sábado, 16 de junho de 2007

David, o gigante

(Será Junho o mês escolhido pelos poetas para partir?)
Hoje, procurando nos locais habituais, encontro mais um gigante: David Mourão Ferreira.
É do nosso tempo. É do meu tempo. Dele, guardo a memória linda do homem que fez barreira contra a polícia de choque, a proteger os estudantes da Faculdade de Letras. Era uma estudantada. Era um molho de gente jovem que, provavelmente, na sua maioria não sabia muito de política, nem estava à espera daquela "visita" e, muito menos, da sua entrada pela "janela dos fundos".
Hoje sorrio ao medo de então e pergunto-me onde andará a minha colega grávida, com quem fugi para uma das casas de banho? Terá sido menino? Terá já nascido depois de Abril? É que Abril já andava muito próximo e era por isso que os gorilas tinham passado a presenças permanentes na Faculdade.
E o gigante David Mourão Ferreira ali estava, empunhando as suas armas: as suas ideias e o seu cachimbo, inseparável desta imagem que ficará para sempre gravada a doce na minha recordação de quase menina, cheia de medo de perder ali os sonhos.
Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?

Ali, no meio do medo, o poeta era o Gigante, o homem que crescia cada vez mais, perante o perigo e a ameaça.

imagem daqui

3 comentários:

Laura Lara disse...

O Homem que escreveu no seu "Testamento":
"Que fique só da minha vida
um monumento de palavras..."

... e ficou.
Beijinhos agradecidos

Madalena disse...

Obrigada, Laura, pelo contributo do teu conhecimento. Eu não sabia! Mil beijinhos.

Betty Boop disse...

Apareci por aqui atras de uma imagem (que publiquei no meu blog - deixei o link, espero que não se importe)...
...e encontrei muito mais!

Também não sabia...

Mas guardo as palavras!