Um dos museus que mais gostei de visitar foi o Museu de História Natural, em Londres. 
Tanto que, de regresso à cidade de Sua Majestade, cm tempo muito limitado, escolhi revisitar o Natural History Museum.
É uma imensa exposição de estudo e conhecimento, onde se aprende. Onde o passado nos toca como se estivesse ao nosso lado, de mão dada. Mais intimidade é impossível. 
Os enormes "restos" dos enormes bichos que andaram por aqui há muito tempo, dando testemunho desta existência, também me deram uma lição de humildade. E de respeito, pelos homens que conseguem ultrapassar a barreira do tédio dos dias poluídos de interesses, na linha da "glória de mandar" e "vã cobiça", indo além de muitas "taprobanas" no reino da ciência e da tal história natural que dá nome ao Museu! 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

São Cravos!


São Cravos, Senhores! São Cravos! 
São, hoje, o pão da nossa esperança, o alimento e prato principal, em todas as nossas refeições. 
São Cravos aqui nascidos e aqui criados. 
São cravos aqui crescidos e libertados de medos e outras algemas. 
São Cravos, Senhores, são Cravos que enchem os regaços de um povo!
Têm voz, memória e coração!
São Cravos!



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Inesquecível!

"Está esquito nas paiêdes...", dizia a Marta, zelosa do bem estar de todos, nem que para isso fosse preciso reclamar as inscrições que enchiam as paredes, os muros deste país recém-renascido. 
Retomo a frase, repito-a.
 "Está escrito nas paredes" que há pessoas inesquecíveis, porque guardaram e cuidaram das memórias que foram passando a quem queria também guardar um bocadinho do verdadeiro afeto que uniu/une mãe, avó, bisavó, afeto esse que enriqueceu as nossas vidas, e tornou forte o laço da vida , como se de sangue se tratasse. Falo por mim e sei que falo por muitos dos que tiveram a sorte de cruzar o caminhos da Vida com a Dona Antonieta! 
Foram muitos os momentos menos bons que ela arranjou com a sabedoria que fazia parte do seu percurso, tornando-os dignos de uma boa alusão, como parte de algo bom na cadeia da Vida. 

Ana Maria, Mónica, Marta e Rita,  contem comigo para manter viva a recordação doce da vossa Mãe, Avó.
 Um beijinho também aos mais pequeninos que tiveram a sorte de provar este colo e receber tanto amor. Uma palavra aos que se juntaram às "meninas" pelo amor e que souberam também chegar ao coração da nossa querida Dona Antonieta. ♥

domingo, 21 de abril de 2013

"Se o Partido Socialista fosse vivo...

...teria feito quarenta anos!

Este era o meu partido socialista!
 Militei com a esperança de um mundo melhor, mais solidário e mais livre, para os meus filhos e para a minha própria geração.
 Eu envelheci, perdi os sonhos e a ilusão. Assisti, impotente, à degradação do ideal, tal como o burro do triunfo dos porcos. Vi-o morrer às mãos da ganância, da vaidade, implacavelmente. 
As flores do movimento hippy murcharam e as gaivotas da Ermelinda Duarte perderam as " asas de vento" e o "coração de mar"..... 
Os meus filhos cresceram e, no essencial, revelam coragem de trilhar os caminhos difíceis com a mesma vontade com que trilharam os mais fáceis, com os mesmos valores no horizonte. Sinto muito orgulho nos meus filhos. Foi tudo há tanto tempo! 40 anos.... 
Agora ponho toda a esperança, do que resta de verde nos meus olhos, no mais pequenino, neste caso, na mais pequenina, na Joaninha! 


domingo, 17 de março de 2013

Dos dias que correm...

Ou melhor: dos dias que voam...
Ontem, vinha a ouvir rádio, como costumo fazer quando ando de carro sozinha. É uma companhia e as notícias ficam em dia. E, entre a TSF e a Star-FM, a distância parece que encurta e a viagem, por pequena que seja, dá para qualquer coisa. Se não der para nada, não é grave. Relaxa-se! 
Muitas vezes serve para refletir. Foi o que aconteceu ontem, mesmo em cima da Ponte do Meu Contentamento, a que me liga a Lisboa, à outra margem, à vida que me diz respeito e que está no lado de lá, no lado direito do rio... 
Uma notícia na TSF dava conta da morte de Mário Murteira, ministro dos governos de Vasco Gonçalves e de Palma Carlos, apoiante da UEDS, tendo sentido o jornalista necessidade de explicar a sigla. 
E eu dei comigo a pensar: mas isto não é História antiga! Eu vivi isto "ontem"! 
E como se não bastasse este presente trazer-me à tona um passado distante, que eu não supunha tão distante, o noticiário continuou com o tema que domina a comunicação social que supõe insaciável os seus destinatários. Se calhar, com razão! O Papa Francisco! E lá vem o rol dos nomes dos papas o que me remete novamente para a História cuja memória está ainda bem desenhada na minha própria memória: Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II. 
Conclusão: trinta anos são trinta minutos na História da Humanidade! Na nossa são mais! Dá para perder a juventude e muita inocência!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Entradas de março

Desculpa, mês de março! Custa-me escrever-te com letra minúscula mas os que mandam na língua portuguesa assim preconizaram. Muitos são os que não obedecem. Têm uma autoridade que lhes confere o estatuto de escritor ou jornalista e recusam-se a escrever-te com as regras do novo acordo ortográfico.
Entramos (antes do acordo usava-se um acento agudo... agora também foi abolido!) no novo mês, aquele que nos promete mais luz do dia e mais calor, com chuvas e dias cinzentos. E segundo dizem os senhoes do tempo, que às vezes até acertam, a chuva veio para ficar ao longo de toda esta semana.
Entretanto, as nuvens também me inspiraram para escrever uma mini-história para a Joaninha. Aí vai ela, a história.
A Nuvem Menina estava muito entretida num canto muito azul do teto do mundo… 
Tão entretida que nem reparou que, a poucos metros, Dona Nuvem chorava grossos pingos de chuva. Seria do barulhento Senhor Trovão? 
Resolveu continuar entretida a olhar para o recreio de uma escola. Se tivesse voz, ter-se-ia juntado à cantiga e dado as mãos na roda. Para isso, também era preciso ter mãos e braços e pernas. A Nuvem Menina sonhou que um dia poderia partcipar nestas brincadeiras. Pareciam tão felizes aqueles meninos! 
Uns minutos mais tarde, as crianças deixaram a roda e dirigiram-se para debaixo de um telheiro e a Nuvem Menina deixou de os ver. Reparou então que eles estavam abrigados do choro da Dona Nuvem.
Deslizou pela parte azul até chegar à Dona Nuvem e pediu-lhe, quase a chorar também, que deixasse os meninos voltarem ao recreio.
Condoída com o desgosto da Nuvem Menina, a Grande Nuvem fez-lhe a vontade. Secou o pranto e pediu ao Senhor Trovão que parasse com a barulheira….
E o céu ficou muito azul e os meninos voltaram à roda.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Living in Portugal"

Este é o título da nova medida do Álvaro (É ele que quer que o tratem por Álvaro!) que, depois de esgotados os pastéis de nata e o chouriço crioulo, gostaria muito (acho eu que sim!) de exportar o sol. 
Como o sol não está à venda (inspiração de Alice Vieira: "A Lua não está à venda"), ele quer importar velhinhos reformados e abastados que estejam dispostos a pagar bem pelo sol português. Sim, o sol deve ter primos ou irmãos de várias nacionalidades. O nosso, o que brilha todos os dias (lá falha alguns, mas é perdoável), esse é português, com certeza.
Quando o Álvaro expõe uma ideia parece que está a pedir desculpa pela inocência do conteúdo. Ao contrário dos colegas ministros que só têm ideias sanguinolentas: cortar, cortar, cortar. Depois deita sangue já se sabe! Faz ferida! Demora a cicatrizar. Curar? Sabe-se lá se cura.
Força, Álvaro! Não te deixes intimidar pela crueldade dos demais colegas do governo nem pelos loucos da política oficialmente instituída.
Podemos pensar na natureza, está claro! Na nossa: o apetite pelos doces e bolos! E na outra, a propriamente dita.
Não sei se o povo todo está contigo, mas eu estou!

Por enquanto estou, não tanto por concordar pela ideia mas por gostar desse ar de menino que passa pelo teu rosto. Esse ar pressupõe falta de maldade, de malabarismo político com que os donos da "coisa pública" pretendem e conseguem enganar-nos. 
A felicidade entra pela barriga e daí a tua aposta/proposta dos pastéis de nata. O sol entra pela pele e produz também uma sensação de bem-estar. E não é de bem-estar que andamos todos à procura. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ainda! Brindemos!

Brindemos! 
À saúde que ainda temos! 
Aos sonhos que ainda nos orientam os dias e nos embalam a esperança! 
Ao carinho que ainda nos oferecem os nossos! 
Ao carinho que ainda nos oferecem os que não são nossos por sangue ou outra instituição, mas com quem estabelecemos um pacto maior: o da amizade, plena de fraternidade! 
Aos desejos que ainda estão prontos a estalar a um qualquer estalar de dedos da Vida! 
Aos que ainda vivem na nossa memória e nos deixaram um legado de Valores que ainda tem alta cotação na Bolsa da Humanidade! 
Às dificuldades que  nos desafiam ainda lutar mais, a prosseguir, a conseguir, a vencer...


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O dia dos teus anos!

Hoje, priminha, o dia continua a ser teu!
Se "memória desta vida se consente", deves lembrar-te do nosso quintal, das correrias por cima dos canteiros de alfaces, de nabos e cenouras, das subidas e descidas das tangerineiras e do limoeiro que tinha resistido ao raio que o tinha atingido num ramo. Talvez fosse essa a razão daqueles limões serem únicos! Talvez te lembres do baloiço improvisado pelo avô e do galinheiro barulhento. Talvez te lembres das tardes em que as mulheres da casa bordavam e cosiam e nós inventávamos brincadeiras nem sempre muito bem compreendidas pelos crescidos. Lembras-te do rádio grande que transmitia o folhetim? E àquela hora a casa parava. A casa e o mundo, porque aquela casa era o nosso mundo. 
Visitas o nosso pensamento todos os dias, mas hoje a visita é especial porque o dia é o teu dia de anos.
O reencontro quarenta anos depois!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Princípios e fins

Os "meios" são as nossas "praias".
A nossa consciência enquanto seres vivos pensantes está por aqui, pelo meio, entre o princípio e o fim. Aqui é que se está bem!
 Há uns dias atrás, foi anunciado o fim do mundo. E nem os mais infelizes ficaram felizes com a notícia. É que, por muito infelizes que possamos estar, há sempre uma esperança que, como diz o povo, é a última a morrer.
Hoje é dia de um princípio. Nada de grande monta para quem já leva seis décadas de vida. É só mais um ano! Mas mesmo assim, há uma certa inquietação, não há certezas, ninguém é dono de futuro algum.
Ontem, por exemplo, morreu um homem bom. Um homem de Abril, um guardião do sentido de liberdade que foi conquistado com cravos em vez de armas.
E se esta liberdade chega mesmo ao fim?
Então é que é o fim do mundo!
E aqui fica um fim de dia!!! Belo, a apelar à serenidade da natureza que nos ensina a verdade universal da renovação.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Avenida da Liberdade


Gosto de Lisboa! Gosto da Avenida da Liberdade!
Gosto do nome que deram a uma avenida larga, inconfundível nos seus quarteirões mais ou menos marcados pelo tempo e pela história. Desembocam aqui outras ruas e ela própria, a avenida, desagua numa praça com nome de sabor a liberdade conquistada e merecida. Praça dos Restauradores!
É a avenida dos cinemas Tivoli e São Jorge, dos hotéis chiques, como o Tivoli ( outro Tivoli) onde a nossa Diva Saloia (não pejorativo) resolveu viver como se da sua casa se tratasse, rodeada de muito conforto e sem sombras de solidão.
Sombras também as há, ao longo dos passeios semeados de árvores. Essas não fazem sombra ao património arquitetónico nem vista do rio, ao fundo, vista generosa para quem ousa subir o parque para lá do Marquês.
Há o Edifício do Diário de Notícias, um verdadeiro guarda-joias de memórias. Há um traçado clássico que dá a esta avenida o toque chique de uma Europa de outras eras. Há as lojas caras que só servem para olhar, no meu caso e, provavelmente, no caso da maioria das pessoas.
Há faixas de trânsito.... alteradas no seu sentido. As laterais que subiam, agora descem. E as que desciam, agora sobem....
Mudem o que mudarem, a avenida mantém-se, como diz Villaret, " rasgada, comprida qual estrada florida, num hino à claridade".
Será que, passados todos estes anos, a liberdade não está mesmo a ir pelo"cano".
"E foi-se a liberdade!"

domingo, 28 de outubro de 2012

"Não é meia-noite quem quer"

"Não é é meia-noite quem quer" é o título do novo romance do Lobo Antunes. 
Como em quase todos os romances, os títulos são assim: avassaladores. 
Este avassala-me pelas melhores razões. Este atira-me para o cesto dos brinquedos daqueles que os miúdos têm nos quartos, cheios de bonecas sem pernas, carros sem rodas, peluches com o miolo à vista, peças, muitas peças, de LegosPlaymobile e outras impossíveis de identificar. 
A meia-noite é a hora em que os encantos se quebram. É desencantamento com hora marcada, como aconteceu com a pobre da Cinderela. Mas vendo bem, o encanto não se quebrou: seguiu outro caminho, pelo passos do sapato perdido. 
A fantasia deve tocar-nos, pelo menos meia dúzia de vezes na vida. 
A primeira não nos lembramos, mas deve tocar-nos na mudança da barriga da mãe para as mãos do mundo. A segunda vez que nos toca não tem idade marcada. É certamente como nos filmes, mas ao contrário: menores de seis anos. A terceira vez acontece na adolescência e chega-nos, como nos Livros Sagrados, através dos sonhos. Na idade adulta, seremos ainda tocados mais umas vezes. E este título "não é meia-noite quem quer"? Há que buscar o querer, seja ele nosso ou alheio, fazendo, neste caso, jus ao nome do romance. Há que correr os dias todos atrás da meia-noite. Pode ser que ela se entranhe em nós e fiquemos impregnados de fantasia.
E poderemos dar corpo, quem sabe?, a um segundo título: "Só é meia-noite quem quer."

sábado, 22 de setembro de 2012

E assim se fazem as coisas...

Gente nova nas nossas vidas fez a diferença neste aniversário!
Para ter uma Joaninha como a nossa vale a pena "crescer" para lá dos sessenta! 
Para tomarmos o pulso aos valores que tentámos transmitir aos nossos filhos também vale bem a pena!
Pelos mais velhos!
Pelos Amigos que "crescem" connosco, ao nosso lado. Umas vezes, acertamos nós o passo pelo deles. Outras vezes, acertam eles o passo pelo nosso. A Alegria com eles faz mais sentido. 
Não esquecemos nunca os que nos faltam e reservamos um agradecimento que vai até ao céu, por terem feito parte das nossas vidas. 
Tchim! Tchim! 
À tua saúde! 
Parabéns, Jorge! 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Quando eu vim para esse mundo...

"Quando eu vim para esse mundo"...
Era com este verso que as casas mergulhavam nos pequenos ecrãs a preto e branco, há quase quarenta anos.
"Eu não atinava em nada..."
A loiça do jantar ficava por lavar, as linhas telefónicas ficavam livres e até os mais pequenos mandavam os brinquedos dormir, porque estava na hora da Gabriela.
O meu filho Diogo, então com menos de dois anos, punha os bracitos no ar, olhava atento para a televisão, escutava ainda mais atento os primeiros versos, à espera do acorde que o faria rodopiar com muita alegria, tal como a música inspirava.
"Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim"...
E as personagens criadas pelo talento do enorme Jorge Amado vinham ter connosco depois do jantar. Estava inventado o horário nobre da televisão. Julgo eu!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Terapias de sala de espera

À medida que a vida avança, também avança a experiência das salas de espera de consultórios médicos ou hospitais, a que fui poupada durante o período de juventude saudável. 
Os antigos diziam que a idade traz tudo. Tenho de admitir que esta é mais uma das verdades proverbiais incontornáveis. Mas antes assim. Que o tudo não venha antes da idade é o que eu peço .... Pedia. Acho que agora o meu poder negocial com os deuses já vai perdendo força. Já não posso exigir uma saúde perfeita. E só me apercebo que a minha saúde até é quase perfeita quando alguma coisa em mim resolve avariar, quando alguma peça deixa de funcionar. 
É o caso que me tolhe: o pé, ou melhor, o tornozelo. Inchado, doloroso a impedir-me de andar ligeira e rápida, de subir e descer escadas sem ser com um pé de cada vez. E ainda há o pormenor estético que não subestimo: o pé está horrível. 
A falta de explicação e de diagnóstico atirou-me para a fisioterapia em busca de alguma normalidade e algum alívio. O tratamento não tem grande história nem faz correr tinta: é o que é, com os vários momentos e as várias "máquinas". 
Mas a sala de espera já tem que se lhe diga: uns coxeiam, como eu; outros trazem canadianas; outros trazem ligaduras elásticas nas mãos, nos pés. Todos, quase todos têm mazelas visíveis, como visível é o desejo de alívio. 
Mas nada disto impressiona por aí além
O que mais me impressionou foi encontrar alguém que não via há algum tempo e que conheço há mais de trinta anos. O que mais me impressionou foi constatar o estrago que o tempo fez! O que mais me impressionou foi a lúcida resignação que é uma espécie de homenagem à Essência da Vida e como irrompe de um corpo doente uma palavra amiga e bondosa... 
Estivemos de mão dada durante uma hora e meia e nunca senti naquela mão, outra tensão, outra força que não a da alegria do reencontro... 
Há uma amiga minha que diz que o efeito da ida ao médico começa na sala de  espera. Acho que desta vez me submeti, ali mesmo, a uma terapia sem nome técnico. Deve ser o equivalente à fisioterapia dirigida diretamente à alma.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fins de Agosto

Agosto, como a palavra  parece indicar, devia ser sinónimo de prazer. Tudo "a gosto": a vida, o tempo, o do relógio e o outro, os humores, os nossos e os alheios... Enfim, tudo devia correr de modo a que  nos sentíssemos verdadeiramente preparados para mais uma jornada de trabalho que vai durar os onze meses que faltam para o mês de Agosto voltar!
Mas o mês de Agosto, o "querido mês de Agosto" de que fala uma cantiga foi, ao longo dos anos, transformado em "silly season". O "nada" para os gostam de uma visibilidade e atenção permanentes.
E o mês das férias em família, da praia cheia de crianças com baldinhos e pás, à procura do lugar ideal para construir um castelo de areia, foi sujeito a uma espécie de industrialização do lazer!
Até o sol mudou o seu estatuto e é encarado como o inimigo número um da pele. Ele, o astro-rei! E nós que, nos tempos que já lá vão, tostávamos ao sol, até chegar ao castanho apetecido, ao comprovativo de uma praia à séria, sujeitamo-nos ao saudavelmente correto...
Assim não vale, meu querido mês de Agosto!
Volta ao que és na tua essência, mês de "dolce fare niente".
Tens mais um ano para pensar sobre o assunto!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Parabéns, Bambi!

Este é o Bambi que já fez chorar gerações! 
Este é o Bambi que continua a enternecer os corações! 
Este que aqui está traz-me uma ternura acrescida: foi desenhado pelo meu pai, na parede da enfermaria das crianças no Hospital de Nampula. 
O Bambi faz hoje 70 anos. A vantagem de ser um desenho é que não envelhece e provoca em todos os que olham para ele, tenham sete ou setenta anos, o mesmo encantamento.
Os Porquinhos estão felizes porque hoje há festa!