quarta-feira, 12 de julho de 2006

Naturalmente

"Os primeiros fumos subiam das casas da sanzala e parecia, agora que os dois mundos se tinham separado- o branco e o negro-, que a paz e a ordem das coisas naturais tinham descido sobre a roça. Mas foi apenas uma breve aparência de paz: um silêncio, vindo das entranhas da terra, subira pela floresta adentro e tomara conta do obó, onde todos os ruídos se tinham calado, como que a um sinal oculto. De longe, no silêncio instalado, ouviu-se então o canto do ossobó e foi ele que preveniu o guarda de serviço. Num instante o sino da roça tocou em desespero e logo uma multidão de mulheres emergiu da sanzala para recolher apressadamente os tabuleiros de cacau. Um sopro de vento vindo do mar subiu até ao obó e toda a folhagem e mesmo a copa das árvores, algumas altas de trinta ou quarenta metros, estremeceu à sua passagem, como se passasse uma tragédia. Três minutos depois, bátegas de chuva, grossas como pedras, começaram a cair e de repente todo o céu rebentou em estoiros de trovões, raios que iluminavam a mata como se tivesse voltado a ser dia, e um dilúvio vindo das alturas desabou sobre a terra vermelha."
Foi a bordo deste "Equador" que eu cheguei a São Tomé e voltei a sentir a força da chuva tropical, que não apaga o calor, mas revela o esplendor verdadeiro de uma natureza bravia. Nada é pequeno! Nada é pouco! Nada é suave! A calma dos sentidos não mora ali!
12 de Julho de 1975, um dia para celebrar em São Tomé e Príncipe!
Obrigada à IO, pela lembrança!
O Equador, como toda a gente sabe, pertence a Miguel Sousa Tavares!

4 comentários:

IO disse...

Um grande romance que fez sentido aqui citares, obrigada por este 'post' - um beijo para ti, outro para o país verde, com o futuro por inventar, IO.

Pitucha disse...

Também adorei o livro. E adorei S. Tomé! E agora adorei o teu post. E está sol em Bruxelas. Tudo a postos para um dia escelente.
Beijos Tia mailinda.

125_azul disse...

O cheiro, a cor e os sabores. Não é do que mais sentes saudades? beijinhos

CÁ FICO disse...

colonialista...e alfacinha!