sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Oriana Fallaci


Nasceu em Florença e morreu em Florença, esta manhã.
A TSF interrompeu o rol das notícias do dia, para noticiar a sua morte, o que prova que Oriana Fallaci não era "qualquer". Sobretudo, não era uma qualquer, no sentido de alinhar nas ideias dos outros. Alinhava nas suas próprias ideias, custasse o que custasse.
"Esta reviravolta é bem possível, meu menino: a nossa lógica é cheia de contradições. Mal afirmamos uma coisa, logo vemos nela o contrário. E talvez te apercebas que o contrário é tão válido como o que afirmavas."
Estas linhas tiradas da "Carta a um menino que não nasceu" ilustram bem o pensamento de Oriana Falacci, preparado para ver claro em todos os sentidos, mesmo do avesso.
A sua morte é uma perda para o património do pensamento e da cultura da Humanidade.
Daí a interrupção tão súbita de todas as notícias da manhã, de um dia como tantos outros, apenas diferente para os que sentem, mais uma vez que a morte é mesmo inevitável, é mesmo certa, mesmo para quem devia ter o direito a ser imortal.
Mas, afinal, tudo o que acabo de dizer e de pensar cai por terra, nas últimas linhas da "Carta...":
"Talvez também eu morra. Mas não importa. Porque a vida não morre."
*Pelo valor de todas as palavras que hoje se "derramam" sobre Oriana Fallaci, leia-se também a IO.

4 comentários:

IO disse...

E o 'link' já está em adenda no 'chuinga.d'!

Madalena disse...

Obrigada, Chuinguita. Vou fazer o mesmo, para que haja mais força nesta homenagem. Beijinhos!

dakidali disse...

Já li na "Chuinga", mas gostei de ler aqui também. As coisas que vocês sabem...
Beijinhos

Anónimo disse...

Vale a pena também ler da Oriana Fallaci o livro " A raiva e o Orgulho" a propósito do 11 de Setembro e da guerra declarada pelo Islão ao Ocidente - a que a Europa teima em fazer ouvidos de mercador. Umas verdades que a O.F. diz com desassombro e que só por isso merece todas as homenagens de quem luta pela liberdade e pela justiça. Que falta faz que esta voz não seja ouvida!
jorge nuno