segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Cada um com o seu nevoeiro

fog
E cada um à espera do seu D. Sebastião!
Nas páginas quase finais da Cidade e as Serras, Eça ilustrou, como só ele sabe fazer, o sebastianismo intrínseco que já nos caracteriza, provavelmente, desde tempos muito anteriores ao próprio D. Sebastião.
Passeando pela Quinta de Tormes, onde encontrou finalmente a paz de espírito que a Civilização lhe negara, o Príncipe Jacinto toma conhecimento dos rumores que correm por aquelas terras: D. Sebastião voltou na pessoa deste Jacinto, resgatado à podre civilização pelo amor de uma moçoila, a Joaninha. É João Torrado, um homem tido como profeta, que badala essa ideia.
(D. Sebastião só fica bem, embrulhado em nevoeiro!)
Zé Fernandes explica a Jacinto que, em Portugal, todos somos sebastianistas e até a Lotaria da Misericórdia é uma forma de sebastianismo.
Nada mais verdadeiro para falar dos tempos que correm.
O Euromilhões faz a parte da lotaria. Não aparece é nenhum Jacinto que, do seu bolso, ou do bolso comum, reponha a justiça social perdida.
Isto tudo porque a Chuinga falou de D. Sebastião e me vieram à cabeça as palavras do mestre do nosso "ser português" no seu pior e no seu melhor também, como é o caso desta obra que presta tributo à amizade e à lealdade.
"Todos o somos, Jacinto amigo, em Portugal!"
(Nota - Não encontrei o livro do Eça. Se a memória não me ajudou como devia, digam qualquer coisinha! Estou a pedir, quase disfarçadamente, quase descaradamente, que deixem um comentário...)

10 comentários:

Pitucha disse...

"Cada um com o seu nevoeiro": adorei esta frase e aplica-se-me muito bem neste momento!
Beijos grandes Madalena

IO disse...

Eu gosto de nevoeiro, para passear entre o verde e o azul por ele pintados de pensar!
- e tb gostei do título!, beijo, IO.

Laura Lara disse...

O teu post faz com que eu vá reler o livro do Eça.
“E eu próprio me impressionei, quando o Melchior me contou que o João Torrado, um velho singular daqueles sítios, de grandes barbas grandes, ervanário, vagamente alveitar, um pouco adivinho, morador misterioso duma cova no alto da serra, a todos afirmava que aquele bom senhor era El-Rei D. Sebastião, que voltara!”. “- Mas, ó tio João, ouça cá! Sempe é certo você dizer por aí, pelos sítios, que El-Rei S. Sebastião voltara?”. “E Jacinto pasmava de que ainda houvesse no reino um Sebastianista. – Todos o somos ainda em Portugal, Jacinto! Na serra ou na cidade cada um espera o seu D. Sebastião!”
Claro que memória ajudou, Madalena. Está tudo impecavelmente certo e hoje até meio enevoado.

Acrescento o final da “Mensagem” de Fernando Pessoa:

Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

E termino com as palavras de David Mourão-Ferreira: “E aquela exclamação ‘É a Hora’, com que o livro termina, bem necessita de encontrar eco no maior número de corações”.

Espero que D. Sebastião chegue depressa e que consiga encontrar alguns corações.

Muitos beijinhos, Madalena.

Bárbara Vale-Frias disse...

Sou uma devoradora de livros mas, confesso, o Eça nunca me seduziu, talvez porque fui obrigada a ler Os Maias na escola. Pode ser que um dia ainda aprenda a apreciar a sua obra. Há autores assim, dos quais se aprende a gostar com o tempo :)

Quanto a nevoeiros... acho-os interessantes quando os observo da janela da minha cozinha, que dá uma um jardim e para uma quinta enorme. Aquelas gotículas minúsculas de água a moverem-se todas num sentido, fazendo lembrar um véu, costumam prender o meu olhar e a minha atenção por largos minutos de deleite!

Bjs

Teresa Leite disse...

Não gosto do nevoeiro, falta-me o ar...já basta o nevoeiro mental em que ando! Tem um lado nostálgico e que convida à reflexão, mas gosto mais de reflectir frente ao que vejo ou penso ver.
Gosto muito de Eça de Queirós e acho que me entusiasmaste a reler alguns dos seus livros.
Não resisti e compreei "As Farpas" e para contrastar o Diário de Salazar. Tem umas passagens que são um mimo, em especial as que dizem respeito ao Cerejeira!!!

Carlos Barros disse...

onde andam essas cerejas que se escondem de baixo do nevoeiro?

C.S.A. disse...

Eu sou mais de Sol, Madalena, por isso me custa um bocado entender o «nevoeiro» português. I.e., entender, entendo, custa-me é aceitá-lo. Mas foi brilhante este post. E de memória!
Não há muito, reli partes de A Relíquia! É outra delícia.
Um beijo.

Emilia disse...

A amizade também pode ter nevoeiro, não pode Madalena? Não é vista mas é sentida.
Um abraço,
emília

magude disse...

Não gosto de nevoeiro e muito menos de "desejados". Mas gosto do Eça, apesar de já não ler nenhuma das suas obras à algum tempo. Alguns dos seus textos parecem ter sido escritos esta manhã. Repara neste trecho de "Uma Campanha Alegre" (conjunto dos textos de Eça inseridos em "As Farpas"): "Aqui estamos pois diante de ti, mundo oficial, constitucional, burguês, doutrinário e grave! Não sabemos se a mão que vamos abrir está ou não cheia de verdades. Sabemos que está cheia de negativas. Não sabemos, talvez, onde se deve ir; sabemos de certo onde se não deve estar. Catão, com Pompeu e César à vista, sabia de quem havia de fugir, mas não sabia para onde. Temos esta meia ciência de Catão. Donde vimos? Para onde vamos? Podemos apenas responder: vimos donde vós estais, vamos para onde vós não estiverdes."
Beijinho Madalena.
José Carlos.

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