Literariamente falando, o drama distingue-se de outros géneros, precisamente porque as coisas acontecem na presença do espectador. Naquele palco, ontem à noite, desfilaram emoções muito fortes, muita dor, mas também muita esperança.
AS mulheres que constituem o elenco dão corpo e voz à sua própria dor, às suas vivências, sem falsos rodeios.
O que ali passou foi a Vida como ela é. Da rotina de um dia-a-dia sem sobressaltos maiores, até ao assalto que o cancro pode perpetrar à tranquilidade de cada um de nós vai um momento, um instante.
E quando tudo acontece? Que fazer? Ninguém desiste! Todos, neste caso todas, têm razões para lutar e a maior parte delas refere apenas a família!
"Quando regressei a casa, o meu filho recebeu-me com uma flor na mão!", diz uma das mulheres.
Tudo o que ali se passa, em cima daquele palco, passou também por muitos dos que estão sentados na plateia, impávidos, mas não serenos.
Mais do que alertar as mulheres para o diagnóstico precoce, a peça é um "convite" à luta. Como dizia a Cinda, todas as noites, em frente ao espelho: "Não me vais vencer! Eu sou mais forte do que tu!" E é! E és, Cinda!
A Cacilda formulou o desejo de ver os filhos crescer. E viu! Já lá vão 28 anos!
A Nela revive o momento da notícia, do diagnóstico. O Paulo também dá voz e corpo a ele mesmo, marido, naquela situação, em que todos os medos assombram...
Para todas estas e para as duas meninas mais novas que ali mostraram a sua força, a minha admiração!
Mas o melhor ainda está para vir! Toca a lutar!