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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Coisas de memória

Em casa dos meus pais havia um giradiscos, móvel e electrodoméstico que hoje só tem lugar num museu. Julgo eu! Deve vir, no tempo e no espaço, logo a seguir à grafonola.
É bom termos memória e termos vivido um tempo que pode comparar-se ao de hoje. Na época, havia evolução e modernidade, naquilo que hoje nos parece, e é, caco e velharia. O gira-discos, ou pick-up para os mais snobs, foi na altura um grito da moda que levou às casas e às famílias da classe média muita cultura musical e literária também.
Literária, sim, pois foi no velho gira-discos, devidamente enfeitado com os melhores "bibelots", pois o móvel merecia, que eu ouvi e aprendi a Toada de Portalegre, pelo talento poderoso de João Villaret.
Ontem, desarrumei esta memória, para lhe juntar um dado novo: a própria casa de José Régio, com os bons e os maus cheiros guardados apenas nos versos; a vista da janela, que em tempos, certamente, os olhos abraçavam mais...

domingo, 19 de abril de 2009

Parabéns, Susan!

There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting
There was a time!

Para Susan Boyle as portas do sonho estão abertas. Perseguiu-o e apanhou-o, apesar dos risos cínicos dos que não avaliaram bem a força daquele sonho. Daqueles que nem sequer o vislumbraram numa simplicidade que os palcos da fama não conhecem (e agora sim, o sonho é outro!) nem sonham que pode existir.
Foi uma questão de segundos. Não foi preciso mais tempo para a voz da Susan rasgar todos os preconceitos!
Parabéns, Susan!A Luh bem avisou!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Notícias que não me passam ao lado

Pelo contrário: estilhaçam a barreira das emoções mais minhas, aquelas que nem às paredes devo confessar, para não passarem para lá dos limites de segurança.
Uma delas foi, sem dúvida, a da menina que nasceu "livre" do gene do cancro da mama. Fico feliz, pois o cancro da mama aparece em mulheres cada vez mais novas e isso dói muito na condição de mulher-mãe. A idade jovem da mulher é importante, não só pela juventude e saúde do seu corpo, mas também pela maternidade e tudo o que envolve este milagre que é dar à luz um filho. Ou dois ou três, ou seja lá quantos forem. Mesmo importado "via-coração", a mulher jovem precisa de ter o corpo livre desta ameaça, para poder sonhar o futuro dos seus filhos. Claro que eu falo dos medos que eu tinha quando era nova e os meus filhos eram pequeninos e tão meus, tão meus, que os achava absolutamente intransmissíveis. Por isso, esta notícia acertou em cheio no meu coração!
A outra notícia que me fez tremer foi a de uma jovem, ex-atleta, grávida que foi vítima de hemorragia cerebral e a quem foi possível fazer o parto mesmo depois da sua própria vida ter terminado. Como dizia Mia Couto, num dos seus belíssimos contos: naquele corpo, a vida fez horas extraordinárias. Dizem que a literatura é ficção. Ali estava pois a prova de que a literatura pode antecipar a realidade!
E finalmente a notícia que fez correr mais tinta, que gastou mais luz no mundo inteiro. A felicidade do menino Cristiano Ronaldo. Quem estava ali, perante os nossos olhos, num palco do mundo, era um menino feliz. Naquele momento não havia Ferraris nem Bugattis, nem Mourinhos, nem milhões! Havia, sim, a emoção sincera de um menino.
Sim, que uma Pessoa nem sempre é de ferro!Ao lado, passei eu deste Pessoa em bronze, no momento exacto em que uma menina brincava com o pé do poeta num alheamento poético, digno da pessoa ali esculpida, digna da poesia que a vida também tem.