sábado, 23 de abril de 2011

João Maria Tudela

João Maria Tudela, o cantor que ouvi toda a minha vida cantar a minha cidade.
As palavras e os sons tocam-nos, ao longo dos tempos, de maneira diferente. À medida que a minha cidade foi ficando cada vez mais distante, a cantiga foi ficando mais perto. Os versos traziam-me as minhas ruas. Até me traziam a mim. A voz foi-se ligando de modo forte à minha memória, ganhou laço de família de coração e, estranhamente, o cantor não envelheceu.
Independentemente das várias modas e preconceitos da cantiga, apesar da modernização da canção, Tudela manteve-se fiel a um estilo e ficou no meu imaginário na categoria do moçambicano de verdade: aquele que assume todas as suas culturas, todas as suas almas, todos os seus tempos, os passados e até os futuros. As suas cantigas mais emblemáticas fazem-nos viajar de uma casa portuguesa, com certeza em Lisboa, num dos bairros onde mora a "alma" da cidade, até Moçambique inteiro, "que palavra tão bonita, fique lá onde ela fique, diga lá quem a disser", até à Beira, "à beirinha do mar que te beija", Lourenço Marques, a tal cidade do "não sei quê", a dele e a minha. Podemos até passar por Inhambane, que vem no mapa dos seus versos, "onde o céu é azul e o sol tem mais cor".
Conforta-me a ideia de ter sido um homem realizado a quem nunca faltaram os amigos e que conseguiu cumprir sonhos, nomeadamente ver os filhos crescer. Há pessoas assim: não podem, nem conseguem morrer!
Podemos ouvi-lo aqui!
Link "gentilmente" retirado do Miguel Innersmile. Kanimambo, Miguel!

3 comentários:

Gatapininha disse...

Fica sempre a saudade...
jokas e boa semana:)

Graça Pereira disse...

Hoje passo, para deixar um beijo á "mãe Madalena". Feliz Dia!
Graça

Janine disse...

Querida Madalena,
As palavras sempre tão bonitas...
Um beijinho enorme. Boa semana.