terça-feira, 27 de março de 2007

"Dá lá beijinhos a todos!"

Foram estas as últimas palavras. Foi este o último recado que receberam todos os que "pertenciam" ao coração bom que, no sábado, deixou de bater.
Era um coração muito bom de um homem muito bom a quem eu chamava "pai", há muitos anos. Quando o conheci era um homem "rijo e jovial", como diz uma amiga desses tempos em que a vida parecia ter sido inventada para sermos todos felizes.
Vi os anos passarem, sem grandes estragos, sobretudo na tal jovialidade.
A eterna namorada deu sempre sentido aos dias e a rosa vinha habitualmente no saco das compras.
Hoje a rosa foi com ele, porque não vá "dar-se o caso" (expressão muito sua) de não haver floristas no céu.
E, para "não ir sem resposta" (outra expressão muito sua) houve até quem levasse um ramo de flores verdes e flores brancas, porque a paixão verde e branca era bem do conhecimento de todos.
(Obrigada ao jornal do Sporting que noticia a sua partida.)
Deixo aqui as palavras do meu filho Diogo, no dia em que o Leão Maior completou 86 anos de idade, a 25 de Agosto de 2005.
Já o meu avô Vitó personifica quase na perfeição a música do Marco Paulo “Dois amores”. Conforme disse logo na fase inicial deste blog, ele tem duas grandes paixões na vida: a minha avó e o Sporting. É claro que a minha avó leva vantagem, mas não pensem que a paixão pelo meu clube é assim tão pouca.
Ainda hoje oferece rosas à minha avó, faz-lhe tudo, ele é o homem-a-dias, só não cozinha (ainda bem, porque senão a comida era sempre atum com batatas cozidas), vai à praia com ela (ele que diz que sempre preferiu o campo, mas nunca viveu lá) e ainda arranja tempo para ficar com ciúmes de vez em quando.
Já em relação ao Sporting, sempre que um neto e agora a bisneta nasciam ia fazê-los sócios dessa grande instituição. Para terem uma ideia da sua "cegueira", antes de me ir ver à maternidade passou pela secretária do Sporting e preencheu a minha proposta de sócio. Depois fiquei assim como ele: fanático. No entanto, o meu pai também teve um pouco de culpa nisso. Ainda hoje vai à bola e tem lugar ao meu lado e o único jornal que lê é o do Sporting, que como todos devem imaginar é isentíssimo.
Já o disse há uns tempos, mas volto a dizer que ele é talvez a pessoa da família com quem mais me identifico, não fisicamente, mas como pessoa.
Ele é das melhores pessoas que conheço, não existe uma ponta de maldade naquele homem. Mentira, ele como eu, não gostamos do Benfica e desejamos que perca todos os jogos. Mas de resto, é uma pessoa exemplar. Não há muitos como ele, quem o conhece sabe bem que do que estou a falar.
Às vezes as pessoas falam em ídolos, e ao contrário do que possam julgar os meus não são o Pedro Barbosa nem o Balacov ou o Manuel Fernandes. Esses foram jogadores que muito admirei. Por ídolo, entendo aquele que admiro enquanto pessoa, e não aquele que é enquanto atleta, cantor/a ou actor/actriz. Ídolos tenho muito poucos, mas o meu avô é um deles.
Se um dia conseguir ser um décimo do que ele é já posso dizer que sou grande, porque o meu avô é enorme.

Há uns anos, numa circunstância oficial, o Jorge (filho) agradecia aos pais a sua presença e acrescentava que eles lhe tinham sempre ensinado o caminho da verdade e nunca o do interesse.
Por tudo o que fez por nós, obrigada, pai!
Adeus, Pai!

13 comentários:

Diogo disse...

O Vitó era único.De uma maneira ou outra marcou toda a gente que o conhecia, e a nós resta-nos lembrar os muitos momentos bons que eles nos deixou.
Beijinhos Vitó, prometo-te que tomamos conta da Di.

Pitucha disse...

Fiquei triste com as notícias. Como me disseste um dia, há mais uma estrela no céu a olhar por ti e pela tua família.
Beijos grandes

Laura Lara disse...

Uma lágrima. Que não me impede de ir espreitar a nova estrela, mais brilhante que todas as outras.
Um abraço muito amigo a toda a família

IO disse...

Um grande grande beijo para ti, para o filho do leão, para o amor dele e para os leoezinhos!, IO.

Teresa disse...

Um beijinho muito grande e a consolação da esperança de que todos os Homens Bons terão um lugar de eleição.

Pedro Boleo disse...

Tenho esta página aberta desde terça feira, e ainda não sei o que escrever... todos aqueles que conviveram de perto com o meu avô, sabem a pessoa fantástica que ele era, pelo que não iria dizer nada que não se soubesse.

Ao ler este texto da minha tia, já me ri com as boas memórias que tenho e já chorei sem parar por causa da saudade que sinto... Agora só espero que as lágrimas passem, pois a saudade sei que vai ficar para sempre.

Beijinhos para ti também, Vitó. E tal como o Diogo disse, vamos todos tomar muito bem conta da Di.

Luísa Hingá disse...

Abracinhos apertados.

espumante disse...

Aqui fica um beijinho de simpatia e solidariedade para ti e toda a família. E quando a recordação é boa, a dor torna-se mais suave. Chega mesmo a fazer-se aflorar num sorriso.
Beijos e abraços para todos

Madalena disse...

Agradeço as palavras de conforto que aqui vão deixando. Sei que há da parte de todos um desejo sincero de dar sentido à vida, de novo, sobretudo para a "Di", em nome da sua própria vida que nos deve servir de exemplo. Farei o melhor que sei. Obrigada!
Acreditem: perdi outro pai. Reclamo com orgulho o carinho que me dedicava, explicando sempre que eu também já era filha. E, como um verdadeiro pai, era quem tolerava melhor os meus defeitos, as minhas imperfeições.

eduardo disse...

Que posso eu dizer, mais uma vez, quando se perde um pedacinho de nós?
É complicado.

Durante toda a nossa existência há pessoas que nos marcam. Que nos agarram pela forma de serem. Límpidos e abertos que nos ajudam a realizar todos os sonhos de criança.

A rosa que foi com ele, Madalena, há-de florescer multiplicadas vezes no teu próprio jardim.
Esse jardim, que um dia, os teus filhos renovarão seguramente para os teus netos, bisnetos, e todas as gerações que venham a seguir.

Fica-me o conforto de serem felizes enquanto o limite da nossa vida o permitir.

Deixo o meu beijo de carinho especial que sempre nutri por ti.

g. disse...

Madalena, nunca se diz Adeus Pai mas sim um 'até já' ou 'até logo Pai'.

um dia escrevi no meu cantinho uma carta a uma amiga que estava com saudades da mãe e, como o Pedro, ao ler as tuas palavras também ri e também me rolam algumas lágrimas teimosas de saudade das minhas pessoas que já partiram de mim e relembrei as palavras do MEC Ir para o céu é passar para dentro dos corações que ficaram em terra. Haverá Paraíso mais bonito que viver dentro de quem amámos e de quem nos amou? e desejo que o Marido, Pai, Avô, Amigos fique eternamente dentro dos corações que ele amou e que, apesar de ele ter começado a caminhar sozinho numa outra estrada, quem o ama continue a tê-lo eternamente guardado no calor do coração.

um beijinho grande

Anónimo disse...

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