quinta-feira, 21 de abril de 2005

"Velhos Colonos"

cartão
As palavras não dizem o mesmo para toda a gente.
A Associação dos Velhos Colonos ou simplesmente Velhos Colonos, como se dizia de modo mais curto, era um complexo de piscinas, parque infantil, campos de ténis, um edifício com aposentos para idosos, biblioteca e posto médico.
Lembro-me de morar numa rua pequena que se chamava Rua dos velhos Colonos, num rés-do-chão de uma moradia, que ficava mesmo defronte da entrada para o posto médico.
Essa é uma das primeiras casas de que me lembro bem.
Foi um tempo importante da minha vida: entrei para a escola, aprendi a ler, brinquei muito, aprendi a andar de bicicleta, a guardar saudades (O meu pai esteve um ano em Lisboa, a tirar um curso!) e descobri que o Pai Natal nunca tinha vindo trazer-me aqueles brinquedos lindíssimos que eu pedia, que ele não existia e não valia a pena ficar acordada na noite de 24 para 25 pois nunca o havia de conhecer.
A maior parte do meu tempo passava-o no parque infantil: um conjunto de diversões que ocupava um extenso terreno, quase metade do quarteirão que era todo da Associação.
Lembro-me de dois escorregas que eram dois elefantes enormes e bonitos. Havia os carrosséis com os clássicos cavalinhos para cima e para baixo, os baloiços, uma piscina pequena e um espaço onde brincávamos a tudo.
A D. Isaura vigiava-nos, coadjuvada pela avó da Paula, do Zé Diogo e do João Seiça Neto. As manas Muge também lá brincavam e ninguém podia prever nem as coisa tristes que aconteceram a alguns, nem as coisas boas como é o sucesso da Amélia.
Devo muito a este parque infantil. Era um verdadeiro laboratório de emoções e fez muito pela minha infância.
E, provavelmente, retocou o meu temperamento para sempre: daí o fascínio pela fantasia, a atracção “fatal” pelas pessoas boas, doces e simples, como aquelas que aí conheci.

12 comentários:

Emilia disse...

Olá Madalena:
Gosto mesmo de vir até aqui e "aprender" a conhecer uma grande amiga dos pequenotes.
Que bom que é ter recordações felizes. Eu também tenho tantas! As infelizes devo ter esquecido pois não as recordo.
Um grande abraço,
Emília.
P.S. Amanhã publicarei a continuação das escadas que o Francisco começou a construir e apelarei a continuação.
A ver vamos se mais amigos dos pequenotes se aliam!

Anónimo disse...

Gostei muito de ficar a pensar nos 'futuros' do bando de meninos com quem brincaste... lembro-me do dia em que o Seiça Neto morreu... e conheci a Amélia no Cine-Clube _ beijo grande, IO.

Madalena disse...

Tem de se fazer o apelo, Emília.
Faço-o com gosto.
Um beijinho e obrigada pela visita.
É preferível tentar esquecer as coisas menos boas! Eu também faço isso, a toda a hora, até hoje...

Madalena disse...

Pois é, Chuinga, ficamos a pensar... Sei que a Paula mora em Coimbra, mas do Zé Diogo não sei nada. Um beijinho triste por todos os que tiveram menos sorte...

Mitsou disse...

Mais uma voltinha deliciosa pela Memory Lane, querida Madalena. E os bailes de carnaval nos V.C.? Agora lembrei-me da Associação dos Naturais. Um amigo nosso, da metrópole, teve a entrada barrada; resposta dele: "Só para naturais? Então e eu? Sou artificial?" Beijocas e bom fds!

espumante disse...

Madalena
Sou um indefectível leitor das tuas memórias de Moçambique. São de uma ternura e de um apego assinaláveis e lêem-se com o deleite que a tua elegância e sentimento com que escreves nos proporciona.
Só acho... hummm
Acho que é indispensável ires a Moçambique hoje. Já :) Pelo menos a Maputo. Fazeres uma caldeirada das as tuas recordações com a realidade de hoje. Seria óptimo que conhecesses os "dumba-nengues", o fru-fru do chá do Polana, os "chapas 100" (taxis), os jardins da Sommershield, a degradação do Malhangalene e do Alto Maé, as festas das Embaixadas, os miúdos sem casa que correm "para te guardar o carro", as lojas do caniço e os Centros Comerciais modernos, Os Mercedes reluzentes à porta do Holiday Inn tu-cá-tu-lá com as carrinhas ferrugentas e os "txovas" a vender carvão... enfim, um mundo com personalidade própria e uma realidade que só poderia ser enriquecedora para quem ama aquele país como pareces amar. Sei do que falo, eu próprio vivi em África na pré e no pós independência e posso dizer-te que se formos capazes de manter uma atitude desaipaixonada e realista, acabamos por nos apaixonar por uma realidade tão intrínseca àquelas gentes e à nossa incontornável herança (de que salientaria a língua pois, ao contrário de muitos, acho que a língua portuguesa está pegada de estaca e o próprio governo de Moçambique tem tido uma contribuição importante para isso). Experimenta ir... seria certamente uma experiência muito enriquecedora. E enriquecias-nos a todos nós que te lemos, com mais um punhado de posts baseados no que visses e sentisses. E tenho a certeza que ias gostar.
Beijinho.

Madalena disse...

Um dia penso que vou, no outro penso que não vou...
Mas acho que vou mesmo, porque além de tudo o que dizes tão bem e tão certo há a tal "caldeirada" dos afectos que é preciso apurar.
Muito obrigada pelas tuas palavras.
São muito sensatas e eu já te disse: gosto de sensatez. E tu respondeste que já sabias...
Um beijinho mais nostálgico do que saudoso, pois esta saudade tem certamente uma componente de tempo que não tem volta a dar... Acho eu!!! Não querendo fazer de psi de mim mesma!
É assim que tão depressa acho que vou, como a seguir acho que não vou.
Se for há uma pessoa que quero à minha espera: a Passada, com Zaka ou sem Zaka!
Não tenho lá mais ninguém.

Anónimo disse...

Por falar nas irmãs Muge,lembras-te do programa da tia Zita do rádio clube ?Eu lembro-me de ser fã em criança,escrevia imensas cartas para lá e até tenho uma fotografia dela,autografada.Se não estou em erro,foi nesse programa que a Amélia começou a dar nas vistas.
Beijinhos
ana

Madalena disse...

Também era sobrinha da tia Zita, claro!
A Maria Adalgisa (espero que se escreva assim) que tinha uma voz fantástica... Talvez tenha sido nesse programa que a Amélia começou. Mas também me lembro de uma gravação de um disco na Metrópole, na altura dos Velhos Colonos. E havia também as manas Feiteira Ferreira: a Rosa, que cantava o fado e a Libânia, que declamava.
Ao meu lado morava a famíla da Natália Luíza. Brinquei com a irmã dela e lembro-me dela no berço...
Agora é que não vejo o fundo ao baú.
Beijinhos para ti, Ana!

Anónimo disse...

Madalena adoro sua doçura ao contar suas passagens, é tão gostoso !!! jinhos tareca

Brida disse...

Olá Madalena. Que engraçado..andava eu aqui á procura dos Velhos Colonos e dei com o teu blog.
Eu morava em frente á piscina na Afonso de Albuquerque, ao lado do prédio princesa.Tenho um cartão de sócio e meus pais tambem da piscina.
Que saudades...de dar uns mergulhos, das tardes dançantes com os celebres conjuntos da época.
K bons tempos
Bjocas
nani

urbaneedle disse...

Procuro pessoas que tenham estado na Beira, em Moçambique, entre 1962 e 1968. Amantes do Fado que tenham conhecido e privado com o fadista Bonifácio de Matos, que cantava na Ronda do Fado, na Beira, é para uma gala de homenagem dos 70 anos de Fado. Para mais informações contactem para o e-mail 02angela@gmail.com