domingo, 18 de maio de 2008

Ciao, Zélia!

Para a vida ter sentido, temos de "fazer por isso".
O nosso medo da morte prende-se com o medo do esquecimento, do desaparecimento nas profundas águas do Rio Letes. Camões falou disso e tu, Zélia, falaste disso também, valorizando a dimensão dos valores humanos, da simples bondade, mais do que a dimensão das grandes obras, as tais "valerosas" que nos "vão da lei da morte libertando."
"Aos oitenta e três anos, dona de imensa experiência de vida, de alegrias e tristezas, sucessos e decepções, chego a uma conclusão: só morrem, desaparecem de vez, as pessoas que não foram amadas, pessoas que, por terem sido más, não deixaram saudades na terra, não são lembradas. Dessas, mesmo em vida, esqueço os seus nomes."
Foi o que tu escreveste em Conclusão, na tua autobiografia "Città di Roma",nome do navio que trouxe os Gattai de Génova. Porque eu acredito nesta verdade, tomo-a para mim e proclamo-a também, pedindo-te emprestadas as tuas palavras.
E aproveito também para corrigir a notícia do jornais: A Zélia não morreu, porque os seus netos amados (até de nome eles são Amados!) sabem que a avó teve de comparecer ao encontro com "Seu Jorge", Seu de Senhor e Seu possessivo, Amado de apelido e de verdade.
Ciao, Zélia!
Goza bem a eternidade que mereces!

4 comentários:

Célia M. P. disse...

Alguém me disse a semana passada, e ainda bem porque já tinha esquecido: "Esta vida é mesmo só uma passagem, que nos prepara para outra." Que bom saber que há pessoas que se preparam tão bem!

IO disse...

Também lá no bló ficou um apontamento sobre esta "Anarquista, Graças a Deus", mas hoje vim cá dar os parabéns aos 4 leões!
IO

125_azul disse...

Pois que gozem bem a eternidade os dois! E nós, leões, que gozemos mais este aninho de Taça...
Beijinhos

Luisa Hingá disse...

Não sabia que a Zélia tinha ido ter com o Jorge.
Beijinhos