quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Chuchar no dedo?

Nunca imaginei este título para uma crónica, muito menos de uma crónica publicada em jornal de referência como é o nosso velhinho DN, muito menos assinada por alguém cujo trabalho se reveste sempre de um brilho literário que nos pode fazer recuar até à Antiguidade Clássica.
(Talvez devêssemos imaginar Ulisses a chuchar no dedo?! Ou Penélope, nos intervalos do croché?)
Chuchar no dedo não é título de crónica assinada por Vasco Graça Moura! Não pode ser! Pensava eu, até hoje!
Mas quando o assunto é "Magalhães" entramos na regra "Vale tudo" menos tirar olhos. Até vale tirar uma fotografia com os meninos e com os Magalhães e depois tirar os Magalhães para bater em retirada para outra freguesia, para tirar outra fotografia. E assim sucessivamente, como diziam antigamente as pessoas, já que não ouço muito esta expressão hoje em dia!
Assim "Chuchar no dedo" passa a ser um não-título de uma não-crónica, para cronicar sobre uma não-realidade! Pronto. Deste modo, já começo a entender! Começamos a entrar no não-mundo dos mais desprotegidos, onde lhes resta apenas o recurso ao instintivo consolo que vem dos longínquos tempos uterinos: chuchar no dedo.
Parabéns, Vasco Graça Moura! (sem ironias, que isto agora é preciso explicar tudo muito bem explicadinho, não vá alguém pensar que Portugal é apenas um recurso estilístico!) imagem do National Geographic Magazine