sábado, 11 de setembro de 2010

Cohen, "Our" Man

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in...

Com jeito de quem responde a um pedido, a voz de Cohen "dançou-nos" até à mais íntima das nossas emoções. Cohen não precisa ser maior, nem parecer mais robusto fisicamente. A voz e a certeza que transmite conduz-nos numa dança, às vezes veloz, outras vezes nem tanto! O chapéu ajeita-lhe a figura magra, esquelética e o gesto de tirar o chapéu como saudação ou respeito é repetido vezes sem conta, ao longo das três horas e muito que dura o espectáculo. Poucas vezes o ecrã gigante transmite a imagem da cabeça quase toda branca. Na tela aparece quase sempre um Cohen do peito para cima, com destaque privilegiado para o rosto. O resto é um chapéu. Cinzento, neste caso. Não sei se muda de show para show. Mas o chapéu empresta a esta figura a tonalidade da sedução de Humphrey Bogart. E o microfone acrescenta-lhe o charme, à falta (abençoada falta!) do cachimbo ou do cigarro que compunha muito a figura do sedutor dos anos cinquenta.
Cohen começa a cantar de joelhos, levanta os olhos do chão e pousa-os no guitarrista que se agarra ainda mais às cordas e dedilha fortemente para acompanhar a força das palavras cantadas pelo nosso "Homem".
O palco está cheio de estrelas. O público é bem comportado. Na sua maioria, jovens dos anos sessenta vieram mascarados de pessoas "normais" (até um ex-ministro disfarçado de pessoas normal lá estava!), mas os sucessivos "encores", levaram-nos a "soltar as paredes" de uma correcção postiça e aí foram eles olhar de perto a Lenda, ouvir mais perto, sentir mais perto. E irrompe subitamente um cenário de "beatlemania" junto ao palco. Tudo canta!
Gostei!

4 comentários:

O Baú do Xekim disse...

Olá amiga.

Feliz fim de semana.

Beijinhos.

Gatapininha disse...

Gabo-te a paciência para ver concertos, fechada.

Também gosto muito de ouvir o cota!

jokas

Janine disse...

"Cohen não precisa ser maior, nem parecer mais robusto fisicamente."
Bela frase, querida Madalena! O essencial está na música e no sentimento que ele transmite...
O verdadeiro artista.
Um beijinho muito doce.

Natália disse...

Beijinhos Madalena.