domingo, 28 de outubro de 2012

"Não é meia-noite quem quer"

"Não é é meia-noite quem quer" é o título do novo romance do Lobo Antunes. 
Como em quase todos os romances, os títulos são assim: avassaladores. 
Este avassala-me pelas melhores razões. Este atira-me para o cesto dos brinquedos daqueles que os miúdos têm nos quartos, cheios de bonecas sem pernas, carros sem rodas, peluches com o miolo à vista, peças, muitas peças, de LegosPlaymobile e outras impossíveis de identificar. 
A meia-noite é a hora em que os encantos se quebram. É desencantamento com hora marcada, como aconteceu com a pobre da Cinderela. Mas vendo bem, o encanto não se quebrou: seguiu outro caminho, pelo passos do sapato perdido. 
A fantasia deve tocar-nos, pelo menos meia dúzia de vezes na vida. 
A primeira não nos lembramos, mas deve tocar-nos na mudança da barriga da mãe para as mãos do mundo. A segunda vez que nos toca não tem idade marcada. É certamente como nos filmes, mas ao contrário: menores de seis anos. A terceira vez acontece na adolescência e chega-nos, como nos Livros Sagrados, através dos sonhos. Na idade adulta, seremos ainda tocados mais umas vezes. E este título "não é meia-noite quem quer"? Há que buscar o querer, seja ele nosso ou alheio, fazendo, neste caso, jus ao nome do romance. Há que correr os dias todos atrás da meia-noite. Pode ser que ela se entranhe em nós e fiquemos impregnados de fantasia.
E poderemos dar corpo, quem sabe?, a um segundo título: "Só é meia-noite quem quer."

2 comentários:

Janine disse...

Um beijinho, querida Madalena!
;)
Sempre textos belos!!! ;)

Graça Pereira disse...

Hoje passo para te desejar uma Natal muito Feliz em família e um 2013, melhor do que se espera.
mil beijos
Graça