terça-feira, 16 de maio de 2006

Utopias, claro!

«Ensina ao jovem o caminho que deve seguir; mesmo quando envelhecer, não se desviará dele.»
O deixou-me este provérbio como presente do aniversário do Chora. Eu relacionei-o com a minha condição de professora. Um dia depois encontro matéria para novo post: Thomas More, a Utopia, o Professor.
Se alguem me ensinou o caminho, se alguém moldou o meu pensamento, esse alguém foi o Professor Fernando Moser. As suas aulas não expunham apenas factos. As ideias sobre as coisas passavam e obrigaram o meu pensamento a seguir caminhos eventualmente mais certos. Eu penso isso.
(Eu agradeço-çhe isso!)
Aprendi, então, que algumas grandes medidas políticas não passam de certeiros ajustes ao enquadramento dos interesses de quem tem o poder, de quem governa. Foi assim com Henrique VIII que mudou de fé, porque aquela a que estava ligado pela educação e pela cultura do seu povo não lhe servia mais.
Por sua vez, a fé tem os seus representantes temporais e estes não se compadecem só com as coisas do espírito. A Casa Real Espanhola era bem mais forte do que a Inglesa e não podia haver cedências ao interesse do rei, só porque ele estava apaixonado por uma qualquer aia que viria a provar o mel e o fel desta paixão.
(Este é um esboço apressado do contexto histórico em que decorreu a mudança de fé do rei.)
Ei-lo, a ele, Henrique VIII, Chefe da Igreja, a decretar a anulação de um casamento que não lhe convinha mais!
Ei-los a aproveitarem-se, os homens espertos da sua corte, e a reformarem ideologicamente as estruturas do poder, para que a sua influência no futuro que previam inevitavelmente reformado e separado de Roma, para que a sua influência, dizia, fosse um facto!
Ei-lo só, mesmo só, com as suas convicções, a perder sucessivamente todos os seus bens, todos os seus direitos! Ei-lo sereno a caminho de uma morte que podia ser evitada com um pequeno sim ao rei todo poderoso!
Ei-lo a morrer, fiel servidor do rei, mas Deus acima de tudo, como é contado na História.
Ei-lo a inventar uma sociedade justa e a pô-la em livro que atravessa todas as eternidades: Utopia.
Eis Thomas More, "O Homem para a Eternidade", que nesta data num longe ano de 1532 se demitiu do seu cargo oficial, porque o seu pensamento não era negociável, a sua palavra não tinha preço.
Foi isso que me ensinou o Professor Fernando Moser nas aulas de Instituições e Cultura. Ensinou-me pois a fidelidade absoluta aos princípios. Eu também gostava de transmitir este princípio a alguém. Pelo menos aos meus filhos!

5 comentários:

dakidali disse...

Também eu tento transmitir a fidelidade aos princípios, defender aquilo em que acreditamos, ser humilde, assumir os nossos erros, aos meus filhos e aos meus alunos.
Beijinhos

C.S.A. disse...

Não desistas, Mad, educadora de homens, ainda que neste mundo isso seja cada vez mais, eu diria confuso, antes de dizer difícil. Andamos todos em busca de novos caminhos.
Um beijo, amiga.

Ni disse...

É o nosso dia a dia,Madalena,difícil,nem sempre compreendido,nem sempre(quase nunca)valorizado mas com uma vontade firme de manter o rumo e continuar a transmitir todos os valores em que acreditamos.
Um beijinho daqui da Sala de Informática da minha escola.
É raro não ter alunos por cá mas hoje aconteceu.

Pitucha disse...

Lá ficam as sobrinhas abandonadas...
Vou fazer queixinhas à Ti.
;-)
Beijos

ARTEMINORCA disse...

Bem, também eu. Fidelidade a Princípios. Encontro isso em quase todos os pensadores e raramente nos políticos.
Encontramo-nos no Chuinga e, a partir daí, dei um pulo até cá.
Prazer em conhecer, colega!
Luísa