terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A curto prazo

Todos estaremos assim, como os versos deste poema de António Ramos Rosa, que li aqui.
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço

Caminhamos a passos de gigante para este cansaço da jornada vã, dos dias cheios de nada que valha a pena, quando a felicidade de ser pessoa é um objectivo da vida, ainda por cima quando se sabe que a prática diária pura e simples do exercício da nossa profissão nos traz à rede momentos quase perfeitos. Que mais poderíamos desejar?
Eu não quero mesmo ir sentar-me nas aulas dos meus colegas mais novos, se não for para reaprender com eles sonhos que eu já gastei. Não renego cegamente a avaliação, mas rejeito este modelo que se baseia uma vez mais numa burocracia gigantesca que vai parir uma máquina demolidora de entusiasmo verdadeiro, que vai triturar as relações pessoais.
Muitos são os que estão tão cansados de funcionar que não aguentam mais nada e vão embora. Desistem, em nome de mínimos de dignidade e sentido de vida que querem preservar. Não desistiriam se pudessem ser ouvidos com atenção que lhes merecem os mais de trinta anos de sala de aula, de quadro de ardósia e giz, de livros e cadernos...
Basta ler (ou reler) o Diário de Sebastião da Gama, para realmente perceber o que é ser professor e o quanto se afastam estes senhores que nos governam dos momentos perfeitos de humanidade contados nos Diário.
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
Porque este não é o cansaço bom do trabalho que nasce na nossa mente e passa para as nossas mãos! (Professora daqui)

3 comentários:

125_azul disse...

Como te entendo! Também estou assim. Muito trabalho, muito cansaço... e não está a ser bom!
Beijinhos e as melhoras para nós! Como vai o coração do leão? Beijinhos para ele também

IO disse...

Um beijo solidário aos prof's, já que não remodelaram a Milu...

IO

luis manuel disse...

A curto... e a longo prazo, energia para desenvolver o esforço de alterar essa máquina trituradora.
Pelos largos anos de quadro de ardósia e giz, e da vontade em reaprender outros sonhos (haverão muitos que ainda não estão gastos).
O peso do cansaço chegará, mas encontrará gente desperta e orientada para o suportar.

Um abraço