terça-feira, 31 de maio de 2005

Todos os animais são iguais, mas...


Todas as quintas têm um burro, parente pobre e afastado do cavalo, animal admirado pelo porte elegante e pela inteligência, dizem.
Se o burro é um animal menos inteligente, não sabemos. Sabemos sim, que não deve nada à elegância e daí o utilizarem para carregar outras cargas.
Este chama-se Benjamim e, fazendo jus à longevidade que caracteriza a espécie, foi assistindo às mudanças na quinta, não mudando ele próprio nada, nem em si, nem nos seus hábitos.
“E acerca da Revolta nunca emitia opinião.”
Mas um dia, contra todos os seus princípios, Benjamim, que afinal era um burro instruído, leu em voz alta o velho mandamento, que agora lhe parecia diferente, talvez maior, mais comprido, o único que ainda não tinha desaparecido da parede alcatroada:
Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.

1 comentário:

C.S.A. disse...

Isto estava difícil de entrar. Obrigado, Madalena. Esta do burro fez-me lembrar um post meu há uns tempos que rezava assim:
O burro de Buridan era um burro que se encontrava entre dois fardos de palha. Ambos os fardos eram exactamente iguais. O burro estava cheio de fome, mas não conseguia decidir-se nem por um fardo nem pelo outro e, assim, não comia. A pobre criatura morreu de fome. É claro que uma escolha aleatória teria sido melhor do que não ter escolha nenhuma.
Há quem continue a ter relutância em associar «livre-arbítrio» com aleatório ou acaso.