domingo, 23 de março de 2008

Uma questão de respeito

Por uma questão de respeito, e tão-somente por respeito, penso que o acontecimento da Escola devia deixar de ser aproveitado, sobretudo pela classe política, que tem, no mínimo, uma grande parte de responsabilidade sobre o que está a acontecer nas nossas instituições, sejam elas escolas ou outras.
Pelos jornais e televisões, também.
O que tinha de ser dito já foi dito. Se foi dito, com seriedade e com a preocupação inerentes a um incidente tão grave, e em momento próprio, foi bem dito.
Agora, passados que são já alguns dias sobre o acontecimento, dissecá-lo até às vísceras é, para mim, uma enorme falta de respeito para com a professora.
Quando não há já nada para dizer, as televisões passam em rodapé, nos vários noticiários, que "a professora agredida está em casa". Onde é que havia de estar?
A verdadeira compreensão e solidariedade para com a professora passam agora por uma atitude de contenção da ânsia de comentar, inutilmente, o comentado.

4 comentários:

IO disse...

Infelizmente, parece que a única solução para o país acordar, já que só liga ao que dá na tv (apesar de há anos ouvirmos dizer que os putos batem nos prof’s e ninguém no ME faz nada, também há anos) é incentivar os miúdos a filmar cada ‘festarola’ destas...

Beijo,
IO

papoilasaltitante disse...

Não posso deixar de concordar!
Neste momento chega!
País da treta este.
Bjs

IC disse...

É isso mesmo, Madalena. E até é lamentável que, para alertar a opinião pública (e o ME?)e para se fazerem debates sobre o problema dos comportamentos dos alunos tenha que se aproveitar um vídeo que só existe e foi conhecido devido a precisamente um acto altamente reprovável de um aluno ao filmar uma aula sem autorização. (Até parece um pequeno herói e outros miúdos gostam de imitar os seus "heróis")
Beijinhos :)

IC disse...

Ainda voltei para acrescentar uma coisa, porque considero eticamente discutível a divulgação (ainda por cima até à exaustão) do vídeo pela comunicação social. A professora não é uma mera figura simbólica, tem rosto, é uma pessoa. Se lhe pediram autorização e a deu, tudo bem. Mas duvido, e, então, como se vai agora ensinar os jovens que não se deve (creio até que é proibido por lei) publicar filmes de espaços não públicos sem autorização dos filmados? Hoje são aulas, amanhã vai um garoto de telemóvel a casa de um amigo, filma uma cena familiar a que assiste e publica no YouTube ou noutro sítio qualquer, e se depois argumenta que a comunicação social também já fez divulgações dessas para todo o país, que lhes respondem os educadores?
(O caso podia ter sido descrito; usar o vídeo acho discutível. E a primeira condição para que os putos reconheçam autoridade nos adultos e os respeitem é que estes dêem o exemplo nomeadamente de respeito)

Desculpa, Madalena, ter ocupado tanto o teu espaço, para mais cheguei atrasada :o)