sexta-feira, 29 de abril de 2005

Na berlinda

Hoje "Xicuembo" está na berlinda. Há muito tempo que não usava a expressão "estar na berlinda"...
Nem sei porquê.
Talvez não tenha precisado, mas hoje precisei e cá estava, prontinha a sair do pensamento para as teclas e das teclas para o ecrã e, aí, a causar-me uma certa estranheza. E agora é estranheza da própria estranheza! E vou andar aqui meio dia e não chego ao que interessa.
Xicuembo, além de ser o nome do próximo best-seller, é também nome de blog onde vou, rotineiramente, espreitar a escrita do Carlos.
Há dois dias atrás, deparei com um nome de um autor e de um livro que me trouxe recoradações gratas de leituras antigas. Muito antigas mesmo! Olhai os Lírios do Campo!
Olhai os Lírios do Campo foi o primeiro livro de gente crescida que li. Eu ainda não era crescida. Não o percebi, com certeza. Voltei a lê-lo e desta vez entendi. Gostei tanto que o voltei a ler. Este é se calhar o único livro que "treli".
Claro que o texto do Carlos não era sobre este autor, nem sobre este livro, nem sei bem se era sobre o que o título anunciava: Sobre a ironia e o nada, com curva no Alto Maé !
Eu fico no Alto-Maé, pois parece-me que era aqui que eu morava, quando li "os lírios" pela segunda vez.
Um dia, numa crónica da Nova Gazeta, recordei assim este livro:
Há um dia na nossa vida em que alteamos o salto do sapato, mudamos o penteado, usamos a nossa própria chave de casa... por aí adiante.
Isto é: há mesmo um dia, em que deixamos de ser crianças. Aparentemente, de um momento para o outro, como se isso não fosse um processo, por vezes tão demorado, que nos pode tomar conta da vida inteira!
E houve esse dia em que achei que as leituras de criança deviam ser postas de lado e devia começar a ler livros de pessoas crescidas.
( Como eu estava enganada! Continuo a ler livros de crianças. E gosto.)
Então, aos treze anos, escolhi o livro que devia marcar a minha maioridade “literária”: Olhai os lírios do campo, de Erico Veríssimo.

Obrigada, Carlos, por me linkares a memória para o momento em que, literariamente, ainda que em termos passivos, decidi perder a inocência!
(Claro que também li os Patinhas todos. Quem não leu?)
Vou guardar a recensão dos Lírios na tal gaveta onde guardo as coisas-mais-de- cerimónia!!!

12 comentários:

eduarda maria disse...

Já aqui vim várias vezes. Curiosamente (ou naturalmente, não sei)todos os livros que vais anunciando também fizeram parte do meu crescimento. E fica uma pessoa com aquele sorriso meio parvo a olhar para o monitor. O meu pé de laranja lima foi o primeiro livro que me fez chorar. A sua continuaçao tambem. Erico Veríssimo só conheci na adolescência e foi tão bonito. Keep up.
(Reler, reler, já reli Os Maias 14 vezes :) )
Agora, parto para Xicuembo. Xanhaca.
Eduarda Maria

Pitucha disse...

Madalena
O que seria de nós sem livros?
Como marcaríamos as fases das nossas vidas? Eu sei, eu adoro fazer perguntas.
Um beijo

Mitsou disse...

Também já o li há muito tempo. Daí entender a tua vontade de relê-lo. Os nossos olhos vão mudando com os anos. E não é só por fora. Muitos beijinhos, querida Madalena, e votos de um fim-de-semana muito feliz :)

Carlos Gil disse...

Como disse no post nunca li, que me lembre, o Erico Veríssimo. Mas adoro a escrita do filho, LFV, as 'crónicas da vida privada', exemplo a sua página semanal na Actual. E descobri agora via um bloguista do Índico que também é um cartonista bem conseguido, pelos exemplos que me mandaram e-mailados da sua série 'Família Brasil' que, penso, sai no jornal O Globo. As minhas primeiras 'leituras de texto' para além dos 'Cinco' foram aqueles livros sobre heróis mitológicos só cum umas 4 gravuras em todo o livro, página inteira, em que, a brincar, se mamavam os clássicos correctos para quem está a crescer. Desde o Robin Hood ao ben-Hur, o Ivanhoe e os 3 Mosqueteiros, etc, etc. No fundo livros de acenturas sem os bonecos que, aprendi aí, saiem sempre muito mais giros quando construídos e desenhados nas nossas cabeças via as letras que os contam.
O 1º livro 'a sério' que devo ter lido foi O Conde de Monte Cristo, calhamaço para umas mil pág, e adorei... curiosamente hoje, Almeirim, sou vizinho e amigo dum luso-go~es-moçambicano que assegura-me ainda ser descendente do abade Faria, lá referido, e que existiu de facto e não como ficção puro do Dumas. E os policiais do pai, primeiro às escondidas, depois seleccionava-os ele, ao fim de pouco tempo eu gamava-lhos e lia todos às escondidas, Simenon, Rex Stout, até Hammet, felizmente. Lá para os quinze é que 'desabrochei' e comecei a interessar-me por leituras mais amplas, fora da ficção juvenil e dos policiais do pai. Mamei os best-sellers todos que lá em casa apareciam do Irving Wallace, exemplo, e o bichinho nunca mais se satisfez. Hoje, desgraçadamente, leio pouco...
Beijinho Madalena. fiquei feliz por o meu post te trazer boas memórias.

Cinda disse...

Voltei para te deixar um beijinho especial pelo dia de amanhã. Duplamente festejado, mas, neste caso, por seres uma Mãe maravilhosa. :)*

Águas de Março disse...

Também a seu tempo li os Lirios do Campo, e agora ao falares nele volta a saudade, tanto do livro como do que eu era nessa altura. É um dos sortilégios da leitura, sem dúvida.
Como vais festejar o dia de amanhã?
Beijo amigo!

zezinho disse...

Não saberia vivwer sem livros..
Voltarei com certeza.

letrasaoacaso disse...

Este é apenas um dos muitos livros que relerei com prazer. Fica a sugestão.
Abraço

eduardo disse...

Engraçada coincidência. Foi por essa idade que também o li. Só que não treli, ainda. Mas se me der na gana, faço-o. E não é necessário estar ne berlinda. :lol:

(expressão bem gira de outros tempos, hehe...)

lique disse...

Lembraste-me um livro que li há tanto tempo... Boa altura para o reler e, se calhar, treler :) Beijinhos, Madalena

Madalena disse...

Obrigada a todos...
Foi breve a minha ausência, mas foi ausência! Mesmo assim tive visitas. Que bom!

Anónimo disse...

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