domingo, 12 de fevereiro de 2006

As raparigas da minha idade

Será que a Techa ainda canta as cantigas da Lulu, do Cliff e do Juan Manuel Serrat?
Será que ainda tem aquele ar de Françoise Hardy, Gigliola ou Vartan?
1968_TechaCanta
Podemos ouvi-la aqui.
E a Amélia Muge?

Lembro-me bem da Amélia menina. Tinha os olhos doces, como a da cantiga do Carlos Mendes. Além de doces eram grandes e escuros. Profundos. A Amélia, a Teresa, irmã, e o pai, eram inseparáveis. O Pai conhecia-lhe o talento.
E, lá nos Velhos Colonos (o espaço onde tudo acontecia, para além do quintal da minha avó!) havia outro par de irmãs com talento e esperança: a Libânia e a Rosa.
A Libânia declamava e hoje escreve. Soube-o aqui.
A Rosa cantava o fado. A Rosa casou com um dos miúdos mais "giros" lá da rua, que sabia muito bem que era "giro" e sabia convencer as raparigas. A Rosa era também das mais giras. Ficaram bem assim.
Há outra "rapariga" que representa, encena, mas sobretudo (opinião pessoal) diz, como ninguém: a Natália Luíza. Mas essa não era da minha idade. Era muito mais nova.
A mana é que era minha companheira de brincadeiras.
Será que envelheceram, como eu?
(Na minha recordação, a imagem delas permanece intacta. Tão intacta que a Natália Luíza ainda nem fala. Nem sai do berço!)

4 comentários:

Kamikaze disse...

Ó Madalena,

E é este último registo, o das nossas memórias, o mais importante.
É esse que prevalece, que nos marca, que nos liga aos outros e que se vai, a pouco e pouco, imortalizando dentro de nós.

Beijos... em exclusivo!

espumante disse...

Madalena, a Natércia Barreto vivia em Johannesburg ainda há coisa de meia dúzia de anos. Conhecia-a pessoalmente através de amigos comuns. Acabámos por levá-la a Maputo e organizámos uma cantoria no Polana e até este teu dedicado admirador cantou com ela à desgarrada. Eu não a conheci em jovem (não estava lá...), a única coisa que posso dizer-te é que ela tem um refinado sentido de humor e uma permanente boa disposição. E sim, ainda canta os "óculos de sol" :)
A Amélia Muge, não a conheço pessoalmente, mas foi o irmão dela que me iniciou nos segredos de skin-diving. O Dadinho (Eduardo Muge) era um mocetão que um dia disse assim à Passada. Queres um tubarão? Então meteu-se no barco (estávamos na Inhaca) foi ao Banco China, mergulhou, arpoou um tubarão e meia hora depois arrastou-o até à Passada, na praia em frente ao hotel. Claro que ela nunca mais se esqueceu deste pormenor e fizemos as fotos da praxe.
Dois apontamentos pequenos com gente que aparentemente tu e eu conhecemos.
Beijinho amigo

espumante disse...

Correcção na segunda linha do meu comentário:
Em vez de CONHECIA-A, deve ler-se CONHECI-A
Beijos conhecidos :)

IO disse...

A Techa ao que sei, obedeceu direitinho à máxima 'mulher casada não pode ser artista'... e não era nada parva: só cantava koisas que sabia que já tinham sido êxitos lá fora - e não estou a dizer que ainda hoje não sei cantar algumas letras traduzidas. Lembro-me bem da Anabela (a mais nova) e da Rosa no liceu, era a menina querida da prof' de Canto Coral lol, a mana Libânia era colega da minha tia mais nova no Comércio (onde andava tb a Techa). Quanto à Natália e à Amélia, pois eis dois casos de mulheres que sabem envelhecer com classe!! Oh, Madalena, grande rua, a tua!, só artistas e tu escritora!! - beijo às três últimas! - uma que se fartava de rir nas aulas de CC, amarrava a fita da bata das colegas (apertava por trás) às cadeiras e esperava calmamente pela hora em que no final se levantavam para cantar o hino lol