sábado, 4 de novembro de 2006

O Jogo (das ondas)

Que jogo é este
o de saber nos pés
só a espuma
de imensas madrugadas.

Que jogo é este
o de chorar os destroços
de um navio
que chegou a navegar
ou as asas de uma gaivota
apodrecida
que voou

Sem me chorar

Que jogo é este
o de esperar
um rebentar da onda
sem me estender
sem me estender pelos teus túneis.
A onda, poema de 1973
Manuel Rui, poeta angolano, faz hoje 65 anos. Não conhecia. Chegou até mim esta onda e eu gostei.
Vou continuar a procurar outras ondas ou outros jogos!~
Parabéns ao poeta.
Logo hoje que eu vou ver as ondas, mais perto e mais azuis!
onda

2 comentários:

Laura Lara disse...

Aqui vai mais um bocadinho de Manuel Rui:

“A água e o Pão

Já se beberam lágrimas
onde secaram fontes
já se comeu a fome
onde acabou o pão.”
(11 Poemas em Novembro)

Bom fim-de-semana e beijinhos

Pitucha disse...

O Manuel Rui é absolutamente fantástico!
Beijos e boas ondas