segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

"A solidão radical"

O escritor que a cultivou morreu há dez anos, diz o Público.
Não sei se concordo com este encaminhamento de opinião sobre o modo de vida literária, o pensamento de Torga.O poeta acompanhou-me, literariamente está claro, vivo, durante duas décadas.
Achava então e continuo a pensar o mesmo hoje, dez anos depois da sua morte, que era uma alma atormentada em busca da perfeição do ser humano.
Ele queria que os homens fossem tão perfeitos como a Natureza.
Não sei se isto é "solidão radical"?!
Pode ser uma consequência, talvez, mas não creio que tivesse sido cultivada.
Há uma solidão interior em todos os homens.
Nos nossos limites, nascer e morrer, somos solidão absoluta.
Mas essa solidão absoluta, para mim diferente do conceito de solidão radical, é inerente à condição humana.

2 comentários:

Eufigénio disse...

Não podia estar mais de acordo contigo Madalena. Quando um homem se procura a si mesmo, da forma mais profunda possível, é na solidão que se tenta descobrir. E isso nada tem a ver com "solidão radical", mas sim com o mergulho que damos em nós mesmos. Até arrisco dizer que quem assim se tenta, dificilmente é um solitário radical, tem-se a si, em toda a sua volta, mas de forma muito saudável. E desses, tenho visto imensos solitários por aqui

Madalena disse...

Obrigada Eufigénio! Pelo menos não estou sozinha nesta opinião.
Ouvi uma especialista de literatura, na TSF, dizer que poucos autores são tão coerentes como Torga, em termos de vida e obra. A intransigência, como ela lhe chamou, foi uma constante no poeta e no homem.
Desta feita, concordo!