quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"Cosas de viejos"

Há quase meio século que ouço a cantiga de Patxi que fala do tempo, do envelhecimento e das relações que envelhecem connosco, passando a pertencer à tristeza do agora, um presente com rugas.... 
Parece que todas as noites chove, mas o sono não cede porque é como um telhado resistente que permanece inteiro depois do temporal.
Mas o pior é o acordar. Acordar, enfrentar o novo dia é sempre muito difícil. 
Fazer o quê? 
O novo dia desperta-me sempre para um monte de tarefas que não me apetecem, para medos que não se vão embora, para sonhos amarrotados e a caminho do caixote do lixo.... 
Depois avanço em direcção ao dever e à obrigação de viver! 
Ao longo do dia tenho boas e más notícias. Nem todas me envolvem, nem todas me dizem respeito, mas as más assustam-me, nem que tenham acontecido no outro lado do mundo. Ou seja: a fragilidade da condição humana não me larga.
Como é que se aprende a viver? Mesmo quando tudo corre bem...
É a vida, dizem os doutos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Dias da Radio... Mais um....

Hoje é dia mundial da rádio! 
A rádio faz parte do meu crescimento e ao dizer, ou melhor, ao escrever isto, não pretendo apossar-me de um momento como tendo sido apenas meu. Foi de todos nós! 
Recuando no tempo, como se de um fenómeno altamente tecnológico se tratasse, vou parar à casa da minha avó, à sala rectangular que prolongava um longo corredor e fazia de sala de refeições. 
 Entre um aparador enorme e uma porta, por cima de uma móvel que a minha memória não consegue reconstruir, havia uma telefonia. Era uma caixa enorme com botões e teclas, com uma espécie de ecrâ minúsculo com números e algumas letras. Ligava-se um botão e muito lentamente os sinais de vida iam aparecendo. Umas luzes…. E, finalmente, o som. Se fosse preciso afinar a sintonização pedia-se a intervenção de alguém com mais autoridade para o assunto: o meu avô!
E à hora do folhetim, todos se reuniam à volta do mágico aparelho que nos punha a par de romances com felicidades e momentos difíceis que promoviam ainda mais felicidade e romantismo. A pobreza também fazia parte do enredo, como acontece com as histórias de encantar. Os pobres merecem ser ricos e os ricos têm de passar pela experiência da pobreza para merecerem o bem-estar dos ricos. Valores que os tempos mudaram pouco. Há um reduto de valores talvez diferentes, talvez mais baseados numa justiça superior, numa classe média que tende também a desaparecer.
A Maltrapilha era um desses folhetins e o título diz tudo.
Mais tarde, numa adolescência já cheia de sonhos cor-de-rosa, a rádio continuou a desempenhar um papel importante no meu crescimento em direcção à vida. Era um tempo das cantigas e do cantores românticos: Sylvie Vartan, Françoise Hardy, Mireille Mathieu, Adamo, Percy Slege, Rita Pavone, Gianni Morandi, Roberto Carlos. E a moçambicana Natércia Barreto.
E para os mais talentosos havia uma Tia, na radio, que reunia sobrinhos que lhe escreviam e iam ao seu programa cantar. Eu limitava-me a escrever porque cantar ou declamar não era para mim. Mas ia às gravações dos programas a que hoje chamam “galas”. Conheci pessoalmente a Tia Zita, ou seja, a locutora Maria Adalgisa. 
Estamos pois nos primórdios dos programas que hoje enchem a programação da TV. Foi a Tia Zita que inventou tudo. As tias também já vêm de longe…
Obrigada Tia Zita!
Viva a Rádio!
 Maria , este post é para ti. Espero as fotos das tuas actuações na Tia Zita!
 Beijinhossss




domingo, 15 de janeiro de 2017

domingo....

É domingo e está frio.
 O meu "telefone" diz-me que os graus são seis,  mas as minhas mãos geladas de teclar sem abrigo estão para aí a quatro ou menos.
 As pontas dos dedos estão pedra!
Este maldito vício de tomar o pequeno almoço com joguinhos e jornais on line!!!!!
O fim de semana está no fim. Ainda não atinei com o ritmo da reforma. Não sei se é a preguiça que comanda a vida se é qualquer desígnio insondável como são todos o que se nos deparam. O que fazemos nós, encaixados que estamos, entre uma geração que, graças a Deus está cheia de força para rebater as nossas ideias e atitudes, e outra que não nos entende porque acha, com a ajuda da teoria da relatividade, que somos novos?
E nesse espaço, entre gerações, esse espaço que é nosso por direito absoluto, olhamos para baixo e para cima e não encaixamos em lugar algum.
O puzzle avaria à mínima tentativa de acertar o recorte....

sábado, 31 de dezembro de 2016

Ele há dias!

Há dias definitivamente simbólicos. Estes, hoje e amanhã, são-no por excelência. Há uma overdose de esperança que se baseia numa folha de calendário. Urge pois despir esses dias de obrigações que não têm. Não temos de obrigar o dia 1, já amanhã, a mudar o que tem vindo a sofrer a erosão do tempo ao longo da consagrada vida útil, 65 anos. (Falo de mim, claro!)
Gostava sobretudo de acreditar!
O meu pai dizia que acreditava em Deus e Deus acreditava nele. Eu ainda não cheguei a esse patamar de tu cá tu lá com os meus superiores....
Gostava muito de acreditar no que diz o refrão do Sérgio Godinho que preconiza um dia para ser o primeiro do resto da nossa vida!
Não deixa de ser verdade: todos os dias são os primeiros!
Gostava ainda de acreditar num conto que faz parte da minha antologia mental e que diz fundamentalmente que o muito pode ser partilhado, dividido, mas o pouco também. Podemos partilhar um jardim, um canteiro, uma flor ou, simplesmente, o cheiro....
"Mas todos terão igual!"

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ser ou não ser, a velha questão!


Ser ou não ser pai ou mãe é uma decisão que cabe aos próprios. 

Ser avô ou avó não é! 
É uma benção que se aguarda, que se pede, todos os dias a todos os destinatários das preces.
No dia em que os filhos anunciam a chegada de um neto/neta (deixa logo de interessar o sexo, ou melhor, o género, como agora se diz) deixa logo de haver preferências e o lugar comum torna-se a maior verdade universal: é preciso é que venha bem!.
Nasce nesse dia o sonho de ter mais um na nossa vida e sermos mais um na vida de alguém.
E quando nos entregam o neto para passar umas horas connosco, o nosso coração sobe aos céus num voo de verdadeira felicidade. 
Os netos passam a ser o assunto maior das nossas conversas. 
Reaprendemos a brincar ao que eles querem: às "condidas", à bola ou ao faz de conta que estamos a comer, dormir.
A minha neta deu-me uma lição de ballet, há três dias. O meu corpo reagiu muito mal mas o meu coração reagiu muito bem, apesar de me ter sentido uma popota esvoaçante. 
Há as perguntas difíceis: avó, em que barriga é que tu nasceste? A tua mãe era minha tia?
E por aí fora....
Mas o tempo voa e um destes dias as escolhas deles serão outras e há que nos prepararmos para os ver crescer mais de longe, mantendo a força dos laços....