segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Era um vez um caroço no peito...

Era uma vez um caroço no peito.... 
A geração da minha mãe, ela própria, diria as coisas assim, pois jamais a palavra "mama" nasceria na conversa de uma verdadeira senhora. E "nódulo" também não fazia parte do património das palavras,  por referir uma entidade do mundo da ciência, da medicina, para ser mais precisa.
Mas mesmo chamando-lhe caroço do peito era, foi, é e será, ainda por muito tempo, um adamastor, capaz de gerar um medo ainda maior que aquele que habita a obra maior da nossa literatura.
Era uma vez um caroço no peito, um nódulo da mama, que se confirmou ser o tal medonho cancro. Até me custa escrever a palavra porque.... Porque sim....
E, seguindo os trilhos da ciência, passando a frequentar mais o hospital do que qualquer outro lugar, buscando em todo o lado um apoio de um "igual", acabamos por nos encontrar, por encontrar em cada uma das muitas mulheres mais do que a solidariedade na condição tão eufemisticamente representada por um laço cor-de-rosa.  Fortemente enraizada nessa solidariedade, nasceu e cresceu a amizade, a verdadeira, a que se pratica. O poema de O'Neil ilustra bem a espontaneidade deste afecto: "mal nos conhecemos inauguramos a palavra amigo".
Sobre a descoberta do caroço no peito já passaram seis anos e sobre o nó deste laço passaram cinco.
Todas afirmam preferir não se terem conhecido....
Mas, já que aconteceu, que esse caroço continue a ser a semente de momentos únicos de boa disposição e alegria. Sim! Não é engano de post, nem de situação. Os momentos em que nos juntamos são sempre regados de alegria. E nem é preciso muita sangria. Basta um dedo para brindar!
À Vida! 

4 comentários:

Natália disse...

Estava destinado que um dia nos íamos conhecer.
Não foi pelo melhor motivo mas hoje agradeço a Deus por nos ter juntado nesta luta,eu já não conseguia viver sem vocês.
Madalena eu já não conseguia viver sem a vossa amizade e o vosso apoio,o dia de ontem fez-me muito bem.
Obrigada por seres minha amiga,por estares sempre aí desse lado para me ouvires,para me dares força e teres sempre aquela palavra amiga que me faz tão bem.
Obrigada a todas.
Beijinhos.

Gatapininha disse...

É verdade, nenhuma queria se ter conhecido por causa da doença, mas aconteceu e ainda bem que ficámos unidas pela amizade e apoio na luta para sobreviver :)

jks

Lina Querubim disse...

Foi pelo "caroço no peito" que nos encontramos....nada é por acaso!
:-) beijinho

Lucinda Maria Pinto de Almeida disse...

A verdade é ninguém se queria conhecer por esta razão!!!
Mas foi tão bom conhecer-te Mada e tenho tantas saudades tuas!!!
Um beijinho e um abraço do tamanho do mundo.