domingo, 22 de abril de 2012

Avó Madalena

Nós, cá dentro, temos uma espécie de alguidar, peça de cozinha indispensável no tempo das nossas avós. Eram de barro e só de olhar faziam crescer água na boca. Ali se batiam os bolos ou outras massas. Ali se juntvam as batatas aos palitos ou às rodelas, antes de passarem à frigideira cheia de azeite a ferver... Dentro de mim, há um desses alguidares. Junto desse alguidar cheio de memórias, afectos e saudades está a minha Avó Madalena. A minha "imensa" avó! Era imensamente grande e os olhos eram imensamente verdes. O amor por nós era imenso e cada um de nós se sentia alvo de especial preferência. E nós mergulhávamos naquele imenso colo com a certeza de estarmos seguras longe de todos os males do mundo. Tudo, naquela casa, era preparado pela minha avó Madalena! À tarde, depois do almoço, sentava-se com a minha tia, num quarto pequenino, onde estava instalado tudo o que dizia respeito à costura. Cosia-se, fazia-se renda e bordava-se. Nós, os mais novos, fazíamos piruetas em cima da cama de ferro que devia estar lá mesmo para isso. Mais tarde, chegavam as minhas outras tias e a conversa seguia ao ritmo do crochet e das meias a "passajar". Riam muito, especialmente a minha avó e a minha tia "pequenina". A vida era simples. Ou talvez não fosse. Mas, pelo menos, parecia! E a minha avó Madalena estava como queria: com os seus sob controlo! A vida foi passando e o momento de eu me tornar Avó Madalena foi-se aproximando. Tal como se aproximaram as memórias e o desejo de ser mesmo uma Avó Madalena, tão avó como aquela que eu tive!

domingo, 1 de abril de 2012

Parabéns, filho!

Parabéns, filho!
Há 37 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, nasceu o Diogo!
Não me canso de citar Mia Couto: um filho é que dá à luz uma mãe!
Revejo, com muita frequência, as fotos dos meus filhos. Gosto de recordar os meninos que foram. Todas as recordações da infância dos meus filhos são boas, excepto as que têm a ver com as doenças inevitáveis das crianças, com a aflição que se apodera de nós, mães, pais, avós. A infância dos meus filhos foi a minha própria infância, sobretudo no que diz respeito à fantasia. Quando se cresce, adquire-se essa competência de usar a fantasia com equilíbrio e responsabilidade. Pelo menos eu senti que isso me estava a acontecer: sem castigos nem prémios, vivi esta segunda oportunidade de me passear pelas florestas encantadas e de encontrar sempre a coragem vestida de personagem de um qualquer conto de encantar...
Voltando ao dia de hoje!Esta fotografia tem 36 anos, de acordo com o registo escrito que a acompanha.
A festinha do primeiro aniversário do Diogo tinha acabado e os amigos, os grandes e os pequenos, tinham já debandado.
O dia tinha sido bem vivido e isso nota-se bem! Que todos os teus dias de anos sejam sempre bem vividos, Diogo!