segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ser ou não ser, a velha questão!


Ser ou não ser pai ou mãe é uma decisão que cabe aos próprios. 

Ser avô ou avó não é! 
É uma benção que se aguarda, que se pede, todos os dias a todos os destinatários das preces.
No dia em que os filhos anunciam a chegada de um neto/neta (deixa logo de interessar o sexo, ou melhor, o género, como agora se diz) deixa logo de haver preferências e o lugar comum torna-se a maior verdade universal: é preciso é que venha bem!.
Nasce nesse dia o sonho de ter mais um na nossa vida e sermos mais um na vida de alguém.
E quando nos entregam o neto para passar umas horas connosco, o nosso coração sobe aos céus num voo de verdadeira felicidade. 
Os netos passam a ser o assunto maior das nossas conversas. 
Reaprendemos a brincar ao que eles querem: às "condidas", à bola ou ao faz de conta que estamos a comer, dormir.
A minha neta deu-me uma lição de ballet, há três dias. O meu corpo reagiu muito mal mas o meu coração reagiu muito bem, apesar de me ter sentido uma popota esvoaçante. 
Há as perguntas difíceis: avó, em que barriga é que tu nasceste? A tua mãe era minha tia?
E por aí fora....
Mas o tempo voa e um destes dias as escolhas deles serão outras e há que nos prepararmos para os ver crescer mais de longe, mantendo a força dos laços....

sábado, 29 de outubro de 2016

"Hei-de amar uma pedra"

Sepulto-me à sombra das leituras de Lobo Antunes, o António, como quem enterra uma semente que dará árvore e mais….
"Boa tarde às coisas aqui em baixo"
Ao longo dos últimos anos, ficamos a saber a vida toda desta família de ilustres homens das ciências e das letras. 
Sim, pelas crônicas. Foi, ou era, sempre o primeiro artigo a ler na Visão, a crónica, onde estava o original das nossas vidas (depende da perspectiva )..... Eu, pelo menos, assim o sentia. 
"Não é meia noite quem quer"
O meu pai morreu uns tempos depois do patriarca Lobo Antunes e foi a leitura da crónica sobre a morte do pai que me preparou para esse momento em que o nosso pai não nos reponde e nem sequer se parece com o homem que foi.
"Isto Não É O Meu Pai! – dizia Lobo Antunes, o escritor.
O meu pai é um homem de trinta anos a jogar ténis na Urgeiriça e a fazer fosquinhas às inglesas. O meu pai é um homem de trinta e tal ou quarenta anos..."
"Aquele não é o meu pai!" Foi o que senti, ou quis sentir porque acho que tanto eu como o meu pai ficávamos a ganhar.
Foi com as crónicas que eu aprendi que só há uma maneira de lutar contra um cancro: aguentando! Foi Júlio Pomar que o ensinou, em privado. Ele espalhou a fórmula do “aguenta-te”.
António Lobo Antunes tem-se dado a conhecer a todos os que leem as suas crónicas. Por muito íntima que seja a referência a um momento qualquer, nunca é despudorada. 

"Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?"
Podemos pensar que é por ser médico que sabe contar melhor o que se passa numa sala de quimioterapia. Mas não. Ali ele é o homem (sempre menino) como todos os outros que ali estão. Talvez mais atento ao que dizem os seus companheiros de batalha. Esta foi uma matéria prima importante dos seus escritos regulares.

"Que farei quando tudo arde?"
Nutria e nutre pelos irmãos, pela mãe e pelo pai, mais do que um afecto simples de sangue. Ele perscruta as almas de cada um e todos palpitam ao sabor da batuta do homem escritor.
Longe vai a irreverência, ou talvez não!, do escritor pensador a quem Joaquim Letria pediu uma frase à medida de um candidato a nobel e o que saiu foi “Viva o Benfica”!

"Comissão das lágrimas"
Hoje, António Lobo Antunes deve estar mergulhado em dor. Às vezes em que estive perto dele não tive nunca coragem de lhe dirigir palavra. Era uma espécie de monumento que regularmente ia comer ao Chinês, em Telheiras....

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Happy Birthday, Captain!




Robin Williams faria anos de vida hoje. Não muitos.
Apesar de não ter chegado a celebrar estes "não muitos", os menos chegaram-lhe para provar a grande verdade da vida: "Carpe Diem"!
Transmitiu esse lema, essa convicção, ao longo do seu trabalho, muito longo para tão "curta vida"!
Este filme, O Clube dos Poetas Mortos, foi um "cume" na sua carreira e levou a população do mundo inteiro a reflectir sobre o sentido da vida, a relação com os outros, especialmente professores e alunos, a escola como ponto de partida para esse caminho de sentido único que cada um de nós percorre, ora mais só, ora menos só, mas tem de ser mesmo percorrido por nós, com as nossas verdades e as nossas certezas....
Happy birthday, My Captain!

sábado, 2 de julho de 2016

A Fotografia

A fotografia é um registo que evoluiu até hoje, como quase tudo, com uma vertigem que às vezes custa a entender.
Passou de uma "geringonça" enorme a um aparelho com as dimensões de um BI;  de uma película a que chamávamos "rolo", custo acrescido deste hobby tão antigo, à inexistência de qualquer película; da revelação trabalhosa e demorada, à visualização instantânea no ecrã da própria máquina digital, ou, pior um pouco, no ecrã do telemóvel.
Passou das duas cores aos milhares de tons de todas as cores....
Mas nada passa de moda na fotografia! Cada "modelo" marca um tempo para sempre e, graças a isso, todas as fotografias estão sempre na moda.
Agora que a falta de limite chegou a esta arte, o portador do engenho, pode até perder a noção da quantidade de cliques, tal a  sua sede de apanhar a beleza, ou outra coisa qualquer, do momento...
Ser fotógrafo está agora ao alcance de qualquer um. Até a minha neta com três anos experimentou esse prazer de escolher e clique.
Mas o fotógrafo também cresce em experiência, em saber mais ou menos organizado, mais ou menos técnica, mais ou menos domínio da máquina, equipamentos.... E cresce também a vontade de fazer melhor! A exigência, pois!
E depois vai-se à procura... Sempre à procura! Passa de desejo a vício.
Comigo tem sido assim. E, há poucos dias, aconteceu-me ter à mão, ou ao pé, a uma distância muito curta, um quadro que adivinhava uma bela foto: um casal de gente "grande", sentados no chão, à beira do rio, com o olhar entretido com o horizonte e  barcos que passavam no rio...
A medo, para não incomodar, disparei uma, duas, três vezes ou mais. Fiz zoom e disparei de novo.
E quando, com algum recato, vi o resultado... apaixonei-me pela fotografia.
Com a ajuda dos programas instalados para alterar a foto, criei ainda mais versões e todas produziam o mesmo efeito: apaixonar-me pela imagem e pelo que li na situação e que, surpreendentemente, foi traduzido para inglês por algum "eu" que eu não sabia que vivia comigo
"Once upon a time.... There 's a never ending story inside each of us".
Foi o meu fascínio pelas histórias de encantar e a memória de um filme cuja magia se apoderou de mim, através da infância dos meus filhos...






terça-feira, 14 de junho de 2016

Coisas em dia de futebol

A vida deve ter parado neste país! 
Está toda a gente entregue à nobre causa do futebol, com um súbito ataque de amor à nação. Parece-me, e por favor não me julguem mal, que este sentimento de nacionalidade se reduz às coisas da  bola. 
O povo puxa pela selecção mas devia a selecção puxar pelo povo. 
Devia sim!  Cada um, na tarefa que foi distribuída pelo Criador, faz o que pode e consegue. Depois não leva palmas. Leva palmadas, quando calha!
Nunca percebi muito bem este fenómeno e não me vou pôr a discuti-lo em público.
A minha selecção neste momento é a equipa da geringonça. Esses sim, podem fazer alguma coisa pela vida aqui. 
Estou tão seca por dentro. Faltam-me entusiasmos. Falta-me saudade!
E pelos sons que me chegam, ou melhor pelos silêncios que me chegam, faltam golos à equipa de Portugal!