segunda-feira, 26 de maio de 2008

"feridinhas de caracacá"

Quando leio o L.A. na Visão, fico a remoer essas tais "feridinhas de caracacá", como ele chama às memórias esfoladas que traz da infância.
Não fico a remoer as dele, mas as minhas, claro! Como todas as dores, as de caracacá também só doem ao próprio.
A feridinha mais de caracacá que me vem à lembrança sempre, e sempre enquadrada na memória do tal paraíso perdido que era o quintal da casa da minha avó, é o rabo de cavalo que as minhas primas usavam e eu não, que se agitava em movimentos melodiosos quando corriam, para a esquerda e para a direita, ou quando saltavam, para cima e para baixo, chegando a ousar misturar-se com as franjas e com as pestanas, em verdadeira orgia.
Passada a fase dos odiados laçarotes, os meus cabelos eram sempre higienicamente cortados, quase à rapaz, não fosse algum tímido piolho fazer o ninho numa madeixa mais atrevidamente compridita.
E assim fiquei eu com a infância estragada pelos cabelos!É que nem em dias de festa me deixavam os cabelos à vontade: eram enfiados em mini-barretes cheios de brilhos e brilhinhos...
Era uma das razões por que eu queria muito crescer e ser dona da minha vontade e dos meus cabelos!!!!

6 comentários:

IO disse...

Delicioso 'post', Mad'!
Beijo ternurento à miúda,
IO

Hindy disse...

Recordar é viver...

Beijinho hindyado

Carraça disse...

Olá Madalena, há muito que não a visitava.
Mas voltei e deparei-me com este lindo post! Todos nós temos as nossas feridinhas de infância... As minhas não passaram pelo cabelo, mas cá estão e passam muitas vezes pela cabeça!

Um beijinho

calamity jane disse...

Com a devida vénia à Io, não me ocorre um adjectivo melhor: delicioso!

Há muito que não leio o LA, tanto que comecei por pensar: "Lauro António? Hum... não pode ser!" - Heheheheh!

Dores de caracacá... ele haveria tanto a dizer sobre elas! E que peso têm elas, por vezes!

Tinha saudades de aqui vir. Fazes-me sempre lembrar de tantas coisas... Do espanto de existir, mesmo. Que belo e adequado lema escolheste para o teu tasco!
Obrigada, Madalena, por teres vindo fazer parte do meu mundo

Luisa Hingá disse...

Eu também nunca tive cabelo comprido...Como eu "sinto a tua dor" Risos...
O teu artigo está tão lindo! O LA que devia ter JÁ um Nobel iria ficar contente de o ler.
beijos

jasmimdomeuquintal disse...

também tenho algumas feridinahs de caracá, quem não tem. Mas hoje que tenho uma super ferida (influenciada ou não por as primeiras) chego a ter saudades...
è a vida, chama-se crescer!