sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Pensionista!

Nunca pensei muito na reforma. Estava sempre para lá da minha linha do horizonte. Era assunto, situação, condição, sei lá!, que pertencia à categoria dos "improváveis".
No entanto, percebi, não sei se a pouco e pouco, se de modo brusco e repentino, como aquelas travagens que deixam fumo e barulho, mas percebi, dizia eu, que estava a chegar ao fim de um caminho. Estava na altura de entrar nos dias da idade que ficou no nosso imaginário como os dias do banco do jardim,os dias da deambulação e da procura da realidade perdida...
Primeiro foi a decisão, depois foi a burocracia, depois foi a notícia, na carta seca da Caixa Geral de Aposentações, sem beijinhos nem corações de despedida. Mais dois meses e veio a confirmação, em letra de lei. Finalmente, hoje, o Cartão de Pensionista! Nem cumprimentos os senhores da CGA me mandam!
Mas....
Guardarei para sempre a memória dos quadros e do giz! 
Guardarei para sempre a recordação de dias assim, como o que a fotografia documenta, dias em que os corações parecem fugir do peito para brincar à apanhada, ou outra brincadeira qualquer, à revelia dos regulamentos cheios de vazio no que toca a afectos e sentimentos. 
Sorte a minha que trago comigo os registos dessa memória que não quero perder. Se  isso acontecer, encontrem-na e tragam-ma!
É o meu pulmão. Sem ela, não respirarei jamais.
(Aqui ao lado, tenho a tal carta. O cartão, em duplicado, está lá dentro.Temos tempo!)




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